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quinta-feira, 19 de junho de 2014

GOJIRA

Recordar-se-ão os leitores assíduos aqui do Samurai que eu fiz em temos um post sobre as origens do Godzilla intitulado Hibakusha II: O Rei dos Daikaiju.
Desta volta, vou apenas limitar-me a fazer uma crítica de cinema relativa ao novo filme do Rei dos Daikaiju.
O filme chega-nos pela visão e direcção de Gareth Edwards, realizador que fez o filme “Monsters” que estreou em 2010 e captou a atenção dos cinéfilos de todo o mundo pois foi o primeiro a conseguir efectivamente criar no seu quarto todos os efeitos especiais digitais do filme, mas com a qualidade ao nível de Hollywood. Para aqueles de vocês que sejam fluentes em inglês sugiro-vos a entrevista que o Dr Mark Kermode fez ao então jovem realizador exactamente devido a esse feito, que vos deixo aqui linkada.
O novo “Godzilla” tem muito do carácter do filme de estreia do realizador, por isso é bastante interessante ver os dois filmes de seguida e por ordem de data de estreia. Ambos os filmes procuram centrar-se em personagens humanas, através das quais experimentamos uma Terra onde monstros enormes e poderosos existem abertamente e causam problemas aos humanos. Mas enquanto em “Monsters”, o filme não evolui dessa dinâmica, em “Godzilla” o próprio monstro torna-se uma personagem, pela qual começamos a torcer, e como que se torna mais importante que os humanos que temos anteriormente andado a seguir durante o filme. Considerando o título do filme, não só foi uma boa jogada, como era a única jogada de sucesso.
Uma outra coisa interessante em “Godzilla”, e que também o diferencia em “Monsters”, é o facto dos humanos surgirem literalmente como se fossem colónias de formigas desesperadamente a fugirem dum luta de dois humanos sobre a sua metrópole. É que neste filme os humanos nada podem contra os monstros, tal como as formigas nada podem contra humanos.
É notório nos bonecos relativos aos dois últimos filmes do Godzilla essa diferença. Na primeira adaptação americana, os bonecos que sairam eram tipo GI Joe, com os homens tão importantes ou mais que o Godzilla (figura à direita). Nesta última versão, os monstros é que interessam e os humanos estão lá como se fossem cenário (figura à esquerda).
Como não podia deixar de ser num reboot (recomeçar) da frandchise, que já agora já tem confirmada uma sequela com o mesmo realizador ao leme, a história procura reintroduzir o Godzilla e, portanto, é uma história de origem. Assim a origem do rei dos monstros é recontada. Acaba por não se distanciar muito do original, mas ao invés de ser um produto da radiação de bombas nucleares sobre animais, acaba por ter uma inclinação ecológica e dizer que estes monstros precederam os dinossauros e viviam num era onde a radiação à superfície terrestre era muito mais elevada. Assim, quando os americanos começaram a mandar bombas e muitos países a fazerem reactores nucleares, os sobreviventes ou descendentes dessas raças acordam de hibernação. Essa premissa, algo que defeituosa devido à escala de tempos envolvida, já foi antes usada para explicar os dragões em “Reign of Fire”, o meu filme favorito com dragões, mas depois encaixa bem numa explicação de cadeia alimentar que completa o sentido lógico da história.
A ideia de que há uma conspiração em que os governos estão a esconder algo das populações que dizem servir e toda a paranóia que acompanha essas ideias, talvez não tão descabidas quanto isso como a realidade nos mostra(refiro-me, por exemplo, ao programa de espionagem norte-americano), é muito bem instrumentalizada para dar corpo ao início do filme. Isso e uma certa consciência do horror do desastre natural de Fukushima e de como as uzinas nucleares quando destroçadas pela Natureza podem, literalmente, envenenar a Terra. Simplesmente, em vez de movimentos da crosta terrestre, o que causa a destruição são as alimárias pré-pré-históricas que dão mote ao filme. Mas o governo local ter de evacuar as pessoas de uma zona radioactiva, deixando vidas inteiras para trás, casas desprovidas de vida, mas cheias de memórias, completamente mobiladas, cidades inteiras tornadas urbes fantasmas, tudo isso surge abertamente reforçando a credibilidade do filme, recordando os terríveis acontecimentos do passado muito recente.
A única coisa que me chateou no filme, ou que achei idiota, foi os militares continuarem a armar-se com metralhadoras e pistolas quando já sabiam o que enfrentavam e que nem bombas nucleares os matavam. Algo que estúpido. Os militares não têm a tendência de carregar armas desnecessárias.
Também achei desnecessário a ida para São Francisco. Aquela ponte já foi mais vezes destruída nos filmes que o cagar da ameixa, passo a expressão, e não era necessário americanizar mais ainda o filme.
Quanto ao boneco, o Godzilla está engraçado, uma mistura de gorila e dragão de Komodo. Embora eu não me junte nem ao grupo que odiou a versão anterior do Godzilla, a que os japoneses chamaram só Zilla porque acharam-no muito pequeno ahaha, nem ao grupo que achou este Godzilla gordo (parece que assim aconteceu entre espectadores nipónicos… nunca estão satisfeitos ahaha), não desgostei desta nova encarnação e o CGI está bem feito e não temos a sensação de falta de peso no boneco, tal como ela não havia no filme do Guillermo Del Toro “Pacific Rim” (ler a minha crítica a esse filme aqui) com os seus kaijus e robots gigantes (criticado por mim aqui). E isso e o sentido de escala é o essencial nestes filmes.
Gostei da banda sonora e do tom negro e mais sério do filme, que contrasta com a versão americana anterior. Os actores estão todos de parabéns, sem que haja nenhum que sobressaía durante o filme, excepto talvez o próprio Godzilla. A cena da qual se vê um pouco no trailer do salto HALO é magnífica num grande ecrã.
Resumindo, é um óptimo filme, próprio para qualquer idade e que merece o grande ecrã. Eu vi em 2D e IMAX. Não me parece que o 3D lá contribua nada, para além da eventual coisa pontiaguda a sair do ecrã, mas como não vi em 3D não afirmo, só suspeito. Aguardo com altas expectativas (o que nunca é bom) a continuação.
De salientar, numa outra nota, que o Godzilla tem agora um planeta com o seu nome!
E, para os mais nerds de nós, eis também uma curiosidade, da qual o mérito não é meu, sobre quando estreou o primeiro filme do Godzilla, o original japonês, em Portugal, ainda nos dias do Estado Novo e com um título idiota:
Se tiver tempo e pachorra, traduzirei aquele vídeo da entrevista do Kermode ao Edwards e depois linko-o aqui também!
Para lá do filme e como já não venho cá há demasiado tempo, deixo-vos aqui também umas actividades para este fim-de-semana e para o resto do mês:
-. esta sexta e este sábado, 20 e 21 respectivamente de Junho, a iniciativa 24 Horas, no Pavilhão do Conhecimento. Notem que o site está sem Acordo Ortográfico... yeah!! :D
- sábado, dia 21 de Junho, a partir das 16h, no Jardim do Japão em Belém, para lá da Torre de Belém, à beira Tejo e ao lado do CCB, a Festa do Japão terá novamente lugar:
-  uma oportunidade para os que tiverem condições para isso, até dia 25 de Junho ainda se podem inscrever nas bolsas para estudar no Japão. Toda a informação no link abaixo:
- por último, uma produção de Sandra Fanha, com realização de José Barahona, dia 27 de Junho no MU.SA (MUSEU DAS ARTES DE SINTRA), estreia "Vianna da Mota", numa projecção ao ar Livre (mais informações abaixo). "Um músico prodígio nascido no século XIX...":
E por hora me despeço, senhoras e senhores, irmãos e irmãs, camadaras e amigos, que amanhã tenho um dia inteiro de despedida de solteiro do meu melhor amigo, do qual tenho também a honra de ser padrinho de casamento. E para isso, com'é lógic' (grande Jorge Jesus!!), não vos convido.
Sayonara, tomodachi! ;)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Hibakusha II - O Rei dos Daikaiju!

