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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Kaze Tachinu

Alegadamente, este será o último filme de Miyazaki, ou pelo menos este último voltou a anunciar, pela sexta vez, que se vai retirar do Cinema. Sendo sincero, e querendo primeiro “limpar a garganta” disso, devo alertar que, embora eu seja um admirador de Anime, não sou grande seguidor deste realizador. Particularmente, porque tenho a impressão que os filmes dele são muito feitos para crianças, enquanto que o que me atraiu para o Anime é que uma grande porção deste género é especificamente feita para adultos… e não, não me estou a referir apenas ao Hentai, seus tarado(a)s! Afinal, o Anime explora o fantástico, a ficção científica, mitologias e futurismos, de uma forma muito interessante, mas recorrendo às liberdades próprias da animação.
Contudo, este filme achei-o mais na tradição do Anime que eu admiro que na habitual fantasia “infantil-amigável”, quasi-paternalista do Miyazaki. Já o “Howl’s Moving Castle” deixava de lado o paternalismo e também com uma mensagem anti-guerra, verdade seja dita, embora ainda numa onda de absoluta fantasia. Mas este filme pretende ser mais realista, mais historicamente correcto e mais directo.
Acompanhamos a vida de um rapaz, o Hiro, que sonha com fazer aviões e cresce para se tornar num brilhante e dedicado engenheiro aeroespacial. Mas ele começa a sua actividade de escolha pela altura em que o Eixo do Mal original se está a formar, a aliança entre a Itália de Mussolini, a Alemanha de Hitler e o Japão de Hirohito, levando-o a exercer tendo em conta que irá fazer aviões para serem usados na guerra.
O filme é uma biografia ficcionalizada de Jiro Horikishi (1903-1982), o engenheiro responsável pelo Mitsubishi AM5 e o seu sucessor o Mitsubishi AM6 Zero, aviões que vieram a ser usados pelo Japão na II Guerra Mundial. O enredo é adaptado duma Manga homónima, escrita pelo realizador, que foi por sua vez ligeiramente inspirada num conto curto de 1937, escrito por Tatsuo Hori, e chamada "O Vento Elevou-se".
Ao longo do filme, encontramos um Japão inundado de pobreza, procurando desesperadamente “apanhar na curva” o então “mundo industrializado”, aspirando assim melhorar a sua riqueza interna e nível de vida. Uma lembrança interessante de que a austeridade normalmente precede a guerra. O filme lida então com questões morais, no sentido de que os que sonham em fazer belas máquinas voadoras têm de enfrentar o terrível facto de que elas irão primeiro ser usadas para o Mal. A certa altura, uma das personagens, um dos engenheiros, afirma que prefere “viver num mundo com Pirâmides”. É uma afirmação subtil mas que dá um enorme reforço a essa discussão moral que decorre no filme, uma vez que as pirâmides embora belas e um incrível testemunho do engenho e capacidade humanas, foram feitas com uso de trabalho escravo, por uma sociedade teocrática e totalitária. Ainda assim, sendo eu contra (e falo agora por mim) quaisquer tipos de escravatura e ditadura, também eu não gostaria de viver num mundo sem pirâmides e sempre que as vejo ser destruídas num filme, sinto-me enormemente triste. Continuando a falar de mim, e sendo que já fiz parte duma equipa que criou um protótipooriginal de avião telecomandado em miniatura, devo dizer que sei bem a alegriade vermos algo que nós ajudámos a conceber, construir e para o qual dedicámostempo e trabalho, voar é enorme e indescritível.
