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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Novidades

Ah pois é, as aulas já recomeçaram e este N.I.N.J.A. conseguiu arranjar emprego finalmente. O que provavelmente me impede de continuar a usar para mim mesmo o título mencionado na frase anterior. Menos mal. Portanto estou a trabalhar e a estudar, o que me deixa muito menos tempo aqui para o blog. Não me faltam tópicos e espero ainda este mês, que rapidamente se aproxima do seu fim, fazer uma outra entrada dedicada a energia e o futuro do Japão. Se não conseguir escrevê-la até ao fim deste mês, surgirá no próximo.
Por agora, vou apenas deixar-vos com as novidades da Embaixada do Japão:

Realização do ‘Japanese Language Proficiency Test’
O ‘Japanese Language Proficiency Test’, promovido pela “Japan Foundation” e “Japan Educational Exchanges and Services”, será realizado no dia 2 de Dezembro, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O prazo de inscrição para o exame é de 17 de Setembro até 9 de Outubro. Para qualquer esclarecimento adicional, contactar:
< Comité do ‘Japanese Language Proficiency Test’ - jlpt.portugal@gmail.com
< Sector Cultural da Embaixada do Japão – Tel: 21 3110560 / cultural@embjapao.pt

“Um espaço Japonesqe”
Na Biblioteca Municipal Almeida Garrett no Porto (Rua de D. Manuel Ⅱ, Porto), organizar-se-á de 4 a 29 de Setembro, a exposição “Um Espaço Japonesqe”, organizada por Yuko Sodebayashi, residente japonesa no Porto. O evento compreende a exposição de vários objectos relacionados com o Japão, com o tema de “gravar”, “pintar”, “cozer” e “tecer”.
Mais informação : 229 721 408, 938 376 024


"Haiku – 35 poemas a Lisboa"
A Câmara Municipal de Lisboa, através do Departamento de Acção Cultural com a colaboração da Embaixada do Japão em Lisboa, convidam à participação numa iniciativa literária intitulada "Haiku – 35 poemas a Lisboa".
Das obras, com o tema da Cidade de Lisboa, serão posteriormente seleccionados 35 poemas. O convite é extensivo aos portugueses que têm interesse na cultura japonesa e à comunidade japonesa para participar no concurso podendo os participantes elaborar, neste caso, o haiku em japonês e ou português. No caso de ser escrito numa das línguas será feita a tradução na outra língua. Será feita uma sessão de poesia com todos os Haikus participantes (em data e local a determinar, em Novembro) e a elaboração de um pequeno livro com os 35 poemas seleccionados.
Os poemas poderão ser enviados para ernesto.matos@cm-lisboa.pt ou para a Embaixada do Japão
bunka2@net.novis.pt até 30 de Setembro.
Mais informação : ernesto.matos@cm-lisboa.pt , bunka3@net.novis.pt


Recepção de obras para o “17th Kanagawa Biennial World Children’s Art Exhibition”
Estarão abertas as inscrições, nos prazos em baixo indicados, para a recepção de obras para o “17th Kanagawa Biennial World Children’s Art Exhibition”, organizado pela Prefeitura de Kanagawa, Japan Overseas Cooperative Asssociation e Kinko-Biso Co., Ltd. A exposição está agendada para os meses de Julho a Agosto de 2013. Outras informações:
< Qualificações para participação : Crianças entre 4 a 15 anos de idade
< Prazo da apresentação de obras : 1 de Setembro ~ 30 de Novembro de 2012
< Envio de trabalhos para: Secretariat, The 17th Kanagawa Biennial World Children’s Art Exhibition,
Japan Overseas Cooperative Association c/o Kanagawa Plaza for Global Citizenship 1-2-1 Kosugaya,
sakae-ku Yokohama 247-0007 JAPAN < Mais informação: Email: k-biennial@earthplaza.jp

IBERANIME no Porto
Realizar-se-á de 13 a 14 de Outubro no Multiusos de Gondomar (Av. Multiusos, 4420-015 Gondomar, Porto) no Porto, o IBERANIME, evento direccionado a fãs e curiosos da Cultura Pop Japonesa. Nesta edição do IBERANIME, várias actividades estão programadas desde Workshops, videojogos, demonstrações, concertos e concursos de anime e manga.
Mais informação : info@iberanime.com, Telf.21 426 97 10 // URL: http://www.iberanime.com/pt/

