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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

(R)Evolução nos Becos sem Saída

Um beco sem saída é precisamente o pensamento da Direita. É só lá que eles gostam de estar, assustando ou com o Inferno ou com a Austeridade, fingindo-se Deuses caridosos e cheios de moral e sendo Demónios impiedosos e egoístas. Portanto, se na política encontrares um beco sem saída é simples, vira à Esquerda.
Se a constante falha em atingir objectivos e a constante tendência em nomear para altos cargos governamentais ou para promoções dentro do mesmo organismo pessoas corruptas e/ou incompetentes não é motivo suficiente para que nós levantemos os cus do sofá e ergamos a voz em uníssono contra um governo caduco composto por gente medíocre e, sinceramente, desprezível, então eu dou-vos mais.
Vim hoje a ler no Público que os Jotinhas da JSD decidiram embargar a proposta pré-aprovada de uma lei para a Co-Adopção Homossexual, redigida pelo PS.  Ora, há escassas semanas um tipo do PS, cujo nome não me recordo, veio dizer que o PS tinha de se preocupar era com as “forças revolucionárias” dentro da Assembleia da República (AR) que eram impeditivo ou obstáculo ao Partido Socialista. Este supremo Pseudo Socialista referia-se é claro ao PCP-PEV (uma vez que o BE coitado…) cuja coligação, a CDU, detém a qualquer altura entre 10% e 15% dos votos dos eleitores. As mesmas forças que, já agora é bom de recordar, possibilitaram a presidência da República ao Mário Soares numa certa segunda volta. Ora, esta afirmação só pela análise das percentagens é fátua e estapafúrdia, e mereceu o escárnio do Governo Sombra. Quem me dera a mim que assim não fosse! Mas é. E de facto, vem-se agora provar que não são as forças revolucionárias que travam o PS, são os seus amigos à direita, com as suas manias reaccionárias.
Enquanto a Califórnia já permite um terceiro tipo de registo sexual e a Alemanha pondera fazer o mesmo, enquanto vários países (Reino Unido, França, Uruguai) nos seguem na legalização do Casamento Gay, quando outros nos antecederam na mesma (como é caso o Canadá), a nossa Direita impede a nossa evolução social. Talvez seja a sua moral cristã (se é que isso não é uma contradição nos termos) e o seu apego “aos bons costumes” que os impede de deixarem de ser parvos. Afinal, o PSD só foi aplaudido recentemente em duas instâncias. Na sua Universidade de Verão e numa Igreja. Há que defender o eleitorado, né?
Querem então os Jotinhas Laranja fazer um referendo e perguntar ao povo português se querem ou não a adopção homossexual legalizada! O PS já desmascarou e bem o joguinho sujo de palavras que vai nessa pergunta, pois co-adopção é legalmente diferente de adopção, mas por mim que se dane. Que se legalize a Adopção por casais gay duma vez. É inevitável e é moral. Pode não ser moral para os Cristãos, mas é moral para quem não depende da Bíblia (livro onde a escravatura, o genocídio, e o tratamento das mulheres como posse do marido é moral pois Deus assim diz) para ter um código moral e ético de vida. Para aqueles que sabem que a moral é uma característica evolutiva que surge entre animais sociais, como o Homem. A moral baseia-se apenas em encontrarmos um nível onde consigamos o maior bem para o maior número de pessoas sem afectar negativamente as restantes. Ora, os estudos indicam que a adopção por casais gay não afecta o desenvolvimento da criança. A mera lógica levaria aí, uma vez que os próprios gays surgem de famílias tradicionais e são filhos de heterossexuais. Para além disso, não sejamos hipócritas, já há décadas (para ser conservador na minha estimativa) que casais homossexuais criam filhos, não está é nada legalizado. Para além disso, com a adopção completa, os gays que assim desejassem (imagino que, qual os heteros, hajam muitos gays que nem se desejam casar nem tão pouco ter filhos) poderiam ajudar a minimizar o número de crianças à guarda de instituições estatais e de caridade. Seria resolver dois problemas de uma só cajadada, servindo sim o bem comum da nação, menos crianças sem famílias e os direitos dos homossexuais iguais (como manda a constituição) aos dos heterossexuais.


Que se faça o referendo, embora seja só perder tempo, dinheiro e inventar cortinas de fumo para desviar atenções de problemas mais prescientes dos Portugueses inventando problemas onde eles não existem, e os Portugueses que demonstrem que mesmo sendo 80% cristãos, não são fanáticos, que sabem ouvir a razão, que a Fé não é tudo, acima de tudo que explicitem a estes Pseudo Sociais-Democratas que a sua Moral vai muito para além da Bíblia, já há muito ultrapassada e obsoleta.
Não posso deixar passar esta oportunidade para fazer aqui um comentário sobre o Papa Chico. O Papa Chico é o Paulo Portas do Vaticano. É um spin doctor que chega de mansinho e vos apresenta más notícias como se de facto estas fossem as melhores notícias do mundo. Porquê? Porque há em torno deste Papa, através de feroz campanha propagandista e também de um (para mim) inacreditável e desesperado desejo dos crentes de que "este sim, é bom" depois da desilusão do anterior, a noção de que ele vai reformar a Igreja Católica. Ora bem, o próprio do senhor em questão já disse que, e parafraseio, “é um filho da Igreja e as posições da Igreja são conhecidas”. Ou seja, que no que diz respeito aos gays, às mulheres, à pedofilia, a ideia é manter Statu Quo. Só que ele diz-vos isto, dizendo “Ah e tal, a Igreja tem andado demasiada obcecada com o casamento gay e o aborto.” Portanto, não diz que a posição da Igreja se tenha alterado um cagagésimo que seja daquilo que foi a sua posição durante os pontificados predecessores, simplesmente que vamos deixar de falar disso com tanta veemência, e acrescento eu, porque não é bom para as relações públicas da Santa Sé. Não quer marginalizá-los, mas não deixa contudo de relembrar o Santo Pai que é errado tanto praticar actos homossexuais no sexo (pecado), como vai mais longe e diz que também é errado fazer lobby pelos gays. Quanto às mulheres, diz que elas têm um papel importantíssimo na Igreja, mas não as vai ordenar e elas continuarão a ser o que eram… subalternas de homens. Tanto os homens como as mulheres dessa instituição, continuarão a ter de ser casados com o Senhor, o que deixa em aberto o problema de ter essas pessoas a cuidar de menores… já sabemos onde isso os leva. O Papa Chico promoveu duas reformas, mas tudo a nível estatal, do estado do qual é figura suprema e política, o Vaticano. A primeira reforma foi a nível das finanças, caçando os ministros que criaram buracos orçamentais à Igreja (consolidando as Finanças Católicas), e a outra é uma reforma penal, onde agravou as penas para os pedófilos. Outro paralelo com o Executivo Português que cria leis para não serem usadas, uma vez que ainda não se deu ao trabalho de responder ao pedido de cedência de informação sobre pedofilia dentro da Igreja feita pela ONU. Parecem de facto muito determinados em castigar pedófilos, e contudo a encobri-los também. Talvez eles já se tenham confessado ao Francisco e este os tenha perdoado. É assim no Reino do Senhor, promoções todos os dias.
É que, lembremo-nos, este papa não só entra a fazer Santos (que é sem dúvida do que precisamos, mais ídolos antropomórficos), como ainda distribui indulgências pelo Twitter para atrair a “molecada brasileira”! Se isto não é uma promoção! "Ah pecaste?! Não faz mal, meu filho, segue-me no twitter e trata-me por tu, porque é fixe e eu assim absolvo-te dos teus pecados e ficas de consciência tranquila mesmo tendo morto ou violado alguém!" Portanto, passamos da obsessão com casamento gay e aborto, para nos focarmos no twitter, até porque este foi inventado, adivinhe-se só!!, por Cristo! Jesus H. Christ, what will they think up next??!? É como se eliminassem Buda, Sócrates, os Sábios Chineses, etc... da História só para o Cristo ter inventado o Twitter. E já agora, as indulgências são imorais. Desde quando é que eu faço um crime e tenho a possibilidade de viver de consciência tranquila sem pagar essa dívida à sociedade? Quanto mais através do twitter! Enfim, fico parvo. Deve ser o choque tecnológico de que falava o Sócrates!
O Francisco (já que ele me incita a tratá-lo por tu), também se rebelou contra a idolatração do Dinheiro (sentimento que eu partilho),  o que é natural pois o Deus dos Cristãos nunca gostou de concorrência e está a ver-se a braços com uma batalha sem vitória possível. É que enquanto o Deus da Bíblia é doutro mundo, o Guito é do mundo material. Ainda assim, não ouvi dizer que o Vaticano em peso ia fazer um voto de pobreza e abdicar de todas as suas posses materiais. Algo que possivelmente agradaria ao São Francisco.

