Olá, "senhoras e senhores, irmãos e irmãs, amigos, camaradas"!
Esta entrada para variar vai ser curtinha mas ainda assim cheia de informação. Para não variar vou cascar mais um bocado no Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), ao mesmo tempo que vos dou as últimas sobre Portugal e o Japão.
Começo por vos falar de oportunidades, lá fora e cá dentro:
Dos eventos destaco a Festa Japonesa, em Belém, que se realizará a 15 de Junho, no Jardim do Japão. (para mais informações, verificar link acima).
E pronto, tendo terminada a parte agradável, vamos então agora abordar o (des)Acordo. Lembram-se de eu vos falar, e não sou o único, da ambiguidade inata deste AO90? Bem, eis mais um exemplo de como ele sabota qualquer tentativa de se ter um vocabulário científico universal e NÃO ambíguo.
Repare-se que o Expresso já adoptou um novo Acordo Ortográfico. Não o de 1990, que diz utilizar, mas o AOCM (Acordo Ortográfico do Correio da Manhã), que basicamente diz que se aplica o AO90 mas não completamente... Esta universalidade é suprema.
No boletim que postei acima da Embaixada do Japão só detectei um erro derivado à aplicação do AO90, mas ou foi lapso ou foi causado por copy paste uma vez que o evento em questão está relacionado com uma escola portuguesa.
Como gosto sempre de fazer, vou deixar-vos também com mais uns exemplos de desobediência activa ao Acordo Ortográfico de 1990:
O Jornal Sénior é uma nova publicação, com um público alvo mais velho o que é inteligente sendo que a realidade portuguesa é a de uma população envelhecida, tal como parece que acontece no Japão. Este jornal não aplica o AO90. Como costumam dizer os camaradas da página do Facebook Tradutores contra o Acordo Ortográfico: "Saúda-se!"
Escrevem-se livros não só a identificarem pormenorizadamente os erros do AO90, mas também a contar a sórdida Origin Story (expressão idiomática do mundo da banda desenhada norte-americana) deste documento pseudo-científico, pseudo-cultural, gerado por interesses político-económicos.
Por falar em Economia, note-se que parece que se venderam cerca de 1 milhão de livros a menos em Portugal no ano de 2012, face aos anos anteriores. A primeira reacção (e não pode deixar de ser um factor com enorme peso) será culpar a crise. Mas será só isso? O camarada JAA do blog que postarei a seguir não acha e eu partilho da sua opinião:
Só para enfatizar este argumento, vou partilhar com vocês algo que me aconteceu recentemente. Estava eu no Vasco da Gama, Centro Comercial em Lisboa, a fazer tempo à espera que me enchessem o tinteiro da impressora, quando resolvi ir à Bertrand ver as novidades e quiçá ler umas páginas de algum livro desconhecido. Tinha 1 hora para matar, segundo o funcionário da Worten. Depois de vaguear pelas estantes encontrei um livro de autor português cujo título me intrigou. Chama-se "O Leitor de Cadáveres". A história passa-se na China, no início do segundo milénio D.C., anno domini se preferirem, e conta a história de um rapaz muito inteligente que se tornará uma espécie de médico legista da época. A contra capa do livro informa que a história é baseada em dados históricos e como eu sou grande admirador da civilização milenar chinesa (quanto mais não seja pela sua esmagadora antiguidade), peguei no livro e comecei a devorá-lo. Perdi contudo o apetite e até a fome, quando já ponderava comprá-lo, quando detectei o AO90. Foi difícil, pois nas primeiras páginas não aparecem nenhumas palavras em que houvesse diferença. Assim que tal aconteceu, fui ver a editora... tem o nome Porto, mas não foi por ser Benfiquista que eu, após acabar o primeiro capítulo, arrumei o livro onde o encontrei e fui buscar o meu tinteiro, já sem interesse nenhum em gastar o pouco dinheiro que tenho num livro cuja história até me poderia ter interessado. É que como disse Saramago, ele a ironizar mas eu muito a sério parafraseio, tirarem-me os C's e os P's faz-me mal!
Felizmente ainda há editoras com inteligência e noção de cidadania, como a Guerra e Paz que acabou de se juntar às nossas fileiras, no mesmo mês que a Maxim saiu do armário: o mais recente inimigo do AO90.
