sábado, 24 de agosto de 2013

Paixões Culturais para Hoje e para o Futuro

Bom, meus amigos e amigas, já que o governo pouco ou nada quer fazer pela cultura neste país (e não me venham falar de que não há dinheiro, não sejam piegas!), temos de os acordar para a vida. Comecemos então hoje por assinar a petição para se debater e encontrar solução para o problema da Cinemateca (notícia aqui) naquela que deveria ser o símbolo de liberdade democrática em Portugal e cada vez mais é a vista como a moradia de corruptos, a Assembleia da República. Desde do Regicídio que temos vindo a perder identidade cultural (e não, não sou monárquico, sou apologista de democracias seculares e constitucionais), da monarquia à república, da república à ditadura, dessa velha senhora à revolução (ou para ser historicamente exacto, golpe de estado), e daí, via (des)União Europeia e (des)Acordos Ortográficos, ao Deplorável Estado Novo a que chegámos. Não nos podemos arriscar a perder este registo tão importante da nossa História, mais outro tanto da nossa herança colectiva e personalidade nacional. Aquando do Terramoto de 1755, o Marquês de Pombal, no meio de escombros, fogos, fugas de prisão e mortos acumulados, preocupou-se e bem em assegurar a protecção da Torre do Tombo. A Cinemateca é o equivalente em versão cinematográfica, um registo do século passado em celulóide da 7ª Arte em Portugal. Não teremos agora o mesmo espírito e visão para salvarmos a nossa cultura? Poder-se-ão identificar ou registar via facebook, aparentemente, e não perdem mais que 1 minuto se tanto a assinar a petição. São precisas pelo menos 4 mil assinaturas para ir ao plenário:
Feito o nosso dever de cidadão, podemos agora virar-nos para aquilo que o nosso país e os amigos deste último nos podem oferecer, para nos divertirmos, descontrairmos e aproveitarmos as férias ou as horas de lazer. E estranhamente, também é a cultura e não o governo quem nos providencia estas coisas.
Já agora, que vivemos numa época em que toda a gente procura uma oportunidade, eis duas para quem estiver nas condições de as aproveitar. As imagens abaixo vêm do pdf informativo de Agosto da embaixada do Japão (agora que já desistiram do AO90 e se auto excomungaram do mAO90ismo, já posso copiar directamente as imagens). São respectivamente o teste de proficiência na Língua Japonesa, na Universidade do Porto e uma bolsa de investigação para viver no Japão para doutorados com menos de 65 anos:
Sigamos então para a paródia. Para o dia 25 de Agosto, amanhã, tenho uma proposta para quem está por Lisboa e outra para o país todo.
Para quem está em Lisboa é o último dia da iniciativa Lisboa na Rua (cartaz abaixo[este nada tem a ver com a embaixada japonesa]) e peço-vos imensa desculpa de não ter postado isto antes, mas sou recentemente me deparei com o poster online. Também não tenho estado em Lx, senão nos últimos dias.
Para todo o Portugal, a oportunidade de verem Auroras Boreais (notícia da P3 aqui) em pleno verão, amanhã dia 25, às 2h30 na Europa, poderão ver via internet as transmissões destes eventos celestiais através de dois sites:

Quando adiro a este tipo de iniciativas, penso sempre aquela frase que me maravilha à anos do Oscar Wilde: "Estamos todos na sarjeta, mas alguns olham as estrelas.". Frase de grandiosa simplicidade que se traduz numa enorme e verdadeira profundidade. Por falar em olhar as estrelas, apanharam as Perseidas? Eu vi. Já tinha visto estrelas cadentes antes, mas estas viam-se mesmo bem! Parecia que alguém estava a riscar fósforos enormes na nossa atmosfera! ehehhe Não, contínuo ateu... sorry!
Bom, deixemos as estrelas e voltemos-nos para o Futuro (não, não vou armar-me em Maya). Vamos ver o que há na Agenda Cultural para o mês que vem (assim, recebem aviso com tempo :P ). Dois dos eventos já falei deles aqui noutro post, mas vale a pena recordar:

Dos eventos anunciados pela Embaixada do Japão, restam-me anunciar dois:
              -» a 7ª edição do Motelx:
             -» e uma "Tarde Cultural Japonesa com o grupo Kiwakai":
Mas ainda não acabei, porque o N.I.N.J.A. Samurai é contra a centralização e não é adepto de bairrismos ou clubismos.
Em Évora, os amantes do ciclismo, esse nobre desporto que ressuscitou a moral francesa depois da 2ª Guerra Mundial, que é cada vez mais a marca de um país civilizado e cada vez menos a dos países em vias de industrialização (que evolução tão inesperada, mas ambientalmente inteligente, e que demonstra que por vezes para dar um passo em frente necessitamos de dar dois para trás), poderão divertir-se no BikÉvora 2013. «Uma feira “low-cost” de bicicletas e um passeio de ciclismo para ligar os templos romanos de Mérida (Espanha) e Évora são duas das atracções do BikeÉvora 2013, que vai decorrer de 14 a 22 de Setembro.», in P3 (link para o artigo aqui).
Já que falamos de bicicleta, um café no porto que me despertou o interesse e atenção é o Urban Cicle Café, "é uma loja de biclas, que é café que é oficina", in P3 (link para o artigo). Não sei como a ASAE lida com isso, nem me interessa. Adorava ir visitar e aplaudo o conceito.
Ainda antes de largos as bicicletas, queria chamar a atenção para uma micro empresa baseada em Sintra, onde se criam guiadores para poderes personalizar a tua bicicleta (link para o artigo). A Classica Bikes só funciona através do seu site de momento e é um projecto em fase de arranque. É melhor encomendarem depressa antes que os preços aumentem! ahahha
E já que se fala em Sintra, pois que se faça saber igualmente, que por 3 euros se pode alugar um carrinho de golfe eléctrico para andar a abrir nas curvas do monte que leva ao palácio da Pena, por exemplo. Ora vejam:
http://p3.publico.pt/vicios/em-transito/9013/em-sintra-ja-ha-carros-electricos-amigos-do-ambiente-para-passeios-low-cost
Para quem tiver a oportunidade de dar um salto a Matosinhos, poderá divertir-se com a Feira Medieval de Matosinhos, já no mês que vem:
Por falar em desempenhar papéis e colocar adereços, quero apenas chamar-vos à atenção para uma pequena notícia que um amigo meu colocou no Facebook, sobre este simpático mascarado (que obviamente é fã dos Power Rangers) que anda pelo Metro de Tóquio a fazer boas acções (imagem abaixo e link aqui).
"Há malucos para tudo", diz o povo português, mas fossem todos como este. A máscara tem uma função que é, segundo declara o próprio mascarado, ajudá-lo a contornar a mentalidade japonesa que segundo ele dificulta a que os japoneses aceitem ajuda, por temerem ficar a dever favores. Esconder a sua identidade é uma forma simbólica de dizer apriori e sem falar que nada quer em troca.
Já que estamos no tópico de voluntariado, para TODOS os Guerreiros da Paz espalhados por Portugal, que parece um sítio deixado aos caprichos de Nero, sejam voluntários ou profissionais, aos que vivem e aos que deram a vida, aos que neste momento se debatem com dragões: obrigado, força e um grande bem haja. E contem com o meu apoio na vossa luta. Aos governantes, pelo menos arrangem seguros condignos para os voluntários, porque o que se tem visto nas notícias é ridículo. E sr ministro Miguel Macedo, faça lá o obséquio de parar de dizer barbaridades como os incêndios são uma inevitabilidade e comece a apostar em políticas que impulsionem a limpeza das matas e a vigilância destas, políticas preventivas, que vê logo as ocorrências diminuírem drasticamente. O que se tem visto nas notícias mete nojo.
Por último, e como falei de protegermos a nossa identidade, eis três links engraçados para tal:




Antes de me despedir, só indicar que este People Sleeping Project tem uma página de facebook:

Agora sim, durmam bem, tenham um excelente dia amanhã e reencontramos-nos aqui, em breve!
Arigato & Sayonara, tomadochi! ;)

P.P.S.: tenho sempre de ter um destes... no post anterior, sugeri-vos que fossem ver a curta da Oceana ao PFShorts Fest no Teatro Rápido, na Baixa Lisboeta. Pois eu fui e eis a minha crítica ao evento e às curtas metragens que por lá passaram, feita noutro blog em que colaboro dedicado inteiramente a crítica de cinema: http://74rte.blogspot.com/2013/08/pfshorts-fest-no-teatro-rapido.html

domingo, 11 de agosto de 2013

(Des)dobrando o Natsu

Boas, pessoal! É Verão, já repararam? :D Está um calor do caraças no ano que cientistas (devem ser formados na mesma universidade do Vítor Gaspar, especializada em previsão astróloga e afins ciências herméticas que não funcionam!) indicaram como sendo o menos quente nos últimos 200 anos. Mas estou a ser injusto, afinal a meteorologia não é uma ciência exacta e a astrologia nem ciência é. É que é difícil de acreditar e, se seguirem o link acima, é de realçar o "poderá ser" metido no cabeçalho da notícia do Público. Faz-me lembrar os Romanos, que quando andavam a conquistar aqui a Ibéria, praguejavam constantemente sobre o clima (ou assim rezam historiadores da época que sobre isso escreveram já séculos depois da ocorrência e que são as únicas fontes disponíveis), dizendo que os Invernos eram rigorosos e os Verões insuportáveis. Cá para mim, o aquecimento global está é a mostrar-se à grande e o buraco (e não refiro ao que a ministra mostrou, tá JN? :D) do ozono sente-se bem, pois quando eu era puto podia-se estar na boa sem protecção e ao meio dia ao sol e agora fico escaldado, todo lagosta, se o fizer!
Enfim, não se esqueçam é de beber muita águinha, entre as bjecas claro está, e se quiseram, e não viram o ano passado, vejam este post que eu fiz sobre o Verão intitulado simplesmente Natsu: (clicar aqui para ir para o post em questão).
É, para quem tem essa oportunidade, tempo de ir à praia (seja marítima ou fluvial), mas cautela, podem haver percalços que estraguem o dia, como avisa o Público online:
10 coisas que podem arruinar um dia de praia
E, como eu sou todo do lowcoast, instigo-os a fazerem o vosso próprio brinquedo biodegradável:
Nós por cá, este ano, já tivemos uns contratempos com as águas marítimas: uma infestação de algas marítimas em Lisboa e Margem Sul; uma praga de mosquitos em Silves, no Algarve; e, mais recentemente, em duas praias na Quarteira, devido a um problema de esgotos. Enquanto o primeiro caso foi a Natureza em normal funcionamento, como tal foi levantada a interdição de banho nas praias em Lisboa & nas praias da Costa da Caparica, nos outros casos mais sul, foram definitivamente causadas por ineficácia dos serviços sanitários da zona, e vivendo essa região essencialmente do turismo desta época de férias e verão, deviam prestar bem mais atenção particularmente a tudo o que possa pôr em causa a subsistência da população local. Mas desengane-se quem pensa que isso só acontece neste nosso país de 2º mundo. Não, senhor. No Japão, um dos G8, as águas infelizmente também acusam problemas.
A praia de Tokyo reabriu após um esforço de 51 anos (clicar aqui para obter fonte em inglês), sendo que o que levou a que a praia à beira da metrópole plantada, cuja vista é dita no artigo deixar muito a desejar, fosse interditada a banhos foi precisamente o que permitiu a ascensão económica do ainda Império do Japão (têm imperador): a vasta industrialização do país. "Enquanto crescíamos economicamente, senti que perdíamos algo.", afirma Yuzo Sekiguchi, que é arquitecto e que, impulsionado por memórias antigas de pescar à beira-mar em Tóquio, criou uma organização de fins não-lucrativos em 1977, instrumento para a acção de luta, que durou cinco décadas, para restaurar a costa de Tóquio. A sua convicção fortaleceu devido ao que encontrou em viagens que fez pelo o oeste asiático (Afeganistão, Índia e Paquistão), onde reconheceu, nos olhos das pessoas que lá encontrou, em particular das crianças, um brilho especial. Achou que algo estava mal no seu país, em que as crianças cresciam fechadas em salas de aula demasiado lotadas, preocupadas em entrar em colégios de elite para obterem bons empregos, mas sem qualquer contacto com a Natureza. Iam à praia, se por ventura a casa da avó fosse numa zona marítima, mas em Tóquio não podiam. Sekiguchi decidiu que a responsabilidade era dos adultos e que, pelas crianças, a situação tinha de mudar. E essa luta foi tão custosa como morosa. Muito embora fosse tarefa difícil melhorar a condição ecológica das águas, o mais difícil foi conseguir o apoio dos burocratas governamentais, que ainda hoje não assumem qualquer responsabilidade na abertura das praias. "O governo local estava extremamente relutante em aceitar responsabilidade naquilo que nos proponhamos a fazer. A administração verticalmente dividida foi lenta a conseguir que alguma coisa fosse feita.", conta Sekiguchi, acrescentando "Eu não conseguia dizer para que serviam políticos e burocratas. Parecia que eles estavam lá para vincular o povo às regras deles." A abertura do Parque Kasai Rinkai aconteceu a título condicional. Os mergulhos são proibidos e só se pode estar com água até à cintura, pois as autoridades não aceitam responsabilidade pela qualidade das águas. É contudo permitido nada em Julho e Agosto. O parque é gerido pelo governo metroplitano de Tóquio, que avisa no seu site que a abertura da praia é da exclusiva