Recordar-se-ão os leitores
assíduos aqui do Samurai que eu fiz em temos um post sobre as origens do Godzilla intitulado Hibakusha II: O Rei dos Daikaiju.
Desta volta, vou apenas limitar-me a fazer uma crítica de cinema
relativa ao novo filme do Rei dos Daikaiju.
O filme chega-nos pela visão e
direcção de Gareth Edwards, realizador que fez o filme “Monsters” que estreou
em 2010 e captou a atenção dos cinéfilos de todo o mundo pois foi o primeiro a
conseguir efectivamente criar no seu quarto todos os efeitos especiais digitais
do filme, mas com a qualidade ao nível de Hollywood. Para aqueles de vocês que
sejam fluentes em inglês sugiro-vos a entrevista que o Dr Mark Kermode fez ao
então jovem realizador exactamente devido a esse feito, que vos deixo aqui linkada.
O novo “Godzilla” tem muito do
carácter do filme de estreia do realizador, por isso é bastante interessante
ver os dois filmes de seguida e por ordem de data de estreia. Ambos os filmes
procuram centrar-se em personagens humanas, através das quais experimentamos
uma Terra onde monstros enormes e poderosos existem abertamente e causam
problemas aos humanos. Mas enquanto em “Monsters”, o filme não evolui dessa
dinâmica, em “Godzilla” o próprio monstro torna-se uma personagem, pela qual
começamos a torcer, e como que se torna mais importante que os humanos que
temos anteriormente andado a seguir durante o filme. Considerando o título do
filme, não só foi uma boa jogada, como era a única jogada de sucesso.
Uma outra coisa interessante em
“Godzilla”, e que também o diferencia em “Monsters”, é o facto dos humanos
surgirem literalmente como se fossem colónias de formigas desesperadamente a
fugirem dum luta de dois humanos sobre a sua metrópole. É que neste filme os
humanos nada podem contra os monstros, tal como as formigas nada podem contra
humanos.
É notório nos bonecos relativos aos dois últimos filmes do Godzilla essa diferença. Na primeira adaptação americana, os bonecos que sairam eram tipo GI Joe, com os homens tão importantes ou mais que o Godzilla (figura à direita). Nesta última versão, os monstros é que interessam e os humanos estão lá como se fossem cenário (figura à esquerda).
Como não podia deixar de ser num
reboot (recomeçar) da frandchise, que já agora já tem confirmada uma sequela
com o mesmo realizador ao leme, a história procura reintroduzir o Godzilla e,
portanto, é uma história de origem. Assim a origem do rei dos monstros é
recontada. Acaba por não se distanciar muito do original, mas ao invés de ser
um produto da radiação de bombas nucleares sobre animais, acaba por ter uma
inclinação ecológica e dizer que estes monstros precederam os dinossauros e
viviam num era onde a radiação à superfície terrestre era muito mais elevada.
Assim, quando os americanos começaram a mandar bombas e muitos países a fazerem
reactores nucleares, os sobreviventes ou descendentes dessas raças acordam de
hibernação. Essa premissa, algo que defeituosa devido à escala de tempos envolvida,
já foi antes usada para explicar os dragões em “Reign of Fire”, o meu filme
favorito com dragões, mas depois encaixa bem numa explicação de cadeia
alimentar que completa o sentido lógico da história.
A ideia de que há uma conspiração em que os governos estão a esconder algo das populações que dizem servir e toda a paranóia que acompanha essas ideias, talvez não tão descabidas quanto isso como a realidade nos mostra(refiro-me, por exemplo, ao programa de espionagem norte-americano), é muito bem instrumentalizada para dar corpo ao início do filme. Isso e uma certa consciência do horror do desastre natural de Fukushima e de como as uzinas nucleares quando destroçadas pela Natureza podem, literalmente, envenenar a Terra. Simplesmente, em vez de movimentos da crosta terrestre, o que causa a destruição são as alimárias pré-pré-históricas que dão mote ao filme. Mas o governo local ter de evacuar as pessoas de uma zona radioactiva, deixando vidas inteiras para trás, casas desprovidas de vida, mas cheias de memórias, completamente mobiladas, cidades inteiras tornadas urbes fantasmas, tudo isso surge abertamente reforçando a credibilidade do filme, recordando os terríveis acontecimentos do passado muito recente.
A única coisa que me chateou no
filme, ou que achei idiota, foi os militares continuarem a armar-se com metralhadoras e pistolas
quando já sabiam o que enfrentavam e que nem bombas nucleares os matavam. Algo
que estúpido. Os militares não têm a tendência de carregar armas
desnecessárias.
Também achei desnecessário a ida para São Francisco. Aquela ponte já foi mais vezes destruída nos filmes que o cagar da ameixa, passo a expressão, e não era necessário americanizar mais ainda o filme.
Quanto ao boneco, o Godzilla está
engraçado, uma mistura de gorila e dragão de Komodo. Embora eu não me junte nem
ao grupo que odiou a versão anterior do Godzilla, a que os japoneses chamaram
só Zilla porque acharam-no muito pequeno ahaha, nem ao grupo que achou este
Godzilla gordo (parece que assim aconteceu entre espectadores nipónicos… nunca
estão satisfeitos ahaha), não desgostei desta nova encarnação e o CGI está bem
feito e não temos a sensação de falta de peso no boneco, tal como ela não havia
no filme do Guillermo Del Toro “Pacific Rim” (ler a minha crítica a esse filme aqui) com os seus kaijus e robots
gigantes (criticado por mim aqui). E isso e o sentido de escala é o essencial
nestes filmes.
Gostei da banda sonora e do tom
negro e mais sério do filme, que contrasta com a versão americana anterior. Os
actores estão todos de parabéns, sem que haja nenhum que sobressaía durante o
filme, excepto talvez o próprio Godzilla. A cena da qual se vê um pouco no
trailer do salto HALO é magnífica num grande ecrã.
