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quinta-feira, 27 de março de 2014

Viva o Teatro!!

Hoje foi o Dia Mundial do Teatro.
Embora eu seja da opinião que um destes dias teremos um problema do caraças e teremos de voltar a alterar os nossos calendários, ou mesmo a reestruturá-los (como a dívida, ‘tão a ver?), porque já não teremos dias suficientes para todas as coisas cujo celebrar queremos consagrar com um dado dia, este é um dia que eu acho importante celebrar. E porquê?
O teatro é parte integrante de ser humano. Não, não estou a exagerar. Quando em pequenos fazemos birra, explodindo em choro por vezes sem razão nenhuma só para conseguirmos o que queremos, que é isso se não um teatro? Quando mais tarde pegamos em bonecos, utensílios de brincar ou apenas na nossa imaginação e nos tornamos em personagens de aventuras imaginárias que nos ajudam a passar o dia e também a crescer e a aprender, que mais estamos a fazer se não teatro? E mesmo não fazendo parte daquela classe que ainda em adultos têm o privilégio de continuar a brincar ao faz-de-conta, sendo para isso pagos, todos nós continuamos a ambicionar essa magia que nos pode levar a fazer rir, chorar, saltar de pavor, deixar melancólicos ou inspirar a mudar a nossa vida, essa magia do faz-de-conta que nos traz ao de cima a criança que há em nós.
Pode ser que o cinema e as séries televisivas sejam uma forma de teatro moderna, mas todos facilmente reconhecemos que no teatro dificilmente há take 2 e que se as coisas correm mal, ou o actor dá a volta rapidamente ao texto e os seus colegas o acompanham ou tudo falha. Para além disso, a relação entre o público e a plateia é íntima e não distante como as dos grande e pequeno ecrãs. Se é uma comédia que está a ser encenada e não há risos na plateia, isso afectará negativamente o desempenho do actor. O inverso é também verdade. Gera-se assim um espectáculo que é influenciado pela empatia humana. É essa ligação empática, quasi-telepática, que separa o teatro do cinema e da televisão. Além de que, claro está, o teatro é milenar e o cinema não mais que centenário.
Também passam teatro na televisão, por exemplo na RTP Memória as revistas à portuguesa ou mesmo os episódios de Wrestling importados dos EUA. Mas não é a mesma coisa. Falta a empatia. Eu percebi isso, estranhamente, graças ao Youtube. Descobri em 2012 que haviam encenado um musical de um dos meus filmes de culto favoritos, The Evil Dead. Procurei no Youtube e encontrei a peça em questão, isto é, encontrei uma videogravação da mesma. Embora a peça tenha feito imenso sucesso, embora eu goste de teatro, de musicais e do material fonte, não consegui achar piada àquilo em vídeo. Faltava a empatia, a atmosfera.
Eu já pisei um palco amador uma vez, ainda muito novo, e quase por achar que tinha algo a provar… a coisa correu mal e jurei para nunca mais. A minha fez teatro amador na sua juventude e ao que parece o meu avô, seu pai, também. Eu sempre preferi encenar peças com os meus bonecos. Mas até já essa capacidade perdi. Resta-me ver teatro… nem que seja o Sócrates, o Passos, o Seguro e o Portas, actores que seguem o Método sem dúvida, a mentirem ao país. É mau teatro, é pior que amador, é reles, mas é teatro ainda assim.
É trágico que tenhamos, já que toquei na política, um Presidente da República que vê um enorme potencial na Língua Portuguesa (ideia errónea que desmascararei quando voltar a falar do Acordo Ortográfico de 1990, me aguarrrdem!), um enorme potencial do Mar (no qual nada faz para que neste se invista, sendo que já tenha no passado feito muito para remover qualquer investimento nesta área), mas que não reconhece o imenso potencial económico das artes cénicas. Sim, porque se isto da dinheiro na Broadway, também o pode dar cá. Tal como o Cinema, já agora. Mas para a Direita Portuguesa, a cultura mais não merece que uma mísera Secretaria de Estado e os actores mais não são que “prestadores de serviços”. Quando este governo tomou posse, um dos seus membros originais veio anunciar que a guerra de classes havia acabado. Para tal, este governo prontificou-se a acabar com as classes. Quase o conseguiu: destroçou ou afugentou a parte da classe média que sobrevivera ao jugo de Sócrates e eliminou toda uma classe (a dos actores) despojando-os para efeitos fiscais do seu nome de classe, tornando-os indistintos prestadores de serviços. O Ruy de Carvalho, que cometeu o erro deneles votar, que o diga.
Verdade seja dita que não é só o Ruy (e trato-o assim porque além de individuo de pleno direito, o senhor é um tesouro nacional, o que o faz um pouquinho de todos nós) que se queixa, na minha opinião com razão, mas várias gerações de actores.
Dá vontade de desejar muita merda aos nossos governantes e aos seus mesquinhos e curtos horizontes, subjugá-los a uma forçada emigração por via de uma chuva de patacas furibundas! Hey, o teatro sempre serviu para castigar os costumes e satirizar a sociedade, revelando-lhe os podres, certo? 
Já agora, sabeis acaso, caro leitor, porque é que é de bom tom desejar muita merda a um profissional do teatro que tenha uma peça a estrear? Parece que em tempos idos, a nobreza ia ao teatro de coche. Se a afluência a um dada peça fosse grande, a entrada do teatro em questão ficaria ladrilhada de merda de cavalo. Este hábito de merdoso mas simpático desejar foi mais uma importação francesa do séc XIX.
Como disse o José Hermano Saraiva, em relação a um dos 12 trabalhos do Hércules que consistia em limpar os estábulos dos deuses: “Meus amigos, era muita bosta!
Mas a culpa é também nossa, do povo. Ah pois é! Antes de mais por, em geral nós (embora voto meu, e eu voto, jamais tenha eleito um governo), elegermos paspalhos sem ideias nem cultura, nalguns casos que se fazem até chamar de doutor sem nem uma licenciatura terem, que a troco dumas migalhas das grandes cortes europeias e duma boa próxima vida após a chamada “morte política” prontamente se predispõem não só a estragar o nosso país como a enterrar a nossa cultura e identidade. Depois, porque não vamos ao Teatro, não apoiamos Cinema Português, etc… Agora é da crise, que até é uma boa justificação, mas e nos tempos das vacas gordas, porque é que os teatros eram tão pouco frequentados em terras lusas? Em Torres Novas, de onde oriundo, havia um teatro que no meio tempo era cinema (foi onde de facto vi tanto o meu primeiro filme e a minha primeira peça de teatro, de que me lembre), que passou muitos anos fechado e abandonado, e foi recentemente recuperado pela Câmara, mas é muito pouco usado. E contudo, na minha adolescência, tive a felicidade de quase todas as semanas ir ao cinema, ver um filme que estreava.
A imagem acima foi retirado do facebook de uma jovem actriz, que é também a miss CPLP 2013, a qual eu já tive o prazer de ver ao vivo, numa peça, podendo assim afirmar-vos que é bem mais que uma carinha laroca, até porque é excelente com uma máscara!
Embora muitas destas imagens exibam manequins vestidos com kimonos tradicionais japoneses, as fotos foram tiradas no palco do Teatro Nacional Dom Carlos, o qual visitei em 2012. As fotos das e sobre as patacas também vieram de lá.



