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sexta-feira, 16 de março de 2012

Relembrança de Evento

Eu disse que retornaria com algo sobre a Teoria da Evolução, obviamente não é isto! Estes pequenos posts para veícular informação sobre eventos não são considerados por mim um post, apenas uma colaboração que presto à Embaixada Japonesa em troca da cortesia que me prestam ao me avisarem dos ditos eventos por email. Dito isto, a entrada sobre a Evolução não tardará a chegar!

:Devo só dizer que adorava ir a este evento, mas as finanças pessoais aqui do je já viram melhores dias e vou ter de deixar para o ano! (Nota, tudo o que está a itálico é cópia directa do email que recebi da embaixada.)


O IBERANIME é um evento direccionado a fãs e curiosos da Cultura Pop Japonesa e na edição deste ano várias actividades estão programadas desde exposições, workshops de desenho Manga, escrita japonesa, origami, cosplay e vários concursos em torno do anime e karaoke. O IBERANIME é uma iniciativa da Manz eventos.

A edição terá lugar nos dias 17 e 18 de Março na Lx Factory (Morada: Rua Rodrigues de Faria, 103, 1300 Lisboa Telefone: 213 143 399)
Como chegar: Largo do Calvário - Autocarro – 60, 714, 720, 732, 738, 742 Elé
ctrico – 15E, 18E Combóio – Estação Alcântara Mar)

Bilhetes: Lojas Fnac, Worten, C. C. Dolce Vita, El Corte Inglês, Agências Abreu, Casino Lisboa, Galeria Comercial Campo Pequeno, C.C. MMM, C.C. Mundicenter e no LX Factory nos dias do evento.
http://www.ticketline.pt/.

Programa geral do IBERANIME em:
http://www.iberanime.com/pt/

Programa do stand da Embaixada do Japão:

Sábado 17

12h00-13h00 Jogos tradicionais

13h00-14h00 caligrafia

14h00-16h00 Origami

16h00-17h00 Yukata (sessão em que os participantes podem experimentar o kimono de Verão)

17h00-19h00 Origami



Domingo 18

12h00-13h00 Jogos tradicionais

13h00-15h00 Furoshiki (demonstração de uma técnica de embrulhos japoneses)

15h00-16h00 Caligrafia

16h00-18h00 Furoshiki

18h00-19h00 Yukata

A Embaixada do Japão agradece o interesse e a divulgação que possa ser feita.

Embaixada do Japão - Sector de Informação e Assuntos Culturais
Av. da Liberdade n.º 245 -6º
1269-033 Lisboa
Tel. 21-3110560/ Fax: 21-3543975
E-mail: cultural@embjapao.pt
Web: http://www.pt.emb-japan.go.jp/

quarta-feira, 14 de março de 2012

Tanjoubi

Tanjoubi significa "aniversário" em Japonês. Existem duas formas de desejar um bom aniversário:

- uma mais descontraída: Tanjoubi omedetou! (omedetou siginifica "parabéns")
- outra mais polida: Otanjobi omedetou gozaimasu!

O tópico de hoje serve precisamente para assinalar dois aniversários japoneses importantes que ocorreram neste mês.
Este foi um mês de vários aniversários que devem ser mencionados.
Por ordem cronológica:

A 11 de Março deste ano fez precisamente um ano que se deu o Grande Tremor de Terra do Leste do Japão. Já foi mencionado no post anterior que no dia do aniversário da infeliz data, a Embaixada do Japão, em conjunto com vários parceiros portugueses, organizou uma exposição e palestra sobre o sismo aniversariante, as suas semelhanças com o sismo lisboeta de 1755 e ainda sobre tecnologia anti-sísmica, na qual os japoneses são sem dúvidas líderes de pesquisa e prática. Felizmente consegui regressar a Lisboa a tempo de ter ido ao evento e não me arrependi. Contudo, falarei deste e outros eventos a que tenho ido num post do próximo mês. Também falarei num outro post no próximo mês apenas do tópico de Sismos e Maremotos, bem como da tecnologia que está a ser desenvolvida em Portugal e no Japão para minimizar os efeitos destrutivos destes eventos. Deixo-vos já, com algumas imagens da exposição em si e que são talvez testemunhas tanto da tragédia japonesa em questão como de alguns finais felizes desse infeliz evento:






Por outro lado, hoje é o aniversário de (吉澤 章) Yoshizawa Akira [14 de Março 1911 a 14 Março 2005]. Este senhor (ver fotografia abaixo) era e é considerado o grande mestre em origami. Ele é creditado por ter elevado o origami do patamar de artesanato para o patamar de arte viva. Segundo a estimativa do próprio, terá feito mais 50 mil modelos, dos quais apenas uns escassas centenas foram transpostas para o papel nos seus 18 livros. Yoshizawa serviu o Japão como embaixador de cultura internacional ao longo da sua carreira. Em 1983, o Imperador do Japão nomeou-o para receber a Ordem do Sol Nascente, uma das mais altas honras que podem ser atribuídas a um cidadão japonês.



Nasceu em Kaminokawa, no Japão, no seio duma família que vivia da pastorícia. Em criança, retirou grande prazer ao ensinar a si mesmo a fazer origami. Aos 13, mudou-se para Tóquio e tornou-se operário fabril. A sua paixão por modelagem foi reavivada quando, já na casa dos vinte, foi promovido de operário para desenhador técnico. O seu novo trabalho era ensinar geometria aos novos empregados. Ele usou então a ancestral arte dos origami para compreender e explicar os ensinamentos da geometria. Em 1937, deixou a fábrica para perseguir a sua obra nos origami a tempo inteiro. Durante os 20 anos seguintes, viveu em completa pobreza, ganhando a vida vendendo, porta a porta, tsukudani (um condimento japonês de longa duração, geralmente feito com algas). O seu trabalho de origami foi suficientemente criativo ao ponto de ser incluído no livro Origami Shuko, de Isao Honda em 1944. Contudo, foi o seu trabalho para uma edição de 1951 da revista Asahi Graph que lançou a sua carreira. Já outro relato, conta que foi de facto um conjunto de 12 signos que ele produziu para uma revista em 1954 que o lançou. Em 1954, editou a sua primeira monografia Atarashi Origami Geijutsu ( Nova Arte do Origami). Neste trabalho, estabeleceu o sistema de notação Yoshizawa-Randlett para dobragens de origami que é hoje usado por quase todos os dobradores de papel. A publicação do seu livro, ajudou-o a sair da pobreza. Pouco tempo depois ele fundou o Centro de Origami em Tóquio, quando tinha 43 anos. A sua primeira exibição no estrangeiro foi organizada em 1955 por Félix Tikotin, um arquitecto holandês e coleccionador de arte Judaico-alemã, no Museu Stedelijk. Yoshizawa emprestou muitos dos seus próprios modelos origami para outras exibições pelo mundo fora. Ele nunca vendeu as suas figuras origami, mas antes as dei de presente a pessoas, e deixou que outros grupos e organizações os levassem emprestados para exibição. Em 1956, voltou a casar. A sua nova esposa Kiyo actuou como sua agente e ensinou origami ao lado dele. Foi por esta altura que ele se tornou famoso.
Gostaria ainda de dizer que este senhor foi pioneiro em várias técnicas de origami, incluindo dobragem a molhado. Nesta última, o papel é humidificado antes de ser dobrado, permitindo que a dobra gere um aspecto mais arredondado e de escultura. Muito acreditam que foi esta inovação que elevou o artesanato a uma forma de arte.
NOTA: O texto referente a este senhor tem como fonte a página em inglês da wikipedia, uma vez que a versão portuguesa é deveras limitada.
De resto, deixo que a arte deste senhor fale por si:








Para terminar, acho importante aproveitar esta ocasião para deixar também uma definição para origami (折り紙) e também de como eu me cruzei com o termo a primeira vez. Ora bom, mais uma vez baseando-me em informação que está disponível na wikipedia, Origami é um termo japonês constituído pelos termos oru (dobrar) e kami (papel). A análise etimológica em si diz-nos o que trata esta arte. Em termos simples, sempre que vocês, meus leitores, meus amigos, meus irmãos e irmãs, fizeram um avião de papel que fosse, ou um copo de papel para beber água, ou um barquinho de papel, então vocês estavam a fazer origami. Por outro lado, foi já muito depois de ter feito as minhas primeiras tentativas nessa arte, ao longo da minha infância, que me foi apresentado o termo em si. Isso aconteceu quando eu recebi este livro:
E este foi o meu primeiro origami, consciente de que fazia um origami:

Há mais informação na página da wikipedia em língua portuguesa que lhe é dedicada:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Origami


Despeço-me então por ora, deixando-vos com um video exemplificativo de origami, que para os fãs de Harry Potter pode bem ser um Dementor, ou lá o que é, mas para os discípulos de Tolkien, será sempre um Nazgûl! Mas em breve voltarei com um post algo que diferente do habitual sobre a Teoria da Evolução. Aviso já que virei armado! ;)


terça-feira, 6 de março de 2012

Notícias "Japão em Portugal" - Março 2012

Mais uma vez, funcionando em paralelo com a Embaixada do Japão em Portugal, venho dar-vos conta de várias actividades e/ou oportunidades referentes ao Japão em Portugal, desta volta maioritariamente na área de Lisboa.
Uma nota apenas para reter ética editorial, todo o texto neste post que estiver em Itálico é texto copiado directamente do pdf informativo que a Embaixada do Japão me enviou por mail. Eu coloco aqui os eventos em destaque apenas e precisamente para lhes conceder mais notoriedade, mas deixo-vos no final do post um link directo para o documento pdf fonte.
Esclarecido isto, comecemos por anunciar duas exposições que já estão a decorrer:

Exposição de Arquitectura «Tradition is Innovation»
A exposição de arquitectura moderna portuguesa “Tradition is Innovation”, organizada pelo arquitecto japonês Sr. Yutaka Shiki, está a decorrer até ao dia 9 de Março (2ª a 6ª, 10:00~18:00), na Ordem dos Arquitectos - Secção Regional Sul (Travessa do Carvalho nº 23, 1249-003 Lisboa).
Mais informações : Email:
pointofview2011@gmail.com


Exposição de Pintura «Aihara Misa»
Estará patente até ao dia 16 de Março a exposição desta artista japonesa, Aihara Misa, na ‘Colorida - Galeria de Arte’, de Terça a Sábado, das 14h30 às 19h00.
‘Colorida - Galeria de Arte’ - Costa do Castelo, 63 – Lisboa.
Mais informações: Tel 218 853 347
http://www.colorida.biz/

De seguida, queria indicar-vos não um mas dois eventos para este fim de semana (10 e 11 de Março de 2012), sobre o Grande Sismo do Leste do Japão, que ocorreu no ano passado:


A 11 de Março de 2011, a região Tohoku, situada a nordeste do Japão, foi atingida por um grande terramoto e tsunami. Passado um ano, a Embaixada do Japão organizará uma sessão evocativa da tragédia, com o objectivo de mostrar pesar pelas vítimas e de reforçar ainda mais os votos pela restauração do país, agradecendo o apoio e solidariedade recebidos do mundo inteiro. Nesse dia, além da cerimónia, terá lugar uma exposição fotográfica das zonas afectadas pelo sismo e uma conferência sobre protecção civil, em colaboração com a Autoridade Nacional de Protecção Civil. Irão ser expostas imagens da tragédia e da situação actual e será feira (feita) uma apresentação da tecnologia anti-sísmica do Japão. Este evento vai ser aberto ao público.
Data: 11 de Março de 2012
Programação:
1ª parte - 12:00 ~13:30 Discursos Abertura da exposição das fotografias

2ª parte - 14:00 ~16:30 Conferência “Sismos e tsunamis – Experiências do Japão e de Portugal”
Local: Palácio Foz - Praça dos Restauradores, 1250 Lisboa

Contudo, e dentro do mesmo tópico, vai haver em paralelo, também este fim de semana um evento de dois dias sobre o mesmo tópico em Cascais:

Evento Memorial do Grande Terramoto de Tohoku “Contigo Japão”

A Associação de Amizade Portugal-Japão organizará, a 10 e 11 de Março, o “Contigo Japão” em Cascais, com apoio da Câmara Municipal de Cascais (cidade geminada com Atami) e outras entidades, destinado a reunir fundos para apoio às vítimas da catástrofe do Grande Terramoto de Tohoku ocorrido a 11 de Março de 2011. Do evento consta o seguinte programa:
10 de Março
15h00 - Festival das Artes Marciais no Pavilhão da Quinta dos Lombos em Carcavelos
10h00-20h00 - O Japão em exposição no Cubo de Cristal junto à Marina de Cascais
11 de Março
10h00 - Corrida pela paz junto à Marina de Cascais
15h00 - Torneio da Remada pelo Surfing Club de Portugal
10-20h00 - O Japão em exposição - Cubo de Cristal - junto à Marina de Cascais Inscrições no evento e mais informações:
info@contigojapao.org - Telemóveis: 919 993 295 / 964712096 - web: http://www.contigojapao.org/

