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domingo, 1 de janeiro de 2012

Um Feliz Ano de 2012

Os cartões Nengaju só devem ser entregues no dia 1. Eis o do N.I.N.J.A. Samurai!!




Quero começar o ano com uma mensagem de esperança, no meio de tanta agitação socio-económica e política que tem percorrido este nosso pequeno berlinde azul e que se adensou drasticamente no ano passado.




Por isso, recordo-vos daquilo que já sabem, lá no fundo. Que se cada um de nós se esforçar para fazer a diferença individualmente, o conjunto dessas difernças individuais e distintas entre si criará um futuro bem melhor do que aquele que será gerado quer por continuarmos a agir sem paixão, sem reflexão, aceitando tudo o que a televisão e os jornais nos dizem sem pensar duas vezes, porque "tem de ser" ou porque "sempre assim foi e há-de ser", quer pelo futuro gerado pela inacção da conformidade ou da perguiça. Cabe a cada um de nós melhorar o nosso cantinho do mundo, para conseguirmos, todos juntos melhorar o mundo inteiro.


Como exemplo dessa mesma filosofia de pensamento, mostro aquela que já é tida por muitos como a casa mais estreita do mundo. Que tem isto a ver com o Japão? Tudo, pois o seu dono e construtor é de facto japonês. Encontrei esta informação no http://www.sitedooriente.com/.
As imagens falam por si:















Um bem conhecido problema do Japão é a crescente falta de espaço para os seus habitantes. Em Portugal diz-se "A necessidade aguça o engenho." e assim sendo o arquitecto japonês Kota Mizuishi criou esta vivenda num estreitíssimo terreno. A moradia conta com cozinha, quartos, sala de jogos e casa de banho e está avaliada em cerca de 200 mil dólares americanos.





Resta-me apenas desejar a todos um excelente Ano Novo e pedir como único desejo que reflitam naquilo que vos disse acima e, se acharem mérito no argumento dado, coloquem-no em prática. Ajam, mas ajam com cabeça e não atabalhoadamente como os nossos políticos têm a mania de fazer, mais preocupados com as aparências de estare a desenvolver trabalho que em realmente tentarem descobrir um caminho não só orientado para os resultados, mas sustentável e de futuro, não só de curto prazo, mas também de longo prazo. Exemplo de como um cidadão comum pode fazer isso... dou três. Para os que têm lareira, vão recolher lenha nas florestas portuguesas, pois assim limpam as matas, poupam na electricidade para aquecimento e ajudam a prevenir ou minimizar os fogos florestais no Verão. Para os fisicamente aptos, tornem-se dadores de sangue e de medula óssea. E finalmente para todos, façam reciclagem.



Um feliz ano novo e rock on! ;)

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Geishun ou Gashou? - Parte 1


Em Janeiro, deste ano fiz uma entrada no blog sobre o Natal e o Ano Novo no Japão. A verdade é que o post ficou incompleto, porque realmente há muito para falar! Por exemplo, na imagem acima vemos um templo japonês super protegido contra espíritos malignos! Uma autêntica fortaleza! (Não, não estou doido, continuem a ler :)
Como em tudo o que é costume japonês, a preparação da festa celebrativa do Ano Novo é, nada menos, que um complexo ritual!
Já agora, o período das festas de Ano Novo, a que nós simplesmente chamamos por As Festas, no Japão é chamado: Oshougatsu.
O link abaixo faz ligação ao post de Janeiro supramencionado.
http://150anosportugaljapao.blogspot.com/2011_01_01_archive.html

