Esta é apenas uma daquelas
entradas que faço ocasionalmente para veicular informação sobre eventos e
cultura, essencialmente promovida pela Embaixada do Japão, mas não só. Exemplo
de algo que nada tem a ver com o Japão mas antes com a cultura Portuguesa, é
esta peça sobre a qual vos aviso no banner abaixo. Para quem viver em Lisboa, é de aproveitar. Produto nacional. É preciso apoiar e estimular a cultura, já que o governo só a desgoverna como tudo o resto.
De seguida, abordemos então o último boletim
informativo da Embaixada do Japão. Ao invés de me mandarem um email com as
informações, mandaram-me apenas o link para o pdf informativo do site oficial
da Embaixada. Normalmente, o que eu faço em qualquer dos casos é copiar as
novidades, corrigir o Português Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) para o
Português Europeu e deixar-vos a informação aqui na página. Desta volta
contudo, vou deixar-vos uma imagem e o link em questão. Porquê? Bem,
precisamente por causa duma das batalhas culturais nas quais estou inserido, a
guerra contra o AO90.
Na imagem acima, vêem um print
screen da minha caixa de correio. Se olharem com olhos de ver, percebem, como
eu percebi, que não vem escrito segundo o AO90, que a Embaixada Japonesa tem já
vindo a usar. Isso percebe-se pelo simples facto de Fevereiro não começar com
“f”, mas sim com “F”. O “Sector” em “Sector Cultural” nunca perder o “c”,
embora os anúncios de eventos e actividades já viessem segundo o AO90 e as
datas também. Pelo menos, nos últimos emails:
Mas não neste. Agradado mas
desconfiado, cliquei no link e avancei para o pdf. Peço-vos que façam o mesmo,
vai abrir numa outra janela:
Ora, vendo o primeiro anúncio do
pdf, nota-se distintamente uma “expectativa” com “c”, mas também um “refletido”
sem “c”. Tal poderia dever-se ao autor do texto ter aprendido português
brasileiro, mas ainda assim a construção frásica é mais próxima do português
europeu. Isto leva-me a crer que o problema aqui é que as pessoas já não sabem
a quantas andam a nível ortográfico. Este Desacordo Ortográfico não unificou a
ortografia portuguesa, tornou-a sem regra e caótica. Quando um jornal se dá ao
luxo de criar a sua própria versão do Acordo Ortográfico (acordado por mais
ninguém que pelo jornal, e ainda assim tão válido quanto o AO90) como fez o
Correio da Manhã, vale tudo.
Voltando ao pdf, no segundo anúncio, temos novamente os meses com
iniciais maiúsculas, que é contrário ao AO90, mas no terceiro parágrafo já
temos Janeiro com inicial minúscula. No quarto parágrafo, temos Fevereiro com
maiúsculas. Avançando para o anúncio “Estás a Mangar comigo?”, temos uma
“actividade” com “c” e os meses com maiúsculas. Depois no anúncio da
Conferência sobre o desenvolvimento do Brasil, já aparece Fevereiro com inicial
minúscula e “Diretor”. Nos dois anúncios seguintes, temos os meses com iniciais
maiúsculas e no anúncio que se segue a esses dois voltamos às iniciais
minúsculas nos meses. Que canseira, que (des)regra!!
O que eu espero, desejo, é que a Embaixada do Japão
tenha visto a luz, com a recente recusa do Brasil quanto ao AO90, e pare de
tentar implementá-lo. Esta hesitação agrada-me. É um recuo por parte duma
entidade política, ao mesmo tempo que cada vez mais vozes se erguem contra o
AO90 nos três continentes intervenientes deste acordo. No mínimo dos mínimos,
essa mesmo entidade dá a entender que é sabido que embora o governo português
pareça resoluto na imposição do dito (des)acordo, que ainda há em Portugal (já
nem falo no resto da Lusofonia) pelo menos duas ortografias correntes.
Ainda recentemente numa audição
parlamentar sobre o AO90 (vidé vídeo acima, onde são apresentados também
argumentos mais que suficientes dos pontos de vista formal, técnico e prático
contra este AO90), ouve-se uma deputada dizer que já lhe foi dada a indicação
de que cerca de 63% dos portugueses não querem o AO90. Como é isto compatível
com o Ministro dos Negócios Estrangeiros de um governo de maioria absoluta, que
como tal pretende-se ser o reflexo da maioria dos portugueses, venha depois
dizer que não há divergências quanto ao Acordo Ortográfico e que ele entrará em
vigor em 2015??? Estão a Mangar Comigo???? (private joke para quem leu o boletim da Embaixada do Japão lá em cima)
Isto é patético, mesquinho e
abertamente anti-democrático! Uma piada de mau gosto e sem graça, é o que é o
AO90!
Eu por mim contentava-me com um
referendo nacional e caso o meu lado perca, eu aceito a voz da maioria. Venha
ele! Buga lá! Também já ouvi o argumento de que nenhum Acordo Ortográfico
alguma vez foi discutido com o povo. E isso é lá razão para que este não o seja?
Dantes também havia escravos. Dantes as mulheres não votavam. A ideia é
aprimorar e aumentar a democracia e não asfixiá-la.
Há ainda um outro argumento, fraco na melhor das hipóteses, em defesa do acordo ortográfico, que eu li esta
semana. Disse(não cito, parafraseio) então um apologista do AO90 cujo nome agora me falha: “O acordo
ortográfico tem incongruências? E depois? A ortografia anterior também as tem.
