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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Os Meus Versículos Satânicos: mAO90ismo




Em vésperas do Dia da Língua Portuguesa, que ao que parece será dia 5 de Maio, que este ano, também é dia da Mãe, venho falar-vos das semelhanças em pensamento entre o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) e uma qualquer Religião. Porquê religião? É simples. Depois de tanto argumento lógico e racional, ou mesmo técnico, contra o AO90, e mesmo perante a evidência de que entre 60% a 70% dos portugueses estão em desacordo com o alegado acordo, é preciso ter muita fé nos dogmas do AO90 para continuar a insistir na sua validade (seja de que perspectiva for) e persistir no erro da sua implementação! Apenas uma fé cega e dogmática pode levar a tamanha arrogância e inconsciência. Qual o seu deus? Dou-vos uma pista: “In God we trust”. Dou o nome de mAO90ismo (leia-se mau-noventa-ismo) a esta nova e interesseira crendice, que como sempre muitos, mesmo entre os cultos e inteligentes, ilude. Tal é também próprio das religiões.
Para os que não me lêem regularmente, uma pequena introdução aos prós e contras deste acordo é imperativa. Deixo aqui também, caso queiram ler ou reler, os meus posts prévios sobre o Acordês:





Todos os argumentos a favor são facilmente destruídos (como procurarei demonstrar de seguida e de forma resumida):

- há que uniformizar o Português para o podermos usar como língua de trabalho internacional e obter esse reconhecimento das Nações Unidas (NU). Falso, o inglês é efectivamente língua de trabalho internacional e nunca teve de se sujeitar a isso. Por outro lado, é facilmente provado que o AO90 não uniformiza a língua, apenas a torna mais pequena, mais restringida e mais ambígua. Reparem nestes dois exemplos que os brasileiros continuarão, segundo o AO90, a escrever como nós escrevíamos antes do AO90 mas nós temos que remover consoantes alegadamente mudas… isto é uniformizar?
Por outro lado, o inglês impõe-se como língua de trabalho internacional essencialmente por duas razões: é fácil de aprender e é a língua de algumas das maiores potências e economias do mundo industrializado;

- temos de tornar a língua mais ágil e fácil, aproximando a escrita da oralidade. Impossível em termos práticos, visto que só em Portugal há uma enorme disparidade de pronúncias e sotaques, quanto mais em todos os PALOPs. Por outro lado, o AO90 vem afastar-nos desse objectivo. Sendo que os brasileiros fecham vogais enquanto nós abrimos (exampli gratia: yóga em Portugal, yôga no Brasil), em geral, é impossível termos a mesma acentuação nas palavras que os nossos irmãos de Além Mar, se o objectivo for mesmo aproximar a oralidade da escrita. Quanto à questão de o AO90 aproximar a pronúncia da escrita, reparem neste excerto, proveniente desta fonte (http://networkedblogs.com/KhcrK):
«Assim, não é por má vontade ou deficiência que um português lerá “ef”tivo” quando lhe põem à frente a palavra “efetivo”, palavra que um brasileiro lerá como “êfétjivo”. Isto é simples, muito simples, e qualquer criança percebe. Já“efectivo” obriga um português, pela presença do C antes do T, a abrir o E mesmo que o C não se “ouça” na fala. Não é uma regra arbitrária: é, além do respeito pela etimologia, pela raiz da palavra (do latim ‘effectívu’, ou “activo que produz”), o respeito pelo sistema vocálico próprio do português europeu.»
Quanto a tornar a língua mais ágil e fácil de aprender, a língua inglesa deve ser a língua mais fácil de aprender como segunda língua e tem os “p” e “c” na sua ortografia. Quando nós também os tínhamos, eu ainda tenho, era mais fácil dominarmos a ortografia inglesa. Pelos vistos, a mania da modernice apressada e às cegas já começa a dar problemas, como constata aqui um professor que diz que os alunos já começam a escrever em inglês sem “c” e “p”, id est projet em vez de Project.
Não só não nos deu facilidade em aprender a nossa própria língua, pois fica ambígua e não há regras que não estejam cheias de excepções absurdas neste AO90, ou seja não há lógica para as crianças seguirem, como ainda conseguiu tirar-nos a nossa facilidade em migrar para a ortografia inglesa cuja raiz etimológica é muito próxima da nossa.

- precisamos que a língua evolua e tal evolução só se pode fazer via acordos ortográficos. Falso, até agora a língua estava a evoluir a 8 frentes, sendo que agora está em ampla repressão (ou quiçá mesmo regressão) evolutiva. A evolução, comprova-se pela mera observação da natureza, beneficia da diversidade e não da falta dela. O Acordo Ortográfico não é Selecção Natural (que seria a evolução ortográfica por força da oral) nem Artificial (a influência de outras línguas e termos novos no vocabulário da língua, como linkar ou googlelar), é uma adaptação para as Letras das absurdas leis da Eugenia. Se olharmos para os exemplos históricos, tipo o latim, percebemos que a evolução natural duma língua falada por povos diferentes é desaparecer, convertendo-se nos seus muitos descendentes. Exempli gratia, o Latim, que originou o inglês, o francês, o português, o castelhano, o italiano, o romeno, etc… e desapareceu enquanto língua viva;


- o argumento dos números: os brasileiros são às centenas de milhões pelo que temos de nos juntarmos a eles ou cair. Falso, por vários motivos: 1) o povo brasileiro também não quer este acordo para nada, nem o pediu ou foi chamado a debater sobre a sua implementação:
TAMBÉM HÁ REVOLTA PURA CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO:

TAMBÉM SE DÚVIDA DAS MOTIVAÇÕES OCULTAS POR DETRÁS DESTE ACORDO:
E FINALMENTE TAMBÉM HÁ QUEM ACHE QUE NADA SE GANHA COM O AO90, QUE É UMA MÁ IDEIA, QUE SABE OS ARGUMENTOS CONTRA, MAS QUE POR ACHAR QUE NADA HÁ A FAZER BAIXA OS BRAÇOS E NÃO LHE RESISTE:
Só mais uma, desta volta só áudio (link abaixo):
E LÁ PELA ÁFRICA TAMBÉM NÃO ESTÃO MUITO PELOS AJUSTES COM O AO90, NÃO SENHOR:


Bem como cá, desd’as ruas até aos poleiros políticos se resiste, como ilustra a seguinte imagem:

E o debate, o confronto, é mantido vivo:
Cidadãos da Língua Portuguesa sentem-se assaltados pelo Acordo Ortográfico(link)
É preciso, portanto, diferenciar a vontade dos povos da vontade dos políticos que os representam e que, por vezes, quando têm essa possibilidade, procuram usar essa ilusão de números para fazer pender a balança da argumentação a seu favor. É como a Igreja Católica dizer que tem N milhões de fiéis, mas quantos desses foram baptizados à nascença sem terem voto na matéria, fazem parte das estatísticas da Igreja, e/ou nunca acreditaram ou abandonaram a igreja? Os meus pais contam-se entre eles e como eles outros tantos…

2) mesmo que fossemos só 10 milhões a escrever o Português Europeu, este manter-se-ia sempre válido, desde que os bananas que nos lideram assim o permitissem; 3) o AO90 não nos obriga à ortografia brasileira, tendo antes mutilado tanto a ortografia brasileira como a portuguesa; 4) ainda recentemente postei aqui um link em que o governo chinês pediu expressamente a Portugal, professores de Português. Se formos nós a ensiná-los, lá se vão os números dos brasileiros;
(também argumentado no post nº 3 linkado acima)



- o argumento de que se formos contra o AO90, somos retrógrados reaccionários da direita conservadora. Ideia sem dúvida popularizada por ter sido o Governo de José Sócrates (cujo o partido finge ser de esquerda e não de centro) a levar a resolução ao plenário nacional, e potenciada pela acérrima defesa do Bloco de Esquerda deste tão patético projecto… sim, o mesmo bando (este último) que quer desfazer as forças armadas nacionais… enfin! Estranho, contudo, que o único partido na Assembleia da República (AR) Portuguesa de teor ideológico revolucionário, o PCP, se tenha abstido na sua totalidade quando o AO90 foi aprovado na AR, por ter sérias dúvidas do que neste último era advogado (como demonstra a imagem acima), e que mantém a ortografia portuguesa europeia pré-AO90 no seu jornal, o Avante. Quanto a sermos retrógrados, nós que não nos abstemos nem somos neutros mas que atacamos o AO90 em consciência e com paixão, como disse Saramago (deste senhor mais será dito, já lá iremos), nem tudo o que é novidade é necessariamente bom e devemos suspeitar sempre das modernices, até que seja factualmente comprovado o seu maior valor face ao que já havia;


- os acordos ortográficos nunca foram discutidos com a população em geral, com já ouvi dizer em defesa do AO90 quando se diz que este é anti-democrático. Belo dogma, argumento da treta e, como diz um colega meu, “que desculpa de merda, pá”. Se formos a pensar assim, então também as mulheres nunca viriam a votar, ainda haveria escravatura legal e bem-vista pela sociedade, etc… Já para não falar que era normal antigamente não ser discutido um acordo ortográfico na praça pública, visto que uma vasta maioria de pessoas era analfabeta e nada teria a contribuir para o debate. O objectivo deve ser aprimorar a democracia. Para tal, aumenta-se a taxa de cidadãos letrados e dá-se ouvidos à sua opinião nos tópicos importantes. Especialmente quando se trata da sua própria cultura!



Os argumentos contra são simples:

- a língua pertence ao povo que a fala e escreve. A sua evolução deriva da cultura desse próprio povo. Se mais que um povo fala a dada altura uma mesma língua, é apenas natural que essa língua evolua por caminhos distintos mediante as culturas que reflecte. Eu pessoalmente não tenho nenhum problema com o Português deixar de ser a 5ª ou a 7ª língua mais falada, e que passe a haver um Brasileiro e/ou um Angolano, seus descendentes. Na plenitude dos tempos, se a espécie humana não se auto-destruir entretanto, será isso que acontecerá. A História assim nos ensina;

- devemos sempre construir a língua com lógica e racionalidade. Devemos dar ouvidos aos especialistas (terminante e comprovadamente ignorados neste assunto pelos poderes vigentes) e não pisar assuntos sérios como a etimologia, por exemplo. Devemos esforçar-nos para tornar a língua cada vez menos ambígua e não o contrário (para, para = pára, para??);

- a evolução, ensina-nos a Teoria da Evolução, carece de e/ou implica diversidade, logo haver 8 versões do português será sempre melhor para o engrandecimento e enriquecimento cultural da língua do que só haver 1 ortografia (o que desde logo não acontece com o AO90, que a tal se propôs, pois continua a haver diferenças ortográficas entre ortografia brasileira e portuguesa, por exemplo);

- mesmo que o AO90 uniformizasse a 100% as ortografias (coisa que está longe de fazer), ainda restam as palavras sinónimas mas que só são usadas correntemente num país (exemplo: talho (pt-pt) e açougue(pt-br)) e a construção frásica que é completamente diferente e que não podem ser uniformizadas pois decorre directamente da cultura diferente dos povos em questão, que vão continuar a manter as quaisquer dificuldades que possam existir na compreensão universal dum texto português entre os diferentes povos que usam a língua. Logo a uniformização não é conseguida. Um projecto que falha no seu principal objectivo não merece continuação e deve ser abortado;


 - o dito acordo é rejeitado pela maioria da população e dos pareceres técnicos. Em democracia, onde o valor da ciência é tido em conta e não ignorado, esta seria razão suficiente para que um governo de maioria absoluta, que deve representar a vontade da maioria portuguesa e não de lobbies que lhes engordam as carteiras, suprimir o dito acordo. O acordo e especialmente a sua aplicação são portanto anti-democráticos. Reparem nas alegadas ameaças feitas à Academia de Ciências de Lisboa, por ter ousado blasfemar contra o AO90, e mesmo o que os aplicam, como o editor-chefe da Porto Editora (a notícia no Público só está disponível para assinantes), fazem-no sob uma espécie de auto-infligida coacção governamental. É claro que as editoras poderiam ter sido mais corajosas, particularmente aquelas em que os seus editores discordam do AO90, e ter tido a atitude simétrica à que adoptaram: só aplicar AO90 quando expressamente exigido pelos autores ou clientes!!

No vídeo da audição na Comissão Parlamentar de Vasco Graça Moura et all, a própria representante do PSD, partido de maioria relativa que lidera o actual governo de coligação, admite que as informações que tem são que mais de 60% dos portugueses são contra. Algo que terá justificado a formação da comissão. Pergunta, se eles representam a maioria votante nacional, porque raio não botam fora o acordo de imediato e perante tal informação?? Isto é democracia?
A acrescentar a isto ainda vêm as editoras, embora ninguém nisto acredite, nem cá nem no Brasil, dizer que nada lucraram com o AO90, que só lhes trouxe custos acrescidos. Sendo assim, quem lucra com este desacordo que falha em todos os seus propósitos, tão seguramente como o Relvas não ter tirado o curso? Bem, sendo verdade o que as editoras clamam, ninguém ganhou com o AO90.
Contudo, o nosso governo, mesmo após o adiamento brasileiro, mesmo após a rejeição por parte da Angola, mesmo após ter em sua posse em variados blogues, escritos tanto por meros plebeus com aqui o vosso esforçado escriba ou pelas opiniões de doutos das ciências e ilustres dos media, insiste em implementar o AO90, doa a quem doer. Este dogmatismo, é próprio da religião, pois escolhe ignorar todas as provas e argumentos lógicos em prole da fé cega na sua doutrina.
Ainda há mais uma comparação a fazer entre a religião e o AO90. Christopher Hitchens disse que, parafraseio, “é fácil que uma pessoa má faça coisas maléficas, mas para levar uma pessoa boa a fazer coisas más é preciso a religião”. E quem diz “fazer”, também pode estender a “dizer”. Ora eu tenho José Saramago em boa conta, como uma pessoa racional e de uma mente analítica e sagaz, um defensor acérrimo dos direitos humanos e da liberdade. Porque raio então foi José Saramago apologista desta neo-religião? Especialmente sendo ele um confesso ateu, um céptico!!

Primeiro vejamos, pela voz do próprio, vinda não do além mas sim do youtube (onde já li a frase: “Youtube, where religion comes to die!” loool if only), como é que ele defendia o AO90:

Convenhamos que não o defendia, apenas não lhe resistia. Saramago já havia passado por outras reformas ortográficas e pouco lhe interessava como se escrevia, desde que se escrevesse com liberdade. Esqueçam lá o pensamento céptico que ele próprio advoga no primeiro minuto do vídeo seguinte, quando diz que é preciso termos presente que uma coisa não é boa só por ser nova. Será ele também um reaccionário? Um retrógrado? Atrever-se-ão a tanto?

Porque não pensou ele assim quanto ao AO90? Quem me dera ter tido tempo e oportunidade de debater com ele o assunto, pois a mim o que me faz lembrar esta resignação intelectual perante o AO90 é a cláusula de não resistência ao mal do Cristianismo, tipicamente chamada “dar a outra face”. Uma doutrina imoral mascarada de alta moralidade, que deixa uma pessoa boa à mercê duma pessoa maléfica, e que só aumenta a hipocrisia dessa religião, pois houveram ou não inquisições e cruzadas? Onde deram eles a outra face e se tivessem dado teriam sobrevivido ou seríamos todos muçulmanos forçados à submissão de Alá?? Esta abateu-se sobre Saramago da mesma forma que atacou aquele amigo brasileiro do vídeo acima que chega a acusar os defensores do AO90 de mentirem para argumentarem a favor, mas depois diz: “Bom, já que não podemos fazer nada o melhor é aprendermos já as regras novas…”
Pois eu, tal como Saramago, sou ateu, mas ao contrário de Saramago estudo ciência e como tal estou programado, se quiserem, para esperar lógica e rigor nos sistemas que criamos para comunicar e para melhorar a nossa vida. Não estou disposto a encarar a ortografia como uma pseudo-ciência ao serviço de lobbies económicos iludidos, políticos facilmente subornáveis (note-se como o Sócrates escolheu ignorar os pareceres da Academia de Ciências de Lisboa [imagem acima] e de qualquer outro parecer que não o prestado pelo próprio criador do Acordo, tal como nas primeiras semanas deste governo sucessor ao de Sócrates e que se auto-nomeia como uma alternativa a este último, primeiro era contra e uma semana depois já estava a favor) e pseudo-intelectuais, que querem umas viagens à borla ou mais umas 30 peças de prata para traírem a pátria que deviam servir, a seu belo interesse e com desprezível irresponsabilidade e despego.



 
A imagem acima está com péssima resolução e infelizmente o público só deixa ver este artigo online a quem subscrever a sua edição electrónica... Com muito custo, lê-se que além da desesperada tentativa de entrar para a História de alguns fracos (pseudo)intelectuais, estes também o fizeram a fim de ter umas viagens pelo globo pagas pelos nossos impostos, para bem supremo da Lusofonia, claro está... -_-

Como diria o Hitch, se falasse português, não lhes vou dar nem um centímetro. Vou combatê-los até à última. Não vou converter a minha espada num arado, mas antes fiz da minha caneta e/ou teclado, as minhas proverbiais espadas, nesta guerra.
Uma das formas como luta é precisamente os vídeos que vou traduzindo para usar aqui e colocando no youtube. Traduzo-os sem infecções "acordistas"!

Pois eu contraponho que o Acordo Ortográfico fez isso mesmo, transformou a Língua Portuguesa num monstro disforme, sobre o qual reina o caos por força da ambiguidade e pela falta de rigor lógico. Uma quimera literária foi o que criaram. Como já outro disse noutro blogue, um autêntico monstro de Frankenstein com partes deste e daquele e daqueloutro corpos. Mas por muito poderosa que possa ser esta criatura e os seus interesseiros seguidores zelotas, impõe-se que a destruamos.
Para tal, talvez seja necessário este espírito do "never say die" ou "no retreat, no surrender", a via dos Espartanos, a via dos Samurai:
E muita paciência para que depois possamos chegar aqui:
E finalmente à vitória final contra a Besta:

Juntem-se a mim…


... a nós, que resistimos.

As nossas armas?
Para resistir a uma religião, que pelo seu carácter dogmático nunca cede à argumentação lógica ou às provas analíticas ou factuais, só o podemos fazer pela sátira, pelo gozo, pelo ridículo, pela blasfémia:

E finalmente, para aqueles que como eu, apesar de tudo, talvez não sem uma pouco de fé também, acreditam na Democracia, assinem sem demora a ILC contra o AO90 se ainda não o fizeram. Para tal usem os links abaixo:

Não acreditas que podemos vencer? Bem, 70% dos leitores do DN não são da tua opinião:
Para terminar, vou deixar-vos com o copy paste do PDF informativo que a Embaixada do Japão me enviou este mês, perdoem-me por estar a postá-lo tão tarde mas a vida interveio. De realçar que, não sei se pelo meu contínuo criticar dessas ocorrências aqui no N.I.N.J.A. Samurai, se por auto recriação, este último PDF oficial da Embaixada já vem com os Meses todos com inicial Maiúscula, com vários “objeCtivos” e “aCtividades”, e apenas 2 ou 3 erros de acordês, que vou postar para vocês descobrirem tipo “Onde está o Wally?”. Não sei se tive peso nesta inversão, mas se tive, como disse o Sócrates, não o filósofo mas o pseudo-engenheiro cujo governo nos enrrabou com o AO90 [entre outras patranhas, que vos sugiro não se esquecerem delas quando este ilustre se candidatar à presidência da república], “Porreiro, pá!” ;)
Aproveito para me despedir desde já, senhoras e senhores, irmãos e irmãs, amigos, camaradas, de Aquém e Além-Mar, em particular aqueles que se unam a esta causa, esta guerra contra a teocracia ortográfica, um grande bem haja!

 
» Jardins de Pedra – exposição de escultura
De 30 de Março a 29 de Setembro, realiza-se uma exposição de esculturas de Mário Lopes (ex-bolseiro do Governo do Japão), de trabalhos realizados no Japão e inspirados pela sua cultura e arte. Realizar-se-á no Claustro Real do Mosteiro da Batalha, antigo lugar de contemplação e meditação, onde se pretende evidenciar aspectos espirituais e estéticos comuns à cultura japonesa e portuguesa.
Local: Mosteiro da Batalha, Lg. Infante D. Henrique, Batalha.
Organização: Direção-Geral do Património Cultural/Mosteiro da Batalha
+ info: Tel.: 244765497

» Exposição de fotografias e de azulejos
No próximo dia 10 de Abril terá lugar a inauguração da exposição de fotografias “paisagem da primavera e outono no Japão” e da exposição de azulejos, pela artista japonesa Shihoko Gouveia, no Espaço Cultural das Mercês. Exposição patente até ao dia 27 de Abril.
Horário: de quarta a sábado, das 16h00 às 20h00
Local: Rua Cecílio de Sousa, nº 94, Lisboa (junto ao Príncipe Real)
Mais informações: Sra. Yamasuga Gouveia – Telm.: 919650381

» Origami Tradicional - Workshop de Origami no Museu do Oriente
Nos próximos dias 11 ou 23 de Abril, o Museu do Oriente promove um workshop de Origami – dobragens de papel. Pensado para um público adulto, este workshop tem como objectivo contextualizar histórica e simbolicamente alguns dos origami tradicionais e dar espaço à sua realização prática.
Local: Museu do Oriente, Av. Brasília - Doca de Alcântara (Norte), Lisboa
Organização: Fundação Oriente/Museu
Para mais informações e inscrições: Museu do Oriente, tel.: 213 585 200


» Iberanime
O IberAnimeLx 2013, nos próximos dias 13 e 14 de Abril, será um fim-de-semana divertidíssimo para miúdos e graúdos fãs de Anime, Manga e Cultura Pop Japonesa. É também uma oportunidade fantástica para os pais passarem um fim-de-semana diferente com os seus filhos.
Este é o evento certo para os admiradores de séries como DragonBall, Naruto, One Piece, Sailor Moon, Cavaleiros do Zodíaco e muitas outras!
Shows de Cosplay com convidadas internacionais e concertos com os Gaijin Sentai, para além de atividades no espaço de feira, videojogos, demonstrações e concursos são alguns dos muitos momentos que ficarão na memória de todos os presentes neste mundo fantástico de anime, manga e videojogos.
Participação da Embaixada do Japão neste evento dedicado a todos os fãs e curiosos pela cultura pop japonesa.
Local: Pavilhão Atlântico – Sala Tejo, Rossio dos Olivais, Lt 2.13.01A, Lisboa
Organização: Manz Produções
Mais Informações: http://www.iberanime.com/2013/


» Mizuhiki - Nós Japoneses - Workshop

O Museu do Oriente promove, no próximo dia 2 de Maio, um workshop de ‘mizuhiki’, corda feita de papel de arroz que depois de levar uma cama de goma é passada a ferro e, por último, tingida. Este workshop pretende levá-lo a conhecer um pouco mais a história desta arte e a elaborar depois algumas formas com o ‘mizuhiki. Necessária marcação até 24 de Abril.

Local: Museu do Oriente, Av. Brasília - Doca de Alcântara (Norte), Lisboa

Organização: Fundação Oriente/Museu
Para mais informações e inscrições: Museu do Oriente, tel.: 213 585 200,

» Festival do Japão – Haruhi 2013
Este evento, a realizar no próximo dia 4 de Maio, tem por objectivo proporcionar ao público o contacto com a cultura japonesa, abordando temas diversos, sendo o culminar das actividades do clube Haruhi, da Escola Secundária Inês de Castro, em Vila Nova de Gaia.
Organizador: Haruhi – Clube de Japonês da Escola Secundária Inês de Castro
Local do evento: Escola Secundária Inês de Castro, Rua Quinta do Fojo, Vila Nova de Gaia
Mais informações: Tel.: 227727200, Email: info@esic.pt, http://www.esic.pt

» Caixas, Contentores e Sólidos – workshop de Origami
O Museu do Oriente desenvolve esta iniciativa, no dia 14 de Maio, num convite para fazer um percurso entre os primeiros contentores de papel e o início do origami modular no qual se realizam construções a partir de vários módulos de papel.
Pensado para um público adulto, este workshop tem como objectivo contextualizar histórica e simbolicamente alguns dos diagramas tradicionais e dar espaço à sua realização prática.
Museu do Oriente, Av. Brasília - Doca de Alcântara (Norte), Lisboa
Fundação Oriente/Museu
Para mais informações e inscrições
Museu do Oriente, tel.: 213 585 200,

» Festa do Japão em Lisboa 2013
A Embaixada do Japão tem o enorme prazer de informar que a 3ª edição da Festa do Japão em Lisboa irá decorrer no próximo dia 15 de Junho, inserida nas Festas de Lisboa, com a co-organização da Câmara Municipal de Lisboa, EGEAC e Associação de Amizade Portugal-Japão, entre outros.
Pretendemos mais uma vez retratar o ambiente de “Matsuri” (festival), no Japão através da apresentação da cultura japonesa, no Jardim do Japão, em Belém. Também este ano estão previstas demonstrações das várias áreas da cultura japonesa, tais como Ikebana, Origami,Caligrafia, Haiku, Cosplay, Artes Marciais, bem como música e ritmos do Japão (com o presença de um Grupo de Jovens Japoneses de Taiko e Dança Folclórica).
Mais informações: Sector Cultural da Embaixada do Japão
Email: cultural@lb.mofa.go.jp // Tel: 213110560


P.P.S.: Quero apenas agradecer a acção contínua das páginas do Facebook do Desacordo Técnico (Movimento anti-AO90 dos alunos do IST), dos Tradutores contra o Acordo Ortográfico e da página da própria Iniciativa Legislativa contra o Acordo Ortográfico de 1990. Sem vocês, e o material que me fazem chegar e que criam, este post teria sido quasi-impossível! Continuem a luta por todos nós e pelo bem da tão violada Lusofonia! E parabéns à Maxim por ter saído do armário, nesta guerra. Não imaginam o prazer que deu ler aquela simples frase que finalmente surgiu sobre o vosso belo nome na última edição:

ADENDA (06/05/2013 - 2H59 TMG): Cada vez o AO90 nos aproxima mais, já repararam??

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O Poder está nas ruas... por enquanto!!!















Esta é a nossa herança!
Eles legaram-nos a Liberdade.
É hoje preciso ressuscitar aquela mentalidade,
E com o coração guardado de esperança,
Criar um futuro que a outros dê saudade!
Mas perante o estado a qu'isto VOLTOU,
 Que remédio senão continuar a Luta?,
E dar cabo desses #filhos$da$puta#,
A quem ainda nínguém devidamente envergonhou!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Desacordo Ortográfico e Democracia





Este post parecerá aqui fora de sítio, uma vez que este blog nunca pretendeu ser um fórum político, nem nada que se lhe parecesse. Mas para tempos excepcionais impõem-se medidas excepcionais, e disso decorre o seguinte. Até porque, no primeiro post que fiz, a que chamei Prólogo, expliquei que parte do nome deste blog servia para declarar que este está ao serviço de um povo, tanto quanto pode estar. Procuro apenas manter-me fiel a essa convicção primária. Este post será longo, mesmo quando comparado com os meus posts habituais que já são de si longos, por isso deixo um índice dos seus conteúdos no início:

- Desacordo Ortográfico Descodificado;
- Lobbies e o risco para a Democracia;


DESACORDO ORTOGRÁFICO DESCODIFICADO

Quem me conhece sabe que sou absolutamente CONTRA o chamado Acordo Ortográfico. Alguns desses sabem alguns dos argumentos nos quais baseio a minha posição. Hoje aqui registo todos eles, pecando apenas por não o ter feito há mais tempo.

1) Começo pela simples razão de que não faz sentido nenhum um qualquer acordo deste género sem que houvesse um consenso entre todos os países da CPLP. Tal não acontece, como eu recentemente soube, porque pelo menos Moçambique e Angola não assinaram. Se o objectivo é ter um Português único, tal não é atingido por este português que só afasta mais os países, criando blocos políticos (os a favor do AO e os contra o AO).
2) O facto de, na génese deste acordo, não terem sido consultados peritos qualificados, como filólogos ou linguistas creditados e experientes (de todos os países envolvidos), como seria de esperar numa criação conceptual oriunda do século XX, século no qual o saber técnico-científico nos levou (enquanto espécie) à Lua, a conhecer melhor épocas do mundo em que não existiam homens, e nos permitiu ganhar mais ou menos 30 anos em esperança média de vida. Mas insistimos em criar coisas e colocá-las em prática sem ouvirmos quem realmente estudou o problema em questão. (Porque é que tal acontece? Responderei mais abaixo) Já agora, a esmagadora maioria dos pareceres científicos que se pronunciaram sobre este assunto são contra este acordo, dos restantes, 2 pareceres foram favoráveis (e isto não quer dizer que apoiem a 100%) e o resto remeteu-se a um silêncio cobarde ou simplesmente não foram consultados.
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=967360
3) O Inglês, assim como o Francês e o Castelhano (vulgo Espanhol), são línguas que como o Português, vieram (maioritariamente) do Latim e, pela expansão que portugueses começaram no século XV, são hoje faladas e escritas em vários países e continentes diferentes. Eles nunca fizeram acordos ortográficos que suprimissem ramos da árvore genealógica da sua língua em prole de unificar a escrita da mesma. Assim sendo, essas línguas, como até agora acontecia com a nossa, enriquecem-se a várias frentes. São as diferenças evolutivas produzidas pelas diferentes culturas que falam uma mesma língua que permitem que essa língua cresça e se torne cada vez mais bela e completa. Um acordo ortográfico cessa esse tipo de evolução, castrando-o politicamente. Faz-me lembrar a Novilíngua, do livro de ficção científica 1984, de George Orwell, livro do qual surgiu o conceito do Big Brother. Nessa civilização futuresca, que ainda não chegou a existir, os órgãos de repressão inventaram a Novilíngua, que era a máxima simplificação da língua (exemplo, na novilíngua não há “mau”, há apenas vários graus de “bom”: menos bom, bom, muito bom! Também não há “excelente”, ou “formidável”, apenas muitos graus de bom…). Esta super simplificação servia apenas para fazer com que as pessoas sentissem cada vez menos ao lerem. Com menos adjectivos torna-se uma língua mais enfadonha e menos capaz de traduzir emoções e sentimentos, sendo que essa tradução é o objectivo máximo do escritor. Claro que a presente situação não é nem de perto nem de longe tão má, mas quando chegarem à segunda parte deste post verão que pode ser um passo nesse sentido. A cultura nunca pode ser feita por decreto político em democracia… afinal isso era o que fazia o Estado Novo.
4) A pretensão dos que são a favor deste acordo dizerem que é uma evolução e que as línguas precisam de evoluir. Eu acho que nos (mais ou menos) 500 anos entre o achar do Brasil e agora, a língua portuguesa não parou de evoluir e contudo ainda nunca houve acordo ortográfico para potenciar tal evolução. Pista essa talvez de que a evolução de uma língua não precisa e quiçá nem beneficie dum acordo ortográfico. Sabemos hoje que a Evolução animal beneficia muito da biodiversidade. Será um passo tão grande pensarmos o mesmo para a evolução de qualquer língua? Não será melhor termos 5 versões duma língua, que como um todo são essa língua, do que termos uma só que não olha às várias e distintas culturas que a falam? Eu acho que fará mais sentido uma diversidade evolutiva dentro de uma língua, que uma mera homogeneização da mesma. É claro que os que estão a favor do AO dizem “Ah, mas a única mudança é ortográfica, todos continuamos a falar da mesma forma que sempre falámos!”. Essa defesa chateia-me solenemente de tão falsa que é, porque eu sempre disse EgiPto, desde criança, porque quem lá vive são EgíPcios. Mas hoje em dia deixo de poder ter um P(para alguns mudo, mas não para mim) no Egipto quando escrevo. Ou seja não escrevo o que falo. E tanto quanto percebo olhando para outras línguas, olhando para a História do Homem, a parte escrita do todo que é a Língua deve espelhar os sons dessa língua quando falada, senão não tem sentido. Como disse uma personagem de António Banderas no “The 13th Warrior”:
- Draw sounds? Yes, I can draw sounds… and I can speak them back!
Mas agora com este acordo ortográfico eu já não posso desenhar os sons que digo. Até porque a maioria letrada de nós sabe que os p’s e c’s, que foram agora ostracizados coitadinhos!, em Portugal tinham o distinto papel de abrir a vogal. É normal que os brasileiros deles abdicassem porque eles tendem a fechar as vogais. Logo, tanto de um lado como do outro do Atlântico, por muitos defeitos que a Língua tivesse (e tinha bastantes), nós escrevíamos como falávamos (ou o mais próximo disso) e todos sempre nos entendemos e nos demos bem. Logo não houve evolução, mas usaram esse termo para pessoas que pouco sabem sobre Evolução de um ponto de vista científico (que é a maioria), se amedrontasse de os contrariar. (Quem são eles? Já explico.)
5) Todos os erros que a escrita da nossa língua tinha, como palavras que não estavam claramente acentuadas, como palavras homógrafas que dificultam a leitura, este AO, que se diz campeão da simplificação (e já sabemos o que o Orwell pensa sobre a simplificação), não resolveu. De facto, criou outros, mais do mesmo, como o: “para” e “pára”, que segundo a nova “regra” são indistintos. Mais uma vez, não houve evolução, nada se ganhou em termos práticos. Já no exemplo que os protectores deste malfadado acordo (político de base) tanto gostam de usar para justificar a decorrente actual mudança, o antigo Ph que foi substituído pelo F, houve efectivamente uma melhoria, sendo que havia uma letra que fazia o trabalho de duas. Houve, em termos práticos, uma simplificação que não criava mais erros internos na língua nem castrava certas pronúncias locais das palavras. Contudo, até esse caso teve um senão, que foi o de nos afastar de outras línguas latinas assim como dessa ancestral raiz. É que não devemos cair no erro de confundir evolução com modernices ou novidades. Só por algo ser novo, não quer dizer que seja melhor que o velho, nem que traga nada de suficientemente positivo, que faça merecer a pena uma substituição. Dou três exemplos: os ecrãs plasma que acabaram por ceder face aos LCD’s, os mini-disk que nunca conquistaram terreno ao vulgar CD, ou esta nova vaga de 3D (sim nova, já se tenta fazer 3D desde os irmãos Lumiére) que até tem a sua piada, mas considerando a perda de 30% de cor, o obrigar a usar óculos, e as enxaquecas que dão no fim, é apenas mais uma modernice que será rejeitada porque simplesmente coisas pontiagudas a sair do ecrã não compensam tanto malefício.
6) No ponto anterior, escrevi regra entre aspas, porque este acordo de tão político e tão pouco cultural ou científico que é, procurando agradar a gregos e não hostilizar troianos, é mais excepções que regras. Reparem a inteligência (ou falta dela) política em criar um acordo que procura homogeneizar a escrita portuguesa, mas continua a ter esporte e desporto, fato e facto, etc... mas teve de destruir o Egipto, por exemplo. E venham-me dizer que não é totalmente arbitrário… Um à parte, e voltando aqui à vaca fria da suposta evolução, se olharmos para a língua inglesa, especialmente o ramo norte-americano, percebemos logo onde os brasileiros vão buscar as suas mais recentes palavras... esporte é uma corruptela directa da palavra sport. "Tchimie" (não sei qual a grafia brasileira correcta) é uma corruptela directa da palavra inglesa team. E contudo muitos clamam e reclamam que o português brasileiro é o mais evoluído, as mesmas pessoas que usam o fim do Ph na língua portuguesa como um dos pilares justificativos para essa alegada evolução trazida pelo seu adorado AO, e contudo esquecem-se ou preferem não ver, que o tão evoluído português brasileiro bebe de uma língua que ainda escreve photography! Não é um argumento, apenas uma piada cartoonesca!
7) Mas este, com o número da sorte por trás, é o argumento que mais me faz detestar este Acordo Ortográfico. Esqueçamos as falsas presunções evolutivas, a falta de coerência ou contributo científico na sua concepção, o que mais me irrita é o facto de ser feito sem a vontade da maioria do povo lusófono. O povo brasileiro não o desejou, a maioria do povo português não é a favor, e numa época em que pensamos ter liberdade de escrita, que nos querem convencer que o poder está nas ruas, tudo isto se fez sem considerar aquilo que é supremo na democracia: a vontade das maiorias. E porque é que foi feito? Porque interessava a uma pequena mas altamente organizada minoria de bolsos fundos e com os contactos certos nos governos de então. A estas minorias de fórum político-económico chama-se lobbies. O lobby em questão foi o das editoras brasileiras. Este é um lobby muito poderoso, organizado ao estilo norte-americano e este último argumento é a ponte perfeita para mudarmos de capítulo:


LOBBIES E A DEMOCRACIA EM RISCO

Nos Estados Unidos da América (EUA), a Meca dos Lobbies políticos, há hoje em dia um consenso geral entre a maioria do povo de que uma lei de Controlo de Armas era benéfica para o país. Contudo, o poderoso lobby das armas, ou melhor da indústria das armas, uma das maiores indústrias norte-americanas, detém vasto e enraizado poder no senado americano, conseguindo assim manter a actual situação de desregularização das armas, podendo o comum norte-americano ter uma RPG ou uma M16 debaixo da sua cama, ou mesmo bunkers cheios delas, ou ir à caça com armas feitas para guerra como metralhadoras mais pesadas, ou matar o vizinho case este decida entrar na área do seu jardim sem ser convidado. Os lobbies são a coisa mais claramente anti-democrática que existe, pois existem meramente para fazer governos, independentemente das suas ideias políticas, manterem o status quo elevado das respectivas indústrias que defendem e pelas quais são financiadas. Os lobbies trabalham nos bastidores do poder e a sua principal arma, ainda que cuidadosamente usada para não ser passível de ser provada em tribunal, é a corrupção.
Estas organizações começaram nos EUA, mas era de esperar que mais cedo ou mais tarde se espalhassem para outros países ditos livres (mas que por a acção velada destes grupos têm uma liberdade muito estreita). Ora, é algo natural que o Brasil seja dos primeiros contagiados, uma vez que seguem cada vez mais o modelo dos EUA, uma vez que são também uma federação de estados, de emergente poder capitalista. Nada tem a ver com o povo brasileiro em si, pois tal como o povo norte-americano, são meras vítimas da acção organizada e velada dos lobbies.
Eu aprendi a falar inglês a ver filmes norte-americanos vezes sem conta em criança. Quando cheguei ao ciclo (5º ano de escolaridade em Portugal) a minha primeira professora de inglês, contam-me os meus pais, não acreditava que eu não tivesse andado de antemão num instituto pois “sabe demasiado inglês para não ter andado lá”. A verdade é que não andei. A verdade é que aprendi a falar a língua porque era calão demais para ter de estar a ler legendas que, por uma leve dislexia de que sofro derivado ao facto de pela educação me terem transformado de esquerdino em destro, raramente à época conseguia ler a frase toda antes que ela desaparecesse do ecrã. Caso para dizer, a preguiça também gera coisas boas. Mas como efeito secundário, primariamente através de filmes e séries, e depois de telejornais e programas mais variados com o advento da Tv-cabo, cresci dentro da cultura norte-americana, quase tanto como da portuguesa. E uma coisa que aprendi, como cidadão interessado por política que sou, foi a detectar lobbies. Eis como se faz. Regra de ouro, não há coincidências. Vejamos então os acontecimentos mais recentes do AO:

- Graça Moura, aproveitando a sua nomeação para director do CCB, fez rolar a primeira pedra da ressurreição do movimento popular (isto é, do povo), removendo do CCB qualquer ferramenta ou resquício da nova ortografia portuguesa luso-brasileira (uma vez que não nos devemos esquecer que há países da CPLP que não assinaram o AO);
http://www.publico.pt/Cultura/graca-moura-da-ordem-aos-servicos-do-ccb-para-nao-aplicarem-o-acordo-ortografico-1532066
- o supramencionado movimento popular nada organizado, mas de diversas frentes, começa a dar vários cabeçalhos a jornais, como petições e abaixo-assinados com centenas de milhares de assinaturas, como universidades de letras que não tinham opinião formada sobre o AO, um jurista que tem em tribunal um processo em que acusa o AO de ser anti-constitucional, etc;
http://www.publico.pt/Cultura/movimento-de-oposicao-ao-acordo-ortografico-cresce-em-varias-frentes-1533714
- um jornal angolano manifestou-se contra o AO, dizendo que futuras relações entre Portugal e esse país podias estar em risco derivado à conivência dos governos portugueses e brasileiros neste ataque à língua mãe no seu todo;
http://www.publico.pt/Cultura/jornal-de-angola-rejeita-acordo-ortografico--1533026
- um cidadão português, único subscritor de uma petição com número mais que suficiente de assinaturas, conseguiu finalmente audiência com comissão parlamentar e/ou governamental afim de defender a realização dum referendo ao Acordo Ortográfico;
http://www.publico.pt/Cultura/um-cidadao-exige-o-referendo-1533716
- mais recentemente, silêncio...

... até há uns dias atrás. “The Empire Strikes Back” A TVI, até então o último canal aberto de TV em Portugal que ainda não tinha deixado a ortografia lusitana, sem nada dizer directamente, perguntou ao professor Marcelo Rebelo de Sousa (e na TVI o que o Marcelo diz, Deus prefaz no Céu e na Terra) se achava que se devia fazer um referendo ao acordo ortográfico e o prof M diz que, embora todos reconheçamos que o AO foi mal concebido e feito à revelia democrática do grosso dos povos cujos governos o assinaram, não devemos fazer o referendo porque estamos em crise e porque o governo anterior comprometeu Portugal ao AO. Ora bem, isto é próprio de uma pessoa que ou está demente ou está comprado por certos interesses. Quem no seu perfeito juízo diz que uma coisa está mal feita, cheia de erros e é anti-democrática, mas porque os anteriores (já não actuais) gestores políticos nos impuseram isso, devemos todos fazer valer esse compromisso por mais ruinoso que seja? Apenas alguém que tem algo a ganhar com isso ou está louco. E certo e sabido, Marcelo na Terra, Deus na TVI, os programas da TVI passaram de Directo a Direto da noite para o dia, em data de seu aniversário, justificados não numa nota editorial, mas pela sapiência imensa do Prof M, que “fala, fala, fala, mas não” faz ou diz nada em concreto que resolva qualquer dos problemas do nosso país. Disse ainda o ilustre falador que acha muito bem que se debata o assunto do AO, desde que nada se faça para o corrigir! Ainda bem que lhe pagam milhares, como acontece no caso das Rating Agencies que dizem que Portugal é lixo. Vocês acreditam nelas? Eu não. Nem nele.
Na quinta-feira passada, comprei o Público, que tem sido o resistente no meio de todos os jornais nacionais que perpetuaram ou logo se dispuseram a perpetuar este erro crasso na nossa língua. Li com assombro o editorial, que falava de novos grafismos no dia de aniversário. Li também, a contra gosto, alguns artigos que no final diziam “Este artigo vem escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico por expresso desejo do autor”, parafraseando. Quase que adivinho (espero eu erradamente) que o Lobby já chegou ao Público e que a celebração desse aniversário em Março deste ano, será a rendição do Público, adoptando o malfadado acordo. Se tal acontecer, considerando o aproveitamento igual de um aniversário da entidade para mudar de política editorial tentando não perder face, e sendo que as entidades supracitadas têm distintos donos, é lógico reconhecer um padrão de acção único para terminar a resistência com os que por último resistiam à mudança. Isso revela-nos um lobby. Espero mesmo estar enganado e que a mudança de grafismo não traga uma mudança de grafia. Assim, pelo menos terei um jornal que me dê prazer a ler.
Mas a “prova” consumada é que, na assembleia da república portuguesa, onde raramente alguém se entende, os 5 partidos que devem representar a esmagadora maioria votante portuguesa, por milagre achou em uníssono que este Aborto Ortográfico era uma brilhante ideia, falhando em representar a maioria da sua sociedade, que dele discorda, bem como os pareceres técnicos que ignorou! E mais, os partidos ousaram fazê-lo, sendo esta uma questão cultural e não política, sem se preocuparem em saber a opinião do povo, o principal criador e agente evolutivo último da cultura nacional, pelo modo mais democrático: o referendo nacional. Eu, que nunca elegi nenhum governo e sempre votei desde que tenho idade para isso, esperei que pelo menos os mais afastados do centro que é o PS(D) (vulgo Centrão), como o PCP e o CDS, respectivamente auto-nomeados protectores máximos da democracia constitucional e da cultura tradicional portuguesa, se manifestassem contra, mas nem esses. Mais uma pista de que um lobby poderoso agiu. A vontade da maioria, reforçada pelo saber técnico, ignorada pelos representantes políticos dessa vontade alegadamente soberana.
Talvez nos casos destes últimos partidos que mencionei acima, o lobby tê-los-á amedrontado com a possibilidade de poderem ver os seus eleitorados a achá-los xenófobos se não assinassem, ou mesmo retrógrados se não dissessem sim à novidade. Sim, medo. Medo foi o maior motivador e a maior razão para o AO. O medo que nos quiseram impor de que como os brasileiros são mais que nós e escrevem mais na net, o nosso português ia ser um mero dialecto no futuro, pois somos meros 10 milhões. Ora bolas, quando é que agir pelo medo surtiu algum efeito bom? Não temos de temer a cultura brasileira, nem a sua ortografia, temos de abraçá-la como cultura de nós descendente e orgulharmo-nos pelos avanços que têm feito por eles. Não temê-los, abraçá-los como parte que são da nossa história e cultura, como nós da deles, independentemente das nossas agora distintas culturas. A diversidade é boa, ou a natureza não teria feito tantas espécies diferentes de tronco comum.
Mas, hey, o país entretanto mudou de governo. Mudou de governo partindo do pressuposto de que o governo anterior levou o país perigosamente perto duma bancarrota, portanto para maus caminhos. Queríamos um novo rumo e um governo que emendasse e corrigisse os erros feitos pelos que vieram antes. Porque não então, professor Marcelo, corrigir este erro, que como o senhor disse, todos sabemos dos seus principais defeitos? Ele respondeu. Disse o ilustre senhor que são meras 4% das palavras portuguesas afectadas e que ficaria mal para Portugal mais uma vez não cumprir o AO (sim, porque isto não é de agora, o lobby teve tempo para se organizar, pois já antes foi 2 vezes derrotado). Mas dito assim até podem pensar que ele até tem razão... afinal o que é 4%, né? É DEMASIADO e eu explico porquê! Quando nos tiram mais 4% do nosso salário líquido, não gostamos. É demasiado. Quando nos aumentam mais 4% nos impostos dos produtos que comemos, que vestimos, dos combustíveis e das energias, até andamos de lado! É demasiado. E não temos, acreditem, maior riqueza que é o nosso património cultural conjunto de toda a CPLP que é por este AO tornado 4% menor apenas para servir interesses económicos ao invés dos desejos da maioria democrática. E nós sempre fomos pequenos e sempre vingámos cá em Portugal. Não temos de ter medo de ser pequenos, desde que a nossa alma nacional continue grande! Outrora conquistámos o mundo, hoje temos dos melhores cientistas e engenheiros no mundo, artistas então estão rapidamente a conquistar o seu lugar nos holofotes internacionais. O nosso problema não é sermos poucos, mas sim termos agentes políticos, comentadores políticos e um grosso dos média, que em bom português, só podem ser adjectivados de merdosos e “sem tomates”, ou cojones como diriam, por supuesto, nuestros hermanos. Se somos bons em algo, é em cultura e ciência, não em política. Não se limitem então a encolher os ombros aos 4%, ou no mínimo dos mínimos, exijam o referendo e que ganhe a maioria. Pois esses 4% de palavras afectadas, são apenas um símbolo, um aviso para dias futuros, de que a democracia, de que a ideia de que o futuro é escolhido por maiorias nos povos, é facilmente manobrável nos seus bastidores por agentes sem rosto ou nome, mas de bolsos fundos e contactos certeiramente posicionados em todas as bancadas políticas. O AO não só é uma afronta à língua portuguesa e ao seu futuro, mas também um ataque à democracia em si! Além de que, já por duas vezes a nossa nação assinou o dito acordo e não cumpriu... o mundo não desabou por causa disso. Não deixámos de ser amigos com o Brasil. Nenhum mal virá de dizermos NÃO uma vez mais, professor Marcelo. A História, ainda mais a História Recente, assim o comprova.
Esta é uma verdadeira batalha pela alma não só deste país, mas também pela alma do Brasil. A única maneira de os ajudarmos a eles, é ajudando-nos a nós e fazer a democracia valer mais que o cifrão! E quando eu digo alma, falo da cultura que se faz (ou fazia) nas ruas pelo povo (sem decreto político por trás), assim como o mero acto democrático no qual hoje (supostamente) baseamos o nosso modo de vida, ao qual chamamos liberdade. Eu não me importo de perder votações, meus amigos, é aquilo a que mais habituado estou, pois sempre votei e nunca elegi nenhum governo. Mas não abdico do meu direito de voto. E no dia em que nós o fizermos, porque “são apenas 4%” (já agora, olhem para os vossos teclados. Já repararam que o 4, de 4%, está exactamente na mesma tecla que o $, símbolo mais conhecido para dinheiro?:), a democracia está finalmente e insidiosamente transformada numa ilusão de liberdade, num mecanismo de controlo à la Matrix, para um punhado de poderosos dominarem as massas.
Acordem, Samurais lusófonos actuais, a vossa cultura precisa das vossas canetas, as espadas desta nova era! Somos os únicos de permeio entre os verdadeiros “ninjas” de hoje e o seu pérfido objectivo! Esses “ninjas”, mercenários altamente especializados que agem furtivamente para fazer valer o desejo de quem mais alto lhes paga, têm apenas como verdadeiros oponentes os N.I.N.J.A.’s (No Incomes, No Jobs or Accepts) como eu, talvez como vocês, mas não se não lutarmos. Vão vocês continuar a ser peões num jogo de xadrez de grandes lordes, ou ovelhas a serem conduzidas pelos pastores, ou vão finalmente lutar por um mundo melhor?
A nossa única vantagem é sermos mais, mas é preciso que não sejam só uns poucos a falar abertamente. Juntem-se a nós, que não estamos organizados, mas sim desconexos, que não lutamos escondidos mas em campo aberto, que não procuramos moldar a opinião pública mas sim apelar a que esta se mova em seu próprio proveito! Nós que lutamos pelos 4%, pelos coitados mudos dos p’s e c’s que abrem vogais, pelo trema ¨ que existia no Brasil até ao AO, e os acentos circunflexos, o vulgo chapéuzinho chinês, que existia em ambas as margens do Atlântico e agora fica em vias de extinção. E através de tudo isso, pela democracia.
Não se importam que a batalha possa já estar perdida, o samurai (aquele que serve algo maior que a si mesmo) luta por honra e porque no seu âmago sabe que o deve fazer. Para um samurai do século XVIII era a vida que estava sempre no fio da espada, nós arriscamos apenas a possibilidade de viver em verdadeira liberdade democrática na ponta da nossa caneta ou dedos. Coisa pouca? Não se a perdermos novamente. De qualquer forma, é preciso mais coragem para agir, do que para simplesmente encolher os ombros e deixar-se levar pela maré dominante. Se temos de perder, que percamos a lutar e não a encolhermo-nos! No filme, “The Last Samurai”, o último samurai diz “A via dos samurai já não é necessária” para o mundo moderno, e o Tom Cruise responde com perguntas:
- Necessary? What could be more necessary?
Despeço-me por ora, com um Bem Haja, dirigido a todos os que lerem isto, quer concordem comigo quer não, gozando-me dos H’s mudos que ainda não se lembraram de nos tirar, antes que venha o próximo AO e os descrimine também, pois coitadinhos são mudos e não podem falar por si mesmos!
bem Hajam,

Alexandre Fanha, confesso e actual N.I.N.J.A. integrante da geração À Rasca, assinante nº 127853 da petição cujo link vos deixo abaixo, signing off 4 now...

http://www.ipetitions.com/petition/manifestolinguaportuguesa/?utm_medium=email&utm_source=system&utm_campaign=Send%2Bto%2BFriend




Versão PDF deste post para quem quiser imprimir (cumprimentos do blog X-Number de um amigo meu):
http://www.x-number.com/blog/wp-content/uploads/2012/02/Desacordo-Ortográfico-e-Democracia.pdf