E estão a terminar, com o término do ano, as comemoraçãos do 470º aniversário da relação entre Portugal e o Japão. Deixo-vos o link para o pdf informativo da Embaixada do Japão, do qual e como é meu hábito saliento alguns pontos:
- a decorrer durante este mês, está um ciclo de cinema japonês na Cinemateca Nacional:
- já no próximo dia 11, portanto esta quarta-feira, vai haver um workshop centrado na obra de Robert J. Langdon (nada relacionado com o Código Da Vinci garanto-vos) no que diz respeito à arte nipónica de dobragens em papel, o Origami. Entre outras coisas, o cientista em questão ficou conhecido como o grande teórico da "matemática do origami". Este evento não está no boletim, mas a imagem é um printscreen do site da Embaixada.
- por último, a embaixada deu já aviso prévio sobre cursos centrados em cultura japonesa, que acontecerão nos vindouros dias de Janeiro e Fevereiro do próximo ano:
Como poderão perceber, muitos destes eventos estão relacionados com o Museu do Oriente que, para meu gáudio e contentamento, também não adoptou o pérfido desAcordo Ortográfico de 1990. O site é user friendly e para quem tem interesse em cultura oriental vale muito a pena consultar de tempos a tempos:
Para começar, também com início no dia 11 e em cena até ao dia 15, no teatro da Comuna em Lisboa, temos a peça de Rui Neto, com desempenho de São José Correia, intitulada Worms.
Não deixem de visitar o blog da peça por vocês mesmos, pois está extremamente simples, altamente funcional, sem Acordo Ortográfico, completo com um teaser trailer para a peça e também fotos dos bastidores. Eu já reservei o meu bilhete. Vejo-vos lá! ;)
A São José Correia chegou a ser minha vizinha, vivemos durante um semestre na mesma rua. Embora a visse muitas vezes nunca fui incomodá-la. É certo que os actores acabam por, e como dano colateral do seu ofício, ficar conhecidos, mas é minha opinião que isso não nos dá o direito de andarmos a chateá-los ou pior ainda feitos maluquinhos a tirar-lhes fotografias para vender às revistas cor-de-rosa hipersensacionalistas, como a da qual retirei isto:
Agora, eu duvido muito que a São vá ficar mesmo Nua em Palco. Não que eu me opusesse, como é lógico, mas estamos a falar de alguém que recusou os vários avanços apoiados por avultadas quantias, por parte da playboy para pousar nua, se bem se recordam de há uns anos quando a actriz esteve por terras de Vera Cruz. Há ainda a sua afirmação, aqui contada pelo Fernando Alvim:
E no seguimento da ideia perpetuada pela resposta da São, não se esqueçam de protecção!
Saúdo ainda Francisco Goiana da Silva, médico estagiário que procurou com uma exposição de escultura para obter fundos para pagar o seu estágio e que vai para representar Portugal em Davos, na Suíça, onde se vai debater a Humanidade. E lá Francisco vai procurar mudar o mundo e argumentar em defesa do Serviço Nacional de Saúde Português, especialmente o seu carácter constitucional de "tendencialmente gratuito".
Estamos em época natalícia e o presidente da câmara alfacinha não se poupou a despesas para a celebração. Entre 14 e 24 de Dezembro, o Terreiro do Paço vai ser inundado de luz, num espectáculo chamado Circo de Luz, que incorpora a técnica de 3D mapping para projectar imagens luminosas. Os Deolinda e o Nuno Markl ajudam a animar a festa, juntando som e voz à luz. Eu não estava em Lisboa, há uns meses, quando houve um evento semelhante e estou felicissímo por ter uma segunda oportunidade de o desfrutar. http://www.vousair.com/cartaz/novidades/espectaculos/item/8577-espectaculo-circo-de-luz-no-terreiro-do-paco
Ah, sim! E parece que os Gato Fedorento irão voltar à televisão com um... coiso!
No espírito do N.I.N.J.A. Samurai, que celebra a nossa amizade com o Japão o ano todo, todos anos, deixo-vos ainda um link para um episódio do programa de TVI24 denominado "Ganhar o Mundo", que fala sobre o Japão e as possibilidades económicas, com a participação do Embaixador do Japão em Portugal e que toca também a nossa história comum que já tem quase 500 anos de idade. Espero, antes de findar o mês, aqui deixar um post sobre precisamente esse episódio dos Descobrimentos, em detalhe, um vez que é ignorado (ou infelizmente o foi quando eu estudei História) no Ensino Público.
Como sempre, a Embaixada mandou-me novas e eis que as venho veícular, juntamente com outras que foram surgindo no meu radar. Este mês, como fazem às vezes, o email portador do boletim da Embaixada trouxe o link para o mesmo e não apenas o ficheiro pdf. Portanto, deixo-vos o link para o boletim, do qual vou realçar os eventos que acho pertinente fazer. Estão espalhados pelo mês e pelo país.
Antes de começarmos com os eventos, queria apenas expressar a minha tristeza pelo encerrar derradeiro da Majora, ficando ainda a esperança que num futuro mais risonho algum português pegue na marca e a relance (e aos postos de trabalho que se perderam) e voltemos a reforjar, mais forte e competitiva, o mercado de brinquedos em Portugal. Até lá, e a partir de amanhã dis 3 de Novembro, o Correio da Manhã (Jornal que tem um acordo ortográfico acordado consigo mesmo, imitando o que faz o estado português e ficando-se pelo mixordês e que eu não compro) faz-se acompanhar com jogos tradicionais da Majora:
Ataquemos então o boletim informativo, começando por Lisboa:
Eu estou particularmente interessado neste seguinte e vou pedir mais informações para o email indicado, para saber se posso assistir ao curso e quais as condições para tal:
Seguem-se os eventos que ocorrem em Lisboa mas também noutras cidades:
E assim chegamos ao Porto:
Em Gaia:
Também no Porto mas já fora da informação dada pela Embaixada, existe ainda este workshop:
Não esquecendo da Capital Europeia da Cultura e Berço da Nação:
Um pequeno à parte, só para congratular o Luís de Matos, o mais famoso ilusionista português,que foi premiado em Londres:
Além de conhecer alguns truques simples, com cartas e outros, sempre adorei a arte do ilusionismo embora não tenha ido muito longe nesse campo. O Luís é um exemplo para qualquer pessoa que sonhe em trazer magia à vida das pessoas sem as iludir sobre o facto de ser mera ilusão e engodo. O Ilusionismo é das poucas instâncias em que sabemos que estamos a ser enganados e podemos ter prazer com isso. Outra arte capaz de o fazer é a 7ª.
