Mostrar mensagens com a etiqueta Arquitectura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arquitectura. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 30 de julho de 2013

Cartaz Cultural

Olá, pessoal!
Este mês estive ausente, mas não deixei contudo de trabalhar no blog. Tenho estado a reunir material e ideias para posts nos próximos meses que, espero eu, poderão dar que pensar. Mas conforme o nível de exigência técnicas dos posts (caso eu tenha por exemplo que fazer edição de vídeos e legendagem dos mesmos), também a dificuldade posterior de os executar numa forma acabada satisfatória que vos possa oferendar.
Ainda assim, no dia de hoje e no dia de amanhã, espero conseguir meter aqui duas entradas. A de hoje prende-se com as novidades da Embaixada do Japão, que não me canso de congratular por limpar a infecção de AO90 dos seus boletins informativos, mas também com outras sugestões culturais e menções honrosas e desonrosas de actividades culturais que se passaram em Lisboa. O resto do país que me desculpe, mas é lá que vivo na maior parte do ano.


Aproveito para destacar alguns dos eventos mencionados no boletim, onde encontrarão também notícias das últimas actividades culturais da Embaixada e outras de conteúdo económico:


Este vai um bocado em cima do prazo, mas para os poetas que por aqui passeiem os olhos ainda virá a tempo, espero.
De seguida, uma das minhas paixões, a sétima arte. De todos aqueles filmes, apenas conheço a versão americanizada do Pulse, que adorei, excelente filme de terror. Fico em pulgas para ver o original:
Também há oportunidades para investigadores em vários campos, possibilidade de bolsa de estadia no Japão:
Para finalizar, um pouco de arte plástica:
Não pensem que não vi aquele direção na última imagem, mas a culpa disso é dos senhores do nosso governo que insistem em não se desvincular do Acordo Ortográfico, um jovem de 20 anos, velho de cabeça.
Aconselho a leitura de todo o pdf informativo, que linkei acima, pois há lá links para outras informações de cariz económico que também vos poderá interessar, caso se sintam ou sejam empreendedores ou empresários no activo.

Mas ainda há mais actividades culturais para os interessados, embora estas últimas tenha sabido delas via Facebook.
Uma tem a ver com uma curta metragem na qual participa a actriz Oceana Basílio, intitulada O Cheiro das Velas, e que será projectada em Lisboa, já no mês de Agosto:

 E em Setembro no CCB, uma exposição de arquitectura de Sou Fujimoto:
Ora, resta-me então mencionar duas actividades culturais mui experimentais, e eu infelizmente, uma devido aos exames, outra devido a me ausentar de Lisboa, não as pude experimentar

Falo do visionamento por iniciativa de Filipe Melo (realizador de I'll see you in my Dreams) daquele que se diz "o pior filme da humanidade", o The Room de Tommy Wiseau, cujo objectivo parece ser o completo desrespeito do "código de conduta" como o desenhado por Mark Kermode e amigos:
Eu gosto de um máximo de silêncio na audiência durante os filmes, não me importando se as pessoas de vez em quando falarem baixinho com a pessoa a seu lado ou quando se ri a bom rir. Não gosto é do ruído horrendo de pipocas a serem mastigadas, pacotes de batatas ou embrulhos de chocolates a serem rasgados, o som de chupar numa palhinha quando o copo está quasi-vazio. Mas adoraria esta experiência totalmente oposta da minha experiência ideal de cinema, devido ao elemento de paródia da mesma.