Há sempre hipótese de melhoria.” Até é verdade, o problema é que para
melhorarmos, para evoluirmos, nada melhor que o método científico, o rigor lógico,
e acima de tudo só mudarmos se for para melhor. O problema é que o AO90 apenas
torna a ortografia portuguesa mais ambígua, as novas regras não têm base científica
mas antes noções ultrapassadas como a “pronúncia culta” (isto sim, do tempo do
senhor do Encarnado que tinha medo dos Vermelhos) e são feitas por capricho,
como vos pode confirmar o testemunho do vídeo acima, etc… Não admira que
Portugal esteja com uma perspectiva de futuro tão negra, quando se predispõe a
aceitar que a sua cultura, ciência, educação e governo sejam ditadas por homens (e
mulheres), e aqui parafraseio Tolkien (e/ou José Hermano Saraiva), "menores"!
Mais uma vez apelo junto de vós,
senhores e senhoras, amigos e amigas, irmãos e irmãs, camaradas, conterrâneos e
pessoal D’além Mar, ergam as vossas vozes e as vossas canetas e/ou teclados
contra esta farsa, que ameaça a verdadeira riqueza, encontrada na sua
diversidade, da língua Portuguesa. Há 18 ortografias da língua inglesa na
Internet. Podia, devia, haver 8 da língua Portuguesa, mas só havia 2 e agora
querem que só haja 1 e que tenha esta forma anedótica? Isto é progresso ou
suicídio cultural?
Assinem a Iniciativa Legislativa
de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico de 1990 (links abaixo)
Quão próximas estão agora
culturas que eram tão distantes, neste nosso berlinde azul, supra globalizado e
“ubermercantilizado”. Louvado seja o todo poderoso Cifrão (não, não me refiro
aos D’zrt!!) por nos dar o Dia de S. Valentim.
Qual o Natal, este dia pouco ou
nada tem a ver com o que diz ser a sua premissa ou razão de ser, nos nossos
tempos. Não, não é o amor ou o romance que interessam neste (porque não?)
amaldiçoado dia, mas sim o quanto se gasta para agradar o/a respectivo(a)
“mais-que-tudo”.
Mas enquanto deste lado do mundo
o ónus da responsabilidade historicamente [até porque hoje em dia com a
igualdade de direitos, espero eu exista também a igualdade de deveres] reside nos
ombros do cavalheiro que deve de presentear a sua donzela com algo magnificamente
caro, do outro lado do mundo, mais precisamente no Japão, são as mulheres que
neste malfadado dia 14 de Fevereiro afluem às lojas de chocolates nipónicas
impulsionadas por um dever semelhante. E neste último caso, não têm só de
comprar a pensar no namorado ou no marido, oh não! O dever manda comprar
igualmente para os colegas de trabalho e para os chefes.
Long live the almighty dollar! In God we trust!(e aqui uso dólar porque até
há bem pouco tempo era a moeda internacional por excelência e porque me permitiu usar aquele mote tão delicioso que vem nas notas americanas e assim evocar o Senhor em vão. Não o fazer num versículo satânico é sacrilégio!)
O Chocolate está disponível no
Japão desde pelo menos 1797, quando era oferendado às prostitutas por
mercadores holandeses (que eram na altura os únicos europeus aos quais era
permitida uma presença contínua num país que estava de qualquer outra forma
isolado do mundo e onde a viagem para o estrangeiro pelos seus cidadãos era
crime punível com pena capital). De certa forma, é engraçado que agora sejam as
mulheres a ter que dar aos homens.
Hoje em dia, contudo, o Japão tem
uma indústria chocolateira de 11 biliões de dólares que é impulsionada por dias
especiais, como o de São Valentim. Estes dias são por sua vez gerados e/ou
mantidos pela acção de uma vasta maquinaria publicitária (a.k.a. propaganda).
Crê-se que metade do total supra mencionado seja obtido em Fevereiro.
E mais uma vez, a economia serve
de régua de medir os homens, que são todos iguais, embora uns sejam mais iguais
que outros… atrevo-me eu a roubar aqui a Orwell. Para os mais-que-tudo
compra-se dos chocolates mais caros, o chocolate honmei (verdadeiro amor),
para os colegas de trabalho e para os chefes compra-se do chocolate mais
barato, a que se chama chocolate giri (dever). O pessoal do marketing já
anda a congeminar um terceiro tipo de chocolate, feito para as mulheres
oferecerem às colegas, que se chamará chocolate tomo. Tomo é um
diminutivo de tomodachi que quer dizer “amigo(a)” em japonês.
No Japão, uma mulher chega a
gastar algo que ronda os 10mil yen, cerca de 100 dólares, ou uns 75
euros, de chocolates neste dia. E as marcas de chocolate estrangeiras (id est,
não japonesas) investem cada vez mais neste mercado. Este país é o maior
mercado de chocolate na Ásia e comporta uma enorme fatia do mercado mundial do
chocolate. O dia de São Valentim surgiu no Japão no final dos anos 1950, quando
a economia do país voltava a erguer-se após os magros anos que se seguiram à II
Grande Guerra. Os produtos estrangeiros trouxeram ares de luxo e riqueza a uma
nação que já há muito sofria de uma impiedosa austeridade. Foi então que uma
firma chamada Mary Chocolate (será prima da Bolacha Maria?! oO) começou a publicitar o dia de São Valentim
como “the only day of the year a woman professes her love through presenting
chocolate”. A norma foi assim criada e os outros produtos oferecidos
neste dia noutras partes do mundo, como jóias, flores e roupa, foram banidos do
14 de Fevereiro Japonês, em favor do chocolate. E sejamos sinceros, faz
sentido, afinal a reacção química gerada pela ingestão de chocolate no cérebro
humano é (embora em menor escala) idêntica à dum orgasmo. E todos nós sabemos
que para o técnico de marketing sexo vende, por isso sexo é amor!
