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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Atentemos ao Prólogo, ao eco de Abril

Eu disse no meu Facebook, na segunda semana de campanha, que “a bola está com o povo” e não errei. O povo português castigou os PaF, que mesmo assim tentaram disso fazer uma vitória. O povo português fortaleceu a CDU e o BE, não dando a maioria ao PS, forçando este último a, se quiser governar liderando, terá de fazer entendimentos à Esquerda.
O PS não tem maioria, nem sequer relativa. Mas o PS tem a maioria entre as forças da Esquerda (ou seja, pode liderar essas forças num entendimento de governo), e a Esquerda (unida jamais será vencida!?) tem a maioria absoluta no parlamento pós eleições legislativas de 2015.
Portanto, neste momento, em que CDU (onde eu votei) e BE estão alinhados nas questões macro-económicas (e, asseguro-vos, nenhuma destas forças políticas quer sair do Euro, nem no dia em que sejam empossadas como governo de coligação com o PS, nem dois anos depois, nem 4 anos depois – explicarei mais adiante porquê), em que os portugueses decidiram espalhar uma maioria absoluta por três partidos que se assumem como de Esquerda (como que a garantir que para eles governarem teriam de se entender), se surgir um bloqueio entre as forças de Esquerda, esse bloqueio é objectivamente gerado no PS. Se há 3 partidos e dois estão alinhados, se o terceiro não se abre ao diálogo real e sincero para tomarem conjuntamente as rédeas do país, ainda em profunda crise, para resolver essa crise com soluções de esquerda (visto que as de Direita falharam), então objectivamente esse terceiro partido não quer governar à Esquerda e, portanto, constitui o Bloqueio à Esquerda de que tanto se fala neste país e que se costuma atribuir ao PCP.
Completando este xeque (se me permitirem uma expressão do Xadrez), pois é em posição de xeque que o PS está actualmente, o próprio PCP apela ao PS para se juntar à Esquerda (e não há Direita), afirmando que o PS tem condições (ou seja, que há condições para se forjar um acordo entre os 3 partidos da esquerda no parlamento) para retirar da equação de governação a Direita e governar à Esquerda. O PCP afirmou que o PS só não é governo agora se não quiser e que o PaF só será governo se o PS deixar. O BE está em uníssono com o PCP nisto. Mas há mais…
Como é conhecido, o centro-esquerda convencional (a Internacional Socialista) está em vias de extinção como alternativa de governo. Repare-se que na Grécia, o PASOK desapareceu para níveis de votação próximos do KKP (o partido comunista grego, ~6% dos votos), sendo substituído pelo Syriza, que ocupou o centro esquerda grego de tal forma que já nem lhes chamam radicais. Os Trabalhistas no Reino Unido não conseguem retirar o poder aos Conservadores. Possivelmente o Podemos poderá roubar o eleitorado do PSOE em Espanha brevemente. E sabemos bem as dificuldades do monsieur Hollande em França (que embora no poder, pouco pode ou pode pouco) e está sempre baixo nas sondagens. Isto acontece por várias razões.
Historicamente, os Socialistas Europeus eram a alternativa à Esquerda para quem não queria votar nos Comunistas ligados à URSS. Mas o Muro caiu, o mundo mudou, e a maioria dos partidos comunistas mudando com o mundo acabaram por definhar. O PCP, que se manteve fiel a si mesmo, é dos poucos partidos comunistas com peso real na política do seu país. Mas agora que já não há União Soviética, qual é o papel dos Socialistas? Nesta perspectiva, os Socialistas tiveram de mudar necessariamente e o que fizeram foi ocupar o centro, assumindo políticas económicas de Direita num mundo onde, aparentemente, o Capitalismo venceu a Guerra Fria. Qual o problema disto? É simples. A casa ganha sempre! Se se vai jogar no terreno do outro, segundo as regras do outro, é normal que o outro nos ganhe o jogo. O erro dos Socialistas materializa-se no actual Tratado Orçamental, exclusivamente criado segundo pressupostos económico-financeiros do Centro Direita, que não permitem aos Socialistas (se estes o respeitarem à letra) executar políticas económicas de Esquerda e, dessa forma, não se conseguem apresentar como uma verdadeira alternativa às forças políticas do Centro Direita. Isto, em traços largos, explica o definhar dos Socialistas Europeus.
Se António Costa for realmente, como dizem e esperam muitos socialistas e simpatizantes do PS que nele votaram, um homem politicamente inteligente e que deseja governar o país, à Esquerda como afirmou em Campanha e como alternativa ao governo PaF, perceberá que a única forma de transformar esta derrota eleitoral numa vitória estrondosa é fazer cumprir a vontade da maioria absoluta em Portugal e criar um governo de coligação PS-BE-CDU, tornando-se Primeiro-Ministro legítimo de Portugal.
Só dessa forma, Costa poderá salvar não só a sua carreira política, como o próprio Partido Socialista da extinção.
A primeira parte da frase acima será fácil de perceber porquê. Costa só poderá converter esta derrota eleitoral do PS numa vitória, se se tornar primeiro-ministro apesar dessa derrota. E pode sê-lo, pois a CDU e o BE estão a isso abertos (e as condições que pedem, de que falo mais abaixo, são fáceis do PS satisfazer). E só convertendo uma derrota numa vitória, poderá Costa sobreviver como líder do PS. Reparem que se o PS se coligar à PaF, no máximo roubará o posto de Vice Primeiro-Ministro ao Portas, nunca poderá liderar essa solução de governo. Isto é claro e inequívoco. Mais, se Costa sair agora derrotado, a sua carreira política acabou. Portanto, por auto-preservação Costa tem de fazer o que Sócrates não teve coragem para fazer em 2011: unir a Esquerda em Portugal, quebrar o bloqueio à Esquerda e, dessa forma, governar. Esta é também a forma de Costa se descolar e distinguir do fantasma (político) de José Sócrates! É um dois em um.
