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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

(R)Evolução nos Becos sem Saída

Um beco sem saída é precisamente o pensamento da Direita. É só lá que eles gostam de estar, assustando ou com o Inferno ou com a Austeridade, fingindo-se Deuses caridosos e cheios de moral e sendo Demónios impiedosos e egoístas. Portanto, se na política encontrares um beco sem saída é simples, vira à Esquerda.
Se a constante falha em atingir objectivos e a constante tendência em nomear para altos cargos governamentais ou para promoções dentro do mesmo organismo pessoas corruptas e/ou incompetentes não é motivo suficiente para que nós levantemos os cus do sofá e ergamos a voz em uníssono contra um governo caduco composto por gente medíocre e, sinceramente, desprezível, então eu dou-vos mais.
Vim hoje a ler no Público que os Jotinhas da JSD decidiram embargar a proposta pré-aprovada de uma lei para a Co-Adopção Homossexual, redigida pelo PS.  Ora, há escassas semanas um tipo do PS, cujo nome não me recordo, veio dizer que o PS tinha de se preocupar era com as “forças revolucionárias” dentro da Assembleia da República (AR) que eram impeditivo ou obstáculo ao Partido Socialista. Este supremo Pseudo Socialista referia-se é claro ao PCP-PEV (uma vez que o BE coitado…) cuja coligação, a CDU, detém a qualquer altura entre 10% e 15% dos votos dos eleitores. As mesmas forças que, já agora é bom de recordar, possibilitaram a presidência da República ao Mário Soares numa certa segunda volta. Ora, esta afirmação só pela análise das percentagens é fátua e estapafúrdia, e mereceu o escárnio do Governo Sombra. Quem me dera a mim que assim não fosse! Mas é. E de facto, vem-se agora provar que não são as forças revolucionárias que travam o PS, são os seus amigos à direita, com as suas manias reaccionárias.
Enquanto a Califórnia já permite um terceiro tipo de registo sexual e a Alemanha pondera fazer o mesmo, enquanto vários países (Reino Unido, França, Uruguai) nos seguem na legalização do Casamento Gay, quando outros nos antecederam na mesma (como é caso o Canadá), a nossa Direita impede a nossa evolução social. Talvez seja a sua moral cristã (se é que isso não é uma contradição nos termos) e o seu apego “aos bons costumes” que os impede de deixarem de ser parvos. Afinal, o PSD só foi aplaudido recentemente em duas instâncias. Na sua Universidade de Verão e numa Igreja. Há que defender o eleitorado, né?
Querem então os Jotinhas Laranja fazer um referendo e perguntar ao povo português se querem ou não a adopção homossexual legalizada! O PS já desmascarou e bem o joguinho sujo de palavras que vai nessa pergunta, pois co-adopção é legalmente diferente de adopção, mas por mim que se dane. Que se legalize a Adopção por casais gay duma vez. É inevitável e é moral. Pode não ser moral para os Cristãos, mas é moral para quem não depende da Bíblia (livro onde a escravatura, o genocídio, e o tratamento das mulheres como posse do marido é moral pois Deus assim diz) para ter um código moral e ético de vida. Para aqueles que sabem que a moral é uma característica evolutiva que surge entre animais sociais, como o Homem. A moral baseia-se apenas em encontrarmos um nível onde consigamos o maior bem para o maior número de pessoas sem afectar negativamente as restantes. Ora, os estudos indicam que a adopção por casais gay não afecta o desenvolvimento da criança. A mera lógica levaria aí, uma vez que os próprios gays surgem de famílias tradicionais e são filhos de heterossexuais. Para além disso, não sejamos hipócritas, já há décadas (para ser conservador na minha estimativa) que casais homossexuais criam filhos, não está é nada legalizado. Para além disso, com a adopção completa, os gays que assim desejassem (imagino que, qual os heteros, hajam muitos gays que nem se desejam casar nem tão pouco ter filhos) poderiam ajudar a minimizar o número de crianças à guarda de instituições estatais e de caridade. Seria resolver dois problemas de uma só cajadada, servindo sim o bem comum da nação, menos crianças sem famílias e os direitos dos homossexuais iguais (como manda a constituição) aos dos heterossexuais.


Que se faça o referendo, embora seja só perder tempo, dinheiro e inventar cortinas de fumo para desviar atenções de problemas mais prescientes dos Portugueses inventando problemas onde eles não existem, e os Portugueses que demonstrem que mesmo sendo 80% cristãos, não são fanáticos, que sabem ouvir a razão, que a Fé não é tudo, acima de tudo que explicitem a estes Pseudo Sociais-Democratas que a sua Moral vai muito para além da Bíblia, já há muito ultrapassada e obsoleta.