Corta para duas décadas mais
tarde, diz o realizador deste filme a que chamamos História (será que no IMDb
os créditos nomeiam Deus ou os historiadores?), e os génios do Marketing
surgiram com a ideia do 14 de Março, dia no qual os homens japoneses têm o
dever de presentear as mulheres com uma prenda branca, tendo este dia sido
apelidado de White Day. É o dia simétrico do 14 de Fevereiro na economia
nipónica. No início, a praxe era oferecer marshmallows (tão pouco
japonês e tão americano, já repararam? To the victor goes the spoils indeed!),
mas hoje em dia qualquer coisa branca é permitida e ao que parece os artigos
mais vendidos são as lingeries brancas… the boys got smart! :D
Por terras lusas, a Maxim
Portugal, a revista que continua a dar, andou a distribuir gratuitamente
chocolates na Baixa Lisboeta, numa acção de marketing desenhada em especial
para este dia e que é fruto duma acção conjunta da Regina e da Maxim. Como gosto
muito do chocolate da Regina e até curto a Maxim (quanto mais não seja por não
ter aderido ao (des)acordo ortográfico e por dar prendinhas todos os meses!
Hey, vivo num mundo capitalista, é claro que sou interesseiro ;), espero que a
campanha seja um sucesso.
Resumindo:
A nossa aldeia
economicamente global
Está cada vez mais
culturalmente igual,
Graças à força surpreendente
do vil metal.
Este dia de São Valentim devia
deixar de se fazer passar pelo dia do Amor e assumir-se como o dia mundial da
Economia, mas sem a hipocrisia lá morria o feitiço. Faz-me lembrar o Ministério
do Amor de Orwell, com os seus horários do Ódio. Cá em Portugal onde o Governo
parece feliz por forçar mais e mais pessoas à fome, surgiu agora a Secretaria
de Estado da Alimentação. Oh sweet hypocrasy feel me with joy!
Espero que tenha sido um feliz 14 de Fevereiro para todos.
Saudações, cibernautas, hackers, crackers,
anonymous et all!
The Governator is, but so am I… back!
Um muito feliz ano de 2013…
apesar das terríveis previsões que se faz para o que se avizinha para Portugal.
Mas previsões valem o que valem. Alguém acusou os Maias de preverem o fim do
mundo para 2012. Falharam. Depois já tinha de ser no dia 21 de Dezembro de
2012… por questões óbvias (que me escapam) de numerologia. Alguns ainda
esperaram até ao Fim de Ano pelo Fim. Como é dito no “Gladiador”: «… not yet.»
Por sua vez o Governo, também prevê coisas maravilhosas e estonteantes a cada
vez que lança novo pacote de medidas (contra) económicas para o país e o
resultado é sempre o mesmo desastre. Por isso, as previsões valem o que valem.
Corações ao alto, diz a minha mãe. Enfrentemos a tempestade quando ela chegar.
Falando de coisas aterradores, e
dando uma primeira explicação para a imagem de abertura desta entrada, Mark
Kermode, o meu crítico de cinema favorito e tido como o crítico de cinema mais
influente do Reino Unido, enquanto apresentando no seu vídeo blog o livro sobre
Monstros Cinematográficos de John Landis, reflecte sobre qual o monstro do
cinema que mais arrepios lhe causou. Eu creio que respondi a esse post na
altura, dizendo que para mim foi o monstro do filme “A Mosca” com Jeff
Goldblum. Contudo, para Kermode, o monstro que mais impressão lhe fez foi o de
um filme japonês (que eu nunca vi) chamado "Onibaba". É simplesmente um tipo com
uma máscara Hannya,
mas por alguma razão que ele não entende bem, dá-lhe arrepios pela espinha acima.
A máscara Hannya (般 若), que é usada primariamente no teatro Noh, mas também no teatro Kyogen e nas danças Kagura dos rituais Shinto, representa a alma de mulheres que se tornaram demónios através do ciúme ou da inveja. Possui dois cornos tipo touro, olhos metalizados e um sorriso doentio de orelha a orelha. Hannya é uma tradução para japonês da palavra Prajna, palavra que vem do sânscrito e que quer dizer Sabedoria.
A máscara oferece a possibilidade do actor a usar para exprimir emoções humanas. Vista de frente tem um aspecto demoníaco e furioso, mas se o actor que a usa olhar para baixo, encostando o queixo mais ao peito, a máscara assume um ar que inspira pena e dó, exemplificando assim a complexidade das emoções humanas.
Estas máscaras aparecem em várias tonalidades:
- branca: representa uma mulher de estatuto aristocrático;
- vermelha: uma mulher de classe baixa;
- vermelho escuro: demónios verdadeiros.