Quero também realçar algo que me esqueci de mencionar noutros boletins da Embaixada Japonesa, que é o papel da NCreatures em publicar e veícular Manga em Portugal.
Se gostam de anime e manga, não deixem de visitar o site da NCreatures, cuja versão portuguesa é, pelo menos há data, SEM Acordo Ortográfico de 1990:
E como eu acho que a Democracia Directa é o modelo que devemos adoptar para o futuro, uma das formas de nos irmos treinando para ela, além de nos mantermos constantemente informados pelos canais oficiais e por outros que arranjemos, é o irmos lendo e assinando petições com as quais concordemos. Eis algumas que eu subscrevi recentemente.
Eu esforço-me aqui por ir falando do drama de Fukushima e tenho um post bastante extenso sobre essa situação para escrever, baseado em várias notícias que têm saído na imprensa portuguesa e internacional. Mas esse post requer bem mais tempo e calma.
Note-se que os leões andam a ser mortos pelos ossos e para com eles fazer "poções mágicas" para melhorar performance sexual. Isto é ridículo e odioso. É por isso que não gosto de crendice e/ou superstição de qualquer tipo.
Não concordo que o pai que era presidiário foragido, que leva o filho de 13 anos para um roubo, e o coloca em ainda mais perigo fugindo à polícia, tenha direito a receber do oficial que matou essa criança durante uma perseguição qualquer montante de compensação, ainda para mais 80 mil euros. É de loucos. Qual é então o impeditivo ou a lição aprendida, que impeça este criminoso inconsciente e desumano de voltar a fazer o mesmo com outro filho(a)? Qual é a mensagem que está a ser dada a outros bandidos que lhe sigam nas pisadas?
Resta-me ainda deixar uma palavrinha para dois projectos.
O primeiro é da União Europeia que nos pergunta como é que impedimos tanto lixo de chegar aos mares? (link) E o segundo é sobre dois jovens que desejam restaurar o Palácio de Cristal do Porto. Eu sou todo a favor da manutenção e rentabilização (por oposição à venda) da nossa herança cultural, sejam material ou imaterial, por isso desejo-lhes a melhor das sortes e espero que encontrem o apoio que necessitam para tal. Todas as informações aqui.
Não se esqueçam que amanhã (dia 3 de Novembro) é dia de eclipse parcial do Sol. Vamos ver é se as nuvens cooperam e deixam ver. O apogeu será pelo 12h20 (hora de Lisboa) e pelas 13h já deve ter acabado. É o último deste ano. (link) Não olhem directamente para o sol. Usem filtros apropriados. ;)
Por agora é tudo e vejam lá se carregam na imagem lá em cima, que diz que eu não respeito o Acordo Ortográfico, e assinem por favor a Iniciativa Legislativa contra o Acordo Ortográfico de 1990.
Bom, isto é a inauguração de uma
nova rubrica aqui do blogue. Como é hábito aqui colocar informações sobre
eventos culturais, sendo que alguns desses eventos ou são políticos ou têm
conotações políticas, e porque cada vez que o faço tenho a chatice de arranjar
um novo título para esses posts, agora passam todos a ter o mesmo nome (Info
Sociocultural), mudando o número, que seguirá em numeração romana só porque
sim.
Temos uma novidade quentinha
cortesia da Embaixada do Japão, relativa a concertos musicais do grupo japonês
Shinichi Kinoshita. Deixo-vos então com as informações pertinentes que a
embaixada japonesa me enviou:
Para o pessoal que vive no Japão, o Festival do
Fogo em Kurana realizar-se-á a 22 de Outubro, segundo a página facebook do
Kyoto Journal. Eu gosto muito de ver labaredas a dançarem embaladas pelo vento
e as sombras que elas geram, seja num grelhador de churrascos seja numa
lareira, por isso caso pudesse lá iria. Eis um vídeo exemplificativo:
O meu amigo Ricardo, também ele contra o Acordo
Ortográfico de 1990, postou este link no Facebook com a achega irónica que vêem
na imagem acima. Facilmente se vê a hipocrisia de um (des)acordo que insistem
em defender mas não sabem aplicar e que só veio apagar mais da nossa identidade
cultural e de acabar com qualquer regra ortográfica que existisse em Portugal,
pois agora vale tudo!! Assim comprovam as imagens que se seguem.
Passamos agora aos eventos mais politizados.
Temos pela frente, este mês e a começar já no próximo sábado, duas acções de
protesto. As razões que as, na minha opinião, justificam e fundamentam estão
resumidas nas imagens abaixo, onde se procura explicitar que, à semelhança do
que aconteceu quando Passos prometeu um novo rumo quando queria tirar o poleiro
do Sócrates e ganhas as eleições seguiu a mesmíssima política, acontece agora
com as promessas de Portas dum “novo ciclo”, referindo-se já aos dois primeiros
anos do governo em que o democrata cristão pertence. As mentiras continuam, mas
o argumento mais esmagador é que estes cortes nada mais fazem que afundar a
nossa economia (o que dela resta) e deixar-nos mais nas mãos da União Europeia.
É que para que os despedimentos no sector público fossem motivadores de mais
produtividade, mesmo aos olhos de economistas de direita, seria necessário que
o sector privado estivesse apto a investir, expandir-se, de forma a
absorvê-los, para evitar pagamentos de subsídios de desemprego, aumentar exportações
e receitas fiscais. Tal não acontece em Portugal, e por isso mesmo temos a já
cliché “espiral recessiva”. Mais ainda, até o Marcelo Rebelo de Sousa, o
advogado residente na TVI do PSD, ache que a Troika fechou os olhos na 7ª e 8ª
avaliações, sabendo que nós não vamos cumprir os objectivos mais uma vez,
porque já há instabilidade que chegue por essa Europa fora para também perderem
o controlo de Portugal.
Ou seja, este orçamento “para Troika ver” não resolve nada, para além de
continuar a ser predador para com os mais fracos.