E agora, dou-vos a saber de mais uns quantos de eventos culturais que serão inaugurados ou decorrerão este mês:

Exposição de Fotografia “Jardins Japoneses”, de José Reis!
A ‘Equivalentes’ – Associação Cultural irá organizar a exposição de fotografia – “Jardins Japoneses”, da autoria do fotógrafo José Reis, com inauguração no dia 8 Março, às 19h00, patente até ao próximo dia 7 de Abril de 2012.
Horário da exposição: de terça a sexta-feira das 17h00 às 20h00 - sábados das 15h00 às 19h00.
Local: Av. Almirante Reis, nº 74, Lisboa.
Mais informações: ‘Equivalentes’ -
http://casadafotografia.equivalentes.org/

Workshop de ‘Origami’ pela Embaixada do Japão
Terá lugar um workshop de ‘Origami’ (dobragens de papel) organizado pela Embaixada do Japão (Av. da Liberdade, No 245-6º, 1269-033 Lisboa) nos dias 15, 16, 19 e 20 de Março (inscrição obrigatória).
Mais informações: Embaixada do Japão – Tel.: 213 110 560
Email:
cultural@embjapao.pt

Iberanime 2012
Decorrerá, de 17 a 18 de Março, no LX Factory (Rua Rodrigues de Faria 103, 1300-501 Lisboa), o Iberanime, que contará com exposições e workshops de Manga, Origami, cosplay, concursos de Anime e Karaoke, etc.
Mais informações: Tel: 214 269 710 / http://www.iberanime.com/pt/
Compra de bilhetes:
http://www.ticketline.pt

Festival de Animação de Lisboa – MONSTRA
Terá lugar, de 19 a 25 de Março, o Festival de Animação de Lisboa – “Monstra” −, no Cinema São Jorge (Avenida da Liberdade nº 175, 1250-141 Lisboa). Os filmes de animação japoneses como “Ghost in the Shell” pelo realizador Mamoru Oshii, também serão exibidos.
Mais informações: 918 453 750, 918 682 115 /
producao@monstrafestival.com,
festival@monstrafestival.com http://www.monstrafestival.com/index.php/pt/

Antes de terminar, quero ainda relembrar que:

O Ministério da Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia do Japão (MEXT) concede bolsas de estudo para estudos académicos no Japão a estudantes portugueses que queiram aprofundar os seus conhecimentos em língua Japonesa, assuntos do Japão e cultura Japonesa. Estas bolsas têm o objectivo de promover a mútua compreensão e aprofundar as relações de amizade entre o Japão e os outros países pela utilização de avançados conhecimentos da língua e cultura Japonesas. Candidaturas até ao dia 8 de Março de 2012.
Mais informações: Embaixada do Japão – Tel.: 213 110 560 Email: cultural@embjapao.pt


E dar-vos a conhecer a:
Revista de Banda Desenhada “BANZAI”

Foi lançada em Novembro do ano passado a revista trimestral de banda desenhada “BANZAI”, pela edição da “NCreatures”, produtora de conteúdos originais. A revista tem a participação ocasional de autores estrangeiros, como parte da parceria da “NCreatures” com a “Comic Party” da Dinamarca e a “Nosebleed Studios” da Suécia.
Website :
http://banzai.ncreatures.com

Para mais informações sobre estes tópicos e notícias do Japão, deixo-vos o link abaixo, que é também a fonte deste post:
http://www.pt.emb-japan.go.jp/newsletter2012/Embaixada_do_Japao_Noticias_MARCO_2012.pdf

Gostava muito de poder ir à Sessão Evocativa do Sismo que se vai passar no dia 11, mas provavelmente não conseguirei. Em jeitos de despedida, quero apenas dizer que este mês aqui no N.I.N.J.A. Samurai vamos ter muitas novidades e, mesmo não contando com este post e tendo eu tempo suficiente para tal, 3 posts. Posso adiantar que vou falar, nessas entradas de futuro muito próximo, sobre a Teoria da Evolução (pela voz dum embaixador muito especial), sobre Vampiros (oh sim, eles andam aí ;) e, last but not least, sobre o código do Samurai. Por isso, até breve,
Alex, signing off...

domingo, 1 de janeiro de 2012

Um Feliz Ano de 2012

Os cartões Nengaju só devem ser entregues no dia 1. Eis o do N.I.N.J.A. Samurai!!




Quero começar o ano com uma mensagem de esperança, no meio de tanta agitação socio-económica e política que tem percorrido este nosso pequeno berlinde azul e que se adensou drasticamente no ano passado.




Por isso, recordo-vos daquilo que já sabem, lá no fundo. Que se cada um de nós se esforçar para fazer a diferença individualmente, o conjunto dessas difernças individuais e distintas entre si criará um futuro bem melhor do que aquele que será gerado quer por continuarmos a agir sem paixão, sem reflexão, aceitando tudo o que a televisão e os jornais nos dizem sem pensar duas vezes, porque "tem de ser" ou porque "sempre assim foi e há-de ser", quer pelo futuro gerado pela inacção da conformidade ou da perguiça. Cabe a cada um de nós melhorar o nosso cantinho do mundo, para conseguirmos, todos juntos melhorar o mundo inteiro.


Como exemplo dessa mesma filosofia de pensamento, mostro aquela que já é tida por muitos como a casa mais estreita do mundo. Que tem isto a ver com o Japão? Tudo, pois o seu dono e construtor é de facto japonês. Encontrei esta informação no http://www.sitedooriente.com/.
As imagens falam por si:















Um bem conhecido problema do Japão é a crescente falta de espaço para os seus habitantes. Em Portugal diz-se "A necessidade aguça o engenho." e assim sendo o arquitecto japonês Kota Mizuishi criou esta vivenda num estreitíssimo terreno. A moradia conta com cozinha, quartos, sala de jogos e casa de banho e está avaliada em cerca de 200 mil dólares americanos.