Não era essa a força de Costa, ser bom a criar entendimentos?
A segunda parte da frase é igualmente lógica. Para o PS se manter um partido de Centro-Esquerda, não pode agora aliar-se a uma direita castigada nas eleições (pouco, na minha opinião, mas eficazmente) em mais de 700 mil votos.
Mais, em situação de ainda crise nacional (dívida altíssima e impagável nos moldes actuais, o desemprego altíssimo mesmo que usemos os números oficiais e sem que o emprego cresça, um défice descontrolado, um PIB retornado a níveis de 2001, com o Estado Social a ser privatizado e em risco de implosão, etc…), se o PS tem oportunidade de liderar uma maioria absoluta, pode mesmo escusar-se de o fazer perante o país apenas na esperança de causar uma crise política mais tarde e governar sozinho?? Não terá isso um pesado custo político?
O partido Socialista tem uma imagem a manter (e já dizia o Salazar da sua cadeira abaixo “Política é Perceptibilidade”) que não se pode dar ao luxo de perder: a imagem de um partido que assume responsabilidades de governo e que é responsável. Portanto, a sobrevivência política do PS depende, única e exclusivamente, da sua capacidade de tomar as rédeas do país agora. Se não o fizer, não se lembrarão disso os Portugueses daqui a dois anos? Não dirão “Esses xuxalistas só querem é tacho! Porque não governaram logo em 2015?” E não votarão esses portugueses então antes à esquerda no BE e na CDU, ou à direita no CDS e no PSD? Não perderá o PS a sua posição no espectro político nacional se lançar os dados de forma tão descuidada e abertamente interesseira? Eu acho que sim. Se o fizerem, condenar-se-ão à implosão, como o PASOK. E acreditem, o Bloco e a CDU estarão lá para capitalizar dessa implosão e facilmente se coligarão.
Concluindo então que, tanto António Costa, como o próprio PS, necessitam de forjar este governo maioritário de Esquerda para assegurar as suas respectivas sobrevivências políticas, analisemos as condições para esse acordo de Esquerda:
1ª - as sondagens que davam a vitória (relativa, na verdade empate técnico) ao PaF nas últimas eleições, invariavelmente demonstravam que, ainda assim, a maioria dos portugueses preferia um governo de coligação de Esquerda. Respeitando a vontade dessa maioria (absoluta) de portugueses, um tal governo de Esquerda teria, não só o apoio da maioria do povo, como também a concertação social facilitada visto conseguir dialogar facilmente tanto com UGT como com CGTP, por razões a todos óbvias. Mas mais que as sondagens, os votos dos portugueses são expressivos, e nisto tenho de agradecer o artigo do Daniel Oliveira no Expresso, que é esclarecedor. O PS não perdeu por virar à Esquerda, perdeu porque muitos votos do Centro fugiram-lhe para o BE e para a CDU que estão à esquerda do PS, visto que a coligação perdeu votos e o próprio PS teve mais votos face ao que teve nas eleições de 2011. Ou seja, todos os partidos de Esquerda cresceram face aos resultados de 2011, incluindo o PS, mas o PS não foi esquerda o suficiente para convencer a maioria desses eleitores que deixaram de votar PaF sem se absterem, e que acabaram maioritariamente por votar no Bloco de Esquerda. Isto para clarificar que o povo (a maioria, neste momento) quer Esquerda no Governo. Logo o PS está legitimado para liderar essa solução, por mais que isso desagrade a Cavaco, Passos e Portas et all ad noseum;
2ª - o PCP (no âmbito da CDU) aligeirou muito o seu discurso anti-euro, afirmando claramente duas coisas: devemos preparar a saída do Euro para termos um plano B quanto mais não seja para o caso de não termos outra escolha; mas, nessa matéria, como em todas o PCP (a CDU) respeitará a vontade dos portugueses. Desta forma, no ponto que talvez fosse mais difícil o entendimento, o PCP dá todo o espaço de manobra ao PS, não insistindo numa saída do Euro, apenas no estudo de como se fazer uma possível saída, que pode bem nunca vir a concretizar-se se o Euro (enquanto moeda) se aguentar. O BE há muito que tem uma posição aberta (podemos sair, podemos ficar) quanto ao Euro, portanto não levantará nisto objecções;
3ª - há toda uma série de políticas que ficaram por executar durante 4 anos que são comuns a toda a Esquerda Portuguesa. Obras estruturais para alavancar a economia (renovar linhas de caminhos de ferro, portos, estimular a pesca e a agricultura), a redução da carga fiscal nas famílias e na restauração, a questão da co-adopção (e raios, a adopção completa) por casais LGBT, a restituição do estatuto de isenção dos dadores de sangue para evitar a escassez deste elemento no SNS, resolver a questão do desperdício de plasma (de preferência lucrando disso o SNS, tornando-se mais sustentável, e não as Farmacêuticas), a restituição do anterior regime da IVG desfigurado pelo governo PaF, desfazer o mal que este governo fez na Educação e na Justiça (que se se tornarem mais ágeis, actuais e eficazes, ajudarão a estimular a economia portuguesa), fortalecer os direitos laborais, salvaguardar as pensões, etc... Estas serão as bases para um entendimento de governação. Dir-me-ão as vozes da Direita “E o Dinheiro vem de onde?”! Vem dos dinheiros comunitários (porque não sairemos da UE) & da libertação de verbas estatais do Serviço da Dívida (pagamento de juros) oriunda de uma renegociação da dívida. E claro da captação de investimento privado.