A segunda experiência cultural feita em Lisboa que quero mencionar é a intitulada Lisboa em Si. Quando vi esta experiência noticiada no Público online, pareceu-me uma ideia muito interessante. Era descrita como uma tentativa de se criar uma orquestra sinfónica com os sons da cidade, buzinas de barcos nas docas, sinos das igrejas, buzinas de bombeiros, etc... Como eu outrora vi um filme cujo nome não sei, em que um actor americano fazia um sapateado ao ritmo de New York, em que o ritmo era dado pelos carros a passar, a buzinar, a pisarem tampas de esgoto soltas, etc... foi essa a imagética que eu imaginei, pois no filme, com a magia de Hollywood talvez, funcionava. Além disso, na notícia, falava-se de métodos científicos para a recolha de sons em vários locais, para depois através de software e um orgão digital com ele apetrechado, mais tarde se fazer a sinfonia de Lisboa. Bom, isso era o que eu pensava. Isto foi o resultado:
Em suma, uma experiência falhada. Esse meu colega foi dos que foi para um dos pontos assistir e ouvir ao concerto metropolitano. No vídeo acima, noutro ponto da cidade face àquele em que esteve o meu colega, chega-se a ouvir pessoas a dizer que não se ouve sinfonia nenhuma. E na conversa de facbook, conclui-se que o defeito não era no ponto escolhido para ouvir. Por outro lado, fala-se em software nas notícias, mas a suposta orquestra era coordenada pelo autor desta ideia via rádio, o que deixa no ar a pergunta, "software para quê mesmo?". É que é uma pergunta interessante pois custou dinheiro à Câmara de Lisboa. E eu sou daqueles que acha que mesmo em crise devemos apostar e investir na cultura, mas há limites. E de facto, não tivesse estado em época de exames, ter-me-ia provavelmente oferecido como voluntário. Vendo este resultado, postado no facebook de um colega meu, procurei perceber o que correra mal. Eis que surgiu outro vídeo no seguimento desse post do meu colega. O vídeo de apresentação no projecto na Câmara de Lisboa.
Vendo este último vídeo, podemos inferir pelas palavras do Pedro Castanheira, o impulsionador deste evento, desta tentativa, o que correu mal. Diz-nos ele "(...) Vamos fazê-lo duma maneira científica, vamos fazer um software, (...) vamos calar uma cidade durante sete minutos (...) sem silêncio da cidade o projecto não tem mesmo potencial (...) como devem calcular tudo isto é Fé!". Ora estes soundbites que removi dum discurso (na íntegra no vídeo acima linkado) permitem, a este sincero ateu, perceber o que se passou de errado com esta iniciativa. O primeiro problema é a afirmação de se querer fazer algo de "maneira científica" quando se afirma que "tudo isto é Fé". A mistura das duas actividades (Ciência e Fé) nunca deu bom resultado para a Humanidade, algo que pode ser comprovado de forma histórica nesta palestra de Neil Degrasse Tyson. Perdoem-me aos que não são fluentes em inglês, mas não houve tempo para a legendar. Mas depois um homem que espera fazer uma sinfonia com sons da cidade, esperando calar a metrópole em Si, em vez de procurar usar o seu ruído, o seu barulho de forma construtiva, creio eu que estará condenado ao insucesso. Há forças que nós não controlamos que também incomodam acusticamente, como o próprio vento e esse não há quem o cale. "Palavras são vento", diria George RR Martin. Por último, fazer as coisas de forma científica, é usar o método científico (que se baseia no método experimental e em dados factuais, não na fé), e não a simplesmente bater tecla e criar um software. Como iria Marcelo Rebelo de Sousa "É curto! Não chega."
O discurso apaixonado de Pedro Castanheira, faz-me lembrar o discurso do neo-guru do "bater punho", apadrinhado pelo maçon mor Relvas, Miguel Gonçalves. Como dizia o outro mesmo..? Ah sim, "Palavras são vento". Ter projectos culturais é bom, apoiá-los é óptimo, mas independentemente de quão ambiciosa ou grandiosa é a obra a que  se propõe (ou especialmente quando o é ambiciosa e cara), deve-se ter extremo cuidado com a implementação. A ideia pode ser criada com fé, mas para correr bem, a implementação tem de ser realista e objectiva.
Até mais logo, espero...

P.S.S.: Deixo aqui o apelo para que façam novo visionamento do The Room agora já em Agosto, para eu poder ir. Decerto não serei o único interessado, uma vez que parece que o primeiro esgotou, segundo facebook do Nuno Markl.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Roku Juu... Otousan... Ni-jū Rasen!