Resta-me apenas desejar a todos um excelente Ano Novo e pedir como único desejo que reflitam naquilo que vos disse acima e, se acharem mérito no argumento dado, coloquem-no em prática. Ajam, mas ajam com cabeça e não atabalhoadamente como os nossos políticos têm a mania de fazer, mais preocupados com as aparências de estare a desenvolver trabalho que em realmente tentarem descobrir um caminho não só orientado para os resultados, mas sustentável e de futuro, não só de curto prazo, mas também de longo prazo. Exemplo de como um cidadão comum pode fazer isso... dou três. Para os que têm lareira, vão recolher lenha nas florestas portuguesas, pois assim limpam as matas, poupam na electricidade para aquecimento e ajudam a prevenir ou minimizar os fogos florestais no Verão. Para os fisicamente aptos, tornem-se dadores de sangue e de medula óssea. E finalmente para todos, façam reciclagem.



Um feliz ano novo e rock on! ;)

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Geishun ou Gashou? - Parte 1


Em Janeiro, deste ano fiz uma entrada no blog sobre o Natal e o Ano Novo no Japão. A verdade é que o post ficou incompleto, porque realmente há muito para falar! Por exemplo, na imagem acima vemos um templo japonês super protegido contra espíritos malignos! Uma autêntica fortaleza! (Não, não estou doido, continuem a ler :)
Como em tudo o que é costume japonês, a preparação da festa celebrativa do Ano Novo é, nada menos, que um complexo ritual!
Já agora, o período das festas de Ano Novo, a que nós simplesmente chamamos por As Festas, no Japão é chamado: Oshougatsu.
O link abaixo faz ligação ao post de Janeiro supramencionado.
http://150anosportugaljapao.blogspot.com/2011_01_01_archive.html

Antes de mergulharmos no ritual de preparação do Ano Novo Japonês, vejamos primeiro uma festa que ocorre no final do mês de Dezembro, geralmente entre amigos ou colegas de trabalho. Chama-se Bounenkai e a sua origem oriunda do período Meiji. A palavra Bounenkai tem três significados como “esquecer a velhice”, esquecer os acontecimentos do ano que está a acabar” e “esquecer a diferença de idades entre as pessoas”. Essa festa proporciona um ambiente descontraído entre superiores e subalternos no local de trabalho, pois durante a mesma não se liga a postos hierárquicos. Com isso em mente, as pessoas beneficiam dum ambiente festivo e descontraído, que lhes permite para ter uma atitude mais extrovertida com os colegas e superiores do trabalho, fortalecendo assim os laços sociais no local de trabalho. A festa tem como pilares o sake, acompanhado de karaoke, e apresentações de habilidades especiais por partes dos convivas, como por exemplo números de ilusionismo ou dança. Como membros duma sociedade ultra-regulamentada, os japoneses aproveitam esta festa para descontrair do stress acumulado ao longo do ano, através de uma sensação de liberdade conseguida pelo relaxamento das regras sociais.
Outro costume é o da troca de cartões Nengajo, postais para desejar um bom ano novo a familiares, amigos e colegas estimados. Foi este costume que originou o título para este post. A tradição é enviar os cartões de desejos de um próspero Ano Novo durante o mês de Dezembro. O costume é tão intrinsecamente importante na sociedade actual japonesa que mesmo que uma pessoa coloque o cartão no correio a 1 de Dezembro, a pessoa ao qual este é destinado só o recebe a 1 de Janeiro. O que acontece é que os Serviços de Correios Japoneses acumulam os Nengajo e fazem uma massiva entrega no dia 1 do Ano Novo. De facto, o Ministério de Correios e Telecomunicações japonês (yuuseishou) edita alguns Nengajo especiais, designados pela expressão otoshidama-tsuki nenga hagaki, que possuem números para um sorteio de Lotaria. Contudo é considerado má educação enviar um desses cartões a alguém que perdeu um familiar nesse ano. Nesse caso, o costume diz que se deve contactar a pessoa antes da passagem de ano e dizer “ii otoshi wo omukae kudasai” que significa “tenha uma boa passagem de ano”. Depois do 1º de Janeiro, a frase usada deve ser “akemashite omedetou gozaimasu” (parabéns pela passagem de Ano).
Os Nengajo tem como premissa de concepção, por norma, o animal zodiacal, eto, que indique o ano presente. O eto deste ano é a Lebre, simbolizado pelo caracter 卯, e a sua direcção é o Leste. Cá em Portugal tem sido o Ano do Coelho e a direcção é para baixo direito ao inferno! Não resisti! Continuando... Existem muitos cartões diferentes à escolha, dependendo também das formas literárias de desejar uma boa passagem de ano e um feliz ano novo:
- Tsutsushinde shinnen no oyorokobi o moushiagemasu – transmito a minha alegria pela passagem de Ano;
- Shinshun no Goshukushi o Moushiagemasu – desejo-lhe um próspero Ano Novo;
- Gashou – uma saudação ao Ano Novo;
- Geishun – uma expressão que dá as boas vindas ao Ano Novo.
Outro costume impossível de falhar é a entrega ao chefe de um presentinho, chamado Oseibo, que é responsável pelo aumento de vendas nas lojas nesta altura!

Ataquemos agora os rituais do fim de ano!
Começa-se pela Oosouji, uma limpeza intensa que ascende ao nível de verdadeira purificação. Numa casa tradicional japonesa, as donas de casa livram-se dos tatamis velhos e substituem o papel dos painéis que compõem as divisórias da habitação. Até nos escritórios esta limpeza tradicional é observada e são os próprios trabalhadores a limpar os seus cubículos. Como é tradição, ninguém se queixa… pelo menos, de forma oficial ou audível!



Feita a purificação, há que afastar os espíritos malignos, pois como diz o meu sábio avô “Todo o cuidado é pouco!”. Para tal, as portas e portões são protegidos com decorações de corda feita de palha de arroz entrelaçada. Essas decorações são denominadas de shimenawa, que significa literalmente “corda que encerra”, e são usadas em rituais de purificação do sistema de crenças Shinto. Os templos xintoístas usam-nos para separar o mundo em geral dos lugares sagrados. São tidas como protecções contra espíritos malignos, sendo então frequentemente vistas em templos, lugares cerimoniais ou portões torii. Uma versão diferente das shimenawa é usada à cintura pelos yokozunas (os campeões de Sumo, imagem acima). Outro uso que têm é o de assinalar árvores tidas como sendo moradias de Kodama (espíritos malignos) e as quais é melhor não cortar, reza a crença.
(LEGENDA: A gravura vista em cima à esquerda é uma representação dum Kodama. E em baixo e à direita temos uma árvora portadora de Kodama!)



