segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Uchinaguchi e Mirandês, em "O Argumento dos Números"

No passado dia 30 de Junho, em Londres, foi celebrado o Dia de Okinawa. É verdade, a terra ancestral do Mr Miyagi, personagem de uma série de filmes muito determinante na minha infância e formação enquanto pessoa. Para o Mr Miyagi, a guerra é uma estupidez pura e simplesmente, o Karate serve apenas para defesa, mas, se nos forçam a lutar, que seja para ganhar. Estas noções acompanharam-me muito antes de começar a praticar o Karate a sério. Pequeno desvio pela Avenida da Memória abaixo… Voltando ao tópico, saindo da ficção e reentrando na realidade, eu soube desta celebração via Facebook:



Soube também através do The Japan Times online, doutro facto interessante que me levou a escrever esta entrada. Esta entrada em grande parte é a tradução, com alguma liberdade poética, de um artigo do jornal supracitado. Como tal, toda essa tradução liberal será deixada a itálico. O restante é meu.

O artigo, escrito por Ayako Mie, fala-nos sobre o professor Byron Fija, de 42 anos. Ele é parte caucasiano norte-americano por parte do pai e japonês por parte da mãe. Esta última informação é pertinente pois é uma das razões pelas quais os japoneses muitas vezes pensam que ele é um estrangeiro. A outra razão pela qual isso acontece é o facto de ele falar o Okinawa hogen (o dialecto de Okinawa), chamado Uchinaguchi.
Os japoneses estranham que ele fale este dialecto, mesmo os seus conterrâneos de Okinawa, que deveriam entender o que ele está a dizer quando fala Uchinaguchi. Recentemente, num programa de televisão que festejava o aniversário dos 40 anos do retorno do governo de Okinawa ao Império do Japão, ele foi precisamente questionado sobre o porquê de ele falar um dialecto. A sua resposta foi assertiva: “Eu não falo num dialecto japonês, eu falo Uchinaguchi que é uma língua independente.”
Fija de facto ensina o Uchinaguchi, a língua falada na região meridional da ilha principal de Okinawa. Esta língua é, em geral, imperceptível à maioria dos japoneses. Mas apesar dessa fácil distinção, até os habitantes de Okinawa vêem o Uchinaguchi como um mero dialecto, subordinado ao Japonês. De facto, 11 dos 46 convidados do tal programa de televisão disseram esperar que esta língua ficasse extinta nas próximas décadas. Fija afirmou não compreender como os próprios japoneses de Okinawa negam a legitimidade do Uchinaguchi. Por outro lado, o professor admitiu que a sua campanha para promover esta língua é um tanto ou quanto pessoal, pois a descriminação desta língua faz parte da crise de identidade com que ele teve de lidar quando era criança, uma criança nascida fora de um casamento. Numa outra época, o professor seria sem dúvida desprezado como um dos Burakumin. Parece que a civilização japonesa já fez alguns progressos face à descriminação social.
Mas o anúncio de estes serem os últimos dias desta língua impulsionaram alguns japoneses de Okinawa, incluindo o sr Fija, a desenvolverem esforços no sentido de promoverem e protegerem o Uchinaguchi, que eles acham estar não só no coração da cultura única de Okinawa mas também da sua própria identidade.
Culturalmente, desde 1972, Okinawa tem-se forçado a si mesma a absorver a cultura dominante japonesa e nesses esforços desprezaram mesmo a sua própria língua, vista por muitos como inferior. O resultado deste traço cultural é que apenas um número reduzido de pessoas falam fluentemente esta língua, sobretudo os velhos de Okinawa.
Dando uma indicação clara de que o Uchinaguchi é uma língua e não um mero dialecto, a UNESCO indicou-a em 2009 como uma das 6 línguas em vias de extinção faladas em Okinawa e nas ilhas vizinhas de Amami. Contudo, o governo central japonês e a prefeitura de Okinawa ainda não tomaram medidas nenhumas para proteger esta língua ou sequer admitiram oficialmente que o Uchinaguchi é uma língua de pleno direito.
A concentração de instalações militares norte-americanas na prefeitura de Okinawa, quando comparada com outras regiões do Japão, é percebida pelas pessoas de Okinawa como uma descriminação, uma na qual o resto do Japão tem quase nenhum interesse. Contudo, a eliminação do Uchinaguchi deveria ser considera parte importante dessa descriminação, mas a verdade é que, por razões históricas, as pessoas de Okinawa não a entendem como tal. Outrora, Okinawa era o reino independente de Ryukyu, que governou as ilhas do sudeste, entre Kyushu e o Taiwan, entre os séculos XV e XIX, enriquecendo através do comércio com a China e o Sudeste Asiático. Mas em 1879, o Japão anexou essa nação e impôs políticas de assimilação cultural às populações locais, obrigando por exemplo a que apenas fosse permitido falar Japonês em público. Durante décadas, as pessoas de Okinawa foram descriminadas e ridicularizadas pelo resto do Japão por falarem uma língua considerada bárbara. De facto, nas escolas, os estudantes que falassem Uchinaguchi eram forçados a usar cartazes, que lhes pendiam do pescoço, que assinalassem a língua que falavam, sofrendo então todas as formas de humilhação social. Em 1945, morreu 30% da população local na Batalha de Okinawa, muitos dos quais falavam Uchinaguchi e foram mortos pelas tropas imperiais japonesas que os via como espiões do inimigo. Durante o tempo em que Okinawa esteve sob jugo Americano, após a Segunda Grande Guerra, e mesmo depois quando reverteu ao controlo do Japão, os habitantes de Okinawa que viviam fora da Prefeitura e que foram educados nas escolas da sua região mantiveram o Uchinaguchi vivo. Mas quando essas pessoas saíam da sua terra e iam para as metrópoles, como Osaka e Tokyo, em busca duma vida melhor, eram ridicularizados pelas suas raízes e pela língua que falavam, o que levou a que eles abandonassem a sua própria língua e a desprezassem a cultura de Okinawa, tratando-a como se fosse algo de segunda categoria.
Mas essa visão negativa não é vista nos habitantes de Okinawa nascidos após 1972.
Nos anos mais recentes, graças à projecção mediática de estrelas nascidas em Okinawa, a cultura de Okinawa começa a ser tida em consideração. Entre as estrelas que para tal contribuíram, encontram-se Namie Amuro (um cantor pop que se evidenciou nos anos noventa) e a popular jogadora de golf Ai Miyazato (que atingiu o topo do ranking mundial do golf feminino em 2010).
Ao mesmo tempo, a definição de Uchinaguchi entre as camadas jovens de Okinawa mudou significativamente. Muitos deles falam Uchina-Yamatoguchi, uma nova forma de expressão que mistura termos em Uchinaguchi com contextos japoneses. Uma sondagem de 2011, levada a cabo pelo jornal Ryukyu Shimpo (sedeado em Naha), concluiu que cerca de 90% da população de Okinawa entre os 20 e os 30 não conseguia falar ou perceber o Uchinaguchi tradicional.
Esta realidade lança sombras ameaçadoras sobre o futuro da dança e do teatro tradicionais de Okinawa, para os quais o Uchinaguchi é fundamental. De acordo com uma sondagem também de 2011, efectuada pelo professor Masahide Ishihara da Universidade de Ryukyu,  apenas 5% das 605 pessoas ligadas à cultura de Okinawa sondadas, com idades abaixo dos 30 anos, falavam fluentemente Uchinaguchi. Para Susumu Taira, um actor, produtor e guionista de Okinawa, com 78 anos, este declínio significa que a cultura de Okinawa está lentamente a tornar-se indistinguível da cultura de outras zonas do Japão. Segundo Taira, a vertente de teatro tradicional de Okinawa chamado Kumiodori, não tem um guião. São dadas deixas verbais aos actores, que depois têm a liberdade total para improvisar desde que consigam manter fluida a acção e a história. A não ser que os actores sejam fluentes em Uchinaguchi, não conseguem comunicar bem o sentimento desejado e toda a peça parecerá algo que pretensiosa. “Eu digo aos meus actores, que se as falas são ditas em Uchinaguchi sem haver uma entrega e abertura à língua, o seu desempenho vai ter o mesmo tipo de sensação e qualidade que teria se fosse desempenhado por actores naturais de Tóquio.”, disse Taira, nomeado em 1999 pela Prefeitura de Okinawa como Protector de Propriedades Culturais Intangíveis, o teatro e música de Ryukyu.
Contudo, tamanha singularidade não é bem recebida quando a audiência não entende a língua que está a ser falada em palco. De facto, para as peças de Kumiodori serem apreciadas pelas audiências, são acompanhadas de legendagem. O Kumiodori foi designado, em 2011, como Herança Cultural Intangível da Humanidade pela organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.
Taira confessou ter ficado chateado quando oficiais da Prefeitura lhe pediram que traduzisse algumas frases de Uchinaguchi para Japonês, com o objectivo de aumentar a popularidade da peça. “As artes performativas devem ser inteligíveis para todos sem mudar a tradição”, afirmou Taira. Sentindo-se ameaçado pela situação, Taira começou a ensinar Uchinaguchi na faculdade comunitária de Okinawa. O curso atraiu tanto habitantes locais como pessoas que vieram de fora da Prefeitura, nutrindo interesse pela cultura de Okinawa.
“Há certas palavras que são únicas em Uchinaguchi. Apercebi-me disso quando frequentei o curso.”, disse Keiko Shimoji, de 35 anos e residente em Okinawa.
Contudo, os esforços tanto dos locais que falam a língua e doutros que foram aprendê-la podem não ser suficientes para assegurar a sobrevivência da língua, pois é facto que os que a falam e ensinam estão a envelhecer. Para preservar a língua e elevar o seu status entre a população local, há aqueles que defendem de que esta deveria ter ensino obrigatório nas escolas. Dão como exemplo o caso bem sucedido do Havai, onde a língua nativa foi introduzida no ensino numa tentativa de a salvar, ao mesmo tempo que o estado declarou como língua oficial o Havaiano. Como um primeiro passo no intuito de adicionar ao currículo escolar o Uchinaguchi, a Prefeitura de Okinawa criou uma comissão em 2007 para gerar uma publicação que ajudasse ao ensino da língua nas escolas públicas. Mas nos últimos 5 anos, a complexidade e natureza diversa do Uchinaguchi têm impedido os estudiosos de decidir exactamente como codificar a língua e compilar o manual em questão. É que mesmo dentro da própria língua, existem vários dialectos falados na região sul de Okinawa. Tais diferenças existem para todas as 6 línguas diferentes – incluindo as formas faladas Amami-Oshima, Yaeyama, Miyako e outras ilhas do sudeste – declaradas com em perigo pela UNESCO. É por isto que peritos afirmam que mesmo linguistas e oficiais do governo não podem determinar qual dos dialectos codificar e tornar o standard.