Para terminar, e como já é aviso habitual, tudo o que está a Itálico foi copiado directamente do mais recente boletim informativo da Embaixada do Japão, sendo que me dei à liberdade de corrigir as palavras em Acordo Ortográfico de 1990, uma vez que discordo categoricamente da sua utilização, sendo que não acredito na sua validade e/ou valor. Aliás, lendo com atenção os textos no boletim da Embaixada que me foi enviado este mês, vê-se por exemplo que umas vezes os meses aparecem com inicial maiúscula e outras vezes com inicial minúscula. Além de que continuam a ter um Sector Cultural e não um "Setor" (deve ter a ver com setas) Cultural! Nem sabem a quantas andam, sintoma habitual de quem padece desse mal do Acordês. O site da Embaixada aparenta continuar sem o AO:
E vós, já fostes assinar a ILC contra o AO90?? Não deixeis para amanhã o que podeis fazer hoje:
http://ilcao.cedilha.net/

Numa última nota, a todos os que puderem e se interessam pelo destino do Estado Social de Portugal, vão à manifestação marcada para este sábado. Esqueçam divisões partidárias e sociais, lutem pelos vossos/nossos direitos.


Sayonara!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Takarajima = "Ilha do Tesouro"








Por alturas do Natal, eu fico sempre nostálgico e reencontro todos os anos a criança que há dentro de mim. É bom fazê-lo porque foi até hoje o melhor tempo da minha vida e memórias tão felizes têm força suficiente para nos escudar contra o cinismo que parece inerente ao ficarmos adultos. Daí os jovens serem mais idealistas e os adultos desdenharem os que acreditam em ideais. Não todos felizmente, apenas aqueles que foram derrotados ou envenenados pelas vicissitudes da Vida e que deixaram morrer a criança que outrora morou dentro deles.
Foi a melhor época da minha vida porque não tinha preocupações nenhumas e os meus pais viviam bem na altura em termos monetários, permitindo-me comprar brinquedos quase todas as semanas! Além disso, ainda tinha os meus 4 avós comigo e era o puto da família, sendo apaparicado por todos! Costuma-se dizer "Para criar uma criança é preciso toda a aldeia!". Bem, eu tive a aldeia e isso já ninguém me tira!
Aos sábados de manhã deleitava-me com desenhos animados épicos e heróicos como hoje já não há, nem no oriente nem no ocidente (e já explico esta afirmação). Às escondidas, via filmes, que o meu pai gravava no velho formato VHS, que não devia ver (Exemplos: Terminator I & II, Predator I & II, Robocop, The Fly, Evil Dead, Cyborg, Rambo) e também via outros que eram próprios para a minha idade (Exemplos: Karate Kid I & II, TMNT I & II, Caça Fanntasmas I & II, Army of Darkness, etc...). Pelo meio, via filmes de acção habituais do Van Dame, do Chuck Norris, do Jacky Chan, do Governator, do Bruce Willis e do grande Bruce Lee. Assim como também via séries como Os Imortais, O Justiceiro, Esquadrão Classe A e o grande McGyver! Por ver estes filmes e séries tantas e tantas vezes, acabei por aprender a falar inglês sozinho e quase como se fosse também uma primeira língua. Tudo começou porque eu tenho uma leve dislexia e quando era puto odiava ter de ler legendas. Como as pessoas da minhas geração saberão, em Portugal, os filmes não eram dobrados mas sim munidos de legendas. Então acabei por ir aprendendo. Por ouvir os meus primos dizerem Man uns para os outros e mesmo para mim (percebendo ser uma cena fixe), perguntei ao meu Pai o que Man queria dizer. "Homem", disse-me ele rindo-se. E eu disso "Homem?! Só isso?? Que tem isso de fixe?". Foi assim que comecei a despertar para a linguística.
Mas voltando ao que queria falar. Na década de 1990, o Anime começava a ganhar proeminência no Ocidente. Séries como os Cavaleiros do Zodíaco e a Ilha do Tesouro são as que melhor me lembro, sendo que gostei muito mais da que dá título a este post que dos Cavaleiros. É que Cavaleiros do Zodíaco tornava-se chato por ser incrivelmente repetitivo... e quase ninguém morria. Já na Ilha do Tesouro, pessoas chave morrem e logo desde os primeiros episódios, tal como no livro original. É isto de que falo quando falo de séries épicas. Hoje em dia a maior parte dos desenhos animados não lidam com a morte e depois admiram-se de crianças por vezes matarem colegas de escola por andarem a brincar ao Dragon Ball ou algo do género. É que nessas séries a morte é inconsequente, o pessoal pode sempre reavivar toda a gente. Ou então, mesmo depois de levar tanta paulada, estão bem. E fazem isto dum ponto de vista sério e não cómico como por exemplo nos Looney Toons. Não admira que as crianças fiquem baralhadas e essas terríveis situações aconteçam. É bom falar da morte quando se é pequeno, até porque as crianças não são nada burras e têm uma capacidade de aprender muito maior que a de um adulto. Falo de experiência quando digo, por exemplo, que é muito mais fácil aprender línguas em criança que em adulto. "De pequenino se torce o pepino!", diz o meu povo! Além disso, basta olharmos para os clássicos contos de criança, histórias de cautela e de terror, em que pessoas efectivamente morrem, como no Capuchinho Vermelho ou no Hansel e Gretel, ou mesmo o João Ratão. A minha mãe ainda hoje me goza porque eu lhe pedia para me contar estas histórias, com 3,4,5 anos, e sempre que as ouvia chorava baba e ranho. Lidar com a morte em criança não nos torna insensíveis em adultos, dá-nos é uma maior sensibilidade e respeito para com o tópico e até mais tempo para aprofundar o nosso conhecimento sobre ele. Só é preciso é ter adultos à volta das crianças que não tratem os assuntos como a Morte como tabus e estejam prontos a guiá-las nesses primeiros encontros. Não paternalizem as crianças. Falem com elas de igual para igual, dentro dos possíveis... mais cedo ou mais tarde, com ou sem o vosso conselho, elas saberão as verdades da vida. Mais vale que seja mais cedo e num ambiente familiar. Garanto-vos!