A EDP prometeu logo atirar com a sua sobretaxa para
as costas dos consumidores, a GALP vai para tribunal. Há ainda a
inconstitucionalidade das medidas, que o Tribunal Constitucional terá de
avaliar e provavelmente vetar, o que abrirá caminho ao Passos das Portas para
arranjar o tal “capital político” para poder fazer o que ele já quer desde
quando estava na oposição e herdou o lugar já tão conspurcado de Sá Carneiro:
uma revisão constitucional segundo a perspectiva liberal imposta pela Alemanha
e necessária à sobrevivência dessa armadilha chamada Euro.
A 26 de Outubro, vai-se realizar
uma manifestação do Movimento “Que se lixe a Troika”, projectada a nível
nacional. Permita a minha vida e a ela me juntarei em Lisboa. Não tanto pelo
carácter revolucionário (??) da coisa, mas antes por duas outras razões: sou
solidário com movimentos que sejam contra mais perda de soberania (exceptuando
movimentos nacionalistas, há que saber distinguir as coisas) e gosto de ver e sentir por
mim mesmo. Já dizia Christopher Hitchens que fora para jornalista para não ter
de saber as notícias através dos jornalistas. Este era o homem que lia o New
York Times apenas para saber o que a maioria pensava que estava a acontecer.
Smart, to say the least!
Já no próximo fim-de-semana, vai
haver a manifestação da CGTP.
Sobre esta vou alargar-me um
pouco, pelo grande alarido que sobre ela se tem feito. Decidiram fazer a
manifestação sobre a Ponte 25 de Abril, e os Laranginhas tremeram perante os
sindicalizados dos Vermelhos, pois aparentemente foi na sequência duma acção
semelhante que o governo de que era Primeiro-Ministro o actual Presidente da
República caiu. Levantou-se então a polémica, em que alguém decidiu lançar um
parecer contra a realização da manifestação naquele local devido ao potencial
risco para os manifestantes. A CGTP contra-atacou que lá se fazem maratonas.
Almoços de feijoada e piqueniques, mas insistem os alarmistas da segurança que
“uma manifestação é diferente, porque as pessoas vão com outro espírito e
porque, embora a CGTP seja mui conscienciosa e bem organizada”, reconhecem
todos, “poderão haver infiltrados que promovam distúrbios e as autoridades não
terão como controlar o pânico e evitar feridos e afins” – parafraseio o
argumento tal como o ouvi em vários programas. A CGTP foi falar com o Ministro
Miguel Macedo (cujo olhar e maneirismos me dão calafrios, então aquele bitaite
sobre formigas e cigarras... ui!!), e procuram um compromisso. Deixar faixas de
rodagem abertas para a circulação de veículos de emergência ou das autoridades.
O Ministro no entanto e ainda assim, vetou a manifestação. A CGTP não se ficou
e, seguindo à letra os argumentos (estúpidos) que diziam que aquela ponte não
era para peões mas sim para veículos motorizados, organizou uma frota de, até
há hora do jornal da noite de hoje, trezentos (300) e muitos autocarros e vai
carregar sobre a ponte, vinda das duas margens do Tejo, para fazer um brutal
buzinão sobre a Ponte de Salazar... uops, 25 de Abril. Aliás, os camaradas, a
quem eu por isso saúdo, adoram pisar os monumentos deixados pelo Velho da Outra
Senhora, como o fazem muitas vezes na Fonte Luminosa por ele inaugurada. E já
que falamos do tempos idos, sou o único que se lembra do Marquês de Pombal e da
célebre carroça de terra das suas propriedades? É o que me faz lembrar este
episódio!
No meio disto tudo, e pelas
imagens acima já poderão ter reparado, o Movimento dos Indignados convergiu
“sobre” a Ponte 25 de Abril. Então quando a CGTP decidiu não ir contra a
autoridade vigente/reinante (mesmo que a lei em questão seja debatível – o
direito à manifestação contra o direito à segurança [sendo que hoje em dia há
bombas em maratonas e que o direito à segurança não impede que o cidadão coloque
a sua vida em risco, ou então sempre que alguém faz um desporto radical lá
teria de estar um agente da autoridade para o impedir!!]), optando por uma
airosa e inteligente (especialmente barulhenta e “blindada”) solução, os
Indignados indignaram-se descarregando a sua (in)justa indignação sobre o
camarada Arménio Carlos, rosto actual da CGTP. Ora vide imagem abaixo:
Os comentários nesta imagem
tinham várias posições, algumas a favor da CGTP, algumas muito belicosas mas
oriundas de sofá. Aquele tipo de cidadão que durante o Estado Novo desejava a
Revolução, mas que esperava que os Comunas ou outros a fizessem, acabando num
aplauso orgásmico ao MFA, para depois acabar a amaldiçoar o PREC e a votar
PS(D) – CDS. Falavam de ir buscar cocktails Molotov e declaravam “estes
sindicatos já não representam ninguém”. Entre todos os comentários, ninguém se
manifestava contra a decisão da Inter-Sindical ao mesmo tempo que se
identificava como seu sindicalizado. Ou seja, comentários como o dos cocktails
de Molotov e as pedradas nos escudos do Corpo de Intervenção após a última
manif da CGTP levado a cabo pelos tais “infiltrados” encapuçados, são as
atitudes e opiniões que dão força aos pseudo argumentos que foram usados para
reprimir a marcha sobre a ponte e os que dizem que os sindicatos já não
representam ninguém NÃO ESTÃO NELES SINDICALIZADOS! A indignação não pensada ou
instrumentalizada não tem força nenhuma e cai no ridículo de pensar que uma
central sindical tem de fazer manifestações fora-da-lei para agradar a pessoas
que nela não estão inscritas e como tal é normal que não seja essas que a
instituição procure representar.