Este tipo de ideias assim subtilmente dando corpo e substância ao filme, a alusão à II Grande Guerra sem a abordar directamente, adicionadas a umas quantas de personagens que não sendo pró-guerra se vêm forçadas a dela participarem por força dos seus líderes, é uma óptima maneira de quase subliminarmente avisar as crianças para os perigos dos desejos de aumentar a nossa riqueza pela agressão para com os nossos vizinhos. O filme continua a ter fantasia, mas esta passa-se nos sonhos da personagem principal, encorajando o espectador a sonhar. Dessa perspectiva, eu tenho para comigo que este filme é possivelmente o melhor filme por Miyazaki, não só realizador mas também guionista, porque finalmente fala para as crianças não como crianças, mas como se elas já fossem adultas. Para mim essa é a maneira certa de falarmos como crianças e afirmo isto porque, já tendo sido crianças, bem sei o quanto odiava paternalismos das pessoas e desenhos animados fofinhos e desprovidos de qualquer maldade ou subtilezas realistas como, por exemplo, os Teletubies. Assim sendo, espero que este sexto anúncio de reforma não seja mais que o antecessor do sétimo e que o senhor Miyazaki continue a evoluir e a fazer belos filmes de anime. Porque independentemente da história, todos eles são belos.
Preciso ainda de dizer que achei, particularmente no início e pontualmente ao longo da obra, o filme parado, mas ganha bom ritmo à medida que passa do meio da sua duração e se aproxima do final. Gostei muito da história romântica que surge na segunda parte e que é toda ela trágica e adulta. Adorei as personagens, que estranhamente, à excepção de membros das polícias políticas dos regimes em questão, são todas boas pessoas, sendo a personagem principal um autêntico herói da vida quotidiana. Isto é, uma pessoa que está sempre no seu auge moral e trata os outros com todo o valor, independentemente do seu status social ou proveniência.
O Japão é também espectacularmente bem retratado, mais uma vez os tremores de terra são uma constante do sofrimento nipónico, e a cena do tremor de terra achei-a soberba.
Numa última nota, eu vi a versão dobrada em inglês e reconheci até Lars Von Trier a interpretar um alemão não nazi e que anda de facto a fugir da Gestapo, que é uma ironia deliciosa considerando toda aquela sua última controvérsia em Cannes, ainda não há muito tempo. Não reconheci a voz de Joseph Gordon-Levitt, muito para crédito deste último. Os desenhos animados, anime ou não, são das poucas coisas em que eu tolero a dobragem como substituto da legendagem, embora nem aí goste muito, por muito que perceba a questão económica. Há muito actor a precisar de emprego e esta é uma boa maneira de ganhar algum. É, para mim, a única boa justificação. É que eu aprendi inglês de forma nativa por ser criança num tempo em que nem os desenhos animados eram dobrados. E não fui o único e acho que é uma vantagem linguística que essa cultura da legenda traz aos portugueses e que deve ser defendida, embora não de forma fanática ou intolerante. Dito isto, o título em Português é uma tristeza... "As Asas do Vento"... é que não tem nada a ver com o título em Japonês e além disso é simplesmente patético. "O Vento Eleva-se" ou "O Vento Ergue-se" serviriam perfeitamente.
Em suma, um filme perfeito para os pais verem com os filhos e começarem desde pequeninos, quando se começa a torcer o pepino como diz o povo, a aprenderem sobre algumas das maiores asneiras da Humanidade, com as consequências das quais ainda vivemos, a ver se de futuro não cometemos os mesmos erros. É importante notar que este filmeestreou numa altura em que o Japão luta consigo mesmo para manter o artigo 9 dasua Constituição que impede formalmente o país de declarar guerra a outrospaíses, algo que eu já aqui abordei num post para o qual chamo novamente avossa atenção.