Não posso deixar passar esta oportunidade para fazer aqui um comentário sobre o Papa Chico. O Papa Chico é o Paulo Portas do Vaticano. É um spin doctor que chega de mansinho e vos apresenta más notícias como se de facto estas fossem as melhores notícias do mundo. Porquê? Porque há em torno deste Papa, através de feroz campanha propagandista e também de um (para mim) inacreditável e desesperado desejo dos crentes de que "este sim, é bom" depois da desilusão do anterior, a noção de que ele vai reformar a Igreja Católica. Ora bem, o próprio do senhor em questão já disse que, e parafraseio, “é um filho da Igreja e as posições da Igreja são conhecidas”. Ou seja, que no que diz respeito aos gays, às mulheres, à pedofilia, a ideia é manter Statu Quo. Só que ele diz-vos isto, dizendo “Ah e tal, a Igreja tem andado demasiada obcecada com o casamento gay e o aborto.” Portanto, não diz que a posição da Igreja se tenha alterado um cagagésimo que seja daquilo que foi a sua posição durante os pontificados predecessores, simplesmente que vamos deixar de falar disso com tanta veemência, e acrescento eu, porque não é bom para as relações públicas da Santa Sé. Não quer marginalizá-los, mas não deixa contudo de relembrar o Santo Pai que é errado tanto praticar actos homossexuais no sexo (pecado), como vai mais longe e diz que também é errado fazer lobby pelos gays. Quanto às mulheres, diz que elas têm um papel importantíssimo na Igreja, mas não as vai ordenar e elas continuarão a ser o que eram… subalternas de homens. Tanto os homens como as mulheres dessa instituição, continuarão a ter de ser casados com o Senhor, o que deixa em aberto o problema de ter essas pessoas a cuidar de menores… já sabemos onde isso os leva. O Papa Chico promoveu duas reformas, mas tudo a nível estatal, do estado do qual é figura suprema e política, o Vaticano. A primeira reforma foi a nível das finanças, caçando os ministros que criaram buracos orçamentais à Igreja (consolidando as Finanças Católicas), e a outra é uma reforma penal, onde agravou as penas para os pedófilos. Outro paralelo com o Executivo Português que cria leis para não serem usadas, uma vez que ainda não se deu ao trabalho de responder ao pedido de cedência de informação sobre pedofilia dentro da Igreja feita pela ONU. Parecem de facto muito determinados em castigar pedófilos, e contudo a encobri-los também. Talvez eles já se tenham confessado ao Francisco e este os tenha perdoado. É assim no Reino do Senhor, promoções todos os dias.
É que, lembremo-nos, este papa não só entra a fazer Santos (que é sem dúvida do que precisamos, mais ídolos antropomórficos), como ainda distribui indulgências pelo Twitter para atrair a “molecada brasileira”! Se isto não é uma promoção! "Ah pecaste?! Não faz mal, meu filho, segue-me no twitter e trata-me por tu, porque é fixe e eu assim absolvo-te dos teus pecados e ficas de consciência tranquila mesmo tendo morto ou violado alguém!" Portanto, passamos da obsessão com casamento gay e aborto, para nos focarmos no twitter, até porque este foi inventado, adivinhe-se só!!, por Cristo! Jesus H. Christ, what will they think up next??!? É como se eliminassem Buda, Sócrates, os Sábios Chineses, etc... da História só para o Cristo ter inventado o Twitter. E já agora, as indulgências são imorais. Desde quando é que eu faço um crime e tenho a possibilidade de viver de consciência tranquila sem pagar essa dívida à sociedade? Quanto mais através do twitter! Enfim, fico parvo. Deve ser o choque tecnológico de que falava o Sócrates!
O Francisco (já que ele me incita a tratá-lo por tu), também se rebelou contra a idolatração do Dinheiro (sentimento que eu partilho),  o que é natural pois o Deus dos Cristãos nunca gostou de concorrência e está a ver-se a braços com uma batalha sem vitória possível. É que enquanto o Deus da Bíblia é doutro mundo, o Guito é do mundo material. Ainda assim, não ouvi dizer que o Vaticano em peso ia fazer um voto de pobreza e abdicar de todas as suas posses materiais. Algo que possivelmente agradaria ao São Francisco.

Enfim, um papa de mente velha e bafienta que se quer passar por progressista e revolucionário.
O Papa Chico tem ainda uma palavra para os ateus, 'tadito quer estar bem com Deus e com os Diabos, dizendo que se estes praticarem “o bem”, Deus os receberá bem. Como se nós precisássemos dessa “benesse” para andarmos descansados da Vida. Mas o Bem segundo quem? O Papa diz que desde que ouçamos a consciência conseguimos praticar o bem. Confessou também nessa oportunidade que a verdade não é absoluta, mas sim relativa. Pena que isto o diga só a título pessoal e não em nome da instituição. Disse ainda, segundo o Público:
“O Papa termina a carta com uma declaração sobre o objectivo principal da Igreja Católica, com referências aos "erros e pecados" cometidos: "Apesar da lentidão, da infidelidade, dos erros e dos pecados que [a Igreja] cometeu e poderá ainda vir a cometer contra os seus membros, a Igreja, acredite em mim, não tem qualquer outro sentido e objectivo que não seja viver e testemunhar Jesus."”