Falando em cinema e superstições,
ouvi uma vez dizer, também num filme, salvo erro no “Amo-te Teresa”, que
devemos entrar no ano novo a fazer o que mais gostamos, para o fazermos durante
todo o ano. Embora a superstição seja cada vez menos algo que me preocupe,
“quando em Roma…” Como tal, vou iniciar este ano de blogger com um post que
entre outras coisas contém uma crítica de cinema. No ano passado, estreou o
filme live action do Samurai X.
Eu sempre adorei essa série.
Achei que embora tivesse os exageros típicos da maioria das séries e filmes
anime no que diz respeito às técnicas e lutas, não tinha na sua maior parte
técnicas assentes em poderes sobrenaturais. Muitas das lutas de facto
assentavam em pormenores técnicos como o rodar de um corpo sobre um joelho até
este último por fadiga ficar lesado; ou o avançar de um pé específico para que
o desembainhar da espada não cortasse a perna de quem a empunhava; ou uma
técnica que assentava em dar um duplo golpe de mão com poder destrutivo e que a
única forma de o parar era um contra golpe em sentido contrário com a mesma
intensidade… a Força é MÁ, já dizia o meu professor de físico-química do
secundário; por exemplo, um guerreiro cego que todos pensavam ter poderes
sobrenaturais detinha apenas uma audição excepcional; um ninja que luta com os
punhos vazios dizia-se capaz de lançar um feitiço que impedia o adversário de
medir o comprimento dos seus braços, fazia-o de facto com mangas listradas que
causavam um ilusão de óptica e foi derrotado quando o adversário usa a espada
com régua para lhe medir o comprimento dos braços. Enfim, podia continuar.
Gosto deste tipo de pormenores porque também eu há muito que pratico artes
marciais e sei o quão grande é, ou tem de ser, a ênfase dos aspectos técnicos
pequenos que compõem cada golpe afim de o trazer ao seu máximo potencial. É
claro que na série isto é levado ao extremo, mas a ideia está lá. Por outro
lado, as personagens eram únicas e era fácil gostar delas, até dos vilões. Toda
a série se passa num ambiente de um mundo a acabar e outro a começar. Os
acontecimentos passam-se de facto numa altura de transição de um regime para
outro, com mudanças drásticas na cultura nipónica, que dificultou muito a
adaptação de um vasto e outrora poderoso sector da população japonesa, os
samurais. Isso também me agradou. As revoluções tendem a ser sangrentas e
horríveis, mas aquele período ainda de perigo e instabilidade logo a seguir a
uma revolução tem o seu je ne sais quoi de romântico. Como que um romance de
espionagem. Antes de começar com a crítica em si, devo dizer que nunca li a
manga, só vi o anime.
Gostei. Em comparação com o
Dragon Ball, o filme, este é uma obra-prima de adaptação cinematográfica (mas
também não era preciso muito).
Em termos de caracterização, as
personagens estão muito próximas dos originais, até nos penteados. Contudo,
tenho a dizer que em termos das personagens femininas não houve o mesmo
cuidado. A Megumi e a Kaoru estão demasiado parecidas no filme uma com a outra,
diferindo apenas na personalidade. Ora na série, a Kaoru era meio Maria Rapaz
sempre com o cabelo atado num rabo de cavalo, magrita e baixa, enquantoque a Megumi era alta, mais alta que o
Kenshin e com um longo e vasto cabelo. Mais mulher e mais feminina. Na verdade, espero que não considerem isto um comentário racista, pois não o é, mas achei difícil diferenciá-las, uma vez que na série eram tão díspares.
A história é fácil de seguir
sendo parecida com um dos arcos da série, aquele em que um cartel de droga, protegido
pelo grupo de ninjas comandados por Aoshi Shinomori, rapta a Megumi para ela
lhes fazer ópio. Basicamente é isso que acontece no filme, mas em vez do dito
cartel ser defendido pelo Oniwabanshū, é defendido por outras personagens que
eu desconhecia por completo, de um outro bando que se chama (segundo a
wikipedia) os Seis Camaradas. Por exemplo, Hanya é substituído por um desses
Seis Camaradas que também usa máscara, chamado Gein (imagem acima), e Shikijo (um guerreiro
que só usa os punhos) é substituído por outro dos Seis Camaradas que também só
usa punhos, chamado Inui (imagem abaixo). Já, Aoshi, um dos melhores adversários do Kenshin na
série e que depois se torna seu aliado, é substituído por um dos mais pérfidos
adversários de Kenshin, chamado Jinei. Se a ideia era não utilizar já Oniwabanshū,
para depois fazerem um filme dedicado a eles, até entendo, se bem que preferia
ter visto o Hanya e o Aoshi, às personagens que apareceram. Ou se calhar foram
fiéis à manga original, não o sei. Mas fiquei um pouco triste. Em particular
pelo Hanya, que é das personagens que mais curti na saga.
A outra parte da história, é a
explicação da cicatriz de Kenshin, o porquê da espada de gume invertido, e
algumas tentativas de trazer o Battōsai de volta ao espírito de Kenshin.