Como Post Scriptum e em jeitos de despedida, deixo-vos umas dicas de actividades para o futuro próximo.
Uma produção de Sandra Fanha, com realização de José Barahona, dia 27 de Junho no MU.SA (MUSEU DAS ARTES DE SINTRA), estreia "Vianna da Mota", numa projecção ao ar Livre (mais informações abaixo).




A Estação Espacial Internacional (ou ISS na sua sigla inglesa), uma adolescente de 15 anos feitos no ano passado, tem agora 4 "olhos" com os quais observa a Terra, sua avó/nossa mãe se quisermos personificar a coisa, numa experiência para escolher a marca e modelo de câmaras a usar de futuro nas suas operações. A NASA está a fazer live feed (ou seja a transmitir imagens em directo) na internet provenientes dessas câmaras, embora só se consiga ver quando a ISS está no lado diurno da sua rotação. (link aqui) Dura até Outubro.
Sayonara, tomodachi! ;)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Takarajima = "Ilha do Tesouro"








Por alturas do Natal, eu fico sempre nostálgico e reencontro todos os anos a criança que há dentro de mim. É bom fazê-lo porque foi até hoje o melhor tempo da minha vida e memórias tão felizes têm força suficiente para nos escudar contra o cinismo que parece inerente ao ficarmos adultos. Daí os jovens serem mais idealistas e os adultos desdenharem os que acreditam em ideais. Não todos felizmente, apenas aqueles que foram derrotados ou envenenados pelas vicissitudes da Vida e que deixaram morrer a criança que outrora morou dentro deles.
Foi a melhor época da minha vida porque não tinha preocupações nenhumas e os meus pais viviam bem na altura em termos monetários, permitindo-me comprar brinquedos quase todas as semanas! Além disso, ainda tinha os meus 4 avós comigo e era o puto da família, sendo apaparicado por todos! Costuma-se dizer "Para criar uma criança é preciso toda a aldeia!". Bem, eu tive a aldeia e isso já ninguém me tira!
Aos sábados de manhã deleitava-me com desenhos animados épicos e heróicos como hoje já não há, nem no oriente nem no ocidente (e já explico esta afirmação). Às escondidas, via filmes, que o meu pai gravava no velho formato VHS, que não devia ver (Exemplos: Terminator I & II, Predator I & II, Robocop, The Fly, Evil Dead, Cyborg, Rambo) e também via outros que eram próprios para a minha idade (Exemplos: Karate Kid I & II, TMNT I & II, Caça Fanntasmas I & II, Army of Darkness, etc...). Pelo meio, via filmes de acção habituais do Van Dame, do Chuck Norris, do Jacky Chan, do Governator, do Bruce Willis e do grande Bruce Lee. Assim como também via séries como Os Imortais, O Justiceiro, Esquadrão Classe A e o grande McGyver! Por ver estes filmes e séries tantas e tantas vezes, acabei por aprender a falar inglês sozinho e quase como se fosse também uma primeira língua. Tudo começou porque eu tenho uma leve dislexia e quando era puto odiava ter de ler legendas. Como as pessoas da minhas geração saberão, em Portugal, os filmes não eram dobrados mas sim munidos de legendas. Então acabei por ir aprendendo. Por ouvir os meus primos dizerem Man uns para os outros e mesmo para mim (percebendo ser uma cena fixe), perguntei ao meu Pai o que Man queria dizer. "Homem", disse-me ele rindo-se. E eu disso "Homem?! Só isso?? Que tem isso de fixe?". Foi assim que comecei a despertar para a linguística.
Mas voltando ao que queria falar. Na década de 1990, o Anime começava a ganhar proeminência no Ocidente. Séries como os Cavaleiros do Zodíaco e a Ilha do Tesouro são as que melhor me lembro, sendo que gostei muito mais da que dá título a este post que dos Cavaleiros. É que Cavaleiros do Zodíaco tornava-se chato por ser incrivelmente repetitivo... e quase ninguém morria. Já na Ilha do Tesouro, pessoas chave morrem e logo desde os primeiros episódios, tal como no livro original. É isto de que falo quando falo de séries épicas. Hoje em dia a maior parte dos desenhos animados não lidam com a morte e depois admiram-se de crianças por vezes matarem colegas de escola por andarem a brincar ao Dragon Ball ou algo do género. É que nessas séries a morte é inconsequente, o pessoal pode sempre reavivar toda a gente. Ou então, mesmo depois de levar tanta paulada, estão bem. E fazem isto dum ponto de vista sério e não cómico como por exemplo nos Looney Toons. Não admira que as crianças fiquem baralhadas e essas terríveis situações aconteçam. É bom falar da morte quando se é pequeno, até porque as crianças não são nada burras e têm uma capacidade de aprender muito maior que a de um adulto. Falo de experiência quando digo, por exemplo, que é muito mais fácil aprender línguas em criança que em adulto. "De pequenino se torce o pepino!", diz o meu povo! Além disso, basta olharmos para os clássicos contos de criança, histórias de cautela e de terror, em que pessoas efectivamente morrem, como no Capuchinho Vermelho ou no Hansel e Gretel, ou mesmo o João Ratão. A minha mãe ainda hoje me goza porque eu lhe pedia para me contar estas histórias, com 3,4,5 anos, e sempre que as ouvia chorava baba e ranho. Lidar com a morte em criança não nos torna insensíveis em adultos, dá-nos é uma maior sensibilidade e respeito para com o tópico e até mais tempo para aprofundar o nosso conhecimento sobre ele. Só é preciso é ter adultos à volta das crianças que não tratem os assuntos como a Morte como tabus e estejam prontos a guiá-las nesses primeiros encontros. Não paternalizem as crianças. Falem com elas de igual para igual, dentro dos possíveis... mais cedo ou mais tarde, com ou sem o vosso conselho, elas saberão as verdades da vida. Mais vale que seja mais cedo e num ambiente familiar. Garanto-vos!