responsabilidade a organização de Sekiguchi e não deles, e que pode ser fechada em caso de "ventos fortes, chuva, fraca claridade na água, ondas altas e relâmpagos". Sekiguchi explica como foi difícil chegar até aqui mas congratula-se por se ter conseguido pelo menos isto. Mas o activista marítimo prossegue, com vitalidade e inteligência, e já encontrou um poderoso aliado, portador de uma nova esperança, para o melhoramento progressivo das águas. Esse aliado provém dum estudo norte-americano, feito na baía de Chesapeake, na costa oriental dos EUA, que diz que ostras podem ajudar a limpar as águas. A organização testou este método num rio em Tóquio antes de a aplicar em Kasai Rinkai, demonstrando na minha opinião que se baseia verdadeiramente no método científico, não simplesmente aceitando a papinha toda só porque algum especialista "disse que" num ficheiro de excel defeituoso, como o nosso ex-fantasminha antipático lá das Finanças. A qualidade da água na praia melhorou bastante nos últimos anos e, após instalada uma vedação submarina para impedir a entrada de raias naquela área, a praia ficou segura e pronta a receber pessoas. Sekiguchi promete que isto é apenas o início e diz "Mas é algo que a nossa geração deve às nossas crianças. Precisamos de deixar um oceano em que as crianças possam sentir o sabor do Verão." SAÚDA-SE!
Eu acredito firmemente que se todos nos esforçarmos para tornar o nosso bocadinho do mundo um melhor sítio, ao somarmos todos os melhoramentos "individuais", criaremos um mundo melhor. Este senhor é um herói, se estes existem. Um exemplo de responsabilidade cívica aliada ao inconformismo. Um forte bem-haja, tomadochi Yuzo, e "a luta contínua" e "hasta la vitoria siempre"!
Entretanto, já me chegaram mais novas da embaixada do Japão em Portugal, através do boletim de Agosto, mas algumas delas já eu falei no primeiro post deste mês e as outras são para Setembro ou já foram, pelo que vou meter uma delas (que é para este mês e tem prazo limite para inscrição) e complementar com mais umas quantas de informações para actividades, procurando ser um pouco mais abrangente que apenas a grande Lisboa. Até porque é Verão e a malta precisa de preencher os seus dias com algo divertido, relaxante e, porque não?, culturalmente rico que nos permita enfrentar "o estado a que isto chegou". ;)
Portanto, até ao final do mês, farei outro post com os eventos que estão marcados para Setembro, que vêm no boletim da embaixada.
De resto, falemos de cinema, que pelos vistos e para minha tristeza mas não surpresa, é um negócio que se está a ressentir da crise à grande, mas também muito por culpa de quem vai ao cinema e de quem faz negócio do cinema (um tópico para outra altura).
No Porto, e um bem haja a quem organizou a coisa, tem havido durante este mês e vai continuar até Setembro, cinema à borla e ao ar livre. Eu soube disso através da P3 online, a qual vos vai informando nos dias, sobre que filme passa e a que horas, caso tenham um like na página deles no Facebook. Hoje, os amigos tripeiros poderão ver a reencarnação dos filmes "Evil Dead", por cá, "A Noite dos Mortos Vivos", cuja crítica escrevi aqui(http://74rte.blogspot.com/2013/07/evil-dead-2013.html).
Link para o artigo da P3: http://p3.publico.pt/cultura/filmes/8791/cinema-ao-ar-livre-e-gratuito
Para quem estiver no Algarve, à semelhança dos alfacinhas em Lisboa, também terão oportunidade este mês de verem uma curta metragem, intitulada "O cheiro das Velas", no Festival de Curtas-Metragens de Faro, a 31 de Agosto:
Em Lisboa, e como já tinha dito no post anterior a este, é já no dia 22, no teatro do Chiado. Para mais informações desta curta que participou do conceituado Festival de Cannes, no elenco da qual participa a deslumbrante e talentosa Oceana Basílio, cujos encantos e o próprio nome fazem dela uma perfeita embaixatriz do Verão. Não concordam?


Por falar na Maxim e nas praias alfacinhas, tenho que agradecer o jantar que a Maxim me ofereceu, que partilhei na excelsa companhia da minha amiga Ana (não, não é a outra revista com o mesmo nome), no beach lounge da Capricciosa de Carcavelos, que eu aconselho vivamente. Um óptimo espaço, excelente serviço e um staff mui simpático, boas pizzas como é praxe nesta marca, já para não falar na espectacular sangria de frutos vermelhos e da perfeita mousse de manga... estou a ficar com água na boca só de pensar nisso! O jantar demorou para aí umas boas 2 horas e meia e não foi só devido à conversa que fluía como água. A minha versão da pizza Maxim teria sido melhor escolha ;P, mas pronto ganhou uma menina, pois a votação foi via facebook e já se sabe como são vastas as listas de amigos delas, né? ahahaaha

E, já que falamos em estrelas, não nos limitemos ao cinema. Em Agosto, é altura de chuva de estrelas, que se conseguem ver a olho nu em Portugal, se se estiver numa zona sem iluminação pública. As Perseiadas, como são intituladas estas "estrelas cadentes", são um espectáculo natural e gratuito que merece ser apreciado. A noite de 13 para 14 de Agosto será o melhor dia para ver esta "chuva" cósmica, que nada mais é que calhaus que viajam a velocidades fantásticas e friccionam com a atmosfera terrestre. O nome provém da constelação Perseu, que está no quadrante do céu onde se podem ver os meteoritos passar. Olhem para nordeste.
Uma das minhas citações favoritas é do Oscar Wilde e diz: "Estamos todos na sarjeta, mas alguns olham as estrelas". Este espectáculo dá-se todos os anos, mas, como diria o nosso Variações: "Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje!"