Ora, eu pergunto-me, se testemunhar Jesus é tudo o que lhes interessa, porque é que os registos Históricos da Santa Sé estão fechados até aos professores e estudiosos da História que sabem mexer com documentos antigos sem os estragar? Quando Salman Rushdie foi ao Vaticano, perguntaram-lhe se havia algo que ele desejava ver, ele disse que queria ter acesso a documentos históricos fechados da Igreja Católica e esse acesso foi-lhe negado. Que escondem as testemunhas (completamente indirectas) do Nazareno? A mim faz-me lembrar um Portas, a vender Coelho por Porco.
Da Rússia também chegam más notícias, onde já se criam legislações a proibir a homossexualidade. Estará a Direita Portuguesa numa de se tornar numa versão fraca das políticas desse bandalho do KGB, agora Mafia Russa, do Putin?!
Chegamos agora ao Japão, onde as coisas também não vão bem para os gays. Embora haja pouca descriminação descarada para com a comunidade Gay japonesa, também não parece haver uma manifesta preocupação popular em alterar a situação. Para além disso, a Constituição Japonesa, que não é revista desde 1947, quando entrou em vigor, também oferece um obstáculo ao casamento gay, no artigo 24, onde diz: “o casamento será baseado no mutuo acordo de ambos os sexos”. Segundo o advogado especializado em lei matrimonial Mazakazu Umemura, mesmo com vontade popular o casamento gay no Japão ainda tem uma longa estrada pela frente. Na humilde opinião deste vosso escriba, isso resolve-se o obstáculo constitucional com um referendo, onde japoneses e japonesas decidem de “mutuo acordo” se querem ou não legalizar o casamento gay. Ambos os sexos, abrange os dois sexos, não exclui ser apenas um. O senhor Umemura diz ainda que o povo não liga à questão, embora alguns advogados e activistas homossexuais procurem a legalização. Já o reinante partido Democrata Liberal, carregado que está de tradicionalistas, logo a começar pelo primeiro-ministro, não é favorável ao casamento homossexual. Estamos a falar dum governo que tem um ministro, o sr Taro Aso, que recentemente disse que “os idosos devem morrer depressa para bem da economia”. Acho que o Passos iria gostar dele.
Mas há esperança. Há pequenos sinais de um crescendo no apoio ao casamento homossexual no Japão, nos últimos anos. Em 2009, o Ministério da Justiça Japonês começou a expedir documentos necessários a casais gays que se queiram casar no estrangeiro. Informalmente, há uma aceitação grande pela sociedade japonesa dos casais homossexuais, embora poucos cidadãos japoneses estejam dispostos a manifestar-se na rua nesse sentido, ao contrário de países como Portugal ou os Estados Unidos. Depois de alguns problemas, a Disneylândia Tóquio fez a sua primeira cerimónia de casamento lésbico no Parque. Alguns hotéis também aceitam albergar esse tipo de eventos, de acordo com activistas LGBT nipónicos, embora eles não tenham qualquer efeito legal. E há pelo menos um templo tradicional japonês que também faz este tipo de cerimónias. O templo Shunkoin, que já conta 420 anos de existência e é situado em Quioto, começou a fazer cerimónias de casamento para casais do mesmo sexo desde há uns dois anos para cá, depois de uns turistas que visitaram o templo de meditação Zen perguntarem se era possível que um casal lésbico se casasse ali. O monge chefe do templo, Zenryu Kawakami, disse ao Japan Real Time (a minha fonte para este pedaço do texto) que a pergunta o levou a pesquisar e a descobrir que “os sutras budistas nada dizem a favor ou contra” o casamento gay. Desde então o sr Kawakami já casou cerca de 5 casais lésbicos, maioritariamente estrangeiros. “Os seguidores do Budismo são frequentemente liberais”, acrescenta o monge.
Patrick Linehan, o abertamente gay Cônsul Geral Norte-Americano para Osaka, testemunha que: “No Japão, ao contrário do que acontece nos EUA e noutros países, não há um ódio ou uma descriminação de base religiosa contra as minorias sexuais. Há contudo conhecimento insuficiente e pouca consciência da questão.” O Cônsul diz também que ele e o seu esposo, casados em 2007 no Canadá, frequentam com casal eventos estatais, onde por vezes são recebidos com baralhação e espanto, mas nunca são descriminados. “Quando eu vim pela primeira vez ao Japão, há 25 anos atrás, foi-me dito por um japonês que não haviam gays neste país.”, recordou Linehan, para acrescentar. “O Japão ainda tem muito que mudar.”