Enfim, um papa de mente velha e bafienta que se quer passar por progressista e revolucionário.
O Papa Chico tem ainda uma palavra para os ateus, 'tadito quer estar bem com Deus e com os Diabos, dizendo que se estes praticarem “o bem”, Deus os receberá bem. Como se nós precisássemos dessa “benesse” para andarmos descansados da Vida. Mas o Bem segundo quem? O Papa diz que desde que ouçamos a consciência conseguimos praticar o bem. Confessou também nessa oportunidade que a verdade não é absoluta, mas sim relativa. Pena que isto o diga só a título pessoal e não em nome da instituição. Disse ainda, segundo o Público:
“O Papa termina a carta com uma declaração sobre o objectivo principal da Igreja Católica, com referências aos "erros e pecados" cometidos: "Apesar da lentidão, da infidelidade, dos erros e dos pecados que [a Igreja] cometeu e poderá ainda vir a cometer contra os seus membros, a Igreja, acredite em mim, não tem qualquer outro sentido e objectivo que não seja viver e testemunhar Jesus."”
Ora, eu pergunto-me, se testemunhar Jesus é tudo o que lhes interessa, porque é que os registos Históricos da Santa Sé estão fechados até aos professores e estudiosos da História que sabem mexer com documentos antigos sem os estragar? Quando Salman Rushdie foi ao Vaticano, perguntaram-lhe se havia algo que ele desejava ver, ele disse que queria ter acesso a documentos históricos fechados da Igreja Católica e esse acesso foi-lhe negado. Que escondem as testemunhas (completamente indirectas) do Nazareno? A mim faz-me lembrar um Portas, a vender Coelho por Porco.
Da Rússia também chegam más notícias, onde já se criam legislações a proibir a homossexualidade. Estará a Direita Portuguesa numa de se tornar numa versão fraca das políticas desse bandalho do KGB, agora Mafia Russa, do Putin?!
Chegamos agora ao Japão, onde as coisas também não vão bem para os gays. Embora haja pouca descriminação descarada para com a comunidade Gay japonesa, também não parece haver uma manifesta preocupação popular em alterar a situação. Para além disso, a Constituição Japonesa, que não é revista desde 1947, quando entrou em vigor, também oferece um obstáculo ao casamento gay, no artigo 24, onde diz: “o casamento será baseado no mutuo acordo de ambos os sexos”. Segundo o advogado especializado em lei matrimonial Mazakazu Umemura, mesmo com vontade popular o casamento gay no Japão ainda tem uma longa estrada pela frente. Na humilde opinião deste vosso escriba, isso resolve-se o obstáculo constitucional com um referendo, onde japoneses e japonesas decidem de “mutuo acordo” se querem ou não legalizar o casamento gay. Ambos os sexos, abrange os dois sexos, não exclui ser apenas um. O senhor Umemura diz ainda que o povo não liga à questão, embora alguns advogados e activistas homossexuais procurem a legalização. Já o reinante partido Democrata Liberal, carregado que está de tradicionalistas, logo a começar pelo primeiro-ministro, não é favorável ao casamento homossexual. Estamos a falar dum governo que tem um ministro, o sr Taro Aso, que recentemente disse que “os idosos devem morrer depressa para bem da economia”. Acho que o Passos iria gostar dele.
Mas há esperança. Há pequenos sinais de um crescendo no apoio ao casamento homossexual no Japão, nos últimos anos. Em 2009, o Ministério da Justiça Japonês começou a expedir documentos necessários a casais gays que se queiram casar no estrangeiro. Informalmente, há uma aceitação grande pela sociedade japonesa dos casais homossexuais, embora poucos cidadãos japoneses estejam dispostos a manifestar-se na rua nesse sentido, ao contrário de países como Portugal ou os Estados Unidos. Depois de alguns problemas, a Disneylândia Tóquio fez a sua primeira cerimónia de casamento lésbico no Parque. Alguns hotéis também aceitam albergar esse tipo de eventos, de acordo com activistas LGBT nipónicos, embora eles não tenham qualquer efeito legal. E há pelo menos um templo tradicional japonês que também faz este tipo de cerimónias. O templo Shunkoin, que já conta 420 anos de existência e é situado em Quioto, começou a fazer cerimónias de casamento para casais do mesmo sexo desde há uns dois anos para cá, depois de uns turistas que visitaram o templo de meditação Zen perguntarem se era possível que um casal lésbico se casasse ali. O monge chefe do templo, Zenryu Kawakami, disse ao Japan Real Time (a minha fonte para este pedaço do texto) que a pergunta o levou a pesquisar e a descobrir que “os sutras budistas nada dizem a favor ou contra” o casamento gay. Desde então o sr Kawakami já casou cerca de 5 casais lésbicos, maioritariamente estrangeiros. “Os seguidores do Budismo são frequentemente liberais”, acrescenta o monge.
Patrick Linehan, o abertamente gay Cônsul Geral Norte-Americano para Osaka, testemunha que: “No Japão, ao contrário do que acontece nos EUA e noutros países, não há um ódio ou uma descriminação de base religiosa contra as minorias sexuais. Há contudo conhecimento insuficiente e pouca consciência da questão.” O Cônsul diz também que ele e o seu esposo, casados em 2007 no Canadá, frequentam com casal eventos estatais, onde por vezes são recebidos com baralhação e espanto, mas nunca são descriminados. “Quando eu vim pela primeira vez ao Japão, há 25 anos atrás, foi-me dito por um japonês que não haviam gays neste país.”, recordou Linehan, para acrescentar. “O Japão ainda tem muito que mudar.”
Este testemunho foi dado numa entrevista pela Ehime Shimbun. A Ehime, entidade activista pelos direitos LGBT no Japão, fez também uma sondagem perante os partidos políticos japoneses. Sem surpresas, a resposta do partido da Direita Liberal (e cá está um exemplo de como a política distorce as palavra, liberal uma ova!) que governa o país foi “O casamento deve ser entre sexos diferentes. Logo, não há necessidade de adoptar um regime legal de casamento” para casais homossexuais. Já a Esquerda, e também nada me espanta, apoia a legalização do casamento homossexual, sendo que o Partido da Restauração e o Partido Social-Democrata japoneses apoiam a legalização do casamento gay, enquanto que o Partido Comunista Japonês apoiou a introdução de uniões civis. Parece que os gays só encontram amigos políticos à Esquerda! Humm...
É estranho contudo que os tipos do Governo Japonês, que querem tanto uma alteração constitucional como o Passos Coelho, não se saberem aproveitar desta oportunidade para a levarem a cabo. E ainda bem, porque o que eles querem é declarar guerra a alguém (como eu já indiquei neste outro post que aqui deixo linkado). Este pessoal da Direita até para politicar é incompetente. Ao menos, o Sócrates, que dentro do PS (Pseudo Socialismo) consegue estar à esquerda do Mário Soares (nestas questões sociais é bem mais liberal e menos conservador), conseguia mentir com estilo sobre o curso, sobre estar a favorecer certas empresas com o esquema dos painéis solares subsidiados pelo Governo, etc... Enfim, parece que o governo Liberal (mas só economicamente) do Japão quer aproximar o seu estado do norte-americano. Para quê é que eu não sei! Visto que os EUA têm uma dívida tão enorme (em termos percentuais) como a nossa e muito crime, e o Japão é a 4ª economia mundial e tem muito menos crime. Alguém me explique que isto é sem dúvida demasiado para a minha parca inteligência.
Mas não só pelos direitos LGBT, mas também pela nossa Economia, por uma verdadeira mudança de rumo, por um rasgar com uma austeridade que nada é mais que um silício que procurar fazer-nos todos penar pelos pecados do 1%, pecados esses partilhados pelos próprios credores que nos sangram, o bom aluno preso do colégio de padres infernal.
Saiam à rua amanhã, contra este governo desgovernado e patético que nada mais tem feito que nos desunir e destruir aquilo que é nosso, evitando fazer a reforma de estado que realmente precisamos e que realmente nos mudaria para melhor, começando por cessar os jobs for the boys e as influências políticas na economia e vice-versa, ou avançando com uma lei clara, concisa e eficaz contra o enriquecimento ilícito, só para dar uns exemplos!
Porque é que eu me importo com os direitos da comunidade LGBT, se sou hetero? Chama-se solidariedade e é a base da nossa sociedade. Mesmo não sendo problemas meus, são questões que fazem sofrer outros sem necessidade, quando a sua solução não me trará nem a outros qualquer dano. São questões que, deixadas por resolver, aumentam a desigualdade de direitos na nossa sociedade. Não tem a ver com altruísmo, tem a ver com a esperança de que um dia, quando o problema for meu, outros ergam a voz ao lado da minha. É essa solidariedade, tantas vezes esquecida ou trocada pela caridadezinha, que tem faltado em Portugal. Os Capitães de Abril atiraram, ou tentaram atirar, o Poder para a Rua. Já é hora do Povo ir lá reclamá-lo, sem pedras e fogo, mas sim com o poder da Razão e da União.
Amanhã, dia 26 de Outubro, pelas 14h no Rossio. É que o plano B é este:
Como diria o John Connor: "Se estás a ler isto, tu és a Resistência." Vemo-nos lá? ;)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Doseiaisha