À parte: para mim é simples a resolução deste problema. Codificam-se as 6 formas da língua, ensinando-se cada uma na região onde são ainda faladas. Trabalhoso, mas decerto fazível.

“Quando decidirmos que Uchinaguchi codificar, tornar-se-á mais fácil compilar um manual de ensino.”, disse Shinsho Miyara, professor jubilado da Universidade de Ryukyu, que faz parte do painel da Prefeitura designado para criar o manual.
Alguns peritos também realçam que as políticas de assimilação também dificultaram a estandardização da língua. “Como a intenção sob a administração colonial japonesa foi de que toda a gente assimilasse e aprendesse o Japonês, não houve qualquer iniciativa governamental para a estandardização do Uchinaguchi numa língua de pleno direito”, disse Ryan Yokota, doutorando de História na Universidade de Chicago e especialista em matérias pós-guerra em Okinawa.
Apesar dos seus esforços, os oficiais da Prefeitura de Okinawa dizem que o ensino obrigatório do Uchinaguchi nas escolas locais provavelmente não vai acontecer, uma vez que o governo central japonês nem a reconhece como uma língua separada.
Já o professor Fija, diz que é tempo das pessoas de Okinawa abraçarem a mais fundamental fonte da sua identidade. “Enquanto continuarmos a rotular o Uchinaguchi como um dialecto ou uma língua de segunda classe, vamos estar a tratar-nos a nós mesmos como cidadãos de segunda.”, afirmou Fija.

Ora, nós em Portugal temos um caso semelhante, felizmente menos complicado. Falo é claro da segunda língua oficial de Portugal, o Mirandês. “Em 2008 foi estabelecida uma convenção ortográfica, patrocinada pela Câmara Municipal de Miranda do Douro e levada a cabo por um grupo de entendidos linguistas, com vista estabelecer regras claras para escrever, ler e ensinar o mirandês bem como estabelecer uma escrita o mais unitária possível e consagrar o mirandês como língua minoritária de Portugal.”, in Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_mirandesa). Provavelmente menos pessoas falam o mirandês que o Uchinaguchi, mas como faz parte da nossa herança cultural decidimos, para meu gáudio e orgulho, salvaguardá-lo. Eis algumas das medidas de defesa e perpetuação da língua mirandesa:
“O mirandês é ameaçado actualmente pelo desenvolvimento, a vida moderna, a televisão, e as pressões do português e do castelhano. Em sua defesa, foram tomadas as medidas:
  • ensino em mirandês, como opção, nas escolas do ensino básico do concelho de Miranda do Douro, desde 1986/1987, por autorização ministerial de 9 de Setembro de 1985.
  • publicação de livros sobre e em mirandês, pela Câmara Municipal de Miranda do Douro.
  • realização anual de um festival da canção e de um concurso literário, pela Câmara Municipal.
  • uso do mirandês em festas e celebrações da cidade e, ocasionalmente, nos meios de comunicação social.
  • publicação de dois volumes da série de banda desenhada Asterix.
  • tradução de todas as placas toponímicas da cidade de Miranda do Douro, efectuada em 2006 pela Câmara Municipal
  • estudo por centros de investigação portugueses como o centro de linguística da Universidade de Lisboa com o projecto "Atlas Linguístico de Portugal", e a Universidade de Coimbra, com o "Inquérito Linguístico Bolêo".
  • criação de uma Wikipédia em Mirandês, a Biquipédia.
  • disponibilização de sítios em Mirandês, entre eles hi5, Photoblog e WordPress em Mirandês.”




Portanto o que aqui interessa não é a quantidade de pessoas que fala uma língua, ou que a escreve, mas sim a sua riqueza cultural, a salvaguarda do pluralismo cultural, tão importante para a evolução de um povo como o pluralismo genético é para a evolução de uma espécie. Nunca me esqueço de uma frase dita por Lawrence das Arábias a Indiana Jones, no primeiro episódio da série televisiva desta última personagem que relatava as suas aventuras em criança e em adolescente. “Henry, onde quer que vás, sejam quais forem os países que visites, aprende a língua. É a chave que abre tudo.” Foi esta frase que me levou a querer aprender inglês, sendo que quando cheguei ao ciclo, embora não o lesse nem o escrevesse, já tinha considerável fluência oral no inglês americano. Nós temos um espírito, uma alma, quanto mais não seja até morrermos (para lá desse momento, não se sabe o que acontece). Essa alma é a composição de todas as sensações que vivemos, memórias que retemos e saberes que aprendemos. Sendo assim, a alma de um povo será a composição das suas tradições e História, das quais a Língua é, ou para povos sortudos as Línguas são, fulcral(ais).

Já agora, impõe-se uma questão. Se nós procuramos por todos os meios salvar línguas que poucos falam, que peso tem o argumento dos números para justificar o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO’90)?
A resposta tem de ser rápida e decisiva. É um argumento inválido. O facto é que o Português Europeu nunca esteve ameaçado ou em vias de extinção como os alarmistas defensores do AO’90 quiseram que acreditássemos. Desde a fundação deste país até aos dias de hoje, fomos sempre poucos em números, sendo que provavelmente nunca houve tantos portugueses como há hoje em dia. Como é sequer concebível levar o argumento dos números a sério? A verdade é que o injustificável não pode ser justificado por argumentos válidos, então há que inventar argumentos por mais absurdos que sejam. Já falei a grande extensão dos erros técnicos e incongruências do (des)Acordo Ortográfico no post Desacordo Ortográfico e Democracia:
Neste falei também de que é um acordo anti-democrático pois foi feito contra a vontade dos povos (até o Miguel Sousa Tavares dá testemunho disso melhor que o meu pois ele foi ao Brasil, falou com brasileiros e diz que ainda não encontrou um que quisesse o AO) que afecta, ou no mínimo se lhes consultar a opinião. Por outro lado, numa democracia, escutam-se as minorias e desde que estas não coloquem em risco o bem da maioria, procura-se salvaguardar os seus direitos. O problema é que o AO’90 é uma imposição de uma minoria restrita sob mais de 4 povos diferentes, com o pretexto de salvar uma língua que nunca esteve em risco, através duma evolução forçada e contra-natura que ameaça ela sim o pluralismo e riqueza do Português nas suas variadas formas.
E os nossos políticos defendem esse acordo sem sequer o entenderem:

É que nem os defensores do AO’90 o entendem ou conhecem:
Fazem lembrar aqueles zelotas cristãos que defendem de forma acérrima a sua religião mas nunca leram a Bíblia que é só o pilar central de toda a crença deles. Mas pronto, quem acredita não requer provas ou argumentos lógicos. ["The US Religious Knowledge Survey, released Tuesday from the Pew Forum on Religion & Public Life, found atheists and agnostics know more basic facts about the Bible than either Protestants or Catholics.", fonte: http://www.csmonitor.com/USA/Society/2010/0928/In-US-atheists-know-religion-better-than-believers.-Is-that-bad Só para dar peso ao argumento.] Será então o acordês uma neo-crença dogmática? God, let us hope not!

Mas ainda vamos muito bem a tempo de desfazer esta insanidade cultural pretensiosa, hipócrita e disfarçada de sabedoria, através da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico de 1990 (ILCcontraAO’90).
Para lerem a ILCcontraAO’90, vão a: http://ilcao.cedilha.net/
Podem encontrar o formulário para a assinarem em:
Para preencherem necessitarão do vosso número de eleitor que, estando em posse do vosso BI ou Cartão do Cidadão, podem saber através de:
ou através de uma SMS para o 3838 com o texto:

REespaçoN.ºId.CivilespaçoDatadeNascimento(AAAAMMDD)

Exemplo: RE 1234567 19751014

Eu já reuni 4 assinaturas (só comecei a semana passada eheh), incluindo a minha, e espero reunir mais umas quantas para depois enviar por correio para a morada:

Apartado 53
2776-901 Carcavelos

Há ainda uma série de sítios espalhados pelo país onde poderão preencher o formulário, assiná-lo e entregar sem mais gastos. Podem saber onde o poderão fazer através do seguinte link:

Cidadãos, as vossas canetas são precisas para salvaguardar a alma do nosso povo. Evolução sim, mas uma evolução natural quando muito auxiliada com rigor técnico, nunca aos caprichos de uns quantos que se têm em demasiada alta conta e que têm o desplante de dar o único parecer técnico positivo ao documento que eles próprios compuseram.

Alex, signing off 4 the momment!