Decidi dividir este post em dois para não ficar enorme. Contudo, vou postar a sequela já de seguida.
Até já!

sábado, 10 de dezembro de 2011

Shinobi - Parte 1

Como já devem ter percebido, a minha paixão pela cultura japonesa é igualada pela minha paixão por cinema. Como tal, tenho andado a magicar uma curta-metragem que tenha a ver com o Japão.
Os parâmetros para esta curta-metragem são óbvios: tem de envolver pouca gente, não pode exigir muito em termos de cenário, e tem de poder ser contada em 30 minutos ou menos! Ah sim, como infelizmente não tenho nenhum amigo japonês, as personagens japonesas da curta não podem mostrar a cara.
Pois é, adivinharam... vou mesmo ter de meter ninjas ao barulho!
A verdade é que evitei falar deles. Não por medo ou superstição. Sou ocidental e estou a léguas do Japão, além de ser tão insignificante que nenhum ninja alguma vez me poderá desejar silenciar. Apenas porque já tinha feito dois longos posts sobre samurai e, embora as duas palavras dêem nome ao blog, não queria restringir-me só a isso. Mas já dei mostras, post após post, de que consigo abordar muitos outros tópicos relacionados com o Japão e com isso ganhei o direito,perante mim mesmo, de escrever sobre os Ninjas.
Ora bem, na verdade não se sabe assim muito sobre eles. Já referenciei, no primeiríssimo post que fiz neste blog, a página da Wikipédia sobre o tópico, escrita em Português do Brasil. A página está boa, mas incompleta. Procurarei não dizer o que nesta já foi dito, mas antes completá-la, essencialmente traduzindo certas partes da sua homóloga em Inglês.
Comecemos pela etimologia (assunto que enquanto escritor também adoro e que trata a origem e significado dos nomes) das palavras ninja e shinobi, que são sinónimos!Na imagem abaixo e à esquerda, podemos ver os caracteres kanji que designam a palavra ninja, através duma leitura on’yomi (uma maneira de ler kanji influenciada pelo chinês medieval). Se a leitura for feita no estilo nativo japonês chamado kun’yomi, os mesmos caracteres lêem-se shinobi, nome que é diminutivo do nome composto shinobi-no-mono (忍の者). Ou seja, os dois sinónimos surgem de duas vias de leitura disponíveis, embora queiram dizer exactamente a mesma coisa e só haja uma maneira de escrever essa… ahum… coisa! “Shinobi” tem o significado subjacente de “fazer desaparecer” e, por extensão, de “resistir ou aguentar”, enquanto que “mono” quer dizer “uma pessoa”. Portanto a expressão indica alguém capaz de suportar/resistir e desaparecer. A palavra shinobi tem referências em textos desde o século 8 D.C. e a designação shinobi era a mais usual no Japão feudal. Contudo, a cultura do pós Segunda Guerra Mundial tornou o termo ninja mais popular, talvez pela sua facilidade de reprodução nas línguas dos ocidentais.
Existem ainda muitos termos coloquiais para designar ninjas. Por exemplo, monomi que quer dizer “aquele que vê”. É interessante, e aqui podemos talvez ver expresso linguisticamente, o carácter mágico atribuído aos ninjas. No ocidente, o termo "witch" (bruxo/a) vem do termo celta "wicce" que quer dizer "sábio" simbolicamente, mas literalmente traduz-se para "aquele que vê" ou "vidente". O termo nokizaru também foi usado para os designar e quer dizer “macaco de telhado” (saru é o termo típico de macaco em Japonês, mas refere-se a uma espécie autóctone ao Japão e portanto hoje em dia diz-se Nihonzaru [onde Nihon quer dizer japonês.] Podemos ver o bicho na imagem abaixo). Outros termos mais simples surgem como rappa (rufia), kusa (erva) e Iga-mono (pessoa de Iga). Kunoichi, que quer dizer ninja feminino, surge de se pronunciar cada um dos traços que compõem o caracter para mulher (女 = mulher divide-se em く(ku)ノ(no) 一 (ichi) ).


Historicamente, poucos relatos existem sobre ninjas, se descontarmos os contos populares. O historiador Kiyoshi Watatani disse que os ninjas treinam em segredo e fazem tudo para manter as suas artes secretas:
As técnicas do chamado Ninjutsu (…) têm o objectivo que o adversário não saiba da nossa existência, e para elas existem treinos específicos”, Turnbull, Stephen (2007), Warriors of Medieval Japan, Osprey Publishing.
Antes do século XV, os ninjas não eram mais que assassinos a soldo e ladrões. Mas no período Sengoku, durante o qual os samurais de digladiavam em campo aberto e segundo um código de honra, surgiu uma exigência da existência de homens que não se importassem se fazer guerra duma forma tida como menos honrosa. Os ninjas apareceram então como mercenários de excelência, contratados para espiar, assassinar, sabotar ou roubar o inimigo de quem lhe pagasse.
Na guerra, tiveram inúmeros papéis quer como espião (kancho), batedor (teisatsu), guerreiro de emboscada (kishu) e agitador ou criador de caos (konran). Os clãs ninjas organizaram-se em guildas, ocupando cada uma um determinado território. Tinham uma hierarquia: o jonin (o mais alto na hierarquia) representa o grupo e recebe os contratos; os chunin são os seus assistentes e estão no meio da hierarquia; o agente de campo, que recebe e executa as ordens, o final da cadeia hierárquica, tem o título de genin.
Os ninjas surgiram das regiões montanhosas e de difícil acesso em Iga (actual Perfeitura Mie) e Koga (actual Perfeitura Shiga). A inacessibilidade destes locais poderá ter tido um papel fulcral na criação do ninjutsu. É feita a distinção entre os ninjas destas duas províncias e os espiões ou mercenários contratados do povo por samurais, pois estes clãs eram devotos na criação de ninjas profissionais. E foram-no até Oda Nobunaga ter invadido Iga e destruído os clãs organizados. Alguns sobreviventes espalharam-se pelo Japão, mas outros chegaram até Tokugawa Ieyasu que os recebeu bem e os tornou seus guarda-costas pessoais. Entre eles estava o homem cujo o nome foi popularizado no filme Kill Bill: Hatori Hanzo!
Mais tarde, durante o shogunato de Tokugawa Yoshimune, este último criou um grupo especializado na recolha de informação para daymios e membros do governo, uma primeira agência de serviços secretos. O nome da agência era Grupo Oniwaban. Os seus agentes eram chamados de oniwabanshu (jardineiro, no sentido de “aquele que cuida do jardim”). Embora não haja um documento histórico que o diga, a natureza secreta do grupo leva a crer que os seus membros fossem shinobi. Eles são falados, por exemplo, numa das minhas séries de anime preferidas chamada Samurai X.
Esta ligação entre ninjas e agentes secretos leva-me ao meu filme preferido do James Bond: Só se Vive Duas Vezes.
Ora bem, porque é que este é o meu filme preferido do bom e, admitamos, velho 007?
Bem a resposta tem tanto de complexa quando de previsível. Primeiro, é um dos do Sean Connery, que para mim será sempre o melhor dos Bond. Depois, tem uma ameaça de intriga internacional em que paira no ar o terror do romper de uma guerra atómica entre a URSS e os EUA. Em seguida, passa-se no Japão e no Espaço de baixa órbita! Tem os gadjets mais fixes de toda a série, como o cigarro-pistola e a Little Nellie, aeronave que entrou para o Livro de Recordes Guiness como a aeronave mais pequena pilotada. Depois tem ninjas e duas das actrizes japonesas mais giras que já vi até hoje! Aquela mergulhadora de pérolas era adorável! -_- Para além disso, mostra um Bond conhecedor de uma cultura completamente diferente da dele, incluindo até a língua nipónica. Fala-se de coisas como a temperatura correcta para se beber sake! E tem o mauzão do gato, o vilão que sempre curti mais e o big boss da SPECTRUM (tenho saudades desses gajos!). Ainda adorei um ditado japonês usado pelo Bond quando o seu colega japonês goza com o facto de ele ter pêlos no peito (aparentemente os japoneses não os têm). O Bond diz então: "Um velho ditado japonês diz: Um pássaro nunca faz ninho numa árvore sem folhas!" Ahahaha. Brutal!



