Mostrar mensagens com a etiqueta cultura portuguesa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cultura portuguesa. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 19 de junho de 2014

GOJIRA

Recordar-se-ão os leitores assíduos aqui do Samurai que eu fiz em temos um post sobre as origens do Godzilla intitulado Hibakusha II: O Rei dos Daikaiju.
Desta volta, vou apenas limitar-me a fazer uma crítica de cinema relativa ao novo filme do Rei dos Daikaiju.
O filme chega-nos pela visão e direcção de Gareth Edwards, realizador que fez o filme “Monsters” que estreou em 2010 e captou a atenção dos cinéfilos de todo o mundo pois foi o primeiro a conseguir efectivamente criar no seu quarto todos os efeitos especiais digitais do filme, mas com a qualidade ao nível de Hollywood. Para aqueles de vocês que sejam fluentes em inglês sugiro-vos a entrevista que o Dr Mark Kermode fez ao então jovem realizador exactamente devido a esse feito, que vos deixo aqui linkada.
O novo “Godzilla” tem muito do carácter do filme de estreia do realizador, por isso é bastante interessante ver os dois filmes de seguida e por ordem de data de estreia. Ambos os filmes procuram centrar-se em personagens humanas, através das quais experimentamos uma Terra onde monstros enormes e poderosos existem abertamente e causam problemas aos humanos. Mas enquanto em “Monsters”, o filme não evolui dessa dinâmica, em “Godzilla” o próprio monstro torna-se uma personagem, pela qual começamos a torcer, e como que se torna mais importante que os humanos que temos anteriormente andado a seguir durante o filme. Considerando o título do filme, não só foi uma boa jogada, como era a única jogada de sucesso.
Uma outra coisa interessante em “Godzilla”, e que também o diferencia em “Monsters”, é o facto dos humanos surgirem literalmente como se fossem colónias de formigas desesperadamente a fugirem dum luta de dois humanos sobre a sua metrópole. É que neste filme os humanos nada podem contra os monstros, tal como as formigas nada podem contra humanos.
É notório nos bonecos relativos aos dois últimos filmes do Godzilla essa diferença. Na primeira adaptação americana, os bonecos que sairam eram tipo GI Joe, com os homens tão importantes ou mais que o Godzilla (figura à direita). Nesta última versão, os monstros é que interessam e os humanos estão lá como se fossem cenário (figura à esquerda).
Como não podia deixar de ser num reboot (recomeçar) da frandchise, que já agora já tem confirmada uma sequela com o mesmo realizador ao leme, a história procura reintroduzir o Godzilla e, portanto, é uma história de origem. Assim a origem do rei dos monstros é recontada. Acaba por não se distanciar muito do original, mas ao invés de ser um produto da radiação de bombas nucleares sobre animais, acaba por ter uma inclinação ecológica e dizer que estes monstros precederam os dinossauros e viviam num era onde a radiação à superfície terrestre era muito mais elevada. Assim, quando os americanos começaram a mandar bombas e muitos países a fazerem reactores nucleares, os sobreviventes ou descendentes dessas raças acordam de hibernação. Essa premissa, algo que defeituosa devido à escala de tempos envolvida, já foi antes usada para explicar os dragões em “Reign of Fire”, o meu filme favorito com dragões, mas depois encaixa bem numa explicação de cadeia alimentar que completa o sentido lógico da história.
A ideia de que há uma conspiração em que os governos estão a esconder algo das populações que dizem servir e toda a paranóia que acompanha essas ideias, talvez não tão descabidas quanto isso como a realidade nos mostra(refiro-me, por exemplo, ao programa de espionagem norte-americano), é muito bem instrumentalizada para dar corpo ao início do filme. Isso e uma certa consciência do horror do desastre natural de Fukushima e de como as uzinas nucleares quando destroçadas pela Natureza podem, literalmente, envenenar a Terra. Simplesmente, em vez de movimentos da crosta terrestre, o que causa a destruição são as alimárias pré-pré-históricas que dão mote ao filme. Mas o governo local ter de evacuar as pessoas de uma zona radioactiva, deixando vidas inteiras para trás, casas desprovidas de vida, mas cheias de memórias, completamente mobiladas, cidades inteiras tornadas urbes fantasmas, tudo isso surge abertamente reforçando a credibilidade do filme, recordando os terríveis acontecimentos do passado muito recente.
A única coisa que me chateou no filme, ou que achei idiota, foi os militares continuarem a armar-se com metralhadoras e pistolas quando já sabiam o que enfrentavam e que nem bombas nucleares os matavam. Algo que estúpido. Os militares não têm a tendência de carregar armas desnecessárias.
Também achei desnecessário a ida para São Francisco. Aquela ponte já foi mais vezes destruída nos filmes que o cagar da ameixa, passo a expressão, e não era necessário americanizar mais ainda o filme.
Quanto ao boneco, o Godzilla está engraçado, uma mistura de gorila e dragão de Komodo. Embora eu não me junte nem ao grupo que odiou a versão anterior do Godzilla, a que os japoneses chamaram só Zilla porque acharam-no muito pequeno ahaha, nem ao grupo que achou este Godzilla gordo (parece que assim aconteceu entre espectadores nipónicos… nunca estão satisfeitos ahaha), não desgostei desta nova encarnação e o CGI está bem feito e não temos a sensação de falta de peso no boneco, tal como ela não havia no filme do Guillermo Del Toro “Pacific Rim” (ler a minha crítica a esse filme aqui) com os seus kaijus e robots gigantes (criticado por mim aqui). E isso e o sentido de escala é o essencial nestes filmes.
Gostei da banda sonora e do tom negro e mais sério do filme, que contrasta com a versão americana anterior. Os actores estão todos de parabéns, sem que haja nenhum que sobressaía durante o filme, excepto talvez o próprio Godzilla. A cena da qual se vê um pouco no trailer do salto HALO é magnífica num grande ecrã.
Resumindo, é um óptimo filme, próprio para qualquer idade e que merece o grande ecrã. Eu vi em 2D e IMAX. Não me parece que o 3D lá contribua nada, para além da eventual coisa pontiaguda a sair do ecrã, mas como não vi em 3D não afirmo, só suspeito. Aguardo com altas expectativas (o que nunca é bom) a continuação.
De salientar, numa outra nota, que o Godzilla tem agora um planeta com o seu nome!
E, para os mais nerds de nós, eis também uma curiosidade, da qual o mérito não é meu, sobre quando estreou o primeiro filme do Godzilla, o original japonês, em Portugal, ainda nos dias do Estado Novo e com um título idiota:
Se tiver tempo e pachorra, traduzirei aquele vídeo da entrevista do Kermode ao Edwards e depois linko-o aqui também!
Para lá do filme e como já não venho cá há demasiado tempo, deixo-vos aqui também umas actividades para este fim-de-semana e para o resto do mês:
-. esta sexta e este sábado, 20 e 21 respectivamente de Junho, a iniciativa 24 Horas, no Pavilhão do Conhecimento. Notem que o site está sem Acordo Ortográfico... yeah!! :D
- sábado, dia 21 de Junho, a partir das 16h, no Jardim do Japão em Belém, para lá da Torre de Belém, à beira Tejo e ao lado do CCB, a Festa do Japão terá novamente lugar:
-  uma oportunidade para os que tiverem condições para isso, até dia 25 de Junho ainda se podem inscrever nas bolsas para estudar no Japão. Toda a informação no link abaixo:
- por último, uma produção de Sandra Fanha, com realização de José Barahona, dia 27 de Junho no MU.SA (MUSEU DAS ARTES DE SINTRA), estreia "Vianna da Mota", numa projecção ao ar Livre (mais informações abaixo). "Um músico prodígio nascido no século XIX...":
E por hora me despeço, senhoras e senhores, irmãos e irmãs, camadaras e amigos, que amanhã tenho um dia inteiro de despedida de solteiro do meu melhor amigo, do qual tenho também a honra de ser padrinho de casamento. E para isso, com'é lógic' (grande Jorge Jesus!!), não vos convido.
Sayonara, tomodachi! ;)