Resumindo, é um óptimo filme,
próprio para qualquer idade e que merece o grande ecrã. Eu vi em 2D e IMAX. Não me parece que o 3D lá contribua nada, para além da eventual coisa pontiaguda a sair do ecrã, mas como não vi em 3D não afirmo, só suspeito. Aguardo com altas expectativas (o que nunca é bom) a
continuação.
De salientar, numa outra nota, que o Godzilla tem agora um planeta com o seu nome!
E, para os mais nerds de nós, eis
também uma curiosidade, da qual o mérito não é meu, sobre quando estreou o primeiro
filme do Godzilla, o original japonês, em Portugal, ainda nos dias do Estado
Novo e com um título idiota:
Se tiver tempo e pachorra, traduzirei aquele vídeo da entrevista do Kermode ao Edwards e depois linko-o aqui também!
Para lá do filme e como já não
venho cá há demasiado tempo, deixo-vos aqui também umas actividades para este
fim-de-semana e para o resto do mês:
-. esta sexta e este sábado, 20 e 21 respectivamente de Junho, a iniciativa 24 Horas, no Pavilhão do Conhecimento. Notem que o site está sem Acordo Ortográfico... yeah!! :D
- sábado, dia 21 de Junho, a partir das 16h, no Jardim do Japão em Belém, para lá da Torre de Belém, à beira Tejo e ao lado do CCB, a Festa do Japão terá novamente lugar:
- uma oportunidade para os que tiverem condições para isso, até dia 25 de Junho ainda se podem inscrever nas bolsas para estudar no Japão. Toda a informação no link abaixo:
- por último, uma produção de Sandra Fanha, com realização de José Barahona, dia 27 de Junho no MU.SA (MUSEU DAS ARTES DE SINTRA), estreia "Vianna da Mota", numa projecção ao ar Livre (mais informações abaixo). "Um músico prodígio nascido no século XIX...":
E por hora me despeço, senhoras e senhores, irmãos e irmãs, camadaras e amigos, que amanhã tenho um dia inteiro de despedida de solteiro do meu melhor amigo, do qual tenho também a honra de ser padrinho de casamento. E para isso, com'é lógic' (grande Jorge Jesus!!), não vos convido.
E estão a terminar, com o término do ano, as comemoraçãos do 470º aniversário da relação entre Portugal e o Japão. Deixo-vos o link para o pdf informativo da Embaixada do Japão, do qual e como é meu hábito saliento alguns pontos:
- a decorrer durante este mês, está um ciclo de cinema japonês na Cinemateca Nacional:
- já no próximo dia 11, portanto esta quarta-feira, vai haver um workshop centrado na obra de Robert J. Langdon (nada relacionado com o Código Da Vinci garanto-vos) no que diz respeito à arte nipónica de dobragens em papel, o Origami. Entre outras coisas, o cientista em questão ficou conhecido como o grande teórico da "matemática do origami". Este evento não está no boletim, mas a imagem é um printscreen do site da Embaixada.
- por último, a embaixada deu já aviso prévio sobre cursos centrados em cultura japonesa, que acontecerão nos vindouros dias de Janeiro e Fevereiro do próximo ano:
Como poderão perceber, muitos destes eventos estão relacionados com o Museu do Oriente que, para meu gáudio e contentamento, também não adoptou o pérfido desAcordo Ortográfico de 1990. O site é user friendly e para quem tem interesse em cultura oriental vale muito a pena consultar de tempos a tempos:
Para começar, também com início no dia 11 e em cena até ao dia 15, no teatro da Comuna em Lisboa, temos a peça de Rui Neto, com desempenho de São José Correia, intitulada Worms.
Não deixem de visitar o blog da peça por vocês mesmos, pois está extremamente simples, altamente funcional, sem Acordo Ortográfico, completo com um teaser trailer para a peça e também fotos dos bastidores. Eu já reservei o meu bilhete. Vejo-vos lá! ;)
A São José Correia chegou a ser minha vizinha, vivemos durante um semestre na mesma rua. Embora a visse muitas vezes nunca fui incomodá-la. É certo que os actores acabam por, e como dano colateral do seu ofício, ficar conhecidos, mas é minha opinião que isso não nos dá o direito de andarmos a chateá-los ou pior ainda feitos maluquinhos a tirar-lhes fotografias para vender às revistas cor-de-rosa hipersensacionalistas, como a da qual retirei isto:
Agora, eu duvido muito que a São vá ficar mesmo Nua em Palco. Não que eu me opusesse, como é lógico, mas estamos a falar de alguém que recusou os vários avanços apoiados por avultadas quantias, por parte da playboy para pousar nua, se bem se recordam de há uns anos quando a actriz esteve por terras de Vera Cruz. Há ainda a sua afirmação, aqui contada pelo Fernando Alvim:
E no seguimento da ideia perpetuada pela resposta da São, não se esqueçam de protecção!
Saúdo ainda Francisco Goiana da Silva, médico estagiário que procurou com uma exposição de escultura para obter fundos para pagar o seu estágio e que vai para representar Portugal em Davos, na Suíça, onde se vai debater a Humanidade. E lá Francisco vai procurar mudar o mundo e argumentar em defesa do Serviço Nacional de Saúde Português, especialmente o seu carácter constitucional de "tendencialmente gratuito".
Estamos em época natalícia e o presidente da câmara alfacinha não se poupou a despesas para a celebração. Entre 14 e 24 de Dezembro, o Terreiro do Paço vai ser inundado de luz, num espectáculo chamado Circo de Luz, que incorpora a técnica de 3D mapping para projectar imagens luminosas. Os Deolinda e o Nuno Markl ajudam a animar a festa, juntando som e voz à luz. Eu não estava em Lisboa, há uns meses, quando houve um evento semelhante e estou felicissímo por ter uma segunda oportunidade de o desfrutar. http://www.vousair.com/cartaz/novidades/espectaculos/item/8577-espectaculo-circo-de-luz-no-terreiro-do-paco
Ah, sim! E parece que os Gato Fedorento irão voltar à televisão com um... coiso!
