quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

OCdS: Espírito de Guerreiro



“Nunca negligenciar o Espírito Combativo”


É este o título da secção do Código do Samurai que abordo aqui hoje. O livro dá exemplos da sua época, uma época medieval, em que imperava a lei da espada. Fala-nos do carácter guerreiro do Japão, dizendo que até os membros das castas mais baixas (segunda a perspectiva japonesa da época) os agricultores, artesãos e comerciantes, gostavam de possuir uma espada. Indica que o samurai, mesmo e/ou especialmente em tempos de paz, nunca se deve separar das suas espadas. De facto, afirma até que o melhor dos samurais faz-se acompanhar duma espada sem gume ou de madeira até quando toma banho. Aconselha, por intermédio dum ditado, que se agimos assim em casa, devemos duplamente fazê-lo ao sair da segurança desta, pois “no caminho pode sair algum ébrio ou insensato que eventualmente ocasione um confronto inesperado”:
“Há um velho ditado: «Quando sais pela tua porta, age como se estivesse à vista um inimigo.»”
Diz por último que se o Samurai de espada à cinta mantiver presente a noção da morte sempre à espreita (algo que já abordámos em posts posteriores), então manterá o espírito combativo. Mas aquele que assim não agir/pensar, mesmo que armado, não passará dum mero agricultor ou comerciante mascarado de guerreiro.
Como é que estes conselhos se adaptam aos nossos tempos? Infelizmente, com demasiada facilidade. Hoje vivemos num mundo muito diferente do dos Samurais e contudo potencialmente tão ou mais perigoso que o deles. É óbvio que não sugiro que andemos armados, seja de espadas, seja com outras armas. Ainda não chegámos a esse ponto, pelo menos em Portugal. Contudo, com o Desemprego a subir em flecha, o desespero das pessoas a chegar ao limite, o poder de compra drasticamente diminuído, o elemento criminoso vai crescer em número e a sua actividade vai drasticamente aumentar. Já se vêem os primeiros sinais. Houve recentemente uma notícia de um assaltante armado que matou a tiro um homem, enquanto assaltava um casal. A vítima, provavelmente sem saber que o outro estava armado, tentou impedi-lo de levar a mala da esposa e acabou morto a tiro. Não satisfeito com isto, o assaltante foi imediatamente interpelar outro transeunte perto do local do assassinato e disse friamente (parafraseando): “Passa para cá a narta, que eu já matei ali um, e vê lá se não queres ser o próximo!”. Contudo, dessa vez, as coisas não lhe correram de feição. O segundo abordado sabia artes marciais e soube agir rápida e decisivamente, desarmando o bandido e colocando-o em fuga. Notificada a polícia, esta pela descrição e batendo a zona, descobriram o assassino e prenderam-no. O homem em questão era procurado no Brasil por homicídio triplo. Belo trabalho do SEF ao deixá-lo entrar no país…
O mundo continua deveras perigoso e é importante estarmos prontos, mantermos uma proverbial espada à cintura onde quer que andemos. As artes marciais em geral são perfeitas para isso, quando praticadas regularmente, com empenho e seriedade. Mais que isso, a Lei portuguesa prevê que um homem pode usar força em defesa pessoal legalmente sempre que se ache em desvantagem técnica. Isto é, se alguém armado ameaça a tua integridade física com intuito de te lesar, podes partir-lhe a boca, os braços, o que for preciso para assegurares a tua segurança. Se estiveres em desvantagem numérica e te quiserem lesar, podes se souberes como defender-te usando força bruta. Contudo, se houver uma igualdade de meios ou números, aí já é mais complicado provar autodefesa em tribunal, se de todo possível.
Hoje em dia precisamos também de pensar doutra forma. No tempo dos samurais, se te atacassem, matavas o outro ou eras morto. Hoje em dia, necessitas de te proteger e/ou aos teus, mas procurando não matar o agressor. Caso contrário, dependendo das circunstâncias, poderás ir preso. Mais que nunca, precisamos hoje em dia de saber usar a cabeça e o corpo, pois exige-se ao samurai do Século XXI, pela Lei e pelas circunstâncias, que obtenha vitória sem matar. É muito mais difícil, especialmente quando a nossa vida ou a de alguém de quem gostamos, está em perigo. A resposta eficaz, sem hesitações e decisiva que tais situações exigem pode apenas ser dada após muitas horas de treino e condicionalismo físico e mental. Armem-se!
Por outro lado, também enquanto cidadãos, hoje mais que nunca, precisamos de ser combativos. De manter o guerreiro dentro de nós vivo. Pois quando tudo se parece voltar contra nós, quando o mundo parece desabar, quando o nosso próprio Governo parece querer deitar-nos ainda mais para baixo, devemos conseguir erguer o queixo e resistir. Aí o combate não será de força física, mas sobretudo mental. As armas não serão espadas, mas canetas, emails, cartazes, manifestações, abaixo-assinados, petições, etc… Lutem pelos vossos direitos, sem esquecerem os vossos deveres! Exijam do Governo, com a mesma veemência que ele exige de vós! Ouçam o que diz um dos nossos melhores pensadores livres do século passado:




E enquanto cidadãos mundiais, há também outras guerras a lutar. Neste momento, por exemplo querem fragmentar a Internet com as SOPA’s, as PIPA’s e as ACTA’s e outros que tais. Lutem por ela, pois nos tempos que corre a Internet é a instituição mais democrática que temos. Como lutamos por ela? Os Anonymous, pensadores livres actuais, dizem-nos como:



Por isso “armem-se”, com informação, com conhecimentos, com habilidades físicas, porque hoje mais que nunca, somos forçados a lutar. Não só por um povo, não só por um país, mas também por um Mundo, pelo Futuro da nossa espécie, a que chamamos Humanidade sem ainda completamente merecermos tal título. Estejam prontos e preparados para o que der e vier. Mantenham o espírito combativo e… hasta la vitoria siempre!