domingo, 15 de abril de 2012

Novas, actualidades e trabalho de campo...

Venho mais uma vez dar-vos novidades de eventos, na sua maioria relacionados com o Japão, feitos em Portugal, mas também passarei por notícias de uma índole semelhante. Contudo, antes de começar, impõe-se (por razões históricas pessoais) que faça um “à parte”:
Nesta semana vindoura, entre os dias 16 e 20, decorrerá no Instituto Superior Técnico (IST) a Semana de Aeroespacial 2012 (SA2012) [http://www.sa.apae.org.pt/], organizada pela Associação Portuguesa de Aeronáutica e Espaço (APAE). O objectivo deste evento, já com vasta história, é a promoção de um estreitamento das relações entre os estudantes de engenharia Aeroespacial e a indústria, nacional e estrangeira, que lhes serve de mercado empregador. E, de facto, a SA2012 tem como objectivo principal servir de um super workshop virado para a questão da empregabilidade. Em anos anteriores, o evento terá servido mais como uma espécie de seminário para permitir aos alunos ter um contacto com o estado de arte da indústria aeroespacial, quando aplicada a uma dada situação. Exemplo gratia: a terceira edição deste evento, salvo erro, foi um curso em gestão de desastres. Foi numa altura propícia a essa questão, uma vez que os fogos florestais ganharam na altura grande evidência no nosso quotidiano de Verão, cá em Portugal. Portanto, procura-se que a Semana de Aero, para os amigos, esteja sempre actual. Eu próprio já fiz parte da direcção da APAE e venho aqui dar o meu modesto contributo dando destaque ao evento. Vai haver inclusive um workshop com um representante da Kelly Services, uma agência de trabalho temporário (inscrição obrigatória via http://www.sa.apae.org.pt/pt/ws.php), que se disponibiliza a analisar o CV dos inscritos afim de dar umas dicas de forma a melhorá-lo estrutural e funcionalmente com o objectivo de melhorar as hipóteses de empregabilidade. É uma novidade neste evento que eu vejo com muito bons olhos uma vez que poderá ajudar até o aluno de primeiro ano, que ainda longe de ter o canudo, pode precisar de recorrer ao mercado de trabalho temporário para fazer face à crise actual. Deixo-vos o programa ao longo da semana.

Não deixem de visitar a APAE em:
http://www.apae.org.pt/home/?lang=en
Para o actual da APAE, um abraço e continuem o bom trabalho.
Ora bem, antes de abordar as notícias que me saltaram à vista relacionadas com o Japão e realçar eventos relacionados, vou falar um bocado do mês passado. E porquê? Porque no mês passado decidi fazer trabalho de campo. Houve disponibilidade para tal e consegui ir a dois eventos dos que anunciei aqui.
Comecei por ir ver a exposição patente na Associação dos Arquitectos, para os lados do Cais de Sodré, no dia 7 de Março passado.

Tenho a dizer que não fiquei muito impressionado. A dita exposição estava remetida para uma pequena e escura sala (escura porque, segundo me explicou o prestável vigilante que assegurava a segurança da entrada, se ligasse aquelas luzes o quadro disparava... onde está um engenheiro quando se precisa dele? x), onde um filme era projectado numa tela branca, onde um(a espécie de) documentário que dava voz a vários arquitectos que falavam de um ou outro dos projectos em que tinham labutado, explicando as suas distintas e diversas abordagens. Essa projecção podia ser apreciada de um banco que consistia numa tabula de madeira sobre 2 tijolos, tipo viga com apoios simples. Meus amigos, há limites ao minimalismo!