P.P.S.: Só para completar... mesmo que o argumento dos números relativamente ao AO'90 tivesse qualquer mérito, o Destino (esse que domina até os Deuses, segundo os poetas neoclássicos) entregou-nos a forma perfeita de espalhar o Português Europeu pelo Mundo. Ora atentem às seguintes notícias de há uns meses:


Não há povo mais numeroso que o Chinês, é só metê-los a falar/escrever Português Europeu e 'tá feito, meus amigos! :D Isso sim, seria uma jogada à Dom Afonso Henriques, o cavaleiro-rei que entendeu em pleno século XII que a religião era apenas a política da época! ;)
Contudo, eu fico satisfeito se os 10,5 milhões deste pedacinho de terra, esta aldeia de irredutíveis lusitanos, não fiquem privados da sua herança cultural. Nem mesmo de 4% desta.

domingo, 29 de julho de 2012

Natsu

Como canta a música “eu gosto é do verão”! Em Japonês, Verão diz-se Natsu, e o seu kanji é .

Uma vez que fiz um post sobre a Primavera aqui há uns tempos, decidi agora fazer uma entrada sobre a estação que se lhe segue e na qual estamos actualmente. Também, achei por bem fazê-lo agora porque num post anterior avisei sobre os malefícios e perigos do abuso da exposição solar ou de luz UV, mas mal toquei nos benefícios de uma exposição solar controlada e consciente. Comecemos então por esse lado, que é universal a qualquer cultura do mundo. Neste post, farei o reverso, focando-me nos benefícios do UV e reforçando a achega da protecção e prevenção de uma forma muito sucinta. É uma espécie de Yin para o Yang que foi o post sobre radiação.
A exposição solar do organismo humano, quando feita duma forma moderada, exerce efeitos positivos e essenciais neste último. Por exemplo, estimula a produção de serotonina, que é um neurotransmissor que produz uma sensação de conforto e descontracção. Além disso, estimula a produção de vitamina D. Aliás, todas as restantes fontes de vitamina D são insuficientes para uma vida saudável e necessitamos do Sol para produzi-la de forma natural e em maior quantidade. A vitamina D é responsável por manter os ossos saudáveis, reforça o nosso sistema imunitário e contribui para dormirmos melhor. Não sei se é directamente relacionado, mas quando passo um dia na praia (estando à sombra nas horas de exposição perigosa), durmo o sono dos justos na noite que se lhe segue. Contudo, os especialistas são da opinião, que num país como Portugal que tem tantas horas de luz solar, podemos não trabalhar o bronze e temos todos os benefícios na mesma. “Já foi demonstrado que o Sol melhora o nosso estado de espírito e a evolução de algumas doenças dermatológicas, como a psoríase, mas expor 5 minutos por dia qualquer parte do corpo, como o rosto, é suficiente para estimular a produção de vitamina D”, diz Aurora Guerra, dermatologista, na Super Interessante.
A fórmula para evitar riscos desnecessários é aplicar uma protecção adequada ao tipo de pele que se tem (fotótipo), e seguir algumas regras básicas antes e depois da exposição. Primeiro que tudo, deve-se aplicar o protector solar antes mesmo de sairmos de casa, mesmo que sejam produtos que prometam protecção imediata. É também aconselhável reforçar a protecção após um mergulho no mar ou na piscina ou se a pessoa se limpar com uma toalha. Para não ficarmos com a pela ressequida e/ou gretada, deve-se aplicar óleos ou cremes hidratantes depois da exposição solar. Os óleos hidratantes específicos para usar após exposição solar, feitos com aloé vera ou óleo de abacate, acalmam e refrescam além de também hidratarem em profundidade. Isto faz também com que o bronzeado dure mais tempo, um efeito colateral que pode ser de suprema importância para muito boa gente.
É também boa prática fazer uma visita anual a um dermatologista, uma vez que o cancro de pele se detectado atempadamente tem 90% de probabilidade de ser tratado com sucesso. É também de realçar que os jovens não sofrem muito deste cancro, pois ele surge do efeito acumulado. A incidência maior de casos deste tipo de cancro é a partir dos 50 anos. Logo, não acumulem e cuidem-se.

Embora o ponto anterior seja universal para qualquer parte do globo, o tópico que se segue, tem especificamente a ver com o Japão. Fazer a entrada sobre a Primavera foi fácil, devido ao grande ritualismo e quantidade de tradições que existem no Japão relacionados com o florescer da cerejeira e afins. Em relação ao Verão, é tudo menos claro. Então, tive de fazer perguntas e depois procurar as respostas.

      1) Terão os Japoneses a mesma cultura de praia que nós?
      2) E os festivais de Verão, têm-nos?

Ora bem, em relação à primeira pergunta, o que encontrei foi alguns fóruns de pessoas que tinham visitado o Japão no Verão e eis o que descobri. Parece que sim, os japoneses gostam de ir à praia dar uns mergulhos no verão, tal e qual como os 'tugas! Contudo, o Japão não é propriamente conhecido pelas suas praias, razão pela qual os turistas visitantes por norma visitam sempre outras zonas do país. É dito ainda que as praias mais cheias são as perto de Tóquio, mas que estas não são grande coisa para nadar, embora sejam as mais solarengas. As praias mais a norte, onde fica a zona mais campestre do Japão, são menos visitadas e provavelmente menos convidativas, acrescento eu. Quanto a ondas, o tamanho destas difere de praia para praia, como em qualquer zona costeira, mas desde que não seja um dia tempestuoso, o seu tamanho está entre 1 pé e 3 pés (NOTA: pé == medida inglesa equivalente a 30,48 centímetros). Este relato faz-me lembrar as praias em Lisboa, na linha de Cascais. Pouca ondulação, muita gente! :D O conselho final é que se tiverem no Japão e vos apetecer ir dar um mergulho, perguntem aos habitantes locais os melhores spots ou ao recepcionista do hotel onde ficarem. Bom conselho, embora me pareça mero senso comum.
Um outro comentário no mesmo fórum, revela-nos que as praias perto de Osaka não são grande coisa para nadar, mas se forem para Wakayama, encontram uma das praias mais visitadas em Shirama, que diz ser uma óptima praia pois importam areia da Austrália, que é ali perto (para nós, do outro lado do mundo). E acrescenta ainda que muito perto de Shirama está uma óptima praia deserta, em Minabe, que é tem uma extensão de areia de 5 quilómetros onde poucas pessoas vão. Quando o relator diz ter lá estado, viu apenas 5 ou 6 pessoas nessa praia. É também uma praia onde tartarugas marítimas desovam, por isso é mantida bem limpa. São também proibidos churrascadas e campismo nessa zona.
Fonte: http://answers.yahoo.com/question/index?qid=20090725034630AAFtuph
Embora sejam relatos interessantes, pesquisei um pouco mais e descobri um artigo noutro site sobre a Cultura de Praia Japonesa. Este é menos do ponto de vista do turista e gerado com a ajuda de japoneses. E a verdade é que por esta outra perspectiva descobri não as semelhanças às nossas aventuras de praia portuguesas (churrascadas, jogos de futebol praia amadores, mergulhos, surf, arrastões… uh… esse não era para dizer, certo? Bom, continuando…) mas sim as diferenças.
Comecemos por um conceito totalmente estranho: umi-no-ie, literalmente Casa de Praia. Diz a coluna que é algo a não deixar de visitar se alguma vez se tiver a oportunidade de ir à praia no Japão. É essencialmente uma pequena casa construída mesmo na praia e equipada com cacifos, chuveiros, que oferece comida e outros variados serviços. Não é nada de luxuoso, mas o consenso é que vale a pena lá ir para petiscar qualquer coisa ou fugir umas horas ao calor (se fora entre as 12 e as 16h melhor ahaha. Por acaso lá não sei se essas são as horas de maior risco). O menu mais popular nessas casas de praia é chamado yakisoba (imagem acima), basicamente, massa com um refogado variado por cima. Estranhamente é semelhante, julgando pela imagem, a muitos dos pratos que invento cá por casa que envolvem massa acompanhada de um refogado temperado com ervas e especiarias, com pedaços de carne e delicias do mar... tou a ficar com fome -.-' !! O conselho deixado é então que, se se tiver oportunidade de visitar um destes lugares, se sente no tatami, peça yakisoba e uma cerveja fresquinha e curta a cena de praia japonesa.
 A segunda actividade mais popular parece ser suika-wari. Suika quer dizer “melancia” e wari quer dizer “rachar”. Acho que daí já poderão adivinhar, caros leitores, senhoras e senhores, amigos e camaradas, irmãos e irmãs, a essência desta actividade. Consiste então num jogo, onde o jogador é vendado e fazem-no girar umas quantas vezes sobre si, depois dão-lhe um bastão e orientado apenas pelos gritos da multidão tem de encaminhar-se para a melancia e abri-la com o bastão. Cada pessoa tem direito a uma tentativa de abrir a melancia. Parece-me divertido!! É semelhante ao jogo da Pinata norte-americano. Uma nota interessante, é que as melancias são a fruta de verão mais popular no Japão. E mesmo assim levam porrada, imaginem se fosse um fruto não popular!! :D
Se por acaso forem à praia no Japão à noite, o mais certo é depararem-se com pessoas a brincarem com fogo de artifício. É uma actividade muito popular no Japão e as pessoas vão para a praia à noite para a fazerem. Como o fogo de artifício é colorido e a praia escura à noite, é o melhor sítio para família e amigos se deslumbrarem em pleno com o espectáculo de luzes, para além de haver espaço com fartura. Esta é uma actividade tradicional de Verão no Japão. Não se esqueçam é depois de levarem o lixo com vocês se participarem dessa actividade. A acumulação de lixo nas praias japonesas está a aumentar de forma directamente proporcional ao aumento de turistas no Japão.
Existe de facto um Festival, intitulado Hanabi Taikai (Festival de Fogo de Artifício), que é feito por todo o Japão, no Verão, em várias províncias por todo o país. Esta celebração é feita segundo o antigo calendário japonês, calhando a 28 de Maio nas margens do rio Sumida, pois em 1648 o Xogunato proibiu o uso de fogos de artifício senão nas margens do rio Sumida. A outra data é a 1 de Agosto, data celebrada precisamente pela liberalização do uso de fogo de artifício no pós 2ª Guerra Mundial, em 1948.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hanabi_Taikai
Etimologicamente, Hanabi (fogo de artifício) vem de Hana (flor) e Bi (tal como Hi, quer dizer "fogo"), ou seja, uma flor que arde. Uma imagem que bem inspira a beleza e o visual do fogo de artifício.
Portanto, todo um outro conjunto de experiências na praia aguarda-nos do outro lado do mundo, no País do Sol Nascente.
Fonte: http://www.hyogo-tourism.jp/english/column/2010_07.html