Até porque, por vezes o guerreiro que se mantém positivo, que não desiste perante uma batalha que parece perdida de início obtém uma vitória. E batalha a batalha pode ser que ganhe a guerra. Este blog é contra o presente (des)Acordo Ortográfico e finalmente, graças aos esforços encabeçados por Graça Moura & Outros, às muitas pessoas que ainda não desistiram de apontar as muitas fraquezas do documento e o que este destrói na Língua Portuguesa, e a todos os que assinaram as petições a pedir a revogação do AO e um referendo sobre o mesmo, eis que surge um raio pequenino de esperança, mas ainda assim um passo numa melhor direcção:

http://www.publico.pt/Cultura/viegas-admite-aperfeicoar-regras-do-acordo-ortografico-ate-2015-1535754


Alex, signing off, deixando-vos com uma música que eu acho ser um hino ao espírito de guerreiro!
(: prestem a devida atenção ao significado da letra :)


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Casa em Izumi

O mês está quase a acabar, mas vamos acabar com estrondo aqui no N.I.N.J.A. Samurai. Amanhã, ou melhor dizendo hoje, que já é tão tarde que é cedo, vou fazer outro post para além deste. Esse outro post é o retorno duma secção há muito esquecida aqui do blog: "O Código do Samurai". Nos primórdios desta casa, costumava fazer acompanhar cada entrada de um sub-capítulo no qual discutia o "O Código do Samurai" e o interpretava à minha maneira. Claro está, que não procurava nunca substituir o livro original em si, apenas dar um modesto vislumbre de como se poderia adaptar e aplicar os princípios deste último aos dias de hoje. (Aqui entre nós que ninguém nos ouve, se este blog fosse sobre cultura Italiana, falaria sobre "O Príncipe" de Niccolò Machiavelli; se fosse sobre cultura Chinesa, falaria da "Arte da Guerra", de Sun Tzu... mas é sobre o Japão e assim abordo "O Código do Samurai" ;)
Deixei de abordar este tópico, porque tornava os meus posts enormes. Mas a partir deste mês, passarei sempre a ter uma entrada mensal só para o Código. Oss!

Contudo, por agora, deixo-vos com mais um tesouro da arquitectura nipónica moderna, um projecto intitulado:


Casa em Izumi_Ohmiya


















"O arquitecto japonês Yo Shimada, dos Arquitectos Tato, completou recentemente “Casa em Izumi_Ohmiya”. A residência e atelier foi resultado duma reconversão de um armazém existente no Japão, na cidade de Osaka. Os habitantes são um jovem casal com interesse em Bouldering (um estilo de escalada sem corda que consiste em escalar pequenos (de altura não superior a 6 metros) blocos de pedra [boulders, em inglês] mediante um circuito que é denominado “problema” e cujo final exige geralmente manobras de grande exigência física e técnica. A primeira imagem do post corrente é exemplificativa desta prática que tem rapidamente ganhado adeptos pelo Japão a fora). O interior, anteriormente oco, foi preenchido com paredes e coberto com mecanismos que permitem praticar o hobby dentro da casa. A aparência externa da estrutura foi alterada com placas de aço galvanizado e de interior ondulado (corrugated plates), que dão mais resistência estrutural, e também geram uma protecção por isolamento, entre a parede original e a nova fachada, contra calor e água.
Um sistema de aquecimento de chão foi colocado sobre o cimento, para maximizar o condicionamento do ar interior dentro do espaçoso volume interno, absorvendo luz solar através das grandes janelas viradas a sul. Esse calor é então armazenado e libertado durante o dia. Os separadores velhos usados para isolar o edifício do contexto urbano circundante foram removidos e substituídos por um pátio exterior, fechado por uma cerca feita de placas, com o mesmo principio das de aço mencionadas acima, mas translúcidas. As zonas ao nível do chão, reservadas para sala de estar e de jantar oferecem uma bela vista da rua."
(O texto acima é uma tradução quasi-directa do texto no site que serviu de fonte a este post:
http://www.designboom.com/weblog/cat/9/view/19430/tato-architectsyo-shimada-house-in-izumi-ohimiya.html#.T0mLRIT1PKY.facebook )























(Nota: todas as fotos e imagens, excepto a primeira, são propriedade intelectual dos Arquitectos Tato. Copyright Satoshi Shigeta. Todas, incluindo a primeira, são aqui partilhadas em boa fé e apenas para veícular cultura e informação.)


Despeço-me desta volta com um mero "Até loguito", porque ainda espero fazer outro post antes do dia terminar...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Desacordo Ortográfico e Democracia





Este post parecerá aqui fora de sítio, uma vez que este blog nunca pretendeu ser um fórum político, nem nada que se lhe parecesse. Mas para tempos excepcionais impõem-se medidas excepcionais, e disso decorre o seguinte. Até porque, no primeiro post que fiz, a que chamei Prólogo, expliquei que parte do nome deste blog servia para declarar que este está ao serviço de um povo, tanto quanto pode estar. Procuro apenas manter-me fiel a essa convicção primária. Este post será longo, mesmo quando comparado com os meus posts habituais que já são de si longos, por isso deixo um índice dos seus conteúdos no início:

- Desacordo Ortográfico Descodificado;
- Lobbies e o risco para a Democracia;


DESACORDO ORTOGRÁFICO DESCODIFICADO

Quem me conhece sabe que sou absolutamente CONTRA o chamado Acordo Ortográfico. Alguns desses sabem alguns dos argumentos nos quais baseio a minha posição. Hoje aqui registo todos eles, pecando apenas por não o ter feito há mais tempo.