Este é o post 60 do N.I.N.J.A. Samurai. É uma entrada que desejo dedicar a alguém muito importante na minha vida, o meu pai. É que foi neste terrível ano de 2012, temido pelos supersticiosos como o ano do fim do mundo, que tanto este blog viu o seu sexagésimo post surgir como o meu pai viu o seu sexagésimo aniversário.
Antes de mais, eis as variadas maneiras de dizer “pai” em Japonês:
Meu pai - Chichi ( pronúncia - Titi )
Pai (dos outros) - Otousan ( Pronúncia - Otôssan, e menos formal, se pronuncia sem o "o", ficando Tôssan -Tousan ) お父さん ( Na escrita, o menos formal é só tirar o "" )
O meu Pai, entre outras coisas, foi das pessoas que mais estimulou o meu gosto pela escrita, sem nunca me obrigar a nada. Quando eu era pequeno e antes de saber ler, o meu pai lia-me bandas desenhadas da Disney, do Lucky Luke, do Astérix, do Michel Vailant, etc… Quando aprendi a ler, passámos para as BD de sci fi, Marvel e DC, essencialmente. Sim, mesmo depois de eu saber ler, eu forçava o meu pai a ler-me as BD’s, porque a verdade é que ele acrescentava um ponto seu ao conto e tornava tudo mais interessante e divertido. Além disso, era tempo que passava com ele. Entre a Primária e o 10º ano, fora das obrigatoriedades estudantis, só lia BD's. Os meus pais lá me sugeriam outros livros, que eu na altura tinha como mais massudos, mas nunca me obrigaram a pegar neles. A certa altura, contudo, quando andávamos em arrumações lá por casa, descobri um livro que li numa tarde. Um livro de bolso do meu pai, de ficção científica, chamado Deuses Siderais. Ele cruzava a Atlântida, com deuses que eram de facto apenas humanóides vindos doutros planetas e cuja tecnologia perante os homens da Idade da Pedra parecia magia. It blew my mind! Anos mais tarde, andava eu no 11º, quando já tinha começado a atacar a colecção de Sci Fi (sem imagens ahahah) do meu pai. As colecções Argonauta e as publicações Europa-América, com autores como Isaac Asimov, Ray Bradbury, Robert Block, A. E. Van Vogt, entre outros, fizeram-me as delícias e abriram-me os horizontes como só a ficção científica pode fazer. Depois, via Tolkien, migrei para a Alta Fantasia, depois para os policiais e também para os romances históricos (como os de Humberto Eco). Hoje ando a ler Eça de Queirós e José Saramago, sendo que vou lendo também as aventuras de Tomás Noronha, por José Rodrigues dos Santos. Sou também grande fã de George R.R. Martin e da sua Canção de Fogo e Gelo, mas também das Crónicas de Alarya de Filipe Faria. E sim, ainda leio BD’s, quando tenho dinheiro para as comprar, pois hoje em dia já não se encontram em quiosques como no “tempo das vacas gordas” em que eu cresci, em absoluta felicidade.
Por todos os passeios à beira mar a filosofar interminavelmente, por todas as histórias lidas, por seres o meu primeiro mestre de artes marciais, por todas as aulas de astronomia em noites lusitanas, fico eternamente em tua dívida, meu pai. Que juntos festejemos saudáveis e felizes, pelo menos, mais 60 aniversários teus!
O meu pai gostava de ter sido arquitecto, mas foi sonho que ainda está por realizar. Pode ser que um dia eu lho possa proporcionar, como ele me proporciona a mim (juntamente com a minha mãe e o meu avô, claro) a minha contínua educação. Até lá, deixo estas imagens a acompanhar as minhas palavras nostálgicas e profundamente sentidas.




Legenda das Fotos: Esta é a Casa de Dupla Hélice, em Tóquio. Criada pelos estúdios de arquitectos Maki Onishi e Yuki Hyakuda . É uma casa citadina de multi-níveis, situada na zona residencial de Tóquio. Como a área onde foi erguida é cercada por outras habitações, o projecto foi limitado pelo espaço disponível, consideração que levou a construir-se em altura. Com escadas em redor do exterior e do interior, a casa torna-se numa hélice dupla, ascendendo em torno do perímetro. O núcleo é composto por um cubo branco abstracto que hospeda os espaços privados, enquanto divisões em torno do exterior suportam as áreas comuns.
Para evidenciar o traço do edifício, um painel de madeira escuro envolve a fachada. As formas simples e contrastes entre os materiais continuam no interior, onde a construção em betão é deixada exposta.
Fonte: http://www.designboom.com/weblog/cat/9/view/19372/onishimaki-hyakudayuki-architects-double-helix-house-tokyo.html










NOTA: As fotos são de Kai Nakamura.