Sobre a Takarajima...





O John Long Silver era esplendoroso, tanto tinha medo dele como queria fazer parte da sua tripulação! Creio que era isso que o Jim desta série, desta versão da Ilha do Tesouro, sentia também. Curtam só o riso maníaco do gajo:


Depois havia o Gray, que era a minha personagem favorita, e de todos é o que tem a morte mais poética no último episódio. Ainda assim, não estou certo de que esta personagem existisse na história original. Ele era o bacano que atirava facas, que não era central mas era letal e safava as cenas no último momento, de tempos a tempos. As outras personagens dos "bons", como os putos dizem, (o médico magistrado, o ricaço, o capitão, o cozinheiro, entre outros) também eram porreiras e o Jim era uma personagem que nenhum miúdo se importaria de ter como avatar naquele mundo de aventuras. Como podem ver (spoiler alert) no video seguinte, alguns deles morrem durante a série:


Os piratas conseguiam, aos olhos duma criança, meter medo. Especialmente o velho e cego Pew e o próprio Long John. Contudo o próximo video é um musical que encontrei no youtube e que mostra um lado mais "boa onda" dos piratas!


Esta série correu do início da história até ao fim, algo raro nas séries de TV, que são canceladas antes de chegarem a uma conclusão. Gostava de a rever na sua totalidade como ela deu na RTP1, há incontáveis anos atrás! Infelizmente o DVD saiu com dobragens em francês e em alemão, mas não em Português, o que considerando que é a 5ª língua mais falada mundialmente, não se percebe. Até porque, salvo erro, foi das poucas séries dobradas da época. Razão pela qual, quiçá, eu não falo japonês! ahahahah Deixo aqui o pedido que façam uma edição do DVD com versão portuguesa. Falem com a RTP, que eles têm lá os ficheiros de áudio de certeza! É uma série sempre actual originada por um clássico da literatura, e que qualquer criança vai gostar.
http://www.imdb.com/title/tt0296435/
Para mim, a minha infância é a minha ilha do tesouro, escondida já por um oceano cada vez mais vasto de memórias. Mas no baú desse tesouro, entre outras, esta série está bem guardada contra os efeitos do tempo!
Despeço-me então, deixando-vos com um video de homenagem ao Gray (BIG SPOILER ALERT).



Sayonara... 4 now!



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Anime - Como remakes deveriam ser feitos...