1) Começo pela simples razão de que não faz sentido nenhum um qualquer acordo deste género sem que houvesse um consenso entre todos os países da CPLP. Tal não acontece, como eu recentemente soube, porque pelo menos Moçambique e Angola não assinaram. Se o objectivo é ter um Português único, tal não é atingido por este português que só afasta mais os países, criando blocos políticos (os a favor do AO e os contra o AO).
2) O facto de, na génese deste acordo, não terem sido consultados peritos qualificados, como filólogos ou linguistas creditados e experientes (de todos os países envolvidos), como seria de esperar numa criação conceptual oriunda do século XX, século no qual o saber técnico-científico nos levou (enquanto espécie) à Lua, a conhecer melhor épocas do mundo em que não existiam homens, e nos permitiu ganhar mais ou menos 30 anos em esperança média de vida. Mas insistimos em criar coisas e colocá-las em prática sem ouvirmos quem realmente estudou o problema em questão. (Porque é que tal acontece? Responderei mais abaixo) Já agora, a esmagadora maioria dos pareceres científicos que se pronunciaram sobre este assunto são contra este acordo, dos restantes, 2 pareceres foram favoráveis (e isto não quer dizer que apoiem a 100%) e o resto remeteu-se a um silêncio cobarde ou simplesmente não foram consultados.
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=967360
3) O Inglês, assim como o Francês e o Castelhano (vulgo Espanhol), são línguas que como o Português, vieram (maioritariamente) do Latim e, pela expansão que portugueses começaram no século XV, são hoje faladas e escritas em vários países e continentes diferentes. Eles nunca fizeram acordos ortográficos que suprimissem ramos da árvore genealógica da sua língua em prole de unificar a escrita da mesma. Assim sendo, essas línguas, como até agora acontecia com a nossa, enriquecem-se a várias frentes. São as diferenças evolutivas produzidas pelas diferentes culturas que falam uma mesma língua que permitem que essa língua cresça e se torne cada vez mais bela e completa. Um acordo ortográfico cessa esse tipo de evolução, castrando-o politicamente. Faz-me lembrar a Novilíngua, do livro de ficção científica 1984, de George Orwell, livro do qual surgiu o conceito do Big Brother. Nessa civilização futuresca, que ainda não chegou a existir, os órgãos de repressão inventaram a Novilíngua, que era a máxima simplificação da língua (exemplo, na novilíngua não há “mau”, há apenas vários graus de “bom”: menos bom, bom, muito bom! Também não há “excelente”, ou “formidável”, apenas muitos graus de bom…). Esta super simplificação servia apenas para fazer com que as pessoas sentissem cada vez menos ao lerem. Com menos adjectivos torna-se uma língua mais enfadonha e menos capaz de traduzir emoções e sentimentos, sendo que essa tradução é o objectivo máximo do escritor. Claro que a presente situação não é nem de perto nem de longe tão má, mas quando chegarem à segunda parte deste post verão que pode ser um passo nesse sentido. A cultura nunca pode ser feita por decreto político em democracia… afinal isso era o que fazia o Estado Novo.
4) A pretensão dos que são a favor deste acordo dizerem que é uma evolução e que as línguas precisam de evoluir. Eu acho que nos (mais ou menos) 500 anos entre o achar do Brasil e agora, a língua portuguesa não parou de evoluir e contudo ainda nunca houve acordo ortográfico para potenciar tal evolução. Pista essa talvez de que a evolução de uma língua não precisa e quiçá nem beneficie dum acordo ortográfico. Sabemos hoje que a Evolução animal beneficia muito da biodiversidade. Será um passo tão grande pensarmos o mesmo para a evolução de qualquer língua? Não será melhor termos 5 versões duma língua, que como um todo são essa língua, do que termos uma só que não olha às várias e distintas culturas que a falam? Eu acho que fará mais sentido uma diversidade evolutiva dentro de uma língua, que uma mera homogeneização da mesma. É claro que os que estão a favor do AO dizem “Ah, mas a única mudança é ortográfica, todos continuamos a falar da mesma forma que sempre falámos!”. Essa defesa chateia-me solenemente de tão falsa que é, porque eu sempre disse EgiPto, desde criança, porque quem lá vive são EgíPcios. Mas hoje em dia deixo de poder ter um P(para alguns mudo, mas não para mim) no Egipto quando escrevo. Ou seja não escrevo o que falo. E tanto quanto percebo olhando para outras línguas, olhando para a História do Homem, a parte escrita do todo que é a Língua deve espelhar os sons dessa língua quando falada, senão não tem sentido. Como disse uma personagem de António Banderas no “The 13th Warrior”:
- Draw sounds? Yes, I can draw sounds… and I can speak them back!
Mas agora com este acordo ortográfico eu já não posso desenhar os sons que digo. Até porque a maioria letrada de nós sabe que os p’s e c’s, que foram agora ostracizados coitadinhos!, em Portugal tinham o distinto papel de abrir a vogal. É normal que os brasileiros deles abdicassem porque eles tendem a fechar as vogais. Logo, tanto de um lado como do outro do Atlântico, por muitos defeitos que a Língua tivesse (e tinha bastantes), nós escrevíamos como falávamos (ou o mais próximo disso) e todos sempre nos entendemos e nos demos bem. Logo não houve evolução, mas usaram esse termo para pessoas que pouco sabem sobre Evolução de um ponto de vista científico (que é a maioria), se amedrontasse de os contrariar. (Quem são eles? Já explico.)
5) Todos os erros que a escrita da nossa língua tinha, como palavras que não estavam claramente acentuadas, como palavras homógrafas que dificultam a leitura, este AO, que se diz campeão da simplificação (e já sabemos o que o Orwell pensa sobre a simplificação), não resolveu. De facto, criou outros, mais do mesmo, como o: “para” e “pára”, que segundo a nova “regra” são indistintos. Mais uma vez, não houve evolução, nada se ganhou em termos práticos. Já no exemplo que os protectores deste malfadado acordo (político de base) tanto gostam de usar para justificar a decorrente actual mudança, o antigo Ph que foi substituído pelo F, houve efectivamente uma melhoria, sendo que havia uma letra que fazia o trabalho de duas. Houve, em termos práticos, uma simplificação que não criava mais erros internos na língua nem castrava certas pronúncias locais das palavras. Contudo, até esse caso teve um senão, que foi o de nos afastar de outras línguas latinas assim como dessa ancestral raiz. É que não devemos cair no erro de confundir evolução com modernices ou novidades. Só por algo ser novo, não quer dizer que seja melhor que o velho, nem que traga nada de suficientemente positivo, que faça merecer a pena uma substituição. Dou três exemplos: os ecrãs plasma que acabaram por ceder face aos LCD’s, os mini-disk que nunca conquistaram terreno ao vulgar CD, ou esta nova vaga de 3D (sim nova, já se tenta fazer 3D desde os irmãos Lumiére) que até tem a sua piada, mas considerando a perda de 30% de cor, o obrigar a usar óculos, e as enxaquecas que dão no fim, é apenas mais uma modernice que será rejeitada porque simplesmente coisas pontiagudas a sair do ecrã não compensam tanto malefício.
6) No ponto anterior, escrevi regra entre aspas, porque este acordo de tão político e tão pouco cultural ou científico que é, procurando agradar a gregos e não hostilizar troianos, é mais excepções que regras. Reparem a inteligência (ou falta dela) política em criar um acordo que procura homogeneizar a escrita portuguesa, mas continua a ter esporte e desporto, fato e facto, etc... mas teve de destruir o Egipto, por exemplo. E venham-me dizer que não é totalmente arbitrário… Um à parte, e voltando aqui à vaca fria da suposta evolução, se olharmos para a língua inglesa, especialmente o ramo norte-americano, percebemos logo onde os brasileiros vão buscar as suas mais recentes palavras... esporte é uma corruptela directa da palavra sport. "Tchimie" (não sei qual a grafia brasileira correcta) é uma corruptela directa da palavra inglesa team. E contudo muitos clamam e reclamam que o português brasileiro é o mais evoluído, as mesmas pessoas que usam o fim do Ph na língua portuguesa como um dos pilares justificativos para essa alegada evolução trazida pelo seu adorado AO, e contudo esquecem-se ou preferem não ver, que o tão evoluído português brasileiro bebe de uma língua que ainda escreve photography! Não é um argumento, apenas uma piada cartoonesca!
7) Mas este, com o número da sorte por trás, é o argumento que mais me faz detestar este Acordo Ortográfico. Esqueçamos as falsas presunções evolutivas, a falta de coerência ou contributo científico na sua concepção, o que mais me irrita é o facto de ser feito sem a vontade da maioria do povo lusófono. O povo brasileiro não o desejou, a maioria do povo português não é a favor, e numa época em que pensamos ter liberdade de escrita, que nos querem convencer que o poder está nas ruas, tudo isto se fez sem considerar aquilo que é supremo na democracia: a vontade das maiorias. E porque é que foi feito? Porque interessava a uma pequena mas altamente organizada minoria de bolsos fundos e com os contactos certos nos governos de então. A estas minorias de fórum político-económico chama-se lobbies. O lobby em questão foi o das editoras brasileiras. Este é um lobby muito poderoso, organizado ao estilo norte-americano e este último argumento é a ponte perfeita para mudarmos de capítulo:


LOBBIES E A DEMOCRACIA EM RISCO

Nos Estados Unidos da América (EUA), a Meca dos Lobbies políticos, há hoje em dia um consenso geral entre a maioria do povo de que uma lei de Controlo de Armas era benéfica para o país. Contudo, o poderoso lobby das armas, ou melhor da indústria das armas, uma das maiores indústrias norte-americanas, detém vasto e enraizado poder no senado americano, conseguindo assim manter a actual situação de desregularização das armas, podendo o comum norte-americano ter uma RPG ou uma M16 debaixo da sua cama, ou mesmo bunkers cheios delas, ou ir à caça com armas feitas para guerra como metralhadoras mais pesadas, ou matar o vizinho case este decida entrar na área do seu jardim sem ser convidado. Os lobbies são a coisa mais claramente anti-democrática que existe, pois existem meramente para fazer governos, independentemente das suas ideias políticas, manterem o status quo elevado das respectivas indústrias que defendem e pelas quais são financiadas. Os lobbies trabalham nos bastidores do poder e a sua principal arma, ainda que cuidadosamente usada para não ser passível de ser provada em tribunal, é a corrupção.
Estas organizações começaram nos EUA, mas era de esperar que mais cedo ou mais tarde se espalhassem para outros países ditos livres (mas que por a acção velada destes grupos têm uma liberdade muito estreita). Ora, é algo natural que o Brasil seja dos primeiros contagiados, uma vez que seguem cada vez mais o modelo dos EUA, uma vez que são também uma federação de estados, de emergente poder capitalista. Nada tem a ver com o povo brasileiro em si, pois tal como o povo norte-americano, são meras vítimas da acção organizada e velada dos lobbies.
Eu aprendi a falar inglês a ver filmes norte-americanos vezes sem conta em criança. Quando cheguei ao ciclo (5º ano de escolaridade em Portugal) a minha primeira professora de inglês, contam-me os meus pais, não acreditava que eu não tivesse andado de antemão num instituto pois “sabe demasiado inglês para não ter andado lá”. A verdade é que não andei. A verdade é que aprendi a falar a língua porque era calão demais para ter de estar a ler legendas que, por uma leve dislexia de que sofro derivado ao facto de pela educação me terem transformado de esquerdino em destro, raramente à época conseguia ler a frase toda antes que ela desaparecesse do ecrã. Caso para dizer, a preguiça também gera coisas boas. Mas como efeito secundário, primariamente através de filmes e séries, e depois de telejornais e programas mais variados com o advento da Tv-cabo, cresci dentro da cultura norte-americana, quase tanto como da portuguesa. E uma coisa que aprendi, como cidadão interessado por política que sou, foi a detectar lobbies. Eis como se faz. Regra de ouro, não há coincidências. Vejamos então os acontecimentos mais recentes do AO:

- Graça Moura, aproveitando a sua nomeação para director do CCB, fez rolar a primeira pedra da ressurreição do movimento popular (isto é, do povo), removendo do CCB qualquer ferramenta ou resquício da nova ortografia portuguesa luso-brasileira (uma vez que não nos devemos esquecer que há países da CPLP que não assinaram o AO);
http://www.publico.pt/Cultura/graca-moura-da-ordem-aos-servicos-do-ccb-para-nao-aplicarem-o-acordo-ortografico-1532066
- o supramencionado movimento popular nada organizado, mas de diversas frentes, começa a dar vários cabeçalhos a jornais, como petições e abaixo-assinados com centenas de milhares de assinaturas, como universidades de letras que não tinham opinião formada sobre o AO, um jurista que tem em tribunal um processo em que acusa o AO de ser anti-constitucional, etc;
http://www.publico.pt/Cultura/movimento-de-oposicao-ao-acordo-ortografico-cresce-em-varias-frentes-1533714
- um jornal angolano manifestou-se contra o AO, dizendo que futuras relações entre Portugal e esse país podias estar em risco derivado à conivência dos governos portugueses e brasileiros neste ataque à língua mãe no seu todo;
http://www.publico.pt/Cultura/jornal-de-angola-rejeita-acordo-ortografico--1533026
- um cidadão português, único subscritor de uma petição com número mais que suficiente de assinaturas, conseguiu finalmente audiência com comissão parlamentar e/ou governamental afim de defender a realização dum referendo ao Acordo Ortográfico;
http://www.publico.pt/Cultura/um-cidadao-exige-o-referendo-1533716
- mais recentemente, silêncio...