Esta entrada segue na esteira de uma outra que fiz em 2010, de seu título Hibakusha (aqui linkado), sobre os sobreviventes das bombas nucleares, daí o título deste post e já perceberão a relação.
Kaiju é uma palavra japonesa que é correctamente traduzida para "estranha besta", mas que normalmente é tida como sinónimo de "monstro". Um Daikaiju é uma variante dessa palavra que indica "monstro gigante". Se ainda não perceberam de quem falo, dou-vos uma pista visual, pois uma imagem vale mil palavras:







Então... já lá chegaram? Quem poderia fazer tamanha pegada? Nunca houve, pelo menos que se saiba, um dinossauro com tais dimensões. Então quem? Só pode ser o Godzilla!
O seu nome original, japonês, é Gojira. E tal foi até mencionado no guião do filme Godzilla feito nos EUA. O nome Gojira provém da combinação de duas palavras japonesas: gorira (sinónimo de "gorila") e kujira ("baleia" em japonês). Tal aconteceu porque aquando da sua criação, o daijuku foi descrito como o cruzamento entre um gorila e uma baleia, dando a entender a sua imensa força e tamanho, a sua postura mais ou menos humanóide (se não contarmos a cauda), mas também a sua origem e natureza marinhas. Existe um rumor popular de que a ideia para o monstro em questão proveio de um escritorário da Toho que era maldosamente apelidado de Gojira pelos colegas. Até agora, esta mítica história de origem nunca foi confirmada, particularmente, porque nenhum antigo funcionário da empresa se assumiu como "o tal". Eh eh eh!

