sábado, 16 de outubro de 2010

Hibakusha

"No momento do flash, senti como se faíscas invadissem os meus olhos. Num ápice, a casa desabou. O estrondo atirou-me para o fundo da cozinha, e perdi a consciência. (...) Acordei num abrigo contra bombas e a minha mãe estava a chamar, "Kazuco!" Olhei para ela e vi que a sua cara também estava queimada, o cabelo tinha ardido todo e estava nua. Parecia que o seu corpo estava assado. "Mãe!", respondi, mas sentia demasiado medo para me aproximar dela. (...) Então lembrei-me de que outro irmão meu tinha voltado à escola para buscar algo de que se tinha esquecido. Saí com outro dos meus irmãos para o procurar. O edifício estava em ruínas e tudo o que encontrámos foram caveiras brancas espalhadas. Nenhuns torsos. Nunca saberei o que aconteceu ao meu irmão. A minha mãe morreu no dia seguinte, dia dez. A sua cara estava tão queimada, tenho a certeza que morreu em grande sofrimento." -> Kazuko Nagase, de Nagasaki
(8 anos na altura)


«De repente, um clarão. Uma luz branca azulada que cegava. Por um instante, os carris, as carruagens, a plataforma, tudo desapareceu da minha vista. Depois a explosão. A pele da minha barriga parecia que se ia rasgar e cuspir os meus intestinos. Partículas cor de laranja avançavam lentamente. De repente, aumentaram e transformaram-se numa enorme massa de fogo que caía sobre nós. Colunas de chamas saíam da terra em remoinho soltando setas de luz de todas as cores. Beleza feroz e terror indizível! Comecei a sentir arrepios de frio por todo o corpo e a tremer. Virei-me e pensei: Tenho de fugir! (...) A 9 de Agosto, a minha irmã piorou muito. Suplicando numa voz sumida "Ajuda-me, mãe!", encontrou a morte. Não havia nada que a minha mãe pudesse fazer. A minha irmã tinha dezasseis anos. (...) Vazio de esperanças e sonhos, o meu coração não sentia mais senão ódio pelos EUA, por terem assassinado a minha irmã e os meus amigos. (...) Enquanto estiver cheio de amargura, nunca conhecerei a alegria. A amargura só alimenta ódio. Como seria a estender a mão aos EUA (...) e trabalhar pela paz? Seria a melhor coisa que eu podia fazer pelas vítimas da guerra."» -> Yasuhiko Takeda, Hiroxima
(12 anos na altura)


"... nesse dia a bomba roubou as preciosas vidas da minha família. (...) De repente, ouvimos uma explosão enorme e ficou tudo preto. O prédio estava todo a abanar. Não vi o clarão, atirei-me para debaixo da secretária. Quando a luz voltou, corri lá para fora à procura da minha irmã (...) Os nosso sapatos pegavam fogo. (...) Deparámo-nos com um eléctricopreto que tinha saído da linha. O condutor estava carbonizado. Os corpos pendurados nas janelas estavam queimados num dos lados e parcialmente no outro. Os ossos fora dos corpos. Os meus nervos estavam tão paralizados que nem sentia medo. à volta do rio aglomeravam-se pessosas nuas, tão gravemente queimadas que não se distinguia homem de mulher, criança de adulto. Choravam, gemiam. O rio estava entupido de corpos." -> Fujie Yamada, de Nagasaki
( 22 anos na altura)