Este testemunho foi dado numa entrevista pela Ehime Shimbun. A Ehime, entidade activista pelos direitos LGBT no Japão, fez também uma sondagem perante os partidos políticos japoneses. Sem surpresas, a resposta do partido da Direita Liberal (e cá está um exemplo de como a política distorce as palavra, liberal uma ova!) que governa o país foi “O casamento deve ser entre sexos diferentes. Logo, não há necessidade de adoptar um regime legal de casamento” para casais homossexuais. Já a Esquerda, e também nada me espanta, apoia a legalização do casamento homossexual, sendo que o Partido da Restauração e o Partido Social-Democrata japoneses apoiam a legalização do casamento gay, enquanto que o Partido Comunista Japonês apoiou a introdução de uniões civis. Parece que os gays só encontram amigos políticos à Esquerda! Humm...
É estranho contudo que os tipos do Governo Japonês, que querem tanto uma alteração constitucional como o Passos Coelho, não se saberem aproveitar desta oportunidade para a levarem a cabo. E ainda bem, porque o que eles querem é declarar guerra a alguém (como eu já indiquei neste outro post que aqui deixo linkado). Este pessoal da Direita até para politicar é incompetente. Ao menos, o Sócrates, que dentro do PS (Pseudo Socialismo) consegue estar à esquerda do Mário Soares (nestas questões sociais é bem mais liberal e menos conservador), conseguia mentir com estilo sobre o curso, sobre estar a favorecer certas empresas com o esquema dos painéis solares subsidiados pelo Governo, etc... Enfim, parece que o governo Liberal (mas só economicamente) do Japão quer aproximar o seu estado do norte-americano. Para quê é que eu não sei! Visto que os EUA têm uma dívida tão enorme (em termos percentuais) como a nossa e muito crime, e o Japão é a 4ª economia mundial e tem muito menos crime. Alguém me explique que isto é sem dúvida demasiado para a minha parca inteligência.
Mas não só pelos direitos LGBT, mas também pela nossa Economia, por uma verdadeira mudança de rumo, por um rasgar com uma austeridade que nada é mais que um silício que procurar fazer-nos todos penar pelos pecados do 1%, pecados esses partilhados pelos próprios credores que nos sangram, o bom aluno preso do colégio de padres infernal.
Saiam à rua amanhã, contra este governo desgovernado e patético que nada mais tem feito que nos desunir e destruir aquilo que é nosso, evitando fazer a reforma de estado que realmente precisamos e que realmente nos mudaria para melhor, começando por cessar os jobs for the boys e as influências políticas na economia e vice-versa, ou avançando com uma lei clara, concisa e eficaz contra o enriquecimento ilícito, só para dar uns exemplos!
Porque é que eu me importo com os direitos da comunidade LGBT, se sou hetero? Chama-se solidariedade e é a base da nossa sociedade. Mesmo não sendo problemas meus, são questões que fazem sofrer outros sem necessidade, quando a sua solução não me trará nem a outros qualquer dano. São questões que, deixadas por resolver, aumentam a desigualdade de direitos na nossa sociedade. Não tem a ver com altruísmo, tem a ver com a esperança de que um dia, quando o problema for meu, outros ergam a voz ao lado da minha. É essa solidariedade, tantas vezes esquecida ou trocada pela caridadezinha, que tem faltado em Portugal. Os Capitães de Abril atiraram, ou tentaram atirar, o Poder para a Rua. Já é hora do Povo ir lá reclamá-lo, sem pedras e fogo, mas sim com o poder da Razão e da União.
Amanhã, dia 26 de Outubro, pelas 14h no Rossio. É que o plano B é este:
Como diria o John Connor: "Se estás a ler isto, tu és a Resistência." Vemo-nos lá? ;)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Doseiaisha


Olá, amigo(a)s!
Eu procuro afastar-me das polémicas no tempo e só falar das coisas quando já tive algum tempo para remoer os diversos argumentos contra e a favor, afim de vos entregar uma visão minha de determinado tópico. Especifiquei “no tempo”, porque também não quero que me leiam devido a sensacionalismos. Ao contrário da Imprensa e restantes Media, eu não tenho a prorrogativa da venda da informação, tal como também não tenho o constrangimento económico (enquanto puder ter net baratinha :D) ou a auto-censura do politicamente correcto. Mas desta volta decidi abordar um tópico que está na baila: a homossexualidade. É que hoje em dia somos todos forçados a pensar nesta questão, não por culpa de quem é gay, mas por culpa de quem é intolerante e arrogantemente ofensivo para quem o é.