4ª - António Costa pediu ao PS um mandato para poder dialogar à sua Esquerda sobre a renegociação da dívida. Já falei disto, é algo não só natural mas (e reparem como posso usar os argumentos da Direita) NECESSÁRIO de fazer se queremos pagar a dívida e, dessa forma, recuperar algum do nosso nível de vida e soberania nacional. As empresas fazem renegociação das suas dívidas com toda a naturalidade quando chegam a situações bem menos más que aquelas em que o nosso país está. Não é um bicho de 7 cabeças. E podemos e devemos fazê-lo indo ao encontro da Troika, bem acompanhados dos nossos pares Irlandeses e Gregos, quiçá até Espanhóis e Franceses. Pode e deve começar uma mudança na Europa, que começa a mostrar perigosos sinais de se encaminhar cegamente para a auto-destruição. Podemos inverter esse rumo, mas só em grupo. Aprendamos com a Grécia, não podemos ir sozinhos enfrentar os credores;
5ª - e quanto ao Tratado Orçamental, o Hollande (um socialista europeu) já o congelou (como o PaF por cá fez a carreiras e pensões), por isso nós, não tendo necessariamente de o rasgar (mais uma vez espaço de manobra que BE e CDU dão ao PS), podemos simplesmente dizer que não vamos cumpri-lo durante 4 anos para nos reerguermos e podermos realmente ter condições de o cumprir, SE ASSIM DECIDIRMOS NO FUTURO.

Estão então reunidas as condições dum governo maioritário de Esquerda, com o PS à sua cabeça, coligado com BE e CDU, com uma maioria absoluta estável como o Cavaco quer/exige (embora não fosse esta que ele quisesse). Não só estão reunidas essas condições como é do interesse do PS e do seu actual líder, por questões óbvias de sobrevivência política, que tal governo se venha a fazer. Até João Soares, que na altura das Primárias era pelo Seguro(e percebe-se que os Seguristas são no PS actual a ala direita), afirmou que Costa tem de se coligar à Esquerda. Até Cavaco, implicitamente disse a Costa que coligar-se à Esquerda é a sua única saída, quando disse que esperava “que os partidos” (leia-se o PS) “ coloquem à frente dos seus interesses” (leia-se sobreviver politicamente) “os interesses de Portugal”. Acontece que, na sua habitual cegueira sectária, Cavaco Silva se esqueceu que prometeu ainda antes da campanha eleitoral que só empossaria um governo de MAIORIA ABSOLUTA (que a Esquerda pode e deve fazer). Ao mesmo tempo, os Portugueses ouviram Cavaco e deram essa maioria absoluta à União da Esquerda.
Qual é então a dúvida, senhor Costa? Tem a bola nos pés, quer marcar golo ou auto-golo?
Eu gostava que as redes sociais se incendiassem por esta outra via, democraticamente legitimada, fazendo notar-se o seu apoio a um governo de Esquerda, só para o caso dos votos não serem suficientes. Manifs perante a fachada da sede do Partido Socialista no Rato, em Lisboa, também seriam boa ideia. Vá lá, anonymous portugueses, apartidários, indignados, independentes, simpatizantes do PS, da CDU e do BE, saltem do sofá. Está na hora duma viragem verdadeira.
‘Bora lá resolver esta embrulhada e fazer valer o Prólogo da Constituição da República Portuguesa: toca a desengavetar o Socialismo e faça-se cumprir Abril, porra!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

(R)Evolução nos Becos sem Saída

Um beco sem saída é precisamente o pensamento da Direita. É só lá que eles gostam de estar, assustando ou com o Inferno ou com a Austeridade, fingindo-se Deuses caridosos e cheios de moral e sendo Demónios impiedosos e egoístas. Portanto, se na política encontrares um beco sem saída é simples, vira à Esquerda.
Se a constante falha em atingir objectivos e a constante tendência em nomear para altos cargos governamentais ou para promoções dentro do mesmo organismo pessoas corruptas e/ou incompetentes não é motivo suficiente para que nós levantemos os cus do sofá e ergamos a voz em uníssono contra um governo caduco composto por gente medíocre e, sinceramente, desprezível, então eu dou-vos mais.
Vim hoje a ler no Público que os Jotinhas da JSD decidiram embargar a proposta pré-aprovada de uma lei para a Co-Adopção Homossexual, redigida pelo PS.  Ora, há escassas semanas um tipo do PS, cujo nome não me recordo, veio dizer que o PS tinha de se preocupar era com as “forças revolucionárias” dentro da Assembleia da República (AR) que eram impeditivo ou obstáculo ao Partido Socialista. Este supremo Pseudo Socialista referia-se é claro ao PCP-PEV (uma vez que o BE coitado…) cuja coligação, a CDU, detém a qualquer altura entre 10% e 15% dos votos dos eleitores. As mesmas forças que, já agora é bom de recordar, possibilitaram a presidência da República ao Mário Soares numa certa segunda volta. Ora, esta afirmação só pela análise das percentagens é fátua e estapafúrdia, e mereceu o escárnio do Governo Sombra. Quem me dera a mim que assim não fosse! Mas é. E de facto, vem-se agora provar que não são as forças revolucionárias que travam o PS, são os seus amigos à direita, com as suas manias reaccionárias.
Enquanto a Califórnia já permite um terceiro tipo de registo sexual e a Alemanha pondera fazer o mesmo, enquanto vários países (Reino Unido, França, Uruguai) nos seguem na legalização do Casamento Gay, quando outros nos antecederam na mesma (como é caso o Canadá), a nossa Direita impede a nossa evolução social. Talvez seja a sua moral cristã (se é que isso não é uma contradição nos termos) e o seu apego “aos bons costumes” que os impede de deixarem de ser parvos. Afinal, o PSD só foi aplaudido recentemente em duas instâncias. Na sua Universidade de Verão e numa Igreja. Há que defender o eleitorado, né?