Olá, amigo(a)s!
Eu procuro afastar-me das polémicas no tempo e só falar das coisas quando já tive algum tempo para remoer os diversos argumentos contra e a favor, afim de vos entregar uma visão minha de determinado tópico. Especifiquei “no tempo”, porque também não quero que me leiam devido a sensacionalismos. Ao contrário da Imprensa e restantes Media, eu não tenho a prorrogativa da venda da informação, tal como também não tenho o constrangimento económico (enquanto puder ter net baratinha :D) ou a auto-censura do politicamente correcto. Mas desta volta decidi abordar um tópico que está na baila: a homossexualidade. É que hoje em dia somos todos forçados a pensar nesta questão, não por culpa de quem é gay, mas por culpa de quem é intolerante e arrogantemente ofensivo para quem o é.
Sabem?, quando eu era puto, um dos meus ídolos era o Alexandre o Grande. Mas na altura os gays eram muito mais alvejados do que são hoje, ser-se gay era considerado um insulto. Termos como paneleiro, panisgas, bicha, fufa, etc… eram mais utilizados que gay, homossexual ou lésbica. E provavelmente, mais utilizados entre heteros como ofensa pessoal que para ofender um gay. Ainda sou do tempo em que se falava em escolha sexual, em que a tese que diz que a homossexualidade é uma doença ainda não tinha sido desacreditada. E como tal, embora Alexandre da Macedónia tivesse sido um dos grandes reis conquistadores do Mundo Antigo, tinha nessa altura a fama de ser paneleiro. Não me bastava ser gordo e alto, levando os adultos sem malícia (parece-me) a me chamarem precisamente Alexandre o Grande, ainda era por vezes chamado de paneleiro por associação. Ainda por cima, devido aos meus longos (na altura) cabelos cumpridos, olhos verdes brilhantes, bochechas cheias, eu tinha um aspecto algo que andrógino. Havia quem ficasse na dúvida se eu era rapaz ou rapariga. Houve quem afirmasse que eu era demasiado bonito para homem. Bons velhos tempos! Ahahah Estranhamente quem fazia essa associação, voltando ao Rei Alexandre, estava algo que mais bem informado que os outros putos todos, do ponto de vista histórico. As crianças tendem a ser cruéis por falta de experiência na hipocrisia social, não por falta de conhecimento. São rápidos a ver o que não encaixa no padrão habitual. É assim que aprendemos. Mas bem, eu não me posso queixar, pois eu sabia bem ripostar e entendíamo-nos. Nunca fui alvo do bullying, termo que na altura da minha meninice ainda não se usava por cá embora o comportamento já existisse, precisamente porque prefiro ser aguerrido (física ou verbalmente, conforme necessário ou apropriado) como o Magnus quando me tentam pisar os calos, que seguir a mensagem do Cristo e dar a outra face. É o tanas, que é o parente do badanas!
Eu sou muito introspectivo, desde pequeno. Da mesma forma como muito novo me interessei por religião (a story for another day) e pela política, também muito novo me interessei por sexo. Como tal, quando já mais velho tomei consciência de que haviam 3 (gays, heteros e bi’s) possibilidades de orientação sexual, que na altura ainda havia na sociedade (entre heteros, creio) a ideia que de era uma escolha, eu decidi-me a investigar qual dos 3 melhor se me assentaria. O tratamento que dei ao problema foi o mesmo que dei à questão de visão de mundo (religião e política): investigar, saber mais, falar com as pessoas, debater a questão, chegar a uma conclusão. Esta contudo foi a conclusão a que mais tarde cheguei. Aos meus 16 anos, já sabia que era ateu (que já agora também não é uma escolha, mas isso também fica para outro dia), pelos 21 já sabia que era apartidário, pela mesma idade percebi a minha identidade sexual. Foi desapontante saber que não era uma escolha, pois sou apenas hetero e gostava de ser bi. Just think of the possibbilities! :D

Mas, devido à investigação que fiz à minha própria natureza, acabei por sentir uma enorme empatia para com os gays e mesmo alguns bi’s, devido ao facto de durante séculos e milénios serem reprimidos por uma ditadura social dos “bons valores”, baseada como é normal dum profundas lavagens cerebrais religiosas e falta de cultura. E esta ditadura é imposta sob ameaça de penas como o completo ostracismo ou mesmo a pena de morte. Em muitas partes do mundo hoje, ainda acontece. E em mundinhos mais pequenos como o de muitas famílias portuguesas, de certeza que ainda acontece. Durante muito tempo, não tinha paciência para as manifestações dos gays ou para as suas reivindicações. Achava eu, na minha ingénua ignorância, que se eles queriam ser gays que fossem para quê me chatearem com isso? Mas prende-se com o facto de não os deixarem, de um casal de homens não poder namorar na avenida ou andar de mão dada, devido (na melhor das hipóteses) a olhares reprovadores cravejados de repulsa ou mesmo ódio. Christopher Hitchens nas suas memórias chegou a falar de experiências gays que teve quando era mais novo, num colégio interno de rapazes. “What do they fucking expect?!” dizia ele meio a sério meio a brincar. Ele acabou por descobrir ser heterossexual, mas achou que devia partilhar tais experiências como um gesto solidário ao movimento gay. Dizia também que mais que sexo, a homossexualidade também deve ser reconhecida nos parâmetros do amor romântico e, como tal, respeitado desse prisma. Concordo com ele uma vez mais. Ele dizia ainda que não confiava em nenhuma pessoa que nunca se tenha questionado, no seu íntimo, sobre isso. Não irei tão longe… Mas mais do que eliminar o olhar reprovador da sociedade, é uma questão legal: terem os mesmos direitos que os heterossexuais perante a sociedade civil e não serem descriminados socialmente devido à sua natureza.
Numa nota de antiteísmo, o Hitch dizia isto do Deus de Abraão em geral relativamente ao pecado (pois todo o homem peca, até o Adão que supostamente era perfeito… criado à imagem do seu criador), mas focando-nos na problemática em questão, se Deus criou o Homem e nos criou doentes (seja os gays ou os ateus), e depois sob pena de irmos arder eternamente nos infernos nos ordena que fiquemos saudáveis (aos seus olhos), não é este um deus mesquinho que condena algumas das suas criações ao fracasso? Não é este deus vil? Ainda assim há homossexuais católicos, entenda-se lá como (cliquem nesta frase para um video ilustrativo em inglês).
Em Portugal, o Sócrates foi ver o Leite e acabou por colocar o país no bom caminho, legalizando o casamento homossexual. Até um relógio avariado dá horas certas duas vezes por dia, né? Recentemente, a esquerda portuguesa (esquerda esquerda e esquerda centro) em peso, com a abstenção da maioria da direita, legalizou finalmente a co-adopção por casais homossexuais na Assembleia da República (AR). Em breve, não duvido, provavelmente já em governo chuchialista, a adopção plena será também legalizada. O meu receio até agora, pelo que li, infundado sobre a adopção era que uma criança não tendo contributo educacional de um macho e uma fêmea não teria um desenvolvimento normal. Consideremos o seguinte: o gay (tal como o ateu) pode e tem surgido de casais heterossexuais (religiosos), logo não haverá porque esperar que heterossexuais (crentes) não surjam do seio de famílias não convencionais (de “bons” valores religiosos). Nós somos produto da nossa educação e experiência, mas não aparecemos como uma tábua rasa no mundo, já trazemos bagagem (e não, não me refiro a vidas passadas). Depois, as pressões no recreio dos bullys perante os putos que tenham dois pais ou duas mães poderá persistir durante umas gerações, mas dentro em breve desaparecerá. Porquê? Porque o que hoje é tabu, se não for prejudicial para a sociedade, amanhã é normal. E a homossexualidade já cá anda desde que o Homem era Macaco, pois até os macaquinhos a têm, e ainda cá estamos. Aliás, todos os animais que vivem em sociedade desenvolvem práticas homossexuais. Além do mais, a co-adopção e, suspeito eu, a adopção por casais gays, em termos práticos já existem, só não são reconhecidas legalmente. O que quer dizer que se morre o pai ou a mãe (biológico ou adoptivo) que legalmente é o tutor da criança no casal gay, a criança tendo um outro encarregado de educação nunca reconhecido pela lei, pode ser atirada para (essa sim comprovadamente prejudicial) a guarda do estado. Relembre-se da Casa Pia, como exemplo negativo ao extremo. Assim sendo, a legalização é a única solução, além de se matar dois Coelho’s de uma cajadada só: há muita criança para adoptar e poucos casais com possibilidades e/ou vontade para tal. Os argumentos contra são, pelo menos o que eu ouvi, baseados em medos. Medo de que os valores religiosos sejam eliminados da sociedade, medo de que os pilares sociais ocidentais (as tradições) sejam substituídas, medo que toda a população ou a maioria se torne gay por ou serem criados por gays ou por whatever, e finalmente por medo da Esquerda política que tem sido a fomentadora destas mudanças… Quanto à primeira, era bom era! Ahahah, mas visto que até há homossexuais não só cristãos mas especificamente católicos, não vejo isso a acontecer. Quanto à segunda, ninguém está a substituir nada, as famílias convencionais (casal composto por um macho e uma fêmea) continuarão a existir e aventurar-me-ia eu a dizer que continuarão em maior número. O terceiro medo é simplesmente parvo. O quarto medo é mera politiquice.