... até há uns dias atrás. “The Empire Strikes Back” A TVI, até então o último canal aberto de TV em Portugal que ainda não tinha deixado a ortografia lusitana, sem nada dizer directamente, perguntou ao professor Marcelo Rebelo de Sousa (e na TVI o que o Marcelo diz, Deus prefaz no Céu e na Terra) se achava que se devia fazer um referendo ao acordo ortográfico e o prof M diz que, embora todos reconheçamos que o AO foi mal concebido e feito à revelia democrática do grosso dos povos cujos governos o assinaram, não devemos fazer o referendo porque estamos em crise e porque o governo anterior comprometeu Portugal ao AO. Ora bem, isto é próprio de uma pessoa que ou está demente ou está comprado por certos interesses. Quem no seu perfeito juízo diz que uma coisa está mal feita, cheia de erros e é anti-democrática, mas porque os anteriores (já não actuais) gestores políticos nos impuseram isso, devemos todos fazer valer esse compromisso por mais ruinoso que seja? Apenas alguém que tem algo a ganhar com isso ou está louco. E certo e sabido, Marcelo na Terra, Deus na TVI, os programas da TVI passaram de Directo a Direto da noite para o dia, em data de seu aniversário, justificados não numa nota editorial, mas pela sapiência imensa do Prof M, que “fala, fala, fala, mas não” faz ou diz nada em concreto que resolva qualquer dos problemas do nosso país. Disse ainda o ilustre falador que acha muito bem que se debata o assunto do AO, desde que nada se faça para o corrigir! Ainda bem que lhe pagam milhares, como acontece no caso das Rating Agencies que dizem que Portugal é lixo. Vocês acreditam nelas? Eu não. Nem nele.
Na quinta-feira passada, comprei o Público, que tem sido o resistente no meio de todos os jornais nacionais que perpetuaram ou logo se dispuseram a perpetuar este erro crasso na nossa língua. Li com assombro o editorial, que falava de novos grafismos no dia de aniversário. Li também, a contra gosto, alguns artigos que no final diziam “Este artigo vem escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico por expresso desejo do autor”, parafraseando. Quase que adivinho (espero eu erradamente) que o Lobby já chegou ao Público e que a celebração desse aniversário em Março deste ano, será a rendição do Público, adoptando o malfadado acordo. Se tal acontecer, considerando o aproveitamento igual de um aniversário da entidade para mudar de política editorial tentando não perder face, e sendo que as entidades supracitadas têm distintos donos, é lógico reconhecer um padrão de acção único para terminar a resistência com os que por último resistiam à mudança. Isso revela-nos um lobby. Espero mesmo estar enganado e que a mudança de grafismo não traga uma mudança de grafia. Assim, pelo menos terei um jornal que me dê prazer a ler.
Mas a “prova” consumada é que, na assembleia da república portuguesa, onde raramente alguém se entende, os 5 partidos que devem representar a esmagadora maioria votante portuguesa, por milagre achou em uníssono que este Aborto Ortográfico era uma brilhante ideia, falhando em representar a maioria da sua sociedade, que dele discorda, bem como os pareceres técnicos que ignorou! E mais, os partidos ousaram fazê-lo, sendo esta uma questão cultural e não política, sem se preocuparem em saber a opinião do povo, o principal criador e agente evolutivo último da cultura nacional, pelo modo mais democrático: o referendo nacional. Eu, que nunca elegi nenhum governo e sempre votei desde que tenho idade para isso, esperei que pelo menos os mais afastados do centro que é o PS(D) (vulgo Centrão), como o PCP e o CDS, respectivamente auto-nomeados protectores máximos da democracia constitucional e da cultura tradicional portuguesa, se manifestassem contra, mas nem esses. Mais uma pista de que um lobby poderoso agiu. A vontade da maioria, reforçada pelo saber técnico, ignorada pelos representantes políticos dessa vontade alegadamente soberana.
Talvez nos casos destes últimos partidos que mencionei acima, o lobby tê-los-á amedrontado com a possibilidade de poderem ver os seus eleitorados a achá-los xenófobos se não assinassem, ou mesmo retrógrados se não dissessem sim à novidade. Sim, medo. Medo foi o maior motivador e a maior razão para o AO. O medo que nos quiseram impor de que como os brasileiros são mais que nós e escrevem mais na net, o nosso português ia ser um mero dialecto no futuro, pois somos meros 10 milhões. Ora bolas, quando é que agir pelo medo surtiu algum efeito bom? Não temos de temer a cultura brasileira, nem a sua ortografia, temos de abraçá-la como cultura de nós descendente e orgulharmo-nos pelos avanços que têm feito por eles. Não temê-los, abraçá-los como parte que são da nossa história e cultura, como nós da deles, independentemente das nossas agora distintas culturas. A diversidade é boa, ou a natureza não teria feito tantas espécies diferentes de tronco comum.
Mas, hey, o país entretanto mudou de governo. Mudou de governo partindo do pressuposto de que o governo anterior levou o país perigosamente perto duma bancarrota, portanto para maus caminhos. Queríamos um novo rumo e um governo que emendasse e corrigisse os erros feitos pelos que vieram antes. Porque não então, professor Marcelo, corrigir este erro, que como o senhor disse, todos sabemos dos seus principais defeitos? Ele respondeu. Disse o ilustre senhor que são meras 4% das palavras portuguesas afectadas e que ficaria mal para Portugal mais uma vez não cumprir o AO (sim, porque isto não é de agora, o lobby teve tempo para se organizar, pois já antes foi 2 vezes derrotado). Mas dito assim até podem pensar que ele até tem razão... afinal o que é 4%, né? É DEMASIADO e eu explico porquê! Quando nos tiram mais 4% do nosso salário líquido, não gostamos. É demasiado. Quando nos aumentam mais 4% nos impostos dos produtos que comemos, que vestimos, dos combustíveis e das energias, até andamos de lado! É demasiado. E não temos, acreditem, maior riqueza que é o nosso património cultural conjunto de toda a CPLP que é por este AO tornado 4% menor apenas para servir interesses económicos ao invés dos desejos da maioria democrática. E nós sempre fomos pequenos e sempre vingámos cá em Portugal. Não temos de ter medo de ser pequenos, desde que a nossa alma nacional continue grande! Outrora conquistámos o mundo, hoje temos dos melhores cientistas e engenheiros no mundo, artistas então estão rapidamente a conquistar o seu lugar nos holofotes internacionais. O nosso problema não é sermos poucos, mas sim termos agentes políticos, comentadores políticos e um grosso dos média, que em bom português, só podem ser adjectivados de merdosos e “sem tomates”, ou cojones como diriam, por supuesto, nuestros hermanos. Se somos bons em algo, é em cultura e ciência, não em política. Não se limitem então a encolher os ombros aos 4%, ou no mínimo dos mínimos, exijam o referendo e que ganhe a maioria. Pois esses 4% de palavras afectadas, são apenas um símbolo, um aviso para dias futuros, de que a democracia, de que a ideia de que o futuro é escolhido por maiorias nos povos, é facilmente manobrável nos seus bastidores por agentes sem rosto ou nome, mas de bolsos fundos e contactos certeiramente posicionados em todas as bancadas políticas. O AO não só é uma afronta à língua portuguesa e ao seu futuro, mas também um ataque à democracia em si! Além de que, já por duas vezes a nossa nação assinou o dito acordo e não cumpriu... o mundo não desabou por causa disso. Não deixámos de ser amigos com o Brasil. Nenhum mal virá de dizermos NÃO uma vez mais, professor Marcelo. A História, ainda mais a História Recente, assim o comprova.
Esta é uma verdadeira batalha pela alma não só deste país, mas também pela alma do Brasil. A única maneira de os ajudarmos a eles, é ajudando-nos a nós e fazer a democracia valer mais que o cifrão! E quando eu digo alma, falo da cultura que se faz (ou fazia) nas ruas pelo povo (sem decreto político por trás), assim como o mero acto democrático no qual hoje (supostamente) baseamos o nosso modo de vida, ao qual chamamos liberdade. Eu não me importo de perder votações, meus amigos, é aquilo a que mais habituado estou, pois sempre votei e nunca elegi nenhum governo. Mas não abdico do meu direito de voto. E no dia em que nós o fizermos, porque “são apenas 4%” (já agora, olhem para os vossos teclados. Já repararam que o 4, de 4%, está exactamente na mesma tecla que o $, símbolo mais conhecido para dinheiro?:), a democracia está finalmente e insidiosamente transformada numa ilusão de liberdade, num mecanismo de controlo à la Matrix, para um punhado de poderosos dominarem as massas.
Acordem, Samurais lusófonos actuais, a vossa cultura precisa das vossas canetas, as espadas desta nova era! Somos os únicos de permeio entre os verdadeiros “ninjas” de hoje e o seu pérfido objectivo! Esses “ninjas”, mercenários altamente especializados que agem furtivamente para fazer valer o desejo de quem mais alto lhes paga, têm apenas como verdadeiros oponentes os N.I.N.J.A.’s (No Incomes, No Jobs or Accepts) como eu, talvez como vocês, mas não se não lutarmos. Vão vocês continuar a ser peões num jogo de xadrez de grandes lordes, ou ovelhas a serem conduzidas pelos pastores, ou vão finalmente lutar por um mundo melhor?
A nossa única vantagem é sermos mais, mas é preciso que não sejam só uns poucos a falar abertamente. Juntem-se a nós, que não estamos organizados, mas sim desconexos, que não lutamos escondidos mas em campo aberto, que não procuramos moldar a opinião pública mas sim apelar a que esta se mova em seu próprio proveito! Nós que lutamos pelos 4%, pelos coitados mudos dos p’s e c’s que abrem vogais, pelo trema ¨ que existia no Brasil até ao AO, e os acentos circunflexos, o vulgo chapéuzinho chinês, que existia em ambas as margens do Atlântico e agora fica em vias de extinção. E através de tudo isso, pela democracia.
Não se importam que a batalha possa já estar perdida, o samurai (aquele que serve algo maior que a si mesmo) luta por honra e porque no seu âmago sabe que o deve fazer. Para um samurai do século XVIII era a vida que estava sempre no fio da espada, nós arriscamos apenas a possibilidade de viver em verdadeira liberdade democrática na ponta da nossa caneta ou dedos. Coisa pouca? Não se a perdermos novamente. De qualquer forma, é preciso mais coragem para agir, do que para simplesmente encolher os ombros e deixar-se levar pela maré dominante. Se temos de perder, que percamos a lutar e não a encolhermo-nos! No filme, “The Last Samurai”, o último samurai diz “A via dos samurai já não é necessária” para o mundo moderno, e o Tom Cruise responde com perguntas:
- Necessary? What could be more necessary?
Despeço-me por ora, com um Bem Haja, dirigido a todos os que lerem isto, quer concordem comigo quer não, gozando-me dos H’s mudos que ainda não se lembraram de nos tirar, antes que venha o próximo AO e os descrimine também, pois coitadinhos são mudos e não podem falar por si mesmos!
bem Hajam,

Alexandre Fanha, confesso e actual N.I.N.J.A. integrante da geração À Rasca, assinante nº 127853 da petição cujo link vos deixo abaixo, signing off 4 now...

http://www.ipetitions.com/petition/manifestolinguaportuguesa/?utm_medium=email&utm_source=system&utm_campaign=Send%2Bto%2BFriend




Versão PDF deste post para quem quiser imprimir (cumprimentos do blog X-Number de um amigo meu):
http://www.x-number.com/blog/wp-content/uploads/2012/02/Desacordo-Ortográfico-e-Democracia.pdf

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Más Notícias de 2011

"Hoje, o Japão ouviu uma notícia que já não ouvia desde 1980. A sua economia, que se tornou a segunda maior do mundo graças à sua vocação exportadora, voltou a saber o que é um défice. A balança comercial foi negativa em 2,49 biliões de ienes (cerca de 22,5 mil milhões de euros), naquele que é o primeiro défice comercial do país desde 1980, ano em que a economia foi atingida pelo choque petrolífero. Mesmo durante a crise financeira de 2008-2009, que levou a uma quebra generalizada do comércio mundial, o Japão tinha conseguido aguentar-se com um saldo positivo.

A contribuir para este desempenho está o abrandamento da economia internacional e a instabilidade nos mercados financeiros ocidentais, mas também as consequências do terramoto e do tsunami que, em Março do ano passado, abalaram o país.

As importações aumentaram 12% em 2011, devido à subida das compras de combustíveis decorrentes da quebra de produção de energia própria, na sequência do terramoto que danificou várias centrais nucleares. Neste momento, apenas 4 das 54 centrais existentes no país estão a funcionar.

As exportações, por sua vez, caíram 2,7% na sequência do terramoto e do tsunami, que paralisaram várias fábricas no país. A contribuir para a quebra das vendas ao exterior está também a conjuntura internacional, que está a diminuir a procura pelos produtos e serviços japoneses, e a crescente valorização do iene.