Antes de começar a falar do teatro japonês (porque afinal o blog é centrado no Japão), queria só, uma vez que é o Dia do Teatro, falar-vos duma iniciativa bem portuguesa que em tudo me agrada e que está relacionada com a imagem que abre este post. Refiro-me ao restauro do Palácio do Bolhão, no Porto, pela a Academia Contemporânea de Espectáculo, em prol do Teatro do Bolhão. Nesta iniciativa, sobre a qual melhor se podem informar no link abaixo, procura-se, ao mesmo tempo que se dá uma casa à nobre arte, restaurar um monumento nacional. Poderá haver causa cultural mais digna de ajuda? Em troca de pequeno contributo monetário, podem ver o vosso nome imortalizado num palácio da Invicta. Acho que é uma muito bela troca, se bem que injusta para a iniciativa em si que recebe apenas dinheiro. ;) 


Na Língua Japonesa (e segundo o tradutor da Google), Gekijō (劇場) é como se diz Teatro (Link para ouvir Pronúncia – vale a pena, pois parece quase um bramido de ovelha). Como em todas as grandes civilizações, o teatro é central na cultura nipónica, tendo evoluído, tal como no caso português, em várias formas: o Noh, o Kabuki, o Bunraku e ainda o teatro negro (não se preocupem, nada tem de racista eheh).
O teatro Noh, cujo nome deriva da palavra sino-nipónica para “perícia”, é uma das principais formas clássicas de drama musical japonesas, e é encenada desde pelo menos do século XIII D.C, sendo que a sua forma actual começou no período Muromachi. Muitas das suas personagens estão mascaradas e os actores, sempre homens, interpretam tanto papéis masculinos como femininos. Tradicionalmente, um “dia de teatro Noh” dura mesmo todo o dia e consiste em cinco peças Noh, intercaladas de peças Kyogen, peças mais curtas e humorísticas cujo o nome quer dizer literalmente “palavras loucas” ou “discurso selvagem”. Presentemente, o teatro Noh consiste em apenas duas peças Noh, intercaladas por uma peça Kyogen. É um campo de teatro muito codificado e fortemente, regulado pelo sistema Iemoto, que dá prioridade à tradição em detrimento da inovação. Mesmo assim, há quem faça reviver peças antigas e já abandonadas, há quem componha peças novas e mesmo quem crie peças que mescle esta variante com outras suas pares.
O teatro Kabuki, composto pelos kanji (cantar)(dançar)(habilidade), sendo por vezes traduzido de forma simplista para “a arte de cantar e dançar”, consiste numa forma muito estilizada de drama, com ênfase na maquilhagem dos artistas. Julga-se que o nome derive do verbo japonês Kabuku, que pode significar “encostar” ou “ser fora do vulgar”, sendo assim uma arte teatral que executa peças bizarras ou experimentais, a vanguarda do teatro tradicional japonês. De facto, o termo kabukimono é usado para designar pessoas que tenham uma forma bizarra ou fora da norma de se vestir no sei dia a dia. É muito mais novo que o Noh, tendo sido originado no século XVI D.C., período Edo da História do Japão, quando Izumo no Okuno, uma sacerdotisa do Shintoísmo, em 1603 começou a desempenhar uma nova forma de dança nos leitos secos dos rios, em Quioto. Este é portanto o polar oposto do Noh, tendo actrizes a desempenhar os papéis masculinos e femininos do quotidiano nipónico. Um dos factores que tornou esta forma teatral muito apelativa foi o facto de muitas das trupes que a desempenhavam estarem receptivas à prostituição. De facto, o kabuki tornou-se norma no red light district de Edo, capital do Japão, actualmente conhecida como Tóquio.
O teatro Bunraku, também chamado Ningyo Joruri, é a versão japonesa de uma peça de marionetas. A componente física desempenhada pelos mestres de marionetas, designados de Ningyotsukai, é acompanhada de uma componente musical, os cantadores chamados Tayu e os tocadores de Shamisen (espécie de banjo japonês). Por vezes, também juntam tambores taiko à peça. A combinação do canto acompanhado pela melodia do shamisen é chamada de joruri e ningyo quer dizer marioneta. Já o termo Bunraku surge do nome de um teatro muito conhecido no Japão por exibir esta arte.
Por último, quero ainda referir o Teatro Negro, cuja técnica pode também ser usada no Bunraku para colocar toda a atenção nas marionetas, e sobre o qual deixo um exemplo em baixo, porque é deveras difícil de explicar por palavras!
Isto foi só um lamiré, porque cada um destes estilos é um mundo, e o mesmo pode ser dito das formas ocidentais, o drama, a comédia, a sátira, etc… Um dia destes, aprofundarei, num post para cada uma, as formas japonesas aqui para o blog. Quem sabe se não inspiro algum encenador a fundir alguns dos seus elementos com os nossos estilos? Ao mesmo tempo, continuarei a veícular esta e outras iniciativas em prol da cultura e das artes.
Viva o Teatro, onde a arte não só imita a vida, como está viva, e como toda a vida merece ser protegida!


E agora para vos despachar com bom humor, tomodachi, fiquem com um teatrinho radiofónico, cortesia do Nuno Markl e da malta das manhãs da Comercial.
Sayonara... por agora!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Info Sociocultural III

E estão a terminar, com o término do ano, as comemoraçãos do 470º aniversário da relação entre Portugal e o Japão. Deixo-vos o link para o pdf informativo da Embaixada do Japão, do qual e como é meu hábito saliento alguns pontos:

- a decorrer durante este mês, está um ciclo de cinema japonês na Cinemateca Nacional:
- já no próximo dia 11, portanto esta quarta-feira, vai haver um workshop centrado na obra de Robert J. Langdon (nada relacionado com o Código Da Vinci garanto-vos) no que diz respeito à arte nipónica de dobragens em papel, o Origami. Entre outras coisas, o cientista em questão ficou conhecido como o grande teórico da "matemática do origami". Este evento não está no boletim, mas a imagem é um printscreen do site da Embaixada.

- a decorrer está também a exposição Tourbillon:

- por último, a embaixada deu já aviso prévio sobre cursos centrados em cultura japonesa, que acontecerão nos vindouros dias de Janeiro e Fevereiro do próximo ano:
Como poderão perceber, muitos destes eventos estão relacionados com o Museu do Oriente que, para meu gáudio e contentamento, também não adoptou o pérfido desAcordo Ortográfico de 1990. O site é user friendly e para quem tem interesse em cultura oriental vale muito a pena consultar de tempos a tempos:

Agora, vejamos a cultura de origem nacional.
Para começar, também com início no dia 11 e em cena até ao dia 15, no teatro da Comuna em Lisboa, temos a peça de Rui Neto, com desempenho de São José Correia, intitulada Worms.
Não deixem de visitar o blog da peça por vocês mesmos, pois está extremamente simples, altamente funcional, sem Acordo Ortográfico, completo com um teaser trailer para a peça e também fotos dos bastidores. Eu já reservei o meu bilhete. Vejo-vos lá! ;)
A São José Correia chegou a ser minha vizinha, vivemos durante um semestre na mesma rua. Embora a visse muitas vezes nunca fui incomodá-la. É certo que os actores acabam por, e como dano colateral do seu ofício, ficar conhecidos, mas é minha opinião que isso não nos dá o direito de andarmos a chateá-los ou pior ainda feitos maluquinhos a tirar-lhes fotografias para vender às revistas cor-de-rosa hipersensacionalistas, como a da qual retirei isto:
Agora, eu duvido muito que a São vá ficar mesmo Nua em Palco. Não que eu me opusesse, como é lógico, mas estamos a falar de alguém que recusou os vários avanços apoiados por avultadas quantias, por parte da playboy para pousar nua, se bem se recordam de há uns anos quando a actriz esteve por terras de Vera Cruz. Há ainda a sua afirmação, aqui contada pelo Fernando Alvim:
E no seguimento da ideia perpetuada pela resposta da São, não se esqueçam de protecção!