Sobre a Takarajima...





O John Long Silver era esplendoroso, tanto tinha medo dele como queria fazer parte da sua tripulação! Creio que era isso que o Jim desta série, desta versão da Ilha do Tesouro, sentia também. Curtam só o riso maníaco do gajo:


Depois havia o Gray, que era a minha personagem favorita, e de todos é o que tem a morte mais poética no último episódio. Ainda assim, não estou certo de que esta personagem existisse na história original. Ele era o bacano que atirava facas, que não era central mas era letal e safava as cenas no último momento, de tempos a tempos. As outras personagens dos "bons", como os putos dizem, (o médico magistrado, o ricaço, o capitão, o cozinheiro, entre outros) também eram porreiras e o Jim era uma personagem que nenhum miúdo se importaria de ter como avatar naquele mundo de aventuras. Como podem ver (spoiler alert) no video seguinte, alguns deles morrem durante a série:


Os piratas conseguiam, aos olhos duma criança, meter medo. Especialmente o velho e cego Pew e o próprio Long John. Contudo o próximo video é um musical que encontrei no youtube e que mostra um lado mais "boa onda" dos piratas!


Esta série correu do início da história até ao fim, algo raro nas séries de TV, que são canceladas antes de chegarem a uma conclusão. Gostava de a rever na sua totalidade como ela deu na RTP1, há incontáveis anos atrás! Infelizmente o DVD saiu com dobragens em francês e em alemão, mas não em Português, o que considerando que é a 5ª língua mais falada mundialmente, não se percebe. Até porque, salvo erro, foi das poucas séries dobradas da época. Razão pela qual, quiçá, eu não falo japonês! ahahahah Deixo aqui o pedido que façam uma edição do DVD com versão portuguesa. Falem com a RTP, que eles têm lá os ficheiros de áudio de certeza! É uma série sempre actual originada por um clássico da literatura, e que qualquer criança vai gostar.
http://www.imdb.com/title/tt0296435/
Para mim, a minha infância é a minha ilha do tesouro, escondida já por um oceano cada vez mais vasto de memórias. Mas no baú desse tesouro, entre outras, esta série está bem guardada contra os efeitos do tempo!
Despeço-me então, deixando-vos com um video de homenagem ao Gray (BIG SPOILER ALERT).