É óbvio que para todas as revoluções, antes duma evolução delas poder surgir, há sempre uma tentativa de reacção. Lamento em dizer que mais uma vez a reacção vem da Direita. E, tendo em conta, de onde originam os sentimentos anti-gay, não custa a vermos que é a Direita Cristã. Sim, a mesma que nos deu o Mussulini, o Franco e o Salazar, entre outros. A mesma que apoiou o Hitler até à queda do Terceiro Reich. A mesma que na Rússia fez de Estaline um santo e apoia incondicionalmente o Putin e os seus esbirros xenófobos e nacionalistas. Por cá, os representantes da Direita Cristã moderados comprovaram agora que estão bem domados. Falo claro do CDS. Não estou a chamar-lhes fascistas, mas tal como os comunistas têm uma herança negra com que lidar. Só os sapos que o Passos e o Gaspar os fizeram engolir desde que a eles se aliaram com ganas de poder, e agora esta esmagadora permissividade, esta sim, contra-natura que tiveram perante um tópico com o qual estão amplamente em desacordo, demonstraram bem a sua dupla-face, a que têm na oposição e a que têm depois de chegados ao poleiro. Aliás, apercebi-me agora que na coligação o CDS tem sido um exemplo perfeito do que é dar a outra face quando se é ofendido. Um corolário que daqui se pode remover é que, embora o país possa ser de maioria cristã, a sua (pseudo [um dias destes elaboro este pseudo]) democracia é comprovadamente secular, e os seus cristãos melhores cristãos que os cristãos poderiam ser se seguissem à letra a sua fé. Não deixa contudo de ser triste que os movimentos cristãos zelotas recorram ao golpe baixo da chantagem psicológica para atingirem os seus fins, como estes senhores que se predispõem a usar a peregrinação a Fátima para recolher assinaturas para um pedido de um referendo ao aborto, estranhamente à eutanásia (quem me dera, pois acho que lhes saía o tiro pela culatra), e provavelmente agora a esta questão dos direitos dos homossexuais, questionando os “fiéis” quão “bons cristãos” são! Dá-me asco, sinceramente. É que isto é forçar uma reacção desejada sem oferecer qualquer argumento lógico ou racional, sem debate, só pela chantagem propagandista. É também armarem-se em deuses eles próprios ou no mínimo investirem-se de poder divino, pois não ouvi o Papa em Roma a pedir que assinassem essa petição... or else. Mas enfim, “olha, são coisas deles” (quem via o Curto Circuito nos dias do Unas, percebe a piada)!

O problema é que os partidos de Deus na Europa não desistem, id est, o CDS não está sozinho. Não se contentam em reinar dentro das igrejas e catequeses, querem poder também no plano civil. Querem tornar a alegada lei divina, lei civil.
Na França, a aprovação do casamento gay, gerou confrontos com manifestantes contra essa lei vindos da Direita:
Em Espanha, fizeram com que a Religião conte para a média escolar.
Mas mais ninguém vê o problema com isto?? Já é mau o suficiente haver uma disciplina de Religião e Moral, como há em Portugal (ou havia no meu tempo), que dá primazia a uma determinada Religião (neste caso, a da Igreja Católica) perante todas as outras numa cultura supostamente de estado laico e que defende a liberdade religiosa num contexto de sociedade secular com pluralidade religiosa, quanto mais fazê-la parte da avaliação duma criança!!! E se a criança vier duma família cuja religião é outra? Agora temos cá cristãos ortodoxos, evangelistas, muçulmanos, budistas, espíritas... ah sim, e ateus! Como pode um estado secular proteger uma religião em detrimento das outras? Não pode. Nem devia sequer de haver capelões no exército e ainda bem que o Sócrates acabou com as isenções de impostos a padres. O Estado não pode favorecer uma religião específica, porque senão teria que dar o mesmo tratamento a todas as outras e torna-se incomportável. A melhor maneira é não favorecer nenhuma. As ditas igrejas que se amanhem. Os seus ensinamentos ficam para as igrejas e catequeses e templos demais. Fora da escola pública.
E mais, chegam a estes extremos, a esta loucura, incapazes talvez de viverem num mundo de democracia e respeito pelos direitos humanos, ou incapazes de lidar com a inevitabilidade da mudança das vontades:
Dito isto, é bom ver que por todo o mundo ultimamente se tem visto um ganhar de terreno em todas as frentes nos direitos homossexuais e como tal, essa revolução, tal como a da emancipação das mulheres, estará próxima de ficar concluída, no Ocidente. Deixo-vos alguns exemplos disso mesmo:
Em Portugal:
Em França:
Inglaterra:
Mas é preciso reconhecer que há pessoas sensatas também na Direita (não especificamente cristã) e é minha convicção de que se houvesse mais liberdade de voto na AR, teríamos um país mais democrático e como tal mais justo.


Dito tudo isto, vou-vos só dar uma perspectiva histórica e actual sobre o que se passou e passa com a homossexualidade no Japão.
Na antiguidade japonesa, o termo usado para designar gays era nanshoku (que também poderá ser lido, danshoku) e que, etimologicamente, é gerado por dois caracteres: 男色. Literalmente falando o primeiro caracter quer dizer “macho” e o segundo “cor”. Contudo, o caracter que designa cor () ainda hoje é sinónimo de prazer sexual tanto na China como no Japão. Um outro termo usado como sinónimo seria shudo (衆道, abreviado do termo wakashudo, que se poderá traduzir para “a via dos rapazes adolescentes”).
Existe uma variedade de referências literárias algo que obscuras que evidenciam actos homossexuais, como por exemplo o romance Genji Monogatari (源氏物語, “O Conto de Genji”), oriundo do Período Heian, sensivelmente séc. XI.
A sociedade medieval japonesa é eximiamente estruturada em classes. Assim, na classe monástica, havia relacionamentos homossexuais de género tipicamente pedófilo, ou seja entre um adulto e alguém ainda não considerado adulto. Trata-se de relacionamentos, dá-me a entender, muito parecidos com o que acontecia na Grécia Clássica, em que o mestre mantinha uma relação homossexual com o aprendiz e isto estava imiscuído no ensino. No caso japonês, a relação era dissolvida assim que o aprendiz chegava à maioridade. Diz-se que, fora dos mosteiros, os monges japoneses tinham preferência por prostitutos (kagema) e não prostitutas e que isso era alvo de chacota social. Em termos religiosos, não havia oposição à homossexualidade no Japão nas religiões não-budistas kami (quer dizer divindade ou ídolo), mesmo na Era Tokugawa. De facto, um escritor dessa Era, chamado Ihara Saikaku, especulou que uma vez que as primeiras gerações de deuses Shinto eram todas masculinas, os próprios deuses tiveram de praticar o nanshoku por falta de parceiros femininos, dando uma explicação religiosa para a existência dessa prática (como diria o Hitchens, one never knows what the religious will say next :). Algumas divindades Shinto eram protectoras dos gays. Na classe guerreira (Samurai), havia a mesma relação professor-aluno que podia, caso ambas as partes assim consentissem, ser homossexual, exactamente como na Grécia de Alexandre o Grande. Essa relação tinha até uma formalização contratual chamada contrato de irmandade e exigia exclusividade. Não podiam ter outros parceiros masculinos. E enquanto o mentor ensinava o aprendiz nas variadas artes marciais, etiqueta samurai e código de honra, o desejo do mais velho de ser um bom exemplo a seguir para o seu pupilo levava-o a comportar-se de forma mais honrosa. Assim sendo, a relação shudo era tida como uma relação de engrandecimento mútuo. Depois, a relação ia para além disso, sendo que era exigida uma lealdade até à morte de ambas as partes uma para com a outra, sendo que quaisquer dividas de honra ou vinganças de um eram dos dois. Contudo, a relação com mulheres não ficava restringida e assim que o aluno fosse maior de idade poderiam ambos procurar outros parceiros homens se assim quisessem. O nenja (tutor) era especificamente o activo nesta relação e o aluno o passivo, numa respeitosa submissão. O papel passivo estava interditado aos homens adultos nestas relações. Há um filme interessante sobre este tipo de relações em contexto do Japão medieval e na classe guerreira que é o Gohatto (quer dizer “tabu”). Quando o vi na RTP2, estranhei a leveza com que os mestres percebiam que dois dos seus alunos estavam apaixonados. Se fosse na Europa era fogueiras com eles, provavelmente. Na classe média, os actores e actrizes acabavam por ter um segundo emprego na prostituição, sendo procurados por patronos ricos que se tornavam nos seus mecenas a troco de favores sexuais. Contudo, durante muito tempo, os prostitutos adultos não eram procurados por homens, enquanto as prostitutas eram mesmo sendo adultas, devido a não ser bem visto pela sociedade que um homem se deitasse com um outro sendo este maior de idade. Pelo século XVII, eles terão resolvido este problema ocultando, até quando fisicamente possível, a sua idade e, desde que as aparências (leia-se ilusão de juventude por parte do prostituto) fossem mantidas, era na boa. Os mais procurados por estes mecenas, tanto os femininos como os masculinos, eram os actores onnagata (que faziam papel de mulher) e os wakashu-gata (que faziam papéis gay). Estes actores eram muito retratados nas impressões nanshuko shunga (shunga quer dizer “imagem de primavera”, 春画, e primavera é um eufemismo oriental para erotismo ou sexo), cujo exemplo podem ver na imagem abaixo. Devo admitir que me ri da proximidade da palavra shunga em termos sonoros da nossa palavra de calão chunga, significando (para os lusófonos não portugueses que possam não perceber) que é reles, que não presta, que é de mau gosto!
Para os dias de hoje, deixo-vos com um testemunho dum imigrante brasileiro que vive no Japão que teve a bondade de deixar este registo no youtube. A perspectiva que ele dá bate certo com o que encontrei noutras fontes na Internet, pelo que dou-a por correcta e objectiva. (ignorem o primeiro minuto e meio que é ele a desabafar a frustração de pessoal que deixou comentários menos construtivos aos seus outros vídeos)
Relativamente a nomenclatura, ela é hoje diferente e mais diversa. Existe a palavra doseiaisha (同性愛者, literalmente “pessoa que ama o mesmo sexo”), que por razões óbvias dá título a este post. E depois a influências de culturas ocidentais, como gei (ゲイ, gay), homo(ホモ), homosekusharu (ホモセクシャル, homossexual), rezu (レズ, les) e rezubian (レズビアン, lésbica).
Como pode ser entendido no vídeo, os gays japoneses não são legalmente reconhecidos, sendo que também não são perseguidos pela lei. Fora algumas zonas mais metropolitanas como Tokyo ou Osaka, onde já há gays fora do armário, a sua maioria ainda vive vidas dentro deste último. Há por exemplo um testemunho, dum casal de gays que até têm alianças, mas que quando vão para os empregos a retiram e fingem ser heterossexuais até voltarem a casa, por medo do que os colegas e patrões possam achar.
Só para terminar, nos dias de hoje, segundo a Wikipédia, no Japão os homossexuais podem servir nas forças armadas, pois embora ser gay não tenha estatuto legal, também não é activamente contrariado ou proibido. Simplesmente é legalmente ignorado. Tive a curiosidade de ir ver o que dizia sobre Portugal e fiquei orgulhoso de ler que em Portugal os gays podem servir nas forças armadas como qualquer cidadão pois a nossa Constituição proíbe descriminação sexual.
Mais uma vez me despeço com amizade e com renovada esperança na única coisa na qual tenho fé (não cega): a Humanidade.
Alex, signing off!

Adenda I: (16h49min TMG, 24/05/2013) Os escuteiros norte-americanos passam a aceitar jovens gay, mas não adultos
Adenda II: (1h32min TMG, 01/06/2013) Um ateu ironizando com a resistência religiosa à homossexualidade 

domingo, 22 de abril de 2012

Os Meus Versículos Satânicos


Salman Rushdie escreveu os seus Versículos Satânicos na forma de um romance, em que dois dos mais importantes anjos das religiões monoteístas, sob forma humana e absolutamente convencidos da sua humanidade de tal forma que ambos no romance são ateus, são usados para criar um palco onde muito artisticamente se critica o Islamismo. Isso granjeou-lhe a edição duma Fatuah (uma sentença de morte a cumprir por qualquer “bom” muçulmano). Nada temam, eu não venho fazer o mesmo para com o Cristianismo. Não hoje, pelo menos. De qualquer forma, os Católicos já não perseguem ninguém até à morte… acho eu! A Inquisição já acabou, né?
Mas tal como os Versículos de Rushdie, eu venho criticar a civilização de onde venho, pela retórica, pela ironia e pelo sarcasmo. Rushdie centrou a sua crítica na Índia e na Inglaterra, sendo essas as suas origens. Eu centrar-me-ei no meu Portugal. Quanto a usar anjos (caídos ou não), prefiro usar um mito mais próximo do Homem: o Vampiro.
Por uma questão de formalismo teórico, comecemos por definir o que é ser vampiro. Bem, na cultura popular, um pouco por todo o mundo, existe o mito de uma criatura que vagueia na escuridão da noite, sedenta de sangue, um parasita de outros seres vivos, não diferente dos seus homónimos do mundo natural como a pulga, a carraça, o mosquito, e o morcego chupador de sangue. Por exemplo, na Roménia, de onde Bram Stocker (que fez no passado dia vinte deste mês 100 anos de morto) importou o mito do Vampiro e o popularizou no seu romance histórico Drácula, os vampiros são denominados de pricolici. Já a origem do termo nosferatu, usado por Stocker, é incerto e pode mesmo ter sido liberdade poética do autor. O termo grego é vrykolakas. No México temos o ilustre Chupa-Cabra, uma besta chupadora de sangue. No Japão temos o Kappa, um exemplo vampiresco deveras estranho, e cito a Super Interessante “Esta criatura humanóide, pequena e verde, como uma criança, mas também se assemelha a um sapo ou um lagarto. Ataca animais e suga-lhes o sangue pelo anûs. Aos humanos, rouba o fígado e viola as mulheres.” o-O Seja como for o mito de seres sobrenaturais que sugam sangue existe espalhado pelo mundo. Mais recentemente, num mundo onde cada vez mais a ciência ganha o seu espaço como um saber sério, objectivo e não só explicativo do mundo natural mas também desmistificador do mundo sobrenatural, o termo “vampirismo” foi usado para denominar uma doença do fórum psicológico que consiste numa sede patológica por sangue. Por outro lado, do ponto de vista da metafísica, há quem defenda algo chamado “vampiros psíquicos”, que são definidos como seres humanos que, pela sua própria natureza, sugam energia psicológica de seres humanos que os rodeiem.
Portanto, temos pelo menos 4 definições para vampiro: a mitológica/sobrenatural, a natural (parasitismo) e a psicológica (patologia obcessiva) que são ambas científicas, e a metafísica (sugadores de energias psíquicas).
Estamos agora preparados para entrar na parte mais controversa deste meu monólogo. Pretendo apresentar-vos o caso de que os políticos que nos (des)governam são eles próprios vampiros. Quero recordar que para tal, apenas tenho de os enquadrar, em termos lógicos e racionais, numa das definições que distingui acima. Ora bom, como eu sou ateu vou dar-me ao luxo de deixar a definição mitológica/sobrenatural para último! Eheheh
Comecemos então pela definição metafísica, que confesso ser a mais fácil, porque me bastará tornar-vos conscientes de um fenómeno que afecta quaisquer cidadãos interessados deste país e conscienciosos da nossa actual situação. É ou não é verdade que hoje em dia basta vermos os telejornais e/ou ler jornais para nos inteirarmos de frases dos nossos ilustres governantes que pura e simplesmente nos retiram energia mental? Que de facto pelas continuadas mentiras que hoje são, amanhã já não e no outro dia “Bem, talvez!”, pelas promessas eleitorais não cumpridas, pelos falhanços de cumprir as metas pelas quais andamos todos a sofrer (falhanços tão fracamente justificados, diga-se), nós sentamo-nos a olhar para tudo aquilo e sentimos asco, revolta, medo, fúria, incerteza para lá do razoável, tristeza e, no limite, desespero? A mim basta-me ver e ouvir o ministro das finanças na TV, esse não só vampiro mas também Gaspar the NOT so friendly ghost, para me sentir sugado de quase todas as minhas reservas de energia positiva ou de pensamento positivo para o futuro. Não vos acontece o mesmo? Comprova-se então que são, pelo menos, vampiros psicológicos.
Passemos então, à definição científica. Comecemos pelo parasitismo. Numa relação de parasitismo, o parasita vive do organismo hospedeiro enquanto nada de positivo surte dessa relação para este último. É preciso dizer mais? Estes tipos ganham bem (bem demais para a merda que fazem!!), têm mobilidade paga e assegurada pelos nossos impostos e pela dívida que colocam nas cabeças de todos os portugueses e que só têm feito crescer, enquanto vendem a preço de saldo o património estatal que nos restava, têm casa paga e, cumprindo dois mandatos em certos casos, têm uma reforma com todos os benefícios e mais alguns, a ser passível de executar de imediato (caga lá nos 65 anos) INDEPENDENTEMENTE de se fizeram um bom trabalho ou simplesmente afundaram ainda mais o país. Parasitismo comprovado.
Quanto ao vampiro patológico, bem isso depende de se eles realmente fazem o que fazem porque são completamente malucos da cabeça e acham que este é mesmo o caminho (continuadamente fazer dívidas para pagar dívidas, criar miséria na esperança de que isso promova uma retoma económica, propagar uma cultura de jobs for the boys ao mesmo tempo que defendem a transparência na política e o combate à corrupção, etc…) ou se nos estão só a pedalar mentiras para manterem o statu quo, assegurando a sua continuada existência parasita! No lugar deles, eu esperaria que fossem patológicos, ao menos assim podiam alegar defesa por insanidade temporal. (esta deixo por provar, não sou psicólogo :)
Mas, a partir de Janeiro deste ano, os nossos vampiros eleitos deram um passo importantíssimo. Decidiram abraçar na totalidade a sua natureza mitológica e começaram a desejar o nosso sangue de forma literal. Pois foi este ano que negaram a Isenção de Taxas Moderadoras aos Dadores de Sangue.

“QED, Pateta, velho compincha.”, citação directa da versão portuguesa de “Versículos Satânicos” de Salman Rushdie. A nota de rodapé indica que QED é uma sigla para Quod Erat Demonstrandum == aquilo que se pretendia demonstrar.

E porquê? Porque retiraram a isenção aos dadores?
1) Porque os dadores de sangue ganham todos quantidades obscenas de dinheiro e como tal não precisam?
2) Porque os dadores de sangue davam prejuízo ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) por terem essa benesse e devido à necessidade (discutível) de Austeridade é imperativo acabar com ela?
3) Porque é imoral (isto vindo destes vampiros é delicioso) pagar de alguma forma pelo sangue que é doado?
4) Ou será que é porque os dadores de sangue estão apenas a cumprir o seu dever?
5) Porque a dádiva deve ser algo altruísta e querer essa isenção é egoísta?