"Agora percebo que o flash da bomba atómica me atingiu de um ângulo por cima da minha cabeça. Entrou pelos meus olhos fechados e foi direito ao meu cérebro. Eu estava a 1.6 km do hipocentro onde a temperatura atingiu mais de 1000º C. Contorci-me com dores, como se tivesse sido atirado para um fogo. No instante seguinte, a luz desapareceu. Tudo à minha volta ficou preto, e deixei de sentir dores. Suspeito que todas as camadas de pele estavam tão gravemente queimadas que até os nervos ficaram inactivos. Comecei a pensar que, queimado por uma luz misteriosa, estava a entrar no reino da morte. Na realidade, uma nuvem gigante em forma de cogumelo bloqueava a luz do sol e mergulhava o mundo na escuridão. (...) Fiquei confinado à cama durante muitos anos, com 10 operações pelo meio. Pensei no suicídio. 30 cm do meu intestino grosso foram removidos. Tenho uma anca e uma coza arteficiais. E sinto sempre muitas dores. (...) Eu queria desenhar máquinas. Mas esse sonho perdeu-se com a bomba atómica. As pessoas pensavam que a doença da bomba atómica era contagiosa, por isso havia sempre muita discriminação contra os sobreviventes. (...) O ponto de partida para a paz é um coração que consiga sentir a dor dos outros. Se as pessoas se colocassem na pele umas das outras, não existiria guerra nem terrorismo." -> Akio Sakita, de Nagasaki
(tinha 16 anos na altura)


Estes são ecos históricos, testemunhos em primeira mão, do horror e sofrimento que nenhum de nós excepto eles consegue começar a imaginar, do dia em que o inferno esteve na terra, em pleno Japão. Eles, entre muitos, são os hibakusha, sobreviventes da bomba atómica, guerreiros pacíficos cuja causa é um mundo do Homem em paz consigo mesmo. São os primeiros heróis da guerra atómica. Juntemo-nos a eles, recordando esse erro histórico e lutando para nunca o voltemos a cometer enquanto espécie.
Fez este ano 65 anos.
Depois disso, já sobrevivemos à Guerra Fria.
Agora vem a Era do Terrorismo e das novas Guerras (ditas) Sagradas.
O desafio continua. Não podemos esquecer o sofrimento, a destruição, que houve em tão curto espaço de tempo.
PAX!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Somente Um Será Homem Imortal

O termo "sushi", que nos dias correntes apenas é usado para designar este famoso prato japonês, quis em tempos antigos dizer, literalmente, "é azedo". Tradicionalmente, sushi é uma combinação de arroz e peixe fermentados, preservados com sal, mediante um processo oriundo do Sudoeste Asiático. Algo que atesta bem à sua origem histórica. Na verdade, o processo de fermentação é tal que quando se adiciona vinagre oriundo da fermentação de arroz, este desfaz o peixe em aminoácidos. O resultado directo deste processo chama-se umami. Existem 5 tipos de sushi e o sushi que comemos hoje em dia é muito diferente do sushi original. Para além disso, existem ainda diferenças entre o sushi oriental e o sushi ocidental.
A forma mais antiga de Sushi, chamada narezushi, é muito parecida com o umami. Foi no período Muromachi ( de 1336 a 1573, D.C.) que o vinagre começou a ser adicionado à mistura para melhorar o sabor e a preservação da comida. O vinagre acentuava a acidez do arroz e aumentava o seu "tempo de prateleira", diminuindo cada vez mais o tempo necessário de fermentação até esta ser abandonada por completo. No séculos seguintes, surgiu uma nova versão intitulada Oshi-zushi (pois foi inventada em Osaka). Nessa nova versãa, o arroz e os alimentos marítimos eram amalgamados por pressão entre moldes de madeira, em geral, bambu.

Pelo meio do século XVIII, esta forma de sushi chegou a Edo (antigo nome de Tóquio). A versão actual do sushi foi invenção de Hanaya Yohei, no final do período Edo. O próprio cozinheiro era de Edo, ou pelo menos lá inventou a sua forma do prato, e como tal o nome original desta forma de sushi ficou Edomae zushi (Edomae= baía de Edo). O nome deveu-se ao facto do peixe com que se confeccionava o prato na altura ser proveniente da baía de Edo. Esta nova forma de sushi foi na realidade uma forma de fastfood do seu tempo pois era feita sem uso de fermentação (logo rapidamente) e podia ser comida com as mãos à esquina ou num teatro!
Existem variadíssimos tipos de Sushi, cerca de 5 ou 6, não contando com a diferença entre a confecção no ocidente e no oriente.