Os Indignados falharam ainda em perceber que durante uma semana se falou
de CGTP na televisão. Que pessoas da Direita tiveram de repetidamente dizer que
a CGTP tem uma organização fabulosa (mas ai os infiltrados!!) e um papel
importantíssimo na coesão social. Pedro Mexia, que eu presumo ser um apartidário de Direita, explicitamente disse no Governo Sombra que a CGTP podia meter 50 000 pessoas na Ponte, "pode dar-se a esse luxo" disse ele, quando qualquer outra organização em Portugal sozinha não consegue, para contrapôr o ponto do seu colega à direita no mesmo programa que perguntava "E quem se segue? O movimento Pró Vida, a UGT, sempre que alguém se lembre de fazer uma manif vai para a Ponte, etc...?" (parafraseio). O governo foi obrigado a mostrar a “careca
repressora”, alegando pseudo motivos para proibir uma manifestação legal
segundo a Constituição actual, num acto bem Salazarista. E mesmo assim a CGTP
vai fazer o seu protesto sobre a Ponte 25 de Abril, só que de forma mais
poluente. Obrigado, senhores do Governo, por não se importarem de mostrar a
vossa incrível burrice e ineficácia política! É que o Partido Comunista Português está habituadíssimo a resistir sobre repressão de regimes totalitários. Talvez a cassete ainda tenha uns
truques na fita e este apartidário está a ficar cada vez mais vermelho de raiva
para com o Statu Quo e o Partido do Estado. (imagem abaixo por Fabrício Duque)
É pena que os Indignados [que
muitas vezes incluem os Anonymous (movimento que eu admiro), muitos daqueles a
que o Jerónimo de Sousa chama “amigos do PCP” e marxistas apartidários como eu
(julgando pela sua página de facebook dos Indignados), já agora recordo que
comunistas/socialistas/sociais-democratas são todos marxistas de base (mas não
quando são pseudo como os actuais mestres do PSD = Pseudo Sociais Democratas ou
PS = Pseudo Socialistas)] sejam, como a maioria dos Portugueses, facilmente
divididos, o velho mas eficaz "dividir para reinar", caindo no jogo do próprio Centrão. Sim, estou a (ab)usar (d)uma terminologia do
PCP. Para muita pena minha não estou em Lisboa, nem vou estar a tempo de rumar à Ponte no Sábado, mas parece que o PCP apelou aos Motards e que o Sindicato dos Estivadores vai fechar o Porto de Lisboa. (clicar aqui) Oh meus/nossos Indignados, sem haver formalmente uma ditadura, que mais querem vocês de um protesto à séria e sem deixar que a razão escape por entre dedos cheios de calhaus desmiolados?
Recordo ainda, e para terminar,
que na Islândia, onde 90% do povo (largamente ateu, realço) veio para a rua e
expulsou o governo corrupto ou incapaz que os conduziu à falência, expulsou
banqueiros do país, colocou um governo de esquerda (lá os Sociais Democratas
são a Esquerda) no poder, mandou mercados internacionais à merda, e mesmo assim
teve a ajuda e uns parabéns do FMI, recuperando o desemprego para os 5% e levando
a julgamento muitos dos corruptos responsáveis, negando-se por Referendo
Nacional a salvar bancos, o povo tem cerca de 60% dos seus trabalhadores
sindicalizados. Em Portugal, com 20% de desemprego, temos cerca de 30% de
trabalhadores sindicalizados e 80% de assumidas ovelhas cristãs, duma seita ou
de outra, a ruminar Relvas do PS(D)-CDS. Pensem nisso!
Sayonara, tomodachi! ;)
P.P.S.: Fiz uma crítica ao filme
Pacific Rim no outro blogue em que participo, por isso se curtem Manga e Anime
possivelmente curtirão esse filme. Vejam a crítica se vos aprouver:
Amigos, eis que chegou Outubro e
cá venho eu dar-vos umas dicas culturais (algumas indicadas pela Embaixada do
Japão, outras doutras fontes) em Portugal. Já agora, reservo-me ao direito de não
dar aqui voz aos eventos cuja organização e/ou criador tenham adoptado o acordo
ortográfico de 1990 (AO90). Mas do AO90 falarei mais e em extensão ainda este
mês, mas num post a ele dedicado.
Por outro lado, venho também
alertar para os fazedores de opinião e como exemplos vou usar o fenómeno
(social) reality show da TVI, que faz em 2013 13 anos e do professor Marcelo
Rebelo de Sousa e outros comentadores da actualidade.
Portanto, tiremos da frente as chamadas de atenção culturais para depois
nos dedicarmos inteiramente ao proverbial “elefante na sala”.
No Porto:
Em Lisboa:
Relembrar a Exposição Sou Fujimoto em Belém:
Em Lisboa também, quero realçar e referir a Exposição "Mais Menos", que é uma prodigiosa crítica ao Capitalismo desenfreado que ataca a nossa Sociedade Global. Eu não vou faltar. Mais informações nos links abaixo:
Local: Rua Fernando Palha, Armazém nº56 - Marvila - Lisboa ATENÇÃO: ESTA EXPOSIÇÃO TERMINA ESTE SÁBADO DIA 12 DE OUTUBRO. Desculpem não avisar mais cedo, mas também só descobri ontem. Site oficial: http://maismenos.net/
Portanto, quanto aos reality
shows, particularmente os do género Big Brother (nos quais se engloba Secret
Story), o que vos tenho a dizer é que o nome original é o apropriado, pois este
género de programas não são só Orwellianos no facto dos “concorrentes” (e
coloco entre aspas essa palavra porque estes programas NÃO são um Jogo, e já
explico porquê) serem gravados 24 horas por dia, à excepção da retrete, onde
são no máximo vigiados, mas também porque a Endemol e a TVI fazem uma campanha
de desinformação e edição da realidade como bem entendem para, ignorando o que
realmente se passa na Casa, passarem para o público do programa a história que
a produção deste último vai guionizando. Poderão vocês perguntar: mas então
todos os concorrentes são actores a desempenhar um papel? Não será isso
impossível considerando o tempo que demora? Não teriam de ser actores incríveis
para aguentar um papel 3 meses?
Bem, se fosse necessário, sim.
Mas a verdade é que é facílimo editar imagens e som para com um filme fazer
outro. Quantas vezes não sai uma versão dum filme para o cinema, depois uma
versão diferente em DVD (algumas em que o sentido da história muda por
completo, no caso do "Blade Runner" por exemplo) e ainda um directors cut?