Antes de mergulharmos no ritual de preparação do Ano Novo Japonês, vejamos primeiro uma festa que ocorre no final do mês de Dezembro, geralmente entre amigos ou colegas de trabalho. Chama-se Bounenkai e a sua origem oriunda do período Meiji. A palavra Bounenkai tem três significados como “esquecer a velhice”, esquecer os acontecimentos do ano que está a acabar” e “esquecer a diferença de idades entre as pessoas”. Essa festa proporciona um ambiente descontraído entre superiores e subalternos no local de trabalho, pois durante a mesma não se liga a postos hierárquicos. Com isso em mente, as pessoas beneficiam dum ambiente festivo e descontraído, que lhes permite para ter uma atitude mais extrovertida com os colegas e superiores do trabalho, fortalecendo assim os laços sociais no local de trabalho. A festa tem como pilares o sake, acompanhado de karaoke, e apresentações de habilidades especiais por partes dos convivas, como por exemplo números de ilusionismo ou dança. Como membros duma sociedade ultra-regulamentada, os japoneses aproveitam esta festa para descontrair do stress acumulado ao longo do ano, através de uma sensação de liberdade conseguida pelo relaxamento das regras sociais.
Outro costume é o da troca de cartões Nengajo, postais para desejar um bom ano novo a familiares, amigos e colegas estimados. Foi este costume que originou o título para este post. A tradição é enviar os cartões de desejos de um próspero Ano Novo durante o mês de Dezembro. O costume é tão intrinsecamente importante na sociedade actual japonesa que mesmo que uma pessoa coloque o cartão no correio a 1 de Dezembro, a pessoa ao qual este é destinado só o recebe a 1 de Janeiro. O que acontece é que os Serviços de Correios Japoneses acumulam os Nengajo e fazem uma massiva entrega no dia 1 do Ano Novo. De facto, o Ministério de Correios e Telecomunicações japonês (yuuseishou) edita alguns Nengajo especiais, designados pela expressão otoshidama-tsuki nenga hagaki, que possuem números para um sorteio de Lotaria. Contudo é considerado má educação enviar um desses cartões a alguém que perdeu um familiar nesse ano. Nesse caso, o costume diz que se deve contactar a pessoa antes da passagem de ano e dizer “ii otoshi wo omukae kudasai” que significa “tenha uma boa passagem de ano”. Depois do 1º de Janeiro, a frase usada deve ser “akemashite omedetou gozaimasu” (parabéns pela passagem de Ano).
Os Nengajo tem como premissa de concepção, por norma, o animal zodiacal, eto, que indique o ano presente. O eto deste ano é a Lebre, simbolizado pelo caracter 卯, e a sua direcção é o Leste. Cá em Portugal tem sido o Ano do Coelho e a direcção é para baixo direito ao inferno! Não resisti! Continuando... Existem muitos cartões diferentes à escolha, dependendo também das formas literárias de desejar uma boa passagem de ano e um feliz ano novo:
- Tsutsushinde shinnen no oyorokobi o moushiagemasu – transmito a minha alegria pela passagem de Ano;
- Shinshun no Goshukushi o Moushiagemasu – desejo-lhe um próspero Ano Novo;
- Gashou – uma saudação ao Ano Novo;
- Geishun – uma expressão que dá as boas vindas ao Ano Novo.
Outro costume impossível de falhar é a entrega ao chefe de um presentinho, chamado Oseibo, que é responsável pelo aumento de vendas nas lojas nesta altura!

Ataquemos agora os rituais do fim de ano!
Começa-se pela Oosouji, uma limpeza intensa que ascende ao nível de verdadeira purificação. Numa casa tradicional japonesa, as donas de casa livram-se dos tatamis velhos e substituem o papel dos painéis que compõem as divisórias da habitação. Até nos escritórios esta limpeza tradicional é observada e são os próprios trabalhadores a limpar os seus cubículos. Como é tradição, ninguém se queixa… pelo menos, de forma oficial ou audível!



Feita a purificação, há que afastar os espíritos malignos, pois como diz o meu sábio avô “Todo o cuidado é pouco!”. Para tal, as portas e portões são protegidos com decorações de corda feita de palha de arroz entrelaçada. Essas decorações são denominadas de shimenawa, que significa literalmente “corda que encerra”, e são usadas em rituais de purificação do sistema de crenças Shinto. Os templos xintoístas usam-nos para separar o mundo em geral dos lugares sagrados. São tidas como protecções contra espíritos malignos, sendo então frequentemente vistas em templos, lugares cerimoniais ou portões torii. Uma versão diferente das shimenawa é usada à cintura pelos yokozunas (os campeões de Sumo, imagem acima). Outro uso que têm é o de assinalar árvores tidas como sendo moradias de Kodama (espíritos malignos) e as quais é melhor não cortar, reza a crença.
(LEGENDA: A gravura vista em cima à esquerda é uma representação dum Kodama. E em baixo e à direita temos uma árvora portadora de Kodama!)