Bem, todas estas perguntas são válidas. Eu sou… era um dador de sangue e quero voltar a ser. Na verdade, ser um dador de sangue constitui, acreditem ou não, grande parte da minha identidade pessoal. Eu uso um fio de prata ao pescoço quase todos os dias, do qual pende não um crucifixo mas uma placa que tem o meu grupo sanguíneo e a sua polaridade, que a minha mãe me deu. Costumo brincar e dizer que pela minha natureza genética em si eu não tenho escolha senão ser um dador, um positivista e manter-me sempre positivo, pois a verdade é que o meu sangue é O+, o dador universal positivo por excelência. Se calhar por isso nutro prazer em dar aos outros e consigo manter um espírito positivo em qualquer luta, mesmo que possa parecer que seja uma guerra que não consigo ganhar, desde que ache que a causa é justa. Lembrei-me agora que posso ser mesmo a antítese natural ao vampiro! Ahaahah! Vamos lá então tentar responder às perguntas:

1) Eu não ganho quantidades obscenas de dinheiro. O meu pai é dador de sangue há bem mais anos que eu (e foi o exemplo dele que me levou a querer também ser um dador) e o meu pai infelizmente nunca ganhou acima dos 200 contos ou 1000 euros, sozinho. Atrever-me-ia a dizer que a grande maioria dos dadores de sangue pertencem à classe média, isto tendo em conta as pessoas com quem me cruzei que sei serem dadoras ou que via lá no Centro de Recolha quando lá ia. Sim, essa classe quase destruída por completo. O Sócrates aniquilou a média baixa, o Passos está a dar cabo do que resta. Ainda se admiram da retirada da isenção ter sido a gota de água que fez transbordar o copo?
2) Quanto ao prejuízo. Ouçam, antes desta idiotice de nos negarem a isenção, Portugal não só não tinha falta de sangue no Instituto Português de Sangue (IPS), como éramos uma nação exportadora de sangue. Literalmente, o IPS vendia sangue ao estrangeiro. Como se veio a saber, éramos aparentemente tão ricos, que nos dávamos ao luxo enquanto país de desperdiçar um dos subprodutos da recolha de sangue, o plasma! Nesta notícia, calcula-se que se poderia poupar muito se aproveitássemos o plasma para fazer medicamentos que assim temos de importar ao estrangeiro (isto sim é prejuízo, é defeito estrutural e ainda não foi resolvido). http://www.publico.pt/Sociedade/plasma-portugues-continua-a-ir-para-o-lixo-1532411
Cito o acima indicado artigo:
"Álvaro Beleza afirma que a maioria dos países ou escolhe exportar o seu plasma ou o fracciona para depois ser transformado em derivados (como por exemplo os factores de coagulação VIII e IX, que são usados no tratamento dos hemofílicos). "Portugal paga 30 milhões de euros pela importação de derivados de plasma", diz, notando que o plasma pode ser uma fonte de receita que abate na despesa.
Por outro lado, se eu usei a minha isenção 4 vezes em 8 anos foi o muito. E 3 delas foi no ano passado porque tive uma infecção num dente que chegou ao limite do suportável a um sábado. Fui às urgências. Eu não vou ao médico, qualquer médico, sem que algo de grave me obrigue a ir lá. Amigos, eu tive gripe A e curei-a em casa, sozinho em Lisboa, com analgésicos, muitos e muitos líquidos e o meu sistema imunitário. Além disso, os dadores de sangue são pessoas normalmente saudáveis. Nós somos monitorizados a nível sanguíneo e de pressão arterial sempre que lá vamos. Por exemplo, uma das minhas dádivas que não contou porque as análises mostraram que havia algo mal com o meu fígado. Foi no ano passado e no despiste esse desvio da norma já tinha desaparecido. Em conversação com o médico, deduzimos os dois que foi um efeito secundário do antibiótico que tomei devido ao dente. Não dei tempo suficiente para o organismo retomar funcionamento normal antes de ir dar sangue. Eu nunca me lembro do meu pai estar internado ou mesmo de ter ido às urgências por ele próprio. Nós não éramos fonte de prejuízo, mas fomos fonte de lucro mal ou sub aproveitado pelo IPS, pelo SNS, pelos sucessivos governos portugueses. E já agora, se os dadores não derem o sangue isso não significa que o SNS não vá ter de o ter, só significa que o Estado Português deixará de ser exportador de sangue e passará a ter mais uma fonte de gasto passando a ser importador de sangue, como tantos países são, até alguns dos que se diriam mais avançados que nós.
3) Bem, não fosse a situação tão séria e houvesse vidas em jogo, a ironia desta pergunta seria de partir o caco. Quando um utente do SNS recebe uma transfusão de sangue, paga a taxa moderadora. PAGA o serviço e o sangue. O SNS VENDE SANGUE!!!! E esta isenção que os dadores tinham não se prendia com pagamento, prende-se com um simples raciocínio lógico. Primeiro, se eu dador precisar duma transfusão é justo que tenha de pagar por sangue que possivelmente eu dei?? É moral? É justo? Segundo, o que esta isenção diz e pratica é: mesmo que não tenha dinheiro, o dador de sangue será sempre tratado pelo SNS, entidade que o dador ajuda a manter e a ser sustentável, porque é do próprio interesse do SNS mantê-lo saudável e continuar a receber a sua contínua dádiva. Right?? Nada mais lógico, correcto, justo que isto!
Já agora, nos EUA (que em matéria de estado social não são exemplo para ninguém) as pessoas recebem dinheiro por cada dádiva de sangue. De facto, há pessoas que entre a dádiva de sangue e outra de esperma ou óvulos, a cada 3 meses sacam outro ordenado. Isto, segundo valores morais religiosos portugueses convencionais, poderá parecer-vos imoral. Eu vejo-o por aquilo que é. The american way of life, capitalism! Não me ofende, mas prefiro o sistema que tínhamos em que há uma relação de MUTUALISMO entre dadores e SNS. Nada mais moral que isto, até porque simplesmente nessa relação o vil metal não era transaccionado.
4) Não é um dever, nem obrigação, de cidadão. De facto, à parte das pessoas que por condição física não podem dar sangue (Anémicos, pessoas com doenças como SIDA ou hepatite, pessoas que pesem menos de 50 kg, hipertensos, etc…) a vasta maioria do nosso universo nacional de 10,5 milhões de pessoas não dá sangue. E uma pequena parte dos que davam antes desta alteração de regime, davam esporadicamente. Isto é, se fossem ter com eles ao local de trabalho, até davam. Se vissem a carrinha de recolha na rua e tivessem tempo, até davam. Já dadores como eu, como o meu pai, como muitos outros, doávamos regularmente. Do nosso próprio bolso e transporte, predispúnhamo-nos a ir ao hospital fazer a dádiva. Ou seja, durante oito anos contribuí para manter os bancos de sangue atestados, fazendo nenhum prejuízo ao SNS, mas tendo eu prejuízo pessoal porque o Estado não me atestava o carro. E mesmo assim, regularmente, ou o mais regularmente que me era possível, eu lá ia dar-lhes sangue com todo o gosto. Esta ideia da dádiva regular é importante, como demonstrarei posteriormente. É que para se ter aquela isenção, precisávamos de ter sempre, no espaço temporal de 12 meses, duas dádivas. Percebem a importância que o Estado, ao impor este mínimo de dádivas, dá à regularidade da dádiva?? É que sem essa regularidade, é impossível assegurar que os níveis de sangue disponíveis ao SNS se mantenham sustentáveis. Mas seja como for, dar sangue regularmente é ir mais longe que o mero dever do cidadão. Que isso fique bem claro, pois isso em si mesmo já merece a benesse acrescida da isenção face ao comum cidadão.
5) Coloquei esta pergunta e aqui lhe respondo porque parece haver muito essa ideia. Ou seja colocam o ónus da responsabilidade no dador, mesmo e especialmente pessoas que não são dadoras. Ma friends, mellon nîn (como diriam os elfos de Tolkien), viver em sociedade nada tem de altruísta. O altruísmo social é tão verdadeiro como a utopia comunista. Simplesmente não existe. Porquê? O que é o altruísmo social? É servir os outros sem esperar nada em troca. Mas isto é possível? Quando vocês ajudam alguém, não se sentem de imediato inundados por uma profunda sensação de bem-estar psicológico? É que, para o ser humano normal, sabe bem ser útil aos outros, ser prestável. Sabe ainda melhor, quando os outros nos agradecem essa prestação. Sabe ainda melhor quando noutra ocasião posterior alguém nos ajuda a nós. Nós fazemos as coisas motivados por essa sensação de bem-estar pessoal, de auto-realização, e porque esperamos (temos fé, atrever-me-ia a dizer) de que quando precisarmos alguém estará lá por nós ou por aqueles que amamos e/ou estimamos. Na pior das hipóteses, podemos fazer o bem, o que achamos estar certo, porque temos medo de ir parar ao Inferno. Ou seja, quando fazemos algo de bom, ganhamos sempre algo no processo, quanto mais não seja paz de espírito ou um positive boost no ego. Isto não é metafísico, é verificável experimentalmente. E isto é simplesmente ser humano e viver em sociedade. É esta visão egoísta? Não. Egoísmo é querermos tudo só para nós, é nem sequer pensarmos nos que nos rodeiam quando agimos, é só pensarmos em nós próprios… diria eu, como fazem os nossos vampiros!
Mas sabe pessimamente quando ajudamos alguém e percebemos que na verdade fomos mas é usados. A nossa boa natureza abusada por outro que não sabe viver em sociedade. Isso magoa o nosso ego. É a origem do sentimento de revolta face à injustiça. Ora, quando após anos de serviço, me negam uma benesse, que eu não uso com a mesma regularidade com que presto o serviço, apenas porque vem escrito no Evangelho da FMIta segundo Merkl e Sarkozy, via Troika, eu fico fulo da vida! Sinto-me explorado e raios me partam se não vou tomar uma atitude de resistência sobre esta governação baseada numa fé cega para com a alegada sapiência de pessoas que não conhecem a realidade do meu país! Possivelmente, nem a realidade da do deles.