Sabem?, quando eu era puto, um dos meus ídolos era o Alexandre o Grande. Mas na altura os gays eram muito mais alvejados do que são hoje, ser-se gay era considerado um insulto. Termos como paneleiro, panisgas, bicha, fufa, etc… eram mais utilizados que gay, homossexual ou lésbica. E provavelmente, mais utilizados entre heteros como ofensa pessoal que para ofender um gay. Ainda sou do tempo em que se falava em escolha sexual, em que a tese que diz que a homossexualidade é uma doença ainda não tinha sido desacreditada. E como tal, embora Alexandre da Macedónia tivesse sido um dos grandes reis conquistadores do Mundo Antigo, tinha nessa altura a fama de ser paneleiro. Não me bastava ser gordo e alto, levando os adultos sem malícia (parece-me) a me chamarem precisamente Alexandre o Grande, ainda era por vezes chamado de paneleiro por associação. Ainda por cima, devido aos meus longos (na altura) cabelos cumpridos, olhos verdes brilhantes, bochechas cheias, eu tinha um aspecto algo que andrógino. Havia quem ficasse na dúvida se eu era rapaz ou rapariga. Houve quem afirmasse que eu era demasiado bonito para homem. Bons velhos tempos! Ahahah Estranhamente quem fazia essa associação, voltando ao Rei Alexandre, estava algo que mais bem informado que os outros putos todos, do ponto de vista histórico. As crianças tendem a ser cruéis por falta de experiência na hipocrisia social, não por falta de conhecimento. São rápidos a ver o que não encaixa no padrão habitual. É assim que aprendemos. Mas bem, eu não me posso queixar, pois eu sabia bem ripostar e entendíamo-nos. Nunca fui alvo do bullying, termo que na altura da minha meninice ainda não se usava por cá embora o comportamento já existisse, precisamente porque prefiro ser aguerrido (física ou verbalmente, conforme necessário ou apropriado) como o Magnus quando me tentam pisar os calos, que seguir a mensagem do Cristo e dar a outra face. É o tanas, que é o parente do badanas!
Eu sou muito introspectivo, desde pequeno. Da mesma forma como muito novo me interessei por religião (a story for another day) e pela política, também muito novo me interessei por sexo. Como tal, quando já mais velho tomei consciência de que haviam 3 (gays, heteros e bi’s) possibilidades de orientação sexual, que na altura ainda havia na sociedade (entre heteros, creio) a ideia que de era uma escolha, eu decidi-me a investigar qual dos 3 melhor se me assentaria. O tratamento que dei ao problema foi o mesmo que dei à questão de visão de mundo (religião e política): investigar, saber mais, falar com as pessoas, debater a questão, chegar a uma conclusão. Esta contudo foi a conclusão a que mais tarde cheguei. Aos meus 16 anos, já sabia que era ateu (que já agora também não é uma escolha, mas isso também fica para outro dia), pelos 21 já sabia que era apartidário, pela mesma idade percebi a minha identidade sexual. Foi desapontante saber que não era uma escolha, pois sou apenas hetero e gostava de ser bi. Just think of the possibbilities! :D

Mas, devido à investigação que fiz à minha própria natureza, acabei por sentir uma enorme empatia para com os gays e mesmo alguns bi’s, devido ao facto de durante séculos e milénios serem reprimidos por uma ditadura social dos “bons valores”, baseada como é normal dum profundas lavagens cerebrais religiosas e falta de cultura. E esta ditadura é imposta sob ameaça de penas como o completo ostracismo ou mesmo a pena de morte. Em muitas partes do mundo hoje, ainda acontece. E em mundinhos mais pequenos como o de muitas famílias portuguesas, de certeza que ainda acontece. Durante muito tempo, não tinha paciência para as manifestações dos gays ou para as suas reivindicações. Achava eu, na minha ingénua ignorância, que se eles queriam ser gays que fossem para quê me chatearem com isso? Mas prende-se com o facto de não os deixarem, de um casal de homens não poder namorar na avenida ou andar de mão dada, devido (na melhor das hipóteses) a olhares reprovadores cravejados de repulsa ou mesmo ódio. Christopher Hitchens nas suas memórias chegou a falar de experiências gays que teve quando era mais novo, num colégio interno de rapazes. “What do they fucking expect?!” dizia ele meio a sério meio a brincar. Ele acabou por descobrir ser heterossexual, mas achou que devia partilhar tais experiências como um gesto solidário ao movimento gay. Dizia também que mais que sexo, a homossexualidade também deve ser reconhecida nos parâmetros do amor romântico e, como tal, respeitado desse prisma. Concordo com ele uma vez mais. Ele dizia ainda que não confiava em nenhuma pessoa que nunca se tenha questionado, no seu íntimo, sobre isso. Não irei tão longe… Mas mais do que eliminar o olhar reprovador da sociedade, é uma questão legal: terem os mesmos direitos que os heterossexuais perante a sociedade civil e não serem descriminados socialmente devido à sua natureza.
Numa nota de antiteísmo, o Hitch dizia isto do Deus de Abraão em geral relativamente ao pecado (pois todo o homem peca, até o Adão que supostamente era perfeito… criado à imagem do seu criador), mas focando-nos na problemática em questão, se Deus criou o Homem e nos criou doentes (seja os gays ou os ateus), e depois sob pena de irmos arder eternamente nos infernos nos ordena que fiquemos saudáveis (aos seus olhos), não é este um deus mesquinho que condena algumas das suas criações ao fracasso? Não é este deus vil? Ainda assim há homossexuais católicos, entenda-se lá como (cliquem nesta frase para um video ilustrativo em inglês).