Decidi dividir este post em dois para não ficar enorme. Contudo, vou postar a sequela já de seguida.
Até já!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Kinga Shinnen

A expressão que dá título a este post quer dizer "Tenha um próspero Ano Novo", ou pelo menos assim me dizem as minhas fontes. Mas embora o Ano Novo seja uma data muito celebrada, com toda a pompa e circunstância, no Japão desde antanho, o Natal apenas recentemente começou a ser celebrado por lá.
Na verdade, o Natal foi para lá levado na esteira da 2ª Guerra Mundial, nas mentes e pelas tradições dos homens das forças ocupacionais norte-americanas lá estacionadas durante o pós-guerra. E mesmo durante muito tempo, foi apenas uma data festejada pelas crianças, cujo único propósito era a entrega das prendas e a doçaria. Mas tendo o Japão 1% da sua população cristã, as coisas mudaram. Hoje em dia festeja-se o Natal todos os anos, mas apenas na noite da véspera, ou seja na noite do dia 24. Isto porque o Natal não é feriado no Japão, trabalha-se tanto no dia 24 como no 25.
Há contudo um pormenor interessante: por meados dos anos 80, o Natal japonês era uma espécie de dia dos Namorados nipónico. O costume então era levar a namorada a sair, começando por um sumptuoso jantar com todas as regalias, passando pela troca de prendas e terminando numa noite num hotel. Esses hóteis produziam espectáculos especiais propícios aos rapazes conseguirem impressionar a namorada. O que é certo é que alguns desses rendez-vous chegavam a custar um mês de salário de um jovem trabalhador.
Contudo, com a chegada da crise económica e a estagnação da economia japonesa, o Natal reencontrou-se na Terra do Sol Nascente. Devido à falta de dinheiro, as pessoas deixaram-se deste costume excêntrico (no sentido do Euro Milhões!!!) e começaram a restringir as prendas a cartões de natal e flores. A passagem da noite, deixou de ser efectuada em hóteis e começou a ser feita em casa, com a família, fazendo karaoke (literalmente: "festa do lar"). As decorações e a doçaria são cada vez mais feitas também em casa e pelos próprios anfitriões e a festa ganhou um carácter informal, comportando apenas família e amigos mais chegados, mas em grupos pequenos com não mais de 10 pessoas.
O Natal não é Natal sem comida tradicional da época. Neste caso, o bacalhau da Consoada é trocado pelo karaage (frango frito, crocante e muito temperado) e o bolo rei, caracteristico numa mesa de Natal tradicional lusitana é trocado pelo kurisumasu keeki (um pão-de-ló coberto com natas, enfeitado com morangos e um Pai Natal em açúcar). Já agora, a palavra japonesa para Pai Natal é Jisu, que mais parece um japonesismo da palavra Jesus e ao que parece as crianças adoram a mística da história de Jesus e travam através dela conhecimento com a palavra berço. Parece que eles não usam disso, por lá! Kurisumasu Omedeto = Feliz Natal
Já o Shogatsu é todo um ritual. Pode começar a ser preparado um mês antes e acabar um mês depois, mas a época oficialmente festejada são os 3 primeiros dias de Janeiro. Todo o esforço, cujos pormenores eu não vou sequer tentar resumir pois são imensos, é para conseguir angariar energias positivas para o ano vindouro.
O Shogatsu é a celebração do dia em que nasce o ano. O costume tradicional manda que se deixe todos os problemas do ano anterior, pessoais e profissionais, resolvidos antes do 1 de Janeiro. Sinceramente, eu bem tento, mas deixo sempre algo por resolver. Chama-se Hatsumoude à primeira visita do ano ao templo, seja qual for a sua vertente religiosa, shintoísta ou budista. Este costume incorpora também o costume de doar umas moedas ao templo , atirando-as no Osaisen (caixa de doações), fazer soar duas vezes um sino e bater palmas, afim de saudar o novo ano, rezando a deus para lhes dar paz, saúde e prosperidade no futuro próximo... talvez um equivalente às nossas doze passas e doze desejos! O período para o Hatsaumude vai desde o ano velho até ao dia 7 de Janeiro do ano novo.
Também nesta época há comida tradicional. Ozouni é uma sopa de legumes e carne que terá surgido de um costume antigo de cozinhar comida para os deuses. A bebida tradicional da época é feita a partir de mirin (uma forma de sake doce), combinada com uma erva medicinal chinesa.
Por agora ficamos por aqui, mas terei mais a dizer no próximo post ainda sobre este tópico que tem panos para mangas!
Tsutsushinde shinnen no oyorokobi o moushiagemasu ("Estou a transmitir a minha alegria pela passagem de ano)
Até à próxima... ainda este ano, espero! eheheheh