No espírito do N.I.N.J.A. Samurai, que celebra a nossa amizade com o Japão o ano todo, todos anos, deixo-vos ainda um link para um episódio do programa de TVI24 denominado "Ganhar o Mundo", que fala sobre o Japão e as possibilidades económicas, com a participação do Embaixador do Japão em Portugal e que toca também a nossa história comum que já tem quase 500 anos de idade. Espero, antes de findar o mês, aqui deixar um post sobre precisamente esse episódio dos Descobrimentos, em detalhe, um vez que é ignorado (ou infelizmente o foi quando eu estudei História) no Ensino Público.
Enfim, não se esqueçam é de beber muita águinha, entre as bjecas claro está, e se quiseram, e não viram o ano passado, vejam este post que eu fiz sobre o Verão intitulado simplesmente Natsu: (clicar aqui para ir para o post em questão).
É, para quem tem essa oportunidade, tempo de ir à praia (seja marítima ou fluvial), mas cautela, podem haver percalços que estraguem o dia, como avisa o Público online:
A praia de Tokyo reabriu após um esforço de 51 anos (clicar aqui para obter fonte em inglês), sendo que o que levou a que a praia à beira da metrópole plantada, cuja vista é dita no artigo deixar muito a desejar, fosse interditada a banhos foi precisamente o que permitiu a ascensão económica do ainda Império do Japão (têm imperador): a vasta industrialização do país. "Enquanto crescíamos economicamente, senti que perdíamos algo.", afirma Yuzo Sekiguchi, que é arquitecto e que, impulsionado por memórias antigas de pescar à beira-mar em Tóquio, criou uma organização de fins não-lucrativos em 1977, instrumento para a acção de luta, que durou cinco décadas, para restaurar a costa de Tóquio. A sua convicção fortaleceu devido ao que encontrou em viagens que fez pelo o oeste asiático (Afeganistão, Índia e Paquistão), onde reconheceu, nos olhos das pessoas que lá encontrou, em particular das crianças, um brilho especial. Achou que algo estava mal no seu país, em que as crianças cresciam fechadas em salas de aula demasiado lotadas, preocupadas em entrar em colégios de elite para obterem bons empregos, mas sem qualquer contacto com a Natureza. Iam à praia, se por ventura a casa da avó fosse numa zona marítima, mas em Tóquio não podiam. Sekiguchi decidiu que a responsabilidade era dos adultos e que, pelas crianças, a situação tinha de mudar. E essa luta foi tão custosa como morosa. Muito embora fosse tarefa difícil melhorar a condição ecológica das águas, o mais difícil foi conseguir o apoio dos burocratas governamentais, que ainda hoje não assumem qualquer responsabilidade na abertura das praias. "O governo local estava extremamente relutante em aceitar responsabilidade naquilo que nos proponhamos a fazer. A administração verticalmente dividida foi lenta a conseguir que alguma coisa fosse feita.", conta Sekiguchi, acrescentando "Eu não conseguia dizer para que serviam políticos e burocratas. Parecia que eles estavam lá para vincular o povo às regras deles." A abertura do Parque Kasai Rinkai aconteceu a título condicional. Os mergulhos são proibidos e só se pode estar com água até à cintura, pois as autoridades não aceitam responsabilidade pela qualidade das águas. É contudo permitido nada em Julho e Agosto. O parque é gerido pelo governo metroplitano de Tóquio, que avisa no seu site que a abertura da praia é da exclusiva responsabilidade a organização de Sekiguchi e não deles, e que pode ser fechada em caso de "ventos fortes, chuva, fraca claridade na água, ondas altas e relâmpagos". Sekiguchi explica como foi difícil chegar até aqui mas congratula-se por se ter conseguido pelo menos isto. Mas o activista marítimo prossegue, com vitalidade e inteligência, e já encontrou um poderoso aliado, portador de uma nova esperança, para o melhoramento progressivo das águas. Esse aliado provém dum estudo norte-americano, feito na baía de Chesapeake, na costa oriental dos EUA, que diz que ostras podem ajudar a limpar as águas. A organização testou este método num rio em Tóquio antes de a aplicar em Kasai Rinkai, demonstrando na minha opinião que se baseia verdadeiramente no método científico, não simplesmente aceitando a papinha toda só porque algum especialista "disse que" num ficheiro de excel defeituoso, como o nosso ex-fantasminha antipático lá das Finanças. A qualidade da água na praia melhorou bastante nos últimos anos e, após instalada uma vedação submarina para impedir a entrada de raias naquela área, a praia ficou segura e pronta a receber pessoas. Sekiguchi promete que isto é apenas o início e diz "Mas é algo que a nossa geração deve às nossas crianças. Precisamos de deixar um oceano em que as crianças possam sentir o sabor do Verão." SAÚDA-SE!
Eu acredito firmemente que se todos nos esforçarmos para tornar o nosso bocadinho do mundo um melhor sítio, ao somarmos todos os melhoramentos "individuais", criaremos um mundo melhor. Este senhor é um herói, se estes existem. Um exemplo de responsabilidade cívica aliada ao inconformismo. Um forte bem-haja, tomadochi Yuzo, e "a luta contínua" e "hasta la vitoria siempre"!
Entretanto, já me chegaram mais novas da embaixada do Japão em Portugal, através do boletim de Agosto, mas algumas delas já eu falei no primeiro post deste mês e as outras são para Setembro ou já foram, pelo que vou meter uma delas (que é para este mês e tem prazo limite para inscrição) e complementar com mais umas quantas de informações para actividades, procurando ser um pouco mais abrangente que apenas a grande Lisboa. Até porque é Verão e a malta precisa de preencher os seus dias com algo divertido, relaxante e, porque não?, culturalmente rico que nos permita enfrentar "o estado a que isto chegou". ;)
Portanto, até ao final do mês, farei outro post com os eventos que estão marcados para Setembro, que vêm no boletim da embaixada.
De resto, falemos de cinema, que pelos vistos e para minha tristeza mas não surpresa, é um negócio que se está a ressentir da crise à grande, mas também muito por culpa de quem vai ao cinema e de quem faz negócio do cinema (um tópico para outra altura).
No Porto, e um bem haja a quem organizou a coisa, tem havido durante este mês e vai continuar até Setembro, cinema à borla e ao ar livre. Eu soube disso através da P3 online, a qual vos vai informando nos dias, sobre que filme passa e a que horas, caso tenham um like na página deles no Facebook. Hoje, os amigos tripeiros poderão ver a reencarnação dos filmes "Evil Dead", por cá, "A Noite dos Mortos Vivos", cuja crítica escrevi aqui(http://74rte.blogspot.com/2013/07/evil-dead-2013.html).
Link para o artigo da P3: http://p3.publico.pt/cultura/filmes/8791/cinema-ao-ar-livre-e-gratuito
Para quem estiver no Algarve, à semelhança dos alfacinhas em Lisboa, também terão oportunidade este mês de verem uma curta metragem, intitulada "O cheiro das Velas", no Festival de Curtas-Metragens de Faro, a 31 de Agosto:
Em Lisboa, e como já tinha dito no post anterior a este, é já no dia 22, no teatro do Chiado. Para mais informações desta curta que participou do conceituado Festival de Cannes, no elenco da qual participa a deslumbrante e talentosa Oceana Basílio, cujos encantos e o próprio nome fazem dela uma perfeita embaixatriz do Verão. Não concordam?
Por falar na Maxim e nas praias alfacinhas, tenho que agradecer o jantar que a Maxim me ofereceu, que partilhei na excelsa companhia da minha amiga Ana (não, não é a outra revista com o mesmo nome), no beach lounge da Capricciosa de Carcavelos, que eu aconselho vivamente. Um óptimo espaço, excelente serviço e um staff mui simpático, boas pizzas como é praxe nesta marca, já para não falar na espectacular sangria de frutos vermelhos e da perfeita mousse de manga... estou a ficar com água na boca só de pensar nisso! O jantar demorou para aí umas boas 2 horas e meia e não foi só devido à conversa que fluía como água. A minha versão da pizza Maxim teria sido melhor escolha ;P, mas pronto ganhou uma menina, pois a votação foi via facebook e já se sabe como são vastas as listas de amigos delas, né? ahahaaha
E, já que falamos em estrelas, não nos limitemos ao cinema. Em Agosto, é altura de chuva de estrelas, que se conseguem ver a olho nu em Portugal, se se estiver numa zona sem iluminação pública. As Perseiadas, como são intituladas estas "estrelas cadentes", são um espectáculo natural e gratuito que merece ser apreciado. A noite de 13 para 14 de Agosto será o melhor dia para ver esta "chuva" cósmica, que nada mais é que calhaus que viajam a velocidades fantásticas e friccionam com a atmosfera terrestre. O nome provém da constelação Perseu, que está no quadrante do céu onde se podem ver os meteoritos passar. Olhem para nordeste.
Uma das minhas citações favoritas é do Oscar Wilde e diz: "Estamos todos na sarjeta, mas alguns olham as estrelas". Este espectáculo dá-se todos os anos, mas, como diria o nosso Variações: "Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje!"
E pronto, c'est ça! (recordando os bons tempos do escudo, em que os avec's [e uso o termo com carinho{Ça va, Christophe, mon ami? ;)}] retornavam todos a Portugal nesta altura do ano, porque só o câmbio do dinheiro dava para eles fazerem cá umas férias de lorde, e esse guito cá ficava... também são desse tempo??) Visita de médico e a correr, mas não tardarei muito a insurgir-me com uma nova entrada. Como diria o Porky Pig: "abdi... abdi... that's all folks"!
Um adios 4 now para os muchachos e para as muchachas um beijo tipicamente tuga mas em formato japonês:
Este mês estive ausente, mas não deixei contudo de trabalhar no blog. Tenho estado a reunir material e ideias para posts nos próximos meses que, espero eu, poderão dar que pensar. Mas conforme o nível de exigência técnicas dos posts (caso eu tenha por exemplo que fazer edição de vídeos e legendagem dos mesmos), também a dificuldade posterior de os executar numa forma acabada satisfatória que vos possa oferendar.
Ainda assim, no dia de hoje e no dia de amanhã, espero conseguir meter aqui duas entradas. A de hoje prende-se com as novidades da Embaixada do Japão, que não me canso de congratular por limpar a infecção de AO90 dos seus boletins informativos, mas também com outras sugestões culturais e menções honrosas e desonrosas de actividades culturais que se passaram em Lisboa. O resto do país que me desculpe, mas é lá que vivo na maior parte do ano.
Aproveito para destacar alguns dos eventos mencionados no boletim, onde encontrarão também notícias das últimas actividades culturais da Embaixada e outras de conteúdo económico:
Este vai um bocado em cima do prazo, mas para os poetas que por aqui passeiem os olhos ainda virá a tempo, espero.
De seguida, uma das minhas paixões, a sétima arte. De todos aqueles filmes, apenas conheço a versão americanizada do Pulse, que adorei, excelente filme de terror. Fico em pulgas para ver o original:
Também há oportunidades para investigadores em vários campos, possibilidade de bolsa de estadia no Japão:
Para finalizar, um pouco de arte plástica:
Não pensem que não vi aquele direção na última imagem, mas a culpa disso é dos senhores do nosso governo que insistem em não se desvincular do Acordo Ortográfico, um jovem de 20 anos, velho de cabeça.
Aconselho a leitura de todo o pdf informativo, que linkei acima, pois há lá links para outras informações de cariz económico que também vos poderá interessar, caso se sintam ou sejam empreendedores ou empresários no activo.
Mas ainda há mais actividades culturais para os interessados, embora estas últimas tenha sabido delas via Facebook.
Uma tem a ver com uma curta metragem na qual participa a actriz Oceana Basílio, intitulada O Cheiro das Velas, e que será projectada em Lisboa, já no mês de Agosto:
E em Setembro no CCB, uma exposição de arquitectura de Sou Fujimoto:
Ora, resta-me então mencionar duas actividades culturais mui experimentais, e eu infelizmente, uma devido aos exames, outra devido a me ausentar de Lisboa, não as pude experimentar
Falo do visionamento por iniciativa de Filipe Melo (realizador de I'll see you in my Dreams) daquele que se diz "o pior filme da humanidade", o The Room de Tommy Wiseau, cujo objectivo parece ser o completo desrespeito do "código de conduta" como o desenhado por Mark Kermode e amigos:
Eu gosto de um máximo de silêncio na audiência durante os filmes, não me importando se as pessoas de vez em quando falarem baixinho com a pessoa a seu lado ou quando se ri a bom rir. Não gosto é do ruído horrendo de pipocas a serem mastigadas, pacotes de batatas ou embrulhos de chocolates a serem rasgados, o som de chupar numa palhinha quando o copo está quasi-vazio. Mas adoraria esta experiência totalmente oposta da minha experiência ideal de cinema, devido ao elemento de paródia da mesma.
A segunda experiência cultural feita em Lisboa que quero mencionar é a intitulada Lisboa em Si. Quando vi esta experiência noticiada no Público online, pareceu-me uma ideia muito interessante. Era descrita como uma tentativa de se criar uma orquestra sinfónica com os sons da cidade, buzinas de barcos nas docas, sinos das igrejas, buzinas de bombeiros, etc... Como eu outrora vi um filme cujo nome não sei, em que um actor americano fazia um sapateado ao ritmo de New York, em que o ritmo era dado pelos carros a passar, a buzinar, a pisarem tampas de esgoto soltas, etc... foi essa a imagética que eu imaginei, pois no filme, com a magia de Hollywood talvez, funcionava. Além disso, na notícia, falava-se de métodos científicos para a recolha de sons em vários locais, para depois através de software e um orgão digital com ele apetrechado, mais tarde se fazer a sinfonia de Lisboa. Bom, isso era o que eu pensava. Isto foi o resultado:
Em suma, uma experiência falhada. Esse meu colega foi dos que foi para um dos pontos assistir e ouvir ao concerto metropolitano. No vídeo acima, noutro ponto da cidade face àquele em que esteve o meu colega, chega-se a ouvir pessoas a dizer que não se ouve sinfonia nenhuma. E na conversa de facbook, conclui-se que o defeito não era no ponto escolhido para ouvir. Por outro lado, fala-se em software nas notícias, mas a suposta orquestra era coordenada pelo autor desta ideia via rádio, o que deixa no ar a pergunta, "software para quê mesmo?". É que é uma pergunta interessante pois custou dinheiro à Câmara de Lisboa. E eu sou daqueles que acha que mesmo em crise devemos apostar e investir na cultura, mas há limites. E de facto, não tivesse estado em época de exames, ter-me-ia provavelmente oferecido como voluntário. Vendo este resultado, postado no facebook de um colega meu, procurei perceber o que correra mal. Eis que surgiu outro vídeo no seguimento desse post do meu colega. O vídeo de apresentação no projecto na Câmara de Lisboa.
Vendo este último vídeo, podemos inferir pelas palavras do Pedro Castanheira, o impulsionador deste evento, desta tentativa, o que correu mal. Diz-nos ele "(...) Vamos fazê-lo duma maneira científica, vamos fazer um software, (...) vamos calar uma cidade durante sete minutos (...) sem silêncio da cidade o projecto não tem mesmo potencial (...) como devem calcular tudo isto é Fé!". Ora estes soundbites que removi dum discurso (na íntegra no vídeo acima linkado) permitem, a este sincero ateu, perceber o que se passou de errado com esta iniciativa. O primeiro problema é a afirmação de se querer fazer algo de "maneira científica" quando se afirma que "tudo isto é Fé". A mistura das duas actividades (Ciência e Fé) nunca deu bom resultado para a Humanidade, algo que pode ser comprovado de forma histórica nesta palestra de Neil Degrasse Tyson. Perdoem-me aos que não são fluentes em inglês, mas não houve tempo para a legendar. Mas depois um homem que espera fazer uma sinfonia com sons da cidade, esperando calar a metrópole em Si, em vez de procurar usar o seu ruído, o seu barulho de forma construtiva, creio eu que estará condenado ao insucesso. Há forças que nós não controlamos que também incomodam acusticamente, como o próprio vento e esse não há quem o cale. "Palavras são vento", diria George RR Martin. Por último, fazer as coisas de forma científica, é usar o método científico (que se baseia no método experimental e em dados factuais, não na fé), e não a simplesmente bater tecla e criar um software. Como iria Marcelo Rebelo de Sousa "É curto! Não chega."
O discurso apaixonado de Pedro Castanheira, faz-me lembrar o discurso do neo-guru do "bater punho", apadrinhado pelo maçon mor Relvas, Miguel Gonçalves. Como dizia o outro mesmo..? Ah sim, "Palavras são vento". Ter projectos culturais é bom, apoiá-los é óptimo, mas independentemente de quão ambiciosa ou grandiosa é a obra a que se propõe (ou especialmente quando o é ambiciosa e cara), deve-se ter extremo cuidado com a implementação. A ideia pode ser criada com fé, mas para correr bem, a implementação tem de ser realista e objectiva.
Até mais logo, espero...
P.S.S.: Deixo aqui o apelo para que façam novo visionamento do The Room agora já em Agosto, para eu poder ir. Decerto não serei o único interessado, uma vez que parece que o primeiro esgotou, segundo facebook do Nuno Markl.
Saudações, cibernautas, hackers, crackers,
anonymous et all!
The Governator is, but so am I… back!
Um muito feliz ano de 2013…
apesar das terríveis previsões que se faz para o que se avizinha para Portugal.
Mas previsões valem o que valem. Alguém acusou os Maias de preverem o fim do
mundo para 2012. Falharam. Depois já tinha de ser no dia 21 de Dezembro de
2012… por questões óbvias (que me escapam) de numerologia. Alguns ainda
esperaram até ao Fim de Ano pelo Fim. Como é dito no “Gladiador”: «… not yet.»
Por sua vez o Governo, também prevê coisas maravilhosas e estonteantes a cada
vez que lança novo pacote de medidas (contra) económicas para o país e o
resultado é sempre o mesmo desastre. Por isso, as previsões valem o que valem.
Corações ao alto, diz a minha mãe. Enfrentemos a tempestade quando ela chegar.
Falando de coisas aterradores, e
dando uma primeira explicação para a imagem de abertura desta entrada, Mark
Kermode, o meu crítico de cinema favorito e tido como o crítico de cinema mais
influente do Reino Unido, enquanto apresentando no seu vídeo blog o livro sobre
Monstros Cinematográficos de John Landis, reflecte sobre qual o monstro do
cinema que mais arrepios lhe causou. Eu creio que respondi a esse post na
altura, dizendo que para mim foi o monstro do filme “A Mosca” com Jeff
Goldblum. Contudo, para Kermode, o monstro que mais impressão lhe fez foi o de
um filme japonês (que eu nunca vi) chamado "Onibaba". É simplesmente um tipo com
uma máscara Hannya,
mas por alguma razão que ele não entende bem, dá-lhe arrepios pela espinha acima.
A máscara Hannya (般 若), que é usada primariamente no teatro Noh, mas também no teatro Kyogen e nas danças Kagura dos rituais Shinto, representa a alma de mulheres que se tornaram demónios através do ciúme ou da inveja. Possui dois cornos tipo touro, olhos metalizados e um sorriso doentio de orelha a orelha. Hannya é uma tradução para japonês da palavra Prajna, palavra que vem do sânscrito e que quer dizer Sabedoria.
A máscara oferece a possibilidade do actor a usar para exprimir emoções humanas. Vista de frente tem um aspecto demoníaco e furioso, mas se o actor que a usa olhar para baixo, encostando o queixo mais ao peito, a máscara assume um ar que inspira pena e dó, exemplificando assim a complexidade das emoções humanas.
Estas máscaras aparecem em várias tonalidades:
- branca: representa uma mulher de estatuto aristocrático;
- vermelha: uma mulher de classe baixa;
- vermelho escuro: demónios verdadeiros.
Falando em cinema e superstições,
ouvi uma vez dizer, também num filme, salvo erro no “Amo-te Teresa”, que
devemos entrar no ano novo a fazer o que mais gostamos, para o fazermos durante
todo o ano. Embora a superstição seja cada vez menos algo que me preocupe,
“quando em Roma…” Como tal, vou iniciar este ano de blogger com um post que
entre outras coisas contém uma crítica de cinema. No ano passado, estreou o
filme live action do Samurai X.
Eu sempre adorei essa série.
Achei que embora tivesse os exageros típicos da maioria das séries e filmes
anime no que diz respeito às técnicas e lutas, não tinha na sua maior parte
técnicas assentes em poderes sobrenaturais. Muitas das lutas de facto
assentavam em pormenores técnicos como o rodar de um corpo sobre um joelho até
este último por fadiga ficar lesado; ou o avançar de um pé específico para que
o desembainhar da espada não cortasse a perna de quem a empunhava; ou uma
técnica que assentava em dar um duplo golpe de mão com poder destrutivo e que a
única forma de o parar era um contra golpe em sentido contrário com a mesma
intensidade… a Força é MÁ, já dizia o meu professor de físico-química do
secundário; por exemplo, um guerreiro cego que todos pensavam ter poderes
sobrenaturais detinha apenas uma audição excepcional; um ninja que luta com os
punhos vazios dizia-se capaz de lançar um feitiço que impedia o adversário de
medir o comprimento dos seus braços, fazia-o de facto com mangas listradas que
causavam um ilusão de óptica e foi derrotado quando o adversário usa a espada
com régua para lhe medir o comprimento dos braços. Enfim, podia continuar.
Gosto deste tipo de pormenores porque também eu há muito que pratico artes
marciais e sei o quão grande é, ou tem de ser, a ênfase dos aspectos técnicos
pequenos que compõem cada golpe afim de o trazer ao seu máximo potencial. É
claro que na série isto é levado ao extremo, mas a ideia está lá. Por outro
lado, as personagens eram únicas e era fácil gostar delas, até dos vilões. Toda
a série se passa num ambiente de um mundo a acabar e outro a começar. Os
acontecimentos passam-se de facto numa altura de transição de um regime para
outro, com mudanças drásticas na cultura nipónica, que dificultou muito a
adaptação de um vasto e outrora poderoso sector da população japonesa, os
samurais. Isso também me agradou. As revoluções tendem a ser sangrentas e
horríveis, mas aquele período ainda de perigo e instabilidade logo a seguir a
uma revolução tem o seu je ne sais quoi de romântico. Como que um romance de
espionagem. Antes de começar com a crítica em si, devo dizer que nunca li a
manga, só vi o anime.
Gostei. Em comparação com o
Dragon Ball, o filme, este é uma obra-prima de adaptação cinematográfica (mas
também não era preciso muito).
Em termos de caracterização, as
personagens estão muito próximas dos originais, até nos penteados. Contudo,
tenho a dizer que em termos das personagens femininas não houve o mesmo
cuidado. A Megumi e a Kaoru estão demasiado parecidas no filme uma com a outra,
diferindo apenas na personalidade. Ora na série, a Kaoru era meio Maria Rapaz
sempre com o cabelo atado num rabo de cavalo, magrita e baixa, enquantoque a Megumi era alta, mais alta que o
Kenshin e com um longo e vasto cabelo. Mais mulher e mais feminina. Na verdade, espero que não considerem isto um comentário racista, pois não o é, mas achei difícil diferenciá-las, uma vez que na série eram tão díspares.
A história é fácil de seguir
sendo parecida com um dos arcos da série, aquele em que um cartel de droga, protegido
pelo grupo de ninjas comandados por Aoshi Shinomori, rapta a Megumi para ela
lhes fazer ópio. Basicamente é isso que acontece no filme, mas em vez do dito
cartel ser defendido pelo Oniwabanshū, é defendido por outras personagens que
eu desconhecia por completo, de um outro bando que se chama (segundo a
wikipedia) os Seis Camaradas. Por exemplo, Hanya é substituído por um desses
Seis Camaradas que também usa máscara, chamado Gein (imagem acima), e Shikijo (um guerreiro
que só usa os punhos) é substituído por outro dos Seis Camaradas que também só
usa punhos, chamado Inui (imagem abaixo). Já, Aoshi, um dos melhores adversários do Kenshin na
série e que depois se torna seu aliado, é substituído por um dos mais pérfidos
adversários de Kenshin, chamado Jinei. Se a ideia era não utilizar já Oniwabanshū,
para depois fazerem um filme dedicado a eles, até entendo, se bem que preferia
ter visto o Hanya e o Aoshi, às personagens que apareceram. Ou se calhar foram
fiéis à manga original, não o sei. Mas fiquei um pouco triste. Em particular
pelo Hanya, que é das personagens que mais curti na saga.
A outra parte da história, é a
explicação da cicatriz de Kenshin, o porquê da espada de gume invertido, e
algumas tentativas de trazer o Battōsai de volta ao espírito de Kenshin.
Essas tentativas, tal como na série, são levadas a cabo, por diferentes razões,
por Jinei e Hajime Saito, ambos também veteranos da guerra civil, ambos
experientes assassinos, como Kenshin Himura fora. Saito tornou-se polícia
especial, Jinei mercenário fora-da-lei. Na série, Saito quer reavivar o
esquartejador em Himura para ele estar a altura de defrontar Shishio. Aqui,
parece que o quer fazer reviver porque acha que ele não pode escapar a essa
natureza, já que ele (Saito) próprio não consegue. Já Jinei procura a morte que
não obteve na guerra, ou assim parece. Há ainda uma terceira parte da história,
mas antes de lá chegarmos, falemos de lutas.
Ora bem, por todo o filme, os
movimentos do actor que faz de Kenshin Himura são espectaculares, parecendo
conjugar perfeitamente golpes e movimentos próprios do Hiten Mitsurugi com o
Kempo real, fazendo uma perfeita mas realística importação da personagem do
anime para o live action. A luta entre ele e o Sanozuki, tal como acontece num
episódio da série, é retratada no filme. Não está má. A luta entre Kenshin e
Jinei está porreira. As cenas intermédias contra os dois membros dos Seis
Camaradas são escapatórias, embora tenha achado que não era preciso serem tão
animalescos e quasi-ridículos na luta que envolve o Sano. Fizeram-no parecer
apenas um bruto, quando ele na série era bem mais fixe que isso. Agora o que me
desiludiu foi a luta entre o Kenshin e o Saito, para mim a melhor cena de
pancada de toda a série do Samurai X, que vos deixo aqui.
Esta cena no filme é desprovida das emoções ou intenções viscerais que a sua homóloga em anime demonstra. Além disso, a ferocidade e engenho demonstrados na cena em anime e que eram demonstrativos de como lutavam os melhores dos melhores durante a carnificina da guerra civil, onde tudo valia e apenas a vitória importava, também se perderam na tradução. A intensidade dramática e o
sentido de perigo são retirados desta cena no filme, o que a faz tornar banal e
patética quando deveria ser central, a fim de dar alguma utilidade, senão
profundidade à personagem de Saito na acção. É que tal como foi feita esta
cena, a personagem do Saito era totalmente dispensável deste filme, porque
Jinei já faz o trabalho de tentar trazer o esquartejador ao de cima. O que para
mim é outra oportunidade perdida, uma vez que o Saito é uma personagem muito
porreira na saga do Shishio, que não só estimula o Kenshin a tornar-se mais forte
se quer mesmo esperar vencer o Shishio, como também estimula o Sano a tornar-se
mais forte se quer realmente participar do combate contra Shishio. Sem Saito, o
Shishio teria ganho. Ele não só é forte e fixe, como é essencial na série. Aqui
parece que foi metido só para agradar os fãs.
Já agora Jinei é o único que tem uma técnica mais esquisita que os
outros, mas a personagem logo na sua primeira utilização dessa técnica,
apressa-se a dizer que não é magia, apenas uma aplicação do Ki para criar uma
aura negativa que utiliza ou se alimenta do medo da pessoa para a imobilizar.
Até o podíamos explicar como uma forma de hipnotismo ou sugestão, mas isso
seria demasiado ocidental. Os olhos dele estão espectaculares.
A terceira parte da história, é a
criação do grupo central da história, Kenshin, Kaoru, Sano, Megumi e Yahiko,
como não podia deixar de ser.
Em vez de lhes chamar partes,
deveria talvez ter-lhe chamado lados, quiçá fios, porque na verdade, os três
fios estão bem entrelaçados numa única e, na sua maior parte, coesa sucessão de
eventos, que acontecem a um bom e rápido ritmo. Pena o desperdício do Saito.
Antes de terminar, quero ainda
abordar a cinematografia e a banda sonora.
A cinematografia é boa e
profissional, mas banal. Falta-lhe um pouco de magia do Oriente. Havia muitas
alturas na série em que víamos ruas a serem flageladas por chuva torrencial, ou
jardins com aquelas fontes em que uma fonte enche continuamente uma cana, até o
peso da água a desequilibrar e fazer despejar a água, apenas para retornar à
mesmo posição e recomeçar o movimento. Faltou esse tipo de coisa, feito com
estilo e em cenários reais. Ora gaita, o "Kill Bill" faz isso no último duelo do
Volume I. E não me venham dizer que este filme se esforça por não imitar ninguém,
porque um dos finais (e sim, como o LOTR – O Regresso do Rei, este filme tem
muitos finais antes do fim) é tão “O Último Samurai”. Embora, creio não estar em erro ao dizer que
a série de anime do Samurai X é anterior a qualquer um destes filmes, por isso foram eles
que imitaram a série e não vice-versa.