Não sei se repararam, mas esta casa singular não foi escolhida ao acaso para este post. Afinal, que vos lembra uma Hélice Dupla (em Japonês, segundo o tradutor do google, Ni Jū Rasen == 二重らせん)?? Uma cadeia de ADN, talvez? E de onde vêm o ADN dos animais? Dos seus pais. Agora isto sim, é Desenho Inteligente! Ahaha Não resisti! ;P
Já agora, o título é apenas uma amálgama de palavras em Japonês que não fazem necessariamente sentido literário. Traduzindo à letra e por ordem (da esquerda para a direita): 60 Pai Dupla Hélice! Digam lá que não é um título pomposo quando dito em Japonês!? :D
Quanto à escultura, encontrei a imagem no google e não sei quem a fez ou fotografou, mas infelizmente não fui eu! 

Alex, signing off… again!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Casa em Izumi

O mês está quase a acabar, mas vamos acabar com estrondo aqui no N.I.N.J.A. Samurai. Amanhã, ou melhor dizendo hoje, que já é tão tarde que é cedo, vou fazer outro post para além deste. Esse outro post é o retorno duma secção há muito esquecida aqui do blog: "O Código do Samurai". Nos primórdios desta casa, costumava fazer acompanhar cada entrada de um sub-capítulo no qual discutia o "O Código do Samurai" e o interpretava à minha maneira. Claro está, que não procurava nunca substituir o livro original em si, apenas dar um modesto vislumbre de como se poderia adaptar e aplicar os princípios deste último aos dias de hoje. (Aqui entre nós que ninguém nos ouve, se este blog fosse sobre cultura Italiana, falaria sobre "O Príncipe" de Niccolò Machiavelli; se fosse sobre cultura Chinesa, falaria da "Arte da Guerra", de Sun Tzu... mas é sobre o Japão e assim abordo "O Código do Samurai" ;)
Deixei de abordar este tópico, porque tornava os meus posts enormes. Mas a partir deste mês, passarei sempre a ter uma entrada mensal só para o Código. Oss!

Contudo, por agora, deixo-vos com mais um tesouro da arquitectura nipónica moderna, um projecto intitulado:


Casa em Izumi_Ohmiya


















"O arquitecto japonês Yo Shimada, dos Arquitectos Tato, completou recentemente “Casa em Izumi_Ohmiya”. A residência e atelier foi resultado duma reconversão de um armazém existente no Japão, na cidade de Osaka. Os habitantes são um jovem casal com interesse em Bouldering (um estilo de escalada sem corda que consiste em escalar pequenos (de altura não superior a 6 metros) blocos de pedra [boulders, em inglês] mediante um circuito que é denominado “problema” e cujo final exige geralmente manobras de grande exigência física e técnica. A primeira imagem do post corrente é exemplificativa desta prática que tem rapidamente ganhado adeptos pelo Japão a fora). O interior, anteriormente oco, foi preenchido com paredes e coberto com mecanismos que permitem praticar o hobby dentro da casa. A aparência externa da estrutura foi alterada com placas de aço galvanizado e de interior ondulado (corrugated plates), que dão mais resistência estrutural, e também geram uma protecção por isolamento, entre a parede original e a nova fachada, contra calor e água.
Um sistema de aquecimento de chão foi colocado sobre o cimento, para maximizar o condicionamento do ar interior dentro do espaçoso volume interno, absorvendo luz solar através das grandes janelas viradas a sul. Esse calor é então armazenado e libertado durante o dia. Os separadores velhos usados para isolar o edifício do contexto urbano circundante foram removidos e substituídos por um pátio exterior, fechado por uma cerca feita de placas, com o mesmo principio das de aço mencionadas acima, mas translúcidas. As zonas ao nível do chão, reservadas para sala de estar e de jantar oferecem uma bela vista da rua."
(O texto acima é uma tradução quasi-directa do texto no site que serviu de fonte a este post:
http://www.designboom.com/weblog/cat/9/view/19430/tato-architectsyo-shimada-house-in-izumi-ohimiya.html#.T0mLRIT1PKY.facebook )























(Nota: todas as fotos e imagens, excepto a primeira, são propriedade intelectual dos Arquitectos Tato. Copyright Satoshi Shigeta. Todas, incluindo a primeira, são aqui partilhadas em boa fé e apenas para veícular cultura e informação.)


Despeço-me desta volta com um mero "Até loguito", porque ainda espero fazer outro post antes do dia terminar...