E pronto, c'est ça! (recordando os bons tempos do escudo, em que os avec's [e uso o termo com carinho{Ça va, Christophe, mon ami? ;)}] retornavam todos a Portugal nesta altura do ano, porque só o câmbio do dinheiro dava para eles fazerem cá umas férias de lorde, e esse guito cá ficava... também são desse tempo??) Visita de médico e a correr, mas não tardarei muito a insurgir-me com uma nova entrada. Como diria o Porky Pig: "abdi... abdi... that's all folks"!
Um adios 4 now para os muchachos e para as muchachas um beijo tipicamente tuga mas em formato japonês:

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Jardim e Festa do Japão - uma crítica que se espera construtiva



Meus amigos, mea culpa! Já pareço o governo, que promete e não cumpre. Tinha-vos dito que esperava ter ontem escrito mais um post, chego-vos apenas hoje, já virado o mês. Mas há que salientar uma crassa e notória diferença entre a minha conduta e a do governo: eu tardo mas cumpro, eles (com)prometem(-se/-nos) e nem cedo nem tarde cumprem. Mas não vos trago hoje politiquices, muito embora vos trá-las-ei dentro em breve, não só banhadas de críticas, mas também recheadas de ideias que se não são inovadoras, são pelos menos exemplificativas de caminhos alternativos a esta nociva união nacional que se avizinha, baseada num consenso forçado pelo medo e numa ilusão de paz social feita apenas de retórica política, um verdadeiro e nada admirável estado novo que a concretizar-se para lá das palavras, ter-me-á como inimigo constante.
O que me traz contudo aqui hoje é cultura que vivi e que quero convosco partilhar.

Finalmente consegui ir a uma edição da Festa do Japão, em Belém. Este é o relatório do pedacinho que lá passei.
Já estava para lá ir desde a primeira edição, que, se não me falha a memória tinha ainda mais para ver que esta teve, pois não vi lá autómatos japoneses, por exemplo. Mas actividades não lhe faltou, como demonstra o link abaixo:
Também nunca tinha ido ao Jardim do Japão em Belém. Fica muito próximo do Padrão dos Descobrimentos e do Museu da Arte Popular, já para não falar de termos o Tejo com toda a sua beleza natural dum lado e o CCB, com a sua majestosa arquitectura, do outro. O jardim em si um espaço airoso e verdejante, e tive a sorte de o visitar pela primeira vez (aquela que nunca se esquece) num solarengo mas não demasiado quente dia de fins de Primavera lusitana. Ainda assim, esperava mais Japão naquele jardim. Algo mais assim:
Esperava jardins de areia e pedra, que não vi; esperava uma lagoa artificial rodeada de pedras com uma pontezinha a atravessar ao estilo nipónico, que não marcou presença; e, porque não?, uma daquelas fontes com um fio de água que corre a encher uma cana que periodicamente, quase uma clepsidra nipónica, se esvazia sozinha por meio tão-somente da gravidade; umas quantas de cerejeiras trariam uma muito em falta sombra e complementariam a imagem; já agora, que estamos com a mão na massa, uns Budas, um portal japonês, e talvez uma estátua de um dragão a invocar uma lenda japonesa, a de Izumi Kotaro por exemplo, e uma outra para o dragão de S. Jorge, fazendo-se assim uma ligação a Lisboa. Ambas as estátuas deviam estar orientadas, de forma a que a de motivo japonês estar a oriente da com motivo ocidental, e cada uma acompanhada duma placa com um resumo da lenda, em português e em japonês.
Tentei encontrar a lenda de Izumi Kotaro online, para a colocar aqui de permeio, em forma resumida, mas confesso o meu falhanço. Enfim, eis mais uma super-imagem (in memoriam dos super-ministérios já extintos do governo), que aconselho-vos a fazerem download para o vosso pc, afim de com o zoom, verem bem os pormenores, que contém em pormenor detalhado algumas da ideias que menciono acima:
Eu sou assim, um tanto ou quanto exigente. Eu sei, eu sei, estamos em crise… mas fica talvez a ideia para ser concretizada num futuro mais risonho. Dito isto, as colinas e vales que o compõem, em dimensões de Portugal dos Pequeninos, são perfeitos para um piquenique familiar ou de amigos, para namoricos à beira rio (cuja presença na Festa se fez sentir) e, last but never least, para as brincadeiras de crianças, daquelas que nem exigem brinquedos, como jogar à apanhada, brincar aos cowboys e índios, ou às escondidas… mas saberão os miúdos da era do smartphone e Facebook ainda brincar assim? Já começo a parecer os meus pais, quando falavam da minha geração do PC e das Sega Saturns. Lembro-me de ir uma vez a uma visita de estudo a Lisboa, na primária, não me recordo do ano, provavelmente mais uma ida ao Jardim Zoológico, e ver no caminho, de dentro do autocarro, o prédio majestoso, todo ele janelas de vidro que dizia simplesmente em enormes letras azuis e brancas: SEGA. Nessa altura, ainda a Sega fazia consolas, agora só faz jogos para as consolas dos outros e pc’s. Menciono-o não sem nostalgia, mas também por ser uma empresa japonesa. Mas digresso, nesta batalha diária entre o adulto emergente e a criança nostálgica que alimenta os meus sonhos.