Querem então os Jotinhas Laranja fazer um referendo e perguntar ao povo português se querem ou não a adopção homossexual legalizada! O PS já desmascarou e bem o joguinho sujo de palavras que vai nessa pergunta, pois co-adopção é legalmente diferente de adopção, mas por mim que se dane. Que se legalize a Adopção por casais gay duma vez. É inevitável e é moral. Pode não ser moral para os Cristãos, mas é moral para quem não depende da Bíblia (livro onde a escravatura, o genocídio, e o tratamento das mulheres como posse do marido é moral pois Deus assim diz) para ter um código moral e ético de vida. Para aqueles que sabem que a moral é uma característica evolutiva que surge entre animais sociais, como o Homem. A moral baseia-se apenas em encontrarmos um nível onde consigamos o maior bem para o maior número de pessoas sem afectar negativamente as restantes. Ora, os estudos indicam que a adopção por casais gay não afecta o desenvolvimento da criança. A mera lógica levaria aí, uma vez que os próprios gays surgem de famílias tradicionais e são filhos de heterossexuais. Para além disso, não sejamos hipócritas, já há décadas (para ser conservador na minha estimativa) que casais homossexuais criam filhos, não está é nada legalizado. Para além disso, com a adopção completa, os gays que assim desejassem (imagino que, qual os heteros, hajam muitos gays que nem se desejam casar nem tão pouco ter filhos) poderiam ajudar a minimizar o número de crianças à guarda de instituições estatais e de caridade. Seria resolver dois problemas de uma só cajadada, servindo sim o bem comum da nação, menos crianças sem famílias e os direitos dos homossexuais iguais (como manda a constituição) aos dos heterossexuais.


Que se faça o referendo, embora seja só perder tempo, dinheiro e inventar cortinas de fumo para desviar atenções de problemas mais prescientes dos Portugueses inventando problemas onde eles não existem, e os Portugueses que demonstrem que mesmo sendo 80% cristãos, não são fanáticos, que sabem ouvir a razão, que a Fé não é tudo, acima de tudo que explicitem a estes Pseudo Sociais-Democratas que a sua Moral vai muito para além da Bíblia, já há muito ultrapassada e obsoleta.
Não posso deixar passar esta oportunidade para fazer aqui um comentário sobre o Papa Chico. O Papa Chico é o Paulo Portas do Vaticano. É um spin doctor que chega de mansinho e vos apresenta más notícias como se de facto estas fossem as melhores notícias do mundo. Porquê? Porque há em torno deste Papa, através de feroz campanha propagandista e também de um (para mim) inacreditável e desesperado desejo dos crentes de que "este sim, é bom" depois da desilusão do anterior, a noção de que ele vai reformar a Igreja Católica. Ora bem, o próprio do senhor em questão já disse que, e parafraseio, “é um filho da Igreja e as posições da Igreja são conhecidas”. Ou seja, que no que diz respeito aos gays, às mulheres, à pedofilia, a ideia é manter Statu Quo. Só que ele diz-vos isto, dizendo “Ah e tal, a Igreja tem andado demasiada obcecada com o casamento gay e o aborto.” Portanto, não diz que a posição da Igreja se tenha alterado um cagagésimo que seja daquilo que foi a sua posição durante os pontificados predecessores, simplesmente que vamos deixar de falar disso com tanta veemência, e acrescento eu, porque não é bom para as relações públicas da Santa Sé. Não quer marginalizá-los, mas não deixa contudo de relembrar o Santo Pai que é errado tanto praticar actos homossexuais no sexo (pecado), como vai mais longe e diz que também é errado fazer lobby pelos gays. Quanto às mulheres, diz que elas têm um papel importantíssimo na Igreja, mas não as vai ordenar e elas continuarão a ser o que eram… subalternas de homens. Tanto os homens como as mulheres dessa instituição, continuarão a ter de ser casados com o Senhor, o que deixa em aberto o problema de ter essas pessoas a cuidar de menores… já sabemos onde isso os leva. O Papa Chico promoveu duas reformas, mas tudo a nível estatal, do estado do qual é figura suprema e política, o Vaticano. A primeira reforma foi a nível das finanças, caçando os ministros que criaram buracos orçamentais à Igreja (consolidando as Finanças Católicas), e a outra é uma reforma penal, onde agravou as penas para os pedófilos. Outro paralelo com o Executivo Português que cria leis para não serem usadas, uma vez que ainda não se deu ao trabalho de responder ao pedido de cedência de informação sobre pedofilia dentro da Igreja feita pela ONU. Parecem de facto muito determinados em castigar pedófilos, e contudo a encobri-los também. Talvez eles já se tenham confessado ao Francisco e este os tenha perdoado. É assim no Reino do Senhor, promoções todos os dias.
É que, lembremo-nos, este papa não só entra a fazer Santos (que é sem dúvida do que precisamos, mais ídolos antropomórficos), como ainda distribui indulgências pelo Twitter para atrair a “molecada brasileira”! Se isto não é uma promoção! "Ah pecaste?! Não faz mal, meu filho, segue-me no twitter e trata-me por tu, porque é fixe e eu assim absolvo-te dos teus pecados e ficas de consciência tranquila mesmo tendo morto ou violado alguém!" Portanto, passamos da obsessão com casamento gay e aborto, para nos focarmos no twitter, até porque este foi inventado, adivinhe-se só!!, por Cristo! Jesus H. Christ, what will they think up next??!? É como se eliminassem Buda, Sócrates, os Sábios Chineses, etc... da História só para o Cristo ter inventado o Twitter. E já agora, as indulgências são imorais. Desde quando é que eu faço um crime e tenho a possibilidade de viver de consciência tranquila sem pagar essa dívida à sociedade? Quanto mais através do twitter! Enfim, fico parvo. Deve ser o choque tecnológico de que falava o Sócrates!