Para fazer um breve interregno no tópico do Karate (para mim obviamente fascinante e interminável, e o qual sem dúvida voltarei a abordar aqui no blog), e motivado por ter visto ontem um filme de anime que ainda não conhecia, vou hoje abordar o Anime.
É um sub-género de cinema e mais que isso é uma sub-cultura. O que inicialmente me atraiu no Anime foi a sua potencialidade e aptidão para tocar na ficção científica e no sobrenatural, sendo que descobri este tipo de cinema ao mesmo tempo que deixei de ler bd (que ainda hoje me faz as delícias) e comecei a ler livros de Sci Fi, particularmente da massiva colecção de livros de bolso do meu pai. Subsequentemente e graças à originalmente gloriosa Sic Radical, descobri todas as outras avenidas do Anime, como a veia mais cómica que sinceramente não me diz muito porque não acho grande piada ao estilo de humor utilizado, ou a veia pornográfica do sub-sub-género do Hentai (essa sim por vezes espectacularmente cómica:).
O filme que vi e que motivou esta entrada chama-se Demon City (Makaitoshi Shinjuku). O título em versão inglesa lembrou-me imediatamente de um outro filme que já vi repetidamente e adorei chamado Wicked City (Yôjû toshi), o qual já tinha reparado partilha o esqueleto do enredo com o clássico da animação japonesa intitulado Ninja Scroll (Jûbê ninpûchô). Quando digo que partilha o esqueleto do enredo refiro-me a que ambas as histórias tratam as aventuras de um velho com uma agenda muito própria, uma rapariga corajosa (mais ou menos poderosa conforme o filme) e um homem que será o objecto de amor dessa mulher corajosa e quem no final terá de derrotar o chefe dos demónios que os três defrontam para atingir os seus diversos objectivos. Ora, não me espantou nada que o Demon City também tivesse esta estrutura básica. Mas o mais engraçado é que embora a planta destes três filmes seja a mesma, as variadas nuances fazem com que valha a pena ver todos os três. No resto do post vou referir-me aos filmes por 1º,2º e 3º, quando tal acontece em geral é devido à ordem cronológica: o Wicked City (1987) foi o primeiro; o Demon City (1988) veio depois; e o Ninja Scroll (1993) foi o último a estreiar.


O Demon City é sem dúvida o mais meloso, mais próprio para uma audiência juvenil, embora haja um gore versão light. Mas a rapariga é nova e ingénua, não tem qualquer poder supra-humano, e não há qualquer cena erótica ou sexual no filme, embora haja uma cena à James Bond com uma personagem que não faz parte do esqueleto partilhado dos filmes e que nem cheguei a perceber exactamente o seu papel. Mas chama-se Mefisto (um nome de demónio que também é usado por uma personagem do universo Marvel), é um gajo todo estiloso que faz lembrar o vampiro Alucard da série de anime Helsing (que na minha opinião foi mal escrita, embora eu tenha gostado muito do seu universo. Mal escrita porque deixou demasiado por explicar. Por exemplo, como é que o pai da Helsing conseguira vincular o Alucard à sua vontade, sendo o Alucard tão poderoso). Há também outra personagem que é um puto de rua que até é interessante. É um sobrevivente e isso chega para me fazer gostar dele. Julgo que estas duas personagens surgem para mitigar a aparente falta de confiança e de vivência do casal principal. http://www.imdb.com/title/tt0094995/



No Wicked City, acontece exactamente o contrário. O filme abre logo com uma cena em que o herói é engatado por uma gaja num bar e corta para uma cena de sexo abertamente erótica. E esse erotismo ecoa o filme todo em variadíssimas outras cenas. De facto, o velho mestre neste filme faz-se passar por um velho tarado e indefeso durante todo o filme. Mas existe uma razão para tal que só é dada quando no fim se percebe as diversas agendas de todos os envolvidos. O herói neste filme não carrega uma katana, mas tem antes um poderoso e futurista revólver, e é mais próximo de um James Bond cruzado com Dirty Harry (por causa da Magnum 44) do que com um samurai. (Se bem que seria fácil comparar o Bond a um samurai... mas isso fica para outro dia.) Mas é uma personagem que pretende ser cínica e nada romântica, o típico engatatão que nunca se apaixona, até a Maki lhe quebrar o gelo em torno do coração. Contudo a heroína do filme é a versão demoníaca do próprio herói e como tal tem bastante mais poder que ele, mero humano. Uma nuance engraçada face aos outros dois filmes é que o herói é logo avisado (por várias personagens que o conhecem e sabem da sua veia Don Juan) que não deve ter nada com ela sexualmente, até porque corre o rumor que se um homem mortal copula com uma demónio, ou morre de seguida ou fica para sempre com disfunção eréctil. Mas o sexo não é desnecessário nem gratuito neste filme e no final entendem porquê. http://www.imdb.com/title/tt0098692/