Em Portugal, o Sócrates foi ver o Leite e acabou por colocar o país no bom caminho, legalizando o casamento homossexual. Até um relógio avariado dá horas certas duas vezes por dia, né? Recentemente, a esquerda portuguesa (esquerda esquerda e esquerda centro) em peso, com a abstenção da maioria da direita, legalizou finalmente a co-adopção por casais homossexuais na Assembleia da República (AR). Em breve, não duvido, provavelmente já em governo chuchialista, a adopção plena será também legalizada. O meu receio até agora, pelo que li, infundado sobre a adopção era que uma criança não tendo contributo educacional de um macho e uma fêmea não teria um desenvolvimento normal. Consideremos o seguinte: o gay (tal como o ateu) pode e tem surgido de casais heterossexuais (religiosos), logo não haverá porque esperar que heterossexuais (crentes) não surjam do seio de famílias não convencionais (de “bons” valores religiosos). Nós somos produto da nossa educação e experiência, mas não aparecemos como uma tábua rasa no mundo, já trazemos bagagem (e não, não me refiro a vidas passadas). Depois, as pressões no recreio dos bullys perante os putos que tenham dois pais ou duas mães poderá persistir durante umas gerações, mas dentro em breve desaparecerá. Porquê? Porque o que hoje é tabu, se não for prejudicial para a sociedade, amanhã é normal. E a homossexualidade já cá anda desde que o Homem era Macaco, pois até os macaquinhos a têm, e ainda cá estamos. Aliás, todos os animais que vivem em sociedade desenvolvem práticas homossexuais. Além do mais, a co-adopção e, suspeito eu, a adopção por casais gays, em termos práticos já existem, só não são reconhecidas legalmente. O que quer dizer que se morre o pai ou a mãe (biológico ou adoptivo) que legalmente é o tutor da criança no casal gay, a criança tendo um outro encarregado de educação nunca reconhecido pela lei, pode ser atirada para (essa sim comprovadamente prejudicial) a guarda do estado. Relembre-se da Casa Pia, como exemplo negativo ao extremo. Assim sendo, a legalização é a única solução, além de se matar dois Coelho’s de uma cajadada só: há muita criança para adoptar e poucos casais com possibilidades e/ou vontade para tal. Os argumentos contra são, pelo menos o que eu ouvi, baseados em medos. Medo de que os valores religiosos sejam eliminados da sociedade, medo de que os pilares sociais ocidentais (as tradições) sejam substituídas, medo que toda a população ou a maioria se torne gay por ou serem criados por gays ou por whatever, e finalmente por medo da Esquerda política que tem sido a fomentadora destas mudanças… Quanto à primeira, era bom era! Ahahah, mas visto que até há homossexuais não só cristãos mas especificamente católicos, não vejo isso a acontecer. Quanto à segunda, ninguém está a substituir nada, as famílias convencionais (casal composto por um macho e uma fêmea) continuarão a existir e aventurar-me-ia eu a dizer que continuarão em maior número. O terceiro medo é simplesmente parvo. O quarto medo é mera politiquice.

É óbvio que para todas as revoluções, antes duma evolução delas poder surgir, há sempre uma tentativa de reacção. Lamento em dizer que mais uma vez a reacção vem da Direita. E, tendo em conta, de onde originam os sentimentos anti-gay, não custa a vermos que é a Direita Cristã. Sim, a mesma que nos deu o Mussulini, o Franco e o Salazar, entre outros. A mesma que apoiou o Hitler até à queda do Terceiro Reich. A mesma que na Rússia fez de Estaline um santo e apoia incondicionalmente o Putin e os seus esbirros xenófobos e nacionalistas. Por cá, os representantes da Direita Cristã moderados comprovaram agora que estão bem domados. Falo claro do CDS. Não estou a chamar-lhes fascistas, mas tal como os comunistas têm uma herança negra com que lidar. Só os sapos que o Passos e o Gaspar os fizeram engolir desde que a eles se aliaram com ganas de poder, e agora esta esmagadora permissividade, esta sim, contra-natura que tiveram perante um tópico com o qual estão amplamente em desacordo, demonstraram bem a sua dupla-face, a que têm na oposição e a que têm depois de chegados ao poleiro. Aliás, apercebi-me agora que na coligação o CDS tem sido um exemplo perfeito do que é dar a outra face quando se é ofendido. Um corolário que daqui se pode remover é que, embora o país possa ser de maioria cristã, a sua (pseudo [um dias destes elaboro este pseudo]) democracia é comprovadamente secular, e os seus cristãos melhores cristãos que os cristãos poderiam ser se seguissem à letra a sua fé. Não deixa contudo de ser triste que os movimentos cristãos zelotas recorram ao golpe baixo da chantagem psicológica para atingirem os seus fins, como estes senhores que se predispõem a usar a peregrinação a Fátima para recolher assinaturas para um pedido de um referendo ao aborto, estranhamente à eutanásia (quem me dera, pois acho que lhes saía o tiro pela culatra), e provavelmente agora a esta questão dos direitos dos homossexuais, questionando os “fiéis” quão “bons cristãos” são! Dá-me asco, sinceramente. É que isto é forçar uma reacção desejada sem oferecer qualquer argumento lógico ou racional, sem debate, só pela chantagem propagandista. É também armarem-se em deuses eles próprios ou no mínimo investirem-se de poder divino, pois não ouvi o Papa em Roma a pedir que assinassem essa petição... or else. Mas enfim, “olha, são coisas deles” (quem via o Curto Circuito nos dias do Unas, percebe a piada)!

O problema é que os partidos de Deus na Europa não desistem, id est, o CDS não está sozinho. Não se contentam em reinar dentro das igrejas e catequeses, querem poder também no plano civil. Querem tornar a alegada lei divina, lei civil.
Na França, a aprovação do casamento gay, gerou confrontos com manifestantes contra essa lei vindos da Direita:
Em Espanha, fizeram com que a Religião conte para a média escolar.
Mas mais ninguém vê o problema com isto?? Já é mau o suficiente haver uma disciplina de Religião e Moral, como há em Portugal (ou havia no meu tempo), que dá primazia a uma determinada Religião (neste caso, a da Igreja Católica) perante todas as outras numa cultura supostamente de estado laico e que defende a liberdade religiosa num contexto de sociedade secular com pluralidade religiosa, quanto mais fazê-la parte da avaliação duma criança!!! E se a criança vier duma família cuja religião é outra? Agora temos cá cristãos ortodoxos, evangelistas, muçulmanos, budistas, espíritas... ah sim, e ateus! Como pode um estado secular proteger uma religião em detrimento das outras? Não pode. Nem devia sequer de haver capelões no exército e ainda bem que o Sócrates acabou com as isenções de impostos a padres. O Estado não pode favorecer uma religião específica, porque senão teria que dar o mesmo tratamento a todas as outras e torna-se incomportável. A melhor maneira é não favorecer nenhuma. As ditas igrejas que se amanhem. Os seus ensinamentos ficam para as igrejas e catequeses e templos demais. Fora da escola pública.
E mais, chegam a estes extremos, a esta loucura, incapazes talvez de viverem num mundo de democracia e respeito pelos direitos humanos, ou incapazes de lidar com a inevitabilidade da mudança das vontades:
Dito isto, é bom ver que por todo o mundo ultimamente se tem visto um ganhar de terreno em todas as frentes nos direitos homossexuais e como tal, essa revolução, tal como a da emancipação das mulheres, estará próxima de ficar concluída, no Ocidente. Deixo-vos alguns exemplos disso mesmo:
Em Portugal:
Em França:
Inglaterra:
Mas é preciso reconhecer que há pessoas sensatas também na Direita (não especificamente cristã) e é minha convicção de que se houvesse mais liberdade de voto na AR, teríamos um país mais democrático e como tal mais justo.


Dito tudo isto, vou-vos só dar uma perspectiva histórica e actual sobre o que se passou e passa com a homossexualidade no Japão.
Na antiguidade japonesa, o termo usado para designar gays era nanshoku (que também poderá ser lido, danshoku) e que, etimologicamente, é gerado por dois caracteres: 男色. Literalmente falando o primeiro caracter quer dizer “macho” e o segundo “cor”. Contudo, o caracter que designa cor () ainda hoje é sinónimo de prazer sexual tanto na China como no Japão. Um outro termo usado como sinónimo seria shudo (衆道, abreviado do termo wakashudo, que se poderá traduzir para “a via dos rapazes adolescentes”).
Existe uma variedade de referências literárias algo que obscuras que evidenciam actos homossexuais, como por exemplo o romance Genji Monogatari (源氏物語, “O Conto de Genji”), oriundo do Período Heian, sensivelmente séc. XI.
A sociedade medieval japonesa é eximiamente estruturada em classes. Assim, na classe monástica, havia relacionamentos homossexuais de género tipicamente pedófilo, ou seja entre um adulto e alguém ainda não considerado adulto. Trata-se de relacionamentos, dá-me a entender, muito parecidos com o que acontecia na Grécia Clássica, em que o mestre mantinha uma relação homossexual com o aprendiz e isto estava imiscuído no ensino. No caso japonês, a relação era dissolvida assim que o aprendiz chegava à maioridade. Diz-se que, fora dos mosteiros, os monges japoneses tinham preferência por prostitutos (kagema) e não prostitutas e que isso era alvo de chacota social. Em termos religiosos, não havia oposição à homossexualidade no Japão nas religiões não-budistas kami (quer dizer divindade ou ídolo), mesmo na Era Tokugawa. De facto, um escritor dessa Era, chamado Ihara Saikaku, especulou que uma vez que as primeiras gerações de deuses Shinto eram todas masculinas, os próprios deuses tiveram de praticar o nanshoku por falta de parceiros femininos, dando uma explicação religiosa para a existência dessa prática (como diria o Hitchens, one never knows what the religious will say next :). Algumas divindades Shinto eram protectoras dos gays. Na classe guerreira (Samurai), havia a mesma relação professor-aluno que podia, caso ambas as partes assim consentissem, ser homossexual, exactamente como na Grécia de Alexandre o Grande. Essa relação tinha até uma formalização contratual chamada contrato de irmandade e exigia exclusividade. Não podiam ter outros parceiros masculinos. E enquanto o mentor ensinava o aprendiz nas variadas artes marciais, etiqueta samurai e código de honra, o desejo do mais velho de ser um bom exemplo a seguir para o seu pupilo levava-o a comportar-se de forma mais honrosa. Assim sendo, a relação shudo era tida como uma relação de engrandecimento mútuo. Depois, a relação ia para além disso, sendo que era exigida uma lealdade até à morte de ambas as partes uma para com a outra, sendo que quaisquer dividas de honra ou vinganças de um eram dos dois. Contudo, a relação com mulheres não ficava restringida e assim que o aluno fosse maior de idade poderiam ambos procurar outros parceiros homens se assim quisessem. O nenja (tutor) era especificamente o activo nesta relação e o aluno o passivo, numa respeitosa submissão. O papel passivo estava interditado aos homens adultos nestas relações. Há um filme interessante sobre este tipo de relações em contexto do Japão medieval e na classe guerreira que é o Gohatto (quer dizer “tabu”). Quando o vi na RTP2, estranhei a leveza com que os mestres percebiam que dois dos seus alunos estavam apaixonados. Se fosse na Europa era fogueiras com eles, provavelmente. Na classe média, os actores e actrizes acabavam por ter um segundo emprego na prostituição, sendo procurados por patronos ricos que se tornavam nos seus mecenas a troco de favores sexuais. Contudo, durante muito tempo, os prostitutos adultos não eram procurados por homens, enquanto as prostitutas eram mesmo sendo adultas, devido a não ser bem visto pela sociedade que um homem se deitasse com um outro sendo este maior de idade. Pelo século XVII, eles terão resolvido este problema ocultando, até quando fisicamente possível, a sua idade e, desde que as aparências (leia-se ilusão de juventude por parte do prostituto) fossem mantidas, era na boa. Os mais procurados por estes mecenas, tanto os femininos como os masculinos, eram os actores onnagata (que faziam papel de mulher) e os wakashu-gata (que faziam papéis gay). Estes actores eram muito retratados nas impressões nanshuko shunga (shunga quer dizer “imagem de primavera”, 春画, e primavera é um eufemismo oriental para erotismo ou sexo), cujo exemplo podem ver na imagem abaixo. Devo admitir que me ri da proximidade da palavra shunga em termos sonoros da nossa palavra de calão chunga, significando (para os lusófonos não portugueses que possam não perceber) que é reles, que não presta, que é de mau gosto!
Para os dias de hoje, deixo-vos com um testemunho dum imigrante brasileiro que vive no Japão que teve a bondade de deixar este registo no youtube. A perspectiva que ele dá bate certo com o que encontrei noutras fontes na Internet, pelo que dou-a por correcta e objectiva. (ignorem o primeiro minuto e meio que é ele a desabafar a frustração de pessoal que deixou comentários menos construtivos aos seus outros vídeos)
Relativamente a nomenclatura, ela é hoje diferente e mais diversa. Existe a palavra doseiaisha (同性愛者, literalmente “pessoa que ama o mesmo sexo”), que por razões óbvias dá título a este post. E depois a influências de culturas ocidentais, como gei (ゲイ, gay), homo(ホモ), homosekusharu (ホモセクシャル, homossexual), rezu (レズ, les) e rezubian (レズビアン, lésbica).
Como pode ser entendido no vídeo, os gays japoneses não são legalmente reconhecidos, sendo que também não são perseguidos pela lei. Fora algumas zonas mais metropolitanas como Tokyo ou Osaka, onde já há gays fora do armário, a sua maioria ainda vive vidas dentro deste último. Há por exemplo um testemunho, dum casal de gays que até têm alianças, mas que quando vão para os empregos a retiram e fingem ser heterossexuais até voltarem a casa, por medo do que os colegas e patrões possam achar.
Só para terminar, nos dias de hoje, segundo a Wikipédia, no Japão os homossexuais podem servir nas forças armadas, pois embora ser gay não tenha estatuto legal, também não é activamente contrariado ou proibido. Simplesmente é legalmente ignorado. Tive a curiosidade de ir ver o que dizia sobre Portugal e fiquei orgulhoso de ler que em Portugal os gays podem servir nas forças armadas como qualquer cidadão pois a nossa Constituição proíbe descriminação sexual.
Mais uma vez me despeço com amizade e com renovada esperança na única coisa na qual tenho fé (não cega): a Humanidade.
Alex, signing off!

Adenda I: (16h49min TMG, 24/05/2013) Os escuteiros norte-americanos passam a aceitar jovens gay, mas não adultos
Adenda II: (1h32min TMG, 01/06/2013) Um ateu ironizando com a resistência religiosa à homossexualidade