Contudo, existem riscos a comer sushi. Qual risco? O de não se arrotar no fim da refeição e o nosso anfitrião achar-se ofendido, pensando-nos insatisfeito com a sua comida, sacar da Katana ancestral da sua família e dar-no uma morte mais honrosa que a que nós queriamos? ;D
O risco é na saúde física do consumidor. O atum, um dos ingredientes utilizados, devido a estar no topo da cadeia alimentar no seu habitat, tem altíssimas quantidades de mercúrio. Assim, o abuso do sushi pode levar a envenenamento por mercúrio. Sim, o mesmo metal dos termómetros. Cool, hã? LOL
Como o peixe vem cru, é também possível apanhar uma infecção bacterial, embora nos dias de hoje as estatísticas são contra tal ocorrência (cerca de 40 pessoas por ano nos USA).
Há ainda formas do sushi que utilizam peixes como o Fugu (http://en.wikipedia.org/wiki/Fugu) que tem no seu interior orgãos carregadinhos de veneno neuronal, pelo que tais pratos só devem ser confeccionados por chefes devidamente treinados e certificados no Japão.
Agora, meus caros samurais, se continuam sem medo e ainda não provaram, têm uma excelente oportunidade de o fazer no Museu do Oriente, diz 29 de Setembro.


P.S.: Se se estão a perguntar o porquê do título, não, não é porque os imortais do Clã Macleod usavam uma espada samurai que o escolhi... Olhem com atenção e lembrem-se enquanto o fazem do que fala este post! ;D Sayonara!

domingo, 5 de setembro de 2010

Mais Novas Quentinhas Direitinhas da Embaixada do Japão

O Regresso às Aulas é terrível e consome tempo. Isso e uma realojação forçada deste refugiado fictício em Lx, levou-me a não conseguir fazer todos os posts que queria no mês passado. E agora faço este, apenas na tentativa de veicular atempadamente certas iniciativas e novidades sobre as quais a embaixada do Japão em Portugal teve a bondade de me avisar! Aqui vão elas:

Taça Internacional Kiyoshi Kobayashi

A Federação Portuguesa de Judo organizará a “Taça Internacional Kiyoshi Kobayashi” no dia 17 de Outubro no Estádio Universitário de Lisboa.
URL: http://www.fpj.pt/
Mais informação : 213 913 630 (Federação Portuguesa de Judo)

Regresso da Nave Espacial “HAYABUSA”

A nave espacial HAYABUSA (Falcon) regressou à Terra no dia 13 de Junho de 2010, após uma viagem de 7 anos, tendo percorrido aproximadamente seis biliões de quilómetros, até chegar ao asteróide ITOKAWA. A HAYABUSA é a primeira nave espacial a pousar num corpo celestial, para além da Lua, tendo depois regressado à Terra.
Mais informação:
RECORDO TAMBÉM QUE OS CONCERTOS DE TAMBORES JAPONESES EM LISBOA ESTÃO A APROXIMAR-SE, SENDO NOS DIAS 10, 11 E 12 DE SETEMBRO. NÃO PERCAM, PORQUE NÓS TAMBÉM NÃO!!!!!


Bilhetes

Museu do Oriente - 5 Euros
Restantes locais – entrada livre, limitado aos lugares disponíveis

Locais, Datas e Horas:

Museu do Oriente – Auditório Av. Brasília, Doca de Alcântara (Norte) - Lisboa
Dia 10 de Setembro, às 21h30

Fundação Calouste Gulbenkian - Anfiteatro ao Ar Livre Av. de Berna, 45 - Lisboa
Dia 11 de Setembro, às 16h00

INATEL de Oeiras Est. Marginal, Stº Amaro de Oeiras
Dia 12 de Setembro, às 11h00

Parque Expo, Rossio dos Olivais, Lisboa
Dia 12 de Setembro, às 16h30

-> Para ver o calendário oficial das festividades de celebração do Tratado de Amizade Portugal/Japão:

Em breve, voltarei com novos posts e de novo dedicados à minha visão sobre a cultura e história nipónicas! Bem haja e até breve!

Alex, singning off...


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Via Embaixada do Japão



A pedido da embaixada do Japão, venho por este meio divulgar alguns dos eventos programados e relacionados com a cultura nipónica e festividades dos 150 anos de amizade entre Portugal e Japão.
Esperemos que esta seja a primeira de muitas parcerias deste género. Eles fornecem a informação e o N.I.N.J.A. Samurai veicula-a.


Visita do "Training Squadron of The Japanese Maritime Self-Defence Force" a Lisboa

O "Training Squadron of the Japanese Maritime Self Defense Force" estará de visita a Lisboa entre os dias 11 e 14 de Agosto de 2010. Esta força será composta por 3 navios (Kashima, Yamagiri, Sawayuki) com uma tripulação de cerca de 740 membros. Os navios atracarão no cais do Terminal de Passageiros de Santa Apolónia, em Lisboa pelas 9 horas do dia 11 de Agosto e haverá uma cerimónia de boas vindas. No dia 12 de Agosto entre as 10h00m e as 12h00m e entre as 14h00m e as 16h00m os navios Sawayuki e Yamagiri estarão abertos para visita do público.



Eventos pela C. M. de Oeiras subordinados à Cultura Japonesa


A Câmara Municipal de Oeiras organiza os eventos ”Atelier para crianças”. No ”Atelier para crianças”, que decorre do dia 2 de Junho ao dia 15 de Setembro (10:00~11:30), no Palácio Anjos em Oeiras, as crianças irão elaborar um diário de viagem pelo Japão e leques originais, através da pintura e colagem, depois de observarem as obras sobre o Japão de Graça Morais, ouvirem música japonesa e contos infantis japoneses, etc.. Para mais informações e inscrição, os interessados deverão contactar o número de telefone 214 111 400 (Palácio Anjos).
URL : http://www.cm-oeiras.pt/Paginas/cmo_homepage.aspx


Concerto de tambores japoneses

A Nippon Taiko Foundation apresentará um concerto de tambores japoneses do grupo “HIBIKI-ZA”, no Auditório do Museu do Oriente, no dia 10 de Setembro (21:30~), na Fundação Calouste Gulbenkian (Anfiteatro ao ar livre), no dia 11 de Setembro (16:00~), e no Parque das Nações (detalhes por definir), no dia 12 de Setembro. Para mais informações, contacte o Sector Cultural da Embaixada do Japão:
- 213 110 560 / cultural@embjapao.pt
URL : http://www.nippon-taiko.or.jp/ (Nippon Taiko Foundation)
URL : http://www.museudooriente.pt/1075/tachibana-taiko-hibikiza-%7C-tambores-japoneses.htm
URL : http://www.gulbenkian.pt/



Concerto de “Famirosa Harmony”


Realizar-se-á no Teatro Sá da Bandeira em Santarém, no dia 21 de Setembro (18:30~), e no Palácio Foz em Lisboa, no dia 6 de Outubro (18:30~), um concerto do grupo musical japonês “Famirosa Harmony”. Para qualquer informação, contacte o Sector Cultural da Embaixada do Japão:

213 110 560/ cultural@embjapao.pt
URL : http://www.remus.dti.ne.jp/~famirosa/portuguese.htm



Semana Cultural do Japão pela Fundação Passos Canavarro

Decorrerá em Santarém, do dia 21 ao dia 30 de Setembro, a “Semana Cultural do Japão”, com um ciclo de cinema japonês e outras actividades culturais, organizada pela Fundação Passos Canavarro. Estas iniciativas irão também decorrer em Torres Novas, Tomar e Abrantes (datas e locais por definir). Para qualquer esclarecimento adicional, contacte o Sector Cultural da Embaixada do Japão:

213 110 560 / cultural@embjapao.pt
URL: http://fpc-port.com/ (Fundação Passos Canavarro)


Exposição de Arte Contemporânea do Japão

Esta exposição contará com várias componentes da cultura contemporânea do Japão,como a caligrafia, pintura, escultura, entre outras. É organizada pela “World Art and Culture Exchange (WAC)” com o apoio do Museu do Oriente, do dia 1 ao dia 10 de Outubro. Para qualquer informação adicional, contacte o Sector Cultural da Embaixada do Japão:

213 110 560 / cultural@embjapao.pt
URL : http://www.museudooriente.pt/ (Museu do Oriente)
URL : http://www.wac-project.com/e-index.html (World Art and Culture exchange)



APROVEITO TAMBÉM PARA DIVULGAR:

‘Japan Echo Web’ – website de conteúdos sobre o Japão

No passado mês de Junho, foi lançada a revista online ‘Japan Echo Web’, edição digital da revista em formato papel ‘Japan Echo’. Esta plataforma digital pretende reunir um conjunto de ensaios, comentários, criticas, entrevistas por académicos japoneses, especialistas e líderes de opinião, nas mais variadas áreas: diplomacia, política, economia, sociedade e cultura.

URL: http://www.japanechoweb.jp/

Realização do 'Japanese Language Proficiency Test'


O 'Japanese Language Proficiency Test' será realizado pela “Japan Foundation” e “Japan Educational Exchanges and Services” no dia 5 de Dezembro, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Este exame realiza-se pela primeira vez em Portugal, coincidindo com o 150º Aniversário do Tratado de Paz, Amizade e Comércio entre o Japão e Portugal. Para qualquer esclarecimento adicional, incluindo o modo de obtenção de requerimento, local de apresentação do mesmo etc., deverão os interessados consultar a informação através do site ou dos contactos abaixo indicados.

URL: http://www.jlpt-portugal.com/

Mais informação (1): jlpt.portugal@gmail.com

(Comité do Japanese Language Proficiency Test)

Mais informação (2): 213110560 - cultural@embjapao.pt

(Sector Cultural da Embaixada do Japão)

domingo, 1 de agosto de 2010

Pirâmides da Era Glaciar

Nesta entrada, trago-vos uma novidade que já não deveria ser novidade, mas que até para mim que adoro a misticidade das pirâmides e a mágica do Japão, foi só recentemente que fui inteirado de um complexo de pirâmides no chão oceânico no Japão.
Yonaguni é a mais ocidental ilha do Japão, sendo o cabo Irizaki o ponto mais ocidental do Japão. Podem ver acima o monumento simples mas bonito que marca esse mesmo facto no local.
Esta ilha tem uma espécie de cavalo indígena, que não existe em mais lado nenhum e cujo nome é o da ilha. Pertence ao arquipélago de Ryuku, no districto de Okinawa. E contudo, o que a torna especial não é nenhum destes factos, nem mesmo o de ser da zona do mundo de onde oriunda o mítico e muito fictício sensei Mr Miyagi, do Karate Kid, imortalizado pelo já falecido Pat Morita. O que torna a ilha de Yonaguni de inigualável é o facto de ter aos seus pés, no fundo do mar, um complexo de estruturas e pelo menos uma pirâmide, tal que muitos já defendem ser a desaparecida Atlântida ou até a cidade da Lemúria.