O Francisco (já que ele me incita a tratá-lo por tu), também se rebelou contra a idolatração do Dinheiro (sentimento que eu partilho),  o que é natural pois o Deus dos Cristãos nunca gostou de concorrência e está a ver-se a braços com uma batalha sem vitória possível. É que enquanto o Deus da Bíblia é doutro mundo, o Guito é do mundo material. Ainda assim, não ouvi dizer que o Vaticano em peso ia fazer um voto de pobreza e abdicar de todas as suas posses materiais. Algo que possivelmente agradaria ao São Francisco.

Enfim, um papa de mente velha e bafienta que se quer passar por progressista e revolucionário.
O Papa Chico tem ainda uma palavra para os ateus, 'tadito quer estar bem com Deus e com os Diabos, dizendo que se estes praticarem “o bem”, Deus os receberá bem. Como se nós precisássemos dessa “benesse” para andarmos descansados da Vida. Mas o Bem segundo quem? O Papa diz que desde que ouçamos a consciência conseguimos praticar o bem. Confessou também nessa oportunidade que a verdade não é absoluta, mas sim relativa. Pena que isto o diga só a título pessoal e não em nome da instituição. Disse ainda, segundo o Público:
“O Papa termina a carta com uma declaração sobre o objectivo principal da Igreja Católica, com referências aos "erros e pecados" cometidos: "Apesar da lentidão, da infidelidade, dos erros e dos pecados que [a Igreja] cometeu e poderá ainda vir a cometer contra os seus membros, a Igreja, acredite em mim, não tem qualquer outro sentido e objectivo que não seja viver e testemunhar Jesus."”
Ora, eu pergunto-me, se testemunhar Jesus é tudo o que lhes interessa, porque é que os registos Históricos da Santa Sé estão fechados até aos professores e estudiosos da História que sabem mexer com documentos antigos sem os estragar? Quando Salman Rushdie foi ao Vaticano, perguntaram-lhe se havia algo que ele desejava ver, ele disse que queria ter acesso a documentos históricos fechados da Igreja Católica e esse acesso foi-lhe negado. Que escondem as testemunhas (completamente indirectas) do Nazareno? A mim faz-me lembrar um Portas, a vender Coelho por Porco.
Da Rússia também chegam más notícias, onde já se criam legislações a proibir a homossexualidade. Estará a Direita Portuguesa numa de se tornar numa versão fraca das políticas desse bandalho do KGB, agora Mafia Russa, do Putin?!
Chegamos agora ao Japão, onde as coisas também não vão bem para os gays. Embora haja pouca descriminação descarada para com a comunidade Gay japonesa, também não parece haver uma manifesta preocupação popular em alterar a situação. Para além disso, a Constituição Japonesa, que não é revista desde 1947, quando entrou em vigor, também oferece um obstáculo ao casamento gay, no artigo 24, onde diz: “o casamento será baseado no mutuo acordo de ambos os sexos”. Segundo o advogado especializado em lei matrimonial Mazakazu Umemura, mesmo com vontade popular o casamento gay no Japão ainda tem uma longa estrada pela frente. Na humilde opinião deste vosso escriba, isso resolve-se o obstáculo constitucional com um referendo, onde japoneses e japonesas decidem de “mutuo acordo” se querem ou não legalizar o casamento gay. Ambos os sexos, abrange os dois sexos, não exclui ser apenas um. O senhor Umemura diz ainda que o povo não liga à questão, embora alguns advogados e activistas homossexuais procurem a legalização. Já o reinante partido Democrata Liberal, carregado que está de tradicionalistas, logo a começar pelo primeiro-ministro, não é favorável ao casamento homossexual. Estamos a falar dum governo que tem um ministro, o sr Taro Aso, que recentemente disse que “os idosos devem morrer depressa para bem da economia”. Acho que o Passos iria gostar dele.
Mas há esperança. Há pequenos sinais de um crescendo no apoio ao casamento homossexual no Japão, nos últimos anos. Em 2009, o Ministério da Justiça Japonês começou a expedir documentos necessários a casais gays que se queiram casar no estrangeiro. Informalmente, há uma aceitação grande pela sociedade japonesa dos casais homossexuais, embora poucos cidadãos japoneses estejam dispostos a manifestar-se na rua nesse sentido, ao contrário de países como Portugal ou os Estados Unidos. Depois de alguns problemas, a Disneylândia Tóquio fez a sua primeira cerimónia de casamento lésbico no Parque. Alguns hotéis também aceitam albergar esse tipo de eventos, de acordo com activistas LGBT nipónicos, embora eles não tenham qualquer efeito legal. E há pelo menos um templo tradicional japonês que também faz este tipo de cerimónias. O templo Shunkoin, que já conta 420 anos de existência e é situado em Quioto, começou a fazer cerimónias de casamento para casais do mesmo sexo desde há uns dois anos para cá, depois de uns turistas que visitaram o templo de meditação Zen perguntarem se era possível que um casal lésbico se casasse ali. O monge chefe do templo, Zenryu Kawakami, disse ao Japan Real Time (a minha fonte para este pedaço do texto) que a pergunta o levou a pesquisar e a descobrir que “os sutras budistas nada dizem a favor ou contra” o casamento gay. Desde então o sr Kawakami já casou cerca de 5 casais lésbicos, maioritariamente estrangeiros. “Os seguidores do Budismo são frequentemente liberais”, acrescenta o monge.