Além disso, outro problema, o som estava baixo, pelo menos na hora e dia em que eu lá estive... demasiado baixo! Supostamente porque iria haver uma palestra ou encontro no andar de cima. Mas entretanto, os risos e conversas dos colaboradores e empregados daquela casa (nada a ver com o dito simpósio) não me deixavam ouvir praticamente nada do documentário.

Então no meio duma certa frustração, porque embora goste de brincar com a eterna rivalidade entre arquitectos e engenheiros (rixa homóloga quiçá do duelo cão e gato), a Arquitectura é uma arte sem a qual eu não viveria, olhei para o lado e reparei que partilhava o meu banco minimalista com um “livro” escrito em que quase todos os textos estavam escritos em Português e Japonês.

Esse manuscrito passado a computador e impresso, resumia cada capítulo do documentário. Li algumas secções, particularmente a referente ao MUDE [(Museu da Moda no Chiado) que me chamou a atenção pois já o frequentei aquando duma exposição lá patente intitulada “Proibido Proibir”, na qual me disseram à entrada “Não pode tirar fotografias”. Terei de realçar a ironia desta contradição auto-infligida? oO E sim, tirei umas quantas à socapa, só para respeitar o espírito da exposição.], mas depois procurei ver se haviam mais exemplares que pudesse comprar ou simplesmente levar. Infelizmente, escrito a lápis no próprio e (percebi então) única cópia do manuscrito dizia “Apenas para consulta”. Ora, se tivessem disponibilizado aquele documento, quer fosse a pagar ou oferendado aos visitantes, eu até perdoava o que me pareceu uma incrível falta de zelo para com aquela exposição, que tinha o aspecto de ter sido atirada para um canto com expectativas quase certas de que ninguém por ela se interessaria. Não sei de quem a culpa, se do organizador se dos anfitriões, mas não me interessa porque como dizem os Japoneses, e parafraseio, “Não atribuas culpas, resolve o problema.” Confesso que estou mal habituado, porque no IST todos os anos há exposições de maquetes de arquitectos e nesta exposição nem uma!
Houve um efeito secundário interessante à minha ida à Associação dos Arquitectos. No metro do Cais de Sodré, estava patente uma exposição de arte que simplesmente adorei. Eis algumas imagens:





Por outro lado, no dia 11 de Março, tive o prazer e a honra de estar entre os espectadores da Sessão Evocativa do Grande Sismo do Leste do Japão, no Palácio da Foz, nos Restauradores. Foi tudo excelente. Só o local em si vale a pena visitar. Ao entrarmos no Palácio, deixamos a Lisboa do século XXI e entramos num palácio do século XIX, com acabamentos lindos desde as fechaduras das portas às verdadeiras estátuas neo-clássicas que nos olham de cima, dos cantos dos tectos, quais deuses olímpicos, em tons de dourado. A exposição que precedia o seminário sobre o estado de arte da Sismologia, consistia numa exposição de fotografia, com imagens dos tempos imediatamente após o desastre natural, mas também desenhos que cruzavam o estilo de desenho japonês com a cultura tradicional portuguesa duma forma que me deixou maravilhado.


A um canto havia também duas iniciativas, uma delas pelo IADE (ver imagem) e outra que sinceramente não sei quem fez mas que pode ser vislumbrada no vídeo à esquerda. Os vídeos mostram essencialmente essa secção da exposição. Não houve espaço na memória da máquina para mais.










Ainda antes das palestras, uma mesa de comes e bebes preenchia um pátio e felizmente o dia estava solarengo. Havia também um bar aberto. Provei sushi ali pela primeira vez. É bom! Não reguei com sake, mas havia coca-cola!


Passado algum tempo, que passei a disparar a máquina a tudo e mais alguma coisa, apanhando pessoas pelo meio, começaram as palestras. O embaixador japonês começou a sessão com um discurso em Português, que embora deixasse muito a desejar, percebia-se e é de louvar o esforço visível nesse feito. Depois, o debate mediado pelo Engenheiro José Oliveira (Director Nacional de Planeamento da Emergência da ANPC), contou com duas palestras que se cruzavam. A primeira foi feita pelo Professor Atsushi Tanaka (Universidade de Tóquio, autor de muitas publicações na área de Gestão de Catástrofes e Director do Centro de Pesquisa em Informação Integrada de Catástrofes no Japão. Esta palestra centrou-se no sismo de 11 de Março de 2011, informando os presentes acerca dos vários sistemas em acção de prevenção e preparação anti-sísmica do Japão, país de grande experiência neste tema. Depois o professor Carlos Sousa Oliveira do IST, falou dos planos de risco sísmico da Área Metropolitana de Lisboa e do Algarve, conjugando-os com a palestra anterior e com os dados históricos do Sismo de Lisboa em 1755. Discutirei o que aprendi neste seminário a fundo numa futura entrada que vou fazer apenas sobre sismologia. E aprendi bastante, acreditem. Algumas ideias assustadoras, informações técnicas, filosofias de pensamento, etc... No fim das palestras, houve uma abertura à colocação de perguntas pelos ouvintes e à saída estes últimos foram presenteados com uma pequena grande lembrança feita pelos habitantes da zona afectada pelo sismo. O boneco é um sempre em pé que, como é explicado na nota informativa que o acompanhava, espelha o espírito daquela zona do Japão habituada a reerguer-se energicamente depois das quedas. Gostei e vai ser a minha prenda para o dia da Mãe pois acho que essa filosofia, esse espírito, tem tudo a ver com ela. Shiuuuu... ela ainda não sabe!