Portanto, enfiam-se 20 marmanjo(a)s numa casa com câmaras, onde a única regra é
que a Voz é soberana e onde o jogo consiste em mentir aos restantes para não
descobrirem um segredo, enquanto cumprem missões secretas (os outros também não
podem saber-te em missão) mandadas pela Voz. Essas missões fazem com que os
concorrentes tenham atitudes e acções que normalmente não teriam, ficando estas
gravadas e fora de contexto, sendo que o contexto pode ou não ser transmitido à
audiência que vê o programa. Relembro que na emissão quasi-não editada, porque
a produção cala microfones de concorrentes e ou muda de cena conforme lhes dá
jeito no canal 13 do Meo, nunca vemos os concorrentes no confessionário.
Portanto, quem acompanha na Zon ou por TDT nem sabe da missa a metade.
Considerando que são as imagens que chegam à generalidade da população que
formam o maior número das opiniões, até porque ver aquilo em directo é tão
maçador quanto qualquer outra novela da TVI, e considerando também que se isto
fosse mesmo um Jogo seria ganho pela popularidade, conclui-se que se a produção
edita as imagens para escrever a novela “da vida real” que quer está a minar ou
a favorecer a popularidade deste ou daquela “concorrente” e como tal a viciar
as suas hipóteses de ganhar. Passa-se o mesmo na política e lá chegaremos.
Mais, o facto dos participantes não serem actores, só faz com que as suas
reacções sejam mais genuínas, o que é melhor que lá meter bons actores que pela
fadiga desmascarem o programa ou maus actores que se veja logo estarem a
fingir.
Qual o interesse, diriam vocês? O
dinheiro que muitos patetas gastam de telemóvel a votar neste ou naquela
participante.
Ainda quanto aos reality shows,
vou dar uns exemplos deste que agora decorre na TVI/Meo.
Primeiro exemplo: esta semana
houve uma prova qualquer em que um “concorrente”, que é pai e tem lá a mãe da
sua filha a participar também, chamemos-lhe T, recebeu um telefonema da Voz que
o mandou dar um beijo a uma concorrente na boca. Eu vi a cena ao lado da minha
mãe, em directo e não editado no Meo. Claramente o gajo virou-se para uma concorrente
muito vivaça pequenita, chamemos-lhe J, e disse “Queres-me dar um beijo?” mas o
beijo não aconteceu e passado algum tempo ele disse para as mulheres que lá
estavam “Quem me quer dar um beijo?” e outra concorrente bem alta, chamemos-lhe
D, saltou enérgica do sofá e aceitou com agrado o desafio. Mais tarde, a ferida
mãe da filha do gajo em questão disse que essa rapariga parecia que tinha um
foguete no cu para o beijar, enquanto que a D afirma que foi directamente
convidada a isso. No compacto da TVI generalista, ouvimos o T dizer “Queres-me
dar um beijo?” mas não se vê a quem ele o diz, não ouvimos a segunda pergunta
feita a qualquer mulher que está na sala, e vemos a D a aceitar o desafio. Ora
isto é uma edição de imagem e som para reescrever os acontecimentos na Casa e
formar a opinião, tornando “verdade” uma das versões de uma das participantes
em detrimento da outra, que surge como alguém que está iludida com a realidade
por questões amorosas. No 1984 de Orwell, que hoje anda muito no meu pensamento,
havia um ministério inteiro (onde trabalha a personagem principal do filme) que
se ocupava de reeditar e voltar a emitir livros de história e até jornais de
forma a reescrever a história de acordo com as “verdades” do governo central,
personalizado no Grande Irmão.
Segundo exemplo: referindo-me ao
facto de eles até editarem o que nós vemos no Meo, por exemplo quando a
conversa não lhes agrada eles prontamente mudam as cenas. Conversas explícitas
sobre sexo ou quando os concorrentes afirmam que andam a partilhar medicação,
sem aconselhamento de médicos, dentro da casa para poderem dormir, a Produção
muda logo de micros e local da casa a ser mostrado.
Só para reforçar a ideia de porque
é que não é um jogo, não há nenhum jogo ( que eu conheça) em que não haja regras
excepto obedecer ao mestre. Talvez ele exista na Coreia do Norte (estado
Orwelliano tornado realidade) ou numa relação Sado-maso.
Uma última nota sobre o reality
show actual da TVI. Ora eu vi o BB1 e fui das pessoas que curtia o Marco
Borges, participante que por ter agredido outro saiu da casa (embora o tivessem
tentado convencer a ficar). Depois disso o Marco surgiu aqui e ali, em
programas de rir, como por exemplo um que parodiava o Big Brother onde Ricardo
Araújo Pereira encarnou D. Afonso Henriques, com o célebre “Vamos andar à
porrada!”. Achei uma certa piada que o irmão do Marco, o Aníbal, entrasse agora
na casa. Essa piada morreu ao fim do primeiro dia. O que o Aníbal está a fazer,
não sei se por autoria própria se por desejo da produção (se por ambos), é
assumir um comportamento de um tirano. O Salazar também não queria confusão nas
ruas, queria paz e sossego, e a PIDE impunha-a. O Aníbal faz isso também e
sozinho, mas num mundo de 20 pessoas e um Deus (a Voz), única autoridade acima
de Aníbal. Na Coreia do Norte, também uma ditadura de cariz militar, acreditam
ou fazem o seu povo acreditar que o Pai morreu e lidera do Céu, enquanto já
renasceu no Filho que lidera o exército na Terra. Estão a 1 passo duma santa
Trindade, e na Casa dos Segredos, Aníbal e a Voz fazem esse duo dinâmico. Até
têm Mandamentos da Voz e parece-me que o Aníbal está desejoso para ser o Papa,
senão o Messias!
Depois, o Aníbal vem com uns discursos moralistas incríveis (como se não
tivesse 37 anos mas sim 1000. É que até podia ser eterno e um Deus, eu não
reconheço autoridade a ninguém excepto mediante argumentos válidos e não apenas
de autoridade, sobre a minha pessoa) e uma incrível falta de humildade, sob uma
máscara, que só engana tolos, de uma pessoa extremamente humilde. Diz aos
outros que tratem as raparigas da Casa como irmãs, “porque elas têm família em
casa”, e depois diz a uma que ela é má pessoa (não dizendo mais nada, mas
depois justificando essa afirmação com o facto da pessoa ser fútil. Posso ser
só eu, mas acho que ser-se fútil não implica ser-se uma má pessoa)
esquecendo-se que a família dela está a ver aquilo, e diz a outra para enfiar
as palavras dela no cu enquanto lhe chama 3 coisas, uma delas sendo egoísta,
criando um péssimo mau ambiente num espaço fechado, que a rapariguinha bem mais
nova que ele teve o juízo de não alimentar e que depois, pelo diálogo, fez com
que Aníbal tivesse de perceber que errou. Perante os outros, Aníbal
justificou-se alegando que nem se lembra do que disse, mas “que foi de coração”.
Faz-me lembrar o Passos Coelho e os dessa laia. Mais uma vez se esqueceu que a
rapariga em questão tem família em casa e não vai gostar de ouvir aquilo, mas
que importa isso? Foi de coração. Usa e abusa da idade como patente militar e
procura instalar na casa uma ditadura militar. Quem quer que seja que não
concorde com ele, e com ou sem tomates, lhe tenha a audácia de dizer, tem-no
como inimigo. Exemplo, ainda na noite em que foi nomeado, disse a um
companheiro que quem o tinha nomeado acabara de lhe facilitar a vida (id est,
já tem quem nomear se lá ficar). Outro exemplo: ainda à coisa de umas horas, o
ouvi dizer a outros dois participantes que se eles se queriam zangar com ele (e
é ele quem está sempre a criticá-los e a deitá-los a baixo porque eles não
entram na linha como os outros e, coincidência das coincidências, estão
nomeados com ele esta semana), que se fechavam os três no quarto e a coisa
resolvia-se rapidinho. “Até podem vir os dois”, disse-o ele, todo macho.
Pudera, um homem de 37 anos, praticante de artes marciais, treinado nos
fuzileiros, a desafiar dois putos, um dos quais que aparente ter um parafuso a
menos. Tanta coragem. Quando um desses dois interpelados perguntou e muito bem
“Resolvia-se como?”, ele não respondeu mais que “Resolvia-se logo”. O rapaz
insistiu e foi directo, perguntando “Pois, mas como? À porrada?”, não foi o
Aníbal quem disse que não (pois fora exactamente essa a intenção das suas
palavras, qualquer tanso que as ouvia o perceberia, até a Voz que disse ao
nesse momento, “Moderem o Tom de Voz”) mas sim o T, que mais parece o Terrier
do Ditador, dizendo “Achas que era à porrada?, era a falar!” ao que o outro
rapaz que acabara de ser ameaçado questionou “Então porque é que tínhamos de
estar fechados no quarto?”. Acrescento ainda que o Aníbal contradiz-se com a
mesma facilidade que Passos Coelho, dizendo que não liga a bens materiais, para
mais tarde dizer que prefere não comer marisco a comer miolo de camarão, para o
senhor imaterial só camarão do bom. Diz à Voz, quando esta multou os
participantes por dizerem asneiras, que achava muito bem mas que a coima devia
ser maior e ele é o maior brejeiro naquela Casa. O Aníbal contudo confessa-se
várias vezes ali um homem frustrado, acho que ele isso não precisa de dizer
sequer, nota-se! Quanto aos outros, assinaram o contrato para serem escravos da
Voz, amanhem-se e aturem-no que eu não tinha estômago. Odeio ditadores e não
aceito tons paternalistas de ninguém, sabendo eu que tanto posso aprender com
crianças como com adultos, é apenas uma questão de manter os sentidos despertos
e não me armar em superior. O Aníbal,
e por isso disse que ele tem falsa modéstia, impera naquela casa como o dono da
verdade, com um único argumento (que é de autoridade) baseado no facto de ser
mais velho e “de ter quilómetros naquele corpo”, parafraseio, impondo o seu
regime autoritário e sendo o primeiro a desrespeitar os seus próprios
conselhos. Diz que adora ler, mas só lhe ouço sair da boca sabedoria de
cartomante feirante ou de horóscopo e violência glorificada. Quando os meus
pais tinham um café, ouvi milhões de vezes as histórias que ele conta naquela
casa, por outras bocas e mudando os cenários e intervenientes, contadas no
mesmo tom de soberba, geralmente por pessoas frustradas com a vida e/ou ébrias,
mas com a mesma retórica que ele usa. E diz ele que quer instigar espírito de
grupo, sendo ele o primeiro a ser sectário à lá Bush “se não estão comigo,
estão contra mim.” Comportamento normal em alguém que diz adorar ler, mas
depois diz que o terramoto em Lisboa foi em 1975, ao lhe ser dito que estava
errado, ele recíproca “E o 25 de Abril foi o quê, Voz?” (alegando talvez que
nessa data foram abaladas as fundações do estado), mas é de relembrar o nosso
militar na reserva, que o golpe de estado do MFA foi em ’74. Disse ainda hoje
que, 2 a
dividir por 2 é 0. Não sei que livros ele anda a ler, mas largue os de
auto-ajuda e conselhos pesudo-budistas, e pegue em livros de História e
Matemática que lhe farão melhor. Até porque ele está sempre a dizer aos outros para
andarem na paz e no amor, mas está constantemente tenso, nervoso e agressivo,
sendo que algumas das “concorrentes” expressaram já ter medo que ele se passe.
É o proverbial, olha ao que eu digo e não ao que eu faço. Hipocrisia a ser
apresentada com sabedoria. O verdadeiro líder, lidera pelo exemplo, e “palavras
são vento”, como diria RR Martin.
A minha mãe, que se isso importa
tem mais de 50 anos (parece importar ao Aníbal), está tão desiludida e enojada
com o desempenho e personalidade dele (ela ainda gostava mais do Marco que eu)
que queria ir votar para ele sair. Tive de a recordar que aqueles votos não
contam para nada, que noutra edição da Casa dos Segredos um concorrente que já
tinha saído perguntou à pivot “Porque é que a claque da pessoa que sai a cada
semana é sempre colocada naquela bancada no início do programa?”, coisa que eu
já tinha reparado, e no programa seguinte já não se verificou. Ora no início do
programa supostamente ainda não acabaram as votações, lembram-se? Aquilo é
dinheiro fácil, que se junta ao que ganham da publicidade, sendo que não há
forma de um cidadão comum verificar ou recontar os votos, porque para isso
precisaria de uma autorização de tribunal para ver todas as chamadas recebidas
naquela semana para aqueles números. O totoloto tinha um Júri a assegurar os
procedimentos e apareceu lá a bola 0, quando este algarismo não existia nos
talões. Eis o tesourinho deprimente:
Agora estas votações que nem são controladas por ninguém, que garantias
têm de que influenciem algo mais que a carteira da TVI e da Endemol? “Os
portugueses são soberanos”, repetem eles incessantemente, nos muitos espaços de
opinião que a TVI tem, com comentadores das revistas cor-de-rosa e
ex-participantes onde reforçam as opiniões que a Produção quem gerar na sua
audiência. Dá-me vontade de rir... isto porque não sou de chorar. Repare-se, a título de exemplo, desta bronca percentual que surgiu num programa que tem um funcionamento semelhante aos Reallity Shows à lá Big Brother em termos das votações por telefone:
No programa
anterior, o chamado Big Brother Vips, no qual ainda hoje não percebo porque usaram VIP e não famosos (é que não vi lá uma única Very Important Person), em que entrou o Zezé Camarinha, alguém na primeira semana, das
concorrentes, disse: “O Zezé tem contrato para cá estar 5 semanas.” Eis que o
Zezé saiu à quinta semana. Mas o que vale é que isto não está já programado e
que “os portugueses são soberanos”. Se a minha mãe, com os seus 50 e tal anos,
com o 12º ano de escolaridade, se deixa envolver emocionalmente tanto pelo
programa ao ponto de cair na ilusão, num impulso emocional, para querer gastar
dinheiro nisto, esquecendo-se da conclusão a que também ela já chegara de que,
pelo menos, neste caso os portugueses NÃO são soberanos, como não hão-de ser
levados as muitas espectadoras e espectadores da TVI que abordam actrizes na
rua criticando-as pelos comportamentos e atitudes das suas personagens como se
actores e a personagem que desempenham fossem a mesma pessoa não cair no logro?
E os miúdos, os putos e pitas que vêem o programa?
Não estou a dizer que se cancele ou proíba Big
Brothers e afins, não faço parte do PSD (tabaco) ou do BE (touradas), apenas
quero alertar os espectadores dos programas para que saibam uma simples e
incontornável verdade, o objectivo desses programas é controlar não os
participantes do mesmo, mas sim a sua audiência para vende publicidade, ganhar
share e levá-los a votar duma assentada. Considerando que a Casa já lá está há
13 anos, que as mudanças decorativas e a comida estão a cargo do IKEA e do
Intermarché, em termos de modelo de negócios, este programa é o sonho molhado
de um capitalista. Ah, esqueci-me da mão-de-obra barata providenciada por um
país em que os Chico-espertos é que são os maiores e que muita gente está
disposta a dar “o cu e 10 tostões” para ser famoso... nem que seja apenas por
15 minutos. E por isso vendem a sua liberdade e privacidade potencialmente por
1 ano à Endemol. Uma coisa concedo a Miguel Sousa Tavares, creio não estar em
erro que ele disse algo nestas linhas, os reallity shows trazem ao de cima o
que de pior há no ser humano. Se não foi ele que o disse, alguém disse e eu
concordo com a afirmação.
Transportando esta temática para
a Política, onde esta desinformação é muito mais perigosa, embora e
precisamente, por ser mais subtil. Tomemos dois casos concretos: a última
opinião do prof Marcelo na TVI e uma das críticas apontadas e bem por José
Diogo Quintela ao Miguel Sousa Tavares.
A imagem é retirada do Correio da Manhã do dia 1 de
Outubro e uso essa fonte porque é precisamente um jornal bem à direita na sua
retórica editorial. Mas para ter mais que uma fonte, fui também buscar os resultados do Expresso:
Mas esta desinformação, e é de
notar-se que o professor Marcelo não é homem mal informado ou de falar de cor
(excepto quando faz previsões), é expectável. O quanto eu não me admirei de na
altura antes e depois da Campanha Eleitoral das Autárquicas, as televisões SIC
e TVI, tipicamente com visões de direita (reparem quem convidam para comentar a
política assiduamente), darem tanto tempo de antena ao Jerónimo de Sousa,
chegando ao inédito de passarem na integra os discursos da festa do Avante! e
tudo. Um teórico da conspiração assumiria uma de duas posições: ou até os da
direita estão fartos deste governo, mesmo no privado; ou alguém decidiu jogar
os dados para ver se o PCP consegui impedir a vitória histórica do PS (expectável
na medida em que já não passamos tão mal neste país desde o Estado Novo). Mas
agora que se tentou essa jogada, a reacção tem de ser célere, não vão os
vermelhos crescer para lá da conta. Entra Marcelo Rebelo de Sousa, o único
comentador que não usa o argumento da cassete e que até diz que o PCP e muito
inteligente na forma de agir e de não atentar contra o Presidente da República,
etc..., desvalorizando a pequena vitória comunista simplesmente não falando
dela (na segunda-feira – podem ver o vídeo no site da TVI) e quando fala de
passagem na CDU, mete-a com as restantes forças derrotadas, distorcendo a
realidade, como comprovado pela imagem acima em conjunção com as palavras do
professor. Nem tão pouco o professor Marcelo dá a entender que a esmagadora
maioria de António Costa se deve à abstenção. António Costa tem uma maioria
absoluta duma minoria que se decidiu a votar. Não acreditem em mim, pesquisem
os valores da abstenção do eleitorado alfacinha e percebam isso por vocês
mesmos. A CDU foi o único dos 5 partidos da Assembleia da República que subiu o
número de votos face a 2009, quer em Lisboa, quer a nível nacional, como demonstram os dados do Expresso e Correio da Manhã (duvidem, e vão em busca doutras fontes):
Dois factos importantes numa análise digna de um
politólogo como o Professor Marcelo que são convenientemente deixadas de parte
para, digam comigo, nos moldar a opinião. O caso Miguel Sousa Tavares versus José Diogo
Quintela é menos patente, mas demonstra bem o pensamento dos intelectuais da
direita que comentam a actualidade socioeconómica portuguesa, como é o do MST.
José Diogo Quintela apanhou-o em falso a criticar (e bem) todos os gestores
banqueiros deste país por nome, exceptuando um que só por acaso é seu compadre.