Pontos menos bons: o Blofeld mostra a cara neste filme e eu acho que a personagem é muito mais interessante quando não lhe vemos a cara; aquela operação para transformar o Sean Connery num asiático foi uma beca puxado, mas no contexto da história deixa-se passar; treinar um ninja em tão pouco tempo é impossível, mesmo para alguém que seja já de início um espião presumivelmente com vastos conhecimentos de auto-defesa.
http://www.imdb.com/title/tt0062512/

Antes de terminar, e como já devem ter percebido, vou só confirmar que este post terá continuação. O assunto é vasto. Falta falar da acção histórica dos ninjas durante a inquietação da era dos Shogunatos, o pouco que se conhece das suas artes marciais e armas, os poderes místicos que lhes foram atribuídos, e também sobre o que é feito deles hoje em dia. Além disso, falarei dum filme chamado Shinobi de origem japonesa que eu gostei bastante, doutro chamado Ninja Academy (ao género da Academia de Polícia), e de um filme de 2009 chamado Ninja Assassin. Justificarei porque acho que o Bond é um ninja-samurai. Essa entrada terá o título Shinobi - Parte 2. Esperemos que a Parte 3 venha a ser a minha curta! Despeço-me por hora, mas prometo o regresso ainda este ano! (e puff!, desapareço numa bola de fumo)
`_´

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Hibakusha II - O Rei dos Daikaiju!

Esta entrada segue na esteira de uma outra que fiz em 2010, de seu título Hibakusha (aqui linkado), sobre os sobreviventes das bombas nucleares, daí o título deste post e já perceberão a relação.
Kaiju é uma palavra japonesa que é correctamente traduzida para "estranha besta", mas que normalmente é tida como sinónimo de "monstro". Um Daikaiju é uma variante dessa palavra que indica "monstro gigante". Se ainda não perceberam de quem falo, dou-vos uma pista visual, pois uma imagem vale mil palavras:







Então... já lá chegaram? Quem poderia fazer tamanha pegada? Nunca houve, pelo menos que se saiba, um dinossauro com tais dimensões. Então quem? Só pode ser o Godzilla!
O seu nome original, japonês, é Gojira. E tal foi até mencionado no guião do filme Godzilla feito nos EUA. O nome Gojira provém da combinação de duas palavras japonesas: gorira (sinónimo de "gorila") e kujira ("baleia" em japonês). Tal aconteceu porque aquando da sua criação, o daijuku foi descrito como o cruzamento entre um gorila e uma baleia, dando a entender a sua imensa força e tamanho, a sua postura mais ou menos humanóide (se não contarmos a cauda), mas também a sua origem e natureza marinhas. Existe um rumor popular de que a ideia para o monstro em questão proveio de um escritorário da Toho que era maldosamente apelidado de Gojira pelos colegas. Até agora, esta mítica história de origem nunca foi confirmada, particularmente, porque nenhum antigo funcionário da empresa se assumiu como "o tal". Eh eh eh!

O produto acabado é o que se pode ver abaixo:



Mas que tem o Godzilla a ver com os Hibakusha? Bem, tudo. Ele próprio é um Hibakusha, pois originalmente o monstro é criado pela radiação deixada por bombas atómicas. Historicamente, a inspiração para a conceptualização da criatura foi precisamente o ataque nuclear que o Japão sofreu às mãos dos EUA, no final da Segunda Guerra Mundial. Inicialmente o monstro é o vilão, ameançando Tóquio, constituindo uma metáfora cinematográfica para armas nucleares em geral. É verdade que a sua origem varia de filme para filme, mas a constante é o seu tamanho e poderes serem sempre resultado de mutação por radiação nuclear. Parece que originalmente, o Godzilla foi apresentado como um ser pré-histórico que seria o elo de ligação entre as criaturas marinhas e as criaturas terrestres (relembro que o filme surgiu em 1954, na mesma época em que Orson Wells fez muita gente nos EUA acreditar que uma invasão marciana estava a decorrer com uma mera emissão radiofónica), que teria atingido aquelas dimensões e poderes pela mutação causada pelas bombas atómicas largadas no fim da guerra.
O Godzilla tem diversos poderes, que variam de filme para filme, sendo a constante a sua completa adpatabilidade quer em terra, quer na água. Também o seu tamanho e força nunca diferem. Nos filmes japoneses da Companhia Toho, o Godzilla possui também uma capacidade de auto-cura muito rápida (tipo Wolverine) e é capaz de disparar raios nucleares da sua boca. Nos 28 filmes produzidos pela Toho, ele tem variadíssimos outros poderes e capacidades que por vezes são fulcrais na história do filme. Surgem até alturas, em que o rei dos monstros gigantes usa artes marciais para derrotar os concorrentes ao título.



