Mostrar mensagens com a etiqueta tóquio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta tóquio. Mostrar todas as mensagens

domingo, 11 de agosto de 2013

(Des)dobrando o Natsu

Boas, pessoal! É Verão, já repararam? :D Está um calor do caraças no ano que cientistas (devem ser formados na mesma universidade do Vítor Gaspar, especializada em previsão astróloga e afins ciências herméticas que não funcionam!) indicaram como sendo o menos quente nos últimos 200 anos. Mas estou a ser injusto, afinal a meteorologia não é uma ciência exacta e a astrologia nem ciência é. É que é difícil de acreditar e, se seguirem o link acima, é de realçar o "poderá ser" metido no cabeçalho da notícia do Público. Faz-me lembrar os Romanos, que quando andavam a conquistar aqui a Ibéria, praguejavam constantemente sobre o clima (ou assim rezam historiadores da época que sobre isso escreveram já séculos depois da ocorrência e que são as únicas fontes disponíveis), dizendo que os Invernos eram rigorosos e os Verões insuportáveis. Cá para mim, o aquecimento global está é a mostrar-se à grande e o buraco (e não refiro ao que a ministra mostrou, tá JN? :D) do ozono sente-se bem, pois quando eu era puto podia-se estar na boa sem protecção e ao meio dia ao sol e agora fico escaldado, todo lagosta, se o fizer!
Enfim, não se esqueçam é de beber muita águinha, entre as bjecas claro está, e se quiseram, e não viram o ano passado, vejam este post que eu fiz sobre o Verão intitulado simplesmente Natsu: (clicar aqui para ir para o post em questão).
É, para quem tem essa oportunidade, tempo de ir à praia (seja marítima ou fluvial), mas cautela, podem haver percalços que estraguem o dia, como avisa o Público online:
10 coisas que podem arruinar um dia de praia
E, como eu sou todo do lowcoast, instigo-os a fazerem o vosso próprio brinquedo biodegradável:
Nós por cá, este ano, já tivemos uns contratempos com as águas marítimas: uma infestação de algas marítimas em Lisboa e Margem Sul; uma praga de mosquitos em Silves, no Algarve; e, mais recentemente, em duas praias na Quarteira, devido a um problema de esgotos. Enquanto o primeiro caso foi a Natureza em normal funcionamento, como tal foi levantada a interdição de banho nas praias em Lisboa & nas praias da Costa da Caparica, nos outros casos mais sul, foram definitivamente causadas por ineficácia dos serviços sanitários da zona, e vivendo essa região essencialmente do turismo desta época de férias e verão, deviam prestar bem mais atenção particularmente a tudo o que possa pôr em causa a subsistência da população local. Mas desengane-se quem pensa que isso só acontece neste nosso país de 2º mundo. Não, senhor. No Japão, um dos G8, as águas infelizmente também acusam problemas.
A praia de Tokyo reabriu após um esforço de 51 anos (clicar aqui para obter fonte em inglês), sendo que o que levou a que a praia à beira da metrópole plantada, cuja vista é dita no artigo deixar muito a desejar, fosse interditada a banhos foi precisamente o que permitiu a ascensão económica do ainda Império do Japão (têm imperador): a vasta industrialização do país. "Enquanto crescíamos economicamente, senti que perdíamos algo.", afirma Yuzo Sekiguchi, que é arquitecto e que, impulsionado por memórias antigas de pescar à beira-mar em Tóquio, criou uma organização de fins não-lucrativos em 1977, instrumento para a acção de luta, que durou cinco décadas, para restaurar a costa de Tóquio. A sua convicção fortaleceu devido ao que encontrou em viagens que fez pelo o oeste asiático (Afeganistão, Índia e Paquistão), onde reconheceu, nos olhos das pessoas que lá encontrou, em particular das crianças, um brilho especial. Achou que algo estava mal no seu país, em que as crianças cresciam fechadas em salas de aula demasiado lotadas, preocupadas em entrar em colégios de elite para obterem bons empregos, mas sem qualquer contacto com a Natureza. Iam à praia, se por ventura a casa da avó fosse numa zona marítima, mas em Tóquio não podiam. Sekiguchi decidiu que a responsabilidade era dos adultos e que, pelas crianças, a situação tinha de mudar. E essa luta foi tão custosa como morosa. Muito embora fosse tarefa difícil melhorar a condição ecológica das águas, o mais difícil foi conseguir o apoio dos burocratas governamentais, que ainda hoje não assumem qualquer responsabilidade na abertura das praias. "O governo local estava extremamente relutante em aceitar responsabilidade naquilo que nos proponhamos a fazer. A administração