Saúdo ainda Francisco Goiana da Silva, médico estagiário que procurou com uma exposição de escultura para obter fundos para pagar o seu estágio e que vai para representar Portugal em Davos, na Suíça, onde se vai debater a Humanidade. E lá Francisco vai procurar mudar o mundo e argumentar em defesa do Serviço Nacional de Saúde Português, especialmente o seu carácter constitucional de "tendencialmente gratuito".

Estamos em época natalícia e o presidente da câmara alfacinha não se poupou a despesas para a celebração. Entre 14 e 24 de Dezembro, o Terreiro do Paço vai ser inundado de luz, num espectáculo chamado Circo de Luz, que incorpora a técnica de 3D mapping para projectar imagens luminosas. Os Deolinda e o Nuno Markl ajudam a animar a festa, juntando som e voz à luz. Eu não estava em Lisboa, há uns meses, quando houve um evento semelhante e estou felicissímo por ter uma segunda oportunidade de o desfrutar.
http://www.vousair.com/cartaz/novidades/espectaculos/item/8577-espectaculo-circo-de-luz-no-terreiro-do-paco 

Ah, sim! E parece que os Gato Fedorento irão voltar à televisão com um... coiso!

No espírito do N.I.N.J.A. Samurai, que celebra a nossa amizade com o Japão o ano todo, todos anos, deixo-vos ainda um link para um episódio do programa de TVI24 denominado "Ganhar o Mundo", que fala sobre o Japão e as possibilidades económicas, com a participação do Embaixador do Japão em Portugal e que toca também a nossa história comum que já tem quase 500 anos de idade. Espero, antes de findar o mês, aqui deixar um post sobre precisamente esse episódio dos Descobrimentos, em detalhe, um vez que é ignorado (ou infelizmente o foi quando eu estudei História) no Ensino Público.

Por agora é tudo. Espero voltar em breve, mas desejo-vos desde já um excelente mês, o melhor Natal possível e umas óptimas entradas para 2014. ;)

sábado, 2 de novembro de 2013

Info Sociocultural II

Meus amigos, bem-vindos sejam e Novembro também.
Como sempre, a Embaixada mandou-me novas e eis que as venho veícular, juntamente com outras que foram surgindo no meu radar. Este mês, como fazem às vezes, o email portador do boletim da Embaixada trouxe o link para o mesmo e não apenas o ficheiro pdf. Portanto, deixo-vos o link para o boletim, do qual vou realçar os eventos que acho pertinente fazer. Estão espalhados pelo mês e pelo país.
Antes de começarmos com os eventos, queria apenas expressar a minha tristeza pelo encerrar derradeiro da Majora, ficando ainda a esperança que num futuro mais risonho algum português pegue na marca e a relance (e aos postos de trabalho que se perderam) e voltemos a reforjar, mais forte e competitiva, o mercado de brinquedos em Portugal. Até lá, e a partir de amanhã dis 3 de Novembro, o Correio da Manhã (Jornal que tem um acordo ortográfico acordado consigo mesmo, imitando o que faz o estado português e ficando-se pelo mixordês e que eu não compro) faz-se acompanhar com jogos tradicionais da Majora:
 Ataquemos então o boletim informativo, começando por Lisboa:


  


  
Eu estou particularmente interessado neste seguinte e vou pedir mais informações para o email indicado, para saber se posso assistir ao curso e quais as condições para tal:
Seguem-se os eventos que ocorrem em Lisboa mas também noutras cidades:

E assim chegamos ao Porto:
 Em Gaia:
 Também no Porto mas já fora da informação dada pela Embaixada, existe ainda este workshop:
Não esquecendo da Capital Europeia da Cultura e Berço da Nação:

Um pequeno à parte, só para congratular o Luís de Matos, o mais famoso ilusionista português,que foi premiado em Londres:
Além de conhecer alguns truques simples, com cartas e outros, sempre adorei a arte do ilusionismo embora não tenha ido muito longe nesse campo. O Luís é um exemplo para qualquer pessoa que sonhe em trazer magia à vida das pessoas sem as iludir sobre o facto de ser mera ilusão e engodo. O Ilusionismo é das poucas instâncias em que sabemos que estamos a ser enganados e podemos ter prazer com isso. Outra arte capaz de o fazer é a 7ª.

Quero também realçar algo que me esqueci de mencionar noutros boletins da Embaixada Japonesa, que é o papel da NCreatures em publicar e veícular Manga em Portugal.
Se gostam de anime e manga, não deixem de visitar o site da NCreatures, cuja versão portuguesa é, pelo menos há data, SEM Acordo Ortográfico de 1990:
E como eu acho que a Democracia Directa é o modelo que devemos adoptar para o futuro, uma das formas de nos irmos treinando para ela, além de nos mantermos constantemente informados pelos canais oficiais e por outros que arranjemos, é o irmos lendo e assinando petições com as quais concordemos. Eis algumas que eu subscrevi recentemente.
No campo internacional:
Eu esforço-me aqui por ir falando do drama de Fukushima e tenho um post bastante extenso sobre essa situação para escrever, baseado em várias notícias que têm saído na imprensa portuguesa e internacional. Mas esse post requer bem mais tempo e calma.
Note-se que os leões andam a ser mortos pelos ossos e para com eles fazer "poções mágicas" para melhorar performance sexual. Isto é ridículo e odioso. É por isso que não gosto de crendice e/ou superstição de qualquer tipo.

No campo nacional:
Esta fala por si.
Não concordo que o pai que era presidiário foragido, que leva o filho de 13 anos para um roubo, e o coloca em ainda mais perigo fugindo à polícia, tenha direito a receber do oficial que matou essa criança durante uma perseguição qualquer montante de compensação, ainda para mais 80 mil euros. É de loucos. Qual é então o impeditivo ou a lição aprendida, que impeça este criminoso inconsciente e desumano de voltar a fazer o mesmo com outro filho(a)? Qual é a mensagem que está a ser dada a outros bandidos que lhe sigam nas pisadas?