Já no Ninja Scroll temos um belo equilíbrio. Existe algum erotismo, mas não tão carregado como no Wicked City, o herói e a personagem feminina começam por ser como um cão e um gato, mas acabam por se apaixonar, mas neste caso e muito cedo no filme sabemos que a jovem Kagero tem um poder deveras estranho e que é uma maldição mais que uma benece. Ela é venenosa, um mero beijo dela mata um ser humano normal, o que os impede de consumarem o amor deles sexualmente. Já o Jubei é um ninja a soldo, sem lealdade a ninguém excepto a si mesmo, característica que partilha com o herói do Demon City além da arma de ambos ser uma espada (respectivamente, uma de bambu e outra de bom aço nipónico). Contudo, o Jubei é um homem feito, seguro das suas capacidades e que, como o Renzaburo Taki, procura apresentar-se como cínico e insensível. Ainda que o Taki fosse um Black Guard e devesse lealdades e o Jubei não. Portanto, o Jubei é um misto dos dois heróis que o precederam. Assim como se calhar a Kagero também é um misto da ingénua Sayaka (Demon City) com a sabida mas amorosa Maki (Wicked City). http://www.imdb.com/title/tt0107692/

Em todos estes filmes, o velho é pouco mais que um manipulador e/ou observador dos acontecimentos, embora seja o jogador de xadrez num dos lados do tabuleiro. A verdade é que gostei de todos estes filmes e acho que cada nova reencarnação desta mesma história consegue ser um bom recontar da mesma e sempre acrescentar uma nuance que a torna completamente diferente, sem que perca a empatia das personagens, mantendo ainda assim a mesma estrutura facilmente reconhecida de um trio (um casal e um velho sábio) que defronta uma série de demónios para manter um período de paz na Terra. Holywood deveria estudar estes filmes para aprender como se fazem remakes bem feitos. Se bem que gosto mais das personagens no Wiked City e no Ninja Scroll, ou seja primeiro e último da série, do que no Demon City, mas apenas porque as deste último são em geral mais novas e ingénuas, enquanto que as dos outros dois são bem mais cínicas e quebradas pela vida. Por outro lado, é isso que torna esse filme diferente dos outros dois.
Sendo eu como sou, fui pesquisar no IMDb e descobri que o escritor Hideyuki Kikuchi é responsável pelas histórias tanto de Wicked City como da Demon City, e já agora foi também este senhor que criou a história do Vampire Hunter D, que eu também gosto muito. Já o realizador/escritor Yoshiaki Kawajiri ajudou a criar as personagens dos 3 filmes e realizou o Wiked City e o Ninja Scroll. Logo, as coisas não acontecem por acidente. Quanto ao Ninja Scroll já há algum tempo que se ouvem zum-zuns na net sobre fazerem uma versão live action. Pelos vistos o IMDb confirma que tal irá acontecer, embora ainda esteja em fase embrionária e sem data de estreia: http://www.imdb.com/title/tt1314656/
Outro desenvolvimento interessante, que descobri apenas quando andava à procura de imagens para este post no google, é que aparentemente vai haver um filme Live Action do Wicked City. Eu não gosto muito quando fazem estas transições, mas verdade seja dita a versão Live Action em 3 filmes da série Death Note tá brutal, pelo que vou ver o filme assim que possa e possivelmente digo-vos o meu veredicto daqui a uns tempos.