O produto acabado é o que se pode ver abaixo:



Mas que tem o Godzilla a ver com os Hibakusha? Bem, tudo. Ele próprio é um Hibakusha, pois originalmente o monstro é criado pela radiação deixada por bombas atómicas. Historicamente, a inspiração para a conceptualização da criatura foi precisamente o ataque nuclear que o Japão sofreu às mãos dos EUA, no final da Segunda Guerra Mundial. Inicialmente o monstro é o vilão, ameançando Tóquio, constituindo uma metáfora cinematográfica para armas nucleares em geral. É verdade que a sua origem varia de filme para filme, mas a constante é o seu tamanho e poderes serem sempre resultado de mutação por radiação nuclear. Parece que originalmente, o Godzilla foi apresentado como um ser pré-histórico que seria o elo de ligação entre as criaturas marinhas e as criaturas terrestres (relembro que o filme surgiu em 1954, na mesma época em que Orson Wells fez muita gente nos EUA acreditar que uma invasão marciana estava a decorrer com uma mera emissão radiofónica), que teria atingido aquelas dimensões e poderes pela mutação causada pelas bombas atómicas largadas no fim da guerra.
O Godzilla tem diversos poderes, que variam de filme para filme, sendo a constante a sua completa adpatabilidade quer em terra, quer na água. Também o seu tamanho e força nunca diferem. Nos filmes japoneses da Companhia Toho, o Godzilla possui também uma capacidade de auto-cura muito rápida (tipo Wolverine) e é capaz de disparar raios nucleares da sua boca. Nos 28 filmes produzidos pela Toho, ele tem variadíssimos outros poderes e capacidades que por vezes são fulcrais na história do filme. Surgem até alturas, em que o rei dos monstros gigantes usa artes marciais para derrotar os concorrentes ao título.



Nota: Gostei da imagem acima, particularmente pelo carácter japonês que tem. Dois monstros gigantes a combaterem espezinhando um castelo medieval japonês! Belo cenário!


Desses concorrentes, o meu favorito é o mostrado na imagem mostrada acima. Rei Guidorah, prós amigos portugueses. O filme que eu vi é de 1991(embora existam mais antigos), portanto a cores, e chama-se "Godzilla Vs King Guidorah":
http://en.wikipedia.org/wiki/Godzilla_vs._King_Ghidorah
http://www.imdb.com/title/tt0101962/


Eu nunca vi os filmes originais, a preto e branco, mas uma vez diverti-me muito numa das antigas semanas temáticas de cinema da RTP2, que deu um filme do Godzilla diferente todos dias dessa semana. Este que menciono acima foi o que mais gostei e o qual mais me lembro em termos de enredo.
Com isto chegamos à nova encarnação do bicho, a versão americanizada, if you will. Em vez de ser um homem num facto de borracha é feita com CGI, na minha opinião até bastante bem feita. Mas há quem argumente que o Godzilla Norte-Americano não é o Godzilla. O filme foi muito mal recebido pelos fã(nático)s do Godzilla original e mesmo pelos críticos, mas limpou nas bilheteiras e ainda originou um série de desenhos animados que eu até curtia ver, mesmo já no liceu. A Toho contudo reclassificou o Godzilla Americano como Zilla, pois declarou-o não merecedor do nome God (deus) no seu nome. Até são capazes de ter razão, afinal ele morreu e o Godzilla nunca morre, e ele não tem superpoderes atómicos como o original. O Zilla não é Godzilla.

Logo, quando a Toho depois fez o filme "Godzilla: Final Wars", meteram o Zilla lá no meio e claro foi derrotado pelo original. Rumores não confirmados dizem que a Toho considera no entanto o Godzilla Jr da série de desenhos animados digno de ser um dos filhos do Godzilla, uma vez que até tinha o raio nuclear como o pai. Parece que a Legendary Pictures comprou os direitos da personagem e está em vias de fazer um novo filme hollywoodesco do Godzilla... a ver vamos. Mas hey, o segundo Hulk foi bem melhor que o primeiro.


O Godzilla, originalmente visto como uma força destrutiva e descontrolada, reminiscente da guerra nuclear, tornou-se num protector do Japão com o avançar dos tempos. Mas na versão americana voltou a ser um lembrança do que a poluição de lixo atómico e de testes nucleares podem alterar em demasia o nosso mundo e colocar a nossa existência em risco. Era essa a sua inspiração inicial e, talvez por consequência, a sua missão.
O rei dos monstros do cinema, figurou em vários filmes, quer como vilão, quer como herói, ao longo dos anos. Também figurou em brinquedos, jogos de computador, e até anúncios de TV. Felizmente, o monstro-rei e os seus companheiros e inimigos enormes, só existem nos filmes. Assim, o Godzilla, como estrela de cinema muito bem sucedida e internacional que é, teve direito a uma estrela no Passeio da Fama, em Hollywood:

Os filmes são supostos ser divertidos ou suscitadores de emoções fortes, afinal o cinema é uma indústria de entertenimento. Mas os bons filmes, aqueles que perduram e são recordados, contêm uma mensagem velada, conscienciosa, para muitos invisível, nas entrelinhas dos seus diálogos e das milhentas palavras contadas pelas imagens que os compõem. Este Rei dos Daikaiju é um símbolo violento e monstruoso que surge como crítica e aviso para o futuro contra mais uso de capacidades nucleares na guerra, mas também recorda que a radiação que produzimos bem como a poluição por ela gerada tem de ser tratada e minimizada, ou podemos um dia ser destruídos pelos monstros tecnológicos que criamos.

Considerem-se avisados...