verticalmente dividida foi lenta a conseguir que alguma coisa fosse feita.", conta Sekiguchi, acrescentando "Eu não conseguia dizer para que serviam políticos e burocratas. Parecia que eles estavam lá para vincular o povo às regras deles." A abertura do Parque Kasai Rinkai aconteceu a título condicional. Os mergulhos são proibidos e só se pode estar com água até à cintura, pois as autoridades não aceitam responsabilidade pela qualidade das águas. É contudo permitido nada em Julho e Agosto. O parque é gerido pelo governo metroplitano de Tóquio, que avisa no seu site que a abertura da praia é da exclusiva responsabilidade a organização de Sekiguchi e não deles, e que pode ser fechada em caso de "ventos fortes, chuva, fraca claridade na água, ondas altas e relâmpagos". Sekiguchi explica como foi difícil chegar até aqui mas congratula-se por se ter conseguido pelo menos isto. Mas o activista marítimo prossegue, com vitalidade e inteligência, e já encontrou um poderoso aliado, portador de uma nova esperança, para o melhoramento progressivo das águas. Esse aliado provém dum estudo norte-americano, feito na baía de Chesapeake, na costa oriental dos EUA, que diz que ostras podem ajudar a limpar as águas. A organização testou este método num rio em Tóquio antes de a aplicar em Kasai Rinkai, demonstrando na minha opinião que se baseia verdadeiramente no método científico, não simplesmente aceitando a papinha toda só porque algum especialista "disse que" num ficheiro de excel defeituoso, como o nosso ex-fantasminha antipático lá das Finanças. A qualidade da água na praia melhorou bastante nos últimos anos e, após instalada uma vedação submarina para impedir a entrada de raias naquela área, a praia ficou segura e pronta a receber pessoas. Sekiguchi promete que isto é apenas o início e diz "Mas é algo que a nossa geração deve às nossas crianças. Precisamos de deixar um oceano em que as crianças possam sentir o sabor do Verão." SAÚDA-SE!
Eu acredito firmemente que se todos nos esforçarmos para tornar o nosso bocadinho do mundo um melhor sítio, ao somarmos todos os melhoramentos "individuais", criaremos um mundo melhor. Este senhor é um herói, se estes existem. Um exemplo de responsabilidade cívica aliada ao inconformismo. Um forte bem-haja, tomadochi Yuzo, e "a luta contínua" e "hasta la vitoria siempre"!
Entretanto, já me chegaram mais novas da embaixada do Japão em Portugal, através do boletim de Agosto, mas algumas delas já eu falei no primeiro post deste mês e as outras são para Setembro ou já foram, pelo que vou meter uma delas (que é para este mês e tem prazo limite para inscrição) e complementar com mais umas quantas de informações para actividades, procurando ser um pouco mais abrangente que apenas a grande Lisboa. Até porque é Verão e a malta precisa de preencher os seus dias com algo divertido, relaxante e, porque não?, culturalmente rico que nos permita enfrentar "o estado a que isto chegou". ;)
Portanto, até ao final do mês, farei outro post com os eventos que estão marcados para Setembro, que vêm no boletim da embaixada.
De resto, falemos de cinema, que pelos vistos e para minha tristeza mas não surpresa, é um negócio que se está a ressentir da crise à grande, mas também muito por culpa de quem vai ao cinema e de quem faz negócio do cinema (um tópico para outra altura).
No Porto, e um bem haja a quem organizou a coisa, tem havido durante este mês e vai continuar até Setembro, cinema à borla e ao ar livre. Eu soube disso através da P3 online, a qual vos vai informando nos dias, sobre que filme passa e a que horas, caso tenham um like na página deles no Facebook. Hoje, os amigos tripeiros poderão ver a reencarnação dos filmes "Evil Dead", por cá, "A Noite dos Mortos Vivos", cuja crítica escrevi aqui(http://74rte.blogspot.com/2013/07/evil-dead-2013.html).
Link para o artigo da P3: http://p3.publico.pt/cultura/filmes/8791/cinema-ao-ar-livre-e-gratuito
Para quem estiver no Algarve, à semelhança dos alfacinhas em Lisboa, também terão oportunidade este mês de verem uma curta metragem, intitulada "O cheiro das Velas", no Festival de Curtas-Metragens de Faro, a 31 de Agosto:
Em Lisboa, e como já tinha dito no post anterior a este, é já no dia 22, no teatro do Chiado. Para mais informações desta curta que participou do conceituado Festival de Cannes, no elenco da qual participa a deslumbrante e talentosa Oceana Basílio, cujos encantos e o próprio nome fazem dela uma perfeita embaixatriz do Verão. Não concordam?