Sayonara `_´

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Eventos em Setembro e Outubro por todo o Portugal

Boas... as férias estão a terminar, bem como a disponibilidade para "blogar". Podia ter-me dedicado mais a isto do que o que me dediquei durante as férias é certo, mas também o meu blog é antes de mais um prazer para mim e não um obrigação. Uma maneira de dar a conhecer aos lusófonos uma cultura que me fascina, ao mesmo tempo que aprofundo o meu saber sobre essa mesma cultura.
Por outro lado, os meus esforços a nível literário viram-se divididos durante este período de pausa porque estou a empregá-los a 3 frentes muito distintas umas das outras. Uma é este blog, a outra é um guião que desejo vir a tornar num filme, e a última é o meu romance que nada tem a ver com o Japão. Cada uma destas frentes exige uma pesquisa específica e distinta das restantes, o que me ocupa tempo. E é certo que não passei o verão sentado ao computador, uma vez que é isso que faço durante todo o ano lectivo, seja pelos estudos ou pelo trabalho. Dito isto, recebi mais um boletim informativo da embaixada do Japão em Portugal, sobre o qual vou fazer alguns destaques, mas deixarei também um link no final deste post para o pdf informativo que tem mais informações caso desejem saber mais!



EM SETEMBRO:


Ora bem, comecemos pela exposição intitulada "Japão, o paraíso das mascotes", que trata a subcultura da Manga e Anime, em particular os conhecidos íconos da cachopada Hello Kitty e Pokémon. Acho que é também interessante para pessoal de design/marketing uma vez que estas marcas vendem bastante merchandising, algo que os Portugueses deviam valorizar e vender mais. Exemplos nacionais do género, foram o Gil, a mascote da Expo 98, e o Quinas, mascote da Selecção Portuguesa de Futebol. Esta disposição começou a 19 de Agosto e terminará a 18 de Setembro e tem lugar no Museu do Oriente em Lisboa.

De seguida temos um espectáculo de dança contemporânea intitulado "Mademoiselle 8", que terá lugar no dia 8 (amanhã) no Museu do Oriente e depois no dia 10 (sábado) no Centro cultural Malaposta.


Para o pessoal de Coimbra, no dia 25 deste mês, será lá disputada a Taça Internacional Kiyoshi Kobayashi. Terá lugar no Pavilhão Multidesportos de Coimbra.


Duas palestras sobre cultura e culinária nipónicas decorrerão em Santarém, dados pelo Ministro da Embaixada do Japão, o sr Tatsuo Arai, no dia 17 deste mês, Na recém inaugurada Casa Museu Passos Canavarro.


Entre 26 de Setembro e 28 de Outubro, decorrerá na Delegação económica e Comercial de Macau em Lisboa, uma exposição de pintura da artísta nipónica residente no Algarve, Takae Nitahara.



EM OUTUBRO:


Para arrancar bem o mês, no dia 1 de Outubro, está programada decorrer a "Japan Festa", no Jardim do Japão em Belém, com hora prevista de começo às 12h! As mais emblemáticas formas de cultura nipónicas estarão representadas, como Ikebana, Origami, artes marciais, caligrafia, Haiku, etc...


De 12 a 16 de Outubro, decorrerá uma exposição que é o "Encontro da Arte Japonesa com o Vinho Português" Decorrerá na Pousada de Palmela, entre as 10h as 18h dos dias, supramencionados. METADE DO DINHEIRO DA VENDA DAS OBRAS ARTÍSTICAS EM EXPOSIÇÃO SEGUIRÁ PARA AJUDAR AS VÍTIMAS DO TERRAMOTO DO LESTE DO JAPÃO!


WORKSHOPS:


A 15 de Outubro, no Funchal, haverá um workshop e demonstração do boneco mecanizado tradicional do Japão, chamado "Karakuri Ningyo".


Nos dias 24 e 25 de Outubro, decorrerá no IADE, em Lisboa, um workshop sobre Ilustração e Animação. O evento é co-organizado com a Universidade Politécnica de Tokyo.


O Japan Language Proficiency Test, decorrerá no dia 4 de Dezembro na Universidade de Letras do Porto.


Para mais informações sobre estes destaques (como contactos ou confirmação de datas) sigam o link que vos deixo abaixo.

Eu pessoalmente quero ir ao Japan Festa, à exposição de Takae Nitahara e adorava ir à exposição do boneco articulado, mas não tenho como ir ao Funchal! Deixo aqui a nota aos responsáveis, que façam esse workshop também em Lisboa, Porto e Faro!



Sayonara... por agora!