Patrick Linehan, o abertamente gay Cônsul Geral Norte-Americano para Osaka, testemunha que: “No Japão, ao contrário do que acontece nos EUA e noutros países, não há um ódio ou uma descriminação de base religiosa contra as minorias sexuais. Há contudo conhecimento insuficiente e pouca consciência da questão.” O Cônsul diz também que ele e o seu esposo, casados em 2007 no Canadá, frequentam com casal eventos estatais, onde por vezes são recebidos com baralhação e espanto, mas nunca são descriminados. “Quando eu vim pela primeira vez ao Japão, há 25 anos atrás, foi-me dito por um japonês que não haviam gays neste país.”, recordou Linehan, para acrescentar. “O Japão ainda tem muito que mudar.”
Este testemunho foi dado numa entrevista pela Ehime Shimbun. A Ehime, entidade activista pelos direitos LGBT no Japão, fez também uma sondagem perante os partidos políticos japoneses. Sem surpresas, a resposta do partido da Direita Liberal (e cá está um exemplo de como a política distorce as palavra, liberal uma ova!) que governa o país foi “O casamento deve ser entre sexos diferentes. Logo, não há necessidade de adoptar um regime legal de casamento” para casais homossexuais. Já a Esquerda, e também nada me espanta, apoia a legalização do casamento homossexual, sendo que o Partido da Restauração e o Partido Social-Democrata japoneses apoiam a legalização do casamento gay, enquanto que o Partido Comunista Japonês apoiou a introdução de uniões civis. Parece que os gays só encontram amigos políticos à Esquerda! Humm...
É estranho contudo que os tipos do Governo Japonês, que querem tanto uma alteração constitucional como o Passos Coelho, não se saberem aproveitar desta oportunidade para a levarem a cabo. E ainda bem, porque o que eles querem é declarar guerra a alguém (como eu já indiquei neste outro post que aqui deixo linkado). Este pessoal da Direita até para politicar é incompetente. Ao menos, o Sócrates, que dentro do PS (Pseudo Socialismo) consegue estar à esquerda do Mário Soares (nestas questões sociais é bem mais liberal e menos conservador), conseguia mentir com estilo sobre o curso, sobre estar a favorecer certas empresas com o esquema dos painéis solares subsidiados pelo Governo, etc... Enfim, parece que o governo Liberal (mas só economicamente) do Japão quer aproximar o seu estado do norte-americano. Para quê é que eu não sei! Visto que os EUA têm uma dívida tão enorme (em termos percentuais) como a nossa e muito crime, e o Japão é a 4ª economia mundial e tem muito menos crime. Alguém me explique que isto é sem dúvida demasiado para a minha parca inteligência.
Mas não só pelos direitos LGBT, mas também pela nossa Economia, por uma verdadeira mudança de rumo, por um rasgar com uma austeridade que nada é mais que um silício que procurar fazer-nos todos penar pelos pecados do 1%, pecados esses partilhados pelos próprios credores que nos sangram, o bom aluno preso do colégio de padres infernal.
Saiam à rua amanhã, contra este governo desgovernado e patético que nada mais tem feito que nos desunir e destruir aquilo que é nosso, evitando fazer a reforma de estado que realmente precisamos e que realmente nos mudaria para melhor, começando por cessar os jobs for the boys e as influências políticas na economia e vice-versa, ou avançando com uma lei clara, concisa e eficaz contra o enriquecimento ilícito, só para dar uns exemplos!
Porque é que eu me importo com os direitos da comunidade LGBT, se sou hetero? Chama-se solidariedade e é a base da nossa sociedade. Mesmo não sendo problemas meus, são questões que fazem sofrer outros sem necessidade, quando a sua solução não me trará nem a outros qualquer dano. São questões que, deixadas por resolver, aumentam a desigualdade de direitos na nossa sociedade. Não tem a ver com altruísmo, tem a ver com a esperança de que um dia, quando o problema for meu, outros ergam a voz ao lado da minha. É essa solidariedade, tantas vezes esquecida ou trocada pela caridadezinha, que tem faltado em Portugal. Os Capitães de Abril atiraram, ou tentaram atirar, o Poder para a Rua. Já é hora do Povo ir lá reclamá-lo, sem pedras e fogo, mas sim com o poder da Razão e da União.
Amanhã, dia 26 de Outubro, pelas 14h no Rossio. É que o plano B é este:
Como diria o John Connor: "Se estás a ler isto, tu és a Resistência." Vemo-nos lá? ;)

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Info Sociocultural I

Bom, isto é a inauguração de uma nova rubrica aqui do blogue. Como é hábito aqui colocar informações sobre eventos culturais, sendo que alguns desses eventos ou são políticos ou têm conotações políticas, e porque cada vez que o faço tenho a chatice de arranjar um novo título para esses posts, agora passam todos a ter o mesmo nome (Info Sociocultural), mudando o número, que seguirá em numeração romana só porque sim.

Temos uma novidade quentinha cortesia da Embaixada do Japão, relativa a concertos musicais do grupo japonês Shinichi Kinoshita. Deixo-vos então com as informações pertinentes que a embaixada japonesa me enviou:

Para o pessoal que vive no Japão, o Festival do Fogo em Kurana realizar-se-á a 22 de Outubro, segundo a página facebook do Kyoto Journal. Eu gosto muito de ver labaredas a dançarem embaladas pelo vento e as sombras que elas geram, seja num grelhador de churrascos seja numa lareira, por isso caso pudesse lá iria. Eis um vídeo exemplificativo:

O meu amigo Ricardo, também ele contra o Acordo Ortográfico de 1990, postou este link no Facebook com a achega irónica que vêem na imagem acima. Facilmente se vê a hipocrisia de um (des)acordo que insistem em defender mas não sabem aplicar e que só veio apagar mais da nossa identidade cultural e de acabar com qualquer regra ortográfica que existisse em Portugal, pois agora vale tudo!! Assim comprovam as imagens que se seguem.