Estão respondidas as perguntas que poderiam justificar a posição assumida por este governo vampiresco, que até do ponto de vista económico só sabe sugar, sugar, sugar! É este o seu mantra diabólico. Declaro-me assim antagónico a esta medida que considero, injusta, imoral, “associal”, desnecessária e perigosa para a nossa sociedade, uma vez que os dadores de sangue não estão aqui para ser abusados pelos demais e que há pessoas que precisam vitalmente da nossa colaboração. Como cidadãos e como minoria que somos, a nossa única forma de luta é reter a dádiva. Mas a responsabilidade de repor o sistema de recolhas de sangue de volta em pleno funcionamento não é dos dadores, é sim do governo, que para isso apenas terá de admitir o seu erro e retroceder. Ninguém espera que sejam infalíveis, meus senhores, mas seria bom para variar termos um governo que saiba quando errou e que admita outra via. Mas serão eles capazes? Ou serão eles demasiado dogmáticos para tal?
Bem, vejamos as notícias desde o início desta interrupção da relação IPS-dadores (este sanguinus interruptus, se quiserem!):

Os 3 primeiros artigos que coloquei nesta lista estão lá apenas para dar exemplo de quão profundamente mal direccionada e “às escuras” está a ser levada a cabo a dita reestruturação do SNS. Alguns daqueles artigos baseiam-se em estudos que o próprio governo encomendou.
O quarto artigo coloquei-o porque acho que os bombeiros têm razão. Assim como os polícias se poderão queixar do mesmo. Os militares não necessitam porque têm hospitais próprios. Se nós esperamos que estas pessoas nos mantenham seguros de fogos e criminosos, de terroristas ou que lutem as nossas guerras, não é então do nosso interesse que eles tenham a saúde assegurada? É claro que essas benesses não se devem estender a familiares, como já aconteceu no passado, mas aos agentes em si porque não?
As notícias seguintes dão início à nossa (dos dadores) luta social com uma petição e com o fim dos esforços das associações de dadores na recolha de sangue. Depois surgem as notícias a dizer que os níveis de sangue armazenados estão perigosamente baixos. O ministro da saúde, não querendo admitir o erro que mandou executar, diz que tudo está bem e que as alterações nas isenções não vão causar problemas. Contudo, depois vem o colega de governo, mas não de clube partidário, pedir que dêem sangue. “Tudo está óptimo, mas é melhor virem depressa, tá?” e lá foi ele na sua scooter “para inglês ver” dar sangue. Depois disso, os vampiros desesperaram mesmo, como é demonstrado pelo que fizeram a seguir. Foram à Igreja. Ah pois é! Esqueçam que eles não gostam do crucifixo, eles adoram-no, especialmente estando desesperados.
Finalmente, a 15 de Março o site do IPS deixa de mostrar informação sobre os níveis de sangue. Really!? That bad?? Estes senhores não querem admitir o seu erro, muito embora os apelos desesperados continuem. A minha mãe disse-me que viu no telejornal que eles até andam a mandar mensagens para os dadores a pedir que dêem sangue. Se restutuirem o Estado Social nem precisam de pedir. Mas eles darem o braço a torcer? 'Tá quieto! Estes senhores são um perigo para a nossa nação. Mas que mais podemos esperar de vampiros que nem Sol nem Cruz temem?
O mais engraçado é que depois de me terem negado a isenção por uma acção que eu fazia benéfica para o Estado Social, deram-me, SEM EU A PEDIR (ao contrário do milhão de pessoas que entupiu os centros de saúde de Norte a Sul do país), chegou-me por correio, uma carta (que aqui posto com as reservas óbvias de ter vindo com a merda do AO90) que me dá isenção de taxa moderadora até Setembro, presumo eu por falta de rendimentos. Ou seja, sendo que não estou em posição de contribuir mais em impostos tenho direito a essa isenção, mas por contribuir mais em sangue que o comum dos mortais, acção para a qual a minha saúde pessoal é indispensável, já não tenho direito. Isto faz sentido? Bem, não é esta peninha fictícia pelo pobre que me vai calar, especialmente quando são estes vampiros que andam a distribuir miséria como se não houvesse amanhã, enquanto engordam figurativamente nos seus poleiros dourados no topo desse Olimpo a que chamamos Assembleia da República! Aliás, alegarem Crise e Austeridade necessária foi a única maneira de irem para o governo. Quando estava lá o Sócrates, o Passos andava a gritar “Bancarrota! Bancarrota!” por toda a Europa. Se alguém agora o fizer, ele é o primeiro a dizer que isso é anti-patriótico! Double standard much?? Esta minha revolta não é egoísta, nem altruísta, por isso não me calam apenas por que sou pobre o suficiente para continuar isento! Eu quero que os dadores de sangue tenham a isenção, para regressarmos à relação de mutualismo que tínhamos com o SNS e assim assegurar uma peça vital da engrenagem desta maquinaria essencial ao estado social. Na verdade, estou a pensar tanto em mim como em todos nós, e só não vê isso quem quer ser cego.

Como estes versículos se querem satânicos, não posso deixar de abordar outro assunto. No outro dia, também no site do Público, estava eu a ler um qualquer artigo de cujo o assunto não me recordo, e li um comentário (gosto sempre de ler as opiniões dos meus conterrâneos) que dizia em desespero, e parafraseio:
“Direita?? Mas isto não é um governo de direita!!”. Eu retorqui a este comentário dizendo, não sem uma ponta de ironia que apenas para um apartidário como eu seria máxima: “Oh, eles são a Direita, meu amigo! Se calhar você é que não!”. Mas depois fiquei a matutar naquilo mais seriamente. E acho que o tal senhor tinha razão e contudo eu também! Deixem-me explicar.
Eles não são a direita que se esperava, pela qual se fazem passar, e na qual a maioria (não absoluta) votou. Eles não são a Social Democracia, basta olharem para qualquer país da Social Democracia Nórdica. Mas continuam a ser Direita, porque a política deles não podia estar mais longe da Esquerda, no espectro político. Então que bicho é este? É simples, é a Direita Católica. E de facto nesse ponto, e talvez apenas nesse, o CDS é (dos partidos que compõem o actual governo) o mais verdadeiro. Diga-se de passagem que não precisa de muito para o ser, mas pelo menos assume-se como Direita Católica… não está no armário, né Paulinho das Feiras?
“O que é que ele quer dizer com aquilo, pá?”
“Shiu, Cala-te, cala-te, deixa-me ouvir!”
Reparem como ministros do PSD, seguindo com Fé Cega (realço) o Evangelho (apocalítico) da FMIta segundo Merkl e Sarkozy via Troika, alienaram vastos sectores da nossa sociedade, sectores que contribuem mais que o comum dos cidadãos (dadores de sangue e bombeiros, por exemplo e continuidade) para a manutenção da mesma e depois foram literalmente pedir milagres aos padres, para que estes conduzissem o rebanho da missa para a recolha do sangue. Será que vão pedir nas missas também que as pessoas destreinadas vão combater os fogos infernais que flagelam o nosso belo país verde todos os anos? Fiem-se na Virgem e não corram, não!!
Mas falar assim da Direita Católica parecer-vos-á talvez como que um mesquinho sentimento anti-católico vindo de um confesso ateu. Nada a ver. Os padres e bispos portugueses bem que têm tentado levar estes vampiros para melhores rumos, mas nem a Santa Sé parece ter mão neles. Ainda assim, quem é a Direita Católica historicamente?
Bem, quem eles são agora são aqueles que vos dizem para temer o comunista debaixo da vossa cama! :D , uma vez que o Lenine e o Estaline eram monstros! De facto, assim é, o Lenine e o Estaline não interessavam a ninguém, nem (como diz o meu povo) “ao menino Jesus”. Péssimos exemplos de seres humanos. Contudo, vejamos que exemplos tem a Direita Católica a oferecer-nos. Comecemos pelo o mais próximo, o rapa-tachos em pessoa, esse amante da Austeridade inventor gracioso do termo Encarnado, o maior dos portugueses (assim votado num programa da RTP), António Salazar. Lembrem-se que o senhor fazia os meninos na escola rezarem pela sua alminha antes de começarem o dia escolar e que o fenómeno de Fátima foi gerado e aproveitado pelo Estado Novo ainda nos dias de governo deste ilustre. Teve uma coisa boa, salvou-nos do Acordo Ortográfico certa vez! Mas continuemos e visitemos nuestros hermanos e lembremos El Generalíssimo, o Franco. Saltando por cima de França, aterramos na Itália e temos o Mussolini. Em sua companhia e através dele, o Hitler assinou uma concordata com a Igreja Católica. Afinal, qualquer tipo disposto a perseguir e matar judeus e comunistas tem de ser bom, né? Não? A sério? Oh pá!! E parece não ser só jogada, pois até no Mein Kampf o ignóbil e neurótico 666 diz acreditar em Deus. Os tropas nazis tinham no seu cinto Gott Mit Uns (Deus do nosso lado). Pelos números fornecidos pelos registos da própria igreja Católica, 20% dos agentes da SS eram confessos católicos. Nenhum foi excomungado, apesar dos seus crimes desumanos contra a Humanidade. Mas o Ministro da Propaganda do Hitler, Joseph Goebbels foi. Sabem porquê? Ahahah, porque se casou com uma protestante!!! Até os católicos têm os seus standards! Ou seja o Anti-Cristo em pessoa era um representante da Direita Católica. E reparem que o Hitler até é bastante próximo da nossa actual Direita Católica, esta de que vos falo. Ele próprio era membro duma irmandade secreta de índole pagã, à lá Maçonaria, de onde tirou as ideias da Suástica (runa hindu que simbolizava apenas o movimento perpétuo do Universo muito antes de ser símbolo nazi) e as tolices arianas. O nosso governo está cheio de Maçons. De facto, o ministro de propaganda do nosso governo é um Maçon. Conseguem adivinhar a quem me refiro? Podemos excomungá-lo? Mas assim tipo pá Lua?? Reparem como este governo já começa a estender os tentáculos da supressão de informação e mesmo afectar outras áreas que precisam de livre expressão, exactamente como acusou o seu antecessor de fazer. Na lista de notícias acima dada, é mencionado o cancelar da contínua informação dos níveis de sangue em armazém. Aquando da última greve, o governo disse que não publicaria os números da greve no seu site. Depois veio a notícia de que afinal publicariam mas só no final do mês. O final do mês veio e foi-se e nunca mais. Na RTP, a que eu hoje de coração pesado chamo Relvas Televisão Portuguesa, até o programa “5 pra Meia Noite” foi tocado por esta versão dissimulada de lápis azul. O Nilton, no seguimento duma piada que volvia em saber a reacção de Portugal face à sua morte, colocou no ecrã imagens dos debates das últimas eleições. Vimos Gerónimo vs Louçã, vimos Portas vs Sócrates, todos os quatro fracamente gozados pelo Nilton, mas o Dear Leader Passos Coelho não vimos em nenhuma das imagens. Quando os comediantes têm medo de falar do líder, é para começarmos a levar a coisa a sério. E verdade seja dita, a piada era fraca e o gozo para com os políticos foi inofensivo. Mesmo que Passos Coelho lá aparecesse, não teria sido ofendido. Reparem ao que já chega o receio. Relembro também a polémica daquele programa de rádio que foi prontamente cancelado por defender em alto e bom som uma posição antagónica à posição deste governo perante Angola, salvo erro. Felizmente não parecem ter mais parecenças, mas já são semelhanças suficientes para me arrepiar todinho!
O mais engraçado é que estes gajos todos, e refiro-me a todos os ditadores do século passado, se aliam com a religião mais numerosa ou poderosa de que disponham na área que querem dominar, não sem antes gritar ou alegar necessitarem de poderes de emergência para fazer face a Crises. O Estaline tinha um acordo com a Igreja Ortodoxa Russa, que agora é o braço religioso de Putin e de facto recentemente têm criado e feito circular estatuetas de Estaline com um halo de santo na cabeça!!! O Sadam Hussein, por exemplo, que surgiu no partido socialista iraquiano, era um sunita. Na Coreia do Norte, o Great Leader é ainda o chefe de estado, embora tenha morrido já há alguns anos. Foi declarado líder eterno após a sua morte. Temos então aqui a primeira "Necrocracia" do mundo! O seu filho, o Dear Leader, é o chefe do partido e das forças armadas, apenas. Reparem como estão a um passo de uma Santa Trindade, o pai no Céu, o filho na Terra… Tão ridículo, mas faz sofrer e manter na escuridão do espírito e do corpo tanta gente inocente. Onde quero eu chegar com isto?
Para haver liberdade democrática, numa república democrática, tem obrigatoriamente de haver separação entre o Estado e a Religião. Dessa forma, como percebeu Thomas Jefferson quando escreveu (com outros) a 1ª emenda da constituição norte-americana, que assegura liberdade de religião, o estado não pode oferecer estatuto especial a nenhuma religião ou denominação, o que implica que também não há perseguições religiosas pelo Estado. Pois se não apoia nenhuma, não está contra nenhuma. É a única maneira de haver verdadeira liberdade religiosa ou espiritual.
Quando Thomas Jefferson estava a escrever as emendas, houve um grupo religioso, a Danbury Baptists Association, que eram uma minoria religiosa no Conneticut, que lhe escreveu uma carta onde revelava medo de perseguição por parte de outro e maior grupo religioso, pois achavam que os seus direitos religiosos não eram vistos como certos e imutáveis, mas antes como um direito concedido por legislação. Na sua resposta, Jefferson disse-lhes para estarem certos de que iria sempre existir uma parede/muro/muralha (wall) entre a igreja e o estado. Daí surgiu a noção que ainda hoje vinga na América, ainda que de forma imperfeita, que é a Separação entre o Estado e a Igreja. Igreja aqui deve ser entendido como Religião. Eu soube deste episódio através do que para mim era um dos mais intrépidos jornalistas dos nossos dias e também um campeão pelas Liberdades do Indivíduo, infelizmente vitimado por um cancro em Dezembro do ano passado. O seu nome era Christopher Hitchens, grande amigo do Salman Rushdie, e os Meus Versículos Satânicos não estariam completos sem citar o slogan criado e propagado pelo Hitch:

“Mr Jefferson, build up that wall!”


O Hitch, como humanista que era, muitas vezes falava em necessitarmos de conceber a Cidade Justa e de implementá-la. Uma nação onde as liberdades e os direitos eram absolutamente respeitados. Nessa Cidade eu estaria a favor do governo que a mantivesse e continuamente melhorasse. Mas enquanto os governos se portarem com este abandono, com esta irresponsabilidade, com esta falta de capacidade de ouvir, com esta fé cega em quem tem o dinheiro, com este contínuo abraçar de uma cultura que protege o corrupto e fomenta a corrupção, eu estarei, como diriam os Resistência na canção “Esta Cidade”, «…sempre do outro lado da luta!». Na verdade, sinto mesmo a necessidade daqui citar mais dos versos dessa música, se calhar compelido por um poder maior! Ahahah


“Quero eu queira, quero não queira
No meio desta liberdade
Filhos da Puta sem razão e sem sentido
No meio da rua nua, crua e bruta
Eu luto sempre do outro lado da Luta!”

Para terminar quero deixar um apelo às pessoas deste país, aos meus conterrâneos, meus concidadãos, independentemente de credo, género, cor política, estrato etário, etnia e classe social. Peço-vos que entendam a posição dos dadores que escolheram lutar por um Estado Social de maior Justiça! Mais que isso, peço-vos que se mobilizem em nosso socorro, porque nós temos estado cá por vós, e se vocês estiverem cá por nós nesta nossa hora negra, no futuro nós voltaremos a estar cá por vós! Até lá, o meu blog vai ter o pin da Associação Portuguesa de Dadores de Sangue de pernas ao ar (sinal internacional de socorro) na sua lapela, onde desde início tenho tido uma imagem composta por mim a que chamei Shinobi Moon (vidé imagem abaixo)! (se usasse fato, este seria o pin que usaria na lapela). Diga-se de passagem que coisas invertidas costumam ser, por católicos, tomadas como satânicas. Por exemplo, o crucifixo voltado ao contrário deixa de ser sinal de Cristo, para ser sinal do Diabo, que assim goza com ele... este é o lore dessa mitologia, não culpem o mensageiro! Aliás, sabiam que anjo descende directamente do termo homólogo em grego antigo que quer dizer simplesmente "mensageiro"?
Deixo-vos então, espero que com muito para pensar, e também com outra música a condizer e, infelizmente, tão apropriada com a época que atravessamos agora, que me serviu de inspiração primária para estes meus Versículos. Afinal, "quem canta seu mal espanta"!
Até à próxima, meus/minhas caro(a)s!



Post Scriptum (ponho por extenso para não haver confusões ;): perguntar-se-ão vós acaso porque raio eu me dou ao trabalho de escrever estas coisas? Será que vivo na ilusão que toda a Lusofonia com acesso à net me lê e que desse universo todo uma maioria siginificativa concordaria comigo? Não! Não tenho ilusões de conseguir mudar o mundo sozinho. Mas também não tenho feitio para ficar impávido enquanto estes acontecimentos acontecem no meu/nosso mundo sem pelo menos tornar pública e clara a minha posição sem medos de represálias, visto que hoje temos meios baratos e fáceis de o fazer. Diria mesmo, meios (por enquanto) altamente democratizados. Além disso, ao escrever as coisas que penso obtenho uma maior clareza nesses próprios pensamentos & se me contestarem as ideias terei a possibilidade de aprimorar um argumento que doutra forma poderá ser um erro perpétuo ou nunca atingir o seu potencial máximo. Acima de tudo, faço-o porque desta forma exorcizo os meus demónios internos, os meus medos, as minhas dúvidas… desta forma luto, desta forma pelo menos acrescento algo, desta forma penso e existo.
PPS: Acrescento só que embora por resistência estou a não dar sangue, contínuo registado e pronto a doar medula. Há uns 3 anos, lembrei-me de perguntar o que precisava de fazer para ser também dador de medula. Nunca ninguém mo tinha proposto. Não ganhei mais por isso que uma caneta e um cartão de dador, ambos que não pedi nem esperava. A minha única pena é haver tanta gente a precisar e nunca me terem chamado para dar. Essa dádiva não retenho. E a do sangue só retenho porque há gente muita parva neste mundo e precisamos de combater essa parvoíce com as poucas armas que possuímos, em prole dum melhor futuro.
PPPS: Por outro lado, se tornarem AMANHÃ o SNS gratuito para todos, de bom grado retornarei a dar sangue regularmente!
PPPPS: Just kidding, não tenho mais nada a acrescentar! Ahhaha Bye bye, 4 now! ;)