Quanto à segunda pergunta, relativa a Festivais de Verão Japoneses parecidos com os nossos, só descobri um, via wikipedia, que se chama Festival de Verão de Jazz de Nango. É o festival local de Nango, no qual se juntam músicos de toda a zona de Tohoku, e até de regiões mais longínquas, para actuar. Este é o maior festival de Jazz ao ar livre na zona de Tohoku, que teve o seu início em 1989, como um concerto num pequeno recinto fechado. Mas como obteve um enorme feedback positivo dos fãs, foi prontamente expandido para um enorme festival anual. Para se ir é necessário comprar bilhetes atempadamente, embora seja um festival de Jazz que nada custa.
Eu gosto muito de Jazz, logo seria algo que me interessaria, dependendo do preço! I am afterall a N.I.N.J.A. still.

Espero que seja tão interessante para vocês ler este post como foi para mim pesquisá-lo e escrevê-lo. Remeto-me agora, em jeitos de despedida, aos ditames do velho mas sempre divertido Porky Pig: “Abdi… abdi… that’s all folks!

Alex... singning off! :)

P.P.S.: (Adicionado a 22-08-2012) Até os bichinhos precisam de trabalhar o bronze:
http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1559993
Achei que valia a pena acrescentar aqui esta curiosidade.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Notícias do Japão

Boas tardes. Sim, voltei ainda hoje. É só para vos notificar sobre o boletim informativo da Embaixada do Japão que me foi enviado durante este mês. Vou aqui destacar algumas das novidades que me parecem mais pertinentes e que ainda não tinha falado antes, e deixo-vos o link para o PDF informativo no final do post se quiserem saber mais ainda. ;)
[Nota: tudo o que está a itálico é citado directamente do boletim informativo, com pequenos reparos à utilização do AO neste último boletim.]

::: Realização do ‘Japanese Language Proficiency Test’
O ‘Japanese Language Proficiency Test’, promovido pela “Japan Foundation” e “Japan Educational Exchanges and Services”, será realizado no dia 2 de Dezembro, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O prazo de inscrição para o exame é de 17 de Setembro até 9 de Outubro. Para qualquer esclarecimento adicional, contactar:
< Comité do ‘Japanese Language Proficiency Test’ - jlpt.portugal@gmail.com 
< Sector Cultural da Embaixada do Japão – Tel: 213 110 560 / cultural@embjapao.pt

::: Abertura do curso de mestrado em tradução da língua japonesa na Universidade do Porto
A Universidade do Porto abrirá o curso de mestrado em tradução da língua japonesa no próximo ano lectivo.
Os interessados deverão contactar:
< Faculdade de Letras da Universidade do Porto - sga@letras.up.pt
URL : http://sigarra.up.pt/flup/cursos_geral.FormView?P_CUR_SIGLA=MTSL


::: Bolsas de investigação da Canon Foundation in Europe
A ‘Canon Foundation in Europe’ concede bolsas de investigação para investigadores europeus e japoneses com mestrado ou doutoramento, para qualquer área de investigação. Os interessados deverão contactar:
< Canon Foundation - foundation@canon-europe.com // URL :www.canonfoundation.org

::: Abertas as inscrições para participar no Concerto “Wind from the Homeland
—For the Return of Japanese Citizens Abducted by North Korea—”
No seguimento da semana de sensibilização para os assuntos de violação dos direitos humanos por parte da Coreia do Norte (10 a 16 de Dezembro), a “Headquarters for the Abduction Issue” do Governo Japonês, irá organizar a 22 de Dezembro, para além do simpósio anual, um concerto coral musical, para o qual está a receber entidades para a respectiva participação, tanto nacionais como internacionais. Os interessados deverão contactar:
< http://www.rachi.go.jp/en/ - ej.rachi@cas.go.jp // Tel. +81-3-3581-3887, Fax. +81-3-3581-6011
< Prazo de inscrição :15 de Junho ~ 12 de Outubro
< Local do concerto : Iino Hall (2-1-1 Uchisaiwaicho, Chiyoda-ku, Tokyo)

Link para o Boletim Informativo completo Online:
http://www.pt.emb-japan.go.jp/newsletter2012/Embaixada_do_Japao_Noticias_JULHO_2012.pdf

Hôshasen


Pelo video acima, já devem ter percebido o tópico da entrada de hoje. Hôshasen quer dizer "radiação" em japonês. Vem no seguimento de outros tópicos anteriores, como os posts sobre hibakushas e o post sobre o terramoto de 11 de Março de 2011, mas também porque estamos a meio do Verão e um dos objectivos primordiais do NINJA Samurai é dar conhecimento, sempre que possível, prático aos seus leitores!
Por isso, comecemos por um aviso menos alarmante talvez, mas também mais presente e banal, que como tal corre o risco de não ser levado a sério pela maioria dos humanos.
 
No Japão, há uma tribo social e urbana que se intitula Ganguro (http://en.wikipedia.org/wiki/Ganguro), que significa “rostos negros”. Vestem-se de forma exuberante, pintam e descoloram os cabelos e têm a pele excessivamente bronzeada. Esse bronzeado conseguem-no através dos frequentes banhos de sol e/ou idas frequentes a solários. Para as jovens japonesas que pertencem a esta tribo urbana, não há nada mais fixe que uma pele excessivamente bronzeada. Em Portugal, como país à beira mar plantado que é, também temos uma cultura do “trabalhar do bronze”. Como vemos nas notícias, as pessoas desempregadas que vivem ao pé de praias, depois de enviar currículos em resposta a ofertas de emprego, pegam no telemóvel e vão para a praia. E quem não gosta de ver aquele bronze bonito e saudável na pele? Cada vez mais vemos as nossas actrizes e apresentadoras de TV bronzeadas durante todo o ano, graças à utilização de solários com regularidade.
Mas tudo o que é em demasia faz mal e, como se diz na minha família, “Por causa dos abusos é que o meu bisavô matou o corvo”. Já existe, de facto, um nome técnico para as pessoas que não conseguem viver sem uma pele bronzeada e que por mais bronzeadas que estejam sentem-se sempre pálidos: são os tanoréxicos. Pessoas cuja obsessão pelo bronze perfeito coloca em risco a sua saúde física e mental. O termo foi cunhado por dermatologistas norte-americanos e é indicativo de uma doença do fórum psicológico, embora possa ser acompanhada de lesões e queimaduras cutâneas. As pessoas que sofrem desta patalogia, foram primeiro descobertas pelo comportamento anormal de irem a um dermatologista com lesões cutâneas geradas pelos raios UV e mesmo assim continuarem a expor-se à radiação UV. “A tanorexia surge frequentemente associada a um distúrbio depressivo, à fobia social, ao distúrbio obsessivo-compulsivo ou, nos casos mais graves, ao distúrbio delirante do tipo somático. Neste último, o paciente manifesta a convicção absoluta e inabalável de que possui um tom de pele muitíssimo mais claro do que é na realidade.”, in Super Interessante. É semelhante à anorexia, no sentido de que um anoréxico nunca se acha suficientemente magro, os tanoréxicos acham-se sempre pálidos. E para suprir essa deficiência imaginária vão abusando dos banhos de sol, na praia ou na piscina, conjugados com visitas ao solário.
Ora bem, claro que podemos (e devemos, porque necessitamos de vitamina D) banhar-nos na luz solar. Contudo, devemos fazê-lo, como em tudo na vida, de forma consciente e cautelosa. Sabendo que temos hoje, não um mas, dois buracos do ozono na atmosfera terrestre torna-se imperativo que nos protejamos. E a protecção é simples de se fazer. A aplicação correcta de um protector solar factor 50 e sairmos do Sol nas horas de maior intensidade (das 11h às 16h), é o suficiente. Sim, é uma grande parte do dia, mas infelizmente a raça humana tem de pagar pelo que anda a fazer ao globo desde a Revolução Industrial. Pá, durante essas horas, vão beber umas cervejas para a sombra duma esplanada, vão comer um gelado, ou beber café. Vão a um cinema, se houver essa oportunidade. Depois, voltem à praia. Até tornará o dia de praia menos rotineiro.
Quanto aos solários, bem, isso é logo outra história:

"Os utilizadores de solários têm 20% mais probabilidade  de apanhar cancro de pele do que as pessoas que nunca os usaram e o risco  duplica quando a utilização começa antes dos 35 anos, revela um estudo hoje  divulgado.
O estudo, publicado no British Medical Journal, resulta do trabalho  de investigadores do Instituto Internacional de Investigação Preventiva,  em França, e do Instituto Europeu de Oncologia, em Itália, que analisaram  os resultados de 27 estudos diferentes sobre cancro de pele realizados na  Europa ocidental entre 1981 e 2012. 
Os cientistas concluem que dos 63.942 novos casos de melanoma (a forma  mais grave do cancro de pele) diagnosticados anualmente na Europa ocidental,  3.438 (5,4%) - e 794 mortes associadas - estão relacionados com a utilização  de solários. 
A exposição solar é a causa ambiental mais significativa do cancro de  pele e os solários tornaram-se a principal fonte de exposição não solar  aos raios ultravioleta na Europa Ocidental. Após analisarem 11.428 casos de cancro de pele, os cientistas concluíram  que o risco de melanoma decorrente da utilização de solários é de 20%, mas  o perigo duplica quando a exposição começa antes dos 35 anos. Além disso,  o risco aumenta 1,8% por cada sessão adicional de solário por ano. 
Os autores admitem que os primeiros estudos sobre solários subestimaram  o risco porque a utilização daqueles equipamentos era relativamente recente,  mas sublinham que entre 2005 e 2011 o risco foi aumentando, pelo que estudos  futuros poderão demonstrar um risco ainda mais elevado. 
Os investigadores citam dados provenientes da Islândia, onde os dias  de sol são poucos e onde a incidência de cancro de pele aumentou fortemente  após 1990 entre as raparigas jovens e diminuiu depois de 2000, quando as  autoridades impuseram maior controlo sobre a actividade dos solários. Defendem por isso que são necessárias "acções mais duras" para reduzir  a utilização destes equipamentos, já que a indústria tem sido incapaz de  se auto-regular, tendendo, pelo contrário, a distribuir informação não comprovada  que visa enganar os consumidores. 
Advogam que a utilização de solários por menores de 18 anos deve ser  restringida e que devem ser proibidos os espaços onde se faz solário sem  supervisão, medidas implementadas em Portugal desde 2005. 


Lusa", fonte (http://sicnoticias.sapo.pt/vida/2012/07/24/utilizadores-de-solarios-tem-risco-acrescido-em20-de-apanhar-cancro-de-pele). (NOTA: transcrevi o texto para aqui, em vez de apenas dar o link por duas razões: 1) porque é mesmo para lerem :D ; 2) porque quis emendar o AO usado pela SIC, sendo que as palavras reescritas estão a negrito.)


A radiação UV bem utilizada é boa e essencial ao nosso bem-estar, mas é uma radiação e como tal a resposta do nosso organismo à estimulação por ela causada é directamente proporcional aos níveis de exposição a que este último é sujeite.
Segundo a tira de jornal que aqui coloco, “scannada” pelo yours truly, existem 10 mil novos casos de cancro de pele todos os anos em Portugal. Este dado, se virem na imagem foi reportado no Correio da Manhã em 2011 e é feito um aviso que indica que a maioria dos cancros de pele surgem da exposição episódica fora da época balnear (id est, solários). É também aconselhado o auto-diagnóstico que consiste em detectar feridas que não cicatrizam ou sinais com formas irregulares e que aumentam de tamanho. Se forem avistadas quaisquer destas situações, devem de imediato recorrer a um dermatologista. O aviso e conselhos deste artigo são feitos pelo então secretário-geral da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo, Osvaldo Correia.
Logo, tenham juízo e cuidado. Melanina e vitamina D são fixes, mas cancro não!





Passando agora a outro tipo de radiação que nada traz de positivo, a radiação nuclear. Recentemente vi um documentário, julgo que na TVI 24, intitulado Crianças do Tsunami (título original Children of the Tsunami, da BBC). É um documentário que todos devem ver. Reparte-se entre relatar uma situação de uma escola durante o tsunami, e de algumas mortes que ocorreram nessa escola devido a má decisões por parte dos professores, que (sejamos justos) como todos os restantes nunca esperaram um tsunami com as proporções deste e como tal não souberam reagir adequadamente (ver o post http://150anosportugaljapao.blogspot.pt/2012/05/mega-sismo-quando-o-infinito-encontra-o.html para mais explicações). Vê-se também a revolta dos pais que perderam os filhos e os vários processos de enfrentar essa dor pelos quais eles passam ainda hoje. E finalmente, é mostrado como toda a experiência afectou a vida e a mentalidade das crianças que sobreviveram à calamidade. Ainda é cedo para se poder determinar quaisquer efeitos físicos. Nesta última parte, não pude deixar de ficar mais uma vez espantado com a capacidade de encaixe, de adaptação, e mesmo de estoicismo das crianças. E sobretudo de aproveitarem o melhor duma situação muito má.
Por exemplo, há entre estas crianças uma grande quantidade que quer vir a trabalhar na pesquisa científica de várias áreas de forma a desenvolver formas de combater a radiação ou de a tornar mais segura. Outras desejam vir a trabalhar em algo que as permita salvar outras pessoas de futuras calamidades deste género, como elas próprias têm consciência de ter sido salvas. E o mais estonteante, as crianças sabem que não precisam de procurar respostas no sobrenatural para o que lhes acontecem, não esperam mais de deuses que não conhecem nem se perguntam “Porquê eu?”, chegando mesmo a dizer uma delas, e parafraseio: “A natureza umas vezes é boa para nós, outras vezes é má. A vida é mesmo assim e não há nada a fazer quanto a isso.” E dizem isto de uma forma realista e sem raiva. O conforto do ateu é saber que o caos é parte da natureza e que às vezes, como se diz nos filmes do Predator, “Shit happens.” Nunca é pessoal, é apenas aleatório.
Eu pensei em aqui descrever ou resumir em maior pormenor o que é relatado pelo documentário, mas prefiro que o vejam directamente, pois tem toda a qualidade da BBC e aquelas crianças são um prazer de conhecer :) (aqui entre nós, que nunguém nos ouve, encontra-se na net…). Eis um gostinho:


E assim me despeço, mais uma vez. Perdoem-me por ter estado tão ausente este mês e no anterior, mas o Sol faz-me “preguicite aguda”, if you catch my drift! ;)
Sayonara… 4 now!

Alex


Fontes: Correio da Manhã, SIC Notícias, TVI 24, Wikipedia, Super Interessante.


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Haiku - Poemas Japoneses




WE ARE ALL JAPAN, by Gary Gach

all the hands of the clocks
are pointing to Now
as I watch the black rain
silently falling all around the world

staining the hands that skinned the fish
that ate the kelp fed by four nuclear reactors

when I sleep at night you can see my dreams
they glow in the dark
dreams of being trapped in the tunnel
at the end of no light
and dreams of the saving spark

a mere two-foot span
yet the longest gap from our head
to our heart

bridged by just one teardrop
or crossed swift as an earthquake
or fresh currents

we don't need to understand the words
just say them with our ears
we are all Japan

 Olá, pessoal, este post é muito pequeno e serve apenas para vos avisar duma oportunidade. A Embaixada do Japão avisou-me via email da ocorrência do 3º concurso Japão - União Europeia de Haiku, em língua inglesa. O poema acima e a imagem vieram da página de Facebook do Kyoto Journal. Achei a imagem engraçada e inspiradora, a frase que dá título ao poema muito actual (faz lembrar a "Somos todos gregos" que teve a sua origem na crise económica e está mais verdadeira hoje que nunca, com o que aconteceu recentemente no Chipre e na Espanha), e o poema será um bom exemplo de um poema, se bem que talvez não um haiku formalmente. ( http://en.wikipedia.org/wiki/Haiku ) Prefiro deixar-vos com o link da página da wikipédia sobre este tópico do que o abordar directamente porque sinceramente não tive ainda oportunidade de o estudar de forma satisfatória, nem sou muito conhecedor de poesia em geral, mas espero que depois de concorrer a este concurso isso mude e depois poderei fazer um post mais profundo sobre a forma poética do Haiku.
Por agora, deixo-vos só com os pormenores do concurso, ao qual penso concorrer embora duvide que tenha qualquer possibilidade de vencer. Mas "vale sempre a pena, quando a alma não é pequena" como diz o meu povo! ;)

«
3º Concurso de Haiku (poesia japonesa) Japão-UE, em língua inglesa.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão e a União Europeia promovem o Terceiro Concurso de Haiku Japão-UE, em língua inglesa, subordinado ao tema ‘Dawn’. A data limite de inscrições é o dia 30 de Julho de 2012.
Este concurso está aberto a cidadãos europeus e japoneses, que residem num dos Estados membros da União Europeia ou no Japão.
Serão premiados 2 vencedores: 1 do Japão e o outro da União Europeia. Ao vencedor da União Europeia será atribuída uma viagem de ida e volta para a cidade de Matsuyama, considerada o berço do ‘haiku’ moderno, no Japão. Ao vencedor do Japão será atribuída uma viagem de ida e volta à Bélgica, a cidade natal do Presidente do Conselho Europeu, Senhor Herman Van Rompuy.
Página do Facebook:  www.facebook.com/haikucontest
Para mais informações e obtenção do formulário de candidatura, queira contactar o sector cultural desta Embaixada.
Com os melhores cumprimentos.