Foi em 1985 que um mergulhador profissional de seu nome Kiharo Aratake descobriu o misterioso complexo piramidal debaixo do mar. Desde 1999, quando o instituto Morien ( http://www.morien-institute.org/yonaguni.html ) criou páginas na internet para dar a conhecer ao mundo o relato, acompanhado de fotos, da expedição do dr Robert M. Schoch ao complexo, que lhes choveu uma série de perguntas de todo o mundo e a polémica ficou permanentemente instalada até aos dias de hoje.
Entre a maioria dos geólogos e arqueólogos ocidentais, o consenso é que o complexo foi criado por fenómenos geológicos naturais. Contudo, devido à inúmera existência de rampas, degraus gigantes, ângulos rectos, a descoberta de ferramentas antigas no local, de inscrições estranhas na rocha e escadas escadas na rocha, levam a crer que o local tenha sido criado por acção humana. Como tal, a relutância em colocar como possível que este complexo tenha sido feito por mãos humanas, leva o instituto Morien a suspeitar de que há um preconceito do ocidente porveniente do facto de que se for comprovado que este complexo foi criado por uma civilização até agora desconhecida, esta civilização terá existido cerca de 5000 mil anos antes da altura em que tipicamente se acredita no ocidente ter começado a civilização. Ainda mais, esta civilização teria conhecimentos que rivalizariam com os , babilónios, assírios, egípcios, maias, etc... mas milénios antes das obras destes.
Isto porque se acredita que o local ficou submerso no final da última época glaciar, aquando do degelo houve uma acentuada subida do nível do mar. Suspeita-se ainda mais que essa subida marítima, que se deu à cerca de 10 mil anos, originou todas as histórias de dilúvio espalhadas pelas mais antigas civilizações conhecidas da Antiguidade.


De resto, aqueles que querem que esta descoberta seja aceite como a prova definitiva da existência da Atlântida e/ou da Lemúria, chegaram mesmo a distorcer as palavras do dr Schoch dizendo que ele tinha afirmado que todo o complexo fora erguido por mãos humanas. Mas a visão do dr Schoch é, na minha opinião, mais sadia e plausível. Segundo o instituto Morien, o que ele terá dito foi que o mais natural é que o complexo tenha sido escavado e esculpido por mãos humanos mas num afloramento rochoso já existente. Exemplos desses são amplos em ruínas da Antiguidade deixadas por todo o mundo. O Homem sempre gostou de moldar o mundo em que vive.
Seja como for, as pesquisas e as polémicas continuam, ainda não tendo sido encontrada nenhuma prova conclusiva para nenhum dos lados.





domingo, 27 de junho de 2010

FW: Arrozais no Japão - ESPECTACULAR !!!

Há umas semanas recebi um email fabuloso, cujo o título dá nome a esta entrada, reencaminhado para mim por um amigo meu que sabe que eu sou vidrado na cultura japonesa. Este email surpreendeu-me mais uma vez com a maravilhosa veia artística que existe embrenhada no sangue do Japão. O seu povo é capaz de transformar qualquer aspecto da sua vida quotidiana numa obra artística de incrível calibre que eu cheguei a julgar inexistente nos nossos dias. Dedicam-se ao aperfeiçoamento de qualquer que seja a sua ventura e o sucesso do Japão no nosso mundo deve-se a essa dedicação e atenção ao detalhe. Observem então e maravilhem-se com a simplicidade da sua complexa entidade nacional.
















Este efeito é conseguido de forma completamente natural! Quero com isto dizer que as imagens que nos surgem não são produzidas através de tintas, mas sim aproveitando as diferentes cores da planta do arroz, através da engenuidade dos camponeses e agricultores japoneses.














As imagens abaixo comprovam também que os camponeses não só ainda recordam como honram os samurais, na sua arte, mesmo que estes vivessem esmifrando os da sua classe no passado. E até Napoleão teve direito a uma honraria da sua parte, o que comprova serem um povo culto e aberto ao mundo exterior.




Esta entrada é dedicada à arte e permanecerá sem capítulo do código do Samurai. Esse virá contudo num segundo post deste mesmo mês. Sem mais nada a acrescentar, até breve... mesmo!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Burakumin

A tradução literal da palavra que dá título a este post é "pessoas dos bairros pequenos". Contudo, a sua conotoção é muito mais profunda e discriminatória que tal tradução poderia levar a crer. Os Burakumin são uma das minorias sociais do Japão, cujo estigma social já advém da época do Japão feudal. São sobretudo descendentes de pessoas que tinham trabalhos considerados sujos ou impuros e que eram no passado chamados eta (massas porcas). Esses trabalhos incluem tudo o que fosse relacionado com a morte, como coveiros, talhantes, executores e por aí adiante. Este estigma ligado a estas profissões está intimamente ligado com a visão de Kegare( conspurcação) do Shinto. O Shinto diz que a divindade vem através da pureza e a falta de divindade surge da falta de pureza, e vai mais longe, dizendo que as impurezas se podem agarrar às pessoas ou às coisas tornando-as más. É dito que o estar continuamente a matar animais ou fazer qualquer maldade que vá contra o statu quo moral da sociedade torna a pessoa mais impura e que tais pessoas devem ser colocadas de parte pela própria sociedade afim de não a contagiar com a sua impureza.