Nota: Gostei da imagem acima, particularmente pelo carácter japonês que tem. Dois monstros gigantes a combaterem espezinhando um castelo medieval japonês! Belo cenário!


Desses concorrentes, o meu favorito é o mostrado na imagem mostrada acima. Rei Guidorah, prós amigos portugueses. O filme que eu vi é de 1991(embora existam mais antigos), portanto a cores, e chama-se "Godzilla Vs King Guidorah":
http://en.wikipedia.org/wiki/Godzilla_vs._King_Ghidorah
http://www.imdb.com/title/tt0101962/


Eu nunca vi os filmes originais, a preto e branco, mas uma vez diverti-me muito numa das antigas semanas temáticas de cinema da RTP2, que deu um filme do Godzilla diferente todos dias dessa semana. Este que menciono acima foi o que mais gostei e o qual mais me lembro em termos de enredo.
Com isto chegamos à nova encarnação do bicho, a versão americanizada, if you will. Em vez de ser um homem num facto de borracha é feita com CGI, na minha opinião até bastante bem feita. Mas há quem argumente que o Godzilla Norte-Americano não é o Godzilla. O filme foi muito mal recebido pelos fã(nático)s do Godzilla original e mesmo pelos críticos, mas limpou nas bilheteiras e ainda originou um série de desenhos animados que eu até curtia ver, mesmo já no liceu. A Toho contudo reclassificou o Godzilla Americano como Zilla, pois declarou-o não merecedor do nome God (deus) no seu nome. Até são capazes de ter razão, afinal ele morreu e o Godzilla nunca morre, e ele não tem superpoderes atómicos como o original. O Zilla não é Godzilla.

Logo, quando a Toho depois fez o filme "Godzilla: Final Wars", meteram o Zilla lá no meio e claro foi derrotado pelo original. Rumores não confirmados dizem que a Toho considera no entanto o Godzilla Jr da série de desenhos animados digno de ser um dos filhos do Godzilla, uma vez que até tinha o raio nuclear como o pai. Parece que a Legendary Pictures comprou os direitos da personagem e está em vias de fazer um novo filme hollywoodesco do Godzilla... a ver vamos. Mas hey, o segundo Hulk foi bem melhor que o primeiro.


O Godzilla, originalmente visto como uma força destrutiva e descontrolada, reminiscente da guerra nuclear, tornou-se num protector do Japão com o avançar dos tempos. Mas na versão americana voltou a ser um lembrança do que a poluição de lixo atómico e de testes nucleares podem alterar em demasia o nosso mundo e colocar a nossa existência em risco. Era essa a sua inspiração inicial e, talvez por consequência, a sua missão.
O rei dos monstros do cinema, figurou em vários filmes, quer como vilão, quer como herói, ao longo dos anos. Também figurou em brinquedos, jogos de computador, e até anúncios de TV. Felizmente, o monstro-rei e os seus companheiros e inimigos enormes, só existem nos filmes. Assim, o Godzilla, como estrela de cinema muito bem sucedida e internacional que é, teve direito a uma estrela no Passeio da Fama, em Hollywood:

Os filmes são supostos ser divertidos ou suscitadores de emoções fortes, afinal o cinema é uma indústria de entertenimento. Mas os bons filmes, aqueles que perduram e são recordados, contêm uma mensagem velada, conscienciosa, para muitos invisível, nas entrelinhas dos seus diálogos e das milhentas palavras contadas pelas imagens que os compõem. Este Rei dos Daikaiju é um símbolo violento e monstruoso que surge como crítica e aviso para o futuro contra mais uso de capacidades nucleares na guerra, mas também recorda que a radiação que produzimos bem como a poluição por ela gerada tem de ser tratada e minimizada, ou podemos um dia ser destruídos pelos monstros tecnológicos que criamos.

Considerem-se avisados...

domingo, 20 de novembro de 2011

Humor

LOL :




Um pedaço de filme que nunca foi projectado num cinema como bem merecia:



Um video do Jim Carey a gozar com o Karate:
http://www.youtube.com/watch?v=T2u1GKJ3csE&feature=related


Vão ao google tradutor e ponham lá isto:
ノーッサ ノーッサ アッシン ボッセ メ マーッタ! アーイセエーウテーペゴ!アーイ,アーイセエーウテーペゴ
a seguir ponham para traduzir de Inglês para Japonês (Siim, de inglês para Japonês) e ouçam a tradução... é de morrer a rir!

Signing off... 4 now!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Já que estamos numa de artes e cultura...

Parece que há um artista japonês que tem como matéria prima bananas. Nelas faz escultura, com pouco mais que um palito e muito jeitinho! ahahha
Algumas das caras são bem reconhecíveis, como a do Achmed o Terrorista.
E já que estamos numa de banana, eis um truque de ilusionismo, algo que idiota, mas ainda assim:









Mas voltando ao assunto, o artísta em questão chama-se Keisuke Yamada, e ganhou notoriedade postando a sua arte na net!
Como vem na Nona de Beethoven: Banananam Bananam



















Vejam o post anterior sobre o Teatro Noh em Lisboa, dia 10 e 11 de Junho!!!!




Sayonara!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Prólogo

Caros leitores,

o objectivo deste blog é comemorar o 150º aniversário do Pacto de Paz, Amizade e Comércio, estabelecido entre Portugal e o Japão. É precisamente em 2010 que este aniversário se verifica e daí o blog surgir agora.
Tentarei assim, de uma forma bastante humilde, aproximar os dois povos pela única via que me está aberta, a da cultura! Assim, as entradas deste blog serão temáticas, dando a conhecer aos leitores, que eu presumo venham a ser maioritariamente portugueses, vários aspectos da cultura e história nipónicas. Farei também várias comparações entre aspectos de cultura japonesa com a nossa e dessa forma procurarei evidenciar as semelhanças entre os nossos povos, no seu melhor e no seu pior, assim como as diferenças. Posso desde já oferecer um vislumbre do que se seguirá. Falarei de futuro sobre artes marciais japonesas e portuguesas (sim, também existem!!!), compararei o cavaleiro medieval português com o samurai japonês, falarei da nossa chegada ao Japão e de como fomos os principais causadores do fim da era dos samurais, introduzindo naquele país as armas de fogo. Falarei ainda de filmes relacionados com o Japão ou mesmo japoneses, séries de anime que gostei e que sugiro, da posição dos dois países na 2ª guerra mundial, etc...
Além disso, no final de cada entrada, deixarei uma parte do Código do Samurai. Reparem que por razões cínicas do mundo em que vivemos, não poderei transcrever literalmente o código do samurai. Tentarei então transmiti-lo por palavras minhas, tentando ser fiel às ideias lá retratadas, mas sem dúvida impregnando-o da minha própria perspectiva. Dessa forma, e também de forma humilde, procurarei trazer o código do samurai à luz do século XXI e numa perspectiva portuguesa. Isto acho que é útil uma vez que aquele manuscrito centenário tem princípios básicos que podem facilmente ser aplicados à vida quotidiana ou profissional, tornando o seu seguidor uma pessoa mais ética, mais feliz e mais em paz consigo mesma.