Maria José Martins
Sector Cultural // Embaixada do Japão
Av. da Liberdade, nº 245-6º
1269-033 Lisboa
Tel.: 213110560 // Fax: 213543975
Email: cultural@embjapao.pt
http://www.pt.emb-japan.go.jp/
  »

Este é um copy paste directo do email que recebi da Embaixada do Japão, daí estar entre aspas e em itálico. Concorram também, nada temos a perder e os prémios, pelo menos para mim, são muito interessantes! Além disso, a pesquisa que terei de fazer sobre Haikus para concorrer só de si já será um prémio. Além disso, Dawn é uma das minhas palavras preferidas na língua inglesa.
Como sempre, Alex, signing off!


segunda-feira, 4 de junho de 2012

Os Meus Versículos Satânicos - Ressurreição

Um recente post por parte do ilustre crítico de cinema britânico Mark Kermode, fez-me pensar sobre zombies.
Estive indeciso entre chamar a esta entrada “Os Meus Versículos Satânicos: Ressurreição”, ou em deixar os dois tópicos separados e optar por citar uma frase do filme Land of the Dead. Essa deixa pertence ao vilão da história, um político demagogo e ditatorial num mundo pós apocalíptico, encarnado por Dennis Hopper (aos 18 segundos):

Mas a estrutura deste post é tão parecida com a do "Os Meus Versículos Satânicos", post este que poderão encontrar de imediato simplesmente clicando com o cursor sobre a imagem da lapela do site (ver acima), que não resisti em torná-la numa adenda a esse post.
O que são afinal zombies? Mitos e lendas? Histórias de terror? Matéria para filmes passíveis de serem feitos com baixos orçamentos e pequeníssimos guiões? Metáfora social mascarada de filme de terror? Ou, como muitas vezes surge na escolha múltipla, todas as respostas anteriores?
Procuremos, como talvez diriam uns quantos de gatos fedorentos, esmiuçar o assunto.
Começo por apresentar-vos o post do Dr Kay, que me meteu a pensar nisto:

Portanto, será seguro, tendo em conta a lógica deste videoblog, assumirmos que um zombie pode ser, e é, usado como metáfora para crítica social. Mas quais as suas origens?
No cinema, são apenas mais um monstro, como o vampiro, o lobisomem, e outros que tais. Criaturas que começam por ser meros humanos, com tu ou eu, mas que ao receberem uma mordidela ficam infectados com um mal, tradicionalmente sobrenatural mas recentemente virulento e pseudo-científico, que os consome e os transforma numa criatura pérfida e/ou psicologicamente desumana, que existe apenas para saciar necessidades primais. Mas será que os zombies também existem no mundo real?
Bem, convenhamos que por enquanto ainda ninguém congeminou um T-virus e esperemos que assim se mantenha. E não há maldição que nos transforme em tal besta ou se há o seu segredo foi bem escondido. Talvez, como postula George R R Martin, a magia só exista quando existem dragões vivos. Têm visto algum?? oO
Contudo, o zombie tem, como o próprio vampiro, um fundo histórico e verdadeiro. Pois tal como é dado histórico que Vlad Tepes (pronunciado tzé-pesh e querendo dizer “empalador”), bebia o sangue dos seus inimigos, é facto histórico que zombies andaram pela Terra, não por meio duma estranha virose ou maldição capaz de nos dar uma espécie muito desagradável de morte para além da vida, mas antes por uma antiga e estranha prática exercida ao mais alto nível nos meandros daquele aglomerado de superstições e crenças a que chamamos Voodoo. Nos países em que os sacerdotes voodoo controlam as mentes das pessoas pelo medo, o castigo mais alto, mais temido, é o de te tornarem num zombie. Reparem que aquelas pessoas não têm medo dos zombies em si, têm medo é que venham a ser transformados num zombie elas próprias. Estes zombies reais nunca morrem e voltam à vida, mas isso é contudo o que os crentes no Voodoo acreditam, pois o ritual leva os sacerdotes a administrarem uma certa poção, tida como mágica, feita com algumas toxinas naturais, uma tirada do peixe balão por exemplo, que deixam o condenado num estado quasi-catatónico, aparentando a morte. Ele fica incapaz de se mexer, o ritmo cardíaco baixa consideravelmente, a respiração é mínima ou inexistente, enfim o suficiente para ao primeiro e descuidado exame parecer morto. Depois, “como manda a lei”, enterram-no enquanto nesse estado. Durante a sua “morte”, o condenado sofre privação de ar no cérebro, cujo efeito é, não querendo ofender o Egas Moniz (um dos nossos poucos prémios Nobel), em tudo parecido com o duma lobotomia. Basicamente, quando o condenado é desenterrado e os sacerdotes o reanimam, ele “ressuscita” um zombie: uma pessoa sem vontade própria… o perfeito escravo. Não pensa de forma crítica ou mesmo auto-servente, não raciocina, não sente, é influenciado por qualquer pessoa que passe por ele na rua. Não tem autonomia. Eu também temeria ser transformado num zombie se vivesse num país com essa religião. É claro que este castigo, este intolerável crime contra a humanidade, é reservado para os que ousam contrariar os desígnios dos sacerdotes do Voodoo. Os criminosos a sério, que praticam todos os crimes que não esse “crime sem vítima” que é a Blasfémia, são deixados às autoridades normais. Por comparação, os outros líderes religiosos são uns meninos, uns “copinhos de leite”.
Há a possibilidade de isto ainda existir nos dias de hoje, em sítios como o Haiti ou a Jamaica, muito embora possa ser oficial e legalmente criminalizado. A primeira vez que me deparei com esta realidade foi através dum documentário que não acabei de ver, onde um actor vai falar com os representantes dum sacerdote Voodoo e lhes encomenda um zombie. Chega-se mesmo a falar de raptar uma pessoa para a “zombificar”. O actor escolhido foi o que encarnava o Mr Giles na série “Buffy, a Caçadora de Vampiros”, e a certa altura ele vira-se para a câmara e diz mesmo que não acredita que estão mesmo a discutir aquele assunto como se mais não fosse que um mero negócio do quotidiano.
Este é o retrato do zombie histórico, do zombie original, da fonte do mito. E não, ele não é perigoso por si mesmo. Qualquer pessoa o pode mandar matar-se e ele provavelmente vai, desde que o seu cérebro retenha a capacidade para perceber o que lhe é dito.
Nos dias de hoje, a palavra pode também ser usada para definir um tipo de atitude desumana levada a cabo por humanos, crédulos nas fantasias que outros lhes “venderam”. Passo a citar e traduzir Christopher Hitchens, na introdução do seu livro “Arguably”, uma colectânea de artigos que escreveu:
“Especialmente no decurso dos últimos dez anos, a palavra «mártir» tem sido completamente degradada pela imagem lupina de Mohamed Atta: um zombie frio e sem vida – um assassino suicida – que levou com ele tantos inocentes quantos conseguiu. As organizações que encontram e treinam homens como Atta foram desde então responsabilizadas por crimes inomináveis em muitos países e sociedades, desde a Inglaterra ao Iraque, na sua tentativa de criar um sistema onde o zombie frio e sem vida fosse a norma e a cultura estivesse morta. Eles clamam que irão vencer pois amam mais a morte que a vida, e porque os amantes da vida são fracos e degenerados. Praticamente todas as palavras que escrevi desde 2001, têm sido explícita ou implicitamente dedicadas a refutar e a derrotar aquelas odiosas e niilistas proposições, e todos aqueles entre nós que as tentam explicar.” Fim de citação. Assim, o zombie é passível de ser transformado numa poderosa ferramenta do mal, pois está sempre apto a seguir as ideias de outros, sem as considerar de forma crítica ou moral.
Ao preparar-me para aqui trazer este tópico, procurei, para fazer a ligação à essência geral do N.I.N.J.A. Samurai, pela forma japonesa da palavra zombie. Descobri que é muito simplesmente Zombi, embora exista também um termo japonês que indica “um morto-vivo ou um morto reanimado” e que é Kyonshi. Na busca por esta curiosidade linguística, encontrei por acaso outra definição para zombie, desta volta sendo a palavra utilizada na gíria ou no jargão técnico da Economia. Isto para mim foi ouro sobre azul. Encontrei vários links para posts de opinião e também para um artigo de ciência económica, que parecem afirmar e contra-argumentar sobre se o Japão é um país zombie ou não. “Oh Diabo!”, pensei eu de imediato “Então mas já destruíram os 7 selos? Já soou a trombeta do Gabriel? Já rasgaram os céus as montadas aladas dos cavaleiros do apocalipse? Ter-se-ão as águas do Pacífico metamorfoseado em sangue? E os céus do país do Sol Nascente terão entrado em combustão? Será que os mortos andam animados pelo Japão, como acontece na Cuba do filme Juan of the Dead? Que pasa?” Na verdade, não é tão fantasioso mas sim bem mais real. O termo é usado para definir empresas e/ou corporações, que sobrevivem apenas através de crédito, sem o qual ruiriam. Essas empresas estão constantemente a sangrar os bancos, que por pressão política (pressões no sentido de emprestarem mais dinheiro às PME’s para poder estimular crescimento económico) e mesmo popular (a perceptibilidade de que se os bancos recusam dinheiro às empresas necessitadas a economia não avança) continuam a financiá-las com juros de empréstimos que não acompanham o risco dos créditos a que estão agregados e como tal não servem de dissuasor a esse mesmo crédito nem trazem lucros aos bancos. Esta prática é tida como tendo um efeito nefasto na economia do Japão (ou assim alega o documento), sendo que o fenómeno foi de facto primeiro detectado por académicos japoneses, num artigo científico de Hoshi. Segundo o artigo, o efeito é castrador. A economia não cresce, estagna. Vou citar e traduzir só uma pequena parte do artigo cujo link vos deixarei se quiserem pesquisar mais aprofundadamente:
“Mantendo estes devedores que não dão lucro (a que chamamos zombies) vivos, os bancos permitem-lhes distorcer a competição por toda a restante economia. As distorções dos zombies surgem em várias formas, incluindo a depressão dos preços de mercado dos seus produtos, o aumento dos salários do mercado mantendo os trabalhadores cuja produtividade nas actuais firmas declinou, e, de forma mais geral, congestionando os mercados nos quais participam. Efectivamente, a crescente obrigação financeira do governo proveniente de garantir os depósitos dos bancos que suportam os zombies serve como uma muito ineficiente política de combate ao desemprego. Assim, o normal desfecho competitivo no qual os zombies despediriam os empregados e sofreriam desvalorização das acções é evitado. Mais importante, os baixos preços e altos salários reduzem os lucros e colaterais que firmas novas e mais produtivas poderiam gerar, desencorajando dessa forma a sua entrada e investimento. Assim sendo, até bancos solventes não viram boas oportunidades de empréstimo no Japão.” Fim de Citação. [Link: http://economics.mit.edu/files/3770]
Mais alguns links sobre este assunto:
Eu não sei se concordo com o artigo citado tendo em conta que, não sendo especialista em economia, mas assumindo a premissa de que a economia japonesa estagnou, tenho que me perguntar se isso é bom ou mau, ao contrário de automaticamente presumir que é mau. O facto é que sacrificando-se maiores lucros, atingiu-se um equilíbrio (uma vez que o Japão era até recentemente e salvo erro a 4ª maior economia a nível mundial) que permite aos japoneses combater o desemprego, terem altos salários e produtos a baixos preços, o que a ser verdade implica grande poder de compra e contínua circulação do capital. Quem me dera isso em Portugal e com os mesmos resultados! Contudo, o que temos em Portugal é um BPN a sugar o Estado para proveito de ninguém e para flagelo duma população cada vez mais desempregada, cada vez com menos poder de compra e uma sociedade com cada vez menos circulação de capitais, sempre a endividar-se cada vez mais para com aqueles a que chamamos de amigos. O meu pai sempre me ensinou: “Queres perder um amigo? Pede-lhe dinheiro emprestado.” Vidé Grécia! Por isso, acho que concluo que ter zombies económicos talvez não seja assim tão mau, se assumirmos a perspectiva de criar uma economia rica para muitos, mas não centralizada no lucro de poucos. Provavelmente não poderá é durar? Ou poderá? A ver vamos… De qualquer forma, cada vez mais sabemos que vivemos num mundo finito, com recursos a serem usados demasiado depressa e sem ser ao serviço do bem da Humanidade, mas antes para dar lucros ao 1%. Pois não há famintos por todo o mundo e infelizmente até mesmo em Portugal, que se diz de primeiro mundo? O consumismo e a filosofia do lucro ser riqueza são parte do que coloca em risco o futuro da Humanidade. E se os recursos são finitos, não devemos nós usá-los de forma mais sóbria do que para alimentar e fazer crescer a "máquina fazedora de lucros"? Mais uma vez corremos o risco de nos destruirmos a nós mesmos e mais uma vez por algo que é apenas conceptual e criado por mentes humanas para ganhar poder sobre outras mentes humanas. Pensem nisso.