Resta-me ainda deixar uma palavrinha para dois projectos.
O primeiro é da União Europeia que nos pergunta como é que impedimos tanto lixo de chegar aos mares? (link) E o segundo é sobre dois jovens que desejam restaurar o Palácio de Cristal do Porto. Eu sou todo a favor da manutenção e rentabilização (por oposição à venda) da nossa herança cultural, sejam material ou imaterial, por isso desejo-lhes a melhor das sortes e espero que encontrem o apoio que necessitam para tal. Todas as informações aqui.
Deixo-vos também, via P3, mais um traço cultural japonês, à mistura com arte portuguesa no Japão:
http://p3.publico.pt/cultura/exposicoes/9716/da-fotografia-de-shomei-tomatsu-street-art-de-rigo-23

Não se esqueçam que amanhã (dia 3 de Novembro) é dia de eclipse parcial do Sol. Vamos ver é se as nuvens cooperam e deixam ver. O apogeu será pelo 12h20 (hora de Lisboa) e pelas 13h já deve ter acabado. É o último deste ano. (link) Não olhem directamente para o sol. Usem filtros apropriados. ;)

Por agora é tudo e vejam lá se carregam na imagem lá em cima, que diz que eu não respeito o Acordo Ortográfico, e assinem por favor a Iniciativa Legislativa contra o Acordo Ortográfico de 1990.
Abdi, abdi... that's all folks!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Cultura e Fazedores de Opinião Orwellianos

Amigos, eis que chegou Outubro e cá venho eu dar-vos umas dicas culturais (algumas indicadas pela Embaixada do Japão, outras doutras fontes) em Portugal. Já agora, reservo-me ao direito de não dar aqui voz aos eventos cuja organização e/ou criador tenham adoptado o acordo ortográfico de 1990 (AO90). Mas do AO90 falarei mais e em extensão ainda este mês, mas num post a ele dedicado.
Por outro lado, venho também alertar para os fazedores de opinião e como exemplos vou usar o fenómeno (social) reality show da TVI, que faz em 2013 13 anos e do professor Marcelo Rebelo de Sousa e outros comentadores da actualidade.
Portanto, tiremos da frente as chamadas de atenção culturais para depois nos dedicarmos inteiramente ao proverbial “elefante na sala”.
No Porto:
Em Lisboa:
Relembrar a Exposição Sou Fujimoto em Belém:
Em Lisboa também, quero realçar e referir a Exposição "Mais Menos", que é uma prodigiosa crítica ao Capitalismo desenfreado que ataca a nossa Sociedade Global. Eu não vou faltar. Mais informações nos links abaixo:

Local: Rua Fernando Palha, Armazém nº56 - Marvila - Lisboa

ATENÇÃO: ESTA EXPOSIÇÃO TERMINA ESTE SÁBADO DIA 12 DE OUTUBRO. Desculpem não avisar mais cedo, mas também só descobri ontem.

Site oficial: http://maismenos.net/




Portanto, quanto aos reality shows, particularmente os do género Big Brother (nos quais se engloba Secret Story), o que vos tenho a dizer é que o nome original é o apropriado, pois este género de programas não são só Orwellianos no facto dos “concorrentes” (e coloco entre aspas essa palavra porque estes programas NÃO são um Jogo, e já explico porquê) serem gravados 24 horas por dia, à excepção da retrete, onde são no máximo vigiados, mas também porque a Endemol e a TVI fazem uma campanha de desinformação e edição da realidade como bem entendem para, ignorando o que realmente se passa na Casa, passarem para o público do programa a história que a produção deste último vai guionizando. Poderão vocês perguntar: mas então todos os concorrentes são actores a desempenhar um papel? Não será isso impossível considerando o tempo que demora? Não teriam de ser actores incríveis para aguentar um papel 3 meses?
Bem, se fosse necessário, sim. Mas a verdade é que é facílimo editar imagens e som para com um filme fazer outro. Quantas vezes não sai uma versão dum filme para o cinema, depois uma versão diferente em DVD (algumas em que o sentido da história muda por completo, no caso do "Blade Runner" por exemplo) e ainda um directors cut? Portanto, enfiam-se 20 marmanjo(a)s numa casa com câmaras, onde a única regra é que a Voz é soberana e onde o jogo consiste em mentir aos restantes para não descobrirem um segredo, enquanto cumprem missões secretas (os outros também não podem saber-te em missão) mandadas pela Voz. Essas missões fazem com que os concorrentes tenham atitudes e acções que normalmente não teriam, ficando estas gravadas e fora de contexto, sendo que o contexto pode ou não ser transmitido à audiência que vê o programa. Relembro que na emissão quasi-não editada, porque a produção cala microfones de concorrentes e ou muda de cena conforme lhes dá jeito no canal 13 do Meo, nunca vemos os concorrentes no confessionário. Portanto, quem acompanha na Zon ou por TDT nem sabe da missa a metade. Considerando que são as imagens que chegam à generalidade da população que formam o maior número das opiniões, até porque ver aquilo em directo é tão maçador quanto qualquer outra novela da TVI, e considerando também que se isto fosse mesmo um Jogo seria ganho pela popularidade, conclui-se que se a produção edita as imagens para escrever a novela “da vida real” que quer está a minar ou a favorecer a popularidade deste ou daquela “concorrente” e como tal a viciar as suas hipóteses de ganhar. Passa-se o mesmo na política e lá chegaremos. Mais, o facto dos participantes não serem actores, só faz com que as suas reacções sejam mais genuínas, o que é melhor que lá meter bons actores que pela fadiga desmascarem o programa ou maus actores que se veja logo estarem a fingir.
Qual o interesse, diriam vocês? O dinheiro que muitos patetas gastam de telemóvel a votar neste ou naquela participante.
Ainda quanto aos reality shows, vou dar uns exemplos deste que agora decorre na TVI/Meo.