Essas tentativas, tal como na série, são levadas a cabo, por diferentes razões,
por Jinei e Hajime Saito, ambos também veteranos da guerra civil, ambos
experientes assassinos, como Kenshin Himura fora. Saito tornou-se polícia
especial, Jinei mercenário fora-da-lei. Na série, Saito quer reavivar o
esquartejador em Himura para ele estar a altura de defrontar Shishio. Aqui,
parece que o quer fazer reviver porque acha que ele não pode escapar a essa
natureza, já que ele (Saito) próprio não consegue. Já Jinei procura a morte que
não obteve na guerra, ou assim parece. Há ainda uma terceira parte da história,
mas antes de lá chegarmos, falemos de lutas.
Ora bem, por todo o filme, os
movimentos do actor que faz de Kenshin Himura são espectaculares, parecendo
conjugar perfeitamente golpes e movimentos próprios do Hiten Mitsurugi com o
Kempo real, fazendo uma perfeita mas realística importação da personagem do
anime para o live action. A luta entre ele e o Sanozuki, tal como acontece num
episódio da série, é retratada no filme. Não está má. A luta entre Kenshin e
Jinei está porreira. As cenas intermédias contra os dois membros dos Seis
Camaradas são escapatórias, embora tenha achado que não era preciso serem tão
animalescos e quasi-ridículos na luta que envolve o Sano. Fizeram-no parecer
apenas um bruto, quando ele na série era bem mais fixe que isso. Agora o que me
desiludiu foi a luta entre o Kenshin e o Saito, para mim a melhor cena de
pancada de toda a série do Samurai X, que vos deixo aqui.
Esta cena no filme é desprovida das emoções ou intenções viscerais que a sua homóloga em anime demonstra. Além disso, a ferocidade e engenho demonstrados na cena em anime e que eram demonstrativos de como lutavam os melhores dos melhores durante a carnificina da guerra civil, onde tudo valia e apenas a vitória importava, também se perderam na tradução. A intensidade dramática e o
sentido de perigo são retirados desta cena no filme, o que a faz tornar banal e
patética quando deveria ser central, a fim de dar alguma utilidade, senão
profundidade à personagem de Saito na acção. É que tal como foi feita esta
cena, a personagem do Saito era totalmente dispensável deste filme, porque
Jinei já faz o trabalho de tentar trazer o esquartejador ao de cima. O que para
mim é outra oportunidade perdida, uma vez que o Saito é uma personagem muito
porreira na saga do Shishio, que não só estimula o Kenshin a tornar-se mais forte
se quer mesmo esperar vencer o Shishio, como também estimula o Sano a tornar-se
mais forte se quer realmente participar do combate contra Shishio. Sem Saito, o
Shishio teria ganho. Ele não só é forte e fixe, como é essencial na série. Aqui
parece que foi metido só para agradar os fãs.
Já agora Jinei é o único que tem uma técnica mais esquisita que os
outros, mas a personagem logo na sua primeira utilização dessa técnica,
apressa-se a dizer que não é magia, apenas uma aplicação do Ki para criar uma
aura negativa que utiliza ou se alimenta do medo da pessoa para a imobilizar.
Até o podíamos explicar como uma forma de hipnotismo ou sugestão, mas isso
seria demasiado ocidental. Os olhos dele estão espectaculares.
A terceira parte da história, é a
criação do grupo central da história, Kenshin, Kaoru, Sano, Megumi e Yahiko,
como não podia deixar de ser.
Em vez de lhes chamar partes,
deveria talvez ter-lhe chamado lados, quiçá fios, porque na verdade, os três
fios estão bem entrelaçados numa única e, na sua maior parte, coesa sucessão de
eventos, que acontecem a um bom e rápido ritmo. Pena o desperdício do Saito.
Antes de terminar, quero ainda
abordar a cinematografia e a banda sonora.
A cinematografia é boa e
profissional, mas banal. Falta-lhe um pouco de magia do Oriente. Havia muitas
alturas na série em que víamos ruas a serem flageladas por chuva torrencial, ou
jardins com aquelas fontes em que uma fonte enche continuamente uma cana, até o
peso da água a desequilibrar e fazer despejar a água, apenas para retornar à
mesmo posição e recomeçar o movimento. Faltou esse tipo de coisa, feito com
estilo e em cenários reais. Ora gaita, o "Kill Bill" faz isso no último duelo do
Volume I. E não me venham dizer que este filme se esforça por não imitar ninguém,
porque um dos finais (e sim, como o LOTR – O Regresso do Rei, este filme tem
muitos finais antes do fim) é tão “O Último Samurai”. Embora, creio não estar em erro ao dizer que
a série de anime do Samurai X é anterior a qualquer um destes filmes, por isso foram eles
que imitaram a série e não vice-versa.
Quanto à banda sonora,
sinceramente nem reparei nela, o que é triste porque a banda sonora da série
para mim é muito fixe. Espectacularmente dramática, conseguia elevar o
contexto emocional das cenas de batalha ou de desenvolvimento da história ou das personagens, levando-nos a descrer que os bons iam
vencer, como não podia deixar de ser. E até eu, que não tenho nada ouvido
musical, poderia sugerir um main theme para o filme. A certa altura, decidi juntar as duas músicas dessa banda sonora que mais curti, sobrepondo-as. Para verem as vezes que já
ouvi esta banda sonora, enquanto treino, estudo ou escrevo, proponho-vos esta
experiência:
- Acima e abaixo encontram dois vídeos. O primeiro (acima) tem a música Hiten Mitsurugi Ryuu. Devem metê-la a
tocar e deixá-la ir até aos 1minutos e 9 segundos, nessa altura devem carregar
no play do segundo (abaixo) vídeo que tem a música Isshin Tenpuku Keekaku. Eu
curto bué as duas músicas e um dia corri esta experiência, acho que as duas
sobrepostas dão uma música soberba. Ah!, quase me esquecia, coloquem o volume
da Hiten a um pouco mais de meio da barra do som, e a Isshin a meio da barra.