Temos então 4 definições actuais de zombie:
1) o cinematográfico;
2) o histórico;
3) o mártir terrorista;
4) o económico.
Mas eu aventurar-me-ia a aproveitar as definições de zombie para gerar uma metáfora para um quinto tipo de zombie: o Zombie Social.
Vastos segmentos da população mundial são de facto zombies, pessoas que vivem sob a influência dos outros, dos media, dos lobbies, incapazes de pensar por si mesmas, de sentir solidariedade pelo seu congénere. Pessoas cujo único objectivo é o consumismo e/ou a satisfação das suas próprias e necessidades básicas, que não se preocupam com o que é decidido por eles pelos seus governantes ou mesmo que outras pessoas decidam quem são os seus governantes sem que eles contribuam nessa decisão. Vivem eternamente “ao sabor do vento que prevaleça”. A sua mantra colectiva incluiu tais ditados como “Se não os podes vencer, junta-te a eles.”, “A ignorância é uma bênção.” e “Ah, sempre foi assim e sempre há-de ser!”.
São aquelas massas silenciosas que esperam ser libertadas do cativeiro duma ditadura, mas que não estão dispostas a arriscar a própria vida nessa causa, por exemplo. São pessoas inundadas de apatia social, incapazes de criar o seu próprio estilo, mortinhas (full pun intended) por ingressar num grupo que as defina ou de usar as roupas que vêem outros usar na televisão, ávidos seguidores das modas que lhes impõem. Na sua maioria optam por ser neutrais a quaisquer discussões que estejam a acontecer na sua sociedade. Exempli gratia, o caso do acordo ortográfico na nossa sociedade. Já saberão que sou contra o AO90, mas que respeito, embora discorde, com a posição contrária. Os zombies são aqueles para quem pura e simplesmente o assunto não interessa, como se nada fosse com eles. Que se estão marimbando para o facto da sua identidade cultural e daquela que os seus filhos e netos, se os tiverem, irão herdar, estar a ser decidida no presente.
O zombie social é o auge do servo ao Poder, mesmo numa sociedade que respeite os direitos básicos duma democracia. É aquele que segue de olhos fechados, desde que se possa alimentar pelo caminho. E dessa forma coloca em risco a própria estrutura de um estado democrático e laico, pela mera falta de interesse, pela mera inacção, pela falta de opinião, por nada contribuir ao nível intelectual para nação. Quantas vezes não ouvi eu já “A abstenção é enorme.” na cobertura noticiosa de eleições, antes e depois de eu ter idade para votar?
O zombie social, que está no centro dos problemas das sociedades actuais, serve de marioneta dos, ou como a desculpa usada pelos, vampiros (políticos) que usam os seus cargos em proveito próprio ao invés de servirem a nação. Ou pior ainda, quando os comentadores políticos (cujo o nível de parasitismo igualo àqueles peixes que acompanham os tubarões e subsistem a comer os micróbios e parasitas das peles dos tubarões, mas sem sequer terem essa purificadora qualidade que poderia trazer alguma redenção à sua existência) dizem que os portugueses merecem os líderes que têm pois não se interessam pelos problemas da nação. E o problema é que é verdade, há muitos que não se interessam… há muito zombie por aí. Ainda recentemente li uma entrevista do Boss AC onde este dizia, e parafraseio, “O que mais me chateia é a apatia do povo português!”. Agrada-me o pensamento, se bem que há algo que me chateia ainda mais. As pessoas que não têm solidariedade para com as outras. Concretizando, aquelas pessoas que quando vêem alguém fazer greve e essa greve não lhes diz respeito nem as afecta, ignoram-na, talvez ainda pensando “Que cambada de idiotas”. Mas que quando essa greve impede a sua vidinha quotidiana, como por exemplo não ter autocarro para ir para o trabalho (necessidade básica), a pessoa não-solidária fica toda chateadinha e não só não tem essa solidariedade social para com o grevista ou manifestante, ajudando-o a conseguir uma qualquer reivindicação ou pelo menos respeitando o direito deste último de o fazer, que ainda usa todo e qualquer argumento para dizer que essa pessoa que exerce o seu direito democrático de lutar pelos seus direitos é um crápula e um vilão. Morde então na casaca daqueles que provavelmente também lutarão por ele, quando o patrão o despedir daí a uns tempos. Zombie! No seguimento, é interessante também analisar que nos países mais evoluídos do mundo, ou pelo menos assim tidos como, os da Social Democracia Nórdica, têm 60% de trabalhadores sindicalizados e níveis de desemprego abaixo dos 7%. Não admira que lá haja menos corrupção, se os políticos lá se portarem como os nossos se portam cá, descobrem que o poder está mesmo nas ruas, pois está organizado e funciona. Por cá temos 30% de trabalhadores sindicalizados, e uma grande parte destes últimos ou dessas organizações sindicais está sempre disposta a aceder às propostas do 1% governante, abandonando o protesto e fazendo uma tímida paz social, a que cobardemente chamam tréguas para parecer que ainda não se renderam.
Por outro lado, vivo num país, igual a tantos outros, onde não se gera riqueza mas sim ricos. Onde os poderosos se ajudam uns aos outros a sugar a vida dos numerosos mais fracos. http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/combate-a-corrupcao-em-portugal-esta-abaixo-do-normal-e-ha-leis-viciadas-a-partida-1544831 Onde essa corrupção intrínseca dos mais altos níveis de governo já não é nem criticada nem combatida, excepto na retórica uber inflamada mas de todo vazia dos próprios hipócritas que a suportam e criaram, mas até é tida pelos zombies como expectável… “sempre assim foi e sempre há-de ser”, lembram-se? É esta permissividade dos zombies perante a corrupção que dá poder aos Vampiros, esta falta de energia para qualquer tipo de resistência ao que está errado. E por isso mesmo o Zombie social, como o seu primo da 7ª arte, só é problemático quando em grandes números… fossem eles uma minoria e a coisa seria diferente. Mas não, são uma horda de mortos vivos, ou uma manada (como lhes chamaram na banda desenhada homóloga que originou a série televisiva “The Walking Dead”), o que é engraçado uma vez que a própria Igreja Católica chama aos seus fiéis rebanho e aos seus sacerdotes pastores.
Não admira então que os Vampiros sejam mais audazes em terras lusas inundadas de Sol do que nas latitudes onde durante 6 meses é noite! Gaita, eles cá até oram ao Grande Arquitecto! Onde o Zombie é numeroso, o Vampiro reina supremo. Logo, podemos concluir que o zombie é o perfeito escravo do, e não um problema para o, vampiro. E que ambos são maldições sociais para os Vivos.
Mas hey, aqui este ateu permite-se a ter fé na Humanidade a que pertence. Não uma fé cega, mas baseada precisamente nesses exemplos existentes de como podemos ser melhores. Na noção de que podemos, devemos, temos de exigir mais e melhor tanto de nós mesmos como dos nossos governantes.
Sempre houve os que resistem, os que lutam, e alegra-me ver que tanto em Portugal, como no Mundo, o número desses cresce. Antes que atirem a primeira pedra, aviso já que não me refiro ao crescimento do número de ateus, mas sim ao número de cidadãos, trabalhadores e desempregados, jovens e velhos, de todos os credos e cores políticas (ou sem cor política nem credo), de ambos os sexos e das várias orientações sexuais, e de qualquer etnia, que saem às ruas para manifestar o seu desagrado, que assumem posições e as defendem em debate racional, que criticam e objectam de forma visível e audível contra o que acham estar mal, que lutam para manterem direitos que outros conquistaram para eles em tempos idos, que se organizam e usam a tecnologia e sem dúvida a solidariedade civil para gerar movimentos sociais com o objectivo de obter maior justiça social, e que o fazem pela via pacífica e democrática enquanto para isso tiverem liberdade. E, junto a estes, aqueles que vivem em lugares onde lhes são negadas tais liberdades, mas que lutam por elas arriscando até a sua própria vida. Esses, espalhados por todo o mundo, que falam nas mais diversas línguas, são todos eles o meu povo, a humanidade que não só sobrevive mas que procura viver. Pertenço aos Vivos e não aos Zombies, que já morreram por dentro só que ainda ninguém lhes disse nem eles se aperceberam. Eu pertenço àqueles que dizem “eu estou cá para servir o próximo”, mas que se questionam, não sem ironia, como questionou alguém cujo nome agora não recordo, “mas para que raio está o próximo cá?” ahahaha
Nos últimos tempos, muitos cidadãos portugueses externos a partidos políticos, começaram a organizar-se espontaneamente para procurarem influenciar activamente a política em Portugal, cansados que estão de estar entregues a sanguessugas. A Geração À Rasca entrou em movimento. Uma geração da era da tecnologia e da informação, mais bem formada academicamente que qualquer geração que a precedeu, procura agora através do protesto, de petições, de iniciativas de cidadãos, melhorar o país. Por outro lado, existe o movimento dos hacktivistas, entre os quais destaco os Anonymous Portugal, que funcionam em conjunto com os Anonymous espalhados pelo mundo e que recentemente pregaram uma partida ao site do partido do governo. O seu anonimato permite-lhes levar o seu protesto um pouco mais além, mas ainda assim fazem-no pela via pacífica e por isso merecem respeito. E nota-se que os Vampiros já começaram a tremer, porque os números dos Vivos começam a crescer e os números dos Zombies a diminuir!
Recentemente vi um vídeo no Facebook, partilhado por uma amiga minha, que tenho agora de partilhar convosco. É um manual sobre como estupidificar, quiçá zombificar, uma nação. Deixo-o aqui ao vosso critério:

Relembro-vos só uma frase do senhor Franklin, aquando da construção de um estado democrático a que hoje chamamos USA: "A republic if you can keep it!".
Numa nota pessoal, já que o site é meu e tal, ainda não há pouco tempo, um dos meus melhores amigos e eu entrámos em debate, porque ele achou que eu criticava demasiado o governo. Achava ainda que me preocupava demais com coisas que não podia controlar. “Carpe diem”, disse-me ele a certa altura “foste tu que me ensinaste isso.” Eu fingi-me de parvo e disse “Não percebo a ligação.”, procurando que ele elaborasse não querendo presumir nada. E ele disse que o que queria era que os seus estivessem bem, que queria era ver o mundo e poder divertir-se e que o resto se lixasse e, aparentemente, queria que eu pensasse da mesma forma. Eu disse-lhe simplesmente que para mim o poder criticar o que considero mal numa sociedade, o poder debater todo e qualquer assunto, por vezes até reconhecendo mérito no argumento da posição que me é contrária ou mesmo aceitando que estava errado e dar razão a essa mesma posição, não é para mim um fardo mas sim uma alegria. Reconheço que sou um privilegiado, que nunca viveu sob o jugo de uma ditadura de qualquer tipo, sendo que até me foi permitido escolher qual fé, se alguma, eu seguiria quando fosse adulto. Mas esse reconhecimento dá-me ganas de me bater pelos meus direitos, ou ajudar outros a fazer o mesmo pelos seus quando posso, ou mesmo entrar em debate nestes assuntos que, sem dúvida, não posso sozinho resolver ou mesmo influenciar e ainda bem (ninguém deve ter tamanho poder). Tudo isso faz para mim parte dessa majestosa filosofia de aproveitar o momento, de viver em pleno, de viver a vida consciente e acordado, e não passá-la a dormir esperando uma fátua recompensa no Além ou simplesmente imerso em prazeres que adormeçam os sentidos para não sentir dor ou para ignorar o sofrimento que afecta tantos dos meus congéneres.
O que eu posso fazer, faço, e sem que seja necessário que me paguem para isso. Não é altruísta, mas sim na esperança que outro, um dia que eu precise, esteja lá também por mim. Essa é a essência de uma sociedade. Voto, assino as petições que com as quais concordo, participo de protestos e manifestações que ache pertinentes e, por exemplo, escrevo este blog sem assumir que alguém me lê, mas para que quem o queira fazer, que tenha net, saiba ler português, e tenha interesse nos assuntos que trato, o possa fazer. De facto, até a Google mudar os mecanismos internos do Blospot, que agora dão estatísticas sobre quantas pessoas nos lêem e de onde surge actividade online no nosso blog pelo globo terrestre, eu não fazia a mínima ideia de que mais alguém me lia além dos meus dois seguidores. Gostei de descobrir, admito, que tenho uma modesta mas continuada audiência espalhada por todo o mundo, acreditando nas estatísticas da Google, claro. Considerando que no Facebook (meu único meio de partilhar os posts) só tenho 88 pessoas adicionadas, fiquei alegremente espantado. Mas isso não me estimula nem mais nem menos a escrever, é apenas um bónus, uma alegria.
Eu convido o debate e a que me contrariem pois só assim posso eu evoluir também. É por isso que me orgulho de dizer que os meus amigos, poucos mas bons, são pessoas que têm sempre algo a ensinar-me, que têm visões de mundo diferentes da minhas e com quem posso partilhar não só copos e noitadas, mas especialmente debates políticos, filosóficos, problemas da vida quotidiana, nunca me preocupando se eles concordam comigo ou não (pois duma forma ou doutra, sei que estão lá) e sempre aberto a verdadeiramente escutar e analisar os argumentos e raciocínios deles. Orgulho-me ainda de dizer que ao longo dos tempos, mudei as minhas ideias espero que para melhor, com base em demonstrações científicas ou lógicas que superaram as mantinha anteriormente. De facto, agora que penso nisso, as pessoas que me atraem são as diferentes de mim, as que detêm outros saberes, mas que sabem expô-los de forma racional e lógica, e que estão abertos ao debate e a aprender com esse debate.
Mas sou apenas humano e confesso que nutri alegria do facto de ter descoberto recentemente tantas pessoas contra o AO90, quando eu pensava, até à mudança no CCB, que já não havia mais ninguém que se importasse como eu me importo e que quisesse lutar. Até a mim, que procuro sempre ler nas entrelinhas, os Mass Media portugueses afectaram negativamente. Não podemos baixar a guarda com estes gajos…
Outra coisa que me trouxe alegria foi o facto de os ateus estarem a crescer em número pelo mundo, provavelmente porque durante muito tempo via amigos e colegas meus na catequese, em baptizados ou a terem Religião e Moral na escola (os meus pais perguntaram-me se eu queria ter, eu disse que não), e achava-me a mim mesmo uma Ave Rara. Felizmente há mais como eu, só que nós não sentimos a necessidade de nos agregarmos para reforçar fés que testam toda a lógica.
É humano sentir a necessidade de pertencer ou pelo menos de não estarmos sozinhos na nossa visão de mundo, mas é preciso ter a coragem e talvez o estoicismo para fazer o que achamos certo mesmo quando todo o mundo parece estar contra nós, ou que simplesmente somos os únicos a pensar dessa forma, porque sem isso perdemos a Humanidade, a individualidade, e tornamo-nos em apenas mais um Zombie numa manada desmiolada e facilmente guiada pelos interesses maquiavélicos de alguns, eternamente vagueando em busca da próxima dentada.
Antes de terminar, só duas curiosidades:
Uma outra curiosidade de zombies no Japão é a torre da mina de carvão Shime, na Prefeitura de Fukuoka. A mina já não funciona desde 1964, contudo ficou recentemente conhecida na Internet como a estrutura anti-zombies preferida dos cibernautas. O governo japonês considera o local e a estrutura um monumento, mas um mero post no site Reddit, onde se partilham imagens e comentários, no qual se elaborava sobre as qualidades de abrigo anti-zombie que o edifício tem, foi o que lhe granjeou fama online. Seria interessante gravar lá um filme de zombies. Fica a ideia.


A segunda curiosidade é a curta-metragem portuguesa “I’ll see you in my dreams”, que é até à data o único filme de zombies português. Conta com participações de São José Correia (que já foi minha vizinha :), Sofia Aparício, João Didelet e Rui Unas, entre outros, tendo sido realizada por Miguel Ángel Vivas, e escrita por este último e por Filipe Melo. Deixo-vos o trailer, creio que o DVD ainda está à venda:

Não digresso mais. Termino com a música Zombie dos The Cranberries, que é, se prestarem atenção, ainda outro uso desta palavra para criticar uma determinada atitude humana… ou desumana neste caso:

Alex, signing off, hoping for a better tomorrow, where the living can live and not only survive, and the dead don’t bother them @ all!