Primeiro exemplo: esta semana houve uma prova qualquer em que um “concorrente”, que é pai e tem lá a mãe da sua filha a participar também, chamemos-lhe T, recebeu um telefonema da Voz que o mandou dar um beijo a uma concorrente na boca. Eu vi a cena ao lado da minha mãe, em directo e não editado no Meo. Claramente o gajo virou-se para uma concorrente muito vivaça pequenita, chamemos-lhe J, e disse “Queres-me dar um beijo?” mas o beijo não aconteceu e passado algum tempo ele disse para as mulheres que lá estavam “Quem me quer dar um beijo?” e outra concorrente bem alta, chamemos-lhe D, saltou enérgica do sofá e aceitou com agrado o desafio. Mais tarde, a ferida mãe da filha do gajo em questão disse que essa rapariga parecia que tinha um foguete no cu para o beijar, enquanto que a D afirma que foi directamente convidada a isso. No compacto da TVI generalista, ouvimos o T dizer “Queres-me dar um beijo?” mas não se vê a quem ele o diz, não ouvimos a segunda pergunta feita a qualquer mulher que está na sala, e vemos a D a aceitar o desafio. Ora isto é uma edição de imagem e som para reescrever os acontecimentos na Casa e formar a opinião, tornando “verdade” uma das versões de uma das participantes em detrimento da outra, que surge como alguém que está iludida com a realidade por questões amorosas. No 1984 de Orwell, que hoje anda muito no meu pensamento, havia um ministério inteiro (onde trabalha a personagem principal do filme) que se ocupava de reeditar e voltar a emitir livros de história e até jornais de forma a reescrever a história de acordo com as “verdades” do governo central, personalizado no Grande Irmão.
Segundo exemplo: referindo-me ao facto de eles até editarem o que nós vemos no Meo, por exemplo quando a conversa não lhes agrada eles prontamente mudam as cenas. Conversas explícitas sobre sexo ou quando os concorrentes afirmam que andam a partilhar medicação, sem aconselhamento de médicos, dentro da casa para poderem dormir, a Produção muda logo de micros e local da casa a ser mostrado.
Só para reforçar a ideia de porque é que não é um jogo, não há nenhum jogo ( que eu conheça) em que não haja regras excepto obedecer ao mestre. Talvez ele exista na Coreia do Norte (estado Orwelliano tornado realidade) ou numa relação Sado-maso.
Uma última nota sobre o reality show actual da TVI. Ora eu vi o BB1 e fui das pessoas que curtia o Marco Borges, participante que por ter agredido outro saiu da casa (embora o tivessem tentado convencer a ficar). Depois disso o Marco surgiu aqui e ali, em programas de rir, como por exemplo um que parodiava o Big Brother onde Ricardo Araújo Pereira encarnou D. Afonso Henriques, com o célebre “Vamos andar à porrada!”. Achei uma certa piada que o irmão do Marco, o Aníbal, entrasse agora na casa. Essa piada morreu ao fim do primeiro dia. O que o Aníbal está a fazer, não sei se por autoria própria se por desejo da produção (se por ambos), é assumir um comportamento de um tirano. O Salazar também não queria confusão nas ruas, queria paz e sossego, e a PIDE impunha-a. O Aníbal faz isso também e sozinho, mas num mundo de 20 pessoas e um Deus (a Voz), única autoridade acima de Aníbal. Na Coreia do Norte, também uma ditadura de cariz militar, acreditam ou fazem o seu povo acreditar que o Pai morreu e lidera do Céu, enquanto já renasceu no Filho que lidera o exército na Terra. Estão a 1 passo duma santa Trindade, e na Casa dos Segredos, Aníbal e a Voz fazem esse duo dinâmico. Até têm Mandamentos da Voz e parece-me que o Aníbal está desejoso para ser o Papa, senão o Messias!
Depois, o Aníbal vem com uns discursos moralistas incríveis (como se não tivesse 37 anos mas sim 1000. É que até podia ser eterno e um Deus, eu não reconheço autoridade a ninguém excepto mediante argumentos válidos e não apenas de autoridade, sobre a minha pessoa) e uma incrível falta de humildade, sob uma máscara, que só engana tolos, de uma pessoa extremamente humilde. Diz aos outros que tratem as raparigas da Casa como irmãs, “porque elas têm família em casa”, e depois diz a uma que ela é má pessoa (não dizendo mais nada, mas depois justificando essa afirmação com o facto da pessoa ser fútil. Posso ser só eu, mas acho que ser-se fútil não implica ser-se uma má pessoa) esquecendo-se que a família dela está a ver aquilo, e diz a outra para enfiar as palavras dela no cu enquanto lhe chama 3 coisas, uma delas sendo egoísta, criando um péssimo mau ambiente num espaço fechado, que a rapariguinha bem mais nova que ele teve o juízo de não alimentar e que depois, pelo diálogo, fez com que Aníbal tivesse de perceber que errou. Perante os outros, Aníbal justificou-se alegando que nem se lembra do que disse, mas “que foi de coração”. Faz-me lembrar o Passos Coelho e os dessa laia. Mais uma vez se esqueceu que a rapariga em questão tem família em casa e não vai gostar de ouvir aquilo, mas que importa isso? Foi de coração. Usa e abusa da idade como patente militar e procura instalar na casa uma ditadura militar. Quem quer que seja que não concorde com ele, e com ou sem tomates, lhe tenha a audácia de dizer, tem-no como inimigo. Exemplo, ainda na noite em que foi nomeado, disse a um companheiro que quem o tinha nomeado acabara de lhe facilitar a vida (id est, já tem quem nomear se lá ficar). Outro exemplo: ainda à coisa de umas horas, o ouvi dizer a outros dois participantes que se eles se queriam zangar com ele (e é ele quem está sempre a criticá-los e a deitá-los a baixo porque eles não entram na linha como os outros e, coincidência das coincidências, estão nomeados com ele esta semana), que se fechavam os três no quarto e a coisa resolvia-se rapidinho. “Até podem vir os dois”, disse-o ele, todo macho. Pudera, um homem de 37 anos, praticante de artes marciais, treinado nos fuzileiros, a desafiar dois putos, um dos quais que aparente ter um parafuso a menos. Tanta coragem. Quando um desses dois interpelados perguntou e muito bem “Resolvia-se como?”, ele não respondeu mais que “Resolvia-se logo”. O rapaz insistiu e foi directo, perguntando “Pois, mas como? À porrada?”, não foi o Aníbal quem disse que não (pois fora exactamente essa a intenção das suas palavras, qualquer tanso que as ouvia o perceberia, até a Voz que disse ao nesse momento, “Moderem o Tom de Voz”) mas sim o T, que mais parece o Terrier do Ditador, dizendo “Achas que era à porrada?, era a falar!” ao que o outro rapaz que acabara de ser ameaçado questionou “Então porque é que tínhamos de estar fechados no quarto?”. Acrescento ainda que o Aníbal contradiz-se com a mesma facilidade que Passos Coelho, dizendo que não liga a bens materiais, para mais tarde dizer que prefere não comer marisco a comer miolo de camarão, para o senhor imaterial só camarão do bom. Diz à Voz, quando esta multou os participantes por dizerem asneiras, que achava muito bem mas que a coima devia ser maior e ele é o maior brejeiro naquela Casa. O Aníbal contudo confessa-se várias vezes ali um homem frustrado, acho que ele isso não precisa de dizer sequer, nota-se! Quanto aos outros, assinaram o contrato para serem escravos da Voz, amanhem-se e aturem-no que eu não tinha estômago. Odeio ditadores e não aceito tons paternalistas de ninguém, sabendo eu que tanto posso aprender com crianças como com adultos, é apenas uma questão de manter os sentidos despertos e não me armar em superior. O Aníbal, e por isso disse que ele tem falsa modéstia, impera naquela casa como o dono da verdade, com um único argumento (que é de autoridade) baseado no facto de ser mais velho e “de ter quilómetros naquele corpo”, parafraseio, impondo o seu regime autoritário e sendo o primeiro a desrespeitar os seus próprios conselhos. Diz que adora ler, mas só lhe ouço sair da boca sabedoria de cartomante feirante ou de horóscopo e violência glorificada. Quando os meus pais tinham um café, ouvi milhões de vezes as histórias que ele conta naquela casa, por outras bocas e mudando os cenários e intervenientes, contadas no mesmo tom de soberba, geralmente por pessoas frustradas com a vida e/ou ébrias, mas com a mesma retórica que ele usa. E diz ele que quer instigar espírito de grupo, sendo ele o primeiro a ser sectário à lá Bush “se não estão comigo, estão contra mim.” Comportamento normal em alguém que diz adorar ler, mas depois diz que o terramoto em Lisboa foi em 1975, ao lhe ser dito que estava errado, ele recíproca “E o 25 de Abril foi o quê, Voz?” (alegando talvez que nessa data foram abaladas as fundações do estado), mas é de relembrar o nosso militar na reserva, que o golpe de estado do MFA foi em ’74. Disse ainda hoje que, 2 a dividir por 2 é 0. Não sei que livros ele anda a ler, mas largue os de auto-ajuda e conselhos pesudo-budistas, e pegue em livros de História e Matemática que lhe farão melhor. Até porque ele está sempre a dizer aos outros para andarem na paz e no amor, mas está constantemente tenso, nervoso e agressivo, sendo que algumas das “concorrentes” expressaram já ter medo que ele se passe. É o proverbial, olha ao que eu digo e não ao que eu faço. Hipocrisia a ser apresentada com sabedoria. O verdadeiro líder, lidera pelo exemplo, e “palavras são vento”, como diria RR Martin.
A minha mãe, que se isso importa tem mais de 50 anos (parece importar ao Aníbal), está tão desiludida e enojada com o desempenho e personalidade dele (ela ainda gostava mais do Marco que eu) que queria ir votar para ele sair. Tive de a recordar que aqueles votos não contam para nada, que noutra edição da Casa dos Segredos um concorrente que já tinha saído perguntou à pivot “Porque é que a claque da pessoa que sai a cada semana é sempre colocada naquela bancada no início do programa?”, coisa que eu já tinha reparado, e no programa seguinte já não se verificou. Ora no início do programa supostamente ainda não acabaram as votações, lembram-se? Aquilo é dinheiro fácil, que se junta ao que ganham da publicidade, sendo que não há forma de um cidadão comum verificar ou recontar os votos, porque para isso precisaria de uma autorização de tribunal para ver todas as chamadas recebidas naquela semana para aqueles números. O totoloto tinha um Júri a assegurar os procedimentos e apareceu lá a bola 0, quando este algarismo não existia nos talões. Eis o tesourinho deprimente:
Agora estas votações que nem são controladas por ninguém, que garantias têm de que influenciem algo mais que a carteira da TVI e da Endemol? “Os portugueses são soberanos”, repetem eles incessantemente, nos muitos espaços de opinião que a TVI tem, com comentadores das revistas cor-de-rosa e ex-participantes onde reforçam as opiniões que a Produção quem gerar na sua audiência. Dá-me vontade de rir... isto porque não sou de chorar. Repare-se, a título de exemplo, desta bronca percentual que surgiu num programa que tem um funcionamento semelhante aos Reallity Shows à lá Big Brother em termos das votações por telefone:
No programa anterior, o chamado Big Brother Vips, no qual ainda hoje não percebo porque usaram VIP e não famosos (é que não vi lá uma única Very Important Person), em que entrou o Zezé Camarinha, alguém na primeira semana, das concorrentes, disse: “O Zezé tem contrato para cá estar 5 semanas.” Eis que o Zezé saiu à quinta semana. Mas o que vale é que isto não está já programado e que “os portugueses são soberanos”. Se a minha mãe, com os seus 50 e tal anos, com o 12º ano de escolaridade, se deixa envolver emocionalmente tanto pelo programa ao ponto de cair na ilusão, num impulso emocional, para querer gastar dinheiro nisto, esquecendo-se da conclusão a que também ela já chegara de que, pelo menos, neste caso os portugueses NÃO são soberanos, como não hão-de ser levados as muitas espectadoras e espectadores da TVI que abordam actrizes na rua criticando-as pelos comportamentos e atitudes das suas personagens como se actores e a personagem que desempenham fossem a mesma pessoa não cair no logro? E os miúdos, os putos e pitas que vêem o programa?
Não estou a dizer que se cancele ou proíba Big Brothers e afins, não faço parte do PSD (tabaco) ou do BE (touradas), apenas quero alertar os espectadores dos programas para que saibam uma simples e incontornável verdade, o objectivo desses programas é controlar não os participantes do mesmo, mas sim a sua audiência para vende publicidade, ganhar share e levá-los a votar duma assentada. Considerando que a Casa já lá está há 13 anos, que as mudanças decorativas e a comida estão a cargo do IKEA e do Intermarché, em termos de modelo de negócios, este programa é o sonho molhado de um capitalista. Ah, esqueci-me da mão-de-obra barata providenciada por um país em que os Chico-espertos é que são os maiores e que muita gente está disposta a dar “o cu e 10 tostões” para ser famoso... nem que seja apenas por 15 minutos. E por isso vendem a sua liberdade e privacidade potencialmente por 1 ano à Endemol. Uma coisa concedo a Miguel Sousa Tavares, creio não estar em erro que ele disse algo nestas linhas, os reallity shows trazem ao de cima o que de pior há no ser humano. Se não foi ele que o disse, alguém disse e eu concordo com a afirmação.