;) Try it e digam-me o que acham. Isto, não é só o Meo que tem canal
interactivo, sabem? Eheheh
Em suma, gostei muito do filme, embora pudesse ter
sido ainda melhor, e espero que façam outro, desta volta com a história do Shishio, se
possível metam o Oniwabanshū lá p’lo meio. Talvez dois filmes, um em que o
Shishio contrata secretamente o Oniwabanshū para matar o Kenshin. O Kenshin
causa de alguma forma, ou aos olhos do Aoshi, a morte dos seus homens, e o
Aoshi acaba por se unir ao Juppongatana de Shishio. E o segundo filme, seria a
conclusão.
Antes
de me despedir quero só deixar-vos as últimas novidades que a Embaixada do
Japão me enviou, para o caso de vocês estarem interessados e ainda não
ocorrentes. Este é o email na integra, corrigido as anomalias criadas por um
vírus infeccioso conhecido por Acordo Ortográfico de 1990 (façam o gentil favor
de assinar a ILC contra o AO90, mais informações em http://ilcao.cedilha.net/), à excepção das imagens que
estavam infectadas dessa mesma virose. Como não são palavras minhas, o texto
está todo em itálico:
«A Embaixada do Japão tem o
prazer de divulgar os eventos em baixo indicados, agradecendo, desde já, toda a
divulgação que possa fazer sobre os mesmos.
Informamos ainda que em 2013
celebra-se os 470 Anos de Amizade entre o Japão e Portugal,
convidando-o(a) a visitar a página institucional desta efeméride,
através do link http://www.pt.emb-japan.go.jp/470Anos/index.html .
Muito obrigada pela sua
prestimosa colaboração e esperamos vê-lo(a) nos nossos próximos eventos!
Workshop de Origami - dobragens de papel
Data:
30
Jan.2013 - das 15h00 às 17h00
31
Jan. 2013 - das 10h00 às 12h00
1
Fev. 2013 - das 10h00 às 12h00
1
Fev. 2013 - das 15h00 às 17h00
Local:
Embaixada do Japão, Av. da
Liberdade, nº 245 - 6º | 1269-033 LISBOA | Tel.: 21 311 05 60 | Email: cultural@embjapao.pt
Todos os interessados só podem inscrever-se num dos 3
dias da formação;
Inscrição aceite só via fax ou Email
- não são aceites inscrições pelo telefone (a Embaixada do Japão só aceita
inscrições a partir do dia 7 de Janeiro de 2013);
A inscrição só é aceite após confirmação do Sector
Cultural, por telefone ou Email;
Inscrições limitadas a 22 participantes - após este
número, não aceitaremos mais inscrições.
Furoshiki é um pano tradicional japonês que é utilizado para
embrulhar e/ou transportar roupas, presentes, ou outros artigos. Pode ser liso
ou pintado, pequeno ou maior, adaptando-se às necessidades de quem utiliza esta
técnica. Quem sabe se não está aqui uma solução óptima para a próxima ida às
compras ou para surpreender um amigo?
Data:
30
Jan.2013 - das 10h30 às 12h30
31
Jan. 2013 - das 15h00 às 17h00
Local:
Embaixada do Japão, Av. da
Liberdade, nº 245 - 6º | 1269-033 LISBOA | Tel.: 21 311 05 60 | Email: bunka2@net.novis.pt
Notas
importantes:
O workshop é gratuito;
Todos os interessados só podem inscrever-se num dos 2
dias da formação;
Em jeito de despedida, é
engraçado notar que enquanto já utiliza nos seus emails oficiais o AO90 (cuja
constitucionalidade da sua implementação em Portugal está ainda por decidir em
tribunal, o desejo da sua implementação pelos povos que afectará não é o desejo
da maioria democrática dessas mesmas populações, e a falta de rigor técnico que
lhe é adjacente já é facto conhecido e anunciado por especialistas de um lado e doutro do
Oceano Atlântico e no continente Africano), a Embaixada do Japão em Portugal
ainda retém o C no seu Sector Cultural… se calhar, porque tem verdadeira
cultura, embora politiquices nela queiram interferir.
Um grande bem-haja, irmãos e
irmãs, amigo(a)s, camaradas, e um excelente 2013 vos deseja este meu, vosso,
nosso, N.I.N.J.A. Samurai!
P.P.S.: Peço desculpa por não ter legendado o vídeo do Dr K (Mark Kermode), mas mesmo sendo só 2 minutos e pouco de vídeo, o meu tempo é escasso. Até porque isso é a coisa boa de um blog, pode sempre ser editado mais tarde! Assim que acabar os exames corrijo isso. Não vos pedi desculpas
pelos meses de ausência aqui do blog, porque me tem sido de todo impossível
estar mais presente. São muitas coisas a conjugar e quando escrevo aqui, gosto
de levar o meu tempo afim da coisa ficar minimamente bem feita. Se ainda aqui
estão, é porque me compreendem e perdoam à partida. E como diria o Conan, se
não estão: “… to Hell with you!” ;)
Ah pois é, as aulas já recomeçaram e este N.I.N.J.A. conseguiu arranjar emprego finalmente. O que provavelmente me impede de continuar a usar para mim mesmo o título mencionado na frase anterior. Menos mal. Portanto estou a trabalhar e a estudar, o que me deixa muito menos tempo aqui para o blog. Não me faltam tópicos e espero ainda este mês, que rapidamente se aproxima do seu fim, fazer uma outra entrada dedicada a energia e o futuro do Japão. Se não conseguir escrevê-la até ao fim deste mês, surgirá no próximo.