A turbulência nos mercados financeiros e, sobretudo, a crise da dívida europeia tem feito os investidores refugiaram-se em activos mais seguros, como a moeda japonesa, que está em máximos históricos face ao euro. Isto tem prejudicado os ganhos das empresas exportadoras, que são o pilar da economia japonesa.

Com a economia mundial a dar sinais de que irá abrandar ainda mais, o Japão corre o risco de ver o seu défice comercial agravar-se, deixando o país dependente da balança de pagamentos, ou sejam do financiamento externo, para financiar a sua gigantesca dívida pública – que deverá atingir os 238% do PIB este ano, embora seja detida maioritariamente por investidores nacionais.

Os últimos anos já tinham sido de desaceleração para a economia japonesa, mas o terramoto e o tsunami de Março de 2011 vieram perturbar ainda mais o desempenho do Japão, que perde recentemente o título de segunda maior potência mundial para a China. O FMI, que divulgou ontem as suas novas previsões económicas, prevê que o PIB japonês cresça 1,7% este ano, depois de uma contracção de 0,9% em 2011."

FONTE: Jornal "Público"

Custa-me ver um dos poucos países orientais senão o único que se pode dizer verdadeiramente de primeiro Mundo, a começar a ressentir-se nas contas. Mas tal seria de esperar, devido à economia global. De certo que darão a volta por cima, pois são um país de exportações e de indústrias criadoras. Se eles não derem volta à sua situação, quem dará??






Alex, signing off...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Eventos JAPAO - Bolsas de Estudo para Estudos Japoneses 2012‏

Recebi este email e achei importante partilhar! Para os que concorrerem muito boa sorte! ;D


"A Embaixada do Japão tem o prazer de divulgar o seguinte programa de Bolsas de Estudo do Governo do Japão para Estudos Japoneses no ano de 2012:

O Ministério da Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia do Japão (MEXT) concede bolsas de estudo para estudos académicos no Japão a estudantes portugueses que queiram aprofundar os seus conhecimentos em língua Japonesa, assuntos do Japão e cultura Japonesa. Estas bolsas têm o objectivo de promover a mútua compreensão e aprofundar as relações de amizade entre o Japão e os outros países pela utilização de avançados conhecimentos da língua e cultura Japonesas.

O regulamento e os respectivos formulários de candidatura encontram-se disponíveis em http://www.pt.emb-japan.go.jp/estudarnojapao.html#bolsas

Candidaturas até ao dia 8 de Março de 2012, impreterivelmente (data de recepção na Embaixada – não serão aceites candidaturas recebidas depois desta data).

Para mais informações e esclarecimento de qualquer dúvida queiram utilizar o endereço de email (cultural@embjapao.pt) ou então dirigir-se directamente ao Sector Cultural da Embaixada do Japão em Portugal (Av. da Liberdade, n.º 245 / 6º andar - 1269-033 LISBOA / Tel: 21 311 05 60 / Fax: 21 354 39 75 )."



Alex, signing off 4 now...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Takarajima = "Ilha do Tesouro"








Por alturas do Natal, eu fico sempre nostálgico e reencontro todos os anos a criança que há dentro de mim. É bom fazê-lo porque foi até hoje o melhor tempo da minha vida e memórias tão felizes têm força suficiente para nos escudar contra o cinismo que parece inerente ao ficarmos adultos. Daí os jovens serem mais idealistas e os adultos desdenharem os que acreditam em ideais. Não todos felizmente, apenas aqueles que foram derrotados ou envenenados pelas vicissitudes da Vida e que deixaram morrer a criança que outrora morou dentro deles.
Foi a melhor época da minha vida porque não tinha preocupações nenhumas e os meus pais viviam bem na altura em termos monetários, permitindo-me comprar brinquedos quase todas as semanas! Além disso, ainda tinha os meus 4 avós comigo e era o puto da família, sendo apaparicado por todos! Costuma-se dizer "Para criar uma criança é preciso toda a aldeia!". Bem, eu tive a aldeia e isso já ninguém me tira!
Aos sábados de manhã deleitava-me com desenhos animados épicos e heróicos como hoje já não há, nem no oriente nem no ocidente (e já explico esta afirmação). Às escondidas, via filmes, que o meu pai gravava no velho formato VHS, que não devia ver (Exemplos: Terminator I & II, Predator I & II, Robocop, The Fly, Evil Dead, Cyborg, Rambo) e também via outros que eram próprios para a minha idade (Exemplos: Karate Kid I & II, TMNT I & II, Caça Fanntasmas I & II, Army of Darkness, etc...). Pelo meio, via filmes de acção habituais do Van Dame, do Chuck Norris, do Jacky Chan, do Governator, do Bruce Willis e do grande Bruce Lee. Assim como também via séries como Os Imortais, O Justiceiro, Esquadrão Classe A e o grande McGyver! Por ver estes filmes e séries tantas e tantas vezes, acabei por aprender a falar inglês sozinho e quase como se fosse também uma primeira língua. Tudo começou porque eu tenho uma leve dislexia e quando era puto odiava ter de ler legendas. Como as pessoas da minhas geração saberão, em Portugal, os filmes não eram dobrados mas sim munidos de legendas. Então acabei por ir aprendendo. Por ouvir os meus primos dizerem Man uns para os outros e mesmo para mim (percebendo ser uma cena fixe), perguntei ao meu Pai o que Man queria dizer. "Homem", disse-me ele rindo-se. E eu disso "Homem?! Só isso?? Que tem isso de fixe?". Foi assim que comecei a despertar para a linguística.
Mas voltando ao que queria falar. Na década de 1990, o Anime começava a ganhar proeminência no Ocidente. Séries como os Cavaleiros do Zodíaco e a Ilha do Tesouro são as que melhor me lembro, sendo que gostei muito mais da que dá título a este post que dos Cavaleiros. É que Cavaleiros do Zodíaco tornava-se chato por ser incrivelmente repetitivo... e quase ninguém morria. Já na Ilha do Tesouro, pessoas chave morrem e logo desde os primeiros episódios, tal como no livro original. É isto de que falo quando falo de séries épicas. Hoje em dia a maior parte dos desenhos animados não lidam com a morte e depois admiram-se de crianças por vezes matarem colegas de escola por andarem a brincar ao Dragon Ball ou algo do género. É que nessas séries a morte é inconsequente, o pessoal pode sempre reavivar toda a gente. Ou então, mesmo depois de levar tanta paulada, estão bem. E fazem isto dum ponto de vista sério e não cómico como por exemplo nos Looney Toons. Não admira que as crianças fiquem baralhadas e essas terríveis situações aconteçam. É bom falar da morte quando se é pequeno, até porque as crianças não são nada burras e têm uma capacidade de aprender muito maior que a de um adulto. Falo de experiência quando digo, por exemplo, que é muito mais fácil aprender línguas em criança que em adulto. "De pequenino se torce o pepino!", diz o meu povo! Além disso, basta olharmos para os clássicos contos de criança, histórias de cautela e de terror, em que pessoas efectivamente morrem, como no Capuchinho Vermelho ou no Hansel e Gretel, ou mesmo o João Ratão. A minha mãe ainda hoje me goza porque eu lhe pedia para me contar estas histórias, com 3,4,5 anos, e sempre que as ouvia chorava baba e ranho. Lidar com a morte em criança não nos torna insensíveis em adultos, dá-nos é uma maior sensibilidade e respeito para com o tópico e até mais tempo para aprofundar o nosso conhecimento sobre ele. Só é preciso é ter adultos à volta das crianças que não tratem os assuntos como a Morte como tabus e estejam prontos a guiá-las nesses primeiros encontros. Não paternalizem as crianças. Falem com elas de igual para igual, dentro dos possíveis... mais cedo ou mais tarde, com ou sem o vosso conselho, elas saberão as verdades da vida. Mais vale que seja mais cedo e num ambiente familiar. Garanto-vos!