Portanto, o Jardim ficou aquém das minhas expectativas, muito embora esteja um espaço bem cuidado, que peque apenas por falta de mais sombra. Mas e a festa em si?
Ora bem, a festa era composta de quiosques ou bancas com vários workshops que, segundo fui mais tarde informado por uma amiga (Obrigado, Tita), se fizéssemos todo o circuito de workshops com um cartãozinho que seria carimbado em cada bancada, receberíamos depois uma t-shirt do evento. Por não saber que assim era e também porque não dispunha de muito tempo, uma vez que estava na recta final duma fase de exames, não fiz o circuito. Espero que essa ideia se mantenha para o ano. Havia também um palco principal onde, durante o tempo que eu lá estive, se faziam demonstrações de artes marciais, estando representados várias escolas e estilos, armados e desarmados e mistos, de origem nipónica. Não podia faltar a zona comercial, onde se poderia diferenciar a zona de Comes & Bebes, onde a fila alastrava e se tornava cada vez maior (o que no meu tempo limitado me impediu de qualquer ideia de provar alguma das iguarias), qual um poderoso e serpenteante dragão oriental, e uma zona de bancas de merchandising, manga e produtos de ervanária japoneses. Havia também um quiosque de venda de cerejas do Fundão (imagem acima). Tinham excelente aspecto, e de bom grado teria dado os 2 euros pelo cartucho, não fosse mais uma vez a fila crescente combinada com falta de tempo. O povo Português a demonstrar que é efectivamente um excelente garfo, pois se haviam filas era para a comida! As cerejas estavam lá muito bem, pois têm um lugar de destaque na cultura japonesa, na vinda da Primavera, algo que já antes mereceu a minha atenção no post Haru:
Mas o que é uma festa sem convivas? E, felizmente, não faltava gente no evento, folgo em dizer. O dia estava convidativo e o pessoal não faltou. Velhos, novos, homens e mulheres, pessoas de todas as cores e formatos possíveis, mesmo como eu gosto. E haviam os que sobressaíam de entre a multidão: os praticantes de artes marciais, com os seus guis de treino; algumas mulheres japonesas com kimonos tradicionais, que estavam nas bancas de workshops e/ou que preambulavam pelo jardim; e os praticantes de cosplay, que se vestiam não só de personagens de manga, mas também de outras personagens menos identificáveis, numa mescla entre o espírito ibérico de Carnaval e o espírito nipónico do Cosplay, como a super-imagem acima (fotos minhas) e o vídeo abaixo (que não é meu, mas sim do canal de youtube da Ana Santos) testemunham:
Diria uma grande maioria, não tenho disso dúvidas, que a festa tinha então tudo o que era expectável. Eu nunca pertenci a uma maioria, excepto aquela para a qual nasci e sobre a qual não tive escolha por razões óbvias, a dos caucasianos, e portanto, fiel a mim próprio, pertenço à minoria que esperava mais deste evento. Queria workshops de Karakuri (autómatos japoneses), quiçá a possibilidade de comprar um na forma de kit para montar em casa (uma ideia para os senhores do merchandising), por exemplo?
Para alguém que adora “meter as mãos à obra” e “dar o corpo ao manifesto”, seria óptimo workshops das próprias artes marciais, onde quem quisesse pudesse ir aprender 3 ou 4 golpes duma ou de outra arte, mesmo dar uns trambolhões, o que para pessoas com formação prévia num ou vários estilos é sempre uma mais valia. Não exigiria muito, apenas alguns tatamis e a disponibilidade de 1 ou 2 senseis e/ou senpais, por parte a organização, e roupa de treino para os que quisessem participar dessa forma. Para quem pratica, há uma incomensurável diferença entre ver e fazer, acreditem.
Uma arte marcial que podia bem dar-se a conhecer desta forma era a do tiro com arco japonês. Foi feita, nesta última edição da Festa do Japão, uma demonstração de uma kata de tiro com arco no palco principal. Não se pode exemplificar o disparo de uma seta, por razões óbvias, mas para simular a tensão de disparar um arco, os artistas marciais fizeram a Kata a mãos nuas e depois com uma borracha na mão. Mas podia-se fazer esse disparo e disponibilizar essa experiência aos frequentadores da Festa, preparando-se uma espécie de carreira de tiro, para esse efeito, tendo especial atenção à segurança da actividade. Eu lembro-me de ter 10/11 anos e ir a uma Feira de Caça e Pesca onde disparei um arco. Foi a minha primeira experiência nessa arte. Na altura, nem força tinha para puxar a corda e fazer pontaria ao mesmo tempo, pelo que o resultado não foi nada bom: duas setas a falharem o alvo, acertando nos fardos de palha, e a terceira a cair no papel do alvo, mas fora da circunferência maior. Mesmo com o falhanço, e com a ilusão que "à quarta é que teria sido", a experiência em si não deixou de ser deliciosa. Entretanto, já experimentei novamente, em 2010, no Alto Alentejo, onde fiz 3 dias de turismo rural e actividades radicais com o meu melhor amigo, e sou consideravelmente melhor agora. Ora, a Kata do arco, pelo menos a que foi demonstrada, é simples e ninguém espera ficar logo mestre. Podiam disponibilizar-se para a ensinar, de mão livre e com borracha. Será, garanto, uma experiência que se leva para casa no coração e na memória sensorial, em particular se depois nos for permitido executá-la com arco em mãos, culminando numa única (para evitar filas) tentativa de disparo real. Não seria possível aos mais novos, por imposição das próprias medidas do arco nipónico (mais alto que o Arco Longo ocidental), mas os adolescentes e os adultos sem dúvida que não diriam não à experiência. Até se pode dessa forma, granjear mais alunos para o dojo (fica mais uma ideia). Até se podia também ter lá um arco ocidental, para se poder também experimentar e comparar as experiências. Nem que se pagasse um X pela experiência.
Seria também desejável ver muito mais japoneses. Por incrível que pareça, numa festa do Japão, contavam-se os japoneses pelos dedos das mãos. Seria engraçado haver maior interacção entre os dois povos, no decorrer da própria festa. Pelas fotografias, poderão notar que as artes marciais foram demonstradas por portugueses, por exemplo. E nem um mestre japonês. Nós temos mestres excelentes, eu conheço alguns pessoalmente. Mas também conheci mestres japoneses de Karate e há uma diferença que vai muito para além da língua falada, da técnica, ou das diferenças físicas. Senti que faltou essa interacção cultural. Espero que para o ano possa desfrutar da festa em pleno, sem estar forçado por razões pessoais a olhar para o relógio, mas gostaria que se pudessem realizar estas pequenas alterações, para a festa se tornar toda ela mais interactiva. Por exemplo, aproveitarem a visita de crianças ou jovens japoneses traduzidos a conhecer Lisboa por iniciativa de ambos os governos, acompanhados de interpretes ou que falem eles inglês, para que houvesse mais intercâmbio com portugueses.
E para mero gáudio de visionamento, porreiro, porreiro seria vermos umas armaduras de Samurai (uma que fosse), para além das exposições de bonsais e caligrafia e demonstrações de artes marciais:
Deixo aqui este apelo, na esperança de que, tal como o esforço contra a aplicação do AO90 nos boletins da Embaixada parece ter sido ouvido (sendo que tenho plena consciência que não terei sido o único a pressionar nesse sentido), seja escutado e se possível sirva de crítica construtiva que resulte num aprofundamento do muito bom trabalho que já foi, tem vindo a ser, e é continuamente desenvolvido.
Verdade seja dita, que eu teria desfrutado muito mais se tivesse ido com mais tempo e paz de espírito, mas contínuo a advogar uma maior experiência prática para a festa. Imagino que a malta do cosplay ou os praticantes de artes marciais que fizeram as demonstrações não se queixem disso, com boas razões. Mas para o comum visitante, falta, na minha opinião, essa componente. A festa a mim soube-me um pouco como o Sushi: o Sushi que se come no Ocidente está a um mundo de diferença do verdadeiro Sushi Japonês. O que eu gostaria de ver era o encurtar dessa diferença.

É verdade, alguém viu a bengala do Maestro Vitorino de Almeida?
Estranhamente, na imagem deste jornal, que saquei da página de facebook do Nuno Markl, nem sequer se vê bem a bengala, por isso mesmo que a queiram procurar, chapéu! Mas pede-se a quem a encontrar que a devolva ao seu dono, quiçá via facebook do Markl, visto que a notícia também não ajuda nesse departamento, pois todos nós (ou quase todos) sabemos o que é o valor sentimental duma herança familiar. Pede-se apenas um pouco de simples (mas tão rara) solidariedade humana.
Parece que terá ficado num táxi (ler artigo na imagem acima). Lembram-se da teoria do Nuno Markl sobre a ligação entre o Táxi e o Michael Jackson?
De que cor eram os táxis nos anos '70 e '80? Pretos (esquecendo a capota verde). E o Michael?
De que cor eram os táxis na década de '90 e '00? Brancos. E o Michael?
Ah pois é!! ehehe
Flashbacks de quando eu via o Curto Circuito, onde o Markl soltava destas pérolas entre críticas de cinema.

Sayonara, tamodachi! ;)

P.P.S.: Encontrei este vídeo na busca de vídeos sobre a Festa do Japão e não resisti em adicioná-lo a esta entrada. Para quando uma representação em peso, uma comitiva portuguesa, para ir lá vender loiça das Caldas???? Até parece que não precisamos de exportar! :D
Festival da Fertalidade em Kawasaki:

terça-feira, 30 de julho de 2013

Cartaz Cultural

Olá, pessoal!
Este mês estive ausente, mas não deixei contudo de trabalhar no blog. Tenho estado a reunir material e ideias para posts nos próximos meses que, espero eu, poderão dar que pensar. Mas conforme o nível de exigência técnicas dos posts (caso eu tenha por exemplo que fazer edição de vídeos e legendagem dos mesmos), também a dificuldade posterior de os executar numa forma acabada satisfatória que vos possa oferendar.
Ainda assim, no dia de hoje e no dia de amanhã, espero conseguir meter aqui duas entradas. A de hoje prende-se com as novidades da Embaixada do Japão, que não me canso de congratular por limpar a infecção de AO90 dos seus boletins informativos, mas também com outras sugestões culturais e menções honrosas e desonrosas de actividades culturais que se passaram em Lisboa. O resto do país que me desculpe, mas é lá que vivo na maior parte do ano.


Aproveito para destacar alguns dos eventos mencionados no boletim, onde encontrarão também notícias das últimas actividades culturais da Embaixada e outras de conteúdo económico:


Este vai um bocado em cima do prazo, mas para os poetas que por aqui passeiem os olhos ainda virá a tempo, espero.
De seguida, uma das minhas paixões, a sétima arte. De todos aqueles filmes, apenas conheço a versão americanizada do Pulse, que adorei, excelente filme de terror. Fico em pulgas para ver o original:
Também há oportunidades para investigadores em vários campos, possibilidade de bolsa de estadia no Japão:
Para finalizar, um pouco de arte plástica:
Não pensem que não vi aquele direção na última imagem, mas a culpa disso é dos senhores do nosso governo que insistem em não se desvincular do Acordo Ortográfico, um jovem de 20 anos, velho de cabeça.
Aconselho a leitura de todo o pdf informativo, que linkei acima, pois há lá links para outras informações de cariz económico que também vos poderá interessar, caso se sintam ou sejam empreendedores ou empresários no activo.

Mas ainda há mais actividades culturais para os interessados, embora estas últimas tenha sabido delas via Facebook.
Uma tem a ver com uma curta metragem na qual participa a actriz Oceana Basílio, intitulada O Cheiro das Velas, e que será projectada em Lisboa, já no mês de Agosto:

 E em Setembro no CCB, uma exposição de arquitectura de Sou Fujimoto:
Ora, resta-me então mencionar duas actividades culturais mui experimentais, e eu infelizmente, uma devido aos exames, outra devido a me ausentar de Lisboa, não as pude experimentar

Falo do visionamento por iniciativa de Filipe Melo (realizador de I'll see you in my Dreams) daquele que se diz "o pior filme da humanidade", o The Room de Tommy Wiseau, cujo objectivo parece ser o completo desrespeito do "código de conduta" como o desenhado por Mark Kermode e amigos:
Eu gosto de um máximo de silêncio na audiência durante os filmes, não me importando se as pessoas de vez em quando falarem baixinho com a pessoa a seu lado ou quando se ri a bom rir. Não gosto é do ruído horrendo de pipocas a serem mastigadas, pacotes de batatas ou embrulhos de chocolates a serem rasgados, o som de chupar numa palhinha quando o copo está quasi-vazio. Mas adoraria esta experiência totalmente oposta da minha experiência ideal de cinema, devido ao elemento de paródia da mesma.

A segunda experiência cultural feita em Lisboa que quero mencionar é a intitulada Lisboa em Si. Quando vi esta experiência noticiada no Público online, pareceu-me uma ideia muito interessante. Era descrita como uma tentativa de se criar uma orquestra sinfónica com os sons da cidade, buzinas de barcos nas docas, sinos das igrejas, buzinas de bombeiros, etc... Como eu outrora vi um filme cujo nome não sei, em que um actor americano fazia um sapateado ao ritmo de New York, em que o ritmo era dado pelos carros a passar, a buzinar, a pisarem tampas de esgoto soltas, etc... foi essa a imagética que eu imaginei, pois no filme, com a magia de Hollywood talvez, funcionava. Além disso, na notícia, falava-se de métodos científicos para a recolha de sons em vários locais, para depois através de software e um orgão digital com ele apetrechado, mais tarde se fazer a sinfonia de Lisboa. Bom, isso era o que eu pensava. Isto foi o resultado:
Em suma, uma experiência falhada. Esse meu colega foi dos que foi para um dos pontos assistir e ouvir ao concerto metropolitano. No vídeo acima, noutro ponto da cidade face àquele em que esteve o meu colega, chega-se a ouvir pessoas a dizer que não se ouve sinfonia nenhuma. E na conversa de facbook, conclui-se que o defeito não era no ponto escolhido para ouvir. Por outro lado, fala-se em software nas notícias, mas a suposta orquestra era coordenada pelo autor desta ideia via rádio, o que deixa no ar a pergunta, "software para quê mesmo?". É que é uma pergunta interessante pois custou dinheiro à Câmara de Lisboa. E eu sou daqueles que acha que mesmo em crise devemos apostar e investir na cultura, mas há limites. E de facto, não tivesse estado em época de exames, ter-me-ia provavelmente oferecido como voluntário. Vendo este resultado, postado no facebook de um colega meu, procurei perceber o que correra mal. Eis que surgiu outro vídeo no seguimento desse post do meu colega. O vídeo de apresentação no projecto na Câmara de Lisboa.
Vendo este último vídeo, podemos inferir pelas palavras do Pedro Castanheira, o impulsionador deste evento, desta tentativa, o que correu mal. Diz-nos ele "(...) Vamos fazê-lo duma maneira científica, vamos fazer um software, (...) vamos calar uma cidade durante sete minutos (...) sem silêncio da cidade o projecto não tem mesmo potencial (...) como devem calcular tudo isto é Fé!". Ora estes soundbites que removi dum discurso (na íntegra no vídeo acima linkado) permitem, a este sincero ateu, perceber o que se passou de errado com esta iniciativa. O primeiro problema é a afirmação de se querer fazer algo de "maneira científica" quando se afirma que "tudo isto é Fé". A mistura das duas actividades (Ciência e Fé) nunca deu bom resultado para a Humanidade, algo que pode ser comprovado de forma histórica nesta palestra de Neil Degrasse Tyson. Perdoem-me aos que não são fluentes em inglês, mas não houve tempo para a legendar. Mas depois um homem que espera fazer uma sinfonia com sons da cidade, esperando calar a metrópole em Si, em vez de procurar usar o seu ruído, o seu barulho de forma construtiva, creio eu que estará condenado ao insucesso. Há forças que nós não controlamos que também incomodam acusticamente, como o próprio vento e esse não há quem o cale. "Palavras são vento", diria George RR Martin. Por último, fazer as coisas de forma científica, é usar o método científico (que se baseia no método experimental e em dados factuais, não na fé), e não a simplesmente bater tecla e criar um software. Como iria Marcelo Rebelo de Sousa "É curto! Não chega."
O discurso apaixonado de Pedro Castanheira, faz-me lembrar o discurso do neo-guru do "bater punho", apadrinhado pelo maçon mor Relvas, Miguel Gonçalves. Como dizia o outro mesmo..? Ah sim, "Palavras são vento". Ter projectos culturais é bom, apoiá-los é óptimo, mas independentemente de quão ambiciosa ou grandiosa é a obra a que  se propõe (ou especialmente quando o é ambiciosa e cara), deve-se ter extremo cuidado com a implementação. A ideia pode ser criada com fé, mas para correr bem, a implementação tem de ser realista e objectiva.
Até mais logo, espero...

P.S.S.: Deixo aqui o apelo para que façam novo visionamento do The Room agora já em Agosto, para eu poder ir. Decerto não serei o único interessado, uma vez que parece que o primeiro esgotou, segundo facebook do Nuno Markl.

sábado, 29 de junho de 2013

Montanhismos Octogenários


Assim perguntou Gollum a Bilbo, n’”O Hobbit”:

What has roots as nobody sees,
Is taller than trees
Up, up it goes,
And yet never grows?

A resposta, como deveis saber, caro leitor, é uma montanha. A montanha que não foi ter com o Maomé, a montanha que é sinónimo de obstáculo que só pode ser superado com uma jornada repleta de perigos.

Que tem isso a ver com octogenários? Bem, no passado mês de Maio, deste ano gregoriano de 2013, um senhor japonês chamado Yuichiro Miura, tornou-se no primeiro octogenário a atingir o cume do monte Evereste (que pode ser visto na imagem acima).
Fê-lo com o apoio duma equipa de peritos montanhistas, na companhia do seu filho, Gota, e sob remota vigilância da sua filha, Emili, que os acompanhava mentalmente.
Segundo a equipa de apoio de Miura, centralizada em Tokyo, o pico foi atingido às 9h05min da hora local, na quinta-feira dia 23 de Maio, tornando Miura o mais velho conquistador do Evereste. Yuichiro e Gota fizeram um telefonema do topo do Evereste, que gerou um sorriso e um bater de palmas por parte de Emili, momento captado por uma equipa da NHK (a emissora pública japonesa). No telefonema, Yuichiro disse: “Consegui! Nunca imaginei conseguir escalar o Evereste aos 80. Este é a melhor sensação do mundo, embora eu esteja totalmente exausto. Até nos 80, ainda passo muito bem.” Numa transmissão de rádio para a estação Kyodo, feita também a partir do ponto mais alto do mundo, na qual Yuichiro disse: “Chegamos ao topo. 80 anos e 7 meses… A mais incrível equipa de alpinistas do mundo ajudou-me o caminho todo até cá acima.”
A chegada ao cimo, foi capturada em vídeo e acompanhada a 10 quilómetros de distância, por uma equipa da agência Kyodo, com uma câmara colocada numa elevação a 5500 metros do topo.
Contudo, o recorde de Miura é de vida curta, pois nos seus calcanhares já vinha um escalador nepalês de 81 anos. Emili, filha de Yuichiro, afirmou que o recorde ao pai pouco importa pois ele faz o que faz pelo desafio em si e está em competição é consigo próprio. Um atitude admirável, na minha opinião, que me relembra uma afirmação de Funakoshi, mestre fundador do Karate Shotokan, que disse e parafraseio: “O Karate não é acerca da vitória ou da derrota, é sim sobre o aperfeiçoamento do carácter do praticante.”
Antes de deixar o tópico do montanhismo, quero apenas recordar que também este ano, pela primeira vez, uma mulher portuguesa escalou o Evereste. Parabéns, Maria de Conceição, pelo objectivo cumprido.Eu soube da notícia via jornal Público, onde é dito(clicar nesta frase para ler a notícia toda):
“Maria da Conceição queria ser a primeira mulher portuguesa a escalar o Everest. E conseguiu. A hospedeira de bordo alcançou o cume da montanha mais alta do mundo esta terça-feira, às 9h13m locais (4h28m em Portugal). A iniciativa tinha um objectivo principal: angariar um milhão de dólares (cerca de 800 mil euros) para a Fundação Maria Cristina, que ajuda famílias carenciadas no Bangladesh.”
Só para terminar o tópico de montanhismo, gostaria de recordar que desde 1953 que o Evereste já matou mais de 300 alpinistas, como avisa e recorda a foto abaixo, tira a 17 de Maio de 2010, quando dois corpos foram recuperados da montanha (fonte).
Quero também aproveitar esta oportunidade para indicar que o meu avô materno, o último que me resta vivo, fez, neste último 8 de Junho, 89 anos de idade. Ainda está com uma saúde brutal, vai todos os dias tratar da horta, tem a sua autonomia, come que nem um diabo acabadinho de escapar do inferno e nunca engorda (infelizmente não herdei essa sua qualidade genética, ehehe), e não pára de vociferar sobre a sociedade em que vivemos, em particular a podridão do mundo político. Este meu avô sempre foi uma fonte de inspiração da minha imaginação, pois ele também adorava contar histórias, na sua maioria super exageradas, embora algumas também bem contextualizadas na História que lhe foi (literalmente) reguada cérebro adentro. Hoje em dia, a minha mãe está-lhe sempre a contestar as estórias sobre a sua ida à Índia e outras parecidas, e a sua memória já não lhe permite conjugar com a admirável precisão que antes tinha para um homem que só tinha a antiga 3ª classe completada e que, como a maioria da sua geração, começou a trabalhar muito cedo. Por falar em trabalho, trabalhou 55 anos numa só empresa de camionagem, tendo continuado a trabalhar em biscates e ferro-velho durante muitos anos após se reformar. Quando no seu apogeu, era o tipo de homem capaz de ir para dentro dum bosque e construir um centro comercial. Pronto, estou a exagerar... um bocado... vá muito, mas assim percebem a ideia na boa tradição da minha família! eheh É verdade que ele prometeu a mim, e a todos os meus primos maternos, que construiria um avião a cada um de nós e eram só babelas, mas fez carros de rolamentos para os filhos, pranchas de bodyboard feitas em material compósito e uma rampa de skate enorme para os meus primos. A mim ofereceu-me uma bicicleta, o meu primeiro computador, ensinou-me a cerrar lenha, soldar aço (e ainda recentemente o vi a soldar e posso testemunhar que solda à mão tão bem como certas máquinas industriais), e também ética de trabalho e liderança, além de estimular a minha imaginação. E ainda recentemente me espantou, sabendo bem o que é o processo de vulcanização da borracha, que eu dei numa das cadeiras da universidade. Relembro que ele só (?) frequentou a universidade da vida, na qual ainda labuta.
Tem uma reforma de 600 e poucos euros, que no geral em Portugal e na sua geração e extracto social não é nada má, mas compreenda-se que é a dele somada a uma contribuição da da minha avó materna já falecida. E tendo em conta que a empresa para quem ele trabalhou entretanto negociou uma indemnização por vários anos que não lhe fez os devidos aumentos na reforma, de acordo com regras que eu sinceramente não conheço para delas falar, e fizeram-lhe as contas nessa indemnização para ele viver até aos 83 anos. Vejam lá o dinheiro que os sacanas não pouparam já. Interessante notar-se ainda assim que o “ordenado” dele (como ele lhe chama) nem chega para lhe conseguir actualmente uma estadia num lar da terceira idade (como indica a notícia abaixo). Sorte a dele que nos tem a nós e a nossa a sua saúde inquebrantável e orgulhosa autonomia. É claro que não poderia passar esta oportunidade sem honrar a sua vida criticando eu também um dos males sociais da actualidade e para este último chamar atenção:
Ele está agora a percorrer a fronteira entre os 80 e os 90, e eu espero vê-lo a superar a dos 110. O meu avô sempre disse: “Pede pouco se queres muito.” Mas eu sou orgulhoso e não aprendi essa lição!
Eu tenho este exemplo na família, e outros que tais dos meus avós paternos, de pessoas que vivem até idades avançadas com uma autonomia para lá da norma. Faz-me pensar sobre como estamos a evoluir em termos de longevidade, o que gera dois problemas imediatos: a subsistência do Estado Social e o aumento demográfico mundial. Mas o facto é que também é pelo facto de vivermos até mais tarde que permite uma melhor passagem de conhecimentos nas sociedades e uma mais rápida evolução. É interessante vermos dicotomia de uma situação. Todo o bem tem a sua cota parte de mal. Leva-me também a considerar que a vida e a morte têm uma relação bem mais complexa que serem a simples antítese uma da outra.

Uma das minhas preferidas curtas-metragens é a do "The Old Man and the Sea", precisamente porque sempre me recordo do espírito guerreiro, inquebrável e indomável do meu avô:
Nota: talvez venha a fazer legendas para ela mais tarde e se o fizer alterarei devidamente esta entrada.
Seja como for, eu considero os meus avós as raízes nada invisíveis do ramo da minha família que em mim culmina, só para fazer a ligação ao poema com que abri esta entrada. São, para mim e apenas porque são os mais velhos que conheci na minha linhagem, o ponto de partida da minha escalada rumo às estrelas.
Sayonara, tomodachi! ;)