Por agora, vou apenas deixar-vos com as novidades da Embaixada do Japão:
Realização do ‘Japanese Language Proficiency Test’ O ‘Japanese Language Proficiency Test’, promovido pela “Japan Foundation” e “Japan Educational Exchanges and Services”, será realizado no dia 2 de Dezembro, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O prazo de inscrição para o exame é de 17 de Setembro até 9 de Outubro. Para qualquer esclarecimento adicional, contactar: < Comité do ‘Japanese Language Proficiency Test’ - jlpt.portugal@gmail.com
< Sector Cultural da Embaixada do Japão – Tel: 21 3110560 / cultural@embjapao.pt
“Um espaço Japonesqe” Na Biblioteca Municipal Almeida Garrett no Porto (Rua de D. Manuel Ⅱ, Porto), organizar-se-á de 4 a 29 de Setembro, a exposição “Um Espaço Japonesqe”, organizada por Yuko Sodebayashi, residente japonesa no Porto. O evento compreende a exposição de vários objectos relacionados com o Japão, com o tema de “gravar”, “pintar”, “cozer” e “tecer”. Mais informação : 229 721 408, 938 376 024
"Haiku – 35 poemas a Lisboa" A Câmara Municipal de Lisboa, através do Departamento de Acção Cultural com a colaboração da Embaixada do Japão em Lisboa, convidam à participação numa iniciativa literária intitulada "Haiku – 35 poemas a Lisboa". Das obras, com o tema da Cidade de Lisboa, serão posteriormente seleccionados 35 poemas. O convite é extensivo aos portugueses que têm interesse na cultura japonesa e à comunidade japonesa para participar no concurso podendo os participantes elaborar, neste caso, o haiku em japonês e ou português. No caso de ser escrito numa das línguas será feita a tradução na outra língua. Será feita uma sessão de poesia com todos os Haikus participantes (em data e local a determinar, em Novembro) e a elaboração de um pequeno livro com os 35 poemas seleccionados. Os poemas poderão ser enviados para ernesto.matos@cm-lisboa.pt ou para a Embaixada do Japão bunka2@net.novis.pt até 30 de Setembro. Mais informação : ernesto.matos@cm-lisboa.pt , bunka3@net.novis.pt
Recepção de obras para o “17th Kanagawa Biennial World Children’s Art Exhibition” Estarão abertas as inscrições, nos prazos em baixo indicados, para a recepção de obras para o “17th Kanagawa Biennial World Children’s Art Exhibition”, organizado pela Prefeitura de Kanagawa, Japan Overseas Cooperative Asssociation e Kinko-Biso Co., Ltd. A exposição está agendada para os meses de Julho a Agosto de 2013. Outras informações: < Qualificações para participação : Crianças entre 4 a 15 anos de idade < Prazo da apresentação de obras : 1 de Setembro ~ 30 de Novembro de 2012 < Envio de trabalhos para: Secretariat, The 17th Kanagawa Biennial World Children’s Art Exhibition, Japan Overseas Cooperative Association c/o Kanagawa Plaza for Global Citizenship 1-2-1 Kosugaya, sakae-ku Yokohama 247-0007 JAPAN < Mais informação: Email: k-biennial@earthplaza.jp
IBERANIME no Porto Realizar-se-á de 13 a 14 de Outubro no Multiusos de Gondomar (Av. Multiusos, 4420-015 Gondomar, Porto) no Porto, o IBERANIME, evento direccionado a fãs e curiosos da Cultura Pop Japonesa. Nesta edição do IBERANIME, várias actividades estão programadas desde Workshops, videojogos, demonstrações, concertos e concursos de anime e manga. Mais informação : info@iberanime.com, Telf.21 426 97 10 // URL: http://www.iberanime.com/pt/
Para terminar, e como já é aviso habitual, tudo o que está a Itálico foi copiado directamente do mais recente boletim informativo da Embaixada do Japão, sendo que me dei à liberdade de corrigir as palavras em Acordo Ortográfico de 1990, uma vez que discordo categoricamente da sua utilização, sendo que não acredito na sua validade e/ou valor. Aliás, lendo com atenção os textos no boletim da Embaixada que me foi enviado este mês, vê-se por exemplo que umas vezes os meses aparecem com inicial maiúscula e outras vezes com inicial minúscula. Além de que continuam a ter um Sector Cultural e não um "Setor" (deve ter a ver com setas) Cultural! Nem sabem a quantas andam, sintoma habitual de quem padece desse mal do Acordês. O site da Embaixada aparenta continuar sem o AO:
Numa última nota, a todos os que puderem e se interessam pelo destino do Estado Social de Portugal, vão à manifestação marcada para este sábado. Esqueçam divisões partidárias e sociais, lutem pelos vossos/nossos direitos.
Este é o post 60 do N.I.N.J.A.