Transportando esta temática para a Política, onde esta desinformação é muito mais perigosa, embora e precisamente, por ser mais subtil. Tomemos dois casos concretos: a última opinião do prof Marcelo na TVI e uma das críticas apontadas e bem por José Diogo Quintela ao Miguel Sousa Tavares.
O professor Marcelo, em rescaldo das Autárquicas, na passada segunda-feira afirmou que a vitória de António Costa fora tão esmagadora pois conseguira entrar no eleitorado do PSD, do BE e da CDU. Ora, eu não sei onde é que o professor foi saber esses resultados, mas de facto a CDU subiu em número de votos face a 2009 a nível Nacional em geral e em particular em Lisboa, logo é impossível que o Costa tenha entrado no seu eleitorado. Isto cheira-me a “nhufa” dos vermelhos... ou será encarnados, professor? Pequena provocação, não leve a mal, professor.
A imagem é retirada do Correio da Manhã do dia 1 de Outubro e uso essa fonte porque é precisamente um jornal bem à direita na sua retórica editorial. Mas para ter mais que uma fonte, fui também buscar os resultados do Expresso:
Mas esta desinformação, e é de notar-se que o professor Marcelo não é homem mal informado ou de falar de cor (excepto quando faz previsões), é expectável. O quanto eu não me admirei de na altura antes e depois da Campanha Eleitoral das Autárquicas, as televisões SIC e TVI, tipicamente com visões de direita (reparem quem convidam para comentar a política assiduamente), darem tanto tempo de antena ao Jerónimo de Sousa, chegando ao inédito de passarem na integra os discursos da festa do Avante! e tudo. Um teórico da conspiração assumiria uma de duas posições: ou até os da direita estão fartos deste governo, mesmo no privado; ou alguém decidiu jogar os dados para ver se o PCP consegui impedir a vitória histórica do PS (expectável na medida em que já não passamos tão mal neste país desde o Estado Novo). Mas agora que se tentou essa jogada, a reacção tem de ser célere, não vão os vermelhos crescer para lá da conta. Entra Marcelo Rebelo de Sousa, o único comentador que não usa o argumento da cassete e que até diz que o PCP e muito inteligente na forma de agir e de não atentar contra o Presidente da República, etc..., desvalorizando a pequena vitória comunista simplesmente não falando dela (na segunda-feira – podem ver o vídeo no site da TVI) e quando fala de passagem na CDU, mete-a com as restantes forças derrotadas, distorcendo a realidade, como comprovado pela imagem acima em conjunção com as palavras do professor. Nem tão pouco o professor Marcelo dá a entender que a esmagadora maioria de António Costa se deve à abstenção. António Costa tem uma maioria absoluta duma minoria que se decidiu a votar. Não acreditem em mim, pesquisem os valores da abstenção do eleitorado alfacinha e percebam isso por vocês mesmos. A CDU foi o único dos 5 partidos da Assembleia da República que subiu o número de votos face a 2009, quer em Lisboa, quer a nível nacional, como demonstram os dados do Expresso e Correio da Manhã (duvidem, e vão em busca doutras fontes):
Dois factos importantes numa análise digna de um politólogo como o Professor Marcelo que são convenientemente deixadas de parte para, digam comigo, nos moldar a opinião.
O caso Miguel Sousa Tavares versus José Diogo Quintela é menos patente, mas demonstra bem o pensamento dos intelectuais da direita que comentam a actualidade socioeconómica portuguesa, como é o do MST. José Diogo Quintela apanhou-o em falso a criticar (e bem) todos os gestores banqueiros deste país por nome, exceptuando um que só por acaso é seu compadre. Vejam imagem abaixo:
Em resposta, MST afirmou sem sequer fundamentar que José Diogo Quintela é um verme que vive à sombra de Ricardo Araújo Pereira e que agora quer usar o próprio MST para se promover, enquanto diz que a sua (de MST) boa educação não lhe permite criticar a família em praça pública. Já a família dos outros que se foda... quem é que isto me faz lembrar? Ah sim, a cultura dos compadrios e jobs e business for the boys que reina na e destrói a nossa nação. Reparem que o MST ao fomentar más opiniões dos concorrentes do seu compadre, enquanto deixa este último intocado, está a favorecer o seu familiar por lei (usando a expressão americana) na opinião pública. Mas o MST é bem capaz de dizer mal de outros que façam o mesmo. Viva a boa educação, tão bela desculpa.
Mas podem vocês dizer: “Mas, Alex, tu já aqui citaste o MST, concordando com ele! Critícá-lo agora não enfraquece os teus argumentos de então?” Ao que a minha resposta é simples. Não, não enfraquece, porque eu ao formar a minha opinião ouço o máximo de opiniões possíveis, penso em todos os argumentos que ouvi, peso o mérito de cada argumento baseando-me no argumento em si (com o auxílio da lógica e dos meus valores pessoais) e não em quem o teceu, e depois então crio a minha opinião, que nunca é suprema e está sempre inacabada e passível de ser alterada ou abandonada ou quiçá reforçada, por argumentos que entretanto surjam e que eu não levara em conta inicialmente. Isto para recordar que o argumento de autoridade, do género “aquele é doutor nalguma coisa logo a opinião dele vale mais que a minha“, não tem valor algum, pois um argumento, uma opinião, vale pelo seu próprio mérito (rigor lógico, premissas e fundamentos) ou falta dele e não por quem a diz. Não comam então a papinha dos jornais, dos fazedores de opinião, vivam (e uso agora uma metáfora cinematográfica) fora da Matrix. Pensem por vocês mesmos. Custa mais, envolve mais pesquisa, mais debate, mais interesse, dá mais trabalho, mas permite-vos escapar às amarras que leva tanta gente a votar desta forma porque o padre assim aconselhou o rebanho (estou a ser literal, aconteceu na Meia Via, concelho de Torres Novas, distrito de Santarém, em prole do PS) ou só é voto válido se for ou no PS ou no PSD. O primeiro passo para sermos livres é sermos livres na nossa própria mente, daí ter trazido a Matrix à baila.

Quero só realçar que, desto modo e sem qualquer embaraço, admito que vejo programas tão estapafúrdios e embrutecidos como estes (i)reallity shows, tal como ouço o Marcelo, o MST, leio o Público e vejo séries e filmes. Pode-se aprender algo ou retirar algo de valor da fonte mais inesperada. Não sou adepto da atitude de intelectuais demasiados cheios de si mesmos e que gostam de se dar a ares de elitistas... tipo o MST. E se agora vejo menos TV, é porque tenho a net, não quis comprar tdt nem gastar dinheiro em serviços de TV e porque a maioria dos canais tem AO90 que me dá asco. Vejo todas essas coisas porque vão fazendo parte, para bem ou mal, da sociedade na qual me insiro e a única forma de me precaver ou salvaguardar dessas coisas é conhecê-las o melhor possível, procurando sempre o que há nas entrelinhas e nos bastidores, porque a superfície tende sempre a ter o verniz da hipocrisia social. Como é dito por um excelente actor inglês no filme “A Knight’s Tale”, e parafraseio: “Toda a actividade humana está inserida no escopo do artista... mas talvez não a tua.”
Voltamos a falar em breve e estou aqui disposto a entrar em diálogo convosco, desde que tenham argumentos de jeito, bem fundamentados, e que não se rebaixem ao insulto fácil, como naquela instância, com o Quintela, fez o MST.
De minha parte, “É tudo... por agora!” ;)

P.P.S.: Acabo de ouvir no Compacto de hoje na TVI que o Aníbal é uma homem duma cultura extraordinária!! Ainda gostava de ver a gravação completa de todas as intervenções que a Marta fez na rua, é que me cheira que há daquelas edições tipo quando querem dizer que os estudantes portugueses são os mais burros e só escolhem os piores exemplos de todos os gravados para comprovar a sua tese, em detrimento da realidade. Este último exemplo é concretizado nesta reportagem da Sábado, a qual diz que entrevistou 100 alunos universitários em Lisboa. Ora 100 alunos dificilmente são uma amostra populacional que possa representar as dezenas ou centenas de milhares de alunos universitários que estudam em Lisboa. Fora isso, é-nos mostrado uma peça de 6 minutos, em que não vemos mais de 10 pessoas. Mesmo que isso provasse alguma coisa, se 6 minutos mostram 10 pessoas, seria preciso no mínimo um vídeo de 600 minutos para mostrar os 100 entrevistados. Que aconteceu aos 90% dos entrevistados? Talvez tenham acertado?
Nas entrevistas que a Marta faz às portas do Colombo, decerto que ou as pessoínhas não estão ocorrentes, pois assim escolheu a TVI e a Endemol, que o homem não sabe dividir 2 por 2 e que acha que 1975 um terramoto destruiu Lisboa (Sem dúvida, um pilar cultural!!); ou pura e simplesmente a sapiência de feira é tudo. O que explicaria vivermos no país de Passos Coelho e de Sócrates, de Cavaco e Soares!!
Prevejo que a Produção vai poupar o Aníbal e meter o tanso do Rúben para fora da casa, uma vez que o tal Bruno é o único naquela casa que calmamente faz frente ao Aníbal e não tem ar de ter uma deficiência mental. Prevejo igualmente que após se achar na mó de cima, o Aníbal vai, qual Saddam Houssein reforçar o seu poder e tornar-se ainda mais irascível e controlador.
A minha mãe está lixada da vida, pois percebeu qual a intenção da Produção. Ela acha que sai o Bruno, pelo que ouviu lá os fazedores de opinião residentes dizer. Eu passado um certo ponto já não tenho pachorra para continuar a ver idiotices.
É aqui que eu deixo de ver o SS 4 (até a abreviação faz lembrar o período negro entre 1939 e 1945! Sabes a que me refiro, ó grande homem da cultura Aníbal Borges?), porque já me basta existir a Coreia. Ai Fausto, ensina a este povo no que dá assinar contratos com o diabo!
Obrigado TVI pelo case study.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Cartaz Cultural

Olá, pessoal!
Este mês estive ausente, mas não deixei contudo de trabalhar no blog. Tenho estado a reunir material e ideias para posts nos próximos meses que, espero eu, poderão dar que pensar. Mas conforme o nível de exigência técnicas dos posts (caso eu tenha por exemplo que fazer edição de vídeos e legendagem dos mesmos), também a dificuldade posterior de os executar numa forma acabada satisfatória que vos possa oferendar.
Ainda assim, no dia de hoje e no dia de amanhã, espero conseguir meter aqui duas entradas. A de hoje prende-se com as novidades da Embaixada do Japão, que não me canso de congratular por limpar a infecção de AO90 dos seus boletins informativos, mas também com outras sugestões culturais e menções honrosas e desonrosas de actividades culturais que se passaram em Lisboa. O resto do país que me desculpe, mas é lá que vivo na maior parte do ano.


Aproveito para destacar alguns dos eventos mencionados no boletim, onde encontrarão também notícias das últimas actividades culturais da Embaixada e outras de conteúdo económico:


Este vai um bocado em cima do prazo, mas para os poetas que por aqui passeiem os olhos ainda virá a tempo, espero.
De seguida, uma das minhas paixões, a sétima arte. De todos aqueles filmes, apenas conheço a versão americanizada do Pulse, que adorei, excelente filme de terror. Fico em pulgas para ver o original:
Também há oportunidades para investigadores em vários campos, possibilidade de bolsa de estadia no Japão:
Para finalizar, um pouco de arte plástica:
Não pensem que não vi aquele direção na última imagem, mas a culpa disso é dos senhores do nosso governo que insistem em não se desvincular do Acordo Ortográfico, um jovem de 20 anos, velho de cabeça.
Aconselho a leitura de todo o pdf informativo, que linkei acima, pois há lá links para outras informações de cariz económico que também vos poderá interessar, caso se sintam ou sejam empreendedores ou empresários no activo.

Mas ainda há mais actividades culturais para os interessados, embora estas últimas tenha sabido delas via Facebook.
Uma tem a ver com uma curta metragem na qual participa a actriz Oceana Basílio, intitulada O Cheiro das Velas, e que será projectada em Lisboa, já no mês de Agosto:

 E em Setembro no CCB, uma exposição de arquitectura de Sou Fujimoto:
Ora, resta-me então mencionar duas actividades culturais mui experimentais, e eu infelizmente, uma devido aos exames, outra devido a me ausentar de Lisboa, não as pude experimentar

Falo do visionamento por iniciativa de Filipe Melo (realizador de I'll see you in my Dreams) daquele que se diz "o pior filme da humanidade", o The Room de Tommy Wiseau, cujo objectivo parece ser o completo desrespeito do "código de conduta" como o desenhado por Mark Kermode e amigos:
Eu gosto de um máximo de silêncio na audiência durante os filmes, não me importando se as pessoas de vez em quando falarem baixinho com a pessoa a seu lado ou quando se ri a bom rir. Não gosto é do ruído horrendo de pipocas a serem mastigadas, pacotes de batatas ou embrulhos de chocolates a serem rasgados, o som de chupar numa palhinha quando o copo está quasi-vazio. Mas adoraria esta experiência totalmente oposta da minha experiência ideal de cinema, devido ao elemento de paródia da mesma.

A segunda experiência cultural feita em Lisboa que quero mencionar é a intitulada Lisboa em Si. Quando vi esta experiência noticiada no Público online, pareceu-me uma ideia muito interessante. Era descrita como uma tentativa de se criar uma orquestra sinfónica com os sons da cidade, buzinas de barcos nas docas, sinos das igrejas, buzinas de bombeiros, etc... Como eu outrora vi um filme cujo nome não sei, em que um actor americano fazia um sapateado ao ritmo de New York, em que o ritmo era dado pelos carros a passar, a buzinar, a pisarem tampas de esgoto soltas, etc... foi essa a imagética que eu imaginei, pois no filme, com a magia de Hollywood talvez, funcionava. Além disso, na notícia, falava-se de métodos científicos para a recolha de sons em vários locais, para depois através de software e um orgão digital com ele apetrechado, mais tarde se fazer a sinfonia de Lisboa. Bom, isso era o que eu pensava. Isto foi o resultado:
Em suma, uma experiência falhada. Esse meu colega foi dos que foi para um dos pontos assistir e ouvir ao concerto metropolitano. No vídeo acima, noutro ponto da cidade face àquele em que esteve o meu colega, chega-se a ouvir pessoas a dizer que não se ouve sinfonia nenhuma. E na conversa de facbook, conclui-se que o defeito não era no ponto escolhido para ouvir. Por outro lado, fala-se em software nas notícias, mas a suposta orquestra era coordenada pelo autor desta ideia via rádio, o que deixa no ar a pergunta, "software para quê mesmo?". É que é uma pergunta interessante pois custou dinheiro à Câmara de Lisboa. E eu sou daqueles que acha que mesmo em crise devemos apostar e investir na cultura, mas há limites. E de facto, não tivesse estado em época de exames, ter-me-ia provavelmente oferecido como voluntário. Vendo este resultado, postado no facebook de um colega meu, procurei perceber o que correra mal. Eis que surgiu outro vídeo no seguimento desse post do meu colega. O vídeo de apresentação no projecto na Câmara de Lisboa.
Vendo este último vídeo, podemos inferir pelas palavras do Pedro Castanheira, o impulsionador deste evento, desta tentativa, o que correu mal. Diz-nos ele "(...) Vamos fazê-lo duma maneira científica, vamos fazer um software, (...) vamos calar uma cidade durante sete minutos (...) sem silêncio da cidade o projecto não tem mesmo potencial (...) como devem calcular tudo isto é Fé!". Ora estes soundbites que removi dum discurso (na íntegra no vídeo acima linkado) permitem, a este sincero ateu, perceber o que se passou de errado com esta iniciativa. O primeiro problema é a afirmação de se querer fazer algo de "maneira científica" quando se afirma que "tudo isto é Fé". A mistura das duas actividades (Ciência e Fé) nunca deu bom resultado para a Humanidade, algo que pode ser comprovado de forma histórica nesta palestra de Neil Degrasse Tyson. Perdoem-me aos que não são fluentes em inglês, mas não houve tempo para a legendar. Mas depois um homem que espera fazer uma sinfonia com sons da cidade, esperando calar a metrópole em Si, em vez de procurar usar o seu ruído, o seu barulho de forma construtiva, creio eu que estará condenado ao insucesso. Há forças que nós não controlamos que também incomodam acusticamente, como o próprio vento e esse não há quem o cale. "Palavras são vento", diria George RR Martin. Por último, fazer as coisas de forma científica, é usar o método científico (que se baseia no método experimental e em dados factuais, não na fé), e não a simplesmente bater tecla e criar um software. Como iria Marcelo Rebelo de Sousa "É curto! Não chega."
O discurso apaixonado de Pedro Castanheira, faz-me lembrar o discurso do neo-guru do "bater punho", apadrinhado pelo maçon mor Relvas, Miguel Gonçalves. Como dizia o outro mesmo..? Ah sim, "Palavras são vento". Ter projectos culturais é bom, apoiá-los é óptimo, mas independentemente de quão ambiciosa ou grandiosa é a obra a que  se propõe (ou especialmente quando o é ambiciosa e cara), deve-se ter extremo cuidado com a implementação. A ideia pode ser criada com fé, mas para correr bem, a implementação tem de ser realista e objectiva.
Até mais logo, espero...

P.S.S.: Deixo aqui o apelo para que façam novo visionamento do The Room agora já em Agosto, para eu poder ir. Decerto não serei o único interessado, uma vez que parece que o primeiro esgotou, segundo facebook do Nuno Markl.