Por falar na Maxim e nas praias alfacinhas, tenho que agradecer o jantar que a Maxim me ofereceu, que partilhei na excelsa companhia da minha amiga Ana (não, não é a outra revista com o mesmo nome), no beach lounge da Capricciosa de Carcavelos, que eu aconselho vivamente. Um óptimo espaço, excelente serviço e um staff mui simpático, boas pizzas como é praxe nesta marca, já para não falar na espectacular sangria de frutos vermelhos e da perfeita mousse de manga... estou a ficar com água na boca só de pensar nisso! O jantar demorou para aí umas boas 2 horas e meia e não foi só devido à conversa que fluía como água. A minha versão da pizza Maxim teria sido melhor escolha ;P, mas pronto ganhou uma menina, pois a votação foi via facebook e já se sabe como são vastas as listas de amigos delas, né? ahahaaha

E, já que falamos em estrelas, não nos limitemos ao cinema. Em Agosto, é altura de chuva de estrelas, que se conseguem ver a olho nu em Portugal, se se estiver numa zona sem iluminação pública. As Perseiadas, como são intituladas estas "estrelas cadentes", são um espectáculo natural e gratuito que merece ser apreciado. A noite de 13 para 14 de Agosto será o melhor dia para ver esta "chuva" cósmica, que nada mais é que calhaus que viajam a velocidades fantásticas e friccionam com a atmosfera terrestre. O nome provém da constelação Perseu, que está no quadrante do céu onde se podem ver os meteoritos passar. Olhem para nordeste.
Uma das minhas citações favoritas é do Oscar Wilde e diz: "Estamos todos na sarjeta, mas alguns olham as estrelas". Este espectáculo dá-se todos os anos, mas, como diria o nosso Variações: "Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje!"

E pronto, c'est ça! (recordando os bons tempos do escudo, em que os avec's [e uso o termo com carinho{Ça va, Christophe, mon ami? ;)}] retornavam todos a Portugal nesta altura do ano, porque só o câmbio do dinheiro dava para eles fazerem cá umas férias de lorde, e esse guito cá ficava... também são desse tempo??) Visita de médico e a correr, mas não tardarei muito a insurgir-me com uma nova entrada. Como diria o Porky Pig: "abdi... abdi... that's all folks"!
Um adios 4 now para os muchachos e para as muchachas um beijo tipicamente tuga mas em formato japonês:

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Roku Juu... Otousan... Ni-jū Rasen!


Este é o post 60 do N.I.N.J.A. Samurai. É uma entrada que desejo dedicar a alguém muito importante na minha vida, o meu pai. É que foi neste terrível ano de 2012, temido pelos supersticiosos como o ano do fim do mundo, que tanto este blog viu o seu sexagésimo post surgir como o meu pai viu o seu sexagésimo aniversário.
Antes de mais, eis as variadas maneiras de dizer “pai” em Japonês:
Meu pai - Chichi ( pronúncia - Titi )
Pai (dos outros) - Otousan ( Pronúncia - Otôssan, e menos formal, se pronuncia sem o "o", ficando Tôssan -Tousan ) お父さん ( Na escrita, o menos formal é só tirar o "" )
O meu Pai, entre outras coisas, foi das pessoas que mais estimulou o meu gosto pela escrita, sem nunca me obrigar a nada. Quando eu era pequeno e antes de saber ler, o meu pai lia-me bandas desenhadas da Disney, do Lucky Luke, do Astérix, do Michel Vailant, etc… Quando aprendi a ler, passámos para as BD de sci fi, Marvel e DC, essencialmente. Sim, mesmo depois de eu saber ler, eu forçava o meu pai a ler-me as BD’s, porque a verdade é que ele acrescentava um ponto seu ao conto e tornava tudo mais interessante e divertido. Além disso, era tempo que passava com ele. Entre a Primária e o 10º ano, fora das obrigatoriedades estudantis, só lia BD's. Os meus pais lá me sugeriam outros livros, que eu na altura tinha como mais massudos, mas nunca me obrigaram a pegar neles. A certa altura, contudo, quando andávamos em arrumações lá por casa, descobri um livro que li numa tarde. Um livro de bolso do meu pai, de ficção científica, chamado Deuses Siderais. Ele cruzava a Atlântida, com deuses que eram de facto apenas humanóides vindos doutros planetas e cuja tecnologia perante os homens da Idade da Pedra parecia magia. It blew my mind! Anos mais tarde, andava eu no 11º, quando já tinha começado a atacar a colecção de Sci Fi (sem imagens ahahah) do meu pai. As colecções Argonauta e as publicações Europa-América, com autores como Isaac Asimov, Ray Bradbury, Robert Block, A. E. Van Vogt, entre outros, fizeram-me as delícias e abriram-me os horizontes como só a ficção científica pode fazer. Depois, via Tolkien, migrei para a Alta Fantasia, depois para os policiais e também para os romances históricos (como os de Humberto Eco). Hoje ando a ler Eça de Queirós e José Saramago, sendo que vou lendo também as aventuras de Tomás Noronha, por José Rodrigues dos Santos. Sou também grande fã de George R.R. Martin e da sua Canção de Fogo e Gelo, mas também das Crónicas de Alarya de Filipe Faria. E sim, ainda leio BD’s, quando tenho dinheiro para as comprar, pois hoje em dia já não se encontram em quiosques como no “tempo das vacas gordas” em que eu cresci, em absoluta felicidade.
Por todos os passeios à beira mar a filosofar interminavelmente, por todas as histórias lidas, por seres o meu primeiro mestre de artes marciais, por todas as aulas de astronomia em noites lusitanas, fico eternamente em tua dívida, meu pai. Que juntos festejemos saudáveis e felizes, pelo menos, mais 60 aniversários teus!
O meu pai gostava de ter sido arquitecto, mas foi sonho que ainda está por realizar. Pode ser que um dia eu lho possa proporcionar, como ele me proporciona a mim (juntamente com a minha mãe e o meu avô, claro) a minha contínua educação. Até lá, deixo estas imagens a acompanhar as minhas palavras nostálgicas e profundamente sentidas.




Legenda das Fotos: Esta é a Casa de Dupla Hélice, em Tóquio. Criada pelos estúdios de arquitectos Maki Onishi e Yuki Hyakuda . É uma casa citadina de multi-níveis, situada na zona residencial de Tóquio. Como a área onde foi erguida é cercada por outras habitações, o projecto foi limitado pelo espaço disponível, consideração que levou a construir-se em altura. Com escadas em redor do exterior e do interior, a casa torna-se numa hélice dupla, ascendendo em torno do perímetro. O núcleo é composto por um cubo branco abstracto que hospeda os espaços privados, enquanto divisões em torno do exterior suportam as áreas comuns.
Para evidenciar o traço do edifício, um painel de madeira escuro envolve a fachada. As formas simples e contrastes entre os materiais continuam no interior, onde a construção em betão é deixada exposta.
Fonte: http://www.designboom.com/weblog/cat/9/view/19372/onishimaki-hyakudayuki-architects-double-helix-house-tokyo.html










NOTA: As fotos são de Kai Nakamura.


Não sei se repararam, mas esta casa singular não foi escolhida ao acaso para este post. Afinal, que vos lembra uma Hélice Dupla (em Japonês, segundo o tradutor do google, Ni Jū Rasen == 二重らせん)?? Uma cadeia de ADN, talvez? E de onde vêm o ADN dos animais? Dos seus pais. Agora isto sim, é Desenho Inteligente! Ahaha Não resisti! ;P
Já agora, o título é apenas uma amálgama de palavras em Japonês que não fazem necessariamente sentido literário. Traduzindo à letra e por ordem (da esquerda para a direita): 60 Pai Dupla Hélice! Digam lá que não é um título pomposo quando dito em Japonês!? :D
Quanto à escultura, encontrei a imagem no google e não sei quem a fez ou fotografou, mas infelizmente não fui eu! 

Alex, signing off… again!