Passamos agora aos eventos mais politizados. Temos pela frente, este mês e a começar já no próximo sábado, duas acções de protesto. As razões que as, na minha opinião, justificam e fundamentam estão resumidas nas imagens abaixo, onde se procura explicitar que, à semelhança do que aconteceu quando Passos prometeu um novo rumo quando queria tirar o poleiro do Sócrates e ganhas as eleições seguiu a mesmíssima política, acontece agora com as promessas de Portas dum “novo ciclo”, referindo-se já aos dois primeiros anos do governo em que o democrata cristão pertence. As mentiras continuam, mas o argumento mais esmagador é que estes cortes nada mais fazem que afundar a nossa economia (o que dela resta) e deixar-nos mais nas mãos da União Europeia. É que para que os despedimentos no sector público fossem motivadores de mais produtividade, mesmo aos olhos de economistas de direita, seria necessário que o sector privado estivesse apto a investir, expandir-se, de forma a absorvê-los, para evitar pagamentos de subsídios de desemprego, aumentar exportações e receitas fiscais. Tal não acontece em Portugal, e por isso mesmo temos a já cliché “espiral recessiva”. Mais ainda, até o Marcelo Rebelo de Sousa, o advogado residente na TVI do PSD, ache que a Troika fechou os olhos na 7ª e 8ª avaliações, sabendo que nós não vamos cumprir os objectivos mais uma vez, porque já há instabilidade que chegue por essa Europa fora para também perderem o controlo de Portugal.
Ou seja, este orçamento “para Troika ver” não resolve nada, para além de continuar a ser predador para com os mais fracos.
A EDP prometeu logo atirar com a sua sobretaxa para as costas dos consumidores, a GALP vai para tribunal. Há ainda a inconstitucionalidade das medidas, que o Tribunal Constitucional terá de avaliar e provavelmente vetar, o que abrirá caminho ao Passos das Portas para arranjar o tal “capital político” para poder fazer o que ele já quer desde quando estava na oposição e herdou o lugar já tão conspurcado de Sá Carneiro: uma revisão constitucional segundo a perspectiva liberal imposta pela Alemanha e necessária à sobrevivência dessa armadilha chamada Euro.
A 26 de Outubro, vai-se realizar uma manifestação do Movimento “Que se lixe a Troika”, projectada a nível nacional. Permita a minha vida e a ela me juntarei em Lisboa. Não tanto pelo carácter revolucionário (??) da coisa, mas antes por duas outras razões: sou solidário com movimentos que sejam contra mais perda de soberania (exceptuando movimentos nacionalistas, há que saber distinguir as coisas) e gosto de ver e sentir por mim mesmo. Já dizia Christopher Hitchens que fora para jornalista para não ter de saber as notícias através dos jornalistas. Este era o homem que lia o New York Times apenas para saber o que a maioria pensava que estava a acontecer. Smart, to say the least!
Já no próximo fim-de-semana, vai haver a manifestação da CGTP.
Sobre esta vou alargar-me um pouco, pelo grande alarido que sobre ela se tem feito. Decidiram fazer a manifestação sobre a Ponte 25 de Abril, e os Laranginhas tremeram perante os sindicalizados dos Vermelhos, pois aparentemente foi na sequência duma acção semelhante que o governo de que era Primeiro-Ministro o actual Presidente da República caiu. Levantou-se então a polémica, em que alguém decidiu lançar um parecer contra a realização da manifestação naquele local devido ao potencial risco para os manifestantes. A CGTP contra-atacou que lá se fazem maratonas. Almoços de feijoada e piqueniques, mas insistem os alarmistas da segurança que “uma manifestação é diferente, porque as pessoas vão com outro espírito e porque, embora a CGTP seja mui conscienciosa e bem organizada”, reconhecem todos, “poderão haver infiltrados que promovam distúrbios e as autoridades não terão como controlar o pânico e evitar feridos e afins” – parafraseio o argumento tal como o ouvi em vários programas. A CGTP foi falar com o Ministro Miguel Macedo (cujo olhar e maneirismos me dão calafrios, então aquele bitaite sobre formigas e cigarras... ui!!), e procuram um compromisso. Deixar faixas de rodagem abertas para a circulação de veículos de emergência ou das autoridades. O Ministro no entanto e ainda assim, vetou a manifestação. A CGTP não se ficou e, seguindo à letra os argumentos (estúpidos) que diziam que aquela ponte não era para peões mas sim para veículos motorizados, organizou uma frota de, até há hora do jornal da noite de hoje, trezentos (300) e muitos autocarros e vai carregar sobre a ponte, vinda das duas margens do Tejo, para fazer um brutal buzinão sobre a Ponte de Salazar... uops, 25 de Abril. Aliás, os camaradas, a quem eu por isso saúdo, adoram pisar os monumentos deixados pelo Velho da Outra Senhora, como o fazem muitas vezes na Fonte Luminosa por ele inaugurada. E já que falamos do tempos idos, sou o único que se lembra do Marquês de Pombal e da célebre carroça de terra das suas propriedades? É o que me faz lembrar este episódio!