Sobre a Takarajima...





O John Long Silver era esplendoroso, tanto tinha medo dele como queria fazer parte da sua tripulação! Creio que era isso que o Jim desta série, desta versão da Ilha do Tesouro, sentia também. Curtam só o riso maníaco do gajo:


Depois havia o Gray, que era a minha personagem favorita, e de todos é o que tem a morte mais poética no último episódio. Ainda assim, não estou certo de que esta personagem existisse na história original. Ele era o bacano que atirava facas, que não era central mas era letal e safava as cenas no último momento, de tempos a tempos. As outras personagens dos "bons", como os putos dizem, (o médico magistrado, o ricaço, o capitão, o cozinheiro, entre outros) também eram porreiras e o Jim era uma personagem que nenhum miúdo se importaria de ter como avatar naquele mundo de aventuras. Como podem ver (spoiler alert) no video seguinte, alguns deles morrem durante a série:


Os piratas conseguiam, aos olhos duma criança, meter medo. Especialmente o velho e cego Pew e o próprio Long John. Contudo o próximo video é um musical que encontrei no youtube e que mostra um lado mais "boa onda" dos piratas!


Esta série correu do início da história até ao fim, algo raro nas séries de TV, que são canceladas antes de chegarem a uma conclusão. Gostava de a rever na sua totalidade como ela deu na RTP1, há incontáveis anos atrás! Infelizmente o DVD saiu com dobragens em francês e em alemão, mas não em Português, o que considerando que é a 5ª língua mais falada mundialmente, não se percebe. Até porque, salvo erro, foi das poucas séries dobradas da época. Razão pela qual, quiçá, eu não falo japonês! ahahahah Deixo aqui o pedido que façam uma edição do DVD com versão portuguesa. Falem com a RTP, que eles têm lá os ficheiros de áudio de certeza! É uma série sempre actual originada por um clássico da literatura, e que qualquer criança vai gostar.
http://www.imdb.com/title/tt0296435/
Para mim, a minha infância é a minha ilha do tesouro, escondida já por um oceano cada vez mais vasto de memórias. Mas no baú desse tesouro, entre outras, esta série está bem guardada contra os efeitos do tempo!
Despeço-me então, deixando-vos com um video de homenagem ao Gray (BIG SPOILER ALERT).



Sayonara... 4 now!



domingo, 1 de janeiro de 2012

Um Feliz Ano de 2012

Os cartões Nengaju só devem ser entregues no dia 1. Eis o do N.I.N.J.A. Samurai!!




Quero começar o ano com uma mensagem de esperança, no meio de tanta agitação socio-económica e política que tem percorrido este nosso pequeno berlinde azul e que se adensou drasticamente no ano passado.




Por isso, recordo-vos daquilo que já sabem, lá no fundo. Que se cada um de nós se esforçar para fazer a diferença individualmente, o conjunto dessas difernças individuais e distintas entre si criará um futuro bem melhor do que aquele que será gerado quer por continuarmos a agir sem paixão, sem reflexão, aceitando tudo o que a televisão e os jornais nos dizem sem pensar duas vezes, porque "tem de ser" ou porque "sempre assim foi e há-de ser", quer pelo futuro gerado pela inacção da conformidade ou da perguiça. Cabe a cada um de nós melhorar o nosso cantinho do mundo, para conseguirmos, todos juntos melhorar o mundo inteiro.


Como exemplo dessa mesma filosofia de pensamento, mostro aquela que já é tida por muitos como a casa mais estreita do mundo. Que tem isto a ver com o Japão? Tudo, pois o seu dono e construtor é de facto japonês. Encontrei esta informação no http://www.sitedooriente.com/.
As imagens falam por si:















Um bem conhecido problema do Japão é a crescente falta de espaço para os seus habitantes. Em Portugal diz-se "A necessidade aguça o engenho." e assim sendo o arquitecto japonês Kota Mizuishi criou esta vivenda num estreitíssimo terreno. A moradia conta com cozinha, quartos, sala de jogos e casa de banho e está avaliada em cerca de 200 mil dólares americanos.





Resta-me apenas desejar a todos um excelente Ano Novo e pedir como único desejo que reflitam naquilo que vos disse acima e, se acharem mérito no argumento dado, coloquem-no em prática. Ajam, mas ajam com cabeça e não atabalhoadamente como os nossos políticos têm a mania de fazer, mais preocupados com as aparências de estare a desenvolver trabalho que em realmente tentarem descobrir um caminho não só orientado para os resultados, mas sustentável e de futuro, não só de curto prazo, mas também de longo prazo. Exemplo de como um cidadão comum pode fazer isso... dou três. Para os que têm lareira, vão recolher lenha nas florestas portuguesas, pois assim limpam as matas, poupam na electricidade para aquecimento e ajudam a prevenir ou minimizar os fogos florestais no Verão. Para os fisicamente aptos, tornem-se dadores de sangue e de medula óssea. E finalmente para todos, façam reciclagem.



Um feliz ano novo e rock on! ;)