Quanto à banda sonora,
sinceramente nem reparei nela, o que é triste porque a banda sonora da série
para mim é muito fixe. Espectacularmente dramática, conseguia elevar o
contexto emocional das cenas de batalha ou de desenvolvimento da história ou das personagens, levando-nos a descrer que os bons iam
vencer, como não podia deixar de ser. E até eu, que não tenho nada ouvido
musical, poderia sugerir um main theme para o filme. A certa altura, decidi juntar as duas músicas dessa banda sonora que mais curti, sobrepondo-as. Para verem as vezes que já
ouvi esta banda sonora, enquanto treino, estudo ou escrevo, proponho-vos esta
experiência:
- Acima e abaixo encontram dois vídeos. O primeiro (acima) tem a música Hiten Mitsurugi Ryuu. Devem metê-la a
tocar e deixá-la ir até aos 1minutos e 9 segundos, nessa altura devem carregar
no play do segundo (abaixo) vídeo que tem a música Isshin Tenpuku Keekaku. Eu
curto bué as duas músicas e um dia corri esta experiência, acho que as duas
sobrepostas dão uma música soberba. Ah!, quase me esquecia, coloquem o volume
da Hiten a um pouco mais de meio da barra do som, e a Isshin a meio da barra.
;) Try it e digam-me o que acham. Isto, não é só o Meo que tem canal
interactivo, sabem? Eheheh
Em suma, gostei muito do filme, embora pudesse ter
sido ainda melhor, e espero que façam outro, desta volta com a história do Shishio, se
possível metam o Oniwabanshū lá p’lo meio. Talvez dois filmes, um em que o
Shishio contrata secretamente o Oniwabanshū para matar o Kenshin. O Kenshin
causa de alguma forma, ou aos olhos do Aoshi, a morte dos seus homens, e o
Aoshi acaba por se unir ao Juppongatana de Shishio. E o segundo filme, seria a
conclusão.
Antes
de me despedir quero só deixar-vos as últimas novidades que a Embaixada do
Japão me enviou, para o caso de vocês estarem interessados e ainda não
ocorrentes. Este é o email na integra, corrigido as anomalias criadas por um
vírus infeccioso conhecido por Acordo Ortográfico de 1990 (façam o gentil favor
de assinar a ILC contra o AO90, mais informações em http://ilcao.cedilha.net/), à excepção das imagens que
estavam infectadas dessa mesma virose. Como não são palavras minhas, o texto
está todo em itálico:
«A Embaixada do Japão tem o
prazer de divulgar os eventos em baixo indicados, agradecendo, desde já, toda a
divulgação que possa fazer sobre os mesmos.
Informamos ainda que em 2013
celebra-se os 470 Anos de Amizade entre o Japão e Portugal,
convidando-o(a) a visitar a página institucional desta efeméride,
através do link http://www.pt.emb-japan.go.jp/470Anos/index.html .
Muito obrigada pela sua
prestimosa colaboração e esperamos vê-lo(a) nos nossos próximos eventos!
Workshop de Origami - dobragens de papel
Data:
30
Jan.2013 - das 15h00 às 17h00
31
Jan. 2013 - das 10h00 às 12h00
1
Fev. 2013 - das 10h00 às 12h00
1
Fev. 2013 - das 15h00 às 17h00
Local:
Embaixada do Japão, Av. da
Liberdade, nº 245 - 6º | 1269-033 LISBOA | Tel.: 21 311 05 60 | Email: cultural@embjapao.pt
Todos os interessados só podem inscrever-se num dos 3
dias da formação;
Inscrição aceite só via fax ou Email
- não são aceites inscrições pelo telefone (a Embaixada do Japão só aceita
inscrições a partir do dia 7 de Janeiro de 2013);
A inscrição só é aceite após confirmação do Sector
Cultural, por telefone ou Email;
Inscrições limitadas a 22 participantes - após este
número, não aceitaremos mais inscrições.
Furoshiki é um pano tradicional japonês que é utilizado para
embrulhar e/ou transportar roupas, presentes, ou outros artigos. Pode ser liso
ou pintado, pequeno ou maior, adaptando-se às necessidades de quem utiliza esta
técnica. Quem sabe se não está aqui uma solução óptima para a próxima ida às
compras ou para surpreender um amigo?
Data:
30
Jan.2013 - das 10h30 às 12h30
31
Jan. 2013 - das 15h00 às 17h00
Local:
Embaixada do Japão, Av. da
Liberdade, nº 245 - 6º | 1269-033 LISBOA | Tel.: 21 311 05 60 | Email: bunka2@net.novis.pt
Notas
importantes:
O workshop é gratuito;
Todos os interessados só podem inscrever-se num dos 2
dias da formação;
Em jeito de despedida, é
engraçado notar que enquanto já utiliza nos seus emails oficiais o AO90 (cuja
constitucionalidade da sua implementação em Portugal está ainda por decidir em
tribunal, o desejo da sua implementação pelos povos que afectará não é o desejo
da maioria democrática dessas mesmas populações, e a falta de rigor técnico que
lhe é adjacente já é facto conhecido e anunciado por especialistas de um lado e doutro do
Oceano Atlântico e no continente Africano), a Embaixada do Japão em Portugal
ainda retém o C no seu Sector Cultural… se calhar, porque tem verdadeira
cultura, embora politiquices nela queiram interferir.
Um grande bem-haja, irmãos e
irmãs, amigo(a)s, camaradas, e um excelente 2013 vos deseja este meu, vosso,
nosso, N.I.N.J.A. Samurai!
P.P.S.: Peço desculpa por não ter legendado o vídeo do Dr K (Mark Kermode), mas mesmo sendo só 2 minutos e pouco de vídeo, o meu tempo é escasso. Até porque isso é a coisa boa de um blog, pode sempre ser editado mais tarde! Assim que acabar os exames corrijo isso. Não vos pedi desculpas
pelos meses de ausência aqui do blog, porque me tem sido de todo impossível
estar mais presente. São muitas coisas a conjugar e quando escrevo aqui, gosto
de levar o meu tempo afim da coisa ficar minimamente bem feita. Se ainda aqui
estão, é porque me compreendem e perdoam à partida. E como diria o Conan, se
não estão: “… to Hell with you!” ;)