Deixo-vos ainda uma colectânea de notícias sobre mais notícias relacionadas com o Sismo de Março de 2011:
De há 1 ano:
http://www.publico.pt/Mundo/sismo-no-japao-reaccoes-da-comunidade-internacional_1484327
Deste ano:
http://www.publico.pt/Sociedade/criancas-orfas-de-fukushima-visitam-portugal-1537186
http://www.publico.pt/Sociedade/criancas-de-fukushima-chegaram-a-lisboa-e-ja-puderam-mexer-na-relva-1539716
http://www.publico.pt/Sociedade/cavaco-silva-recebe-criancas-de-fukushima-e-elogia-coragem-e-determinacao-do-povo-japones--1540116
Por último, tentei ir à exposição patente na Casa da Fotografia, em Lisboa, sobre Jardins Japoneses mas esqueci-me que nesse dia era feriado e não estava lá ninguém para me deixar entrar! :p Contudo, achei os horários muito restritivos, razão pela qual só consegui ir naquele dia, no qual aparentemente estavam fechados. Fiquei ainda assim curioso de lá voltar numa futura oportunidade porque gosto muito de fotografia.

E agora, para concluir, vou destacar alguns eventos luso-nipónicos a realizarem-se no futuro muito próximo:


“Concerto de “Koto” e Flauta por Naoko Kikuchi e Teresa Matias
No âmbito da programação da "Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura", irá ter lugar no dia 23 de Abril, pelas 21h30, na igreja da Colegiada em Guimarães, o concerto de Koto e flauta de Bisel pelas artistas Naoko Kikuchi (koto) e Teresa Matias (flauta de Bisel). Mais informações : bilheteira@guimaraes2012.pt

“Festa do Japão 2012
A Embaixada do Japão informa que irá decorrer a 2ª edição “Festa do Japão 2012”, no dia 2 de Junho (sábado), no Jardim do Japão, em Belém, no âmbito das “Festas de Lisboa 2012”. Mais informações serão divulgadas oportunamente através do site da Embaixada.
Mais informações : Sector Cultural da Embaixada do Japão - cultural@embjapao.pt tel: 213110560”

Os parágrafos a itálico foram copiados directamente do boletim informativo da Embaixada do Japão, que tem mais informações que podem consultar no seguinte link:
http://www.pt.emb-japan.go.jp/newsletter2012/Embaixada_do_Japao_Noticias_ABRIL_2012.pdf

O ano passado não consegui ir à inauguração do Jardim do Japão. Este ano espero conseguir ir à Festa do Japão, especialmente depois de ter ido à sessão de sismologia no Palácio da Foz, que me deixou com uma excelente impressão das capacidades de organização de eventos da embaixada. Por agora, é tudo, voltarei em breve com Vampiros e Sismos! Tenham medo, muito medo, pois como vos demonstrarei, ambos são reais, destrutivos, caóticos e imprevisíveis! Later, y’all!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Desacordo Ortográfico e Democracia





Este post parecerá aqui fora de sítio, uma vez que este blog nunca pretendeu ser um fórum político, nem nada que se lhe parecesse. Mas para tempos excepcionais impõem-se medidas excepcionais, e disso decorre o seguinte. Até porque, no primeiro post que fiz, a que chamei Prólogo, expliquei que parte do nome deste blog servia para declarar que este está ao serviço de um povo, tanto quanto pode estar. Procuro apenas manter-me fiel a essa convicção primária. Este post será longo, mesmo quando comparado com os meus posts habituais que já são de si longos, por isso deixo um índice dos seus conteúdos no início:

- Desacordo Ortográfico Descodificado;
- Lobbies e o risco para a Democracia;


DESACORDO ORTOGRÁFICO DESCODIFICADO

Quem me conhece sabe que sou absolutamente CONTRA o chamado Acordo Ortográfico. Alguns desses sabem alguns dos argumentos nos quais baseio a minha posição. Hoje aqui registo todos eles, pecando apenas por não o ter feito há mais tempo.