Quanto ao título deste meu blog... Usei palavras que fossem sobejamente conhecidas pelos ocidentais apaixonados pela cultura nipónica e, sejamos francos, quem das pessoas da minha geração e mais velhas não ouviu já falar de ninjas ou de samurais? Contudo, o título não é assim tão supérfluo, e tem em si um significado um pouco mais profundo. Comecemos pelo N.I.N.J.A.:
- a palavra ninja no ocidente alude a uns quantos clãs japoneses que viviam em contracultura no Japão medieval. Não seguiam nenhum senhor feudal, eram peritos em variadíssimas artes de morte e subterfúgio as quais vendiam a quem lhes pagasse mais ou usavam de acordo com os seus próprios desígnios. No Japão, chamam-lhes Shinobi. A maneira como matavam, através da camuflagem, do disfarce, do silêncio, da sabedoria sobre os pontos vitais do corpo humano e o uso de hipnotismo e ilusão, fez com que nas lendas da época fossem dotados de artes e poderes mágicos. Admiro-os pelo seu gosto pela liberdade, pela sua resolução em não dobrarem joelho a nenhum senhor feudal e pelos saberes que mantinham. É minha veia lusitana a ressurgir. ;D Mas o ninja que dá título a este blog é um ninja ocidental e é uma sigla. Esta sigla é um triste testemunho da época de instabilidade económica e pobreza que assola este nosso mundo. Esta sigla é usada na gíria bancária: No Incomes, No Job or Accepts. Quando pensei neste blog, não tinha emprego e era um NINJA. Usei este nome também para que fique bem patente a época em que este blog surgiu;
(não tá má, embora esteja em português brasileiro: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ninja )
- agora ataquemos o Samurai. Como nos ensina o filme "O Último Samurai", a palavra samurai quer dizer "servir" e não "guerreiro". Pois muito bem, este blog procura servir o povo português, oferecendo-lhe uma janela para dentro da cultura japonesa e desta forma reforçar os laços entre dois povos que têm tanto de semelhante como de diferente, e que tem muito mais a ganhar em cooperar activamente um com o outro do que em deixar enfraquecer os laços centenários que os unem, à medida que as areias do tempo se esvaem inevitavelmente.

Não me resta mais nada para dizer por hora, excepto deixar então o prólogo da Minha Interpretação do Código do Samurai, uma vez que este é o prólogo deste meu/nosso blog.
Deixo também a sugestão, para quem gosta de exposições de arte, sigam este link:
http://www.japao-portugal150.com/





A Minha Intrepretação do Código do Samurai - Prólogo



A primeira, e talvez mais importante, noção do código do samurai é o dever do guerreiro de manter sempre presente a ideia da morte eminente em todos os aspectos da sua vida quotidiana e profissional. Assim, o guerreiro terá consciência de que a morte poderá surgir-lhe a qualquer momento e como tal viverá ao máximo todos os segundos da sua vida. Em possíveis discussões, o homem que aceita que poderá morrer no momento seguinte, mede bem as suas palavras antes de as proferir, a fim de ter a certeza de não dizer algo que se arrependa de seguida. Pois se o fizer e a morte vier, morrerá em falta para com quem estava a discutir. Morrerá com arrependimentos e não terá uma morte honrosa. Seguindo esta ideia, o guerreiro dirá o que precisa de dizer aos que estima e aos que odeia, sem medos, porque a morte estará eminente e aquela poderá ser a última oportunidade que terá para dizer o que tem a dizer. Não deixará passar boas oportunidades, pois saberá que a morte está “ao virar da esquina”. Portanto, este primeiro e mais importante princípio, estando presente, obriga o guerreiro a viver como se todos os momentos da sua vida fossem o seu último momento, aproveitando-os ao máximo, medindo cada acção para viver sem arrependimentos e conservar a sua honra e aqueles que lhes são queridos bem cuidados e felizes. Este “carpe diem” oriental, este “chupar o tutano da vida” japonês, pode e deve ser aplicado a qualquer tipo de vida. Não precisamos de ser guerreiros para vivermos ao máximo e sem arrependimentos. Há que pensar antes de agir, a fim de evitar a desonra e os erros.
Por outro lado, mas com uma lógica fria e correctíssima (na minha opinião), o código do samurai explica ainda que, o guerreiro que tem sempre presente a ideia da morte eminente cuida da sua saúde e como tal procura ser moderado na alimentação, na bebida e na folia. Usufrui destas por certo, mas em dose q.b., e não como forma ou estilo de vida.
A ideia da morte permite ao guerreiro assim duas coisas. A ideia de que a morte é inevitável e eminente faz com que o guerreiro proceda da forma mais correcta possível, evitando assim erros e remorsos ao longo da vida, permitindo-lhe também actuar durante a sua vida sem medo da morte, pois estará de bem consigo mesmo e viverá sem arrependimentos. Por outro lado, a ideia de que a morte pode surgir a qualquer momento leva-o a viver cada segundo da sua vida como se do último se tratasse, não desperdiçando tempo, gozando todos os pequenos e grandes prazeres da vida, quando as oportunidades surgem e em quantidades apropriadas. Sem esta noção, o samurai é fraco, não gozará de uma longa vida nem de uma vida honrosa.
É dessa forma que se pode viver “a vida em cada fôlego, morte a cada instante”, como é dito no “O Último Samurai”. Há então que manter a consciência no momento presente, com a morte a pairar sempre sobre a cabeça (como ela está na realidade), para não fazermos algo de que nos possamos arrepender ou para impedir que nos venhamos a arrepender de não ter feito algo quando tal oportunidade surgiu.