O meu melhor amigo está-me sempre a dizer que não vale a pena, que não percebe porque me importo com isso, que já não há volta a dar, porque o AO90 já está implementado, que os putos já o estão a aprender na escola... mas estarão mesmo? Como os governos do centro adoram destruir a Educação é algo que me espanta tanto que não me espanta nada, pois os governos do Statu Quo, dos interesses económicos, do PS(D), lucram da ignorância e apatia intelectual daqueles que governam. Neste tópico, aconselho a leitura também de outra notícia, desta volta sobre os custos que vão acarretar a súbita alteração no programa de Matemática, na qual um atento leitor do Público online comenta o facto de serem as editoras a lucrar com isto tudo e serem o lobby que domina o Ministério da tutela. Será sem dúvida nenhuma a isto que se refere o Cavaco (que teima em não arder de vez) quando fala no Potencial Económico da Língua Portuguesa, mais uma forma de infligir sacrifícios aos já martirizados portugueses. Sem dúvida o nosso iluminado PR é produto de divina inspiração (que afirmação mais deplorável do ponto de vista secular!!).
Para terminar, é importante perceber-se, e não me canso/nunca me cansarei de o realçar, que não é só em Portugal que se resiste ao AO90, mas sim em toda a Lusofonia. A Rádio Televisão de Cabo Verde e a Televisão de Moçambique não usam o (des)Acordo Ortográfico. Estes são os canais homólogos da nossa RTP nos seus países, canais públicos controlados pelo estado e ambos estes estados terão rectificado o AO90. Agora digam-me quem anda a propagandear desinformação, Ciberdúvidas? E o meu post anterior bem demonstra que muitos brasileiros estão contra o AO90.
Vá lá, portugueses, assinem sem demora a ILC contra o AO90 se ainda não o fizeram. Para tal usem os links abaixo:
Despeço-me com amizade, eternamente grato por me lerem, mais ainda se a mim se juntarem nesta luta as vossas vozes, pois se tens net e sabes ler, 'tá na altura de começares a escrever também! Convertam as vossas canetas em katanas! A Cristina Pinheiro Moita já o fez com o poema que abaixo vos deixo.
Abaixo o mAO90ismo!
Sayonara, tomodachi! ;)
«Este acordo ortográfico
Por vezes até nos faz rir
Não sei por onde parámos
Ó que caminho a seguir
Se é “pára” já não existe
Se para não sei se “pára”
Para / “Pára”
“Pára” / Para
Quem me sabe explicar?
Porque não “pára” a idiotice
As crianças gostam de brincar
Mas não querem tanta burrice
Faltasse a pala ao Camões
Quem sabe ele ainda visse?
Para trocar o “pára” por Stop
Antes que alguém caísse»
Em vésperas do Dia da Língua Portuguesa, que ao que
parece será dia 5 de Maio, que este ano, também é dia da Mãe, venho falar-vos
das semelhanças em pensamento entre o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) e uma
qualquer Religião. Porquê religião? É simples. Depois de tanto argumento lógico
e racional, ou mesmo técnico, contra o AO90, e mesmo perante a evidência de que
entre 60% a 70% dos portugueses estão em desacordo com o alegado acordo, é
preciso ter muita fé nos dogmas do AO90 para continuar a insistir na sua
validade (seja de que perspectiva for) e persistir no erro da sua
implementação! Apenas uma fé cega e dogmática pode levar a tamanha arrogância e
inconsciência. Qual o seu deus? Dou-vos uma pista: “In God we trust”. Dou o nome de mAO90ismo (leia-se mau-noventa-ismo) a esta nova e interesseira crendice, que como sempre muitos, mesmo entre os cultos e inteligentes, ilude. Tal é também próprio das religiões.
Para os que não me lêem regularmente, uma pequena introdução aos prós e contras deste acordo é imperativa. Deixo aqui também, caso queiram ler ou reler, os meus posts prévios sobre o Acordês:
Todos os argumentos a favor são
facilmente destruídos (como procurarei demonstrar de seguida e de forma resumida):
- há que uniformizar o Português
para o podermos usar como língua de trabalho internacional e obter esse
reconhecimento das Nações Unidas (NU). Falso, o inglês é efectivamente língua
de trabalho internacional e nunca teve de se sujeitar a isso. Por outro lado, é
facilmente provado que o AO90 não uniformiza a língua, apenas a torna mais
pequena, mais restringida e mais ambígua. Reparem nestes dois exemplos que os
brasileiros continuarão, segundo o AO90, a escrever como nós escrevíamos antes
do AO90 mas nós temos que remover consoantes alegadamente mudas… isto é
uniformizar?
Por outro lado, o inglês impõe-se
como língua de trabalho internacional essencialmente por duas razões: é fácil
de aprender e é a língua de algumas das maiores potências e economias do mundo
industrializado;
- temos de tornar a língua mais
ágil e fácil, aproximando a escrita da oralidade. Impossível em termos
práticos, visto que só em Portugal há uma enorme disparidade de pronúncias e
sotaques, quanto mais em todos os PALOPs. Por outro lado, o AO90 vem
afastar-nos desse objectivo. Sendo que os brasileiros fecham vogais enquanto
nós abrimos (exampli gratia: yóga em Portugal, yôga no Brasil), em geral, é
impossível termos a mesma acentuação nas palavras que os nossos irmãos de Além
Mar, se o objectivo for mesmo aproximar a oralidade da escrita. Quanto à
questão de o AO90 aproximar a pronúncia da escrita, reparem neste excerto,
proveniente desta fonte (http://networkedblogs.com/KhcrK):
«Assim,
não é por má vontade ou deficiência que um português lerá “ef”tivo” quando lhe
põem à frente a palavra “efetivo”, palavra que um brasileiro lerá como
“êfétjivo”. Isto é simples, muito simples, e qualquer criança percebe. Já“efectivo”
obriga um português, pela presença do C antes do T, a abrir o E mesmo que o C
não se “ouça” na fala. Não é uma regra arbitrária: é, além do respeito pela
etimologia, pela raiz da palavra (do latim ‘effectívu’, ou “activo que
produz”), o respeito pelo sistema vocálico próprio do português europeu.»
Quanto a tornar a língua mais
ágil e fácil de aprender, a língua inglesa deve ser a língua mais fácil de
aprender como segunda língua e tem os “p” e “c” na sua ortografia. Quando nós
também os tínhamos, eu ainda tenho, era mais fácil dominarmos a ortografia
inglesa. Pelos vistos, a mania da modernice apressada e às cegas já começa a
dar problemas, como constata aqui um professor que diz que os alunos já começam
a escrever em inglês sem “c” e “p”, id est projet em vez de Project.
Não só não nos deu facilidade em
aprender a nossa própria língua, pois fica ambígua e não há regras que não
estejam cheias de excepções absurdas neste AO90, ou seja não há lógica para as
crianças seguirem, como ainda conseguiu tirar-nos a nossa facilidade em migrar
para a ortografia inglesa cuja raiz etimológica é muito próxima da nossa.
- precisamos que a língua evolua
e tal evolução só se pode fazer via acordos ortográficos. Falso, até agora a
língua estava a evoluir a 8 frentes, sendo que agora está em ampla repressão
(ou quiçá mesmo regressão) evolutiva. A evolução, comprova-se pela mera
observação da natureza, beneficia da diversidade e não da falta dela. O Acordo
Ortográfico não é Selecção Natural (que seria a evolução ortográfica por força
da oral) nem Artificial (a influência de outras línguas e termos novos no
vocabulário da língua, como linkar ou googlelar), é uma adaptação para as
Letras das absurdas leis da Eugenia. Se olharmos para os exemplos históricos,
tipo o latim, percebemos que a evolução natural duma língua falada por povos
diferentes é desaparecer, convertendo-se nos seus muitos descendentes. Exempli
gratia, o Latim, que originou o inglês, o francês, o português, o castelhano, o
italiano, o romeno, etc… e desapareceu enquanto língua viva;
- o argumento dos números: os
brasileiros são às centenas de milhões pelo que temos de nos juntarmos a eles
ou cair. Falso, por vários motivos: 1) o povo brasileiro também não quer este
acordo para nada, nem o pediu ou foi chamado a debater sobre a sua
implementação:
TAMBÉM HÁ REVOLTA PURA CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO:
TAMBÉM SE DÚVIDA DAS MOTIVAÇÕES OCULTAS POR DETRÁS DESTE ACORDO:
E FINALMENTE TAMBÉM HÁ QUEM ACHE QUE NADA SE GANHA COM O AO90, QUE É UMA MÁ IDEIA, QUE SABE OS ARGUMENTOS CONTRA, MAS QUE POR ACHAR QUE NADA HÁ A FAZER BAIXA OS BRAÇOS E NÃO LHE RESISTE:
É preciso, portanto, diferenciar
a vontade dos povos da vontade dos políticos que os representam e que, por
vezes, quando têm essa possibilidade, procuram usar essa ilusão de números para
fazer pender a balança da argumentação a seu favor. É como a Igreja Católica
dizer que tem N milhões de fiéis, mas quantos desses foram baptizados à
nascença sem terem voto na matéria, fazem parte das estatísticas da Igreja, e/ou
nunca acreditaram ou abandonaram a igreja? Os meus pais contam-se entre eles e como eles outros tantos…
2) mesmo que fossemos só 10
milhões a escrever o Português Europeu, este manter-se-ia sempre válido, desde
que os bananas que nos lideram assim o permitissem; 3) o AO90 não nos obriga à
ortografia brasileira, tendo antes mutilado tanto a ortografia brasileira como
a portuguesa; 4) ainda recentemente postei aqui um link em que o governo chinês
pediu expressamente a Portugal, professores de Português. Se formos nós a
ensiná-los, lá se vão os números dos brasileiros;
(também argumentado no post nº 3 linkado acima)
- o argumento de que se formos
contra o AO90, somos retrógrados reaccionários da direita conservadora. Ideia
sem dúvida popularizada por ter sido o Governo de José Sócrates (cujo o partido
finge ser de esquerda e não de centro) a levar a resolução ao plenário
nacional, e potenciada pela acérrima defesa do Bloco de Esquerda deste tão
patético projecto… sim, o mesmo bando (este último) que quer desfazer as forças
armadas nacionais… enfin! Estranho, contudo, que o único partido na Assembleia
da República (AR) Portuguesa de teor ideológico revolucionário, o PCP, se tenha
abstido na sua totalidade quando o AO90 foi aprovado na AR, por ter sérias
dúvidas do que neste último era advogado (como demonstra a imagem acima), e que mantém a ortografia portuguesa
europeia pré-AO90 no seu jornal, o Avante. Quanto a sermos retrógrados, nós que não nos abstemos nem somos neutros mas que atacamos o AO90 em consciência e com paixão, como
disse Saramago (deste senhor mais será dito, já lá iremos), nem tudo o que é novidade é necessariamente bom
e devemos suspeitar sempre das modernices, até que seja factualmente comprovado
o seu maior valor face ao que já havia;
- os acordos ortográficos nunca
foram discutidos com a população em geral, com já ouvi dizer em defesa do AO90
quando se diz que este é anti-democrático. Belo dogma, argumento da treta e,
como diz um colega meu, “que desculpa de merda, pá”. Se formos a pensar assim,
então também as mulheres nunca viriam a votar, ainda haveria escravatura legal
e bem-vista pela sociedade, etc… Já para não falar que era normal antigamente
não ser discutido um acordo ortográfico na praça pública, visto que uma vasta
maioria de pessoas era analfabeta e nada teria a contribuir para o debate. O
objectivo deve ser aprimorar a democracia. Para tal, aumenta-se a taxa de
cidadãos letrados e dá-se ouvidos à sua opinião nos tópicos importantes.
Especialmente quando se trata da sua própria cultura!
Os argumentos contra são simples:
- a língua pertence ao povo que a
fala e escreve. A sua evolução deriva da cultura desse próprio povo. Se mais
que um povo fala a dada altura uma mesma língua, é apenas natural que essa
língua evolua por caminhos distintos mediante as culturas que reflecte. Eu
pessoalmente não tenho nenhum problema com o Português deixar de ser a 5ª ou a
7ª língua mais falada, e que passe a haver um Brasileiro e/ou um Angolano, seus
descendentes. Na plenitude dos tempos, se a espécie humana não se auto-destruir
entretanto, será isso que acontecerá. A História assim nos ensina;
- devemos sempre construir a
língua com lógica e racionalidade. Devemos dar ouvidos aos especialistas
(terminante e comprovadamente ignorados neste assunto pelos poderes vigentes) e
não pisar assuntos sérios como a etimologia, por exemplo. Devemos esforçar-nos
para tornar a língua cada vez menos ambígua e não o contrário (para, para =
pára, para??);
- a evolução, ensina-nos a Teoria
da Evolução, carece de e/ou implica diversidade, logo haver 8 versões do
português será sempre melhor para o engrandecimento e enriquecimento cultural
da língua do que só haver 1 ortografia (o que desde logo não acontece com o
AO90, que a tal se propôs, pois continua a haver diferenças ortográficas entre
ortografia brasileira e portuguesa, por exemplo);
- mesmo que o AO90 uniformizasse
a 100% as ortografias (coisa que está longe de fazer), ainda restam as palavras
sinónimas mas que só são usadas correntemente num país (exemplo: talho (pt-pt)
e açougue(pt-br)) e a construção frásica que é completamente diferente e que
não podem ser uniformizadas pois decorre directamente da cultura diferente dos
povos em questão, que vão continuar a manter as quaisquer dificuldades que
possam existir na compreensão universal dum texto português entre os diferentes
povos que usam a língua. Logo a uniformização não é conseguida. Um projecto que
falha no seu principal objectivo não merece continuação e deve ser abortado;
- o dito acordo é rejeitado pela maioria da população e dos pareceres técnicos. Em democracia, onde o valor da ciência é tido em conta e não ignorado,
esta seria razão suficiente para que um governo de maioria absoluta, que deve
representar a vontade da maioria portuguesa e não de lobbies que lhes engordam
as carteiras, suprimir o dito acordo. O acordo e especialmente a sua aplicação
são portanto anti-democráticos. Reparem nas alegadas ameaças feitas à Academia de Ciências de Lisboa, por ter ousado blasfemar contra o AO90, e mesmo o que os aplicam, como o editor-chefe da Porto Editora (a notícia no Público só está disponível para assinantes), fazem-no sob uma espécie de auto-infligida coacção governamental. É claro que as editoras poderiam ter sido mais corajosas, particularmente aquelas em que os seus editores discordam do AO90, e ter tido a atitude simétrica à que adoptaram: só aplicar AO90 quando expressamente exigido pelos autores ou clientes!!
No vídeo da audição na Comissão Parlamentar de Vasco Graça Moura et all, a própria representante do PSD, partido de maioria relativa que lidera o actual governo de coligação, admite que as informações que tem são que mais de 60% dos portugueses são contra. Algo que terá justificado a formação da comissão. Pergunta, se eles representam a maioria votante nacional, porque raio não botam fora o acordo de imediato e perante tal informação?? Isto é democracia?
A acrescentar a isto ainda vêm as
editoras, embora ninguém nisto acredite, nem cá nem no Brasil, dizer que nada
lucraram com o AO90, que só lhes trouxe custos acrescidos. Sendo assim, quem
lucra com este desacordo que falha em todos os seus propósitos, tão seguramente
como o Relvas não ter tirado o curso? Bem, sendo verdade o que as editoras
clamam, ninguém ganhou com o AO90.
Contudo, o nosso governo, mesmo
após o adiamento brasileiro, mesmo após a rejeição por parte da Angola, mesmo
após ter em sua posse em variados blogues, escritos tanto por meros plebeus com
aqui o vosso esforçado escriba ou pelas opiniões de doutos das ciências e ilustres
dos media, insiste em implementar o AO90, doa a quem doer. Este dogmatismo, é
próprio da religião, pois escolhe ignorar todas as provas e argumentos lógicos
em prole da fé cega na sua doutrina.
Ainda há mais uma comparação a
fazer entre a religião e o AO90. Christopher Hitchens disse que, parafraseio,
“é fácil que uma pessoa má faça coisas maléficas, mas para levar uma pessoa boa
a fazer coisas más é preciso a religião”. E quem diz “fazer”, também pode
estender a “dizer”. Ora eu tenho José Saramago em boa conta, como uma pessoa
racional e de uma mente analítica e sagaz, um defensor acérrimo dos direitos
humanos e da liberdade. Porque raio então foi José Saramago apologista desta
neo-religião? Especialmente sendo ele um confesso ateu, um céptico!!
Primeiro vejamos, pela voz do
próprio, vinda não do além mas sim do youtube (onde já li a frase: “Youtube,
where religion comes to die!” loool if only), como é que ele defendia o AO90:
Convenhamos que não o defendia,
apenas não lhe resistia. Saramago já havia passado por outras reformas
ortográficas e pouco lhe interessava como se escrevia, desde que se escrevesse
com liberdade. Esqueçam lá o pensamento céptico que ele próprio advoga no primeiro minuto do vídeo seguinte, quando diz que é preciso termos presente
que uma coisa não é boa só por ser nova. Será ele também um reaccionário? Um retrógrado? Atrever-se-ão a tanto?
Porque não pensou ele assim
quanto ao AO90? Quem me dera ter tido tempo e oportunidade de debater com ele o
assunto, pois a mim o que me faz lembrar esta resignação intelectual perante o
AO90 é a cláusula de não resistência ao mal do Cristianismo, tipicamente
chamada “dar a outra face”. Uma doutrina imoral mascarada de alta moralidade,
que deixa uma pessoa boa à mercê duma pessoa maléfica, e que só aumenta a
hipocrisia dessa religião, pois houveram ou não inquisições e cruzadas? Onde
deram eles a outra face e se tivessem dado teriam sobrevivido ou seríamos todos
muçulmanos forçados à submissão de Alá?? Esta abateu-se sobre Saramago da mesma
forma que atacou aquele amigo brasileiro do vídeo acima que chega a acusar os
defensores do AO90 de mentirem para argumentarem a favor, mas depois diz: “Bom,
já que não podemos fazer nada o melhor é aprendermos já as regras novas…”
Pois eu, tal como Saramago, sou ateu, mas ao
contrário de Saramago estudo ciência e como tal estou programado, se quiserem,
para esperar lógica e rigor nos sistemas que criamos para comunicar e para
melhorar a nossa vida. Não estou disposto a encarar a ortografia como uma
pseudo-ciência ao serviço de lobbies económicos iludidos, políticos facilmente
subornáveis (note-se como o Sócrates escolheu ignorar os pareceres da Academia de Ciências de Lisboa [imagem acima] e de qualquer outro parecer que não o prestado pelo próprio criador do Acordo, tal como nas primeiras semanas deste governo sucessor ao de Sócrates e que se auto-nomeia como uma alternativa a este último, primeiro era contra e uma semana depois já estava a favor) e pseudo-intelectuais, que querem umas viagens à borla ou mais umas
30 peças de prata para traírem a pátria que deviam servir, a seu belo interesse
e com desprezível irresponsabilidade e despego.
A imagem acima está com péssima resolução e infelizmente o público só deixa ver este artigo online a quem subscrever a sua edição electrónica... Com muito custo, lê-se que além da desesperada tentativa de entrar para a História de alguns fracos (pseudo)intelectuais, estes também o fizeram a fim de ter umas viagens pelo globo pagas pelos nossos impostos, para bem supremo da Lusofonia, claro está... -_-
Como diria o Hitch, se falasse
português, não lhes vou dar nem um centímetro. Vou combatê-los até à última.
Não vou converter a minha espada num arado, mas antes fiz da minha caneta e/ou teclado, as minhas proverbiais espadas, nesta guerra.
Uma das formas como luta é precisamente os vídeos que vou traduzindo para usar aqui e colocando no youtube. Traduzo-os sem infecções "acordistas"!
Pois eu contraponho que o Acordo Ortográfico fez
isso mesmo, transformou a Língua Portuguesa num monstro disforme, sobre o qual
reina o caos por força da ambiguidade e pela falta de rigor lógico. Uma quimera
literária foi o que criaram. Como já outro disse noutro blogue, um autêntico
monstro de Frankenstein com partes deste e daquele e daqueloutro corpos. Mas
por muito poderosa que possa ser esta criatura e os seus interesseiros seguidores
zelotas, impõe-se que a destruamos.
Para tal, talvez seja necessário este
espírito do "never say die" ou "no retreat, no surrender", a via dos Espartanos, a via dos Samurai:
E muita paciência para que depois possamos chegar aqui:
E finalmente à vitória final contra a Besta:
Juntem-se a mim…
... a nós, que resistimos.
As nossas armas?
Para resistir a uma religião, que
pelo seu carácter dogmático nunca cede à argumentação lógica ou às provas
analíticas ou factuais, só o podemos fazer pela sátira, pelo gozo, pelo
ridículo, pela blasfémia:
E finalmente, para aqueles que
como eu, apesar de tudo, talvez não sem uma pouco de fé também, acreditam na
Democracia, assinem sem demora a ILC contra o AO90 se ainda não o fizeram. Para tal usem os links abaixo:
Não acreditas que podemos vencer? Bem, 70% dos leitores do DN não são da tua opinião:
Para terminar, vou deixar-vos com
o copy paste do PDF informativo que a Embaixada do Japão me enviou este mês,
perdoem-me por estar a postá-lo tão tarde mas a vida interveio. De realçar que,
não sei se pelo meu contínuo criticar dessas ocorrências aqui no N.I.N.J.A.
Samurai, se por auto recriação, este último PDF oficial da Embaixada já vem com
os Meses todos com inicial Maiúscula, com vários “objeCtivos” e “aCtividades”,
e apenas 2 ou 3 erros de acordês, que vou postar para vocês descobrirem tipo
“Onde está o Wally?”. Não sei se tive peso nesta inversão, mas se tive, como disse
o Sócrates, não o filósofo mas o pseudo-engenheiro cujo governo nos enrrabou
com o AO90 [entre outras patranhas, que vos sugiro não se esquecerem delas
quando este ilustre se candidatar à presidência da república], “Porreiro, pá!”
;)
Aproveito para me despedir desde
já, senhoras e senhores, irmãos e irmãs, amigos, camaradas, de Aquém e Além-Mar,
em particular aqueles que se unam a esta causa, esta guerra contra a teocracia
ortográfica, um grande bem haja!
“ » Jardins de Pedra –
exposição de escultura
De 30 de Março a 29 de Setembro,
realiza-se uma exposição de esculturas de Mário Lopes (ex-bolseiro do Governo
do Japão), de trabalhos realizados no Japão e inspirados pela sua cultura e
arte. Realizar-se-á no Claustro Real do Mosteiro da Batalha, antigo lugar de
contemplação e meditação, onde se pretende evidenciar aspectos espirituais e
estéticos comuns à cultura japonesa e portuguesa.
Local: Mosteiro da Batalha, Lg.
Infante D. Henrique, Batalha.
Organização: Direção-Geral do
Património Cultural/Mosteiro da Batalha
No próximo dia 10 de Abril terá lugar
a inauguração da exposição de fotografias “paisagem da primavera e outono no
Japão” e da exposição de azulejos, pela artista japonesa Shihoko Gouveia, no
Espaço Cultural das Mercês. Exposição patente até ao dia 27 de Abril.
Horário: de quarta a sábado, das
16h00 às 20h00
Local: Rua Cecílio de Sousa, nº 94,
Lisboa (junto ao Príncipe Real)
Mais informações:
Sra. Yamasuga Gouveia – Telm.: 919650381
» Origami Tradicional -
Workshop de Origami no Museu do Oriente
Nos próximos dias 11 ou 23 de Abril,
o Museu do Oriente promove um workshop de Origami – dobragens de papel. Pensado
para um público adulto, este workshop tem como objectivo contextualizar
histórica e simbolicamente alguns dos origami tradicionais e dar espaço à sua
realização prática.
Local: Museu do Oriente, Av. Brasília
- Doca de Alcântara (Norte), Lisboa
Organização: Fundação Oriente/Museu
Para mais informações e inscrições:
Museu do Oriente, tel.: 213 585 200
O IberAnimeLx 2013, nos próximos dias
13 e 14 de Abril, será um fim-de-semana divertidíssimo para miúdos e graúdos
fãs de Anime, Manga e Cultura Pop Japonesa. É também uma oportunidade
fantástica para os pais passarem um fim-de-semana diferente com os seus filhos.
Este é o evento certo para os
admiradores de séries como DragonBall, Naruto, One Piece, Sailor Moon,
Cavaleiros do Zodíaco e muitas outras!
Shows de Cosplay com convidadas
internacionais e concertos com os Gaijin Sentai, para além de atividades no
espaço de feira, videojogos, demonstrações e concursos são alguns dos muitos
momentos que ficarão na memória de todos os presentes neste mundo fantástico de
anime, manga e videojogos.
Participação da Embaixada do Japão
neste evento dedicado a todos os fãs e curiosos pela cultura pop japonesa.
Local: Pavilhão Atlântico – Sala
Tejo, Rossio dos Olivais, Lt 2.13.01A, Lisboa
O Museu do Oriente promove, no
próximo dia 2 de Maio, um workshop de ‘mizuhiki’, corda feita de papel de arroz
que depois de levar uma cama de goma é passada a ferro e, por último, tingida.
Este workshop pretende levá-lo a conhecer um pouco mais a história desta arte e
a elaborar depois algumas formas com o ‘mizuhiki. Necessária marcação até 24 de
Abril.
Local: Museu do Oriente, Av. Brasília
- Doca de Alcântara (Norte), Lisboa
Organização: Fundação Oriente/Museu
Para mais informações e inscrições:
Museu do Oriente, tel.: 213 585 200,
Este evento, a realizar no próximo
dia 4 de Maio, tem por objectivo proporcionar ao público o contacto com a
cultura japonesa, abordando temas diversos, sendo o culminar das actividades do
clube Haruhi, da Escola Secundária Inês de Castro, em Vila Nova de Gaia.
Organizador: Haruhi – Clube de
Japonês da Escola Secundária Inês de Castro
Local do evento: Escola Secundária
Inês de Castro, Rua Quinta do Fojo, Vila Nova de Gaia
» Caixas, Contentores e
Sólidos – workshop de Origami
O Museu do Oriente desenvolve esta
iniciativa, no dia 14 de Maio, num convite para fazer um percurso entre os
primeiros contentores de papel e o início do origami modular no qual se
realizam construções a partir de vários módulos de papel.
Pensado para um público adulto, este
workshop tem como objectivo contextualizar histórica e simbolicamente alguns
dos diagramas tradicionais e dar espaço à sua realização prática.
Museu do Oriente, Av. Brasília - Doca de Alcântara (Norte), Lisboa
A Embaixada do Japão tem o enorme
prazer de informar que a 3ª edição da Festa do Japão em Lisboa irá decorrer no
próximo dia 15 de Junho, inserida nas Festas de Lisboa, com a co-organização da
Câmara Municipal de Lisboa, EGEAC e Associação de Amizade Portugal-Japão, entre
outros.
Pretendemos mais uma vez retratar o
ambiente de “Matsuri” (festival), no Japão através da apresentação da cultura
japonesa, no Jardim do Japão, em Belém. Também este ano estão previstas
demonstrações das várias áreas da cultura japonesa, tais como Ikebana,
Origami,Caligrafia, Haiku, Cosplay, Artes Marciais, bem como música e ritmos do
Japão (com o presença de um Grupo de Jovens Japoneses de Taiko e Dança
Folclórica).
Mais informações: Sector Cultural da
Embaixada do Japão
P.P.S.: Quero apenas agradecer a
acção contínua das páginas do Facebook do Desacordo Técnico (Movimento
anti-AO90 dos alunos do IST), dos Tradutores contra o Acordo Ortográfico e da página da
própria Iniciativa Legislativa contra o Acordo Ortográfico de 1990. Sem vocês,
e o material que me fazem chegar e que criam, este post teria sido
quasi-impossível! Continuem a luta por todos nós e pelo bem da tão violada
Lusofonia! E parabéns à Maxim por ter saído do armário, nesta guerra. Não
imaginam o prazer que deu ler aquela simples frase que finalmente surgiu sobre
o vosso belo nome na última edição:
ADENDA (06/05/2013 - 2H59 TMG): Cada vez o AO90 nos aproxima mais, já repararam??