1) Começo pela simples razão de que não faz sentido nenhum um qualquer acordo deste género sem que houvesse um consenso entre todos os países da CPLP. Tal não acontece, como eu recentemente soube, porque pelo menos Moçambique e Angola não assinaram. Se o objectivo é ter um Português único, tal não é atingido por este português que só afasta mais os países, criando blocos políticos (os a favor do AO e os contra o AO).
2) O facto de, na génese deste acordo, não terem sido consultados peritos qualificados, como filólogos ou linguistas creditados e experientes (de todos os países envolvidos), como seria de esperar numa criação conceptual oriunda do século XX, século no qual o saber técnico-científico nos levou (enquanto espécie) à Lua, a conhecer melhor épocas do mundo em que não existiam homens, e nos permitiu ganhar mais ou menos 30 anos em esperança média de vida. Mas insistimos em criar coisas e colocá-las em prática sem ouvirmos quem realmente estudou o problema em questão. (Porque é que tal acontece? Responderei mais abaixo) Já agora, a esmagadora maioria dos pareceres científicos que se pronunciaram sobre este assunto são contra este acordo, dos restantes, 2 pareceres foram favoráveis (e isto não quer dizer que apoiem a 100%) e o resto remeteu-se a um silêncio cobarde ou simplesmente não foram consultados.
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=967360
3) O Inglês, assim como o Francês e o Castelhano (vulgo Espanhol), são línguas que como o Português, vieram (maioritariamente) do Latim e, pela expansão que portugueses começaram no século XV, são hoje faladas e escritas em vários países e continentes diferentes. Eles nunca fizeram acordos ortográficos que suprimissem ramos da árvore genealógica da sua língua em prole de unificar a escrita da mesma. Assim sendo, essas línguas, como até agora acontecia com a nossa, enriquecem-se a várias frentes. São as diferenças evolutivas produzidas pelas diferentes culturas que falam uma mesma língua que permitem que essa língua cresça e se torne cada vez mais bela e completa. Um acordo ortográfico cessa esse tipo de evolução, castrando-o politicamente. Faz-me lembrar a Novilíngua, do livro de ficção científica 1984, de George Orwell, livro do qual surgiu o conceito do Big Brother. Nessa civilização futuresca, que ainda não chegou a existir, os órgãos de repressão inventaram a Novilíngua, que era a máxima simplificação da língua (exemplo, na novilíngua não há “mau”, há apenas vários graus de “bom”: menos bom, bom, muito bom! Também não há “excelente”, ou “formidável”, apenas muitos graus de bom…). Esta super simplificação servia apenas para fazer com que as pessoas sentissem cada vez menos ao lerem. Com menos adjectivos torna-se uma língua mais enfadonha e menos capaz de traduzir emoções e sentimentos, sendo que essa tradução é o objectivo máximo do escritor. Claro que a presente situação não é nem de perto nem de longe tão má, mas quando chegarem à segunda parte deste post verão que pode ser um passo nesse sentido. A cultura nunca pode ser feita por decreto político em democracia… afinal isso era o que fazia o Estado Novo.
4) A pretensão dos que são a favor deste acordo dizerem que é uma evolução e que as línguas precisam de evoluir. Eu acho que nos (mais ou menos) 500 anos entre o achar do Brasil e agora, a língua portuguesa não parou de evoluir e contudo ainda nunca houve acordo ortográfico para potenciar tal evolução. Pista essa talvez de que a evolução de uma língua não precisa e quiçá nem beneficie dum acordo ortográfico. Sabemos hoje que a Evolução animal beneficia muito da biodiversidade. Será um passo tão grande pensarmos o mesmo para a evolução de qualquer língua? Não será melhor termos 5 versões duma língua, que como um todo são essa língua, do que termos uma só que não olha às várias e distintas culturas que a falam? Eu acho que fará mais sentido uma diversidade evolutiva dentro de uma língua, que uma mera homogeneização da mesma. É claro que os que estão a favor do AO dizem “Ah, mas a única mudança é ortográfica, todos continuamos a falar da mesma forma que sempre falámos!”. Essa defesa chateia-me solenemente de tão falsa que é, porque eu sempre disse EgiPto, desde criança, porque quem lá vive são EgíPcios. Mas hoje em dia deixo de poder ter um P(para alguns mudo, mas não para mim) no Egipto quando escrevo. Ou seja não escrevo o que falo. E tanto quanto percebo olhando para outras línguas, olhando para a História do Homem, a parte escrita do todo que é a Língua deve espelhar os sons dessa língua quando falada, senão não tem sentido. Como disse uma personagem de António Banderas no “The 13th Warrior”:
- Draw sounds? Yes, I can draw sounds… and I can speak them back!
Mas agora com este acordo ortográfico eu já não posso desenhar os sons que digo. Até porque a maioria letrada de nós sabe que os p’s e c’s, que foram agora ostracizados coitadinhos!, em Portugal tinham o distinto papel de abrir a vogal. É normal que os brasileiros deles abdicassem porque eles tendem a fechar as vogais. Logo, tanto de um lado como do outro do Atlântico, por muitos defeitos que a Língua tivesse (e tinha bastantes), nós escrevíamos como falávamos (ou o mais próximo disso) e todos sempre nos entendemos e nos demos bem. Logo não houve evolução, mas usaram esse termo para pessoas que pouco sabem sobre Evolução de um ponto de vista científico (que é a maioria), se amedrontasse de os contrariar. (Quem são eles? Já explico.)
5) Todos os erros que a escrita da nossa língua tinha, como palavras que não estavam claramente acentuadas, como palavras homógrafas que dificultam a leitura, este AO, que se diz campeão da simplificação (e já sabemos o que o Orwell pensa sobre a simplificação), não resolveu. De facto, criou outros, mais do mesmo, como o: “para” e “pára”, que segundo a nova “regra” são indistintos. Mais uma vez, não houve evolução, nada se ganhou em termos práticos. Já no exemplo que os protectores deste malfadado acordo (político de base) tanto gostam de usar para justificar a decorrente actual mudança, o antigo Ph que foi substituído pelo F, houve efectivamente uma melhoria, sendo que havia uma letra que fazia o trabalho de duas. Houve, em termos práticos, uma simplificação que não criava mais erros internos na língua nem castrava certas pronúncias locais das palavras. Contudo, até esse caso teve um senão, que foi o de nos afastar de outras línguas latinas assim como dessa ancestral raiz. É que não devemos cair no erro de confundir evolução com modernices ou novidades. Só por algo ser novo, não quer dizer que seja melhor que o velho, nem que traga nada de suficientemente positivo, que faça merecer a pena uma substituição. Dou três exemplos: os ecrãs plasma que acabaram por ceder face aos LCD’s, os mini-disk que nunca conquistaram terreno ao vulgar CD, ou esta nova vaga de 3D (sim nova, já se tenta fazer 3D desde os irmãos Lumiére) que até tem a sua piada, mas considerando a perda de 30% de cor, o obrigar a usar óculos, e as enxaquecas que dão no fim, é apenas mais uma modernice que será rejeitada porque simplesmente coisas pontiagudas a sair do ecrã não compensam tanto malefício.
6) No ponto anterior, escrevi regra entre aspas, porque este acordo de tão político e tão pouco cultural ou científico que é, procurando agradar a gregos e não hostilizar troianos, é mais excepções que regras. Reparem a inteligência (ou falta dela) política em criar um acordo que procura homogeneizar a escrita portuguesa, mas continua a ter esporte e desporto, fato e facto, etc... mas teve de destruir o Egipto, por exemplo. E venham-me dizer que não é totalmente arbitrário… Um à parte, e voltando aqui à vaca fria da suposta evolução, se olharmos para a língua inglesa, especialmente o ramo norte-americano, percebemos logo onde os brasileiros vão buscar as suas mais recentes palavras... esporte é uma corruptela directa da palavra sport. "Tchimie" (não sei qual a grafia brasileira correcta) é uma corruptela directa da palavra inglesa team. E contudo muitos clamam e reclamam que o português brasileiro é o mais evoluído, as mesmas pessoas que usam o fim do Ph na língua portuguesa como um dos pilares justificativos para essa alegada evolução trazida pelo seu adorado AO, e contudo esquecem-se ou preferem não ver, que o tão evoluído português brasileiro bebe de uma língua que ainda escreve photography! Não é um argumento, apenas uma piada cartoonesca!
7) Mas este, com o número da sorte por trás, é o argumento que mais me faz detestar este Acordo Ortográfico. Esqueçamos as falsas presunções evolutivas, a falta de coerência ou contributo científico na sua concepção, o que mais me irrita é o facto de ser feito sem a vontade da maioria do povo lusófono. O povo brasileiro não o desejou, a maioria do povo português não é a favor, e numa época em que pensamos ter liberdade de escrita, que nos querem convencer que o poder está nas ruas, tudo isto se fez sem considerar aquilo que é supremo na democracia: a vontade das maiorias. E porque é que foi feito? Porque interessava a uma pequena mas altamente organizada minoria de bolsos fundos e com os contactos certos nos governos de então. A estas minorias de fórum político-económico chama-se lobbies. O lobby em questão foi o das editoras brasileiras. Este é um lobby muito poderoso, organizado ao estilo norte-americano e este último argumento é a ponte perfeita para mudarmos de capítulo:


LOBBIES E A DEMOCRACIA EM RISCO

Nos Estados Unidos da América (EUA), a Meca dos Lobbies políticos, há hoje em dia um consenso geral entre a maioria do povo de que uma lei de Controlo de Armas era benéfica para o país. Contudo, o poderoso lobby das armas, ou melhor da indústria das armas, uma das maiores indústrias norte-americanas, detém vasto e enraizado poder no senado americano, conseguindo assim manter a actual situação de desregularização das armas, podendo o comum norte-americano ter uma RPG ou uma M16 debaixo da sua cama, ou mesmo bunkers cheios delas, ou ir à caça com armas feitas para guerra como metralhadoras mais pesadas, ou matar o vizinho case este decida entrar na área do seu jardim sem ser convidado. Os lobbies são a coisa mais claramente anti-democrática que existe, pois existem meramente para fazer governos, independentemente das suas ideias políticas, manterem o status quo elevado das respectivas indústrias que defendem e pelas quais são financiadas. Os lobbies trabalham nos bastidores do poder e a sua principal arma, ainda que cuidadosamente usada para não ser passível de ser provada em tribunal, é a corrupção.
Estas organizações começaram nos EUA, mas era de esperar que mais cedo ou mais tarde se espalhassem para outros países ditos livres (mas que por a acção velada destes grupos têm uma liberdade muito estreita). Ora, é algo natural que o Brasil seja dos primeiros contagiados, uma vez que seguem cada vez mais o modelo dos EUA, uma vez que são também uma federação de estados, de emergente poder capitalista. Nada tem a ver com o povo brasileiro em si, pois tal como o povo norte-americano, são meras vítimas da acção organizada e velada dos lobbies.
Eu aprendi a falar inglês a ver filmes norte-americanos vezes sem conta em criança. Quando cheguei ao ciclo (5º ano de escolaridade em Portugal) a minha primeira professora de inglês, contam-me os meus pais, não acreditava que eu não tivesse andado de antemão num instituto pois “sabe demasiado inglês para não ter andado lá”. A verdade é que não andei. A verdade é que aprendi a falar a língua porque era calão demais para ter de estar a ler legendas que, por uma leve dislexia de que sofro derivado ao facto de pela educação me terem transformado de esquerdino em destro, raramente à época conseguia ler a frase toda antes que ela desaparecesse do ecrã. Caso para dizer, a preguiça também gera coisas boas. Mas como efeito secundário, primariamente através de filmes e séries, e depois de telejornais e programas mais variados com o advento da Tv-cabo, cresci dentro da cultura norte-americana, quase tanto como da portuguesa. E uma coisa que aprendi, como cidadão interessado por política que sou, foi a detectar lobbies. Eis como se faz. Regra de ouro, não há coincidências. Vejamos então os acontecimentos mais recentes do AO:

- Graça Moura, aproveitando a sua nomeação para director do CCB, fez rolar a primeira pedra da ressurreição do movimento popular (isto é, do povo), removendo do CCB qualquer ferramenta ou resquício da nova ortografia portuguesa luso-brasileira (uma vez que não nos devemos esquecer que há países da CPLP que não assinaram o AO);
http://www.publico.pt/Cultura/graca-moura-da-ordem-aos-servicos-do-ccb-para-nao-aplicarem-o-acordo-ortografico-1532066
- o supramencionado movimento popular nada organizado, mas de diversas frentes, começa a dar vários cabeçalhos a jornais, como petições e abaixo-assinados com centenas de milhares de assinaturas, como universidades de letras que não tinham opinião formada sobre o AO, um jurista que tem em tribunal um processo em que acusa o AO de ser anti-constitucional, etc;
http://www.publico.pt/Cultura/movimento-de-oposicao-ao-acordo-ortografico-cresce-em-varias-frentes-1533714
- um jornal angolano manifestou-se contra o AO, dizendo que futuras relações entre Portugal e esse país podias estar em risco derivado à conivência dos governos portugueses e brasileiros neste ataque à língua mãe no seu todo;
http://www.publico.pt/Cultura/jornal-de-angola-rejeita-acordo-ortografico--1533026
- um cidadão português, único subscritor de uma petição com número mais que suficiente de assinaturas, conseguiu finalmente audiência com comissão parlamentar e/ou governamental afim de defender a realização dum referendo ao Acordo Ortográfico;
http://www.publico.pt/Cultura/um-cidadao-exige-o-referendo-1533716
- mais recentemente, silêncio...

... até há uns dias atrás. “The Empire Strikes Back” A TVI, até então o último canal aberto de TV em Portugal que ainda não tinha deixado a ortografia lusitana, sem nada dizer directamente, perguntou ao professor Marcelo Rebelo de Sousa (e na TVI o que o Marcelo diz, Deus prefaz no Céu e na Terra) se achava que se devia fazer um referendo ao acordo ortográfico e o prof M diz que, embora todos reconheçamos que o AO foi mal concebido e feito à revelia democrática do grosso dos povos cujos governos o assinaram, não devemos fazer o referendo porque estamos em crise e porque o governo anterior comprometeu Portugal ao AO. Ora bem, isto é próprio de uma pessoa que ou está demente ou está comprado por certos interesses. Quem no seu perfeito juízo diz que uma coisa está mal feita, cheia de erros e é anti-democrática, mas porque os anteriores (já não actuais) gestores políticos nos impuseram isso, devemos todos fazer valer esse compromisso por mais ruinoso que seja? Apenas alguém que tem algo a ganhar com isso ou está louco. E certo e sabido, Marcelo na Terra, Deus na TVI, os programas da TVI passaram de Directo a Direto da noite para o dia, em data de seu aniversário, justificados não numa nota editorial, mas pela sapiência imensa do Prof M, que “fala, fala, fala, mas não” faz ou diz nada em concreto que resolva qualquer dos problemas do nosso país. Disse ainda o ilustre falador que acha muito bem que se debata o assunto do AO, desde que nada se faça para o corrigir! Ainda bem que lhe pagam milhares, como acontece no caso das Rating Agencies que dizem que Portugal é lixo. Vocês acreditam nelas? Eu não. Nem nele.
Na quinta-feira passada, comprei o Público, que tem sido o resistente no meio de todos os jornais nacionais que perpetuaram ou logo se dispuseram a perpetuar este erro crasso na nossa língua. Li com assombro o editorial, que falava de novos grafismos no dia de aniversário. Li também, a contra gosto, alguns artigos que no final diziam “Este artigo vem escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico por expresso desejo do autor”, parafraseando. Quase que adivinho (espero eu erradamente) que o Lobby já chegou ao Público e que a celebração desse aniversário em Março deste ano, será a rendição do Público, adoptando o malfadado acordo. Se tal acontecer, considerando o aproveitamento igual de um aniversário da entidade para mudar de política editorial tentando não perder face, e sendo que as entidades supracitadas têm distintos donos, é lógico reconhecer um padrão de acção único para terminar a resistência com os que por último resistiam à mudança. Isso revela-nos um lobby. Espero mesmo estar enganado e que a mudança de grafismo não traga uma mudança de grafia. Assim, pelo menos terei um jornal que me dê prazer a ler.
Mas a “prova” consumada é que, na assembleia da república portuguesa, onde raramente alguém se entende, os 5 partidos que devem representar a esmagadora maioria votante portuguesa, por milagre achou em uníssono que este Aborto Ortográfico era uma brilhante ideia, falhando em representar a maioria da sua sociedade, que dele discorda, bem como os pareceres técnicos que ignorou! E mais, os partidos ousaram fazê-lo, sendo esta uma questão cultural e não política, sem se preocuparem em saber a opinião do povo, o principal criador e agente evolutivo último da cultura nacional, pelo modo mais democrático: o referendo nacional. Eu, que nunca elegi nenhum governo e sempre votei desde que tenho idade para isso, esperei que pelo menos os mais afastados do centro que é o PS(D) (vulgo Centrão), como o PCP e o CDS, respectivamente auto-nomeados protectores máximos da democracia constitucional e da cultura tradicional portuguesa, se manifestassem contra, mas nem esses. Mais uma pista de que um lobby poderoso agiu. A vontade da maioria, reforçada pelo saber técnico, ignorada pelos representantes políticos dessa vontade alegadamente soberana.
Talvez nos casos destes últimos partidos que mencionei acima, o lobby tê-los-á amedrontado com a possibilidade de poderem ver os seus eleitorados a achá-los xenófobos se não assinassem, ou mesmo retrógrados se não dissessem sim à novidade. Sim, medo. Medo foi o maior motivador e a maior razão para o AO. O medo que nos quiseram impor de que como os brasileiros são mais que nós e escrevem mais na net, o nosso português ia ser um mero dialecto no futuro, pois somos meros 10 milhões. Ora bolas, quando é que agir pelo medo surtiu algum efeito bom? Não temos de temer a cultura brasileira, nem a sua ortografia, temos de abraçá-la como cultura de nós descendente e orgulharmo-nos pelos avanços que têm feito por eles. Não temê-los, abraçá-los como parte que são da nossa história e cultura, como nós da deles, independentemente das nossas agora distintas culturas. A diversidade é boa, ou a natureza não teria feito tantas espécies diferentes de tronco comum.
Mas, hey, o país entretanto mudou de governo. Mudou de governo partindo do pressuposto de que o governo anterior levou o país perigosamente perto duma bancarrota, portanto para maus caminhos. Queríamos um novo rumo e um governo que emendasse e corrigisse os erros feitos pelos que vieram antes. Porque não então, professor Marcelo, corrigir este erro, que como o senhor disse, todos sabemos dos seus principais defeitos? Ele respondeu. Disse o ilustre senhor que são meras 4% das palavras portuguesas afectadas e que ficaria mal para Portugal mais uma vez não cumprir o AO (sim, porque isto não é de agora, o lobby teve tempo para se organizar, pois já antes foi 2 vezes derrotado). Mas dito assim até podem pensar que ele até tem razão... afinal o que é 4%, né? É DEMASIADO e eu explico porquê! Quando nos tiram mais 4% do nosso salário líquido, não gostamos. É demasiado. Quando nos aumentam mais 4% nos impostos dos produtos que comemos, que vestimos, dos combustíveis e das energias, até andamos de lado! É demasiado. E não temos, acreditem, maior riqueza que é o nosso património cultural conjunto de toda a CPLP que é por este AO tornado 4% menor apenas para servir interesses económicos ao invés dos desejos da maioria democrática. E nós sempre fomos pequenos e sempre vingámos cá em Portugal. Não temos de ter medo de ser pequenos, desde que a nossa alma nacional continue grande! Outrora conquistámos o mundo, hoje temos dos melhores cientistas e engenheiros no mundo, artistas então estão rapidamente a conquistar o seu lugar nos holofotes internacionais. O nosso problema não é sermos poucos, mas sim termos agentes políticos, comentadores políticos e um grosso dos média, que em bom português, só podem ser adjectivados de merdosos e “sem tomates”, ou cojones como diriam, por supuesto, nuestros hermanos. Se somos bons em algo, é em cultura e ciência, não em política. Não se limitem então a encolher os ombros aos 4%, ou no mínimo dos mínimos, exijam o referendo e que ganhe a maioria. Pois esses 4% de palavras afectadas, são apenas um símbolo, um aviso para dias futuros, de que a democracia, de que a ideia de que o futuro é escolhido por maiorias nos povos, é facilmente manobrável nos seus bastidores por agentes sem rosto ou nome, mas de bolsos fundos e contactos certeiramente posicionados em todas as bancadas políticas. O AO não só é uma afronta à língua portuguesa e ao seu futuro, mas também um ataque à democracia em si! Além de que, já por duas vezes a nossa nação assinou o dito acordo e não cumpriu... o mundo não desabou por causa disso. Não deixámos de ser amigos com o Brasil. Nenhum mal virá de dizermos NÃO uma vez mais, professor Marcelo. A História, ainda mais a História Recente, assim o comprova.
Esta é uma verdadeira batalha pela alma não só deste país, mas também pela alma do Brasil. A única maneira de os ajudarmos a eles, é ajudando-nos a nós e fazer a democracia valer mais que o cifrão! E quando eu digo alma, falo da cultura que se faz (ou fazia) nas ruas pelo povo (sem decreto político por trás), assim como o mero acto democrático no qual hoje (supostamente) baseamos o nosso modo de vida, ao qual chamamos liberdade. Eu não me importo de perder votações, meus amigos, é aquilo a que mais habituado estou, pois sempre votei e nunca elegi nenhum governo. Mas não abdico do meu direito de voto. E no dia em que nós o fizermos, porque “são apenas 4%” (já agora, olhem para os vossos teclados. Já repararam que o 4, de 4%, está exactamente na mesma tecla que o $, símbolo mais conhecido para dinheiro?:), a democracia está finalmente e insidiosamente transformada numa ilusão de liberdade, num mecanismo de controlo à la Matrix, para um punhado de poderosos dominarem as massas.
Acordem, Samurais lusófonos actuais, a vossa cultura precisa das vossas canetas, as espadas desta nova era! Somos os únicos de permeio entre os verdadeiros “ninjas” de hoje e o seu pérfido objectivo! Esses “ninjas”, mercenários altamente especializados que agem furtivamente para fazer valer o desejo de quem mais alto lhes paga, têm apenas como verdadeiros oponentes os N.I.N.J.A.’s (No Incomes, No Jobs or Accepts) como eu, talvez como vocês, mas não se não lutarmos. Vão vocês continuar a ser peões num jogo de xadrez de grandes lordes, ou ovelhas a serem conduzidas pelos pastores, ou vão finalmente lutar por um mundo melhor?
A nossa única vantagem é sermos mais, mas é preciso que não sejam só uns poucos a falar abertamente. Juntem-se a nós, que não estamos organizados, mas sim desconexos, que não lutamos escondidos mas em campo aberto, que não procuramos moldar a opinião pública mas sim apelar a que esta se mova em seu próprio proveito! Nós que lutamos pelos 4%, pelos coitados mudos dos p’s e c’s que abrem vogais, pelo trema ¨ que existia no Brasil até ao AO, e os acentos circunflexos, o vulgo chapéuzinho chinês, que existia em ambas as margens do Atlântico e agora fica em vias de extinção. E através de tudo isso, pela democracia.
Não se importam que a batalha possa já estar perdida, o samurai (aquele que serve algo maior que a si mesmo) luta por honra e porque no seu âmago sabe que o deve fazer. Para um samurai do século XVIII era a vida que estava sempre no fio da espada, nós arriscamos apenas a possibilidade de viver em verdadeira liberdade democrática na ponta da nossa caneta ou dedos. Coisa pouca? Não se a perdermos novamente. De qualquer forma, é preciso mais coragem para agir, do que para simplesmente encolher os ombros e deixar-se levar pela maré dominante. Se temos de perder, que percamos a lutar e não a encolhermo-nos! No filme, “The Last Samurai”, o último samurai diz “A via dos samurai já não é necessária” para o mundo moderno, e o Tom Cruise responde com perguntas:
- Necessary? What could be more necessary?
Despeço-me por ora, com um Bem Haja, dirigido a todos os que lerem isto, quer concordem comigo quer não, gozando-me dos H’s mudos que ainda não se lembraram de nos tirar, antes que venha o próximo AO e os descrimine também, pois coitadinhos são mudos e não podem falar por si mesmos!
bem Hajam,

Alexandre Fanha, confesso e actual N.I.N.J.A. integrante da geração À Rasca, assinante nº 127853 da petição cujo link vos deixo abaixo, signing off 4 now...

http://www.ipetitions.com/petition/manifestolinguaportuguesa/?utm_medium=email&utm_source=system&utm_campaign=Send%2Bto%2BFriend




Versão PDF deste post para quem quiser imprimir (cumprimentos do blog X-Number de um amigo meu):
http://www.x-number.com/blog/wp-content/uploads/2012/02/Desacordo-Ortográfico-e-Democracia.pdf