Sayonara... 4 now!



domingo, 18 de abril de 2010

"Aqueles que servem" - Parte II

Os dias do Samurai parecem, verdadeiramente, ter perecido.
As armas de fogo inevitavelmente tornaram as armas brancas obsoletas, tal como os canhões tornaram as fortalezas uma coisa do passado. E contudo, cada vez mais os exércitos mais avançados do mundo retornam ao passado, equipando os seus soldados com facalhões multiusos, elmos e coletes de kevlar, joelheiras, caneleiras, etc… e treinando os seus soldados nas mais variadas formas de artes marciais, enquanto criam bunkers debaixo da terra ou abrigados no interior de montanhas! Será que os guerreiros do futuro não serão mais parecidos com os samurais que com os soldados que sobre eles descarregaram cartuchos de metralhadora?
Durante a Segunda Guerra Mundial, a figura do Samurai foi usada pelo Governo Imperial para revitalizar o nacionalismo japonês, orientando-o numa via marcial e de vida ao serviço do Imperador e como tal do Império. Os soldados americanos, durante a Segunda Grande Guerra (2ªGG), temeram os ataques banzai dos soldados japoneses, durante os quais estes últimos carregavam ferozmente brandindo a sua katana violentamente contra os primeiros, como se acreditassem possuir capacidades místicas. Tal medo levou a que a seguir à 2ªGG, os americanos impusessem uma proibição contra a posse e fabrico de espadas samurai. Também confiscaram e destruíram cerca de 5 milhões destas espadas e quase que conseguiram fazer desaparecer a arte antiga do forjar destas lâminas. Mas os japoneses conseguiram esconder muitas katanas em boas condições e em 1953 foi levantada a proibição destas armas. Os artesãos fizeram renascer a sua arte, sendo impulsionados pelos bolsos de coleccionadores ricos. Ainda hoje, nos subúrbios de Tóquio, pode-se ouvir o martelar dos Katanakaji, criando estas lâminas supremas segundo os preceitos tradicionais da sua arte.
É também certo que os herdeiros dos samurais ocupavam, já em 1970, 21% dos cargos dirigentes do Japão.
Os teatros kabuki são potenciados pelas histórias épicas dos samurais desde o século XVII e há ainda reconstituições de grandes batalhas da época dos samurais. Para além disso, as artes marciais dos samurais ainda hoje são praticadas com afinco no Japão, mesmo em tempo de paz.

Um bom exemplo destas artes marciais é o Kendo, uma luta de espadas que é praticada utilizando espadas de bambu e protecções corporais.
Contudo, o samurai é o protector do seu senhor e sem guerra torna-se num instrumento sem utilidade… ou será que não? Como nos ensina a Teoria da Evolução, os que sobrevivem são os que se adaptam. Foi esse o caminho dos samurais. Os seus preceitos de estratégia, honra, respeito e etiqueta foram adaptados aos tempos modernos. Alguns tornaram-se polícias e militares, até mesmo bombeiros (pode-se ver à direita um capacete de bombeiro japonês, que se assemelha a um elmo samurai)
. Outros dirigentes de grandes empresas e políticos ao serviço do seu país. Como é bem vinculado no filme “Rising Sun”, “buisiness is war!”. E se os negócios são guerra então são da província do samurai.
Mas para muitos o tempo dos samurais já lá vai e ainda bem. Com a adopção do pacifismo no pós Segunda Grande Guerra, o mero uso da palavra samurai pode causar mal-estar entre japoneses. Para esses japoneses, o samurai é um símbolo de morte e guerra e preferem assim usar a outra palavra para guerreiro que é bushi.
Ainda assim, por muito que os japoneses possam não querer, o samurai (seja a figura em si seja a ideia mitológica da figura, ou mesmo as ideias cinematográficas da mesma) ainda vive no colectivo cultural do Japão e na minha opinião é provavelmente a sua imagem de marca, tendo sempre talvez um ou dois ninjas na sua sombra. Essa imagem foi criada pelo cinema, pelas mangas e consequentes animes que foram criadas e exportadas do Japão para o Mundo, na segunda metade do século XX. O samurai influenciou até a Guerra das Estrelas, onde os que mantêm a paz usam quimonos e têm como arma predilecta uma espada, onde o Darth Vader é uma armadura de samurai futuresca, um samurai ao serviço dum imperador.