Samurai. É uma entrada que desejo dedicar a alguém muito importante na minha
vida, o meu pai. É que foi neste terrível ano de 2012, temido pelos
supersticiosos como o ano do fim do mundo, que tanto este blog viu o seu sexagésimo
post surgir como o meu pai viu o seu sexagésimo aniversário.
Antes de mais, eis as variadas
maneiras de dizer “pai” em Japonês:
Meu pai - Chichi ( pronúncia -
Titi ) 父
Pai (dos outros) - Otousan (
Pronúncia - Otôssan, e menos formal, se pronuncia sem o "o", ficando
Tôssan -Tousan ) お父さん ( Na escrita, o menos formal é só tirar o "お"
)
O meu Pai, entre outras coisas,
foi das pessoas que mais estimulou o meu gosto pela escrita, sem nunca me
obrigar a nada. Quando eu era pequeno e antes de saber ler, o meu pai lia-me
bandas desenhadas da Disney, do Lucky Luke, do Astérix, do Michel Vailant, etc…
Quando aprendi a ler, passámos para as BD de sci fi, Marvel e DC, essencialmente.
Sim, mesmo depois de eu saber ler, eu forçava o meu pai a ler-me as BD’s,
porque a verdade é que ele acrescentava um ponto seu ao conto e tornava tudo
mais interessante e divertido. Além disso, era tempo que passava com ele. Entre a Primária e o 10º ano, fora das obrigatoriedades estudantis, só lia BD's. Os meus pais lá me sugeriam outros livros, que eu na altura tinha como mais massudos, mas nunca me obrigaram a pegar neles. A certa altura, contudo, quando andávamos em arrumações lá por casa, descobri um livro que li numa tarde. Um livro de bolso do meu pai, de ficção científica, chamado Deuses Siderais. Ele cruzava a Atlântida, com deuses que eram de facto apenas humanóides vindos doutros planetas e cuja tecnologia perante os homens da Idade da Pedra parecia magia. It blew my mind! Anos mais tarde, andava eu no 11º, quando já
tinha começado a atacar a colecção de Sci Fi (sem imagens ahahah) do meu pai.
As colecções Argonauta e as publicações Europa-América, com autores como Isaac
Asimov, Ray Bradbury, Robert Block, A. E. Van Vogt, entre outros, fizeram-me as
delícias e abriram-me os horizontes como só a ficção científica pode fazer.
Depois, via Tolkien, migrei para a Alta Fantasia, depois para os policiais e
também para os romances históricos (como os de Humberto Eco). Hoje ando a ler
Eça de Queirós e José Saramago, sendo que vou lendo também as aventuras de
Tomás Noronha, por José Rodrigues dos Santos. Sou também grande fã de George
R.R. Martin e da sua Canção de Fogo e Gelo, mas também das Crónicas de Alarya
de Filipe Faria. E sim, ainda leio BD’s, quando tenho dinheiro para as comprar,
pois hoje em dia já não se encontram em quiosques como no “tempo das vacas
gordas” em que eu cresci, em absoluta felicidade.
Por todos os passeios à beira mar
a filosofar interminavelmente, por todas as histórias lidas, por seres o meu
primeiro mestre de artes marciais, por todas as aulas de astronomia em noites
lusitanas, fico eternamente em tua dívida, meu pai. Que juntos festejemos saudáveis e felizes, pelo menos, mais 60 aniversários teus!
O meu pai gostava de ter sido
arquitecto, mas foi sonho que ainda está por realizar. Pode ser que um dia eu
lho possa proporcionar, como ele me proporciona a mim (juntamente com a minha
mãe e o meu avô, claro) a minha contínua educação. Até lá, deixo estas imagens a acompanhar
as minhas palavras nostálgicas e profundamente sentidas.
Legenda das Fotos: Esta é a Casa
de Dupla Hélice, em Tóquio. Criada pelos estúdios de arquitectos Maki Onishi e Yuki Hyakuda . É uma casa citadina de multi-níveis, situada na zona residencial
de Tóquio. Como a área onde foi erguida é cercada por outras habitações, o projecto foi limitado pelo espaço disponível, consideração que levou a construir-se em
altura. Com escadas em redor do exterior e do interior, a casa torna-se numa
hélice dupla, ascendendo em torno do perímetro. O núcleo é composto por um cubo
branco abstracto que hospeda os espaços privados, enquanto divisões em torno do
exterior suportam as áreas comuns.
Para evidenciar o traço do
edifício, um painel de madeira escuro envolve a fachada. As formas simples e
contrastes entre os materiais continuam no interior, onde a construção em betão
é deixada exposta.
Não sei se repararam, mas esta casa singular não foi
escolhida ao acaso para este post. Afinal, que vos lembra uma Hélice Dupla (em Japonês, segundo o tradutor do google, Ni Jū Rasen == 二重らせん)??
Uma cadeia de ADN, talvez? E de onde vêm o ADN dos animais? Dos seus pais.
Agora isto sim, é Desenho Inteligente! Ahaha Não resisti! ;P
Já agora, o título é apenas uma amálgama de palavras em Japonês que não fazem necessariamente sentido literário. Traduzindo à letra e por ordem (da esquerda para a direita): 60 Pai Dupla Hélice! Digam lá que não é um título pomposo quando dito em Japonês!? :D
Quanto à escultura, encontrei a imagem no google e não sei quem a fez ou fotografou, mas infelizmente não fui eu!