Vejam imagem abaixo:
Em resposta, MST afirmou sem
sequer fundamentar que José Diogo Quintela é um verme que vive à sombra de
Ricardo Araújo Pereira e que agora quer usar o próprio MST para se promover,
enquanto diz que a sua (de MST) boa educação não lhe permite criticar a família
em praça pública. Já a família dos outros que se foda... quem é que isto me faz
lembrar? Ah sim, a cultura dos compadrios e jobs e business for the boys que
reina na e destrói a nossa nação. Reparem que o MST ao fomentar más opiniões
dos concorrentes do seu compadre, enquanto deixa este último intocado, está a
favorecer o seu familiar por lei (usando a expressão americana) na opinião
pública. Mas o MST é bem capaz de dizer mal de outros que façam o mesmo. Viva a
boa educação, tão bela desculpa.
Mas podem vocês dizer: “Mas,
Alex, tu já aqui citaste o MST, concordando com ele! Critícá-lo agora não
enfraquece os teus argumentos de então?” Ao que a minha resposta é simples.
Não, não enfraquece, porque eu ao formar a minha opinião ouço o máximo de
opiniões possíveis, penso em todos os argumentos que ouvi, peso o mérito de
cada argumento baseando-me no argumento em si (com o auxílio da lógica e dos
meus valores pessoais) e não em quem o teceu, e depois então crio a minha
opinião, que nunca é suprema e está sempre inacabada e passível de ser alterada
ou abandonada ou quiçá reforçada, por argumentos que entretanto surjam e que eu
não levara em conta inicialmente. Isto para recordar que o argumento de
autoridade, do género “aquele é doutor nalguma coisa logo a opinião dele vale
mais que a minha“, não tem valor algum, pois um argumento, uma opinião, vale
pelo seu próprio mérito (rigor lógico, premissas e fundamentos) ou falta dele e
não por quem a diz. Não comam então a papinha dos jornais, dos fazedores de
opinião, vivam (e uso agora uma metáfora cinematográfica) fora da Matrix.
Pensem por vocês mesmos. Custa mais, envolve mais pesquisa, mais debate, mais
interesse, dá mais trabalho, mas permite-vos escapar às amarras que leva tanta
gente a votar desta forma porque o padre assim aconselhou o rebanho (estou a
ser literal, aconteceu na Meia Via, concelho de Torres Novas, distrito de
Santarém, em prole do PS) ou só é voto válido se for ou no PS ou no PSD. O
primeiro passo para sermos livres é sermos livres na nossa própria mente, daí
ter trazido a Matrix à baila.
Quero só realçar que, desto modo
e sem qualquer embaraço, admito que vejo programas tão estapafúrdios e
embrutecidos como estes (i)reallity shows, tal como ouço o Marcelo, o MST, leio
o Público e vejo séries e filmes. Pode-se aprender algo ou retirar algo de
valor da fonte mais inesperada. Não sou adepto da atitude de intelectuais
demasiados cheios de si mesmos e que gostam de se dar a ares de elitistas...
tipo o MST. E se agora vejo menos TV, é porque tenho a net, não quis comprar
tdt nem gastar dinheiro em serviços de TV e porque a maioria dos canais tem
AO90 que me dá asco. Vejo todas essas coisas porque vão fazendo parte, para bem
ou mal, da sociedade na qual me insiro e a única forma de me precaver ou
salvaguardar dessas coisas é conhecê-las o melhor possível, procurando sempre o
que há nas entrelinhas e nos bastidores, porque a superfície tende sempre a ter
o verniz da hipocrisia social. Como é dito por um excelente actor inglês no
filme “A Knight’s Tale”, e parafraseio: “Toda a actividade humana está inserida
no escopo do artista... mas talvez não a tua.”
Voltamos a falar em breve e estou
aqui disposto a entrar em diálogo convosco, desde que tenham argumentos de
jeito, bem fundamentados, e que não se rebaixem ao insulto fácil, como naquela
instância, com o Quintela, fez o MST.
De minha parte, “É tudo... por
agora!” ;)
P.P.S.: Acabo de ouvir no Compacto de hoje na TVI que o Aníbal é uma homem duma cultura extraordinária!! Ainda gostava de ver a gravação completa de todas as intervenções que a Marta fez na rua, é que me cheira que há daquelas edições tipo quando querem dizer que os estudantes portugueses são os mais burros e só escolhem os piores exemplos de todos os gravados para comprovar a sua tese, em detrimento da realidade. Este último exemplo é concretizado nesta reportagem da Sábado, a qual diz que entrevistou 100 alunos universitários em Lisboa. Ora 100 alunos dificilmente são uma amostra populacional que possa representar as dezenas ou centenas de milhares de alunos universitários que estudam em Lisboa. Fora isso, é-nos mostrado uma peça de 6 minutos, em que não vemos mais de 10 pessoas. Mesmo que isso provasse alguma coisa, se 6 minutos mostram 10 pessoas, seria preciso no mínimo um vídeo de 600 minutos para mostrar os 100 entrevistados. Que aconteceu aos 90% dos entrevistados? Talvez tenham acertado?
Nas entrevistas que a Marta faz às portas do Colombo, decerto que ou as pessoínhas não estão ocorrentes, pois assim escolheu a TVI e a Endemol, que o homem não sabe dividir 2 por 2 e que acha que 1975 um terramoto destruiu Lisboa (Sem dúvida, um pilar cultural!!); ou pura e simplesmente a sapiência de feira é tudo. O que explicaria vivermos no país de Passos Coelho e de Sócrates, de Cavaco e Soares!!
Prevejo que a Produção vai poupar o Aníbal e meter o tanso do Rúben para fora da casa, uma vez que o tal Bruno é o único naquela casa que calmamente faz frente ao Aníbal e não tem ar de ter uma deficiência mental. Prevejo igualmente que após se achar na mó de cima, o Aníbal vai, qual Saddam Houssein reforçar o seu poder e tornar-se ainda mais irascível e controlador.
A minha mãe está lixada da vida, pois percebeu qual a intenção da Produção. Ela acha que sai o Bruno, pelo que ouviu lá os fazedores de opinião residentes dizer. Eu passado um certo ponto já não tenho pachorra para continuar a ver idiotices.
É aqui que eu deixo de ver o SS 4 (até a abreviação faz lembrar o período negro entre 1939 e 1945! Sabes a que me refiro, ó grande homem da cultura Aníbal Borges?), porque já me basta existir a Coreia. Ai Fausto, ensina a este povo no que dá assinar contratos com o diabo!