Desta forma, e considerando também os escritos e poemas dos samurais que sobreviveram e ainda hoje são estudados e lidos, acho que podemos seguramente dizer que, embora a sua época tenha passado, os samurais ainda andam por aí muito embora possam usar canetas em vez de espadas!


A minha interpretação do código de Samurai – Capítulo 2

A visão do código sobre o Dever Filial do samurai é bastante fria e calculista, e, como tal, é essencialmente perfeita do ponto de vista lógico. Diz então o código que o samurai deve ter conhecimento do que é correcto em todos os assuntos ou situações, pois tal é exigido no bushido. Alguém que descuide dos seus deveres de filho é alguém que não reconhece que deve a sua existência aos seus pais ou de que é carne da carne dos seus pais, logo não tem uma boa consciência da relação causa/efeito, e como tal não terá capacidade de discernir o que é correcto ou não. Como tal, tal pessoa dificilmente poderá ser alguma vez considerada um samurai.
Segundo o código, há duas situações a considerar:

-1ª- os pais são carinhosos e responsáveis para com os seus filhos, providenciando-lhes todas as oportunidades que podem aos seus filhos, ministrando-lhes uma correcta educação, sem deixar que nada lhes falte e, quando falecerem, deixarem aos filhos tudo o que possuíam em vida. Quando tal acontece é fácil para o filho cuidar dos pais quando estes precisam e tal não é extraordinário nem digno de elogio. É apenas o cumprimento do seu dever filial, pois afinal se quando uma pessoa não da família nos ajuda com verdadeira amizade e em boa-fé, sentimo-nos dispostos a proceder amavelmente e fazemos coisas por ela mesmo que sejam contrárias aos nossos interesses, como é possível não termos a mesma atitude pelo nosso próprio sangue?
-2ª- Mas quando os pais são ausentes e mesquinhos, velhos irresponsáveis assim tornados pela idade e pela perda do tino, quando passam os restantes anos da sua vida a reclamar a propriedade do lar ou a fazer chantagem emocional ou quando querem sempre mais para eles sem olhar ao estado económico da família, e que dizem ainda mal da sua família às pessoas que encontram na rua, até mesmo esses pais devem ser respeitados e bem tratados. Deve-se moldar o seu mau comportamento, amainar as dores da sua senilidade e mesmo sentir tristeza por estas os afligirem, sem nunca dar-lhes conhecimento de contrariedade da nossa parte. Dar o máximo por pais assim é possuir verdadeira piedade filial.

É aqui que entra a minha visão das coisas, pois na minha opinião há mais duas situações! Uma delas é o meio-termo entre as duas situações anteriores, que aconteceu e acontece entre os meus pais e os meus avós. Nesse aspecto, devo dizer, creio que os meus pais (daquilo que eu pude presenciar e testemunhar) são autênticos samurais, tanto no que diz respeito ao dever filial como enquanto pais.
A outra e última situação são os pais tirânicos. Sejam eles demasiado ausentes ou autoritários, violentos ou pedófilos, pais desses na minha opinião não merecem quaisquer considerações filiais, pois também eles não cumpriram com os seus deveres paternais. Tais casos estão omitidos do código e achei que este meu parecer do código poderia ficar mais completo. É certo que há situações e situações, pode haver pais autoritários ou ausentes que anos mais tarde vejam o erro das suas acções e procurem fazer emendas. Acho que aí cabe aos filhos julgá-los e decidirem se merecem ou não essa 2ª oportunidade, embora o povo diga que “toda a gente merece uma segunda oportunidade”.

O código diz ainda que um senhor só pode confiar numa pessoa que seja leal para com a família, pois quem assim não for é provável que abandone o serviço do seu senhor assim que sobre este se abata maus tempos, de pobreza ou fraqueza. Poderá até trai-lo para um inimigo num momento de grande necessidade! Ao invés disso, alguém que é leal para com os seus, terá um perfeito entendimento do que é a lealdade e lutará pelo seu senhor até na mais negra das horas… talvez, especialmente, na mais negra das horas. Um ditado popular japonês é citado no código e citá-lo-ei igualmente:
“Procura vassalo leal entre as pessoas filiais!”