Não se sabe ao certo quando começaram a surgir estas comunidades ostracizadas, sendo que algumas teorias dizem que pessoas que tivessem ocupações tida como impuras eram ostracizadas, enquanto outras teorias ditam que as pessoas ostracizadas eram forçadas a ter como ganha pão as profissões que ninguém queria. É também dito que, durante as guerras internas da Era Muromachi, certas populações foram forçosamente realojadas e colocadas a trabalhar em postos de baixa condição, como os serviços sanitários públicos. No período Edo, quando o sistema de castas sociais foi implementado, os eta foram colocados no nível mais baixo da sociedade, um nível externo às 4 castas oficiais. Mas como nas outras castas, os eta eram submetidos a leis que estavam de acordo com a herança dos seus antepassados directos. Viviam sobretudo em bairros segregados e as pessoas das castas superiores, desde o comerciante até ao samurai, procuravam distanciar-se deles. Os Burakumin eram também compostos por um outro subgrupo, os hinin(literalmente: não-humanos). A definição deste grupo varia com as épocas, mas essencialmente seriam ex-presidiários, errantes que assumiam postos de guardas de cidade, limpadores de rua, ou jograis de rua.


Mas esta discriminação e a segregação subsequente eram usados como ferramentas de controlo pelo governo da época. Por exemplo, os burakumin tinham normalmente os seus próprios templos designados e não podiam entrar noutros locais religiosos. E enquanto aos japoneses budistas das 4 castas eram, muitas vezes, dados nomes póstumos, aos burakumin eram dado nomes que incluiam kanji(caracteres japoneses) que querem dizer besta, humilde, ignóbil, servente e outras expressões depreciativas. Estas pessoas, nos tempos feudais, não tinham de pagar impostos, pois os impostos eram pagos em dádivas de arroz, que os burakumin eram proibidos de ter. Devido a isto, alguns ostracizados eram chamados kawaramono (pessoas do rio de leito seco), pois viviam ao pé de rios que não suportavam a cultura do arroz. O mais interessante é que, por terem o monopólio na sua área comercial, alguns burakumin chegaram a fazer grandes fortunas e, através de casamento, ou de direitos especiais concedidos por templos ou pela corte imperial, chegaram à casta dos samurai.


Com o fim da Era Feudal, o imperador Meiji emitiu um édito, chamado Kaihôrei (o édito da emancipação) que dava direitos iguais aos eta. Contudo, as mentalidades são de mudança lenta e o próprio povo continuou a descriminar esta minoria. A continuação do ostracismo e o piorar das condições de vida, levaram a que as áreas ocupadas pelos ostracizados se tornassem em bairros de lata. No início do século XX, o movimento de direitos sociais dos burakumin foi criado e pode dividir-se em duas vertentes ou ramos. O movimento da assimilação (dowa) que se centra na melhoria das condições de vida destas pessoas, e os "niveladores", que confrontam alegados discriminadores. No período Pós-2ª Guerra Mundial, a discriminação continuou desta feita com a impossibilidade de obter certos serviços nas áreas dos buraku. Continuam a ter problemas de analfebetismo, pobreza, más condições de habitação e por aí adiante. Entretanto, cerca de 60% dos membros da Yakuza (mafia japonesa), são originários de buraku! É normal na História do Mundo, os ostracizados virarem foras-da-lei! Para aqueles que gostam de Dr House, há um episódio que revi há pouco tempo em que o House explica porque se decidiu tornar médico. Quando era novo, o seu pai, militar de carreira, estava colocado no Japão. Quando o House teve de levar um amigo dele ao hospital, porque caiu numa das suas brincadeiras, cruzou-se com um empregado de limpeza que por todos era ignorado e desprezado. Mais tarde, House viu médicos a falarem com ele, pois não conseguiam perceber o que um dos seus doentes tinha. Esse empregado de limpeza era um burakumin, mas também era médico. Não podia exercer a sua profissão devido ao estigma social, mas quando precisavam das suas capacidades acima da média tinham de se "rebaixar" a falar com ele, "porque ele estava sempre certo" como diz o House. Foi assim que o Dr House se tornou no médico que quer estar sempre certo, porque assim mesmo que não gostem dele, precisam dele e não o podem pôr de lado!


A minha interpretação do código do Samurai - Capítulo 3

Diz-nos o código que o bushido tem 2 tipos de leis, sendo que cada um dos tipos está dividido em 2 secções.

Os dois tipos de leis são as ordinárias e as extraordinárias.

Uma das secções das leis ordinárias trata o cavalheirismo: manda o samurai tratar da sua higiene pessoal com assiduidade, ordenando que devem lavar mãos e pés, tomar banho de manhã e à noite, cuidar do cabelo todos os dias e manter a parte superior da testa bem rapada. Devem observar a etiqueta de cada situação, vestindo as vestes adequadas para a ocasião, assim como se fazer sempre acompanhar das duas espadas à cintura e dum leque, no cinto. Sendo o samurai o anfitrião, deve ser cortês com os convidados, de acordo com a sua categoria, evitando conversa desnecessárias. A etiqueta e os modos devem estar presentes mesmo ao partilhar uma refeição ou tomar chá. Nos tempos livres, em que está fora de serviço, o samurai não pode ficar ocioso, devendo sim procurar a cultura e o saber histórico, através da leitura e da escrita, de forma a cultivar o seu espírito. Em tudo o que faz na sua vida, o samurai deve comportar-se segundo a disciplina e maneiras próprias de um samurai.

A outra secção das leis ordinárias trata a arte marcial: esta secção refere as várias artes de guerra que fazem parte da arte militar e diz que o samurai deve treiná-las todas com afinco e entusiasmo afim de alcançar a mestria em cada uma delas.

O código diz então que, aos olhos da maioria das pessoas, desde que as leis ordinárias sejam respeitadas e cumpridas será o suficiente para se ser um bom guerreiro. Contudo, o samurai é um guerreiro que deve ser mais que simplesmente "bom". Ele serve exactamente para agir em situações extraordinárias e de emergência. Nessas alturas, o samurai deve abandonar os trajes cerimoniais e vestir armadura e envergar armas, em defesa do seu senhor. São diversos os métodos de organização de uma campanha militar e esses métodos são de conhecimento essencial. Tal como estes métodos de preparação de campanha, é essencial também ao samurai saber orientar o seu exército em batalha, frente ao inimigo. Um samurai de baixa ordem pode contentar-se em cumprir a lei ordinária, mas para ascender a posições de primeira, o samurai é obrigado a ter profundo conhecimento da lei extraordinária!

Basicamente, o que o código indica é a diferença entre um líder e um seguidor. Mesmo nos dias de hoje, os líderes são aqueles que procuram conhecimentos mais profundos afim de agir e dar rumo à sociedade, enquanto que a maioria tem apenas um conhecimento básico das normas gerais da sociedade afim de viver a sua vida dentro da lei vigente. O ideal é um país de samurais de 1ª... de pensadores livres, conscientes do seu dever cívico, mas também dos seus direitos. Enquanto a maioria de nós se contentar em saber apenas o mínimo necessário, a crise social e económica que se abate sobre o nosso país e mundo, embora possa ser remendada ou ocultada, nunca deixará de existir, e qual um cancro em falsa remissão, ressurgirá para nos destruir. Acordem, leiam e pesquisem. Pensem por vocês mesmos, e aprendam a ler as entrelinhas do que é dito nos jornais e telejornais. Sejam samurais dos século XXI.