No meio disto tudo, e pelas imagens acima já poderão ter reparado, o Movimento dos Indignados convergiu “sobre” a Ponte 25 de Abril. Então quando a CGTP decidiu não ir contra a autoridade vigente/reinante (mesmo que a lei em questão seja debatível – o direito à manifestação contra o direito à segurança [sendo que hoje em dia há bombas em maratonas e que o direito à segurança não impede que o cidadão coloque a sua vida em risco, ou então sempre que alguém faz um desporto radical lá teria de estar um agente da autoridade para o impedir!!]), optando por uma airosa e inteligente (especialmente barulhenta e “blindada”) solução, os Indignados indignaram-se descarregando a sua (in)justa indignação sobre o camarada Arménio Carlos, rosto actual da CGTP. Ora vide imagem abaixo:
Os comentários nesta imagem tinham várias posições, algumas a favor da CGTP, algumas muito belicosas mas oriundas de sofá. Aquele tipo de cidadão que durante o Estado Novo desejava a Revolução, mas que esperava que os Comunas ou outros a fizessem, acabando num aplauso orgásmico ao MFA, para depois acabar a amaldiçoar o PREC e a votar PS(D) – CDS. Falavam de ir buscar cocktails Molotov e declaravam “estes sindicatos já não representam ninguém”. Entre todos os comentários, ninguém se manifestava contra a decisão da Inter-Sindical ao mesmo tempo que se identificava como seu sindicalizado. Ou seja, comentários como o dos cocktails de Molotov e as pedradas nos escudos do Corpo de Intervenção após a última manif da CGTP levado a cabo pelos tais “infiltrados” encapuçados, são as atitudes e opiniões que dão força aos pseudo argumentos que foram usados para reprimir a marcha sobre a ponte e os que dizem que os sindicatos já não representam ninguém NÃO ESTÃO NELES SINDICALIZADOS! A indignação não pensada ou instrumentalizada não tem força nenhuma e cai no ridículo de pensar que uma central sindical tem de fazer manifestações fora-da-lei para agradar a pessoas que nela não estão inscritas e como tal é normal que não seja essas que a instituição procure representar.
Os Indignados falharam ainda em perceber que durante uma semana se falou de CGTP na televisão. Que pessoas da Direita tiveram de repetidamente dizer que a CGTP tem uma organização fabulosa (mas ai os infiltrados!!) e um papel importantíssimo na coesão social. Pedro Mexia, que eu presumo ser um apartidário de Direita, explicitamente disse no Governo Sombra que a CGTP podia meter 50 000 pessoas na Ponte, "pode dar-se a esse luxo" disse ele, quando qualquer outra organização em Portugal sozinha não consegue, para contrapôr o ponto do seu colega à direita no mesmo programa que perguntava "E quem se segue? O movimento Pró Vida, a UGT, sempre que alguém se lembre de fazer uma manif vai para a Ponte, etc...?" (parafraseio). O governo foi obrigado a mostrar a “careca repressora”, alegando pseudo motivos para proibir uma manifestação legal segundo a Constituição actual, num acto bem Salazarista. E mesmo assim a CGTP vai fazer o seu protesto sobre a Ponte 25 de Abril, só que de forma mais poluente. Obrigado, senhores do Governo, por não se importarem de mostrar a vossa incrível burrice e ineficácia política! É que o Partido Comunista Português está habituadíssimo a resistir sobre repressão de regimes totalitários. Talvez a cassete ainda tenha uns truques na fita e este apartidário está a ficar cada vez mais vermelho de raiva para com o Statu Quo e o Partido do Estado. (imagem abaixo por Fabrício Duque)
É pena que os Indignados [que muitas vezes incluem os Anonymous (movimento que eu admiro), muitos daqueles a que o Jerónimo de Sousa chama “amigos do PCP” e marxistas apartidários como eu (julgando pela sua página de facebook dos Indignados), já agora recordo que comunistas/socialistas/sociais-democratas são todos marxistas de base (mas não quando são pseudo como os actuais mestres do PSD = Pseudo Sociais Democratas ou PS = Pseudo Socialistas)] sejam, como a maioria dos Portugueses, facilmente divididos, o velho mas eficaz "dividir para reinar", caindo no jogo do próprio Centrão. Sim, estou a (ab)usar (d)uma terminologia do PCP.
Para muita pena minha não estou em Lisboa, nem vou estar a tempo de rumar à Ponte no Sábado, mas parece que o PCP apelou aos Motards e que o Sindicato dos Estivadores vai fechar o Porto de Lisboa. (clicar aqui) Oh meus/nossos Indignados, sem haver formalmente uma ditadura, que mais querem vocês de um protesto à séria e sem deixar que a razão escape por entre dedos cheios de calhaus desmiolados?
Recordo ainda, e para terminar, que na Islândia, onde 90% do povo (largamente ateu, realço) veio para a rua e expulsou o governo corrupto ou incapaz que os conduziu à falência, expulsou banqueiros do país, colocou um governo de esquerda (lá os Sociais Democratas são a Esquerda) no poder, mandou mercados internacionais à merda, e mesmo assim teve a ajuda e uns parabéns do FMI, recuperando o desemprego para os 5% e levando a julgamento muitos dos corruptos responsáveis, negando-se por Referendo Nacional a salvar bancos, o povo tem cerca de 60% dos seus trabalhadores sindicalizados. Em Portugal, com 20% de desemprego, temos cerca de 30% de trabalhadores sindicalizados e 80% de assumidas ovelhas cristãs, duma seita ou de outra, a ruminar Relvas do PS(D)-CDS. Pensem nisso!
Sayonara, tomodachi! ;)
P.P.S.: Fiz uma crítica ao filme Pacific Rim no outro blogue em que participo, por isso se curtem Manga e Anime possivelmente curtirão esse filme. Vejam a crítica se vos aprouver: