quinta-feira, 23 de maio de 2013

Doseiaisha


Olá, amigo(a)s!
Eu procuro afastar-me das polémicas no tempo e só falar das coisas quando já tive algum tempo para remoer os diversos argumentos contra e a favor, afim de vos entregar uma visão minha de determinado tópico. Especifiquei “no tempo”, porque também não quero que me leiam devido a sensacionalismos. Ao contrário da Imprensa e restantes Media, eu não tenho a prorrogativa da venda da informação, tal como também não tenho o constrangimento económico (enquanto puder ter net baratinha :D) ou a auto-censura do politicamente correcto. Mas desta volta decidi abordar um tópico que está na baila: a homossexualidade. É que hoje em dia somos todos forçados a pensar nesta questão, não por culpa de quem é gay, mas por culpa de quem é intolerante e arrogantemente ofensivo para quem o é.
Sabem?, quando eu era puto, um dos meus ídolos era o Alexandre o Grande. Mas na altura os gays eram muito mais alvejados do que são hoje, ser-se gay era considerado um insulto. Termos como paneleiro, panisgas, bicha, fufa, etc… eram mais utilizados que gay, homossexual ou lésbica. E provavelmente, mais utilizados entre heteros como ofensa pessoal que para ofender um gay. Ainda sou do tempo em que se falava em escolha sexual, em que a tese que diz que a homossexualidade é uma doença ainda não tinha sido desacreditada. E como tal, embora Alexandre da Macedónia tivesse sido um dos grandes reis conquistadores do Mundo Antigo, tinha nessa altura a fama de ser paneleiro. Não me bastava ser gordo e alto, levando os adultos sem malícia (parece-me) a me chamarem precisamente Alexandre o Grande, ainda era por vezes chamado de paneleiro por associação. Ainda por cima, devido aos meus longos (na altura) cabelos cumpridos, olhos verdes brilhantes, bochechas cheias, eu tinha um aspecto algo que andrógino. Havia quem ficasse na dúvida se eu era rapaz ou rapariga. Houve quem afirmasse que eu era demasiado bonito para homem. Bons velhos tempos! Ahahah Estranhamente quem fazia essa associação, voltando ao Rei Alexandre, estava algo que mais bem informado que os outros putos todos, do ponto de vista histórico. As crianças tendem a ser cruéis por falta de experiência na hipocrisia social, não por falta de conhecimento. São rápidos a ver o que não encaixa no padrão habitual. É assim que aprendemos. Mas bem, eu não me posso queixar, pois eu sabia bem ripostar e entendíamo-nos. Nunca fui alvo do bullying, termo que na altura da minha meninice ainda não se usava por cá embora o comportamento já existisse, precisamente porque prefiro ser aguerrido (física ou verbalmente, conforme necessário ou apropriado) como o Magnus quando me tentam pisar os calos, que seguir a mensagem do Cristo e dar a outra face. É o tanas, que é o parente do badanas!
Eu sou muito introspectivo, desde pequeno. Da mesma forma como muito novo me interessei por religião (a story for another day) e pela política, também muito novo me interessei por sexo. Como tal, quando já mais velho tomei consciência de que haviam 3 (gays, heteros e bi’s) possibilidades de orientação sexual, que na altura ainda havia na sociedade (entre heteros, creio) a ideia que de era uma escolha, eu decidi-me a investigar qual dos 3 melhor se me assentaria. O tratamento que dei ao problema foi o mesmo que dei à questão de visão de mundo (religião e política): investigar, saber mais, falar com as pessoas, debater a questão, chegar a uma conclusão. Esta contudo foi a conclusão a que mais tarde cheguei. Aos meus 16 anos, já sabia que era ateu (que já agora também não é uma escolha, mas isso também fica para outro dia), pelos 21 já sabia que era apartidário, pela mesma idade percebi a minha identidade sexual. Foi desapontante saber que não era uma escolha, pois sou apenas hetero e gostava de ser bi. Just think of the possibbilities! :D

Mas, devido à investigação que fiz à minha própria natureza, acabei por sentir uma enorme empatia para com os gays e mesmo alguns bi’s, devido ao facto de durante séculos e milénios serem reprimidos por uma ditadura social dos “bons valores”, baseada como é normal dum profundas lavagens cerebrais religiosas e falta de cultura. E esta ditadura é imposta sob ameaça de penas como o completo ostracismo ou mesmo a pena de morte. Em muitas partes do mundo hoje, ainda acontece. E em mundinhos mais pequenos como o de muitas famílias portuguesas, de certeza que ainda acontece. Durante muito tempo, não tinha paciência para as manifestações dos gays ou para as suas reivindicações. Achava eu, na minha ingénua ignorância, que se eles queriam ser gays que fossem para quê me chatearem com isso? Mas prende-se com o facto de não os deixarem, de um casal de homens não poder namorar na avenida ou andar de mão dada, devido (na melhor das hipóteses) a olhares reprovadores cravejados de repulsa ou mesmo ódio. Christopher Hitchens nas suas memórias chegou a falar de experiências gays que teve quando era mais novo, num colégio interno de rapazes. “What do they fucking expect?!” dizia ele meio a sério meio a brincar. Ele acabou por descobrir ser heterossexual, mas achou que devia partilhar tais experiências como um gesto solidário ao movimento gay. Dizia também que mais que sexo, a homossexualidade também deve ser reconhecida nos parâmetros do amor romântico e, como tal, respeitado desse prisma. Concordo com ele uma vez mais. Ele dizia ainda que não confiava em nenhuma pessoa que nunca se tenha questionado, no seu íntimo, sobre isso. Não irei tão longe… Mas mais do que eliminar o olhar reprovador da sociedade, é uma questão legal: terem os mesmos direitos que os heterossexuais perante a sociedade civil e não serem descriminados socialmente devido à sua natureza.
Numa nota de antiteísmo, o Hitch dizia isto do Deus de Abraão em geral relativamente ao pecado (pois todo o homem peca, até o Adão que supostamente era perfeito… criado à imagem do seu criador), mas focando-nos na problemática em questão, se Deus criou o Homem e nos criou doentes (seja os gays ou os ateus), e depois sob pena de irmos arder eternamente nos infernos nos ordena que fiquemos saudáveis (aos seus olhos), não é este um deus mesquinho que condena algumas das suas criações ao fracasso? Não é este deus vil? Ainda assim há homossexuais católicos, entenda-se lá como (cliquem nesta frase para um video ilustrativo em inglês).
Em Portugal, o Sócrates foi ver o Leite e acabou por colocar o país no bom caminho, legalizando o casamento homossexual. Até um relógio avariado dá horas certas duas vezes por dia, né? Recentemente, a esquerda portuguesa (esquerda esquerda e esquerda centro) em peso, com a abstenção da maioria da direita, legalizou finalmente a co-adopção por casais homossexuais na Assembleia da República (AR). Em breve, não duvido, provavelmente já em governo chuchialista, a adopção plena será também legalizada. O meu receio até agora, pelo que li, infundado sobre a adopção era que uma criança não tendo contributo educacional de um macho e uma fêmea não teria um desenvolvimento normal. Consideremos o seguinte: o gay (tal como o ateu) pode e tem surgido de casais heterossexuais (religiosos), logo não haverá porque esperar que heterossexuais (crentes) não surjam do seio de famílias não convencionais (de “bons” valores religiosos). Nós somos produto da nossa educação e experiência, mas não aparecemos como uma tábua rasa no mundo, já trazemos bagagem (e não, não me refiro a vidas passadas). Depois, as pressões no recreio dos bullys perante os putos que tenham dois pais ou duas mães poderá persistir durante umas gerações, mas dentro em breve desaparecerá. Porquê? Porque o que hoje é tabu, se não for prejudicial para a sociedade, amanhã é normal. E a homossexualidade já cá anda desde que o Homem era Macaco, pois até os macaquinhos a têm, e ainda cá estamos. Aliás, todos os animais que vivem em sociedade desenvolvem práticas homossexuais. Além do mais, a co-adopção e, suspeito eu, a adopção por casais gays, em termos práticos já existem, só não são reconhecidas legalmente. O que quer dizer que se morre o pai ou a mãe (biológico ou adoptivo) que legalmente é o tutor da criança no casal gay, a criança tendo um outro encarregado de educação nunca reconhecido pela lei, pode ser atirada para (essa sim comprovadamente prejudicial) a guarda do estado. Relembre-se da Casa Pia, como exemplo negativo ao extremo. Assim sendo, a legalização é a única solução, além de se matar dois Coelho’s de uma cajadada só: há muita criança para adoptar e poucos casais com possibilidades e/ou vontade para tal. Os argumentos contra são, pelo menos o que eu ouvi, baseados em medos. Medo de que os valores religiosos sejam eliminados da sociedade, medo de que os pilares sociais ocidentais (as tradições) sejam substituídas, medo que toda a população ou a maioria se torne gay por ou serem criados por gays ou por whatever, e finalmente por medo da Esquerda política que tem sido a fomentadora destas mudanças… Quanto à primeira, era bom era! Ahahah, mas visto que até há homossexuais não só cristãos mas especificamente católicos, não vejo isso a acontecer. Quanto à segunda, ninguém está a substituir nada, as famílias convencionais (casal composto por um macho e uma fêmea) continuarão a existir e aventurar-me-ia eu a dizer que continuarão em maior número. O terceiro medo é simplesmente parvo. O quarto medo é mera politiquice.

É óbvio que para todas as revoluções, antes duma evolução delas poder surgir, há sempre uma tentativa de reacção. Lamento em dizer que mais uma vez a reacção vem da Direita. E, tendo em conta, de onde originam os sentimentos anti-gay, não custa a vermos que é a Direita Cristã. Sim, a mesma que nos deu o Mussulini, o Franco e o Salazar, entre outros. A mesma que apoiou o Hitler até à queda do Terceiro Reich. A mesma que na Rússia fez de Estaline um santo e apoia incondicionalmente o Putin e os seus esbirros xenófobos e nacionalistas. Por cá, os representantes da Direita Cristã moderados comprovaram agora que estão bem domados. Falo claro do CDS. Não estou a chamar-lhes fascistas, mas tal como os comunistas têm uma herança negra com que lidar. Só os sapos que o Passos e o Gaspar os fizeram engolir desde que a eles se aliaram com ganas de poder, e agora esta esmagadora permissividade, esta sim, contra-natura que tiveram perante um tópico com o qual estão amplamente em desacordo, demonstraram bem a sua dupla-face, a que têm na oposição e a que têm depois de chegados ao poleiro. Aliás, apercebi-me agora que na coligação o CDS tem sido um exemplo perfeito do que é dar a outra face quando se é ofendido. Um corolário que daqui se pode remover é que, embora o país possa ser de maioria cristã, a sua (pseudo [um dias destes elaboro este pseudo]) democracia é comprovadamente secular, e os seus cristãos melhores cristãos que os cristãos poderiam ser se seguissem à letra a sua fé. Não deixa contudo de ser triste que os movimentos cristãos zelotas recorram ao golpe baixo da chantagem psicológica para atingirem os seus fins, como estes senhores que se predispõem a usar a peregrinação a Fátima para recolher assinaturas para um pedido de um referendo ao aborto, estranhamente à eutanásia (quem me dera, pois acho que lhes saía o tiro pela culatra), e provavelmente agora a esta questão dos direitos dos homossexuais, questionando os “fiéis” quão “bons cristãos” são! Dá-me asco, sinceramente. É que isto é forçar uma reacção desejada sem oferecer qualquer argumento lógico ou racional, sem debate, só pela chantagem propagandista. É também armarem-se em deuses eles próprios ou no mínimo investirem-se de poder divino, pois não ouvi o Papa em Roma a pedir que assinassem essa petição... or else. Mas enfim, “olha, são coisas deles” (quem via o Curto Circuito nos dias do Unas, percebe a piada)!

O problema é que os partidos de Deus na Europa não desistem, id est, o CDS não está sozinho. Não se contentam em reinar dentro das igrejas e catequeses, querem poder também no plano civil. Querem tornar a alegada lei divina, lei civil.
Na França, a aprovação do casamento gay, gerou confrontos com manifestantes contra essa lei vindos da Direita:
Em Espanha, fizeram com que a Religião conte para a média escolar.
Mas mais ninguém vê o problema com isto?? Já é mau o suficiente haver uma disciplina de Religião e Moral, como há em Portugal (ou havia no meu tempo), que dá primazia a uma determinada Religião (neste caso, a da Igreja Católica) perante todas as outras numa cultura supostamente de estado laico e que defende a liberdade religiosa num contexto de sociedade secular com pluralidade religiosa, quanto mais fazê-la parte da avaliação duma criança!!! E se a criança vier duma família cuja religião é outra? Agora temos cá cristãos ortodoxos, evangelistas, muçulmanos, budistas, espíritas... ah sim, e ateus! Como pode um estado secular proteger uma religião em detrimento das outras? Não pode. Nem devia sequer de haver capelões no exército e ainda bem que o Sócrates acabou com as isenções de impostos a padres. O Estado não pode favorecer uma religião específica, porque senão teria que dar o mesmo tratamento a todas as outras e torna-se incomportável. A melhor maneira é não favorecer nenhuma. As ditas igrejas que se amanhem. Os seus ensinamentos ficam para as igrejas e catequeses e templos demais. Fora da escola pública.
E mais, chegam a estes extremos, a esta loucura, incapazes talvez de viverem num mundo de democracia e respeito pelos direitos humanos, ou incapazes de lidar com a inevitabilidade da mudança das vontades:
Dito isto, é bom ver que por todo o mundo ultimamente se tem visto um ganhar de terreno em todas as frentes nos direitos homossexuais e como tal, essa revolução, tal como a da emancipação das mulheres, estará próxima de ficar concluída, no Ocidente. Deixo-vos alguns exemplos disso mesmo:
Em Portugal:
Em França:
Inglaterra:
Mas é preciso reconhecer que há pessoas sensatas também na Direita (não especificamente cristã) e é minha convicção de que se houvesse mais liberdade de voto na AR, teríamos um país mais democrático e como tal mais justo.


Dito tudo isto, vou-vos só dar uma perspectiva histórica e actual sobre o que se passou e passa com a homossexualidade no Japão.
Na antiguidade japonesa, o termo usado para designar gays era nanshoku (que também poderá ser lido, danshoku) e que, etimologicamente, é gerado por dois caracteres: 男色. Literalmente falando o primeiro caracter quer dizer “macho” e o segundo “cor”. Contudo, o caracter que designa cor () ainda hoje é sinónimo de prazer sexual tanto na China como no Japão. Um outro termo usado como sinónimo seria shudo (衆道, abreviado do termo wakashudo, que se poderá traduzir para “a via dos rapazes adolescentes”).
Existe uma variedade de referências literárias algo que obscuras que evidenciam actos homossexuais, como por exemplo o romance Genji Monogatari (源氏物語, “O Conto de Genji”), oriundo do Período Heian, sensivelmente séc. XI.
A sociedade medieval japonesa é eximiamente estruturada em classes. Assim, na classe monástica, havia relacionamentos homossexuais de género tipicamente pedófilo, ou seja entre um adulto e alguém ainda não considerado adulto. Trata-se de relacionamentos, dá-me a entender, muito parecidos com o que acontecia na Grécia Clássica, em que o mestre mantinha uma relação homossexual com o aprendiz e isto estava imiscuído no ensino. No caso japonês, a relação era dissolvida assim que o aprendiz chegava à maioridade. Diz-se que, fora dos mosteiros, os monges japoneses tinham preferência por prostitutos (kagema) e não prostitutas e que isso era alvo de chacota social. Em termos religiosos, não havia oposição à homossexualidade no Japão nas religiões não-budistas kami (quer dizer divindade ou ídolo), mesmo na Era Tokugawa. De facto, um escritor dessa Era, chamado Ihara Saikaku, especulou que uma vez que as primeiras gerações de deuses Shinto eram todas masculinas, os próprios deuses tiveram de praticar o nanshoku por falta de parceiros femininos, dando uma explicação religiosa para a existência dessa prática (como diria o Hitchens, one never knows what the religious will say next :). Algumas divindades Shinto eram protectoras dos gays. Na classe guerreira (Samurai), havia a mesma relação professor-aluno que podia, caso ambas as partes assim consentissem, ser homossexual, exactamente como na Grécia de Alexandre o Grande. Essa relação tinha até uma formalização contratual chamada contrato de irmandade e exigia exclusividade. Não podiam ter outros parceiros masculinos. E enquanto o mentor ensinava o aprendiz nas variadas artes marciais, etiqueta samurai e código de honra, o desejo do mais velho de ser um bom exemplo a seguir para o seu pupilo levava-o a comportar-se de forma mais honrosa. Assim sendo, a relação shudo era tida como uma relação de engrandecimento mútuo. Depois, a relação ia para além disso, sendo que era exigida uma lealdade até à morte de ambas as partes uma para com a outra, sendo que quaisquer dividas de honra ou vinganças de um eram dos dois. Contudo, a relação com mulheres não ficava restringida e assim que o aluno fosse maior de idade poderiam ambos procurar outros parceiros homens se assim quisessem. O nenja (tutor) era especificamente o activo nesta relação e o aluno o passivo, numa respeitosa submissão. O papel passivo estava interditado aos homens adultos nestas relações. Há um filme interessante sobre este tipo de relações em contexto do Japão medieval e na classe guerreira que é o Gohatto (quer dizer “tabu”). Quando o vi na RTP2, estranhei a leveza com que os mestres percebiam que dois dos seus alunos estavam apaixonados. Se fosse na Europa era fogueiras com eles, provavelmente. Na classe média, os actores e actrizes acabavam por ter um segundo emprego na prostituição, sendo procurados por patronos ricos que se tornavam nos seus mecenas a troco de favores sexuais. Contudo, durante muito tempo, os prostitutos adultos não eram procurados por homens, enquanto as prostitutas eram mesmo sendo adultas, devido a não ser bem visto pela sociedade que um homem se deitasse com um outro sendo este maior de idade. Pelo século XVII, eles terão resolvido este problema ocultando, até quando fisicamente possível, a sua idade e, desde que as aparências (leia-se ilusão de juventude por parte do prostituto) fossem mantidas, era na boa. Os mais procurados por estes mecenas, tanto os femininos como os masculinos, eram os actores onnagata (que faziam papel de mulher) e os wakashu-gata (que faziam papéis gay). Estes actores eram muito retratados nas impressões nanshuko shunga (shunga quer dizer “imagem de primavera”, 春画, e primavera é um eufemismo oriental para erotismo ou sexo), cujo exemplo podem ver na imagem abaixo. Devo admitir que me ri da proximidade da palavra shunga em termos sonoros da nossa palavra de calão chunga, significando (para os lusófonos não portugueses que possam não perceber) que é reles, que não presta, que é de mau gosto!
Para os dias de hoje, deixo-vos com um testemunho dum imigrante brasileiro que vive no Japão que teve a bondade de deixar este registo no youtube. A perspectiva que ele dá bate certo com o que encontrei noutras fontes na Internet, pelo que dou-a por correcta e objectiva. (ignorem o primeiro minuto e meio que é ele a desabafar a frustração de pessoal que deixou comentários menos construtivos aos seus outros vídeos)
Relativamente a nomenclatura, ela é hoje diferente e mais diversa. Existe a palavra doseiaisha (同性愛者, literalmente “pessoa que ama o mesmo sexo”), que por razões óbvias dá título a este post. E depois a influências de culturas ocidentais, como gei (ゲイ, gay), homo(ホモ), homosekusharu (ホモセクシャル, homossexual), rezu (レズ, les) e rezubian (レズビアン, lésbica).
Como pode ser entendido no vídeo, os gays japoneses não são legalmente reconhecidos, sendo que também não são perseguidos pela lei. Fora algumas zonas mais metropolitanas como Tokyo ou Osaka, onde já há gays fora do armário, a sua maioria ainda vive vidas dentro deste último. Há por exemplo um testemunho, dum casal de gays que até têm alianças, mas que quando vão para os empregos a retiram e fingem ser heterossexuais até voltarem a casa, por medo do que os colegas e patrões possam achar.
Só para terminar, nos dias de hoje, segundo a Wikipédia, no Japão os homossexuais podem servir nas forças armadas, pois embora ser gay não tenha estatuto legal, também não é activamente contrariado ou proibido. Simplesmente é legalmente ignorado. Tive a curiosidade de ir ver o que dizia sobre Portugal e fiquei orgulhoso de ler que em Portugal os gays podem servir nas forças armadas como qualquer cidadão pois a nossa Constituição proíbe descriminação sexual.
Mais uma vez me despeço com amizade e com renovada esperança na única coisa na qual tenho fé (não cega): a Humanidade.
Alex, signing off!

Adenda I: (16h49min TMG, 24/05/2013) Os escuteiros norte-americanos passam a aceitar jovens gay, mas não adultos
Adenda II: (1h32min TMG, 01/06/2013) Um ateu ironizando com a resistência religiosa à homossexualidade 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

As Senkaku e a Política Externa

Os direitos desta imagem pertencem à Agência Reuteurs. Obtive-a via site do Público.

Há pessoas que adoram dizer que são “cidadãos do mundo” do mundo como se hoje em dia não o fossemos todos. Com o advento da poluição global, do poder atómico e da globalização, hoje todos, quer o queiramos quer não, cidadãos do mundo.
Como tal, mesmo para a maioria de nós que em nada influência as decisões ou os acontecimentos no palco mundial, é imperativo mantermo-nos informados do que se passa lá por fora. Por exemplo, o Pacífico tem andado algo que belicoso ultimamente. E é interessante ver como uma crise acaba por interromper outra. Refiro claro à disputa das ilhas Senkaku, que aqueceu no final do ano passado e início deste ano, mas que entretanto foi esfriada pela arrogância lunática da Coreia do Norte.
Mas antes de mais, impõe-se um pouco de História e Geografia, ladies and gents!


As ilhas em questão ficam no mar da China, grosseiramente a leste da China Continental, a oeste de Okinawa e a norte da ponta sudoeste das ilhas Ryukyu. Em Japonês, as ilhas têm três variações do seu nome 尖閣列島 Senkaku-rettō, 尖閣群島 Senkaku-guntō, Senkaku-shotō. Senkaku quererá dizer Pináculos em Pavilhão ou Pavilhão de Pináculos, segundo a wikipédia inglesa (daí a minha dificuldade na tradução). As ilhas foram oficialmente anexadas pelo governo Japonês em 1895, sendo que só após os EUA descobrirem nas ilhas reservas de gás natural em 1968 e, acrescente-se, apenas depois do Tio Sam devolver a soberania ao Japão em 1972, é que a República Popular da China decidiu reclamar estas ilhas como sua propriedade. Num post anterior, escrevi uma pequena tirada sobre como todas as nossas disputas acabam por ser derivadas de necessidades energéticas. Esta não é excepção. Excepção seria uma guerra religiosa, que não tivesse nenhum interesse materialista no seu âmago. Portanto, algo que não existe, pois estas últimas parecem ser sempre pelo controlo de terras, quer neste Verso, quer no plano astral ahahha.
Mas disse eu também, e nessa mesma entrada, que a civilização humana vai necessitar de gerar muito mais energia no futuro próximo, o que possivelmente levará a mais disposição belicosa para obter recursos energéticos. Por exemplo, muito subtilmente está a decorrer uma nova corrida à Lua, ainda em fase embrionária, tanto por parte dos EUA como da China, devido principalmente ao desejo de obter uma substância altamente energética que se julga existir em maior abundância na Lua, chamada Hélio 3, um gajo raro. Portanto, amigos, a próxima corrida espacial não vai acabar com um “For all Mankind!”

Uma nota interessante que retirei da Wikipédia sobre as Senkaku é que, em meados da primeira década do século XX, um empreendedor japonês, de seu nome Koga Tatsushirō (古賀 辰四郎), estabeleceu, nessas ilhas, uma central de processamento de pesca do Bonito. Sim, o Bonito é um peixe e assim que ouvi falar dele e que descobri que este é aparentado da sardinha, veio-me logo à cabeça que o nome tenha vindo da palavra portuguesa Bonito, tal como “arigato” é um japonesismo de “obrigado”. Mas a Wiki não me confirmou ou negou tal intuição.
As tensões entre a China e o Japão já não são de agora. De facto, a 18 de Setembro de 1931, o Japão Imperial pré Segunda Guerra Mundial, serviu-se do Incidente de Mukden, também conhecido como Incidente da Manchúria (Kyūjitai: 滿洲事變, Shinjitai: 満州事変, Manshū-jihen), como pretexto para invadir a Manchúria e lá instalar um seu governo fantoche. Tal como os estados totalitários, também os estados imperialistas vivem de clichés. Muitas vezes são um no mesmo. A suposta razão para a invasão foi uma explosão criada numa linha de caminho de ferro nipónica. A explosão foi criada de tal forma que nem danificou a linha e foi preparada por um tenente japonês, mas culpada em dissidentes chineses. Desde então e até à derrota do Japão na II Grande Guerra, em 1945, rebentou o conflito entre as duas nações. E até aos dias de hoje, comentadores chineses afirmam que o Japão ainda não se arrependeu do seu papel nessa guerra nem pediu desculpas ou fez as devidas reparações às suas acções perante as vítimas das mesmas. Este conflito actual das Senkaku, conhecidas como Diaoyou na China, terá vindo meter achas numa fogueira cujas brasas nunca esmorecem, embora possam por vezes ficar escondidas entre as cinzas do seu descontentamento.
Analise-se agora, o presente deste conflito. Simon Tisdall do The Guardian, afirma que os Norte-Americanos, que ainda hoje se vêem como a maior potência na zona asiática do Pacífico, andam a ficar cada vez mais nervosos com esta situação. Leon Parnetta, secretário de defesa norte-americano, terá dito recentemente numa visita ao Japão que qualquer “comportamento provocador” por quaisquer dos lados pode levar a malentendidos, violência e potencialmente guerra aberta. Ecoou assim as afirmações de Hilary Clinton que disse que deve haver contenção e diálogo entre a China e os vários países com os quais esta última mantém disputas territoriais. Durante a sua visita, contudo, Parnetta confirmou que de facto as Senkaku estão previstas no tratado de defesa Nipónico-Americano, o que implícita que os EUA, se o pior acontecer, terão de ajudar o Japão a defender as ilhas que a China afirma terem sido ilegalmente anexadas. Isto reforça também a ideia chinesa de que o Japão faz parte duma agenda geo-estratégica secreta norte-americana na zona, que pretende conter ou limitar o crescimento do poder chinês. Diga-se de passagem que não andam muito longe da verdade, pois durante a Guerra Fria, os Estados Unidos usaram mesmo o Japão dessa forma, para atrofiar a expansão comunista. Ou no mínimo, para terem um aliado na zona. Ainda na opinião de Tisdall, historicamente, rixas deste género entre estes povos têm sido seguidas de um decréscimo de agressividade e reparação das relações entre os dois estados. Até porque entre estes últimos, existe uma balança comercial de enorme peso e torna-se do próprio interesse nacional de ambos, fazerem a manutenção dessa balança comercial.



Contudo poderá ser diferente desta volta. Mrs Clinton terá anunciado que era do interesse nacional dos EUA que houvesse livre passagem pelo sudoeste do Mar Chinês, algo que o governo Chinês tomou como uma provocação, assim como achou “intolerável” a oferta de compra das ilhas por parte do Governo Japonês (desta jogada, falar-se-á em pormenor mais à frente). Entra como factor nesta história, que como a administração Obama tem alargado relações comerciais com o Vietnam, a Tailândia e a Indonésia, e restringido a Coreia do Norte (aliada da China), a China ficou ainda mais reticente na sua relação com o Japão e com os outros seus vizinhos e mais preocupada com a sua própria segurança nacional.
Desta volta, temi eu, podemos não ter um final feliz, particularmente derivado a mudanças políticas internas do Japão que levaram à decisão de avançar com a compra pelo governo (ou nacionalização à la capitalismo) destas ilhas com ideias ou fito de as começarem a explorar. O primeiro-ministro Yoshihiko Noda foi quem avançou com essa iniciativa. A China, como seria de esperar, respondeu:


O P.M. Noda parece manter uma posição inflexível de que as Senkaku são território japonês e pronto. Apelou à calma da China, mas sem se mostrar disposto a quaisquer negociações ou concessões sobre o assunto. Eis a posição oficial do governo japonês:
O diplomata norte-americano Stephen Harner terá dito à Forbes que a tensão entre a China e o Japão atingiu níveis assustadores. Harner é da opinião que Noda, embora tenha sido exemplar na política interna do país (debatível considerando que é pró nuclear quando a maioria japonesa parece não o ser), tem levado o Japão a ser o principal causador da elevar das tensões entre os dois países.
Stephen Harner é de facto um contribuidor da Forbes e escreveu também um artigo nesta revista cujo cabeçalho diz: “Os Estados Unidos podiam ter evitado a crise Senkaku/Diaoyou. Porque não o fizeram?”. Uma boa pergunta e uma afirmação interessante. Ele começa por dizer que, à parte da corrida a armas nucleares por parte da Coreia do Norte e do Irão, esta disputa é a mais proeminente causa para guerra no Mundo actualmente e que é provável que assim se mantenha por tempo indefinido. O diplomata, embora reconheça que todas as partes interessadas teriam a ganhar em não fazer crescer a crispação entre si, afirma que os EUA podiam ter vetado a decisão japonesa de nacionalizar as ilhas, decisão esta que foi o que volatilizou toda a já tensa situação. Harner diz-nos ainda que o actual embaixador japonês nos EUA, declarou numa entrevista, a 31 de Outubro de 2012, que ao questionar os EUA sobre a compra obteve a resposta de que a América não se iria opor, dando assim “permissão” ao Japão para agir como agiu. É ainda da opinião do diplomata que se os Estados Unidos não tivessem concordado, Noda teria impedido a oferta de compra de acontecer. Stephen Harner postula depois que a culpa será atribuída ao facto das relações entre a China e a América terem vindo a deteriorar e a tornar-se cada vez mais abrasivas, com a tomada de posição dos EUA em retomar o imperialismo naquela zona do mundo e a reanimar os velhos planos contra os aliados de inimigos d’outrora. É uma opinião.

Contudo, toda esta crise foi abafada pelo súbito crescer de tensão entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul/EUA, pois o novo Pequeno Líder (que como decerto sabem é a encarnação do pai, que fora a encarnação do avô… esse sim um Grande Líder -_-) quis mostrar aos seus generais que tem um míssil nuclear em vez dum pénis. A Coreia do Norte, como bloco Orwelliano que pretende ser, barafustou imenso, mostrou as suas armas, até atirou testou mísseis de longo alcance e expulsou sul-coreanos de um complexo industrial que até então era usado por ambos os países, de tal forma que até a China, sua aliada, lhes teve de dizer: “Deixem-se de birras, pá!” Se não leram o 1984, a guerra é usada pelos blocos totalitários para manterem os seus respectivos povos sob o jugo do medo e da miséria constantes. O mesmo se passa na Coreia do Norte, onde o Líder declarou ao seu povo que as ajudas humanitárias que os EUA e outros lhes enviaram em troca deles cessarem o seu programa de armamento nuclear, eram uma respeitosa e temerosa oferenda ao Grande Líder.
Já desde a administração de Bush Júnior, que a política dos EUA para com a Coreia do Norte consiste em procurar mantê-los controlados via China. Como? Bem, reforçando a ideia de que se os Norte coreanos realmente obtiverem armas atómicas de longo alcance, então rapidamente o Japão construirá as suas, o que para a China não é uma perspectiva nada confortável.
No meio de tudo isto, as Senkaku aparentemente ficaram esquecidas… por hora. Mas esta questão voltará à baila, podendo levar a uma Guerra no Pacífico entre super potências com capacidade nuclear. Ora é aqui que entra a parte GLOBAL da coisa! O que é que a Guerra Fria nos ensinou? Que se houver uma guerra nuclear não haverá neutros. A precipitação radioactiva alastrará as consequências dum tal conflito para o resto do mundo. Como tal, será bom levarmos a questão a sério. Cheguei a sugerir num outro post, que talvez Portugal, considerando as boas relações que mantém com a China e o Japão e que não terá nenhum outro interesse além de promover a paz entre dois seus aliados económicos e culturais, pudesse servir de mediador externo para a resolução deste berbicacho. Mas depois, como dizem os meus amigos d’Além Mar, “caí na real, cara!”. Com que credibilidade o faríamos?
Video com as declarações do Passos sobre a Força de Resposta Rápida e uns extras divertidos
Não me refiro ao facto de estarmos às sopas de bancos estrangeiros e de agências de rating, apenas. Refiro-me essencialmente ao facto de a nossa política externa actual ser uma anedota pegada.
Para fundamentar esta afirmação, comecemos por falar na nossa reacção e conduta aquando do recente golpe de estado na Guiné-Bissau. Paulo Portas surgiu na televisão, vi e ouvi eu, a reclamar que o golpe de estado era ilegal. Péssima escolha de palavra, uma vez que não há nenhum golpe de estado que seja legal, senão não era um golpe, era apenas uma mudança de governo depois de eleições. Em seguida, e para mérito das nossas forças armadas, despacha uma força de resposta rápida para Bissau em bom tempo útil, ficando esta ancorada ao largo da costa guineense uns tempos para depois voltar de rabo entre pernas. O pretexto? A salvaguarda da segurança dos portugueses que residem na Guiné-Bissau. Até aplaudiria não fosse o resultado. Não houve necessidade de trazer ninguém, aparentemente ninguém se sentiu ameaçado.
Paulo Portas de seguida, com o apoio pelo menos da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), pediu na ONU uma intervenção para restituir a legalidade democrática no país. Mas eis que surge a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) e assume controlo da situação. Despacha para lá uma força nominal de algumas centenas de homens para, alegadamente, policiar a transição de poder, decide quem será o chefe de estado na transição e, efectivamente, enxota a CPLP e Portugal para fora da jogada, também evitando qualquer intervenção, enquanto Portas ainda andava a pedir a força de intervenção na ONU. Resultado disto: a CEDEAO já adiou várias vezes a data para as eleiçõesque reporão a democracia na Guiné-Bissau, enquanto mantém o seu “escolhido” no poder. Uma completa não-resolução do problema. Enquanto isso, o problema da droga na Guiné-Bissau contínua a ser confrontado pelos EUA. Afinal para que serve a CPLP? Para justificar o AO90 talvez? E que credibilidade teve Portugal, ao despachar o seu poderio militar para nada? Não há pior demonstração de fraqueza que é fazermo-nos fortes e deixarmos que o nosso bluff seja comprado. É como quem tem uma arma. Se não a está disposto a usar, mais vale não sacá-la, sempre me disse o meu pai. A nossa força de NÃO intervenção, a mon avis, foi mais uma humilhação que Portas comprou para Portugal, esta última criada pela sua falta de traquejo:

Depois temos a Guerra contra o Islamofascismo. A França, nossa suposta aliada em todas as organizações internacionais excepto a CPLP por razões óbvias, faz uma intervenção no Mali, enviando tropas e equipamento para o terreno e Pedro Passos Coelho dá-se ao LUXO de ir visitar a França, dar uma palmadinha nas costas do seu homologo francês e dizer: “Hollande, mon ami, nós vamos ficar de fora desta, ‘tá? N’há guito, ‘cebes? Se precisares podemos depois mandar os nossos instrutores ensinar os nativos a dar uns kicks, yá?! Ma friend!” e veio-se embora, congratulando-se pela missão cumprida depois de afirmar que Portugal apoia esta acção da França… em espírito. País tão católico que me faz querer vomitar coisas que já me esqueci de ter comido (parafraseando o Hitch).
Ok, é verdade. Não temos dinheiro para andar a policiar o Mundo. Mas não se trata disso. A política externa trata-se de fazer jogadas no palco internacional de forma a fortalecer relações de mutuo interesse e cooperação, com determinados países, de forma a assegurar os nossos interesses. O que é certo é que os Fascistas com Face Islâmica (mais uma vez parafraseio o Hitch) não vão esquecer o nosso papel na libertação de Timor Lorosae. Eu lembro-me de ver com orgulho os nossos Pára-quedistas a darem cabo dos islâmicos no noticiário da RTP1, era eu puto. Eles, que querem restaurar o seu antigo Califato (que incluída a Andaluzia e o Algarve), não esqueceram o nosso papel na sua perda dessas terras. Esta guerra é nossa, quer nós a queiramos quer não. E os nossos rapazes precisarão de experiência de campo, quanto mais não seja para a passarem às próximas gerações de militares portugueses. Temos dos melhores militares do mundo e sabemo-lo! Sempre que há exercícios da NATO, lá estão os ‘tugas entre os mais bem cotados, quando não são o topo da tabela. Tivemos dinheiro para mandar uma frota dar uma proverbial volta ao bilhar grande, não temos agora para mostrar aos fundamentalistas que temos valores tão vinculados quanto os deles e que estamos aqui para lutar por eles?
 Resta-me só analisar o corrente Ministro dos Negócios Estrangeiros, el Paulinho das Feiras, o sr Paulo Portas, líder assumido da Direita Cristã Portuguesa. Ora este último já revelou ser um mentiroso (Clicar para comprovar a afirmação anterior) de oportunidade, um hipócrita histórico (clicar aqui para comprovar afirmação anterior), cujos princípios, se é que os tem, variam conforme está na oposição ou no governo (ver imagens). E só não lhe chamo corrupto porque isso, infelizmente, ainda não tenho como provar e não estou disposto a ser levado a tribunal por difamação (cof cof submarinos cof cof... estas mudanças de clima súbitas dão cabo da minha renite).
Politicamente, é aquele tipo que traça uma linha na areia e depois apaga-a ele próprio (dadas as últimas notícias sobre as novas medidas de austeridade acho que não preciso dizer mais). Já as suas anteriores declarações, desde que está no governo, desde que assumiu o poder que na sua juventude dizia odiar acerrimamente, só resultaram em que ele tenha andado a engolir sapos, que um Coelho da Páscoa e um Gaspar, o Fantasma Hostil, alegremente lhe vão enfiando goela abaixo.


Quanto ao AO90, foi dos corajosos (palavra escrita com um abuso de sarcasmo) que se abstiveram aquando da votação na Assembleia da República, mas agora que tem um tacho no governo, está constantemente a afirmar que tem de ir para à frente e vai mesmo, tendo-se tornado desde que assumiu funções um fervoroso mAO90ista! Não se preocupem, o mAO90ismo é perfeitamente compatível com qualquer outra religião. Aliás, a sua defesa e aplicação é pura questão de Fé.
Por fim, é claro, vamos abordar a nossa única política externa imperialista: o Acordo Ortográfico de 1990, que já todos sabemos bem o desastre anedótico que é.

Com estes vendedores de automóveis usados como governantes, só podemos esperar da nossa política externa uma completa vassalagem a Broxelas (deve ser erro ortográfico, deve) e pedinchar umas esmolas aos restantes na forma de compra da nossa dívida externa. Ai, se o Dom Afonso Henriques ou o Marquês de Pombal nos vissem agora…

terça-feira, 14 de maio de 2013

Novidades Nipónicas e + Desacordo!

Olá, "senhoras e senhores, irmãos e irmãs, amigos, camaradas"!
Esta entrada para variar vai ser curtinha mas ainda assim cheia de informação. Para não variar vou cascar mais um bocado no Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), ao mesmo tempo que vos dou as últimas sobre Portugal e o Japão.
Começo por vos falar de oportunidades, lá fora e cá dentro:

O Japão estreita mais uma vez a distância que nos separa disponibilizando bolsas de estudo/investigação para portugueses que queiram para lá ir estudar. O processo de candidatura está todo explicado nesta notícia do público.
As oportunidades dentro do país vão aparecendo mensalmente, sendo focam a transmissão cultural, e poderão verificá-las no:

Dos eventos destaco a Festa Japonesa, em Belém, que se realizará a 15 de Junho, no Jardim do Japão. (para mais informações, verificar link acima).

E pronto, tendo terminada a parte agradável, vamos então agora abordar o (des)Acordo. Lembram-se de eu vos falar, e não sou o único, da ambiguidade inata deste AO90? Bem, eis mais um exemplo de como ele sabota qualquer tentativa de se ter um vocabulário científico universal e NÃO ambíguo.


Repare-se que o Expresso já adoptou um novo Acordo Ortográfico. Não o de 1990, que diz utilizar, mas o AOCM (Acordo Ortográfico do Correio da Manhã), que basicamente diz que se aplica o AO90 mas não completamente... Esta universalidade é suprema.
No boletim que postei acima da Embaixada do Japão só detectei um erro derivado à aplicação do AO90, mas ou foi lapso ou foi causado por copy paste uma vez que o evento em questão está relacionado com uma escola portuguesa.
Como gosto sempre de fazer, vou deixar-vos também com mais uns exemplos de desobediência activa ao Acordo Ortográfico de 1990:
O Jornal Sénior é uma nova publicação, com um público alvo mais velho o que é inteligente sendo que a realidade portuguesa é a de uma população envelhecida, tal como parece que acontece no Japão. Este jornal não aplica o AO90. Como costumam dizer os camaradas da página do Facebook Tradutores contra o Acordo Ortográfico: "Saúda-se!"
Escrevem-se livros não só a identificarem pormenorizadamente os erros do AO90, mas também a contar a sórdida Origin Story (expressão idiomática do mundo da banda desenhada norte-americana) deste documento pseudo-científico, pseudo-cultural, gerado por interesses político-económicos.
Por falar em Economia, note-se que parece que se venderam cerca de 1 milhão de livros a menos em Portugal no ano de 2012, face aos anos anteriores. A primeira reacção (e não pode deixar de ser um factor com enorme peso) será culpar a crise. Mas será só isso? O camarada JAA do blog que postarei a seguir não acha e eu partilho da sua opinião:
Só para enfatizar este argumento, vou partilhar com vocês algo que me aconteceu recentemente. Estava eu no Vasco da Gama, Centro Comercial em Lisboa, a fazer tempo à espera que me enchessem o tinteiro da impressora, quando resolvi ir à Bertrand ver as novidades e quiçá ler umas páginas de algum livro desconhecido. Tinha 1 hora para matar, segundo o funcionário da Worten. Depois de vaguear pelas estantes encontrei um livro de autor português cujo título me intrigou. Chama-se "O Leitor de Cadáveres". A história passa-se na China, no início do segundo milénio D.C., anno domini se preferirem, e conta a história de um rapaz muito inteligente que se tornará uma espécie de médico legista da época. A contra capa do livro informa que a história é baseada em dados históricos e como eu sou grande admirador da civilização milenar chinesa (quanto mais não seja pela sua esmagadora antiguidade), peguei no livro e comecei a devorá-lo. Perdi contudo o apetite e até a fome, quando já ponderava comprá-lo, quando detectei o AO90. Foi difícil, pois nas primeiras páginas não aparecem nenhumas palavras em que houvesse diferença. Assim que tal aconteceu, fui ver a editora... tem o nome Porto, mas não foi por ser Benfiquista que eu, após acabar o primeiro capítulo, arrumei o livro onde o encontrei e fui buscar o meu tinteiro, já sem interesse nenhum em gastar o pouco dinheiro que tenho num livro cuja história até me poderia ter interessado. É que como disse Saramago, ele a ironizar mas eu muito a sério parafraseio, tirarem-me os C's e os P's faz-me mal!
Felizmente ainda há editoras com inteligência e noção de cidadania, como a Guerra e Paz que acabou de se juntar às nossas fileiras, no mesmo mês que a Maxim saiu do armário: o mais recente inimigo do AO90.

O meu melhor amigo está-me sempre a dizer que não vale a pena, que não percebe porque me importo com isso, que já não há volta a dar, porque o AO90 já está implementado, que os putos já o estão a aprender na escola... mas estarão mesmo? Como os governos do centro adoram destruir a Educação é algo que me espanta tanto que não me espanta nada, pois os governos do Statu Quo, dos interesses económicos, do PS(D), lucram da ignorância e apatia intelectual daqueles que governam. Neste tópico, aconselho a leitura também de outra notícia, desta volta sobre os custos que vão acarretar a súbita alteração no programa de Matemática, na qual um atento leitor do Público online comenta o facto de serem as editoras a lucrar com isto tudo e serem o lobby que domina o Ministério da tutela. Será sem dúvida nenhuma a isto que se refere o Cavaco (que teima em não arder de vez) quando fala no Potencial Económico da Língua Portuguesa, mais uma forma de infligir sacrifícios aos já martirizados portugueses. Sem dúvida o nosso iluminado PR é produto de divina inspiração (que afirmação mais deplorável do ponto de vista secular!!).

Para terminar, é importante perceber-se, e não me canso/nunca me cansarei de o realçar, que não é só em Portugal que se resiste ao AO90, mas sim em toda a Lusofonia. A Rádio Televisão de Cabo Verde e a Televisão de Moçambique não usam o (des)Acordo Ortográfico. Estes são os canais homólogos da nossa RTP nos seus países, canais públicos controlados pelo estado e ambos estes estados terão rectificado o AO90. Agora digam-me quem anda a propagandear desinformação, Ciberdúvidas? E o meu post anterior bem demonstra que muitos brasileiros estão contra o AO90.

Vá lá, portugueses, assinem sem demora a ILC contra o AO90 se ainda não o fizeram. Para tal usem os links abaixo:
Como obter o número de eleitor, via net ou telemóvel

Despeço-me com amizade, eternamente grato por me lerem, mais ainda se a mim se juntarem nesta luta as vossas vozes, pois se tens net e sabes ler, 'tá na altura de começares a escrever também! Convertam as vossas canetas em katanas! A Cristina Pinheiro Moita já o fez com o poema que abaixo vos deixo.
Abaixo o mAO90ismo!
Sayonara, tomodachi! ;)

«Este acordo ortográfico
Por vezes até nos faz rir
Não sei por onde parámos
Ó que caminho a seguir
Se é “pára” já não existe
Se para não sei se “pára”
Para / “Pára”
“Pára” / Para
Quem me sabe explicar?
Porque não “pára” a idiotice
As crianças gostam de brincar
Mas não querem tanta burrice
Faltasse a pala ao Camões
Quem sabe ele ainda visse?
Para trocar o “pára” por Stop
Antes que alguém caísse»

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Os Meus Versículos Satânicos: mAO90ismo




Em vésperas do Dia da Língua Portuguesa, que ao que parece será dia 5 de Maio, que este ano, também é dia da Mãe, venho falar-vos das semelhanças em pensamento entre o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) e uma qualquer Religião. Porquê religião? É simples. Depois de tanto argumento lógico e racional, ou mesmo técnico, contra o AO90, e mesmo perante a evidência de que entre 60% a 70% dos portugueses estão em desacordo com o alegado acordo, é preciso ter muita fé nos dogmas do AO90 para continuar a insistir na sua validade (seja de que perspectiva for) e persistir no erro da sua implementação! Apenas uma fé cega e dogmática pode levar a tamanha arrogância e inconsciência. Qual o seu deus? Dou-vos uma pista: “In God we trust”. Dou o nome de mAO90ismo (leia-se mau-noventa-ismo) a esta nova e interesseira crendice, que como sempre muitos, mesmo entre os cultos e inteligentes, ilude. Tal é também próprio das religiões.
Para os que não me lêem regularmente, uma pequena introdução aos prós e contras deste acordo é imperativa. Deixo aqui também, caso queiram ler ou reler, os meus posts prévios sobre o Acordês:





Todos os argumentos a favor são facilmente destruídos (como procurarei demonstrar de seguida e de forma resumida):

- há que uniformizar o Português para o podermos usar como língua de trabalho internacional e obter esse reconhecimento das Nações Unidas (NU). Falso, o inglês é efectivamente língua de trabalho internacional e nunca teve de se sujeitar a isso. Por outro lado, é facilmente provado que o AO90 não uniformiza a língua, apenas a torna mais pequena, mais restringida e mais ambígua. Reparem nestes dois exemplos que os brasileiros continuarão, segundo o AO90, a escrever como nós escrevíamos antes do AO90 mas nós temos que remover consoantes alegadamente mudas… isto é uniformizar?
Por outro lado, o inglês impõe-se como língua de trabalho internacional essencialmente por duas razões: é fácil de aprender e é a língua de algumas das maiores potências e economias do mundo industrializado;

- temos de tornar a língua mais ágil e fácil, aproximando a escrita da oralidade. Impossível em termos práticos, visto que só em Portugal há uma enorme disparidade de pronúncias e sotaques, quanto mais em todos os PALOPs. Por outro lado, o AO90 vem afastar-nos desse objectivo. Sendo que os brasileiros fecham vogais enquanto nós abrimos (exampli gratia: yóga em Portugal, yôga no Brasil), em geral, é impossível termos a mesma acentuação nas palavras que os nossos irmãos de Além Mar, se o objectivo for mesmo aproximar a oralidade da escrita. Quanto à questão de o AO90 aproximar a pronúncia da escrita, reparem neste excerto, proveniente desta fonte (http://networkedblogs.com/KhcrK):
«Assim, não é por má vontade ou deficiência que um português lerá “ef”tivo” quando lhe põem à frente a palavra “efetivo”, palavra que um brasileiro lerá como “êfétjivo”. Isto é simples, muito simples, e qualquer criança percebe. Já“efectivo” obriga um português, pela presença do C antes do T, a abrir o E mesmo que o C não se “ouça” na fala. Não é uma regra arbitrária: é, além do respeito pela etimologia, pela raiz da palavra (do latim ‘effectívu’, ou “activo que produz”), o respeito pelo sistema vocálico próprio do português europeu.»
Quanto a tornar a língua mais ágil e fácil de aprender, a língua inglesa deve ser a língua mais fácil de aprender como segunda língua e tem os “p” e “c” na sua ortografia. Quando nós também os tínhamos, eu ainda tenho, era mais fácil dominarmos a ortografia inglesa. Pelos vistos, a mania da modernice apressada e às cegas já começa a dar problemas, como constata aqui um professor que diz que os alunos já começam a escrever em inglês sem “c” e “p”, id est projet em vez de Project.
Não só não nos deu facilidade em aprender a nossa própria língua, pois fica ambígua e não há regras que não estejam cheias de excepções absurdas neste AO90, ou seja não há lógica para as crianças seguirem, como ainda conseguiu tirar-nos a nossa facilidade em migrar para a ortografia inglesa cuja raiz etimológica é muito próxima da nossa.

- precisamos que a língua evolua e tal evolução só se pode fazer via acordos ortográficos. Falso, até agora a língua estava a evoluir a 8 frentes, sendo que agora está em ampla repressão (ou quiçá mesmo regressão) evolutiva. A evolução, comprova-se pela mera observação da natureza, beneficia da diversidade e não da falta dela. O Acordo Ortográfico não é Selecção Natural (que seria a evolução ortográfica por força da oral) nem Artificial (a influência de outras línguas e termos novos no vocabulário da língua, como linkar ou googlelar), é uma adaptação para as Letras das absurdas leis da Eugenia. Se olharmos para os exemplos históricos, tipo o latim, percebemos que a evolução natural duma língua falada por povos diferentes é desaparecer, convertendo-se nos seus muitos descendentes. Exempli gratia, o Latim, que originou o inglês, o francês, o português, o castelhano, o italiano, o romeno, etc… e desapareceu enquanto língua viva;


- o argumento dos números: os brasileiros são às centenas de milhões pelo que temos de nos juntarmos a eles ou cair. Falso, por vários motivos: 1) o povo brasileiro também não quer este acordo para nada, nem o pediu ou foi chamado a debater sobre a sua implementação:
TAMBÉM HÁ REVOLTA PURA CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO:

TAMBÉM SE DÚVIDA DAS MOTIVAÇÕES OCULTAS POR DETRÁS DESTE ACORDO:
E FINALMENTE TAMBÉM HÁ QUEM ACHE QUE NADA SE GANHA COM O AO90, QUE É UMA MÁ IDEIA, QUE SABE OS ARGUMENTOS CONTRA, MAS QUE POR ACHAR QUE NADA HÁ A FAZER BAIXA OS BRAÇOS E NÃO LHE RESISTE:
Só mais uma, desta volta só áudio (link abaixo):
E LÁ PELA ÁFRICA TAMBÉM NÃO ESTÃO MUITO PELOS AJUSTES COM O AO90, NÃO SENHOR:


Bem como cá, desd’as ruas até aos poleiros políticos se resiste, como ilustra a seguinte imagem:

E o debate, o confronto, é mantido vivo:
Cidadãos da Língua Portuguesa sentem-se assaltados pelo Acordo Ortográfico(link)
É preciso, portanto, diferenciar a vontade dos povos da vontade dos políticos que os representam e que, por vezes, quando têm essa possibilidade, procuram usar essa ilusão de números para fazer pender a balança da argumentação a seu favor. É como a Igreja Católica dizer que tem N milhões de fiéis, mas quantos desses foram baptizados à nascença sem terem voto na matéria, fazem parte das estatísticas da Igreja, e/ou nunca acreditaram ou abandonaram a igreja? Os meus pais contam-se entre eles e como eles outros tantos…

2) mesmo que fossemos só 10 milhões a escrever o Português Europeu, este manter-se-ia sempre válido, desde que os bananas que nos lideram assim o permitissem; 3) o AO90 não nos obriga à ortografia brasileira, tendo antes mutilado tanto a ortografia brasileira como a portuguesa; 4) ainda recentemente postei aqui um link em que o governo chinês pediu expressamente a Portugal, professores de Português. Se formos nós a ensiná-los, lá se vão os números dos brasileiros;
(também argumentado no post nº 3 linkado acima)



- o argumento de que se formos contra o AO90, somos retrógrados reaccionários da direita conservadora. Ideia sem dúvida popularizada por ter sido o Governo de José Sócrates (cujo o partido finge ser de esquerda e não de centro) a levar a resolução ao plenário nacional, e potenciada pela acérrima defesa do Bloco de Esquerda deste tão patético projecto… sim, o mesmo bando (este último) que quer desfazer as forças armadas nacionais… enfin! Estranho, contudo, que o único partido na Assembleia da República (AR) Portuguesa de teor ideológico revolucionário, o PCP, se tenha abstido na sua totalidade quando o AO90 foi aprovado na AR, por ter sérias dúvidas do que neste último era advogado (como demonstra a imagem acima), e que mantém a ortografia portuguesa europeia pré-AO90 no seu jornal, o Avante. Quanto a sermos retrógrados, nós que não nos abstemos nem somos neutros mas que atacamos o AO90 em consciência e com paixão, como disse Saramago (deste senhor mais será dito, já lá iremos), nem tudo o que é novidade é necessariamente bom e devemos suspeitar sempre das modernices, até que seja factualmente comprovado o seu maior valor face ao que já havia;


- os acordos ortográficos nunca foram discutidos com a população em geral, com já ouvi dizer em defesa do AO90 quando se diz que este é anti-democrático. Belo dogma, argumento da treta e, como diz um colega meu, “que desculpa de merda, pá”. Se formos a pensar assim, então também as mulheres nunca viriam a votar, ainda haveria escravatura legal e bem-vista pela sociedade, etc… Já para não falar que era normal antigamente não ser discutido um acordo ortográfico na praça pública, visto que uma vasta maioria de pessoas era analfabeta e nada teria a contribuir para o debate. O objectivo deve ser aprimorar a democracia. Para tal, aumenta-se a taxa de cidadãos letrados e dá-se ouvidos à sua opinião nos tópicos importantes. Especialmente quando se trata da sua própria cultura!



Os argumentos contra são simples:

- a língua pertence ao povo que a fala e escreve. A sua evolução deriva da cultura desse próprio povo. Se mais que um povo fala a dada altura uma mesma língua, é apenas natural que essa língua evolua por caminhos distintos mediante as culturas que reflecte. Eu pessoalmente não tenho nenhum problema com o Português deixar de ser a 5ª ou a 7ª língua mais falada, e que passe a haver um Brasileiro e/ou um Angolano, seus descendentes. Na plenitude dos tempos, se a espécie humana não se auto-destruir entretanto, será isso que acontecerá. A História assim nos ensina;

- devemos sempre construir a língua com lógica e racionalidade. Devemos dar ouvidos aos especialistas (terminante e comprovadamente ignorados neste assunto pelos poderes vigentes) e não pisar assuntos sérios como a etimologia, por exemplo. Devemos esforçar-nos para tornar a língua cada vez menos ambígua e não o contrário (para, para = pára, para??);

- a evolução, ensina-nos a Teoria da Evolução, carece de e/ou implica diversidade, logo haver 8 versões do português será sempre melhor para o engrandecimento e enriquecimento cultural da língua do que só haver 1 ortografia (o que desde logo não acontece com o AO90, que a tal se propôs, pois continua a haver diferenças ortográficas entre ortografia brasileira e portuguesa, por exemplo);

- mesmo que o AO90 uniformizasse a 100% as ortografias (coisa que está longe de fazer), ainda restam as palavras sinónimas mas que só são usadas correntemente num país (exemplo: talho (pt-pt) e açougue(pt-br)) e a construção frásica que é completamente diferente e que não podem ser uniformizadas pois decorre directamente da cultura diferente dos povos em questão, que vão continuar a manter as quaisquer dificuldades que possam existir na compreensão universal dum texto português entre os diferentes povos que usam a língua. Logo a uniformização não é conseguida. Um projecto que falha no seu principal objectivo não merece continuação e deve ser abortado;


 - o dito acordo é rejeitado pela maioria da população e dos pareceres técnicos. Em democracia, onde o valor da ciência é tido em conta e não ignorado, esta seria razão suficiente para que um governo de maioria absoluta, que deve representar a vontade da maioria portuguesa e não de lobbies que lhes engordam as carteiras, suprimir o dito acordo. O acordo e especialmente a sua aplicação são portanto anti-democráticos. Reparem nas alegadas ameaças feitas à Academia de Ciências de Lisboa, por ter ousado blasfemar contra o AO90, e mesmo o que os aplicam, como o editor-chefe da Porto Editora (a notícia no Público só está disponível para assinantes), fazem-no sob uma espécie de auto-infligida coacção governamental. É claro que as editoras poderiam ter sido mais corajosas, particularmente aquelas em que os seus editores discordam do AO90, e ter tido a atitude simétrica à que adoptaram: só aplicar AO90 quando expressamente exigido pelos autores ou clientes!!

No vídeo da audição na Comissão Parlamentar de Vasco Graça Moura et all, a própria representante do PSD, partido de maioria relativa que lidera o actual governo de coligação, admite que as informações que tem são que mais de 60% dos portugueses são contra. Algo que terá justificado a formação da comissão. Pergunta, se eles representam a maioria votante nacional, porque raio não botam fora o acordo de imediato e perante tal informação?? Isto é democracia?
A acrescentar a isto ainda vêm as editoras, embora ninguém nisto acredite, nem cá nem no Brasil, dizer que nada lucraram com o AO90, que só lhes trouxe custos acrescidos. Sendo assim, quem lucra com este desacordo que falha em todos os seus propósitos, tão seguramente como o Relvas não ter tirado o curso? Bem, sendo verdade o que as editoras clamam, ninguém ganhou com o AO90.
Contudo, o nosso governo, mesmo após o adiamento brasileiro, mesmo após a rejeição por parte da Angola, mesmo após ter em sua posse em variados blogues, escritos tanto por meros plebeus com aqui o vosso esforçado escriba ou pelas opiniões de doutos das ciências e ilustres dos media, insiste em implementar o AO90, doa a quem doer. Este dogmatismo, é próprio da religião, pois escolhe ignorar todas as provas e argumentos lógicos em prole da fé cega na sua doutrina.
Ainda há mais uma comparação a fazer entre a religião e o AO90. Christopher Hitchens disse que, parafraseio, “é fácil que uma pessoa má faça coisas maléficas, mas para levar uma pessoa boa a fazer coisas más é preciso a religião”. E quem diz “fazer”, também pode estender a “dizer”. Ora eu tenho José Saramago em boa conta, como uma pessoa racional e de uma mente analítica e sagaz, um defensor acérrimo dos direitos humanos e da liberdade. Porque raio então foi José Saramago apologista desta neo-religião? Especialmente sendo ele um confesso ateu, um céptico!!

Primeiro vejamos, pela voz do próprio, vinda não do além mas sim do youtube (onde já li a frase: “Youtube, where religion comes to die!” loool if only), como é que ele defendia o AO90:

Convenhamos que não o defendia, apenas não lhe resistia. Saramago já havia passado por outras reformas ortográficas e pouco lhe interessava como se escrevia, desde que se escrevesse com liberdade. Esqueçam lá o pensamento céptico que ele próprio advoga no primeiro minuto do vídeo seguinte, quando diz que é preciso termos presente que uma coisa não é boa só por ser nova. Será ele também um reaccionário? Um retrógrado? Atrever-se-ão a tanto?

Porque não pensou ele assim quanto ao AO90? Quem me dera ter tido tempo e oportunidade de debater com ele o assunto, pois a mim o que me faz lembrar esta resignação intelectual perante o AO90 é a cláusula de não resistência ao mal do Cristianismo, tipicamente chamada “dar a outra face”. Uma doutrina imoral mascarada de alta moralidade, que deixa uma pessoa boa à mercê duma pessoa maléfica, e que só aumenta a hipocrisia dessa religião, pois houveram ou não inquisições e cruzadas? Onde deram eles a outra face e se tivessem dado teriam sobrevivido ou seríamos todos muçulmanos forçados à submissão de Alá?? Esta abateu-se sobre Saramago da mesma forma que atacou aquele amigo brasileiro do vídeo acima que chega a acusar os defensores do AO90 de mentirem para argumentarem a favor, mas depois diz: “Bom, já que não podemos fazer nada o melhor é aprendermos já as regras novas…”
Pois eu, tal como Saramago, sou ateu, mas ao contrário de Saramago estudo ciência e como tal estou programado, se quiserem, para esperar lógica e rigor nos sistemas que criamos para comunicar e para melhorar a nossa vida. Não estou disposto a encarar a ortografia como uma pseudo-ciência ao serviço de lobbies económicos iludidos, políticos facilmente subornáveis (note-se como o Sócrates escolheu ignorar os pareceres da Academia de Ciências de Lisboa [imagem acima] e de qualquer outro parecer que não o prestado pelo próprio criador do Acordo, tal como nas primeiras semanas deste governo sucessor ao de Sócrates e que se auto-nomeia como uma alternativa a este último, primeiro era contra e uma semana depois já estava a favor) e pseudo-intelectuais, que querem umas viagens à borla ou mais umas 30 peças de prata para traírem a pátria que deviam servir, a seu belo interesse e com desprezível irresponsabilidade e despego.



 
A imagem acima está com péssima resolução e infelizmente o público só deixa ver este artigo online a quem subscrever a sua edição electrónica... Com muito custo, lê-se que além da desesperada tentativa de entrar para a História de alguns fracos (pseudo)intelectuais, estes também o fizeram a fim de ter umas viagens pelo globo pagas pelos nossos impostos, para bem supremo da Lusofonia, claro está... -_-

Como diria o Hitch, se falasse português, não lhes vou dar nem um centímetro. Vou combatê-los até à última. Não vou converter a minha espada num arado, mas antes fiz da minha caneta e/ou teclado, as minhas proverbiais espadas, nesta guerra.
Uma das formas como luta é precisamente os vídeos que vou traduzindo para usar aqui e colocando no youtube. Traduzo-os sem infecções "acordistas"!

Pois eu contraponho que o Acordo Ortográfico fez isso mesmo, transformou a Língua Portuguesa num monstro disforme, sobre o qual reina o caos por força da ambiguidade e pela falta de rigor lógico. Uma quimera literária foi o que criaram. Como já outro disse noutro blogue, um autêntico monstro de Frankenstein com partes deste e daquele e daqueloutro corpos. Mas por muito poderosa que possa ser esta criatura e os seus interesseiros seguidores zelotas, impõe-se que a destruamos.
Para tal, talvez seja necessário este espírito do "never say die" ou "no retreat, no surrender", a via dos Espartanos, a via dos Samurai:
E muita paciência para que depois possamos chegar aqui:
E finalmente à vitória final contra a Besta:

Juntem-se a mim…


... a nós, que resistimos.

As nossas armas?
Para resistir a uma religião, que pelo seu carácter dogmático nunca cede à argumentação lógica ou às provas analíticas ou factuais, só o podemos fazer pela sátira, pelo gozo, pelo ridículo, pela blasfémia:

E finalmente, para aqueles que como eu, apesar de tudo, talvez não sem uma pouco de fé também, acreditam na Democracia, assinem sem demora a ILC contra o AO90 se ainda não o fizeram. Para tal usem os links abaixo:

Não acreditas que podemos vencer? Bem, 70% dos leitores do DN não são da tua opinião:
Para terminar, vou deixar-vos com o copy paste do PDF informativo que a Embaixada do Japão me enviou este mês, perdoem-me por estar a postá-lo tão tarde mas a vida interveio. De realçar que, não sei se pelo meu contínuo criticar dessas ocorrências aqui no N.I.N.J.A. Samurai, se por auto recriação, este último PDF oficial da Embaixada já vem com os Meses todos com inicial Maiúscula, com vários “objeCtivos” e “aCtividades”, e apenas 2 ou 3 erros de acordês, que vou postar para vocês descobrirem tipo “Onde está o Wally?”. Não sei se tive peso nesta inversão, mas se tive, como disse o Sócrates, não o filósofo mas o pseudo-engenheiro cujo governo nos enrrabou com o AO90 [entre outras patranhas, que vos sugiro não se esquecerem delas quando este ilustre se candidatar à presidência da república], “Porreiro, pá!” ;)
Aproveito para me despedir desde já, senhoras e senhores, irmãos e irmãs, amigos, camaradas, de Aquém e Além-Mar, em particular aqueles que se unam a esta causa, esta guerra contra a teocracia ortográfica, um grande bem haja!

 
» Jardins de Pedra – exposição de escultura
De 30 de Março a 29 de Setembro, realiza-se uma exposição de esculturas de Mário Lopes (ex-bolseiro do Governo do Japão), de trabalhos realizados no Japão e inspirados pela sua cultura e arte. Realizar-se-á no Claustro Real do Mosteiro da Batalha, antigo lugar de contemplação e meditação, onde se pretende evidenciar aspectos espirituais e estéticos comuns à cultura japonesa e portuguesa.
Local: Mosteiro da Batalha, Lg. Infante D. Henrique, Batalha.
Organização: Direção-Geral do Património Cultural/Mosteiro da Batalha
+ info: Tel.: 244765497

» Exposição de fotografias e de azulejos
No próximo dia 10 de Abril terá lugar a inauguração da exposição de fotografias “paisagem da primavera e outono no Japão” e da exposição de azulejos, pela artista japonesa Shihoko Gouveia, no Espaço Cultural das Mercês. Exposição patente até ao dia 27 de Abril.
Horário: de quarta a sábado, das 16h00 às 20h00
Local: Rua Cecílio de Sousa, nº 94, Lisboa (junto ao Príncipe Real)
Mais informações: Sra. Yamasuga Gouveia – Telm.: 919650381

» Origami Tradicional - Workshop de Origami no Museu do Oriente
Nos próximos dias 11 ou 23 de Abril, o Museu do Oriente promove um workshop de Origami – dobragens de papel. Pensado para um público adulto, este workshop tem como objectivo contextualizar histórica e simbolicamente alguns dos origami tradicionais e dar espaço à sua realização prática.
Local: Museu do Oriente, Av. Brasília - Doca de Alcântara (Norte), Lisboa
Organização: Fundação Oriente/Museu
Para mais informações e inscrições: Museu do Oriente, tel.: 213 585 200


» Iberanime
O IberAnimeLx 2013, nos próximos dias 13 e 14 de Abril, será um fim-de-semana divertidíssimo para miúdos e graúdos fãs de Anime, Manga e Cultura Pop Japonesa. É também uma oportunidade fantástica para os pais passarem um fim-de-semana diferente com os seus filhos.
Este é o evento certo para os admiradores de séries como DragonBall, Naruto, One Piece, Sailor Moon, Cavaleiros do Zodíaco e muitas outras!
Shows de Cosplay com convidadas internacionais e concertos com os Gaijin Sentai, para além de atividades no espaço de feira, videojogos, demonstrações e concursos são alguns dos muitos momentos que ficarão na memória de todos os presentes neste mundo fantástico de anime, manga e videojogos.
Participação da Embaixada do Japão neste evento dedicado a todos os fãs e curiosos pela cultura pop japonesa.
Local: Pavilhão Atlântico – Sala Tejo, Rossio dos Olivais, Lt 2.13.01A, Lisboa
Organização: Manz Produções
Mais Informações: http://www.iberanime.com/2013/


» Mizuhiki - Nós Japoneses - Workshop

O Museu do Oriente promove, no próximo dia 2 de Maio, um workshop de ‘mizuhiki’, corda feita de papel de arroz que depois de levar uma cama de goma é passada a ferro e, por último, tingida. Este workshop pretende levá-lo a conhecer um pouco mais a história desta arte e a elaborar depois algumas formas com o ‘mizuhiki. Necessária marcação até 24 de Abril.

Local: Museu do Oriente, Av. Brasília - Doca de Alcântara (Norte), Lisboa

Organização: Fundação Oriente/Museu
Para mais informações e inscrições: Museu do Oriente, tel.: 213 585 200,

» Festival do Japão – Haruhi 2013
Este evento, a realizar no próximo dia 4 de Maio, tem por objectivo proporcionar ao público o contacto com a cultura japonesa, abordando temas diversos, sendo o culminar das actividades do clube Haruhi, da Escola Secundária Inês de Castro, em Vila Nova de Gaia.
Organizador: Haruhi – Clube de Japonês da Escola Secundária Inês de Castro
Local do evento: Escola Secundária Inês de Castro, Rua Quinta do Fojo, Vila Nova de Gaia
Mais informações: Tel.: 227727200, Email: info@esic.pt, http://www.esic.pt

» Caixas, Contentores e Sólidos – workshop de Origami
O Museu do Oriente desenvolve esta iniciativa, no dia 14 de Maio, num convite para fazer um percurso entre os primeiros contentores de papel e o início do origami modular no qual se realizam construções a partir de vários módulos de papel.
Pensado para um público adulto, este workshop tem como objectivo contextualizar histórica e simbolicamente alguns dos diagramas tradicionais e dar espaço à sua realização prática.
Museu do Oriente, Av. Brasília - Doca de Alcântara (Norte), Lisboa
Fundação Oriente/Museu
Para mais informações e inscrições
Museu do Oriente, tel.: 213 585 200,

» Festa do Japão em Lisboa 2013
A Embaixada do Japão tem o enorme prazer de informar que a 3ª edição da Festa do Japão em Lisboa irá decorrer no próximo dia 15 de Junho, inserida nas Festas de Lisboa, com a co-organização da Câmara Municipal de Lisboa, EGEAC e Associação de Amizade Portugal-Japão, entre outros.
Pretendemos mais uma vez retratar o ambiente de “Matsuri” (festival), no Japão através da apresentação da cultura japonesa, no Jardim do Japão, em Belém. Também este ano estão previstas demonstrações das várias áreas da cultura japonesa, tais como Ikebana, Origami,Caligrafia, Haiku, Cosplay, Artes Marciais, bem como música e ritmos do Japão (com o presença de um Grupo de Jovens Japoneses de Taiko e Dança Folclórica).
Mais informações: Sector Cultural da Embaixada do Japão
Email: cultural@lb.mofa.go.jp // Tel: 213110560


P.P.S.: Quero apenas agradecer a acção contínua das páginas do Facebook do Desacordo Técnico (Movimento anti-AO90 dos alunos do IST), dos Tradutores contra o Acordo Ortográfico e da página da própria Iniciativa Legislativa contra o Acordo Ortográfico de 1990. Sem vocês, e o material que me fazem chegar e que criam, este post teria sido quasi-impossível! Continuem a luta por todos nós e pelo bem da tão violada Lusofonia! E parabéns à Maxim por ter saído do armário, nesta guerra. Não imaginam o prazer que deu ler aquela simples frase que finalmente surgiu sobre o vosso belo nome na última edição:

ADENDA (06/05/2013 - 2H59 TMG): Cada vez o AO90 nos aproxima mais, já repararam??